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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A URGENTE NECESSIDADE DE TER UMA VISÃO CORRETA SOBRE JESUS - Mc 3 22-30

Ninguém nega que o objetivo dos escritores do Novo Testamento era mostrar que Jesus é o Filho de Deus. João é, provavelmente, o mais enfático nesta afirmação (Jo 20:31 Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome) embora os outros evangelistas também abordem esta questão.
Não era nada fácil para os judeus aceitarem uma reivindicação tão impactante como a de que Jesus era o Filho de Deus, titulo atribuído a Jesus 44 vezes no Novo Testamento – mas não havia outro jeito, pois negar a Jesus como o Filho de Deus significa negar a própria revelação de Deus e permanecer condenado com o mundo (I Jo 5:5 - Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?).
É muito fácil encontrar alguém que lhe diga que Jesus não é o Filho de Deus. Um vai lhe dizer que ele é só um espírito de luz, um iluminado mas não o Filho de Deus – alias, no fim das contas, nem Deus mesmo existe, apenas um ser supremo e inefável, e como poderia um ser assim possuir um filho? Também vai encontrar outro que lhe dirá que ele é o mais exaltado dos seres, a mais especial das criaturas, o homem perfeito, um anjo celeste, mas não o Filho de Deus. Mais adiante outro lhe dirá que ele foi um homem especial, um mestre moral inigualável, um profeta como nenhum outro que já existiu (ou um profeta de menor importância, como é o caso dos muçulmanos) mas sem admitir que ele seja o Filho de Deus.
Na sua escola você ainda vai encontrar pessoas que chamarão Jesus de mestre religioso, manipulador, mito, fraude… são tantas descrições diferentes. Mas não era muito diferente nos dias de seu ministério terreno. Muitos não sabiam quem ele era… tinham preconceitos por causa de sua origem… seus irmãos tinham um comportamento que demonstrava incredulidade. Mas o que fazer quando, finalmente, estivermos diante de Jesus e tivermos que responder a pergunta: você crê que Jesus é o Filho de Deus?

VOCÊ PRECISA EVITAR UMA VISÃO EQUIVOCADA SOBRE JESUS

Os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: Ele está possesso de Belzebu. E: É pelo maioral dos demônios que expele os demônios (Mc 3:22).
Após os espíritos imundos proclamarem que Jesus é o Filho de Deus (Mc 3:11 Também os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e exclamavam: Tu és o Filho de Deus!) os irmãos de Jesus não se contiveram ao vê-lo, em casa, cercado pela multidão e atendendo-os a ponto de não poderem, sequer, se alimentar. Para resolver o problema eles agiram no sentido de retirá-lo de lá como se estivesse fora do uso das suas faculdades mentais (Mc 3:21 E, quando os parentes de Jesus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si). Para eles a alegação de que Jesus, seu próprio irmão, fosse o Filho de Deus era uma loucura – e Jesus deveria ser detido antes que tivesse problemas com as autoridades religiosas.
E é justamente estas autoridades que se apresentam. Logo vem a Caná uma comissão de inquérito para investigar o que estava acontecendo. Marcos diz que os estudiosos da lei, examinadores dos mínimos detalhes e das maiores dificuldades legais do texto bíblico, os escribas, aqui chamados de gramáticos “foram descidos de Jerusalém”. Eles vieram investigar, e a conclusão a que estavam chegando era que Jesus realmente fazia os milagres de que ouviram falar. E mais ainda, que Jesus tinha autoridade sobre os espíritos imundos. Eles não podiam contestar o que estava acontecendo e o grande número de testemunhos a esse respeito. Mas… e este era o problema deles, eles tinham descido de Jerusalém para investigar um homem… não para admitir que este homem fosse o Filho de Deus.
Eles desceram com seus conceitos já estabelecidos e precisavam encaixar Jesus dentro destes conceitos. E a única explicação para a autoridade de Jesus sobre os demônios era que Jesus era instrumento de um demônio com maiores poderes do que os que ele expulsava.
Para eles não importava quão bem às pessoas Jesus podia fazer. Para ele não importava sequer que eles não conhecessem ou tivessem acompanhado o que Jesus fazia. Para eles só importava uma coisa: encaixar Jesus na sua caixinha de preconceitos. E como Filho de Deus ele jamais se encaixaria. Precisavam arrumar outra coisa. Se ele não era o enviado de Deus, então, com tanto poder assim só poderia ser enviado de belzebu ou, pior ainda, estar sob sua influência direta, sob sua posse. Eram tão insensatos em suas conclusões que, para enquadrar Jesus, tinham que afirmar algo absolutamente contraditório: como é possível que uma pessoa que se diz sábia consiga afirmar que um chefe iria expulsar aqueles que estariam, justamente, fazendo as suas vontades, e devemos lembrar que uma das características do ministério de Jesus foi “curar os oprimidos do diabo porque Deus era com ele (At 10:38 - …como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele)?

VOCÊ PRECISA CORRIGIR SUA VISÃO SOBRE JESUS

23 Então, convocando-os Jesus, lhes disse, por meio de parábolas: Como pode Satanás expelir a Satanás? 24 Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir; 25 se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir. 26 Se, pois, Satanás se levantou contra si mesmo e está dividido, não pode subsistir, mas perece. 27 Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa.

Como mudar o seu ponto de vista sobre Jesus? A única resposta é: ouvindo o que Jesus tem a dizer sobre si mesmo. Conhecendo a Jesus, conhecendo o seu ensino. Ele já havia mostrado ao povo e aos próprios escribas que seu ensino era diferente (Mc 1:22 - Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas) e por isso mesmo os escribas o odiavam. E ele simplesmente lhes mostra, através de uma comparação indireta, isto é, através de uma parábola, a insensatez do que falavam.
Como pode alguém fazer uma obra – mesmo o próprio satanás – destruindo a própria obra que ele faz? É uma tolice, tão tola quanto a de pessoas que, julgando-se amaldiçoadas, colocam elas próprias as mãos em sua própria cabeça para quebrar a maldição – algo tão inútil quanto estar caindo de um avião e segurar na gola da própria camisa… a pergunta de Jesus, nos versos 23 a 26 aos gramáticos, aos entendidos da lei, aos homens que se diziam capazes de explicar os mais intricados problemas da religião era: como pode satanás querer estabelecer um reino destruindo o seu exército? Como pode satanás querer estabelecer uma casa, isto é, um lugar onde sua vontade seja respeitada e obedecida, se ele próprio a divide, mesmo depois de tê-la estabelecida? No fim, ele próprio acabará derrotado. Isso não faz sentido algum.
Faz sentido para você? Não, não faz sentido. E não fazia sentido para os judeus que seguiam Jesus. Mas não precisava fazer sentido. Aquela comissão de inquérito precisava encontrar uma explicação – e Jesus vai em seu socorro, dando-lhe a explicação que eles não queriam aceitar.
Jesus estava desfazendo as obras das trevas. Isso era um fato. Jesus expulsava demônios. Isso todos viam. Jesus curava enfermos que ninguém mais era capaz de curar. Isto era inquestionável. Jesus ressuscitava mortos – quem mais poderia fazê-lo? Qual a explicação? Jesus no-la dá no verso 26: ele não é um servo de satanás. Ele não é da parte de satanás, pelo contrário, ele é maior, mais forte, incomparavelmente mais poderoso que satanás. Ele não pode sequer ser comparado a satanás. Satanás está em sua casa, em seu reino (I Jo 5:19 - Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno) e ele a invade, ele o amarra e toma o que ele julgava ser seu de direito (Mt 4:9 - …e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares). Jesus sequer admite a hipótese de ter que lutar contra o valente como se fossem iguais: ele o vence e o incapacita. Ele é, em suas próprias palavras, o mais valente, o mais poderoso.

VOCÊ PRECISA SABER O RESULTADO DE UMA VISÃO ERRADA SOBRE JESUS

28 Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem. 29 Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno. 30 Isto, porque diziam: Está possesso de um espírito imundo.

