A ORAÇÃO PASTORAL E AS CERTEZAS ESPIRITUAIS DOS CRENTES
Imagine que você acaba de
descobrir que possui uma conta bancária com um saldo infinito, mas passou a
vida inteira preocupado com os centavos para comprar o pão. Ou imagine estar
em um quarto escuro, tateando as paredes com medo, sem saber que existe um
interruptor bem ao seu lado que pode inundar tudo com uma luz gloriosa. É
exatamente sobre isso que o texto que você está prestes a ler trata: o
despertar para uma realidade muito maior do que os nossos olhos podem ver.
Esta mensagem deve nos incentivar
a pedir algo que raramente lembramos de pedir para a Igreja: sabedoria,
esperança firme e iluminação. Talvez não nos falte informações, mas é
provável que haja muito menos sabedoria, e por isso nós precisamos que Deus nos
abra os "olhos do coração".
Sem esta ação de Deus todos
estaríamos perdidos, reagindo apenas ao que acontece no momento e,
espiritualmente mortos, apenas aguardando o fim dos nossos dias. Mas, quando
esses "olhos" são abertos, passamos a enxergar algumas realidades que
mudam tudo:
i.
Você não está aqui por força
do acaso nem por uma expressão de bondade pessoal. Tudo em você faz parte de um
propósito abençoador, eterno e inabalável de Deus.
ii.
Por causa do propósito de
Deus em sua vida Ele mesmo preparou e doou um tesouro espiritual seguro e
infinito – um tesouro que não pode ser tomado e nenhuma crise econômica pode
desvalorizar.
iii.
A Grandeza do Poder de Deus
em sua vida. Este é o mesmo poder que trouxe Jesus de volta à vida depois da
morte - a maior demonstração de força da história – e que age para abençoar
aqueles que nele confiam.
iv.
A suprema eficácia do poder
de Deus manifesto na forma de uma graça eficaz, um chamado por meio do qual
Deus realiza infalivelmente tudo aquilo que determina na vida de seus eleitos.
Todos, independentemente de sua
idade, seja jovem, adulto ou idoso, absolutamente todos enfrentamos momentos de
cansaço, incerteza e a sensação de que somos pequenos demais diante dos
problemas do mundo. A Palavra de Deus vem e nos lembra que a Igreja é o corpo
daquele que governa absolutamente tudo, e por isso não temos razão para
desmaiarmos em nossas almas.
Nosso Deus não é uma divindade
distante ou sem poder – Ele é o Pai da glória, a fonte de toda benção,
aquele que dá segurança que não depende de sua constância ou de sua perfeição
moral porque Ele fez tudo depender da obra do Senhor Jesus, nosso mediador e
intercessor.
I.
A PRÁTICA PASTORAL DA ORAÇÃO
INCESSANTE
15 Por isso,
também eu, tendo ouvido da fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para
com todos os santos, 16
não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações,
Neste texto o apóstolo Paulo diz
que constantemente dava graças a Deus pelos efésios, sempre mencionando-os em
suas orações.
Considerando o conceito de Palavra
inspirada e verdadeira, temos a certeza de que ele realmente fazia isso. Só
que não devemos imaginar que em todas as suas orações, quase que mecanicamente,
ele tivesse uma lista de temas de oração.
Devemos entender isto dentro do
costume apostólico de oração constante, em seus momentos de oração Paulo orava pelas Igrejas e em seus momentos de comunhão com Deus e intercessão pelos
santos ele incluía a Igreja em Éfeso.
O verbo usado por Paulo indica
uma prática habitual de oração, revelando que a intercessão do pastor Paulo
pelo rebanho que o Senhor lhe confiou era parte permanente em seu ministério e
caracterizava sua espiritualidade.
Rm 1:9 Porque
Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, é minha testemunha de como
incessantemente faço menção de vós 10 em todas as minhas
orações, suplicando que, nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa
ocasião de visitar-vos.
Do exemplo de Paulo aprendemos que
a prática da oração constante está ligada à dependência absoluta da graça de
Deus. Só não pede quem não precisa de nada. Paulo, apesar de ter inúmeras
qualificações, não confiava na sua própria capacidade ou poder para fazer as
coisas.
1Co 15:10 Mas,
pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se
tornou vã; antes,
trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus
comigo.
Paulo também diz que certamente não
confiava na capacidade humana da Igreja, mas somente no agir soberano de Deus.
