domingo, 15 de março de 2026

A ORAÇÃO PASTORAL E AS CERTEZAS ESPIRITUAIS DOS CRENTES

A ORAÇÃO PASTORAL E AS CERTEZAS ESPIRITUAIS DOS CRENTES

Imagine que você acaba de descobrir que possui uma conta bancária com um saldo infinito, mas passou a vida inteira preocupado com os centavos para comprar o pão. Ou imagine estar em um quarto escuro, tateando as paredes com medo, sem saber que existe um interruptor bem ao seu lado que pode inundar tudo com uma luz gloriosa. É exatamente sobre isso que o texto que você está prestes a ler trata: o despertar para uma realidade muito maior do que os nossos olhos podem ver.

Esta mensagem deve nos incentivar a pedir algo que raramente lembramos de pedir para a Igreja: sabedoria, esperança firme e iluminação. Talvez não nos falte informações, mas é provável que haja muito menos sabedoria, e por isso nós precisamos que Deus nos abra os "olhos do coração".

Sem esta ação de Deus todos estaríamos perdidos, reagindo apenas ao que acontece no momento e, espiritualmente mortos, apenas aguardando o fim dos nossos dias. Mas, quando esses "olhos" são abertos, passamos a enxergar algumas realidades que mudam tudo:

i.               Você não está aqui por força do acaso nem por uma expressão de bondade pessoal. Tudo em você faz parte de um propósito abençoador, eterno e inabalável de Deus.

ii.            Por causa do propósito de Deus em sua vida Ele mesmo preparou e doou um tesouro espiritual seguro e infinito – um tesouro que não pode ser tomado e nenhuma crise econômica pode desvalorizar.

iii.         A Grandeza do Poder de Deus em sua vida. Este é o mesmo poder que trouxe Jesus de volta à vida depois da morte - a maior demonstração de força da história – e que age para abençoar aqueles que nele confiam.

iv.          A suprema eficácia do poder de Deus manifesto na forma de uma graça eficaz, um chamado por meio do qual Deus realiza infalivelmente tudo aquilo que determina na vida de seus eleitos.

Todos, independentemente de sua idade, seja jovem, adulto ou idoso, absolutamente todos enfrentamos momentos de cansaço, incerteza e a sensação de que somos pequenos demais diante dos problemas do mundo. A Palavra de Deus vem e nos lembra que a Igreja é o corpo daquele que governa absolutamente tudo, e por isso não temos razão para desmaiarmos em nossas almas.

Nosso Deus não é uma divindade distante ou sem poder – Ele é o Pai da glória, a fonte de toda benção, aquele que dá segurança que não depende de sua constância ou de sua perfeição moral porque Ele fez tudo depender da obra do Senhor Jesus, nosso mediador e intercessor. 

I.                A PRÁTICA PASTORAL DA ORAÇÃO INCESSANTE

15 Por isso, também eu, tendo ouvido da fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos, 16 não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações,

Neste texto o apóstolo Paulo diz que constantemente dava graças a Deus pelos efésios, sempre mencionando-os em suas orações.

Considerando o conceito de Palavra inspirada e verdadeira, temos a certeza de que ele realmente fazia isso. Só que não devemos imaginar que em todas as suas orações, quase que mecanicamente, ele tivesse uma lista de temas de oração.

Devemos entender isto dentro do costume apostólico de oração constante, em seus momentos de oração Paulo orava pelas Igrejas e em seus momentos de comunhão com Deus e intercessão pelos santos ele incluía a Igreja em Éfeso.

O verbo usado por Paulo indica uma prática habitual de oração, revelando que a intercessão do pastor Paulo pelo rebanho que o Senhor lhe confiou era parte permanente em seu ministério e caracterizava sua espiritualidade.

Rm 1:9 Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, é minha testemunha de como incessantemente faço menção de vós 10 em todas as minhas orações, suplicando que, nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de visitar-vos.

Do exemplo de Paulo aprendemos que a prática da oração constante está ligada à dependência absoluta da graça de Deus. Só não pede quem não precisa de nada. Paulo, apesar de ter inúmeras qualificações, não confiava na sua própria capacidade ou poder para fazer as coisas.

1Co 15:10 Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou ; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo.

Paulo também diz que certamente não confiava na capacidade humana da Igreja, mas somente no agir soberano de Deus.

2Co 3:4 E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; 5 não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.

Paul praticava o que ensinava, e ele ensinava à Igreja a orar sem cessar, mas isto não quer dizer que ele queria que estivesse sempre verbalizando seus pedidos (muito pedir), mas vivendo sempre em estado de dependência e fé.

