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sexta-feira, 5 de julho de 2013

E VOCÊ NÃO?

ESCÂNDALO! Grito novamente: escândalo. Ainda não perdi a capacidade de me escandalizar. Dentro e fora da Igreja. Mas estamos perdendo isto. O notório operador do esquema do mensalão (Delúbio Soares) vaticinou que suas roubalheiras virariam piada de salão. Esta semana nós vimos que, ao menos entre seus iguais, ele tinha razão. Tanto o presidente da câmara quanto do senado foram literalmente pegos com a mão nos cofres públicos. Renan Calheiros (de triste biografia, ou deveria dizer, folha corrida), presidente do senado, usou avião da FAB para comparecer com familiares a um casamento, saindo de Maceió rumo à Bahia e depois para Brasília num fim de semana, 15 de junho (pelo menos não estava no horário de trabalho). O outro, Henrique Eduardo Alves, de folha corrida (por enquanto) menos extensa, usou  do mesmo expediente para buscar a namorada e familiares para assistirem a final da copa da confusões no Rio de Janeiro (aproveitou para almoçar com o prefeito, Eduardo Paes). Por favor, fiquem indignados. Eu fiquei. O segundo disse que vai devolver o valor equivalente ao translado de seus amigos e futuros parentes (cerca de R$ 9.000,00). Já o segundo disse que estava num evento social, num fim de semana, em ambiente fechado, como representante do estado brasileiro e que não vai devolver coisa nenhuma, que tem o direito de usar. Para eles, o estado é uma capitania particular, foi assaltado e tomaram posse.
Para complicar ainda mais o quadro geral, esta semana foi revelado que um assessor do dep. Henrique Eduardo foi assaltado e lhe roubaram uma mala com “apenas” R$ 100.000,00. Ninguém ainda perguntou de quem era o dinheiro. Nem de onde. Nem para que. Deve ser normal assessores que ganham em torno de R$ 12.000, andarem com maletas com 9 vezes o seu salário. Ninguém se pronuncia sobre isso em Brasília.
Que governantes são esses que temos no Brasil? Que Brasil desgovernado é este que temos. Numa semana em que milhares saíram às ruas para protestar contra tudo isto o que está aí nossos governantes continuaram a fazer exatamente o mesmo de sempre. Qual a novidade nisto tudo? Fizeram pantomima no plenário para demonstrar “sintonia com o povo” ao rejeitarem a PEC 37, mas foi jogo de cena, há outras tentativas de golpe político em curso. E quando o fracasso nacional se evidenciar, vamos ter um país falido com multibilionários como os russos. Lulinha que o diga - já deve estar pensando em que clube de futebol comprar [seria o Corinthians que ganhou um estádio de futebol com a ingerência do pai?].
Lançaram um projeto de constituinte que era um golpe ao estilo chavista - não passou. Estão tentando outro, com um plebiscito que dá plenos poderes ao congresso, manipulado e alugado pelo petismo, para referendar o continuísmo de um partido no poder.
Aliás, este mesmo partido já se articula para tentar ser protagonista de um manifesto que é, antes de mais nada, contra tudo o que está aí, do qual ele é o principal ator. É um escárnio contra a inteligência do brasileiro. Dá nojo ver tudo isto, ver a desfaçatez e lembrar do vaticínio do Sr. Delúbio Soares: vai virar piada de salão. Só não sei ainda se os brasileiros são os palhaços ou quem paga a conta - ou os dois, lamentavelmente.
Mas, espera, o que isto tem a ver com o título deste artigo? É que de vez em quando ouço pessoas dizendo que, se estivessem no lugar deles, fariam o mesmo. Mas algumas destas pessoas saíram às ruas alguns dias atrás. Incoerência? Vontade de derrubar quem lá está para tomar o lugar e fazer igual?
Provavelmente você não faria isso. Você não quer fazer igual. Talvez você nem almeje um lugar na administração pública. E, se lá estivesse, você jamais faria como Lula, Dirceu, Sarney, Eduardo, Calheiros e companhia. Posso crer que seus padrões éticos e morais, especialmente cristãos, te impediriam de agir à semelhança dos tais.
Vejo tais políticos como expressão da polis, isto é, da população que os elege. Você pode dizer que não votou em Renan. Tudo bem, nem alagoano você é. E talvez não tenha votado na Dilma, no Lula, Sarney ou qualquer um dos citados aqui.
Mas não sejamos apressados, eles representam o espírito dos nossos tempos - deixe-me contar-te algumas situações vividas por alguns conhecidos, Pafúncio e Nostrôncio e Prascóvia. Pafúncio precisava resolver um negócio urgente, e, sem pensar duas vezes, usou o telefone do trabalho para resolvê-lo. Nostrôncio estava de viagem marcada, e soube que um carro da empresa iria para o mesmo lugar, e não viu problema nenhum em pegar uma carona. Prascóvia tinha um trabalho da faculdade para entregar, e geralmente saía do emprego diretamente pro curso. Na noite anterior, por volta da meia noite, como costuma acontecer, a sua impressora resolveu não funcionar. Chegou no trabalho e não viu nenhum mal em imprimir ali mesmo, afinal, eram só 25 páginas.
Será que Prascóvia, Pafúncio e Nostrôncio podem condenar sem antes corrigir os seus próprios erros, sem antes tirar a trave dos próprios olhos?
Leia João 8.3-11
3 Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, 4  disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. 5 E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes?