2Co 3:4 E é por
intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; 5 não
que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse
de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, o qual nos habilitou
para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito;
porque a letra mata, mas o espírito vivifica.
Paul praticava o que ensinava, e
ele ensinava à Igreja a orar sem cessar, mas isto não quer dizer que ele queria
que estivesse sempre verbalizando seus pedidos (muito pedir), mas vivendo
sempre em estado de dependência e fé.
1Ts 5:17 Orai sem
cessar. 18 Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.
A vida de oração de Paulo não
dependia das circunstâncias. O contexto desta carta mostra que Paulo estava
preso, muito provavelmente em sua primeira prisão em Roma. Era uma prisão
domiciliar onde o apóstolo podia receber visitas e assim as notícias chegavam a
ele com facilidade.
Mesmo prisioneiro ele ainda orava
perseverantemente pelas Igrejas, exemplificando, através de sua atitude, sua
esperança na ação de Deus e sua certeza da eleição divina porque o Espírito do
Senhor lhe dava esta convicção.
Sua oração era incessante porque
fazia parte do seu estilo de vida, era uma oração pastoral porque visava o
crescimento da Igreja em Cristo Jesus, era incessante, era biblicamente
orientada porque reconhecia a soberania absoluta de Deus, e era cristocêntrica
porque se fundamentava na obra de Cristo como mediador da aliança e Senhor da
Igreja.
Hb 7:25 Por isso,
também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por
eles.
É natural que você se pergunte: por
que Paulo fazia isso? Paulo os conhecia muito bem, e entre as
motivações de Paulo ele lista duas: ele tinha certeza de que eles haviam crido
no Senhor Jesus e porque sabia que eles amavam todos os santos de Deus.
1.
POR SABER QUE ELES TINHAM
FÉ NO SENHOR JESUS
Paulo afirma ter ouvido que os
efésios tinham fé no Senhor Jesus. A fé é uma evidência clara de que a graça de
Deus está atuando. Nos versos 3-14 do capítulo 1 é descrita como o resultado
da eleição de Deus e da redenção, como um dom de Deus.
Fp 1:29 Porque vos
foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele, 30
pois tendes o mesmo combate que vistes em mim e, ainda agora, ouvis que é o
meu.
Paulo diz que “ouviu” a respeito
da fé que os efésios tinham. Ele não precisava ouvir para saber que eles eram
crentes – ele os conhecia, ele havia estado entre eles, mas, mesmo na prisão
lhe chegaram notícias dos efeitos do evangelho que esteava produzindo frutos
observáveis entre os efésios.
Tg 2:17 Assim,
também a fé, se não tiver
obras, por si só está morta.
Sabemos que o ambiente no qual
viviam os efésios não era um ambiente muito favorável. Ali havia paganismo,
idolatria, perseguição contra a Igreja, e eles continuavam fiéis, amorosos e
produtivos porque a sua perseverança na fé era sinal claro da ação regeneradora
e preservadora do Espírito Santo.
At 19:18 Muitos
dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias
obras. 19 Também muitos dos que haviam praticado artes
mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os
seus preços, achou-se que montavam a cinquenta mil denários. 20
Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente.
A fé que produz salvação também
produz nova vida, transformadora e vai muito além da filiação religiosa. Ser
membro de uma religião sem ter fé em Jesus Cristo não produz resultados como os
que houve em Éfeso.
Paulo afirma que eles creram no
Senhor Jesus – não apenas mediador e salvador, mas o Senhor, ao qual eles se submeteram com coração voluntário, ficando inseparavelmente unidos ao seu Senhor, passando
a viver uma nova vida.
Rm 6:5 Porque, se fomos
unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua
ressurreição, 6 sabendo isto: que foi crucificado com ele o
nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o
pecado como escravos; 7 porquanto quem morreu está justificado do
pecado.
Paulo ora por aqueles que Ele
reconhece que possuem fé no Senhor Jesus Cristo, e esta fé confirma que Deus
começou boa obra neles – e Ele sempre completa a obra que inicia,
Ele sempre aperfeiçoa àqueles a quem regenera pela fé em Jesus.
Fp 1:6 Estou plenamente
certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.
2.
POR SABER QUE ELES AMAVAM
TODOS OS SANTOS
O amor dos efésios para com todos
os santos também era reconhecido – e estas notícias chegavam a Paulo em seu
cárcere. É evidente que o amor fraternal é sinal de regeneração porque amor e
fé são inseparáveis.