1Ts 5:17 Orai sem cessar. 18 Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.

A vida de oração de Paulo não dependia das circunstâncias. O contexto desta carta mostra que Paulo estava preso, muito provavelmente em sua primeira prisão em Roma. Era uma prisão domiciliar onde o apóstolo podia receber visitas e assim as notícias chegavam a ele com facilidade.

Mesmo prisioneiro ele ainda orava perseverantemente pelas Igrejas, exemplificando, através de sua atitude, sua esperança na ação de Deus e sua certeza da eleição divina porque o Espírito do Senhor lhe dava esta convicção.

Sua oração era incessante porque fazia parte do seu estilo de vida, era uma oração pastoral porque visava o crescimento da Igreja em Cristo Jesus, era incessante, era biblicamente orientada porque reconhecia a soberania absoluta de Deus, e era cristocêntrica porque se fundamentava na obra de Cristo como mediador da aliança e Senhor da Igreja.

Hb 7:25 Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.

É natural que você se pergunte: por que Paulo fazia isso? Paulo os conhecia muito bem, e entre as motivações de Paulo ele lista duas: ele tinha certeza de que eles haviam crido no Senhor Jesus e porque sabia que eles amavam todos os santos de Deus.

1.           POR SABER QUE ELES TINHAM FÉ NO SENHOR JESUS

Paulo afirma ter ouvido que os efésios tinham fé no Senhor Jesus. A fé é uma evidência clara de que a graça de Deus está atuando. Nos versos 3-14 do capítulo 1 é descrita como o resultado da eleição de Deus e da redenção, como um dom de Deus.

Fp 1:29 Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele, 30 pois tendes o mesmo combate que vistes em mim e, ainda agora, ouvis que é o meu.

Paulo diz que “ouviu” a respeito da fé que os efésios tinham. Ele não precisava ouvir para saber que eles eram crentes – ele os conhecia, ele havia estado entre eles, mas, mesmo na prisão lhe chegaram notícias dos efeitos do evangelho que esteava produzindo frutos observáveis entre os efésios.

Tg 2:17 Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.

Sabemos que o ambiente no qual viviam os efésios não era um ambiente muito favorável. Ali havia paganismo, idolatria, perseguição contra a Igreja, e eles continuavam fiéis, amorosos e produtivos porque a sua perseverança na fé era sinal claro da ação regeneradora e preservadora do Espírito Santo.

At 19:18 Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras. 19 Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinquenta mil denários. 20 Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente.

A fé que produz salvação também produz nova vida, transformadora e vai muito além da filiação religiosa. Ser membro de uma religião sem ter fé em Jesus Cristo não produz resultados como os que houve em Éfeso.

Paulo afirma que eles creram no Senhor Jesus – não apenas mediador e salvador, mas o Senhor, ao qual eles se submeteram com coração voluntário, ficando inseparavelmente unidos ao seu Senhor, passando a viver uma nova vida.

Rm 6:5 Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, 6 sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; 7 porquanto quem morreu está justificado do pecado.

Paulo ora por aqueles que Ele reconhece que possuem fé no Senhor Jesus Cristo, e esta fé confirma que Deus começou boa obra neles – e Ele sempre completa a obra que inicia, Ele sempre aperfeiçoa àqueles a quem regenera pela fé em Jesus.

Fp 1:6 Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.

2.           POR SABER QUE ELES AMAVAM TODOS OS SANTOS

O amor dos efésios para com todos os santos também era reconhecido – e estas notícias chegavam a Paulo em seu cárcere. É evidente que o amor fraternal é sinal de regeneração porque amor e fé são inseparáveis.

Cl 1:3 Damos sempre graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vós, 4 desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos;

Paulo enfatiza que o amor dos efésios era por ‘todos os santos’, e isto, que pode passar sem ser percebido com o devido cuidado.

A razão que precisamos deter os nossos olhos sobre esta expressão é o indicativo de que o amor cristão não é seletivo – ele é um fruto necessário da nova natureza, é um resultado inescapável da ação do Espírito Santo porque tanto judeus quanto gentios agora fazem parte de um só corpo corpo de Cristo.

Assim, amar todos os santos é evidência da reconciliação realizada por meio de Cristo.

Cl 3:11 …no qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos. 12 Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. 13 Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; 14 acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.

A bíblia ensina que o amor não é uma questão de escolha ou de capacidade humana porque é um fruto necessário da presença do Espírito Santo porque a Igreja é a comunidade da aliança, dos que entraram em aliança com Deus por meio de Cristo, e o amor entre os membros deve confirmar que eles pertencem ao mesmo povo eleito.