O problema dos escribas era que, em seu preconceito, eles se tornaram cegos para a luz que estava no mundo (Jo 8:12 - De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida) e fizeram de tudo para apagá-la. Mesmo diante do esclarecimento de Jesus às suas observações confusas eles continuaram incrédulos porque isto não lhes foi dado (Jo 3:27 - Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada). Eles não eram homens espirituais, não tinham discernimento espiritual algum (I Co 2:14 - Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente) e só cogitam daquilo que é de sua natureza carnal (Rm 8:5 - Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito).
Os escribas cometiam o grave erro de atribuir ao mal o bem que ele jamais poderia fazer. Poderia enganar, como Simão, o mago, fazia, mas não podiam fazer um morto reviver. Podiam chorar e até oferecer palavras de conforto para uma mãe enlutada, mas jamais restituir-lhe o único filho com vida (Lc 7. 13-15 - Vendo-a, o Senhor se compadeceu dela e lhe disse: Não chores! 14 Chegando-se, tocou o esquife e, parando os que o conduziam, disse: Jovem, eu te mando: levanta-te! 15 Sentou-se o que estivera morto e passou a falar; e Jesus o restituiu a sua mãe). Poderiam julgar alguém e dizer que era inocente, mas jamais poderiam perdoar pecados (Lc 7:49 - Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados?).
Tirar a glória que é de Deus (Mt 15:31 - De modo que o povo se maravilhou ao ver que os mudos falavam, os aleijados recobravam saúde, os coxos andavam e os cegos viam. Então, glorificavam ao Deus de Israel) para dar a satanás é uma blasfêmia que não lhes seria perdoada (Is 42:8 - Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura). Fazer com que as pessoas que seguiam a Jesus não cressem nele e, assim, fossem condenadas ao inferno era uma atitude insana e digna de duro julgamento. Com todo o estudo que tinham estavam se mostrando meras pedras de tropeço (Mc 9:42 - E quem fizer tropeçar a um destes pequeninos crentes, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse lançado no mar).

CONSELHOS FINAIS

Ter um conceito errado de Jesus pode ter consequências funestas. Blasfemar contra a obra feita pelo Espírito, negar-se a glorificá-lo pelo que ele faz na obra da redenção de pecadores é buscar a condenação pela eternidade (Jo 3:36 - Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus).
Embora não possamos chamar de “um dos mandamentos” há uma injunção bíblica para que todo ser que respira (nós, então) louvemos ao Senhor (Sl 150:6 - Todo ser que respira louve ao SENHOR. Aleluia!). Todavia, esta não é uma ordem isolada, pois ela é derivada do mandamento de somente ao Senhor adorar, somente a ele dar culto (Mt 4:10 - Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto).

A IGREJA E O LOUVOR AO CRIADOR

Uma olhada para o céu, para o mar, para os montes, para os animais, para as plantas, para as flores já deveria ser suficiente para lembrarmos de louvar ao Senhor que criou todas as coisas, e que sustenta todas as coisas. Mas o ser humano, teimosamente, glorifica a criatura (a natureza) ao invés de dar ao Criador a glória devida (Rm 1:25 - …pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!). Ao invés de dizerem adoremos ao nosso Criador (Sl 95:6 - Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do SENHOR, que nos criou) prostram-se nos pedestais da pseudociência chamada evolução.

A IGREJA E O MUNDANISMO

Uma olhada para o mundo que nos cerca deveria ser suficiente para ver a enorme distancia entre a obediência à orientação de Deus mediante sua Palavra, inspirada pelo Espírito da verdade (I Jo 4:6 - Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro) e o mundanismo que, lamentavelmente, tem adentrado inclusive nas Igrejas, mesmo aquelas que se proclamam as mais bíblicas.

A IGREJA E A FILOSOFIA

Não é preciso investigar muito para perceber que a filosofia do mundo já formatou boa parte da consciência dos cristãos (Rm 12:2 - E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus), que deveriam resistir-lhe oferecendo uma nova perspectiva de acordo com a vontade do Espírito (II Co 10:5 - …e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo) – e antes que você saia pensando que tem que declarar guerra à filosofia do mundo o primeiro pensamento cativo ao de Cristo deve ser o seu próprio.

COMO OLHAR PARA JESUS

Deixe-me te dar um quadro muito claro da maneira que você deve olhar para Jesus, aliás, a única maneira que realmente é correta: Jesus é o filho unigênito de Deus (Jo 3:18 - Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus). Jesus é o salvador de pecadores que estavam mortos em seus delitos e pecados (Ef 2:1 - Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados). Jesus é o Senhor, por direito de criação (Jo 1:3 - Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez) e de redenção (Jr 31:11 - Porque o SENHOR redimiu a Jacó e o livrou da mão do que era mais forte do que ele).
Sem a ação iluminadora do Espírito você nunca compreenderá isto – e continuará irremediavelmente perdido. Com o coração endurecido, cheio de preconceitos religiosos, filosóficos, sociais ou de quaisquer outros você não será em nada diferente dos preconceituosos religiosos que foram até ele para acusa-lo de ser nada menos que um emissário de satanás.
Creio que ele te trouxe aqui com um propósito. É possível que ele tenha te chamado aqui, cristão, para que você repense sua filosofia, suas aspirações, para que você coloque sua visão de mundo aos pés de Cristo e lhe peça para ter, finalmente, a mente de Cristo (I Co 2:16 - Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo).
É possível que ele lhe tenha trazido aqui para que você ouça sua voz, e você deixe a opressão da filosofia e do mundanismo para colocar-se sob o suave senhorio do salvador (Mt 11:30 - Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve).
O que você não pode é sair daqui sem ter uma visão correta sobre quem é Jesus – e à partir desta visão, se posicionar a respeito dele (Lc 11:23 - Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha).

domingo, 19 de julho de 2015

ENCONTRAR O REI OU SER CONVOCADO POR ELE?

13 De novo, saiu Jesus para junto do mar, e toda a multidão vinha ao seu encontro, e ele os ensinava. 14 Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.
15 Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com ele e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número e também o seguiam. 16 Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores? 17 Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores.
Mc 2.13-17

PORQUE AS PESSOAS TEM DIFICULDADE PARA ENCONTRAR O JESUS DAS ESCRITURAS?

Será que as pessoas estão à procura de Jesus? Você está, realmente, à procura de Jesus? Bom, talvez esteja, mas, preciso ser um pouco mais incisivo: a qual Jesus você está procurando? Talvez pareça meio estranho eu fazer uma pergunta destas, uma vez que você está numa Igreja – e está ouvindo um pastor pregando sobre ninguém menos que Jesus. E você pode responder: eu estou à procura deste Jesus que você prega. Bom, isto é muito bom. Então, vamos conhecer, primeiro, o Jesus que eu não prego, o Jesus que não é digno de ser anunciado de púlpito algum – e, creiam-me, não estou ficando louco.
Eu não acredito que o Jesus a ser anunciado seja aquele que trabalha numa espécie de pronto socorro, bastando ser invocado para vir correndo resolver problemas emergenciais e logo retornar ao seu posto de observação aguardando o próximo chamado. Se você procura este Jesus, ele não está aqui.
Eu não acredito que o Jesus a ser pregado seja aquele que funciona como um senhor serviçal sempre pronto a atender aos caprichos de seus grandes servos sempre cheios de vontades – e, creiam, senhor serviçal e servo grande são paradoxos, coisas que não podem jamais existir.
Eu não acredito que o Jesus a ser pregado seja o filósofo com respostas profundas e enigmáticas, mas que não passa de um grande mestre, um homem iluminado ou possuído de alguma força sobrenatural, mas que é incapaz de responder aos anseios mais profundos da alma humana.
Eu não acredito que o Jesus a ser pregado seja este dado a espetáculos com hora marcada e lugar definido, em troca de generosas doações financeiras, mas que é absolutamente incapaz de acompanhar qualquer um destes grandes milagreiros a um simples hospital e fazer os doentes se levantarem e irem para casa sem cobrar.
Enfim, eu não acredito que o Jesus a ser pregado seja o marxista, o comunista, o pensador, o revolucionário, o anjo, o homem iluminado – nada disso é digno de ser mencionado de um púlpito cristão. E é por isso que eu convido você a buscar conhecer o Jesus das Escrituras, porque eu acredito que a maioria das pessoas que não conhece Jesus, o verdadeiro Jesus, é simplesmente porque está buscando outro Jesus, não o Jesus das Escrituras.
Talvez você tenha vindo a este local depois de passar por vários outros – e eu espero sinceramente que sua busca tenha chegado ao fim. Mas chegado ao fim não porque você vai escolher, dentre todos os que já te foram apresentados, este de quem eu vou falar.  Eu sinceramente espero que sua jornada chegue ao fim porque você vai ouvir a voz do Senhor te chamar, porque ele te escolheu e  você o ouve chamando para segui-lo. A qualquer outro dos Jesus que são pregados por aí é possível escolher – ao Jesus das Escrituras é impossível, porque ele mesmo diz que você não pode escolhê-lo, pelo contrário, é ele quem te escolhe (Jo 15:16).