6 Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo. 7 Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra. 8 E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.

9 Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava.

10 Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? 11 Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.

Aqueles homens não ousaram condenar a mulher porque eles tinham três desejos no coração: matar aquela mulher, envergonhar Jesus e matá-lo posteriormente. Já haviam decidido fazer isso. Tinham pecado no coração. Jesus podia condená-los, pois andou por toda parte fazendo o bem. Precisamos de autoconfrontação, de abandono do pecado para ter, novamente, voz diante de tantos desmandos, de tanta desonestidade.


segunda-feira, 17 de junho de 2013

MINHA MANIFESTAÇÃO

Tenho recebido algumas indagações sobre as manifestações que começaram em São Paulo e, como fogo em pólvora, se espalharam diversas capitais e outras grandes cidades do Brasil. O que dizer? Sou contra? Sou a favor? As perguntas ficaram mais incisivas à partir do momento em que estou no epicentro das manifestações, na cidade de São Paulo, a pouco mais de 1.000m da Av. Paulista.
Cautela, antes de um posicionamento mais direto, e eu tenho que tecer algumas considerações preliminares.
Primeiro, a origem das manifestações. Tem-se omitido que a origem das manifestações está em grupos oposicionistas ao governo de São Paulo, PCdoB, PSTU, PCO e outros partidecos e grupelhos insignificantes e meio de vida de espertalhões que sobrevivem do Fundo Partidário, como vários documentos comprovam a participação de grupos liderados por, inclusive, Luciana Genro, filha do ex-ministro e agora governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro. O objetivo? Iniciar as bagunças que promoveriam imagens de violência da "polícia do Alckmin" contra o "pobre povo" [muitas imagens manipuladas já apareceram na internet] que seriam usadas nas eleições paulistas para governador em 2014. Esta é uma fixação dos petistas, tomar o governo do estado de São Paulo. Por incrível que pareça, não se contentaram com a presidência, querem o governo do estado paulista, e, assim, quebrar de vez a espinha dorsal da já fraca, inoperante e ineficiente oposição nacional.
Segundo, o desenvolvimento das manifestações. Os ditos protestos populares, encabeçados inicialmente por engajados jovens de classe média e média alta paulistana, contavam com um moto, o tal "passe livre", e algumas ferramentas, como rojões, garrafas de tinta spray, sinalizadores e coquetéis molotov. Quando impedidos de parar uma das artérias da cidade de São Paulo, a av. Paulista [com numerosos hospitais] partiram para a pancadaria – e no dia seguinte, embora tivessem aceito que não invadiriam a avenida, tentaram invadir e foram rechaçados pela PM. Até este momento o PT mantinha-se à distância, mas começava a preocupar-se porque poderia respingar na popularidade do poste que conseguiu instalar na prefeitura, Haddad.
Terceiro, a reação da polícia, que, com base na lei, pode e deve impedir que vias públicas e serviços essenciais sejam tomados por desordeiros. Houve excessos? Creio que nenhuma violência é necessária, mas como a polícia deveria reagir a coquetéis molotov e sinalizadores [como o que matou o boliviano Kevin Espada]? Com flores? Não, mas com o uso de uma de suas prerrogativas, a força. Cumprindo a lei e detendo pessoas que ameaçavam destruir patrimônio público, particular, ônibus e veículos particulares. Vale lembrar que funcionários de uma emissora de TV foram ameaçados e tiveram que sair de perto das tais "manifestações pacíficas'.