Cl 1:3 Damos sempre graças a Deus,
Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vós, 4 desde que ouvimos da
vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos;
Paulo enfatiza que o amor dos efésios era por ‘todos os santos’, e isto, que pode passar sem ser percebido com o devido cuidado.
A razão que precisamos deter os nossos olhos sobre esta expressão é o indicativo de que o amor cristão não é seletivo – ele é um fruto necessário da nova natureza, é um resultado inescapável da ação do Espírito Santo porque tanto judeus quanto gentios agora fazem parte de um só corpo corpo de Cristo.
Assim, amar todos os santos é evidência da reconciliação realizada por meio de Cristo.
Cl 3:11 …no qual não pode
haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém
Cristo é tudo em todos. 12 Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus,
santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de
mansidão, de longanimidade. 13 Suportai-vos uns aos outros,
perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim
como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; 14 acima de
tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.
A bíblia ensina que o amor não é
uma questão de escolha ou de capacidade humana porque é um fruto necessário da
presença do Espírito Santo porque a Igreja é a comunidade da aliança, dos
que entraram em aliança com Deus por meio de Cristo, e o amor entre os membros
deve confirmar que eles pertencem ao mesmo povo eleito.
Gl 5:22 Mas o fruto do
Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade,
fidelidade, 23 mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.
Paulo orava pela Igreja dos
efésios, e nisto certamente havia ações de graças porque via neles sinais reais
da graça de Deus, reconhecendo que o crescimento do amor da Igreja depende de Deus.
Paulo tanto agradecia a existência
da obra de Deus como da intercessão em favor da Igreja para que esta obra
iniciada fosse permanente e se completasse.
1Co 1:7 de maneira que não vos falte nenhum dom, aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo, 8 o qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo.
II.
A CERTEZA DE QUE DEUS É A
FONTE DE TODAS AS BÊNÇÃOS DA IGREJA
Ef 1:17 para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai
da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno
conhecimento dele, 18 iluminados os olhos do vosso coração, para
saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua
herança nos santos 19 e qual a suprema grandeza do seu poder para
com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder;
Paulo deixa claro que ele pede que
o Senhor conceda bençãos para a Igreja, mostrando que toda oração está
fundamentada na convicção de que Deus é a fonte absoluta de toda benção, tanto
material quanto espiritual.
Ele já havia afirmado que Deus tem
abençoado a Igreja com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais
em Cristo. Isto deixa claro que nenhuma graça procede do homem, mas tudo
vem do Senhor.
Tg 1:16 Não vos enganeis,
meus amados irmãos. 17 Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do
alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de
mudança. 18 Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra
da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.
Você tem alguma dúvida de que Deus
é a causa primeira de toda benção, da sua salvação, da santificação e da perseverança?
Você duvida de que a Igreja vive e deve viver em dependência total da ação
abençoadora de Deus?
Jo 15:5 Eu sou a videira,
vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
Deus é chamado de “Pai da glória”
para enfatizar sua majestade, sua soberania e sua transcendência. A glória do
Senhor sempre está relacionada com a santidade e o domínio de Deus sobre todas
as coisas. Ele é o Senhor – Ele é o único Senhor, e por isso toda a
glória pertence exclusivamente ao Senhor.
Is 42:8 Eu sou o SENHOR,
este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha
honra, às imagens de escultura.
A oração não é uma conversa
com alguma divindade limitada – ela é a expressão de um coração que depende
inteiramente do Deus soberano, do Deus que possui toda autoridade e poder para
conceder todas as coisas que prometeu.
O nosso Deus é o de nosso Senhor
Jesus Cristo – o Deus que enviou seu Filho para se fazer carne e ser o mediador entre a criatura caída e sua presença gloriosa. Em sua encarnação Cristo se dirige ao
Pai como seu Deus e, como nosso mediador, Ele representa seu povo diante de
Deus a quem chama de “seu” Pai.
Jo 20:17 Recomendou-lhe
Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os
meus Irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso
Deus.
A oração pastoral não pede
prosperidade material. Ela busca crescimento espiritual porque a maior
necessidade da Igreja é conhecer a Deus de forma mais profunda, mais íntima,
mais verdadeira.
O verdadeiro tesouro do povo de
Deus não está nas posses ou circunstâncias externas, mas em ter um
relacionamento biblicamente orientado com o Senhor.