DIANTE DE JESUS COM DIFICULDADE PARA ENCONTRÁ-LO

Mesmo diante de Jesus nos dias de seu ministério terreno, porque encarnado ele ainda está, todavia glorificado (Cl 2:9) havia pessoas com grande dificuldade para encontrá-lo. Mas esta dificuldade não é porque ele se escondesse, ou porque ele evitasse as pessoas, pelo contrário, Jesus estava sempre seguido pelas multidões, e Marcos quase sempre o apresenta cercado por muita gente, que sabia onde ele ia, onde repousava, onde morava, onde e com quem comia, o que falava e como falava. Encontrar Jesus era algo muito fácil, para quem tivesse este desejo.
Mas havia pessoas que, mesmo perto, mesmo seguindo Jesus de muito perto, mesmo observando atentamente tudo quanto Jesus fazia ou falava, ainda assim não o encontravam porque eles não queriam o Jesus que o Senhor havia enviado (Jo 1:11), porque não eram das ovelhas do Senhor e nada do que ele fizesse lhes seria atrativo, pelo contrário, eles o rejeitariam ainda mais (I Pe 2:7). Eles queriam o seu Jesus, não o Jesus que Deus lhes deu. O problema é que o Jesus que eles queriam não estava disponível e nunca viria, nem nunca virá, o Jesus que Deus deu já veio, é o Jesus das Escrituras.

O JESUS QUE DEVE SER ANUNCIADO

É este Jesus, o Jesus das Escrituras, que deve ser anunciado, como Paulo fazia (I Co 15:3-4). É este Jesus, rejeitado pelos religiosos profissionais, que você está sendo convidado a conhecer. O que podemos dizer sobre este Jesus?

JESUS FAZIA ÀS CLARAS, RELIGIOSOS QUEREM AS TREVAS

13 De novo, saiu Jesus para junto do mar, e toda a multidão vinha ao seu encontro, e ele os ensinava.
Todos sabiam onde e como encontrá-lo.
Como é costume de Marcos, Jesus está sempre indo, sempre em atividade contínua. Nesta seção todos os versos começam com um conectivo (e então) para expressar a movimentação constante de Jesus. Somos informados que, como era seu costume e era de conhecimento de todos em Cafarnaum, Jesus mais uma vez deslocou-se, agora da cidade para uma região mais erma, para os lados do mar. Para sair de Cafarnaum, atravessando os subúrbios em direção ao lago, certamente teria que passar pela região mais pobre, e, também, onde estavam os grupos mais desprezados pelos judeus: os publicanos (cobradores de impostos) e os pecadores (que ordinariamente se relacionavam com os gentios, sendo, por isso, desprezados pelos religiosos).
Depois de tanto ensino, e ensino substancial, não retórico e vazio como o ministrado pelos escribas, depois de tantos milagres, de tantas curas inexplicáveis e, principalmente, da cura do paralítico, o fluxo de pessoas a segui-lo inevitavelmente tendia a não diminuir, embora muitos seguissem a Jesus pelas razões erradas – queriam ver ou receber o resultado de alguma de suas ações. Mas não criam nele, a ponto de alguns perguntarem que sinais (entre tantos que estava fazendo) ele mostrava para que pudessem crer (Jo 6:30).
Mesmo assim, mesmo que não tivessem fé e que seus interesses fossem mais mundanos e materiais, Jesus não deixava de cumprir a sua missão de anunciar o evangelho aos pobres (Lc 7:22). À multidão que o procurava por sinais e maravilhas ele respondia com o anuncio da chegada do reino. Àqueles que queriam sentir a ação do seu poder ele lhes ensinava, conduzia-os com simplicidade e clareza de maneira que eles aprendessem a verdade sobre o reino de Deus.
O problema para aqueles que não encontram Jesus não é que ele seja difícil de ser encontrado – é que os que não o encontram simplesmente não querem encontra-lo. Não é falta de conhecimento sobre o Senhor, é falta de interesse e, pior ainda, é franca rejeição (Jo 1:11). O problema é que eles, embora fosse de Israel, não eram das ovelhas que o Senhor Jesus veio buscar (Mt 15:24). Eram como muitos que, embora talvez estejam dentro das Igrejas, como muitos judeus estavam na casa de Israel, não tinham nenhum relacionamento com o Senhor da Igreja. Tinham aparência de piedade, mas sem eficácia espiritual alguma (II Tm 3:5).

JESUS AGE COM AUTORIDADE, RELIGIOSOS QUEREM IMPOSIÇÃO

14 Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.
A autoridade de Jesus era inquestionável.
Quando Jesus ensinava ficava claro que ele possuía autoridade que não era compartilhada pelos demais doutos e mestres do seu tempo (Mc 1:22). Quando lidava com as enfermidades a mesma coisa acontecia (Mc 1:31). Nem mesmo o próprio diabo duvidava de sua autoridade (Mc 5:12).
De saída de Cafarnaum, em direção ao mar, Jesus tinha que passar pela alfândega onde eram cobradas taxas de quem vinha ou ia para as cidades de Tiro, Damasco ou Jerusalém, além de outras cidades menos importantes. Aquele lugar era, para os judeus, um símbolo de opressão, um lugar mais que detestado por eles porque ali estavam aqueles que eles consideravam seus espoliadores, ladrões que tiravam deles, o povo de Deus, para dar aos gentios romanos. Se os judeus já odiavam os cobradores de impostos, mais ódio ainda eles devotavam aos publicanos judeus, vistos como traidores de seu povo e traidores de Deus. Triplamente detestados: porque traíram sem povo, traíram seu Deus e se misturavam em negócios com os gentios.
Ao passar pela coletoria Jesus diz a Levi, filho de Alfeu: Segue-me. Sem razões, sem explicações, sem promessas. Quanto do nosso evangelismo passa tão longe disso? Precisamos explicar mil razões, dar mil motivos e, às vezes, fazer mil promessas de bonança – quando a única promessa a ser feita é que todo aquele que crê no Senhor Jesus recebe, dele mesmo, a vida eterna (Jo 10:28). Só isso realmente importa – o límpido chamamento do Senhor para suas ovelhas (Jo 10:27). Não pensemos que Levi nada soubesse sobre Jesus. Levi não era diferente de nenhum de nós aqui. Dificilmente Levi não tivesse ouvido algo a respeito de Jesus, não soubesse de seu ensino e de suas ações. Levi não era diferente de nenhum de nós – ele sabia algo sobre Jesus, como todos aqui sabemos algo sobre Jesus, e como os escribas e fariseus sabiam algo sobre Jesus. A resposta a este conhecimento é que é diferenciada entre os que são de Jesus e os que não são.
O que ele não esperava era que Jesus o chamasse. Não a ele, Levi, o filho de Alfeu, o traidor de seu povo, o detestado publicano. Mas foi ao perdido, ao desprezado, ao proscrito que Jesus disse: Segue-me. Venha após mim. Seja meu discípulo. E a resposta de Levi é imediata, pronta, resoluta, sem questionamentos ou sem vacilos. Ele ouviu o chamado e foi, simplesmente atendeu ao chamado de Jesus. Razões para não ir ele tinha muitas, razões para ir ele tinha apenas uma: o chamado irresistível de Jesus e o segue, sem olhar para trás.

JESUS AGE COM LIBERDADE, RELIGIOSOS QUEREM TRADIÇÕES

15 Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com ele e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número e também o seguiam.
Jesus era capaz de ações surpreendentes.
Da coletoria somos informados por Lucas que Levi oferece uma grande refeição com a participação de Jesus (Lc 5:29). Entrar na casa de alguém significava das duas uma, ou as duas coisas: que se comungava com o que o hospedeiro fazia, considerando-o digno de uma visita, ou que o visitante era tido como um igual ou partidário das mesmas opiniões. Nenhuma das duas depunha a favor de Jesus. Para Lucas isso é importante porque descreve Jesus como aquele que penetrava em todos os estratos da sociedade de seu tempo, para Marcos o que é realmente importante registrar é o fato de que Jesus fala com um publicano, convida-o para ser seu seguidor, vai até a sua casa e se reclina à mesa tanto com ele quanto com outros cobradores de impostos, na verdade, muitos outros cobradores.
Aos publicanos Marcos acrescenta um outro grupo igualmente detestado pelos judeus: os pecadores. Jesus é o rabino que permite que prostitutas o toquem (Lc 7:39), que toca em leprosos (Lc 5:13), com uma mulher samaritana (Jo 4:27) e agora se banqueteava com os pecadores – literalmente os que se devotavam, que viviam na prática cotidiana do pecado, que tinham o pecado (na ótica deles) como meio de vida (na maioria dos casos por trabalharem direta ou indiretamente com os gentios).
O termo “pecadores” é um termo técnico, mais que um apelido, é um título de desprezo e escárnio dos mestres religiosos contra aqueles que eles desprezavam. Eis uma primeira consequência na vida daqueles que creem em Jesus: mesmo com a melhor das intenções, dar um jantar, leva-lo para dentro de sua casa para o convívio dos familiares e amigos logo são desprezados pelos que já estão acostumados à vida religiosa mas não são discípulos de Jesus, não entram nem desejam que outros venham a encontrar a porta, e entrem por ela, e sejam salvos (I Ts 2.14).

