segunda-feira, 30 de março de 2026

O PROPÓSITO ETERNO DE DEUS COM A IGREJA

  Rev. Marthon Mendes

1Pe 2:9 Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; 10 vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.

É bastante provável que você já tenha se perguntado: por que eu estou aqui? Não neste lugar, não agora, mas na Igreja. Por que a Igreja existe? Para que ela existe? Qual o propósito de Deus ao criar uma instituição tão complexa e que, apesar de saber que existe para proclamar as virtudes de Deus, nem sempre se dedica a esta finalidade?

Analisando a Igreja dentro de uma perspectiva fiel ao ensino das Escrituras facilmente nos convencemos de que a Igreja não pode ser uma invenção humana, uma mera organização religiosa. Ela só pode existir e subsistir por ter sido estabelecida pelo próprio Deus e sustentada por Ele no curso da história da redenção.

Primeiro, a Igreja surge como o povo da aliança, reunido por meio de Cristo, para a glória de Deus e manifestação visível de seu reino no mundo. O propósito de Deus sempre foi este. Já no Antigo Testamento Deus formava um povo para ser exclusivamente seu, uma nação de testemunhas de sua glória – e no Novo Testamento esta realidade se cumpre e se expande na Igreja de Cristo, formada por judeus e gentios unidos pela mesma fé no único salvador.

Is 43:10 Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, o meu servo a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que sou eu mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá.

A existência da Igreja deve ser entendida dentro da história da redenção: Deus sempre teve um povo, uma assembleia, uma congregação. Deus nunca se deixou ficar sem testemunhas de seu poder e glória. Se queremos compreender qual o nosso propósito na Igreja precisamos compreender qual o propósito de Deus na Igreja.

I.             A GLÓRIA DE DEUS

A primeira e principal razão da existência da Igreja é que Deus estabeleceu a Igreja para sua própria glória. A razão principal da existência da Igreja não está no homem – está em Deus. Deus separou um povo para que seu nome fosse conhecido, adorado e exaltado no mundo.

Sl 115:1     Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.

Na Igreja Deus manifesta sua glória de maneira especial, dando nova vida e adotando como seus filhos e adoradores os que antes eram inimigos mortais e mortos em delitos e pecados. A Igreja glorifica a Deus por meio do culto público, da adoração, da pregação, dos sacramentos e especialmente por meio da vida santa de seu povo. Deus é glorificado em sua Igreja.

Ef 3:20   Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, 21 a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!

A Igreja existe para mostrar ao mundo quem Deus é e o que Ele faz. A vida da Igreja é uma espécie de vitrine da graça, da misericórdia, da santidade e da justiça de Deus. Uma Igreja que, porventura, perca esta visão de que sua adoração, seu louvor e sua vida devem ser totalmente devotados para a glória de Deus ela já perdeu sua própria razão de existir.

II.          A EDIFICAÇÃO DOS CRENTES

Deus estabeleceu a Igreja para a edificação espiritual de seu povo. Deus não chamou os crentes para viverem a sua fé isoladamente – Ele os chamou para viverem em comunhão com Ele e uns com os outros, e, nesta comunhão, crescerem e amadurecerem espiritualmente dentro do corpo de Cristo.

Tt 2:13  aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, 14 o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.

Deus concedeu várias dádivas ao seu povo na Igreja para que nela os crentes sejam ensinados, fortalecidos e preparado para viver a vida cristã. E para isto ela concedeu cada um de nós com sua própria função e finalidade no corpo.

1Co 12:27 Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo.  

Um exemplo bíblico desta união vital da Igreja pode ser encontrado na Igreja primitiva, onde todos perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações, mostrando que Deus edifica seu povo por meio de sua Palavra, pelos sacramentos, pela oração e pela comunhão dos santos.

At 2:42  E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.

Chamamos estes elementos de edificação da Igreja de ‘meios de graça’ (especialmente a Palavra, os sacramentos e a oração) por meio dos quais Deus fortalece a fé, consola o coração, corrige o erro e conduz o crente à maturidade espiritual.

Por meio da comunhão na Igreja os crentes se sustentam mutuamente, fazendo da Igreja a escola da espiritualidade para edificação dos crentes, um hospital onde os pecadores são cuidados e uma família espiritual onde todos são alimentados. Sem a Igreja o crescimento espiritual saudável não ocorre porque foi esta a maneira estabelecida por Deus.

III.      A PRESERVAÇÃO E DEFESA DA VERDADE

Deus estabeleceu sua Igreja para a ser a legítima guardiã da verdade de Deus. Em um mundo marcado pelo erro, pela idolatria e pela falsa doutrina, Deus estabeleceu a Igreja como coluna e baluarte da verdade. A Igreja é coluna e fundamento da verdade, isto é, Deus confiou à Igreja a responsabilidade de guardar, ensinar e transmitir fielmente a sua Palavra.

1Tm 3:15    para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.

Os crentes são exortados a batalharem com diligência pela fé que o Senhor entregou de maneira plena e definitiva aos seus santos, isto é, à sua Igreja. Logo, compete à Igreja ensinar a verdade e defendê-la contra erros e heresias.

Jd 1:3    Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.

Batalhar pela fé e ser guardiã da verdade significa que a Igreja não tem autoridade nenhuma para inventar doutrinas – a tradição da Igreja, se não tiver base bíblica, não tem valor algum. A autoridade da Igreja deriva de ensinar fielmente aquilo que Deus revelou. Se uma Igreja abandona a verdade bíblica, se deixa de ser guardiã e defensora da verdade ela deixa de cumprir uma de suas principais funções no mundo e já não tem lugar para existir.

A Igreja é a guardiã do mais valioso dos tesouros: o evangelho, e deve preservar este tesouro, transmiti-lo com fidelidade às próximas gerações e protegê-lo contra distorções, internas ou externas.