Gl 5:22 Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, 23 mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.

Paulo orava pela Igreja dos efésios, e nisto certamente havia ações de graças porque via neles sinais reais da graça de Deus, reconhecendo que o crescimento do amor da Igreja depende de Deus.

Paulo tanto agradecia a existência da obra de Deus como da intercessão em favor da Igreja para que esta obra iniciada fosse permanente e se completasse.

1Co 1:7 de maneira que não vos falte nenhum dom, aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo, 8 o qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo. 

II.            A CERTEZA DE QUE DEUS É A FONTE DE TODAS AS BÊNÇÃOS DA IGREJA

Ef 1:17 para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, 18 iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos 19 e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder;

Paulo deixa claro que ele pede que o Senhor conceda bençãos para a Igreja, mostrando que toda oração está fundamentada na convicção de que Deus é a fonte absoluta de toda benção, tanto material quanto espiritual.

Ele já havia afirmado que Deus tem abençoado a Igreja com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais em Cristo. Isto deixa claro que nenhuma graça procede do homem, mas tudo vem do Senhor.

Tg 1:16 Não vos enganeis, meus amados irmãos. 17 Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. 18 Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.

Você tem alguma dúvida de que Deus é a causa primeira de toda benção, da sua salvação, da santificação e da perseverança? Você duvida de que a Igreja vive e deve viver em dependência total da ação abençoadora de Deus?

Jo 15:5 Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.

Deus é chamado de “Pai da glória” para enfatizar sua majestade, sua soberania e sua transcendência. A glória do Senhor sempre está relacionada com a santidade e o domínio de Deus sobre todas as coisas. Ele é o Senhor – Ele é o único Senhor, e por isso toda a glória pertence exclusivamente ao Senhor.

Is 42:8 Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura.

A oração não é uma conversa com alguma divindade limitada – ela é a expressão de um coração que depende inteiramente do Deus soberano, do Deus que possui toda autoridade e poder para conceder todas as coisas que prometeu.

O nosso Deus é o de nosso Senhor Jesus Cristo – o Deus que enviou seu Filho para se fazer carne e ser o mediador entre a criatura caída e sua presença gloriosa. Em sua encarnação Cristo se dirige ao Pai como seu Deus e, como nosso mediador, Ele representa seu povo diante de Deus a quem chama de “seu” Pai.

Jo 20:17 Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus Irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus.

A oração pastoral não pede prosperidade material. Ela busca crescimento espiritual porque a maior necessidade da Igreja é conhecer a Deus de forma mais profunda, mais íntima, mais verdadeira.

O verdadeiro tesouro do povo de Deus não está nas posses ou circunstâncias externas, mas em ter um relacionamento biblicamente orientado com o Senhor.

Jr 9:23 Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; 24 mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR.

Só pode haver conhecimento de Deus mediante a revelação de Deus pois o homem natural não pode conhecer o homem a si mesmo. O verdadeiro conhecimento de Deus é resultado da revelação divina e da resposta do homem a esta revelação.

1Co 2:9 mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. 10 Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus.

A prática da oração confirma que a Igreja vive do que Deus concede e não do que ela eventualmente se julgue capaz de produzir. Todo bem procede da graça soberana de Deus e por isso a vida cristã é sustentada pela dependência, pela fé e pela oração.

Rm 8:32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?

1.           ESPÍRITO DE SABEDORIA PARA A IGREJA

A Igreja precisa de “espírito de sabedoria”, e deve orar por isso todos os dias. Mas calma, reformado. Não seja apressado.

Não se trata de um novo espírito diferente do Espírito Santo ou de uma nova forma de manifestação do Espírito Santo – trata-se da obra do próprio Espírito aplicando a verdade de Deus à mente dos crentes, dando sabedoria espiritual aos seus corações.

Os efésios não precisavam receber o Espírito Santo – eles já foramabençoados com sua ação quando creram.

Ef 1:12 a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; 13 em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; 14 o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.

Não é lógico pensar que a oração seja uma nova habitação do Espírito, mas por uma atuação mais profunda dele na compreensão da verdade porque a sabedoria está ligada ao conhecimento da salvação em Cristo e à correta compreensão do plano eterno de Deus.

Cl 1:9 Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual;

Você sabe que a Escritura distingue claramente entre a sabedoria humana (terrena) e a sabedoria divina (celestial). A sabedoria do mundo, humana, é terrena e não pode conduzir o homem além de sua própria origem, isto é, não pode conduzir o homem ao conhecimento de Deus.

