1Pe 2:9 Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real,
nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as
virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; 10
vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não
tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.
É bastante provável que você já tenha se perguntado: por
que eu estou aqui? Não neste lugar, não agora, mas na Igreja. Por que a
Igreja existe? Para que ela existe? Qual o propósito de Deus ao criar uma
instituição tão complexa e que, apesar de saber que existe para proclamar as
virtudes de Deus, nem sempre se dedica a esta finalidade?
Analisando a Igreja dentro de uma perspectiva fiel ao ensino
das Escrituras facilmente nos convencemos de que a Igreja não pode ser uma
invenção humana, uma mera organização religiosa. Ela só pode existir e
subsistir por ter sido estabelecida pelo próprio Deus e sustentada por Ele no
curso da história da redenção.
Primeiro, a Igreja surge como o povo da aliança, reunido por
meio de Cristo, para a glória de Deus e manifestação visível de seu reino no
mundo. O propósito de Deus sempre foi este. Já no Antigo Testamento Deus
formava um povo para ser exclusivamente seu, uma nação de testemunhas de sua
glória – e no Novo Testamento esta realidade se cumpre e se expande na Igreja
de Cristo, formada por judeus e gentios unidos pela mesma fé no único salvador.
Is 43:10 Vós sois as minhas testemunhas, diz o
SENHOR, o meu servo a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e
entendais que sou eu mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois
de mim nenhum haverá.
A existência da Igreja deve ser entendida dentro da história
da redenção: Deus sempre teve um povo, uma assembleia, uma congregação. Deus
nunca se deixou ficar sem testemunhas de seu poder e glória. Se queremos
compreender qual o nosso propósito na Igreja precisamos compreender qual o
propósito de Deus na Igreja.
I.
A GLÓRIA DE DEUS
A primeira e principal razão da existência da Igreja é que
Deus estabeleceu a Igreja para sua própria glória. A razão principal da
existência da Igreja não está no homem – está em Deus. Deus separou um povo
para que seu nome fosse conhecido, adorado e exaltado no mundo.
Sl 115:1 Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu
nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.
Na Igreja Deus manifesta sua glória de maneira especial,
dando nova vida e adotando como seus filhos e adoradores os que antes eram
inimigos mortais e mortos em delitos e pecados. A Igreja glorifica a Deus por
meio do culto público, da adoração, da pregação, dos sacramentos e
especialmente por meio da vida santa de seu povo. Deus é glorificado em sua
Igreja.
Ef 3:20 Ora, àquele que é poderoso para
fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu
poder que opera em nós, 21 a ele seja a glória, na igreja e
em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!
A Igreja existe para mostrar ao mundo quem Deus é e o que
Ele faz. A vida da Igreja é uma espécie de vitrine da graça, da misericórdia,
da santidade e da justiça de Deus. Uma Igreja que, porventura, perca esta visão
de que sua adoração, seu louvor e sua vida devem ser totalmente devotados para
a glória de Deus ela já perdeu sua própria razão de existir.
II.
A EDIFICAÇÃO DOS CRENTES
Deus estabeleceu a Igreja para a edificação espiritual de
seu povo. Deus não chamou os crentes para viverem a sua fé isoladamente – Ele
os chamou para viverem em comunhão com Ele e uns com os outros, e, nesta
comunhão, crescerem e amadurecerem espiritualmente dentro do corpo de Cristo.
Tt 2:13 aguardando a bendita esperança e a
manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, 14
o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e
purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.
Deus concedeu várias dádivas ao seu povo na Igreja para
que nela os crentes sejam ensinados, fortalecidos e preparado para viver a vida
cristã. E para isto ela concedeu cada um de nós com sua própria função e
finalidade no corpo.
1Co 12:27 Ora,
vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo.
Um exemplo bíblico desta união vital da Igreja pode ser
encontrado na Igreja primitiva, onde todos perseveravam na doutrina dos
apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações, mostrando que Deus
edifica seu povo por meio de sua Palavra, pelos sacramentos, pela oração e pela
comunhão dos santos.
At 2:42 E perseveravam na doutrina dos
apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
Chamamos estes elementos de edificação da Igreja de ‘meios
de graça’ (especialmente a Palavra, os sacramentos e a oração) por meio dos
quais Deus fortalece a fé, consola o coração, corrige o erro e conduz o crente
à maturidade espiritual.
Por meio da comunhão na Igreja os crentes se sustentam
mutuamente, fazendo da Igreja a escola da espiritualidade para
edificação dos crentes, um hospital onde os pecadores são cuidados e uma
família espiritual onde todos são alimentados. Sem a Igreja o crescimento
espiritual saudável não ocorre porque foi esta a maneira estabelecida por Deus.