IV.       PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO

Deus estabeleceu sua Igreja e lhe deu uma missão que vai além da adoração no templo – a Igreja não existe apenas para dentro, mas também para fora. A mesma Igreja que foi chamada para fora do mundo também foi enviada por ele de volta a este mesmo mundo para anunciar o evangelho da salvação em Jesus Cristo e fazer discípulos em seu nome.

Mt 28:18    Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. 19 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

A tarefa evangelizadora é uma das principais missões da Igreja e para isso o Senhor deu aos seus discípulos o poder do Espírito, capacitando-os a serem suas testemunhas até os confins da terra, mostrando que a Igreja foi criada para ser uma comunidade – tanto adoradora quanto missionária.

At 1:8    mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.

A teologia reformada entende que a missão principal da Igreja é a adoração ao Senhor, para sua glória – e como parte importante desta adoração está a pregação do evangelho, que é uma forma de adoração enquanto anuncia Cristo, chama pecadores ao arrependimento e reúne os eleitos de Deus por meio do chamado ao arrependimento e conversão para Deus.

Desta forma a Igreja funciona como uma embaixada do reino de Deus neste mundo, anunciando as boas novas da salvação e chamando os homens a se reconciliarem com Deus por meio de Jesus Cristo.

2Co 5:20     De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.

CONCLUSÃO

Estas são as razões para estarmos aqui na Igreja, para existirmos como Igreja: para glorificar a Deus, para nos edificarmos mutuamente, para preservarmos a verdade e proclamarmos esta verdade a pecadores que ainda não a conhecem, ou que a tem rejeitado, embora a conheçam.

Não somos um clube social – somos a Igreja de Deus. Não somos um partido político, somos aqueles que foram ‘cortados do mundo do pecado’ para servirmos ao Senhor. Não fazemos eventos religiosos – somos o povo de Deus reunido para glorificar a Deus, para ser edificado por Deus, para guardarmos a verdade de Deus e anunciarmos o evangelho de Deus.

Ter conhecimento destas verdades deve mudar a maneira como você, cristão, enxerga a sua participação na Igreja. Ser membro da Igreja não deve ser considerado como algo secundário na vida cristã – é parte essencial do plano de Deus para a vida de cada crente porque é na Igreja que Deus é adorado, é na igreja que a verdade é preservada e é por meio da Igreja que o evangelho alcança o mundo.

Amar a Igreja, participar da vida da Igreja e servir na Igreja é a essência da própria vocação cristã porque a Igreja é a família de Deus, o corpo de Cristo e o templo do Espírito Santo, estabelecido pelo próprio Deus para sua glória, salvação e edificação do seu povo.

domingo, 15 de março de 2026

A ORAÇÃO PASTORAL E AS CERTEZAS ESPIRITUAIS DOS CRENTES

A ORAÇÃO PASTORAL E AS CERTEZAS ESPIRITUAIS DOS CRENTES

Imagine que você acaba de descobrir que possui uma conta bancária com um saldo infinito, mas passou a vida inteira preocupado com os centavos para comprar o pão. Ou imagine estar em um quarto escuro, tateando as paredes com medo, sem saber que existe um interruptor bem ao seu lado que pode inundar tudo com uma luz gloriosa. É exatamente sobre isso que o texto que você está prestes a ler trata: o despertar para uma realidade muito maior do que os nossos olhos podem ver.

Esta mensagem deve nos incentivar a pedir algo que raramente lembramos de pedir para a Igreja: sabedoria, esperança firme e iluminação. Talvez não nos falte informações, mas é provável que haja muito menos sabedoria, e por isso nós precisamos que Deus nos abra os "olhos do coração".

Sem esta ação de Deus todos estaríamos perdidos, reagindo apenas ao que acontece no momento e, espiritualmente mortos, apenas aguardando o fim dos nossos dias. Mas, quando esses "olhos" são abertos, passamos a enxergar algumas realidades que mudam tudo:

i.               Você não está aqui por força do acaso nem por uma expressão de bondade pessoal. Tudo em você faz parte de um propósito abençoador, eterno e inabalável de Deus.

ii.            Por causa do propósito de Deus em sua vida Ele mesmo preparou e doou um tesouro espiritual seguro e infinito – um tesouro que não pode ser tomado e nenhuma crise econômica pode desvalorizar.

iii.         A Grandeza do Poder de Deus em sua vida. Este é o mesmo poder que trouxe Jesus de volta à vida depois da morte - a maior demonstração de força da história – e que age para abençoar aqueles que nele confiam.

iv.          A suprema eficácia do poder de Deus manifesto na forma de uma graça eficaz, um chamado por meio do qual Deus realiza infalivelmente tudo aquilo que determina na vida de seus eleitos.

Todos, independentemente de sua idade, seja jovem, adulto ou idoso, absolutamente todos enfrentamos momentos de cansaço, incerteza e a sensação de que somos pequenos demais diante dos problemas do mundo. A Palavra de Deus vem e nos lembra que a Igreja é o corpo daquele que governa absolutamente tudo, e por isso não temos razão para desmaiarmos em nossas almas.

Nosso Deus não é uma divindade distante ou sem poder – Ele é o Pai da glória, a fonte de toda benção, aquele que dá segurança que não depende de sua constância ou de sua perfeição moral porque Ele fez tudo depender da obra do Senhor Jesus, nosso mediador e intercessor. 

I.                A PRÁTICA PASTORAL DA ORAÇÃO INCESSANTE

15 Por isso, também eu, tendo ouvido da fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos, 16 não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações,

Neste texto o apóstolo Paulo diz que constantemente dava graças a Deus pelos efésios, sempre mencionando-os em suas orações.

Considerando o conceito de Palavra inspirada e verdadeira, temos a certeza de que ele realmente fazia isso. Só que não devemos imaginar que em todas as suas orações, quase que mecanicamente, ele tivesse uma lista de temas de oração.

Devemos entender isto dentro do costume apostólico de oração constante, em seus momentos de oração Paulo orava pelas Igrejas e em seus momentos de comunhão com Deus e intercessão pelos santos ele incluía a Igreja em Éfeso.