JESUS AGE COM PROPÓSITO, RELIGIOSOS PREFEREM PRECONCEITOS

16 Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores?
Meros religiosos não aprendem nunca.
Existe grande diferença entre fé e religiosidade, muito clara na história da fé. Caim era religioso, chegava mesmo a oferecer culto (Gn 4:3) Abel era crente (Mt 23:35); honrar a Deus com lábios mas sem coração nunca foi novidade (Is 29:13) chegando a ponto de Deus desejar que as portas do templo permanecessem fechadas tamanha pode ser a hipocrisia de falsos adoradores, meros religiosos (Ml 1:10).
Os escribas, da facção religiosa dos os fariseus, guardadores estritos da torá e de muitas tradições orais, estavam observando o que Jesus dizia e fazia e certamente não entraram na casa de Levi, afinal, não lhes era permitido misturar-se com os detestados publicanos. Pior ainda era constatar que Jesus, o rabino, se reunia não apenas com muitos publicanos e também com os que chamavam pecadores, com a plebe que julgavam rude e ignorante (Jo 7:49). Sem coragem para enfrentar Jesus eles preferem a conversa de bastidores, dirigindo-se aos seus discípulos (que estavam há pouco tempo com Jesus). Os escribas, apesar de doutos, tinham medo de Jesus porque o Filho do Homem já havia desnudado seus corações malignos quando eles duvidaram da autoridade de Jesus para perdoar pecados, mesma autoridade que ele tinha para mandar a um paralitico que tomasse o seu leito e voltasse para casa andando.
Seu questionamento era lógico, dentro de sua lógica religiosa baseada na guarda exterior de mandamentos – como Jesus poderia ser, de fato, o messias, ser um bom rabino e um mestre qualificado se não ensinava as pessoas a se afastarem dos pecadores, a rejeitar a comunhão com os pecadores, a, de acordo com a cultura, demonstrar algum grau de aprovação pelo que eles faziam e como viviam porque não os censurava, não lhes dizia para abandonarem sua prática de pecados? Esta era a lógica da religiosidade, mas estava muito longe de ser o propósito da vinda de Jesus, que veio para dar a sua vida para resgatar, justamente, os pecadores (I Pe 3:18).

JESUS AGE DIDATICAMENTE, RELIGIOSOS QUEREM POLITICAGEM

17 Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores.
Jesus não se prende ao politicamente correto.
Certa vez vi uma frase que afirma que líderes elogiam publicamente e corrigem em particular – bom, acho que Jesus não ouviu esta frase. Ela é fruto de um nefasto pensamento chamado de politicamente correto. A hipocrisia dos fariseus era pública, seu questionamento à autoridade de Jesus era pública, sua atitude de desprezo por Jesus também. E eles estavam errados, tanto quanto em relação ao que pensavam a respeito de Jesus quanto, pior ainda, quanto ao que pensavam a respeito de si mesmos, o que os levava a pensar que não tinham qualquer necessidade da mediação de Cristo. Jesus, ouvindo o que eles falaram, age imediatamente. É óbvio que a autoridade de Jesus estava sendo contestada e precisava ser defendida, mas o problema maior estava no coração dos fariseus, e não nos ouvidos dos discípulos. Eles acreditavam que não precisavam de Jesus. Eles criam que podiam conseguir a salvação por sua própria obediência à lei mosaica – esquecendo-se que ninguém conseguia obedecer perfeitamente (Ec 7:20) e uma obediência imperfeita sempre será desobediência (Tg 2:10).
Enquanto eles murmuram Jesus lhes fala clara e publicamente, dizendo-lhes o que eles precisavam e não o que queriam ouvir. Jesus não lhes dá explicações, pelo contrário, mais uma vez lhes desnuda os corações, dizendo que eles se achavam justos, que se achavam santos, que se sentiam capazes de alcançarem a vida eterna (Mt 19:16). Embora Jesus dê instruções práticas, que qualquer fariseu daria, ele acrescenta uma exigência que nenhum fariseu estava disposto a cumprir: segui-lo, justamente o que Levi, um publicano, fez (Mt 19:21).
Para Jesus os que se julgam sãos não precisam de médico, ele não se encarnou para chamar justos, ou, como o termo usado por Marcos indica, pessoas capazes, poderosas, mas para convocar pecadores, miseráveis e fracas ao arrependimento. É a primeira vez que Jesus usa a adversativa mais forte (alla), enfatizando a absoluta incompatibilidade entre sua vinda e a salvação mediante alguma forma de justiça própria, de virtude auto atribuída. Ele não espera que os pecadores se tornem sãos, ele os faz sãos. Ele não espera que eles consertem a sua vida, ele é o próprio conserto para estas vidas (Ef 2:17). Jesus vem para chamar os praticadores de pecado ao arrependimento – e nada veio fazer por quem despreza seu chamado. A convocação é para os cansados e sobrecarregados – não para os que estão satisfeitos com suas cargas (Mt 11:28).

PORQUE AS PESSOAS TEM DIFICULDADE PARA ENCONTRAR O JESUS DAS ESCRITURAS?

É possível que as pessoas tenham dificuldade para encontrar o Jesus das Escrituras porque tem dificuldade com o seu evangelho, com a sua mensagem, com o que significa a sua vinda. O que significa o evangelho para pecadores – pecadores como os publicanos, pecadores como os desprezados homens e mulheres da vila de Cafarnaum? Pecadores como nós, pecadores do sec. XXI, tão pecadores quanto os mais pecadores entre os pecadores de todos os séculos?

O EVANGELHO MOSTRA QUE CRISTO VEIO PARA PECADORES

Em nenhum momento somos convidados a imaginar Cristo vindo para dizer para alguém que ele foi perfeito, e que, por isso, mereceu a recompensa de entrar na vida eterna, até porque a vida eterna é sempre uma dádiva, é sempre um presente de Deus (Rm 6:23) que é dado a pecadores.
Quem não encontra o Cristo das Escrituras é porque não consegue se ver nesta categoria, a de pecadores, e, por isso, insiste em chamar Deus de mentiroso (I Jo 1:10) rejeitando atender ao chamado do evangelho. Jesus se fez carne assumindo uma natureza de servo como sinal de humilhação para resgatar perdidos, se fez pecador para salvar pecados, seu perdão é expressão de misericórdia e graça – e só busca misericórdia e graça, só busca salvação quem está perdido. Só encontra o Cristo das Escrituras quem é fraco, perdido, pecador.
O evangelho é uma mensagem clara de perdão de pecados. E perdão de pecados só pode ser dado a pecadores. O evangelho é uma mensagem clara de justificação, de doação de justiça para injustos – e só podem ser justificados aqueles que forem injustos. O evangelho humilha o homem para salvá-lo. Os outros falsos cristos, os cristos que promovem harmonia do homem consigo mesmo em seu estado de pecado, que prometem exaltar o homem o fazem somente com o intuito de mantê-lo cativo em sua arrogância.
Jesus se fez homem para levar o homem para a cruz – não para colocá-lo em um pedestal. A morte e a ressurreição de Jesus foi em lugar do pecador, foi por causa do pecador, por causa da culpa do pecador e foi para retirar esta culpa de pecadores que tudo o que é relatado nos evangelhos aconteceu. Só aceita a humilhação de ser declarado incapaz de alcançar justiça quem se reconhece como injusto – e só encontra o Cristo das Escrituras quem é fraco, perdido, pecador, injusto.
O evangelho que os fariseus rejeitaram e que muitos rejeitam humilha o homem dizendo que a sua sabedoria não está em conhecimento de qualquer espécie, mas em reconhecer a sua situação de perdido, de pecador, de incapaz. A única sabedoria que o evangelho permite é a sabedoria de olhar para si mesmo com o mesmo olhar do evangelho para os pecadores – um olhar de reprovação para os pecados e de misericórdia para com pecadores, perdidos, mortos (Ef 2:1).
A verdadeira sabedoria é aceitar ser guiado por onde a lâmpada da Palavra de Deus guiar – mesmo que considere outros caminhos melhores (Pv 16:25 ). Não há outra forma de sabedoria. Só aceita ser visto desta maneira, destituído de sabedoria, quem, de fato, se reconhece tolo e só encontra o Cristo das Escrituras quem é fraco, perdido, pecador, injusto, destituído de sabedoria.