Quarto, as ações da polícia em São Paulo não ficaram em nada a dever às dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e, principalmente, Distrito Federal. Mas a cobertura da TV foi totalmente desproporcional. Para o que acontecia em São Paulo adjetivos como bárbaros e violentos, mas não se via o mesmo especialmente em relação às manifestações em Brasília. Passei em Brasília hoje, e, no taxi, conversei com um taxista, que me afirmou que a reação foi violenta. Na TV pude ver absurdos sendo cometidos, como cavalos pisoteando pessoas, policiais em motocicletas atropelando propositalmente pessoas nas ruas.
Quinto, os participantes. Hoje à tarde, tomando café nas proximidades do Andrew Jumper, na rua Maria Borba, e duas coisas me chamaram a atenção. Jovens que não trabalham estavam portando máscaras caseiras contra gases, ao mesmo tempo que produziam uma fumaça de cheiro característica. Isso mesmo, estavam se preparando para as manifestações, por volta das 15.30h, fumando cannabis sativa. O cheiro tomava boa parte da rua. Ninguém me contou, eu vi. Quando afirmam que é o Brasil que está acordando, lembro a frase de uma jovem estudante, que, ao ver imagens de violência no Rio de Janeiro, inclusive com risco de incendiar a Assembleia Legislativa e o Museu Municipal [sim, os manifestantes pacíficos usaram coquetéis molotov], com o saldo de 5 policiais feridos, um deles com o braço quebrado. A jovem virou o rosto com desdém e disse: "Ah, é no Rio", como se quisesse que a violência estivesse acontecendo em São Paulo.
Sexto, o PT, o Partido das Tramóias, que está por trás de muito do que está acontecendo. Preocupado com o respingar das manifestações na popularidade de Haddad e Dilma, o PT ordenou a entrada de petistas na jogada para tentar levar o foco para longe de seus expoentes [pelo menos 5 funcionários ligados à presidência da república foram identificados nas manifestações]. Mas parece que a coisa já fugiu ao controle, o que era para ser uma provocação contra Alckmin acabou despertando uma escondida e insuspeita insatisfação contra toda a roubalheira que vem sendo praticada, avisada há pelo menos 3 anos pelo deputado federal Romário Faria, que afirmou que a Copa seria uma grande oportunidade para roubalheira, como, evidentemente, tem sido. As manifestações já fugiram ao controle da petralhada, e por isto estão preocupados. Dilma, a terrorista, já afirmou que apenas manifestações pacíficas são aceitáveis. Não pode explodir bombas. Não pode destruir patrimônio alheio. Não pode roubar bancos, não pode ferir pessoas nem tirar vidas – exatamente o que ela fazia. O PT já está tentando capitalizar o que eles tentaram criar e fugiu-lhes ao controle. Haddad, Gilberto Carvalho e Dilma Roussef já estão anunciando que vão "dialogar com os movimentos sociais". O problema é que os movimentos sociais com os quais eles dialogam [Movimento Passe Livre e outros] já lhes pertence - e não estão conseguindo controlar as coisas. Então, eles tem que aparecer - e, de criadores da problemática, agora querem posar de donos da solucionática. É pra inglês ver. Será que vai dar certo? Será que o Brasil vai se deixar enganar por estes especialistas em mistificação?
Finalmente, o que eu penso de tais manifestações?
São legítimas? Na sua origem, eram apenas politiqueiras. Mas, se efetivamente se tornaram populares, desde que não apelem para a violência, desde que não se armem de maconha [creio que apenas uma minoria fez uso dela], de coquetéis molotov, de sinalizadores, pedras e paus, desde que não destruam patrimônio público e particular, então, são legitimas. Fugindo a estas normas, tornam-se criminosas e merecem a aplicação da lei. Sei que muito amigos vão discordar, especialmente aqueles que mantém relações com as esquerdas, mas o discurso inicial de R$ 0,20 já se mostrou falso. O objetivo era outro – tanto que o primeiro já está soterrado sobre aquilo que realmente causa indignação: a roubalheira, a canalhice, a tentativa de intimidação das instituições [ministério público, imprensa] que iria ser votada sob a fumaça da Copa das Confederações.

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