O verbo usado por Paulo indica uma prática habitual de oração, revelando que a intercessão do pastor Paulo pelo rebanho que o Senhor lhe confiou era parte permanente em seu ministério e caracterizava sua espiritualidade.

Rm 1:9 Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, é minha testemunha de como incessantemente faço menção de vós 10 em todas as minhas orações, suplicando que, nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de visitar-vos.

Do exemplo de Paulo aprendemos que a prática da oração constante está ligada à dependência absoluta da graça de Deus. Só não pede quem não precisa de nada. Paulo, apesar de ter inúmeras qualificações, não confiava na sua própria capacidade ou poder para fazer as coisas.

1Co 15:10 Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou ; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo.

Paulo também diz que certamente não confiava na capacidade humana da Igreja, mas somente no agir soberano de Deus.

2Co 3:4 E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; 5 não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.

Paul praticava o que ensinava, e ele ensinava à Igreja a orar sem cessar, mas isto não quer dizer que ele queria que estivesse sempre verbalizando seus pedidos (muito pedir), mas vivendo sempre em estado de dependência e fé.

1Ts 5:17 Orai sem cessar. 18 Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.

A vida de oração de Paulo não dependia das circunstâncias. O contexto desta carta mostra que Paulo estava preso, muito provavelmente em sua primeira prisão em Roma. Era uma prisão domiciliar onde o apóstolo podia receber visitas e assim as notícias chegavam a ele com facilidade.

Mesmo prisioneiro ele ainda orava perseverantemente pelas Igrejas, exemplificando, através de sua atitude, sua esperança na ação de Deus e sua certeza da eleição divina porque o Espírito do Senhor lhe dava esta convicção.

Sua oração era incessante porque fazia parte do seu estilo de vida, era uma oração pastoral porque visava o crescimento da Igreja em Cristo Jesus, era incessante, era biblicamente orientada porque reconhecia a soberania absoluta de Deus, e era cristocêntrica porque se fundamentava na obra de Cristo como mediador da aliança e Senhor da Igreja.

Hb 7:25 Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.

É natural que você se pergunte: por que Paulo fazia isso? Paulo os conhecia muito bem, e entre as motivações de Paulo ele lista duas: ele tinha certeza de que eles haviam crido no Senhor Jesus e porque sabia que eles amavam todos os santos de Deus.

1.           POR SABER QUE ELES TINHAM FÉ NO SENHOR JESUS

Paulo afirma ter ouvido que os efésios tinham fé no Senhor Jesus. A fé é uma evidência clara de que a graça de Deus está atuando. Nos versos 3-14 do capítulo 1 é descrita como o resultado da eleição de Deus e da redenção, como um dom de Deus.

Fp 1:29 Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele, 30 pois tendes o mesmo combate que vistes em mim e, ainda agora, ouvis que é o meu.

Paulo diz que “ouviu” a respeito da fé que os efésios tinham. Ele não precisava ouvir para saber que eles eram crentes – ele os conhecia, ele havia estado entre eles, mas, mesmo na prisão lhe chegaram notícias dos efeitos do evangelho que esteava produzindo frutos observáveis entre os efésios.

Tg 2:17 Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.

Sabemos que o ambiente no qual viviam os efésios não era um ambiente muito favorável. Ali havia paganismo, idolatria, perseguição contra a Igreja, e eles continuavam fiéis, amorosos e produtivos porque a sua perseverança na fé era sinal claro da ação regeneradora e preservadora do Espírito Santo.

At 19:18 Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras. 19 Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinquenta mil denários. 20 Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente.

A fé que produz salvação também produz nova vida, transformadora e vai muito além da filiação religiosa. Ser membro de uma religião sem ter fé em Jesus Cristo não produz resultados como os que houve em Éfeso.

Paulo afirma que eles creram no Senhor Jesus – não apenas mediador e salvador, mas o Senhor, ao qual eles se submeteram com coração voluntário, ficando inseparavelmente unidos ao seu Senhor, passando a viver uma nova vida.

Rm 6:5 Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, 6 sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; 7 porquanto quem morreu está justificado do pecado.

Paulo ora por aqueles que Ele reconhece que possuem fé no Senhor Jesus Cristo, e esta fé confirma que Deus começou boa obra neles – e Ele sempre completa a obra que inicia, Ele sempre aperfeiçoa àqueles a quem regenera pela fé em Jesus.

Fp 1:6 Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.

2.           POR SABER QUE ELES AMAVAM TODOS OS SANTOS

O amor dos efésios para com todos os santos também era reconhecido – e estas notícias chegavam a Paulo em seu cárcere. É evidente que o amor fraternal é sinal de regeneração porque amor e fé são inseparáveis.

Cl 1:3 Damos sempre graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vós, 4 desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos;

Paulo enfatiza que o amor dos efésios era por ‘todos os santos’, e isto, que pode passar sem ser percebido com o devido cuidado.

A razão que precisamos deter os nossos olhos sobre esta expressão é o indicativo de que o amor cristão não é seletivo – ele é um fruto necessário da nova natureza, é um resultado inescapável da ação do Espírito Santo porque tanto judeus quanto gentios agora fazem parte de um só corpo corpo de Cristo.

Assim, amar todos os santos é evidência da reconciliação realizada por meio de Cristo.

Cl 3:11 …no qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos. 12 Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. 13 Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; 14 acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.

A bíblia ensina que o amor não é uma questão de escolha ou de capacidade humana porque é um fruto necessário da presença do Espírito Santo porque a Igreja é a comunidade da aliança, dos que entraram em aliança com Deus por meio de Cristo, e o amor entre os membros deve confirmar que eles pertencem ao mesmo povo eleito.

Gl 5:22 Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, 23 mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.

Paulo orava pela Igreja dos efésios, e nisto certamente havia ações de graças porque via neles sinais reais da graça de Deus, reconhecendo que o crescimento do amor da Igreja depende de Deus.