O PROPÓSITO DO EVANGELHO

E tudo isto para que? Para que, pelo evangelho, o pecador deixe de ser pecador, seja santificado, tenha sua mente mudada, seja reconciliado com Deus (II Co 5:18) e seja santificado.
O evangelho acaba com toda vaidade. O evangelho produz no coração do regenerado o sentimento de gratidão para com o seu salvador (I Tm 1:12). Faz com que a experiência de ser perdoado transborde no anúncio deste gracioso e imerecido perdão.

O propósito do evangelho é para que você conheça o Jesus das Escrituras – e que, conhecendo-o, creia nele como o filho de Deus, e, crendo nele, seja diferente dos fariseus que buscavam o “seu messias” e rejeitaram o messias que Deus deu (Jo 20:31). Em qual Jesus você crê, afinal? O único que pode te dar a vida eterna é o das Escrituras – e isto é mais valioso do que todo o ouro e prata do mundo. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

ANDA! QUE O REINO DE DEUS É CHEGADO - O IMPACTO DA PRESENÇA DE JESUS EM Mc 2.1-12


1 Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa. 2 Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra.
3 Alguns foram ter com ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens. 4 E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente. 5 Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados.
6 Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração: 7 Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus? 8 E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração? 9 Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?
10 Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados - disse ao paralítico: 11 Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.
12 Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim!
Mc 2.1-12

PORQUE A MULTIDÃO BUSCAVA A JESUS

Jesus era conhecido por duas razões – a primeira, e provavelmente a que mais havia se espalhado pela região, era como alguém capaz de fazer coisas extraordinárias por causa dos numerosos milagres que havia feito, tantos que Marcos prefere não mencioná-los, falando detalhadamente de alguns e citando muitos enfermos e endemoninhados (At 8:7). Provavelmente por isso a multidão o seguia mesmo nos lugares ermos, chegando mesmo a impedi-lo de entrar nas cidades, não que ele não quisesse, porque pregava sempre que podia nas sinagogas deles, mas porque tal era o alvoroço que caminhar pelas estreitas ruas das pequenas vilas palestinas se tornava quase impossível (Lc 8:45).
A segunda razão para algumas pessoas procurarem-no era que ele ensinava como quem tem autoridade (Mc 1:22). Assim foi com Nicodemos (Jo 3:4), por exemplo, e até mesmo com o jovem rico, mas que tinha seu coração voltado para as riquezas (Lc 18:18).
Vamos analisar o texto escolhido para nossa meditação nesta ocasião e estabelecer alguns fatos referentes ao evangelho e referentes ao relacionamento entre o homem e o Senhor Jesus – fatos que são, ao mesmo tempo, inquestionáveis e contemporâneos. 

FATO N. I: A MULTIDÃO BUSCA A JESUS (v. 1-2)

1 Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa. 2 Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra.
Após alguns dias Jesus dirigiu-se, novamente, a Cafarnaum. Ele estava estabelecendo um perímetro inicial para o cumprimento de sua missão – fazer a luz do mundo (Jo 8:12) brilhar na região da escuridão, onde reinava a obscuridade (Is 9:1), onde o povo era de pouca instrução e os instrutores não se davam ao trabalho de ensinar-lhes porque eles se relacionavam com outros povos e eram, por isso, considerados indignos e impuros.
Embora dispusesse de uma casa onde hospedar-se (a de Pedro) parece que Jesus se estabelece em uma residência (Jo 1:38).
A chegada de Jesus a Cafarnaum não poderia passar despercebida. Não depois de ter curado a sogra de Pedro, vários outros doentes e libertado outros tantos possessos por espíritos imundos. É provável, também, que já soubessem que ele havia estabelecido uma base por ali, afinal, alguém já famoso como Jesus alugar uma casa numa vila como aquela deveria ser, sem sombra de dúvidas, um acontecimento.
Um fato inconteste é que a multidão logo se reuniu às portas da casa onde ele se encontrava. Marcos diz que eles foram “a uma”, como se tivessem sido convocados por alguém muito importante, e, na verdade, mesmo sem saber, estavam se colocando diante do seu rei, para ouvir sua voz, saberem qual a sua vontade, conhecerem sua lei e seus deveres. Lembremos as ruas estreitas, casas humildes, e muita gente tentando chegar o mais perto possível da porta de onde Jesus lhes falava – se muitos procuravam-no por causa de eventos miraculosos, ele lhes proclamava a palavra. Os milagres não eram um fim em si mesmo, os milagres demonstram sua autoridade de origem divina, mas era a sua vida e o seu ensino que transformaria vidas, e, por conseguinte, encheria o mundo.
Marcos faz questão de ressaltar este ponto – para a multidão que ele procurava ele não os saciava com um show de milagres, aliás, a expectativa por milagres é própria de uma geração corrupta (Mt 12:39), ao contrário do que caracteriza os verdadeiros crentes, que creem, mesmo sem precisar de tais demonstrações (II Co 5:7).
O que levava aquela multidão a Jesus? Curiosidade? Para muitos sim, mas o que é inquestionável é, fosse qual fosse o motivo, a multidão o procurava movidos por uma força que os convocava a apresentarem-se diante de Jesus, o rei que não reconheciam e nem reconheceriam.

FATO N. II: A MULTIDÃO TINHA INTERESSES AO PROCURÁ-LO (v. 3-4)

3 Alguns foram ter com ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens. 4 E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em que ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente.
Não pretendemos apontar se os interesses das pessoas de Cafarnaum e região ao procurarem a Jesus eram legítimos ou não, mas o fato é que todos tinham algum tipo de interesse, desde a mera satisfação de uma curiosidade sobre o que ele era capaz de fazer (ele faz milagres mesmo? Ele ensina bem mesmo?), a resposta para uma dúvida existencial (que fazer para herdar a vida) e a solução para um problema imediato. E é sobre esta necessidade imediata que Marcos vai se deter.
Quatro homens saíram ao encontro de Jesus carregando um homem paralítico, prostrado em seu catre, uma espécie de maca feita de madeira, couro e tecido grosso de algodão. Uma multidão de interesses conflitantes tornou impossível que eles se achegassem a Jesus. Se, para as pessoas normais, já era difícil, imagine a dificuldade multiplicada. Não era um, mas quatros homens carregando uma maca com um enfermo, ocupando o espaço de, pelo menos, 12 pessoas. É óbvio que, se todos queriam se aproximar de Jesus por seus próprios interesses, não abririam mão de tanto espaço para os interesses de uma pessoa só. Até mesmo os próprios discípulos já foram, de alguma forma, motivos para impedimento de que as pessoas se aproximassem de Jesus, como a mulher cananéia (Mt 15:23) e as crianças (Lc 18:16).
Devemos nos lembrar que cada discípulo de Jesus é colocado para ser um facilitador para que as pessoas cheguem a Jesus e não causa de impedimento ou vergonha (Sl 69:6).
Aqueles quatro homens tinham diante de si uma impossibilidade – não a impossibilidade de não ter tempo, ou de morar longe da Igreja (temos tempo para lazer e para o trabalho, independente da distância e do horário). Eles queriam, mas não tinham poder para vencer a resistência da multidão e buscaram uma alternativa, subindo no teto da casa onde estava Jesus e fizeram um buraco grande o suficiente para fazerem descer por ali o paralítico. Não é dito que eles tiraram telhas – eles fizeram um buraco, certamente fazendo cair barro dentro da casa. Era muito comum que as casas da região tivessem o teto feito de barro e galhos finos trançados que tornava a casa mais fresca durante o dia.
Eles não fizeram o que todo mundo podia fazer, eles fizeram o que era necessário fazer para se aproximarem de Jesus. Não sabemos de onde aquele paralitico veio, o que podemos afirmar é que ele não foi levado a Jesus quando da sua primeira passagem por Cafarnaum, quando curou a sogra de Pedro e muitas outras pessoas.