Jr 9:23 Assim diz o
SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem
o rico, nas suas riquezas; 24 mas o que se gloriar, glorie-se nisto:
em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque
destas coisas me agrado, diz o SENHOR.
Só pode haver conhecimento de Deus
mediante a revelação de Deus pois o homem natural não pode conhecer o homem a
si mesmo. O verdadeiro conhecimento de Deus é resultado da revelação divina e
da resposta do homem a esta revelação.
1Co 2:9 mas, como está
escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus
tem preparado para aqueles que o amam. 10 Mas Deus no-lo revelou
pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as
profundezas de Deus.
A prática da oração confirma que a
Igreja vive do que Deus concede e não do que ela eventualmente se julgue capaz
de produzir. Todo bem procede da graça soberana de Deus e por isso a vida
cristã é sustentada pela dependência, pela fé e pela oração.
Rm 8:32 Aquele que não
poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não
nos dará graciosamente com ele todas as coisas?
1.
ESPÍRITO DE SABEDORIA PARA
A IGREJA
A Igreja precisa de “espírito de
sabedoria”, e deve orar por isso todos os dias. Mas calma, reformado. Não
seja apressado.
Não se trata de um novo espírito
diferente do Espírito Santo ou de uma nova forma de manifestação do Espírito
Santo – trata-se da obra do próprio Espírito aplicando a verdade de Deus à
mente dos crentes, dando sabedoria espiritual aos seus corações.
Os efésios não precisavam receber
o Espírito Santo – eles já foramabençoados com sua ação quando creram.
Ef 1:12 a fim de sermos
para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; 13
em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da
vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; 14 o
qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da
sua glória.
Não é lógico pensar que a oração
seja uma nova habitação do Espírito, mas por uma atuação mais profunda dele na
compreensão da verdade porque a sabedoria está ligada ao conhecimento da
salvação em Cristo e à correta compreensão do plano eterno de Deus.
Cl 1:9 Por esta razão,
também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de
pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a
sabedoria e entendimento espiritual;
Você sabe que a Escritura
distingue claramente entre a sabedoria humana (terrena) e a sabedoria divina
(celestial). A sabedoria do mundo, humana, é terrena e não pode conduzir o
homem além de sua própria origem, isto é, não pode conduzir o homem ao
conhecimento de Deus.
1Co 1:21 Visto como, na
sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a
Deus salvar os que creem pela loucura da pregação.
Cristo, no entanto, é apresentado
como a própria encarnação da sabedoria de Deus para a salvação do seu povo. Por
isso, somente por meio do Espírito Santo o crente pode compreender as
realidades espirituais porque o homem natural não aceita as coisas do Espírito
de Deus.
1Co 2:14 Ora, o homem
natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não
pode entendê-las,
porque elas se discernem espiritualmente.
A sabedoria que Paulo quer que a
Igreja receba é a sabedoria revelada, não filosófica, não especulativa. É uma sabedoria espiritual, transformadora e redentiva.
Essa sabedoria está relacionada
com a iluminação do Espírito na leitura, compreensão e aceitação da verdade das
Escrituras.
A Palavra é perfeita em si mesma –
mas acontece que o entendimento humano precisa ser aberto pelo Espírito
para que a verdade seja percebida corretamente, gerando crescimento espiritual
que depende de compreensão verdadeira e salvadora da revelação dada, e não de
novas revelações.
Sl 119:130 A revelação
das tuas palavras esclarece e dá entendimento aos simples.
A sabedoria espiritual não é
simplesmente estática ou contemplativa – ela produz frutos práticos. Ela conduz
à santidade pois conhecer a Deus leva inevitavelmente a viver para Deus.
Cl 1:9 Por esta razão,
também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de
pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a
sabedoria e entendimento espiritual; 10 a fim de viverdes de modo
digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e
crescendo no pleno conhecimento de Deus;
Esta sabedoria também conduz à
perseverança, pois a sabedoria das Escrituras promove maturidade
espiritual, levando o crente a discernir o bem e o mal e assim se tornar cada
vez mais firme na fé e por isso devemos orar para que a Igreja não permaneça
infantil na fé, mas cresça em entendimento espiritual, vivendo de acordo com a
verdade revelada em Cristo.
2Tm 3:14 Tu, porém,
permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o
aprendeste 15 e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que
podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. 16
Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção,
para a educação na justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja
perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.