Paulo tanto agradecia a existência da obra de Deus como da intercessão em favor da Igreja para que esta obra iniciada fosse permanente e se completasse.

1Co 1:7 de maneira que não vos falte nenhum dom, aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo, 8 o qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo. 

II.            A CERTEZA DE QUE DEUS É A FONTE DE TODAS AS BÊNÇÃOS DA IGREJA

Ef 1:17 para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, 18 iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos 19 e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder;

Paulo deixa claro que ele pede que o Senhor conceda bençãos para a Igreja, mostrando que toda oração está fundamentada na convicção de que Deus é a fonte absoluta de toda benção, tanto material quanto espiritual.

Ele já havia afirmado que Deus tem abençoado a Igreja com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais em Cristo. Isto deixa claro que nenhuma graça procede do homem, mas tudo vem do Senhor.

Tg 1:16 Não vos enganeis, meus amados irmãos. 17 Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. 18 Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.

Você tem alguma dúvida de que Deus é a causa primeira de toda benção, da sua salvação, da santificação e da perseverança? Você duvida de que a Igreja vive e deve viver em dependência total da ação abençoadora de Deus?

Jo 15:5 Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.

Deus é chamado de “Pai da glória” para enfatizar sua majestade, sua soberania e sua transcendência. A glória do Senhor sempre está relacionada com a santidade e o domínio de Deus sobre todas as coisas. Ele é o Senhor – Ele é o único Senhor, e por isso toda a glória pertence exclusivamente ao Senhor.

Is 42:8 Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura.

A oração não é uma conversa com alguma divindade limitada – ela é a expressão de um coração que depende inteiramente do Deus soberano, do Deus que possui toda autoridade e poder para conceder todas as coisas que prometeu.

O nosso Deus é o de nosso Senhor Jesus Cristo – o Deus que enviou seu Filho para se fazer carne e ser o mediador entre a criatura caída e sua presença gloriosa. Em sua encarnação Cristo se dirige ao Pai como seu Deus e, como nosso mediador, Ele representa seu povo diante de Deus a quem chama de “seu” Pai.

Jo 20:17 Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus Irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus.

A oração pastoral não pede prosperidade material. Ela busca crescimento espiritual porque a maior necessidade da Igreja é conhecer a Deus de forma mais profunda, mais íntima, mais verdadeira.

O verdadeiro tesouro do povo de Deus não está nas posses ou circunstâncias externas, mas em ter um relacionamento biblicamente orientado com o Senhor.

Jr 9:23 Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; 24 mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR.

Só pode haver conhecimento de Deus mediante a revelação de Deus pois o homem natural não pode conhecer o homem a si mesmo. O verdadeiro conhecimento de Deus é resultado da revelação divina e da resposta do homem a esta revelação.

1Co 2:9 mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. 10 Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus.

A prática da oração confirma que a Igreja vive do que Deus concede e não do que ela eventualmente se julgue capaz de produzir. Todo bem procede da graça soberana de Deus e por isso a vida cristã é sustentada pela dependência, pela fé e pela oração.

Rm 8:32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?

1.           ESPÍRITO DE SABEDORIA PARA A IGREJA

A Igreja precisa de “espírito de sabedoria”, e deve orar por isso todos os dias. Mas calma, reformado. Não seja apressado.

Não se trata de um novo espírito diferente do Espírito Santo ou de uma nova forma de manifestação do Espírito Santo – trata-se da obra do próprio Espírito aplicando a verdade de Deus à mente dos crentes, dando sabedoria espiritual aos seus corações.

Os efésios não precisavam receber o Espírito Santo – eles já foramabençoados com sua ação quando creram.

Ef 1:12 a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; 13 em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; 14 o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.

Não é lógico pensar que a oração seja uma nova habitação do Espírito, mas por uma atuação mais profunda dele na compreensão da verdade porque a sabedoria está ligada ao conhecimento da salvação em Cristo e à correta compreensão do plano eterno de Deus.

Cl 1:9 Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual;

Você sabe que a Escritura distingue claramente entre a sabedoria humana (terrena) e a sabedoria divina (celestial). A sabedoria do mundo, humana, é terrena e não pode conduzir o homem além de sua própria origem, isto é, não pode conduzir o homem ao conhecimento de Deus.

1Co 1:21 Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação.

Cristo, no entanto, é apresentado como a própria encarnação da sabedoria de Deus para a salvação do seu povo. Por isso, somente por meio do Espírito Santo o crente pode compreender as realidades espirituais porque o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus.

1Co 2:14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

A sabedoria que Paulo quer que a Igreja receba é a sabedoria revelada, não filosófica, não especulativa. É uma sabedoria espiritual, transformadora e redentiva.

Essa sabedoria está relacionada com a iluminação do Espírito na leitura, compreensão e aceitação da verdade das Escrituras.

A Palavra é perfeita em si mesma – mas acontece que o entendimento humano precisa ser aberto pelo Espírito para que a verdade seja percebida corretamente, gerando crescimento espiritual que depende de compreensão verdadeira e salvadora da revelação dada, e não de novas revelações.

Sl 119:130 A revelação das tuas palavras esclarece e dá entendimento aos simples.

A sabedoria espiritual não é simplesmente estática ou contemplativa – ela produz frutos práticos. Ela conduz à santidade pois conhecer a Deus leva inevitavelmente a viver para Deus.

Cl 1:9 Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; 10 a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus;

Esta sabedoria também conduz à perseverança, pois a sabedoria das Escrituras promove maturidade espiritual, levando o crente a discernir o bem e o mal e assim se tornar cada vez mais firme na fé e por isso devemos orar para que a Igreja não permaneça infantil na fé, mas cresça em entendimento espiritual, vivendo de acordo com a verdade revelada em Cristo.

2Tm 3:14 Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste 15 e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. 16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.