1Co 1:21 Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação.

Cristo, no entanto, é apresentado como a própria encarnação da sabedoria de Deus para a salvação do seu povo. Por isso, somente por meio do Espírito Santo o crente pode compreender as realidades espirituais porque o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus.

1Co 2:14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

A sabedoria que Paulo quer que a Igreja receba é a sabedoria revelada, não filosófica, não especulativa. É uma sabedoria espiritual, transformadora e redentiva.

Essa sabedoria está relacionada com a iluminação do Espírito na leitura, compreensão e aceitação da verdade das Escrituras.

A Palavra é perfeita em si mesma – mas acontece que o entendimento humano precisa ser aberto pelo Espírito para que a verdade seja percebida corretamente, gerando crescimento espiritual que depende de compreensão verdadeira e salvadora da revelação dada, e não de novas revelações.

Sl 119:130 A revelação das tuas palavras esclarece e dá entendimento aos simples.

A sabedoria espiritual não é simplesmente estática ou contemplativa – ela produz frutos práticos. Ela conduz à santidade pois conhecer a Deus leva inevitavelmente a viver para Deus.

Cl 1:9 Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; 10 a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus;

Esta sabedoria também conduz à perseverança, pois a sabedoria das Escrituras promove maturidade espiritual, levando o crente a discernir o bem e o mal e assim se tornar cada vez mais firme na fé e por isso devemos orar para que a Igreja não permaneça infantil na fé, mas cresça em entendimento espiritual, vivendo de acordo com a verdade revelada em Cristo.

2Tm 3:14 Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste 15 e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. 16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.

2.           REVELAÇÃO NO PLENO CONHECIMENTO DE DEUS

A Igreja precisa que Deus lhe conceda revelação do pleno conhecimento dele. Essa expressão não quer dizer que Paulo estivesse pedindo novas doutrinas ou novas mensagens fora das Escrituras. Paulo não pedia que a Igreja recebesse novas revelações.

A revelação que Deus já deu é suficiente para a Igreja. Deus já falou plenamente em Cristo e na sua Palavra inspirada. A revelação que Paulo está pedindo à Igreja refere-se à ação do Espírito que torna a verdade revelada cada vez mais clara ao entendimento do crente.

Hb 1:1 Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, 2 nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.

‘Pleno conhecimento’ (epignosis) não é conhecimento de todas as coisas, mas um tipo de conhecimento verdadeiro, profundo, interior e pessoal, transformador e não apenas informação intelectual.

Este conhecimento envolve relacionamento com Deus, uma comunhão real e uma experiência espiritual autêntica pois conhecer a Deus é participar da nova vida que Ele concede em Cristo, e este conhecimento cresce e frutifica ao longo da vida cristã.

Cl 2:2 para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, 3 em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.

O conhecimento de Cristo é suficiente, e por isso Paulo ora para que Deus conceda revelação, mas não acrescentando conteúdo novo. Ora para que o Senhor conceda aprofundamento na compreensão daquilo que já foi revelado.

Conhecer a Deus é linguagem da aliança, é estar vitalmente ligado a Cristo. Não se trata de saber quem Deus é, mas de viver em comunhão com Ele.

Crescer espiritualmente não consiste em buscar experiências inexplicáveis e extraordinárias, mas em compreender cada vez mais a glória de Deus revelada em Cristo e nas Escrituras.

Jo 17:3 E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

3.           ILUMINAÇÃO INTERIOR

Paulo ora por iluminação dos ‘olhos do coração’ da Igreja. O que isto significa? O que ele queria dizer com isso?

Esta expressão não descreve uma atuação desconhecida, misteriosa e incontrolável do Espírito Santo, mas a obra interna do Espírito Santo que capacita o crente a perceber e compreender as realidades espirituais, como aconteceu com Lídia.

At 16:14 Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia.

Na linguagem bíblica coração não é meramente o centro das emoções, como usualmente descrevemos romanticamente hoje.

O coração aqui tem o sentido que também usamos de ser o ponto mais fundamental, é o centro de toda a vida interior, e isto inclui a mente, a vontade e, é claro, as afeições. Quando a iluminação do Espírito atinge o coração isto significa que todo o ser do crente foi alcançado pela luz da verdade de Deus.

Pv 4:23 Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.

De novo, calma! Esta iluminação não deve jamais ser confundida com alguma forma de nova revelação ou uma revelação superior às Escrituras.

A Escritura que foi dada à Igreja já está completa, mas o entendimento humano precisa ser aberto para que ela seja realmente compreendida.