III.
A PRESERVAÇÃO E DEFESA DA
VERDADE
Deus estabeleceu sua Igreja para a ser a legítima guardiã da
verdade de Deus. Em um mundo marcado pelo erro, pela idolatria e pela falsa
doutrina, Deus estabeleceu a Igreja como coluna e baluarte da verdade. A Igreja
é coluna e fundamento da verdade, isto é, Deus confiou à Igreja a
responsabilidade de guardar, ensinar e transmitir fielmente a sua Palavra.
1Tm 3:15 para que, se eu tardar, fiques ciente de
como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e
baluarte da verdade.
Os crentes são exortados a batalharem com diligência pela fé
que o Senhor entregou de maneira plena e definitiva aos seus santos, isto é, à
sua Igreja. Logo, compete à Igreja ensinar a verdade e defendê-la contra erros
e heresias.
Jd 1:3 Amados, quando empregava toda a
diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti
obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes,
diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.
Batalhar pela fé e ser guardiã da verdade significa que a
Igreja não tem autoridade nenhuma para inventar doutrinas – a tradição da
Igreja, se não tiver base bíblica, não tem valor algum. A autoridade da Igreja
deriva de ensinar fielmente aquilo que Deus revelou. Se uma Igreja abandona a
verdade bíblica, se deixa de ser guardiã e defensora da verdade ela deixa de
cumprir uma de suas principais funções no mundo e já não tem lugar para
existir.
A Igreja é a guardiã do mais valioso dos tesouros: o
evangelho, e deve preservar este tesouro, transmiti-lo com fidelidade às
próximas gerações e protegê-lo contra distorções, internas ou externas.
IV.
PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO
Deus estabeleceu sua Igreja e lhe deu uma missão que vai
além da adoração no templo – a Igreja não existe apenas para dentro, mas também
para fora. A mesma Igreja que foi chamada para fora do mundo também foi enviada
por ele de volta a este mesmo mundo para anunciar o evangelho da salvação em
Jesus Cristo e fazer discípulos em seu nome.
Mt 28:18 Jesus, aproximando-se, falou-lhes,
dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. 19
Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do
Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a
guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos
os dias até à consumação do século.
A tarefa evangelizadora é uma das principais missões da
Igreja e para isso o Senhor deu aos seus discípulos o poder do Espírito,
capacitando-os a serem suas testemunhas até os confins da terra, mostrando que
a Igreja foi criada para ser uma comunidade – tanto adoradora quanto
missionária.
At 1:8 mas recebereis poder, ao descer
sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como
em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.
A teologia reformada entende que a missão principal da
Igreja é a adoração ao Senhor, para sua glória – e como parte importante
desta adoração está a pregação do evangelho, que é uma forma de adoração
enquanto anuncia Cristo, chama pecadores ao arrependimento e reúne os eleitos
de Deus por meio do chamado ao arrependimento e conversão para Deus.
Desta forma a Igreja funciona como uma embaixada do reino de
Deus neste mundo, anunciando as boas novas da salvação e chamando os homens a
se reconciliarem com Deus por meio de Jesus Cristo.
2Co 5:20 De sorte que somos embaixadores em nome de
Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois,
rogamos que vos reconcilieis com Deus.
CONCLUSÃO
Estas são as razões para estarmos aqui na Igreja, para
existirmos como Igreja: para glorificar a Deus, para nos edificarmos
mutuamente, para preservarmos a verdade e proclamarmos esta verdade a pecadores
que ainda não a conhecem, ou que a tem rejeitado, embora a conheçam.
Não somos um clube social – somos a Igreja de Deus. Não
somos um partido político, somos aqueles que foram ‘cortados do mundo do
pecado’ para servirmos ao Senhor. Não fazemos eventos religiosos – somos o povo
de Deus reunido para glorificar a Deus, para ser edificado por Deus, para
guardarmos a verdade de Deus e anunciarmos o evangelho de Deus.
Ter conhecimento destas verdades deve mudar a maneira como
você, cristão, enxerga a sua participação na Igreja. Ser membro da Igreja não
deve ser considerado como algo secundário na vida cristã – é parte essencial do
plano de Deus para a vida de cada crente porque é na Igreja que Deus é adorado,
é na igreja que a verdade é preservada e é por meio da Igreja que o evangelho
alcança o mundo.
Amar a Igreja, participar da vida da Igreja e servir na
Igreja é a essência da própria vocação cristã porque a Igreja é a família de
Deus, o corpo de Cristo e o templo do Espírito Santo, estabelecido pelo próprio
Deus para sua glória, salvação e edificação do seu povo.
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