2.           REVELAÇÃO NO PLENO CONHECIMENTO DE DEUS

A Igreja precisa que Deus lhe conceda revelação do pleno conhecimento dele. Essa expressão não quer dizer que Paulo estivesse pedindo novas doutrinas ou novas mensagens fora das Escrituras. Paulo não pedia que a Igreja recebesse novas revelações.

A revelação que Deus já deu é suficiente para a Igreja. Deus já falou plenamente em Cristo e na sua Palavra inspirada. A revelação que Paulo está pedindo à Igreja refere-se à ação do Espírito que torna a verdade revelada cada vez mais clara ao entendimento do crente.

Hb 1:1 Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, 2 nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.

‘Pleno conhecimento’ (epignosis) não é conhecimento de todas as coisas, mas um tipo de conhecimento verdadeiro, profundo, interior e pessoal, transformador e não apenas informação intelectual.

Este conhecimento envolve relacionamento com Deus, uma comunhão real e uma experiência espiritual autêntica pois conhecer a Deus é participar da nova vida que Ele concede em Cristo, e este conhecimento cresce e frutifica ao longo da vida cristã.

Cl 2:2 para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, 3 em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.

O conhecimento de Cristo é suficiente, e por isso Paulo ora para que Deus conceda revelação, mas não acrescentando conteúdo novo. Ora para que o Senhor conceda aprofundamento na compreensão daquilo que já foi revelado.

Conhecer a Deus é linguagem da aliança, é estar vitalmente ligado a Cristo. Não se trata de saber quem Deus é, mas de viver em comunhão com Ele.

Crescer espiritualmente não consiste em buscar experiências inexplicáveis e extraordinárias, mas em compreender cada vez mais a glória de Deus revelada em Cristo e nas Escrituras.

Jo 17:3 E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

3.           ILUMINAÇÃO INTERIOR

Paulo ora por iluminação dos ‘olhos do coração’ da Igreja. O que isto significa? O que ele queria dizer com isso?

Esta expressão não descreve uma atuação desconhecida, misteriosa e incontrolável do Espírito Santo, mas a obra interna do Espírito Santo que capacita o crente a perceber e compreender as realidades espirituais, como aconteceu com Lídia.

At 16:14 Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia.

Na linguagem bíblica coração não é meramente o centro das emoções, como usualmente descrevemos romanticamente hoje.

O coração aqui tem o sentido que também usamos de ser o ponto mais fundamental, é o centro de toda a vida interior, e isto inclui a mente, a vontade e, é claro, as afeições. Quando a iluminação do Espírito atinge o coração isto significa que todo o ser do crente foi alcançado pela luz da verdade de Deus.

Pv 4:23 Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.

De novo, calma! Esta iluminação não deve jamais ser confundida com alguma forma de nova revelação ou uma revelação superior às Escrituras.

A Escritura que foi dada à Igreja já está completa, mas o entendimento humano precisa ser aberto para que ela seja realmente compreendida.

Foi o Senhor quem abriu o entendimento dos discípulos para compreenderem as Escrituras, do mesmo modo que o salmista ora para que Deus lhe abra os olhos para contemplar as maravilhas da Lei de Deus.

Paulo também ensina o mesmo princípio ao afirmar que Deus ilumina o coração para que a Igreja conheça a glória de Cristo.

2Co 4:6  Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.

Esta iluminação está ligada à obra da regeneração e da santificação. Sem a obra do Espírito o homem natural, espiritualmente cego por causa do pecado é incapaz de ver a luz da verdade, e somente pela ação do Espírito ele pode receber a salvação como um ato da graça, e não o resultado da capacidade humana.

Esta iluminação tem um propósito específico: levar o crente a compreender quatro grandes realidades espirituais que sustentam sua fé e sua esperança: a esperança do seu chamamento; a riqueza da glória de Deus; a grandeza do poder de Deus e a eficácia do seu poder.

3.1.      É A ESPERANÇA DO CHAMAMENTO

A primeira realidade fundamental é ter uma resposta para “qual é a esperança do seu chamamento”. O chamamento aqui não é apenas convite externo, que pode chegar a todas as pessoas, mas o chamado eficaz de Deus, a ação interior do Espírito Santo que traz o pecador à salvação e que procede da eleição eterna de Deus e produz fé no coração dos escolhidos.

Rm 8:29 Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.30 E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.

A esperança que resulta deste chamado não é uma esperança vã ou incerta. Ela é segura porque tem fundamentos sólidos e eternos: a promessa imutável de Deus, e por ela o crente pode viver em confiança porque Aquele que chama é imutável, e Ele tanto chama quanto preserva até o fim.

Hb 6:17 Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento, 18  para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta; 19 a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu,

3.2.      A RIQUEZA DA GLÓRIA DA HERANÇA DOS SANTOS

Primeiro nós conhecemos a razão de confiarmos no chamado – porque Aquele que chama é fiel. Mas, você se pergunta, chamado para que?

Afinal todo chamado tem uma finalidade, e o chamado de Deus é para que os crentes conheçam a riqueza da glória da sua herança nos santos – para que os crentes experimentem a herança que o Pai lhes deu quando creram em Jesus Cristo, a salvação final, o reino eterno e a comunhão perfeita com Deus na glória, uma herança incorruptível que não é conquistada, nem merecida, mas concedida pela graça soberana e infinita de Deus.

1Pe 1:4 para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros.

Rm 8:17 Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.

Esta herança não é merecida, não é conquistada, nem é mantida pela vontade do homem. Ela é garantida pela união com Cristo, porque, em Cristo, os que creram foram feitos co-herdeiros. É uma herança rica, abundante de graça, e isto mostra que aquilo que Deus preparou para seu povo é incomparavelmente superior a qualquer benção terrena.

Ef 2:4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, 5  e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos, 6  e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; 7  para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.

3.3.      A SUPREMA GRANDEZA DO PODER DE DEUS

A esperança do cumprimento do chamamento de Deus é uma promessa de herança que Deus garantiu que será realizada. Isto não acontece por causa de ações meritórias, nem antes, nem depois do novo nascimento.