FATO N. III: AS PESSOAS TEM UMA PERCEPÇÃO DIFERENTE DA DE JESUS (v. 5-8)

5 Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados. 6 Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração: 7 Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus? 8 E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração?
Embora a multidão não tenha percebido a extrema necessidade daquele paralítico, o texto nos mostra três formas de perceber uma situação. As duas primeiras estão relacionadas a como Jesus considera as nossas motivações – a terceira, que está entre elas no relato, é como os homens podem perceber as ações do Senhor.
Em primeiro lugar, vemos que Jesus é capaz de se aperceber, de compreender, de ver o que ninguém mais é capaz de ver – a fé. Porque nós não conseguimos? Porque não somos Deus. Porque ele é capaz de perceber? Porque ele é o doador e consumador da fé (Hb 12:2). É por meio dele que a fé vem (At 3:16) e se consuma.
Jesus percebe o grau de envolvimento daqueles homens com o seu desejo de que o paralitico seja curado – eles não fariam tanto se não acreditassem que, efetivamente, Jesus poderia curá-lo. Eles depredam o patrimônio alheio, invadem lhe a privacidade, sujam sua casa, interrompem seu ensino – mas o fazem porque tem fé, porque acreditam que Jesus era capaz de satisfazer o intento do seu coração. Eles não queriam nada para si mesmos – nem ouro, nem conforto. E Jesus consegue, sendo quem é, perceber que em seu coração havia fé. E atende-lhes a sua fé ao afirmar ao paralítico que ele obtivera o perdão dos seus pecados – observe que ele ainda não fora curado, mas já tivera os seus pecados perdoados.
Em segundo lugar vemos a reação de alguns observadores – os mesmos escribas que ensinavam sem comprometimento com as Escrituras, sem autoridade, sem interesse pelo bem daquele povo e que foram comparados como ineptos diante do ensino de Jesus ficam indignados. Eles estavam ali já há algum tempo. Tinham um lugar privilegiado, estavam assentados, literalmente desocupados depois que a multidão se voltou para ouvir o que Jesus lhes anunciava, com autoridade, sobre o reino de Deus. Estavam ali ociosos, sem nada fazer e sem nada buscar, seus corações apresentavam pensamentos divergentes, contraditórios e francamente hostis ao que Jesus fazia.
E acusavam Jesus de falar uma blasfêmia, isto é, dizer algo contra Deus ou atribuir a Deus o que Deus nunca pretendeu dizer. Talvez eles devessem fazer uma rápida passagem pelas igrejas do sec. XXI para fazerem um curso intensivo de detecção de blasfêmias – quanta asnice é dita como se Deus tivesse dito, sem que jamais fez parte do santo conselho de Deus. Quantos colocam Deus como alguém que tem sonhos – quando Deus tem um plano; colocam Deus como um pedinte de amor, quando ele é o doador do amor e Senhor de todos. Mas eles, na sua ignorância e oposição, colocando-se contra Jesus na verdade acabam proporcionando a ocasião perfeita para que Jesus nos esclareça o porque dos milagres. É verdade que eles abençoavam as pessoas, mas não era este o motivo principal. É verdade que eles apontavam para Jesus como o messias, e este era um motivo importante, mas o principal motivo era para autenticar a divindade de Jesus. Eles afirmam, acertadamente, que somente Deus tem poder para perdoar pecados.
Utilizando uma metáfora bem comum aos brasileiros, a bola estava na marca do pênalti. O goleiro já estava caído num canto... só faltava o gol.
E aqui temos a terceira percepção, de Jesus, a respeito dos homens. Se dos primeiros ele percebeu a fé, destes ele percebe, rapidamente, a incredulidade, perguntando-lhes porque alimentavam dúvidas no coração? Eles não haviam dito nada, mas Jesus conhece o coração dos homens (Lc 5:22) e sabia o que pensavam e sentiam, sabiam que não se alegrariam com a cura de um paralítico como não se alegraram com nenhum dos outros milagres. Nenhum milagre é suficiente para satisfazer uma geração adúltera, má, incrédula – nenhum milagre é necessário para levar alguém aos pés de Jesus, com fé. Os amigos do paralítico creram antes do milagre – os escribas se tornaram opositores ainda mais ferrenhos vendo o milagre.
Assim como a fé é facilmente perceptível pelo Senhor, assim também a incredulidade. Incrédulos podem enganar os homens – uma pessoa pode se tornar membro de uma Igreja e, ainda assim, permanecer incrédula. Alguém pode nascer, ser batizado na infância, tornar-se adolescente e jovem na Igreja, e até mesmo permanecer depois de adulto, como foi o caso destes escribas, e ainda assim, permanecer na incredulidade. Pode até ser um eficiente guardador de normas eclesiásticas, e ainda assim ser um incrédulo (Mc 10:20). Pode até tornar-se um alto dirigente da Igreja, e ainda assim permanecer na incredulidade, precisando, desesperadamente, nascer de novo (Jo 3:3).

FATO N. IV: JESUS PROVA INQUESTIONAVELMENTE SUA DIVINDADE (v. 9-11)

9 Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda? 10 Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados - disse ao paralítico: 11 Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.
Porque Jesus realizava milagres? Para o bem estar passageiro dos homens? Evidente que não era apenas isso. Para atestar sua messianidade? Sim, mas não apenas para isso. Quando os amigos do paralitico creram antes do milagre, quando os escribas, estudiosos da lei, que deveriam ter reconhecido mais facilmente o messias do que os demais que julgavam rudes e ignaros (Jo 7:49) não creram nem mesmo durante o milagre, e questionam se Jesus tinha, realmente, autoridade para perdoar pecados (algo que qualquer um poderia falar) eles aprenderão que, de fato, somente Deus é capaz de perdoar pecados de uma maneira inquestionável.
Muitos poderiam se apresentar como o messias – mas quantos poderiam fazer o que Jesus fazia? A afirmação de que somente Deus pode perdoar pecados forneceu a ocasião perfeita para Jesus provar sua divindade, seu poder sobre todas as coisas, inclusive perdoar pecados. Quem pode perdoar pecados – Deus? O que Jesus fez? Perdoou pecados. Eles duvidavam? Então cabia uma demonstração visível de algo que eles não podiam ver.
Eles não criam em Jesus como o que podia perdoar pecados, mas poderiam crer no Jesus que mandava a um paralítico, descido com cordas da cobertura furada da casa pelo esforço de quatro amigos, que se levantasse, tomasse o seu catre e fosse embora. Mas não era a cura em sim, mas o propósito – o milagre era para que eles soubessem que Jesus era, a um só tempo, o filho do homem, o messias, o redentor, e, também, possuía autoridade exclusiva de Deus, perdoar pecados, que Jesus então ordena que o homem se levante, ande, e vá pra casa carregando o que antes era usado para carrega-lo.
Eles não creriam mesmo assim. Rejeitaram a Jesus como o servo sofredor, rejeitaram-no enquanto andava por toda a parte anunciando o reino, fazendo o bem a todos, curando os enfermos, libertando os oprimidos do diabo. Eles o rejeitariam de todas as formas porque não eram das ovelhas de Cristo, jamais poderiam ouvir a sua voz (Jo 10:26).
 A mensagem que Jesus proclamava era: o reino de Deus é chegado. No reino de Deus o coxo anda. No reino de Deus o cego vê. No reino de Deus os mortos ressuscitam – e tudo isto aconteceu durante o ministério de Jesus. No reino de Deus os crentes seriam separados dos incrédulos, e isto também aconteceu durante o ministério de Jesus. Jesus já provou que é o filho de Deus, o Deus em carne – o problema não é a falta de provas – o problema está em seu coração que pode ser como o dos escribas.

FATO N. V: CONHECER A JESUS SEMPRE TEM REPERCUSSÕES IMEDIATAS (v. 12)

12 Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim!
O Senhor afirma que sua Palavra não volta vazia, mas produz os resultados designados (Is 55:11). Jesus é, também, a um só tempo, a pedra sobre a qual a casa é edificada (Mt 7:24) e a pedra que esmaga os incrédulos (Lc 20:18). O mesmo Jesus que é crido como por uns como o Filho de Deus é rejeitado por muitos mais como o Filho de Deus.
Ao ter seus pecados perdoados e tendo ouvido a ordem do Senhor para tomar o seu leito aquele homem realiza algumas ações. A primeira é que ele abandona a sua antiga posição de prostração. Ele se levanta, ele toma uma atitude. E ele se levanta para obedecer, não para questionar, não para a desobediência ou para ficar observando letargicamente. Ele se levanta e faz exatamente o que Jesus manda – toma o seu leito e vai embora. Os que antes impediam-no de entrar agora abriam espaço para ele sair.
A ação de Jesus também fez com que, apesar da incredulidade dos despeitados escribas, as pessoas ficassem fora de si, admiradas, extasiadas com o que acontecera diante de seus olhos. Não houve um show previamente combinado como tem acontecido em nossos dias, com curas anunciadas de antemão e participação de atores. Aquele homem era conhecido – a cura era um fato inconteste, Jesus, de fato, tinha poder para curar enfermos, mas tinha, também, autoridade para perdoar pecados, e o faz mais de uma vez (Jo 8.10).
A ação de Jesus levou aqueles que testemunharam a fazerem a única coisa que lhes era digna de fazer – glorificar a Deus, aquele que proporcionou a realização de tão extraordinários feitos em seu meio. Ao invés de glorificarem homens, como acontece com os falsos profetas que querem seus nomes nas fachadas de seus templos, que querem ser vistos por todos e recebem a recompensa pelo que fazem aqui mesmo (Mt 6:2), ao invés de chamarem algum homem de grande poder e poder de Deus, mas que, sem Cristo, está no caminho da perdição (At 8.10-11) eles glorificam a Deus.