2.
REVELAÇÃO NO PLENO
CONHECIMENTO DE DEUS
A Igreja precisa que Deus lhe
conceda revelação do pleno conhecimento dele. Essa expressão não quer dizer que Paulo estivesse pedindo novas doutrinas ou novas mensagens fora das Escrituras. Paulo
não pedia que a Igreja recebesse novas revelações.
A revelação que Deus já deu é
suficiente para a Igreja. Deus já falou plenamente em Cristo e na sua
Palavra inspirada. A revelação que Paulo está pedindo à Igreja refere-se à ação
do Espírito que torna a verdade revelada cada vez mais clara ao entendimento do
crente.
Hb 1:1 Havendo Deus,
outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, 2
nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual
também fez o universo.
‘Pleno conhecimento’ (epignosis) não é conhecimento de todas as
coisas, mas um tipo de conhecimento verdadeiro, profundo, interior e pessoal,
transformador e não apenas informação intelectual.
Este conhecimento envolve
relacionamento com Deus, uma comunhão real e uma experiência espiritual
autêntica pois conhecer a Deus é participar da nova vida que Ele concede em
Cristo, e este conhecimento cresce e frutifica ao longo da vida cristã.
Cl 2:2 para que o coração
deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do
entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, 3
em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.
O conhecimento de Cristo é
suficiente, e por isso Paulo ora para que Deus conceda revelação, mas não
acrescentando conteúdo novo. Ora para que o Senhor conceda aprofundamento na
compreensão daquilo que já foi revelado.
Conhecer a Deus é linguagem da
aliança, é estar vitalmente ligado a Cristo. Não se trata de saber quem
Deus é, mas de viver em comunhão com Ele.
Crescer espiritualmente não
consiste em buscar experiências inexplicáveis e extraordinárias, mas em
compreender cada vez mais a glória de Deus revelada em Cristo e nas Escrituras.
Jo 17:3 E a vida eterna é
esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.
3.
ILUMINAÇÃO INTERIOR
Paulo ora por iluminação dos
‘olhos do coração’ da Igreja. O que isto significa? O que ele queria dizer com
isso?
Esta expressão não descreve uma
atuação desconhecida, misteriosa e incontrolável do Espírito Santo, mas a obra interna do Espírito Santo que capacita o crente a perceber e compreender as realidades
espirituais, como aconteceu com Lídia.
At 16:14 Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de
púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para
atender às coisas que Paulo dizia.
Na linguagem bíblica coração não é
meramente o centro das emoções, como usualmente descrevemos romanticamente hoje.
O coração aqui tem o sentido
que também usamos de ser o ponto mais fundamental, é o centro de toda a vida
interior, e isto inclui a mente, a vontade e, é claro, as afeições. Quando a
iluminação do Espírito atinge o coração isto significa que todo o ser do crente
foi alcançado pela luz da verdade de Deus.
Pv 4:23 Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele
procedem as fontes da vida.
De novo, calma! Esta iluminação
não deve jamais ser confundida com alguma forma de nova revelação ou uma revelação superior às Escrituras.
A Escritura que foi dada à Igreja
já está completa, mas o entendimento humano precisa ser aberto para que ela
seja realmente compreendida.
Foi o Senhor quem abriu o
entendimento dos discípulos para compreenderem as Escrituras, do mesmo modo
que o salmista ora para que Deus lhe abra os olhos para contemplar as
maravilhas da Lei de Deus.
Paulo também ensina o mesmo
princípio ao afirmar que Deus ilumina o coração para que a Igreja conheça a
glória de Cristo.
2Co 4:6 Porque Deus, que disse:
Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para
iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.
Esta iluminação está ligada à
obra da regeneração e da santificação. Sem a obra do Espírito o homem natural,
espiritualmente cego por causa do pecado é incapaz de ver a luz da verdade, e
somente pela ação do Espírito ele pode receber a salvação como um ato da graça,
e não o resultado da capacidade humana.
Esta iluminação tem um propósito
específico: levar o crente a compreender quatro grandes realidades espirituais
que sustentam sua fé e sua esperança: a esperança do seu chamamento; a riqueza
da glória de Deus; a grandeza do poder de Deus e a eficácia do seu poder.
3.1.