Ela é garantida por causa da suprema grandeza do seu poder para com os crentes – é o mesmo poder que opera na regeneração, que dá nova vida, que justifica e que faz o crente perseverar na fé apesar de sua própria incapacidade.

1Pe 1:3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, 4 para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros 5 que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.

A salvação não depende da força ou vontade humana – ela é uma dádiva exclusiva da graça de Deus, somente do seu poder soberano, que chama, que regenera e que sustenta o seu povo até o fim.

Jd 1:24 Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, 25 ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém!

3.4.      A SUPREMA EFICÁCIA DO PODER DE DEUS

O apóstolo Paulo usa vários termos para descrever a eficácia do poder divino com o propósito de mostrar que a obra de Deus é poderosa, irresistível e segura.

Esta ação de Deus é chamada de graça eficaz, o chamado segundo o qual Deus realiza infalivelmente tudo aquilo que determina na vida dos seus eleitos.

Jo 6:37 Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.

Como o Senhor é todo poderoso e nenhum de seus planos pode ser frustrado nada pode fazer com que o propósito de Deus não se realize: Deus faz tudo conforme o conselho de sua vontade e é por isso que a segurança da Igreja não está em sua própria força, mas no infinito poder de Deus que opera nela.

Is 46:9 Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; 10 que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; 1  que chamo a ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do meu conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei.

CONTINUA EM

BASES BÍBLICAS PARA O CRENTE VIVER CONFIANTEMENTE

BASES BÍBLICAS PARA OS CRENTES VIVEREM CONFIANTEMENTE

 BASES BÍBLICAS PARA OS CRENTES VIVEREM CONFIANTEMENTE

INTRODUÇÃO

A esperança da Igreja não repousa nas emoções mutáveis e nas capacidades humanas, mas na soberania absoluta de Deus, a única fonte de todo poder e sabedoria. A segurança dos eleitos está ancorada em fatos históricos e celestiais consumados por Cristo:

O que a Igreja deve fazer? Quais as orientações praticas que podemos ter para viver destemidamente, como povo que é guiado e cuidado por um Deus todo poderoso e soberano?

1.  Abandone toda autoconfiança porque nossa segurança vem da obra de Cristo, e não de nosso esforço ou poder;

2.  Confie mais em Deus do que você tem medo das trevas porque Cristo está acima de qualquer nome ou poder que tente intimidar ou destruir o povo de Deus. As portas do inferno não prevalecerão;

3.  Assuma sua identidade como filho de Deus, herdeiro das promessas, corpo de Cristo que é sustentado pela força daquele que governa todo o universo com soberania e intercede eficientemente por você continuamente.

Que a certeza da ressurreição, garantida pela ressurreição e exaltação de Cristo transforme sua fraqueza em coragem porque a promessa na qual você tem esperança foi feita por Deus, aquele que não pode mentir, aquele que não pode falhar, aquele que tem todo poder e que a tudo enche em todas as coisas.

Mas talvez você ainda se pergunte: de onde pode vir esta certeza, qual deve ser a base da confiança da Igreja? A resposta é oferecida pela Palavra de Deus nesta carta de Paulo aos efésios, no capítulo 1, versos 20 a 23.

Ef 1:20 o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais,

21 acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro.

22 E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja,

23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.

A BASE DA CONFIANÇA DA IGREJA

Ef 1:20 o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, 21 acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro. 22 E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, 23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.

O fundamento da certeza do crente é o poder de Deus que opera em seu ser. É este poder que traz segurança para a Igreja. Não podemos confiar em sentimentos, tão mutáveis. Não podemos confiar em experiencias que podem ser interpretadas erroneamente e podem não se repetir. Também não podemos confiar nas capacidades humanas – a única base de confiança para a Igreja é a obra histórica e consumada por Cristo no calvário.

O poder que atua nos crentes, hoje, é o mesmo poder que atuou na Igreja primitiva, é o poder de Deus, demonstrado poderosamente por meio de Jesus Cristo – este é o fundamento da confiança cristã.

É a confiança neste poder e nos fatos redentivos reais que forma a base da fé da Igreja: a ressurreição, a exaltação, a supremacia e o governo de Cristo. É nisto que se baseia a certeza da salvação – saber que pertence a Cristo, que foi resgatada pela obra perfeita do mediador, Jesus Cristo.

1Co 1:30 Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, 31 para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.

Podemos ter esta certeza porque o mesmo Deus que nos elegeu nos chamou; o mesmo Deus que nos chamou nos regenerou; o mesmo Deus que nos regenerou ressuscitou e exaltou seu Filho, e também nos ressuscitará e glorificará.

Rm 8:30 E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. 31 Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? 32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? 33 Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. 34 Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.

É por causa do poder de Deus que a Igreja pode viver em plena segurança pois sua redenção não é garantida por sua própria força, mas pela vitória de Cristo.

Jo 10:28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. 29 Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.

A confiança do povo de Deus é sustentada por quatro fundamentos – toda a esperança da Igreja está firmada na obra soberana de Deus realizada em Cristo, e aplicada pelo Espírito Santo na Igreja.

Ef 1:18 iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos 19 e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; 2 o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, 2 acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro. 22 E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, 23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.

1.           A RESSURREIÇÃO DE CRISTO

Ef 1:20 o qual exerceu ele em CRISTO, RESSUSCITANDO-O DENTRE OS MORTOS e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais

O crente confia no poder de Deus para ressuscitá-lo porque é um poder que já foi manifestado, já foi provado, ressuscitando Jesus dentre os mortos. A ressurreição de Cristo é o primeiro grande fundamento da confiança da Igreja porque ela não foi um milagre isolado – foi o ato central da redenção pelo qual o Senhor declarou que a obra de Cristo em nosso favor foi plenamente aceita e que o pecado foi vencido.

2Pe 1:17 pois ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.