CONCLUSÃO

Deixe-me relembrar os fatos que ocorreram naqueles dias, naquela vila de Cafarnaum, na distante e esquecida Galiléia dos gentios:
i.                   Havia ali uma multidão que buscava a Jesus – como hoje, as multidões ainda tem a mesma necessidade;
ii.                Havia ali uma multidão que buscava a Jesus com os mais diversos interesses – e independente de quais sejam estas intenções, elas existem;
iii.             Havia ali diferentes percepções à respeito da situação – Jesus percebia algumas coisas que ninguém mais percebia, e havia quem não percebesse o que lhes era mostrado com clareza;
iv.              Havia ali pessoas que viram Jesus provar, inquestionavelmente, a sua messianidade e a sua divindade – e mesmo assim muitos continuavam firmes em sua incredulidade;
v.                 Havia ali uma multidão que sofreu influência imediata da ação de Jesus na vida daquele paralítico – e só lhes restava glorificar a Deus.
Você tem alguma dúvida quanto a algum destes fatos? Com o que você não concorda? Este é o relato que Marcos recebeu de uma testemunha ocular – o apóstolo Pedro, seu tio. Pedro e Marcos poderiam ser desmentidos se faltassem a verdade, já que escreveram menos de 30 anos depois dos fatos – ainda havia pessoas vivas que haviam presenciado estes acontecimentos, como atesta Paulo ao escrever aos Coríntios mais ou menos na mesma época (I Co 15:6).
Mas ninguém os desmentiu. Nem mesmo os inimigos do cristianismo conseguiram se levantar contra os relatos apostólicos – se levantaram contra a fé, contra a mensagem, mas não contra a veracidade dos relatos. Então, você e eu temos que admitir que o que foi dito esta noite é verdade – é a verdade de Deus sobre seu Filho, Jesus Cristo, sobre seu enviado, Jesus Cristo, sobre seu amor e suas obras, e, principalmente, sobre o fato de ele ser o único meio de salvação para os pecadores (At 4:12).

Eu poderia, insistentemente, apresentar mais dados, falar de mais ensinos e de mais milagres do Senhor Jesus – mas acredito que o que foi dito basta para eu poder te perguntar: o que você vai fazer? Um ex-paralítico saiu dando glórias a Deus pelo perdão de seus pecados e pela cura recebida. Um religioso ficou questionando Jesus com seu coração endurecido. Não há terceira via. Qual será o seu agir?

domingo, 7 de julho de 2013

MENSAGEM DO DOMINGO



1 Jesus, entretanto, foi para o monte das Oliveiras.
2 De madrugada, voltou novamente para o templo, e todo o povo ia ter com ele; e, assentado, os ensinava.
3 Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, 4 disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. 5 E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes? 6 Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo.
7 Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra. 8 E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.
9 Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava.
10 Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?
11 Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.