Foi o Senhor quem abriu o entendimento dos discípulos para compreenderem as Escrituras, do mesmo modo que o salmista ora para que Deus lhe abra os olhos para contemplar as maravilhas da Lei de Deus.

Paulo também ensina o mesmo princípio ao afirmar que Deus ilumina o coração para que a Igreja conheça a glória de Cristo.

2Co 4:6  Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.

Esta iluminação está ligada à obra da regeneração e da santificação. Sem a obra do Espírito o homem natural, espiritualmente cego por causa do pecado é incapaz de ver a luz da verdade, e somente pela ação do Espírito ele pode receber a salvação como um ato da graça, e não o resultado da capacidade humana.

Esta iluminação tem um propósito específico: levar o crente a compreender quatro grandes realidades espirituais que sustentam sua fé e sua esperança: a esperança do seu chamamento; a riqueza da glória de Deus; a grandeza do poder de Deus e a eficácia do seu poder.

3.1.      É A ESPERANÇA DO CHAMAMENTO

A primeira realidade fundamental é ter uma resposta para “qual é a esperança do seu chamamento”. O chamamento aqui não é apenas convite externo, que pode chegar a todas as pessoas, mas o chamado eficaz de Deus, a ação interior do Espírito Santo que traz o pecador à salvação e que procede da eleição eterna de Deus e produz fé no coração dos escolhidos.

Rm 8:29 Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.30 E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.

A esperança que resulta deste chamado não é uma esperança vã ou incerta. Ela é segura porque tem fundamentos sólidos e eternos: a promessa imutável de Deus, e por ela o crente pode viver em confiança porque Aquele que chama é imutável, e Ele tanto chama quanto preserva até o fim.

Hb 6:17 Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento, 18  para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta; 19 a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu,

3.2.      A RIQUEZA DA GLÓRIA DA HERANÇA DOS SANTOS

Primeiro nós conhecemos a razão de confiarmos no chamado – porque Aquele que chama é fiel. Mas, você se pergunta, chamado para que?

Afinal todo chamado tem uma finalidade, e o chamado de Deus é para que os crentes conheçam a riqueza da glória da sua herança nos santos – para que os crentes experimentem a herança que o Pai lhes deu quando creram em Jesus Cristo, a salvação final, o reino eterno e a comunhão perfeita com Deus na glória, uma herança incorruptível que não é conquistada, nem merecida, mas concedida pela graça soberana e infinita de Deus.

1Pe 1:4 para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros.

Rm 8:17 Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.

Esta herança não é merecida, não é conquistada, nem é mantida pela vontade do homem. Ela é garantida pela união com Cristo, porque, em Cristo, os que creram foram feitos co-herdeiros. É uma herança rica, abundante de graça, e isto mostra que aquilo que Deus preparou para seu povo é incomparavelmente superior a qualquer benção terrena.

Ef 2:4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, 5  e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos, 6  e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; 7  para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.

3.3.      A SUPREMA GRANDEZA DO PODER DE DEUS

A esperança do cumprimento do chamamento de Deus é uma promessa de herança que Deus garantiu que será realizada. Isto não acontece por causa de ações meritórias, nem antes, nem depois do novo nascimento.

Ela é garantida por causa da suprema grandeza do seu poder para com os crentes – é o mesmo poder que opera na regeneração, que dá nova vida, que justifica e que faz o crente perseverar na fé apesar de sua própria incapacidade.

1Pe 1:3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, 4 para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros 5 que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.

A salvação não depende da força ou vontade humana – ela é uma dádiva exclusiva da graça de Deus, somente do seu poder soberano, que chama, que regenera e que sustenta o seu povo até o fim.

Jd 1:24 Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, 25 ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém!

3.4.      A SUPREMA EFICÁCIA DO PODER DE DEUS

O apóstolo Paulo usa vários termos para descrever a eficácia do poder divino com o propósito de mostrar que a obra de Deus é poderosa, irresistível e segura.

Esta ação de Deus é chamada de graça eficaz, o chamado segundo o qual Deus realiza infalivelmente tudo aquilo que determina na vida dos seus eleitos.

Jo 6:37 Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.

Como o Senhor é todo poderoso e nenhum de seus planos pode ser frustrado nada pode fazer com que o propósito de Deus não se realize: Deus faz tudo conforme o conselho de sua vontade e é por isso que a segurança da Igreja não está em sua própria força, mas no infinito poder de Deus que opera nela.

Is 46:9 Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; 10 que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; 1  que chamo a ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do meu conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei.

CONTINUA EM

BASES BÍBLICAS PARA O CRENTE VIVER CONFIANTEMENTE

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