A morte de Cristo não era necessária por causa dele – foi vicária, foi por nossa causa. Cristo se entregou em favor de sua Igreja, e por ter entregado oferta inteiramente aceitável, Paulo ensina que a sua ressurreição foi o sacrifício eficaz para que a nossa culpa fosse removida e fossemos justificados.

Rm 4:24 mas também por nossa causa, posto que a nós igualmente nos será imputado, a saber, a nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, 25 o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação.

Diferente dos sacrifícios da lei mosaica, que tinham eficácia por causa da promessa de Deus e da fé dos ofertantes, mas que eram temporários, a ressurreição de Cristo é a prova da vitória definitiva sobre a morte e por isso Cristo é chamado de “primícias”, isto é, sua ressurreição é a primeira, aquela que garante a ressurreição de todo o seu povo.

1Co 15:20 Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. 21 Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. 22 Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.

Assim como a ação de Adão foi permanente até a vitória de Cristo, a vitória de Cristo é permanente para a eternidade e por isso a Igreja pode viver na certeza de que a morte jamais terá a palavra final – porque Cristo a venceu ao sair do seu túmulo

Hb 2:14 Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, 15 e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida.

A ressurreição de quem crê, a sua ressurreição, está garantida porque ela está ligada à sua própria união com Cristo. Não cremos apenas na ressurreição – vamos além, já participamos dela espiritualmente porque pela fé fomos sepultados com Cristo, e ressuscitados com Ele para uma nova vida. A nova vida já começou – já a experimentamos, e a glorificação futura é certa, é garantida pelo poder daquele que não mente nem falha.

Rm 6:4 Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. 5 Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição,

A ressurreição não é só uma mera promessa ou apenas uma esperança – a ressurreição é o fundamento da regeneração porque todos os que creem são regenerados mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos – o novo nascimento só é possível pelo poder que venceu a morte.

1Pe 1:3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, 4 para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros 5 que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.

Se alguém te perguntar: por que você tem tanta certeza, de onde vem toda a sua confiança a única resposta possível é: porque o mesmo poder que levantou Cristo é o poder que sustenta a salvação de cada crente, de todos os crentes, a sua salvação à partir do momento em que creu em Jesus Cristo.

Fp 3:9 e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; 10 para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; 11 para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos.

2.           A GLORIFICAÇÃO DE CRISTO

Ef 1:20 o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, 21 acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro.

A base da confiança do crente na promessa do Senhor de glorificar os que creem em Jesus Cristo baseia-se, além da ressurreição, no fato de que Deus o fez sentar-se ‘à sua direita nos lugares celestiais’. Isto quer dizer que o nosso Senhor, nosso mediador, nosso primogênito, Jesus Cristo foi exaltado, recebeu toda honra e autoridade. Cristo está assentado à direita de Deus e em superioridade sobre todos os seus inimigos.

At 2:33 Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis. 34 Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo declara: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, 35 até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés. 36 Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.

A posição de Jesus, à destra de Deus, tem um duplo e impressionante significado. Primeiro, ela indica aceitação, acesso. Ele não está de frente, suplicando, como os sacerdotes do Antigo Testamento faziam continuamente – ele está assentado, entronizado. Depois de oferecer a si mesmo Cristo assentou-se mostrando que o sacrifício foi perfeito e definitivo.

Hb 10:12 Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, 13 aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés. 14 Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados.

Temos certeza de que não há mais condenação para os que estão em Cristo Jesus porque Ele foi aceito, está entronizado, reina soberano e é seu salvador perfeito e dará assento nos lugares celestiais a todos os que creem nele.

Ef 2:6 e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus;

A glorificação revela que Cristo governa todas as coisas como mediador infalível. Ele se humilhou e foi exaltado. Ele se ofereceu como sacrifício e oferta, e reina como Senhor, exercendo com plenitude, em favor dos que creem nele, seu ofício perpétuo de rei, sacerdote e profeta – e tudo isto em nosso favor.

Hb 7:25 Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.

A posição de Cristo, elevado ao lugar celestial, assentado à direita de Deus, garante que a segurança da Igreja não depende de sua constância de si mesmo, mas da obra permanente do Senhor Jesus Cristo. Você pode confiar plenamente em Jesus porque a sua glorificação é a mais poderosa demonstração de Deus de que a redenção foi consumada, aceita pelo Pai e é aplicada continuamente ao seu povo.

3.           A SUPREMACIA DE CRISTO SOBRE TODAS AS COISAS

Ef 1:20 o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, 21 acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro.

A glorificação de Cristo garante sua supremacia absoluta, sobre todo principado, potestade, poder, domínio e qualquer outra forma de autoridade. Cristo concentra em suas mãos toda a autoridade existente, tanto no mundo visível quanto invisível – Ele está acima de todos os poderes.

Cl 1:17 Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. 18 Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, 19 porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude

Todas as coisas foram criadas por meio de Cristo, e todas as coisas foram criadas para Cristo, e é Ele quem, por seu poder e de sua Palavra que sustenta todo o universo. Não existe nada fora do domínio de Cristo.

Hb 1:3 Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, 4 tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles.

A profecia do salmo 8.6 se cumpriu perfeitamente em Cristo. Deus declara que Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e lhe deu autoridade absoluta sobre todas as coisas, tanto as do céu quanto as da terra.

Hb 2:8 Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas;

A bíblia não afirma que Cristo terá supremacia em algum momento no futuro. Ele já reina soberanamente sobre todas as coisas. As Escrituras declaram que Ele já a tem – sua supremacia é presente e eterna – ela já foi inaugurada e é definitiva. Toda a autoridade foi dada ao seu Senhor, ao meu Senhor, ao nosso Senhor, no céu e na terra.

Mt 28:18 Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.

Nenhum poder, humano, político ou espiritual pode frustrar o plano de Deus. Deus, por sua providência, governa todas as coisas de acordo com o conselho de sua vontade.