É A ESPERANÇA DO CHAMAMENTO
A primeira realidade fundamental é
ter uma resposta para “qual é a esperança do seu chamamento”. O chamamento aqui não é apenas convite externo, que pode chegar a todas as pessoas, mas o
chamado eficaz de Deus, a ação interior do Espírito Santo que traz o pecador à
salvação e que procede da eleição eterna de Deus e produz fé no coração dos
escolhidos.
Rm 8:29 Porquanto aos que de antemão conheceu, também os
predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o
primogênito entre muitos irmãos.30 E aos que predestinou, a esses
também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que
justificou, a esses também glorificou.
A esperança que resulta deste
chamado não é uma esperança vã ou incerta. Ela é segura porque tem fundamentos
sólidos e eternos: a promessa imutável de Deus, e por ela o crente pode viver
em confiança porque Aquele que chama é imutável, e Ele tanto chama quanto
preserva até o fim.
Hb 6:17 Por isso, Deus, quando quis mostrar mais
firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se
interpôs com juramento, 18
para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que
Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de
lançar mão da esperança proposta; 19 a qual temos por âncora
da alma, segura e firme e que penetra além do véu,
3.2.
A RIQUEZA DA GLÓRIA DA
HERANÇA DOS SANTOS
Primeiro nós conhecemos a razão de
confiarmos no chamado – porque Aquele que chama é fiel. Mas, você se pergunta,
chamado para que?
Afinal todo chamado tem uma
finalidade, e o chamado de Deus é para que os crentes conheçam a riqueza
da glória da sua herança nos santos – para que os crentes experimentem a
herança que o Pai lhes deu quando creram em Jesus Cristo, a salvação final, o
reino eterno e a comunhão perfeita com Deus na glória, uma herança incorruptível
que não é conquistada, nem merecida, mas concedida pela graça soberana e
infinita de Deus.
1Pe 1:4 para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível,
reservada nos céus para vós outros.
Rm 8:17 Ora, se somos filhos, somos também herdeiros,
herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com
ele seremos glorificados.
Esta herança não é merecida, não é
conquistada, nem é mantida pela vontade do homem. Ela é garantida pela união
com Cristo, porque, em Cristo, os que creram foram feitos co-herdeiros. É uma
herança rica, abundante de graça, e isto mostra que aquilo que Deus preparou
para seu povo é incomparavelmente superior a qualquer benção terrena.
Ef 2:4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do
grande amor com que nos amou, 5 e
estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela
graça sois salvos, 6 e, juntamente com
ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo
Jesus; 7 para mostrar, nos séculos
vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo
Jesus.
3.3.
A SUPREMA GRANDEZA DO PODER
DE DEUS
A esperança do cumprimento do
chamamento de Deus é uma promessa de herança que Deus garantiu que será
realizada. Isto não acontece por causa de ações meritórias, nem antes, nem
depois do novo nascimento.
Ela é garantida por causa da
suprema grandeza do seu poder para com os crentes – é o mesmo poder que opera
na regeneração,
que dá nova vida, que justifica e que faz o crente perseverar na fé apesar de
sua própria incapacidade.
1Pe 1:3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança,
mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, 4 para uma
herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós
outros 5 que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para
a salvação preparada para revelar-se no último tempo.
A salvação não depende da força ou
vontade humana – ela é uma dádiva exclusiva da graça de Deus, somente do seu poder soberano, que chama, que regenera e que sustenta o seu povo até o fim.
Jd 1:24 Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de
tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória,
25 ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória,
majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os
séculos. Amém!
3.4.
A SUPREMA EFICÁCIA DO PODER
DE DEUS
O apóstolo Paulo usa vários termos
para descrever a eficácia do poder divino com o propósito de mostrar que a obra
de Deus é poderosa, irresistível e segura.
Esta ação de Deus é chamada de
graça eficaz, o chamado segundo o qual Deus realiza infalivelmente tudo aquilo
que determina na vida dos seus eleitos.
Jo 6:37 Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que
vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.
Como o Senhor é todo poderoso e
nenhum de seus planos pode ser frustrado nada pode fazer com que o propósito
de Deus não se realize: Deus faz tudo conforme o conselho de sua vontade e é
por isso que a segurança da Igreja não está em sua própria força, mas no
infinito poder de Deus que opera nela.
Is 46:9 Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que
eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; 10
que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e
desde a antiguidade, as coisas que
ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a
minha vontade; 1 que chamo a
ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do meu
conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o
executarei.
CONTINUA EM
Nenhum comentário:
Postar um comentário