Ef 1:11 nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, 

É reconfortante saber que aquele que a ama a ponto de entregar-se à morte por ela detém em suas mãos poder sobre todas as coisas e, em Sua autoridade absoluta, garante que nada pode nos separar deste amor – até as provações da nossa fé estão debaixo do seu governo e cooperam, por sua vontade, para o bem daqueles a quem Ele ama.

Rm 8:28 Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

A supremacia de Cristo garante que toda a história está sob o controle divino, e que você está seguro porque pertence ao Senhor que reina com poder absoluto sobre absolutamente todas as coisas.

4.           O GOVERNO DE CRISTO SOBRE SUA IGREJA

22 E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, 23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.

Por fim, Paulo mostra mais um elemento que dá confiança aos crentes. Ele nos mostra que a supremacia de Cristo é um dom de Deus e tem um propósito especial – é para o bem do seu povo. Cristo governa todo o universo, mas governa ‘relacionalmente’ sobre a Igreja, exatamente como uma cabeça está ligada a todo o corpo.

Pense no que significa Cristo ser o cabeça da Igreja?

i.              Primeiro: ser o cabeça tem o sentido de que Ele é a autoridade, é quem determina os rumos da vida, as escolas, as ações. Ele é o guia do corpo.

ii.            Segundo: Ele é a fonte da vida. A Igreja cresce e é sustentada por sua união com Cristo, o cabeça. Assim como o corpo depende da cabeça para sua existência, a Igreja depende de seu cabeça, Cristo, para manter a sua existência.

Ef 4:15 Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, 16 de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.

É muito importante destacar que a imagem de Cristo como o cabeça do corpo mostra também a união espiritual entre Jesus e os crentes. Não há nenhum membro do povo de Deus que não esteja ligado a Cristo em uma união fundamental para a salvação pois todas as bençãos são recebidas unicamente por estarem em união com Cristo.

Jo 15:5 Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6 Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam.

A Igreja é chamada de “plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas”. Isto não significa que a Igreja completa Cristo, porque Ele é tudo em todos. Isto quer dizer que, na Igreja, Cristo manifesta sua plenitude governando e sustentando seu povo com graça e poder – o mesmo Senhor que é o governante supremo do universo também dirige todas as coisas para beneficiar o povo que Ele comprou com seu precioso sangue.

Rm 8:28 Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

Saber que o Senhor, seu Salvador, o mediador da aliança por meio do derramamento de seu próprio sangue, governa o universo para seu bem traz grande segurança. Temos a garantia de que a Igreja não está abandonada num mundo caótico e cruel.

A verdade é que a Igreja é como um corpo conduzido pelo próprio Senhor, como seu cabeça porque Ele mesmo prometeu que edificaria sua igreja e que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela.

Mt 16:18 Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

Todas as certezas espirituais que o crente tem em seu coração são fruto da fé e da razão. Da razão por que se baseia em fatos como a morte e a ressurreição de Jesus, e da fé porque confia plenamente na obra soberana de Deus, realizada em Cristo, aplicada pelo Espírito e garantida pelas Escrituras. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS QUE PROVAM O PODER DE DEUS

A salvação não é uma mera possibilidade, mas ela também não é impossível: ela é uma certeza garantida unicamente pelo grandioso " peso de glória" do poder divino.

A ressurreição de Cristo é um ato cósmico, é um ato de consequências universais, pois nesta ação Deus declarou a derrota definitiva da morte e do pecado.

Ao fazer Jesus assentar-se à sua direita, o lugar que já era seu por direito divino, o Senhor selou o testemunho da eficácia do sacrifício de Jesus mostrando que sua obra foi inteiramente concluída e totalmente aceita. Isto quer dizer que o mesmo poder que rompeu o túmulo, expos a morte ao ridículo é o poder que sustenta a sua fé hoje.

Jo 17:3 E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. 4 Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; 5 e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo.

Cristo recebeu do Pai plena autoridade, sobre todas as coisas, tanto as do céu quanto as da terra, visíveis e invisíveis – todas estão sob o governo de Cristo que governa sobre todo principado, potestade, domínio, poder, autoridade, hoje e para sempre. Para os eleitos, isso significa que absolutamente nada foge ao controle do Mediador, e isto nos traz plena segurança.

Por mais caótico que o mundo possa parecer ele não está desgovernado. Tudo está sob o controle de Deus, todos os eventos, grandes, pequenos e até os imperceptíveis são o desdobramento do plano daquele que já venceu e agora tem todo o poder em suas mãos – e a tudo governa para o bem do seu povo.

Isto quer dizer que Cristo não exerce Sua supremacia apenas de forma abstrata ou nos eventos gerais – ele o faz com propósito, agindo em favor da sua Igreja.

Ele é o Cabeça, é o líder, é a fonte de toda direção; nós, sua Igreja, somos o Seu corpo a quem Ele governa com amor e propósito, fazendo da sua Igreja o instrumento onde a plenitude de Cristo se manifesta, enchendo todas as coisas e conduzindo infalivelmente seu povo em segurança até o fim.

Sabe o que isto significa?

Significa que você pode viver sua fé confiantemente em tudo o que o Senhor diz em sua Palavra, porque Ele não mente.

Significa que você pode esperar confiantemente em todas as promessas porque Ele é fiel e capaz de cumpri-las.

Significa que, mesmo que sua fé seja pequena, você deve abandonar toda timidez, dúvida e medo diante dos eventos históricos e das provações porque tudo, inclusive as provações, estão acontecendo sob a direção de Deus.

Você pode e deve confiar n'Ele porque Ele é quem chama seu povo; é Ele quem ressuscita Jesus e ressuscitará todos os que n'Ele creem, que o exaltou e o fez assentar no trono de glória e fará os que crerem n'Ele se assentarem com Ele nos lugares celestiais.

Você pode confiar plenamente n'Ele porque Ele não pode falhar em nenhuma de suas promessas. E Ele não falhará, nunca falhou, e não será com você que Ele falhará, portanto você pode entregar sua vida e suas decisões ao Senhor que Ele vai cuidar muito bem de você.

Sl 37:5 Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará.

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