A bíblia nos mostra Jesus, muitas vezes, tomando atitudes surpreendentes. Por exemplo, os fariseus, saduceus, religiosos e sacerdotes de Israel haviam decidido matá-lo.
Quando você sabe que tem um grupo de pessoas influente, poderoso, na verdade, as pessoas mais poderosas entre o seu povo, tomando a decisão de tirar a sua vida, o que você faria. O normal seria esconder-se. O normal seria Jesus permanecer lá na Galiléia, longe de Jerusalém, onde estaria relativamente seguro.
Mas eram dias de festas em Jerusalém, a festa dos tabernáculos, uma das três grandes festas anuais israelitas.
E Jesus, sabedor da sua missão, e desejoso de cumpri-la, não se esconde. Jesus vai para Jerusalém e se apresenta no templo, ensina no templo, e quando estes poderosos, que haviam decidido mata-lo, vem até Jesus, Jesus não se atemoriza deles, mas os contradita, mostra-lhes que o coração deles era duro, que eles tinham no coração o intento de mata-lo.
Havia um intento assassino no coração daqueles homens e, ao mesmo tempo, eles se apresentavam como homens da lei, defensores da lei, como se fossem o padrão de cumprimento da Palavra de Deus para o povo de Israel—haviam decidido por sua morte e precisavam apenas de uma razão para sua execução.
Jesus não os teme, e mesmo após envergonhá-los publicamente, acusá-los de desejar mata-lo, ainda assim Jesus permanece em Jerusalém, segundo o seu costume, ensinando a “todo o povo”. Aqueles homens mandam guardas para prender a Jesus que vão e, enquanto aguardam uma oportunidade para prendê-lo ouvem-no ensinando à multidão, porque não ousariam prender Jesus numa situação daquela podendo gerar grande transtorno ou comoção na cidade, ficaram esperando a oportunidade, nas proximidades, ouvindo a Jesus e não conseguem cumprir o seu intento.
Quando voltam para os líderes religiosos, e, lá chegando, diz que é impossível prender a Jesus porque ele ensinava como ninguém jamais falara, certamente incluindo aí os próprios sacerdotes que os enviaram para prender o mestre.
Ao terminar do dia, o Senhor Jesus sai de Jerusalém e vai para o monte das oliveiras, e, de madrugada, volta para Jerusalém, de madrugada volta para o templo, onde vai ensinar para o povo, como nos mostra o texto sagrado no qual vamos aprender um pouco mais sobre a palavra de Deus.
João nos conta um evento marcante do ministério de Jesus, o momento do julgamento de uma mulher surpreendida em adultério.
Aqueles homens, fariseus e escribas, não criam em Jesus como o messias, não gostavam de Jesus, não aceitavam nada que viesse de Jesus. Mesmo quando Jesus realizava milagres, mesmo quando Jesus curava enfermos, ainda assim eles se indispunham contra Jesus.
O problema não estava no que Jesus fazia, mas na indisposição do coração deles para com Jesus e o que Jesus representava, o medo de perder o status de liderança de Israel. O coração deles estava cheio de malignidade, fechado para Deus. Um coração fechado para tudo aquilo que o Senhor Jesus dissesse ou fizesse - nada mudaria a disposição, a dureza do coração daqueles homens.
E nesta indisposição para com Jesus, neste desejo de fazer o mal para Jesus eles trazem a Jesus uma mulher surpreendida em adultério. Ao ler esta história sobre esta mulher surpreendida em adultério, a história destes homens arrastando uma mulher, colocando-a no meio da multidão e acusando esta mulher numa atitude extremamente vexatória e vexaminosa.
Quando eu vejo este teatro, este circo armado, a primeira observação que eu faço é: é evidente que esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério com alguém, com algum homem. Mas onde está ele? Onde está o homem que estava com esta mulher? Porque ele não está ali sendo julgado ao lado dela? Porque o intento daqueles homens, daqueles fariseus, não era fazer justiça.
O texto é muito claro ao afirmar que o intento deles era provar ao Senhor, criar embaraço para o Senhor, porque se fosse para fazer justiça eles trariam o homem e a mulher. A lei mosaica (Lv 20:10 Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera) previa o julgamento do homem e da mulher, ambos submetidos a julgamento público (na verdade, apenas a acusação e a prolação da sentença já prevista na legislação mosaica) e executados a pedradas.
Mas onde está o casal? Onde está o homem? Porque só a mulher? O julgamento dela, segundo a lei, previa a morte. Era apenas uma questão de formalidade, tirá-la da cidade, leva-la para o lado externo do muro de Jerusalém onde cada um lançaria pedras até que ela morresse.
Mas os fariseus levam aquela mulher para Jesus e lhe perguntam: Mestre, o que o Senhor tem a nos dizer sobre esta mulher que foi surpreendida adulterando. Eles já chegam com o julgamento pronto, com o veredicto na ponta da língua: “A lei diz que nós devemos matá-la. E o Senhor, o que dizes?”
Jesus tinha algumas opções: a primeira era dizer mate-a, mas logo ele que veio para buscar e salvar os perdidos? Logo ele que veio para restaurar o ferido? Por outro lado, se ele dissesse mate-a ele perderia o apoio da multidão, e, embora ele nunca tenha se interessado por publicidade (Mc 9:9 Ao descerem do monte, ordenou-lhes Jesus que não divulgassem as coisas que tinham visto, até o dia em que o Filho do Homem ressuscitasse dentre os mortos) ou pelo apoio de multidão (Jo 6.64-66 Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair. E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido. À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele) o que os fariseus queriam era justamente que a multidão o abandonasse, que deixasse de estar próxima de Jesus e aí eles poderiam prendê-lo e mata-lo sem maiores problemas.
Por outro lado, se ele dissesse para não matá-la, para perdoá-la eles o questionariam porque, se ele, como afirma, veio para cumprir a lei (Mt 5:17 Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir) estaria mandando que a lei fosse desobedecida. O que Jesus poderia fazer numa situação como esta?
Se ele manda cumprir a lei, seria tido por inclemente, se age com clemencia, seria tido por desobediente à lei - e a própria lei mandava que se alguém se levantasse no meio do povo, como profeta, e pregasse rebeldia contra o Senhor deveria ser morto (Dt 13.5 Esse profeta ou sonhador será morto, pois pregou rebeldia contra o SENHOR, vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito e vos resgatou da casa da servidão, para vos apartar do caminho que vos ordenou o SENHOR, vosso Deus, para andardes nele. Assim, eliminarás o mal do meio de ti).
Neste afã de prejudicaram a Jesus, os escribas e fariseus acabam oferecendo evidências da messianidade de Jesus. A primeira destas evidências é a
O MESSIAS É MORALMENTE SUPERIOR PARA JULGAR RETAMENTE
Nesta disputa, neste embate o Senhor Jesus, cheio de sabedoria, se assenta e começa a escrever na areia. Alguns dizem que ele começou a escrever a lista de pecados de cada um, mas Jesus não é o acusador, não é o adversário, seu ministério não foi de acusar ninguém. Não creio que estivesse escrevendo uma lista de pecados. Conjecturando, e apenas conjecturando, talvez ele estivesse escrevendo alguns textos bíblicos que lembram a pecaminosidade geral do homem (Ec 7:20 Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque). E aqueles homens sabiam que eles também eram pecadores. Mas a bíblia não diz, ninguém sabe o que Jesus escreveu, e não devemos perder tempo divagando em conjecturas. Devemos, sim, buscar saber tudo o que Deus revelar, mas não devemos cair na impiedade da curiosidade em querer saber mais do que Deus revelou.
Já ouvi muita gente falar muita coisa, mas o fato é que não sabemos o que Jesus escrevia. Entretanto, aqueles homens insistiam: “Nos diga, o que devemos fazer”. Apertavam, insistiam com Jesus. E quanto mais insistiam, mais evidenciavam a sua ânsia, o seu desejo por sangue. Mas enquanto eles faziam isso, embora eles não cressem que Jesus era o messias, eles estavam oferecendo uma evidência da messianidade de Jesus.
A primeira destas evidências é que, com sua atitude, eles estavam admitindo que Jesus não era semelhante a eles. Isto fica claro no fato de que, sendo eles os cumpridores da lei, tendo eles o direito de fazer cumprir a lei, sendo eles parte do corpo governante de Israel, do sinédrio, tendo eles autoridade para matar aquela mulher, eles suspendem a sua própria autoridade e entregam o julgamento do caso a alguém que não era parte de seu grupo. É como se eles estivessem recorrendo ao tribunal superior do Messias.
No ambiente político eles tinham que submeter-se às autoridades romanas, mas num caso como esse eles tinham poder para decidir o que fazer. Os romanos permitiam-lhes relativa liberdade em questões cívico-religiosas.
Eles dizem: “Jesus, nós sabemos o que fazer, mas queremos que alguém que é maior do que nós, que alguém que entende mais do que nós nos diga o que fazer”.
O povo já dizia que Jesus tinha mais autoridade do que eles (MC 1:22 Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas), os guardas já testemunharam que Jesus falava com enorme superioridade de conhecimento sobre eles (Jo 7:46 Responderam eles: Jamais alguém falou como este homem) e eles próprios se admiravam do conhecimento de Jesus, perguntando onde o filho do carpinteiro tinha aprendido aquelas coisas (Mt 13.54-56 E, chegando à sua terra, ensinava-os na sinagoga, de tal sorte que se maravilhavam e diziam: Donde lhe vêm esta sabedoria e estes poderes miraculosos? Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas? Não vivem entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto?).
Eles admitem um conhecimento superior em Jesus, que, aliás, já havia dito que o que ele falava ele havia aprendido do próprio Deus (Jo 8:40 Mas agora procurais matar-me, a mim que vos tenho falado a verdade que ouvi de Deus; assim não procedeu AbraãoJo 15:15 Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer) portanto estava capacitado a, realmente, julgar retamente (Jo 8:16 Se eu julgo, o meu juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, porém eu e aquele que me enviou).
Eles reconhecem, mesmo sem querer, eles reconhecem que Jesus tem uma autoridade moral e espiritual maior do que a do próprio sinédrio. E acima do sinédrio, na hierarquia religiosa de Israel não havia mais ninguém, mas eles submetem o seu julgamento àquele que, segundo as Escrituras, é capaz de julgar retamente (Sl 96:13 ...na presença do SENHOR, porque vem, vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, consoante a sua fidelidade), com justiça e equidade, que não torceria o direito, como modelo para os demais juízes (Dt 16:19 Não torcerás a justiça, não farás acepção de pessoas, nem tomarás suborno; porquanto o suborno cega os olhos dos sábios e subverte a causa dos justos).
Sem querer, eles acabam reconhecendo e evidenciando a messianidade de Jesus através da capacidade de julgar retamente porque só Jesus conhece os corações, Jesus conhece as motivações do coração dos homens.
Nós somos muito apressados nos nossos julgamentos. Esta semana vários escândalos surgiram na mídia, especialmente com o uso de aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) para interesses particulares (casamento, jogo de copa do mundo, compra de fraldas) e pensei: a situação está cada vez mais complicada. Mas também comecei a pensar que nós somos muito apressados em julgar. Estes homens estão usando mal o dinheiro público, estão cometendo crimes de responsabilidade - que sejam investigados e julgados. Mas e aquele funcionário de uma empresa que precisa imprimir um trabalho na última hora e faz isto na empresa porque a impressora dele está sem tinta.
Não é a mesma coisa? Não é a mesma coisa usar os clips da empresa para organizar os trabalhos particulares? Os valores são menores, mas e os princípios? Um clip, um avião - é a mesma coisa.
Somos muito apressados no julgar, e aqueles homens estavam absolutamente apressados no seu desejo de aplicar a lei, mas, quando eles suspendem o seu julgamento eles dizem que reconhecem que Jesus é capaz de julgar com justiça. Dizem que reconhecem que são incapazes de julgar retamente, evidenciando uma característica da messianidade de Jesus. Mas não para aí.
O texto mostra-nos uma segunda evidência da messianidade de Jesus.
O MESSIAS CONHECE O CORAÇÃO DOS HOMENS
Podemos ver no texto que aqueles homens que estavam ali desejosos de matar aquela mulher (e, também, criar problemas para Jesus). Embora tenham sido, anteriormente, acusados publicamente de suas mas intenções, eles ouvem o Senhor Jesus lhes dizer: se vocês estão sem pecado, se há aqui alguém sem pecado, então, seja o primeiro a atirar pedras na mulher. É como se ele dissesse: “Se aqui há alguém movido por intenções realmente justas, então tem o direito de atirar pedras, mas se a intenção for outra, é melhor tomar vergonha na cara, arrepender-se de seus pecados e mudar imediatamente de atitude”.
Acho curioso a atitude de Jesus de se abaixar e continuar escrevendo na areia. Ele não olha no olho de ninguém, ele não acusa ninguém que está ali. Ele simplesmente se abaixa como se dissesse que agora o problema era com a consciência de cada um. Assim como não acusara a mulher, também não os acusa.
Jesus trata a todos igualmente. Diz-nos o texto que aqueles homens, um olhando para o outro, todos se entreolhando, e eles sabiam o que estavam fazendo, haviam estabelecido um conluio contra Jesus, seu estratagema era pecaminoso à luz da lei e dos costumes, como lembrou-lhes antes Nicodemos (Jo 7.50-51 Nicodemos, um deles, que antes fora ter com Jesus, perguntou-lhes: Acaso, a nossa lei julga um homem, sem primeiro ouvi-lo e saber o que ele fez?). Já haviam tomado a decisão de matar ao Senhor Jesus e, portanto, sabiam que estavam ali não em busca de justiça, mas tentando criar um problema que levasse à morte do Senhor.
Eles sabiam, uns e outros sabiam que o seu coração estava carregado de pecados. E eles eram hipócritas, tinham uma serie de pecados mas não ousariam admitir que eram sem pecado por um motivo muito simples: imagine um doutor da lei dizendo “eu sou sem pecado”. Como ele diria “eu sou sem pecado” se a própria lei diz que não há justo, nem sequer um (Sl 53:3 Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem sequer um)?
Como eles iriam ousar afirmar que estavam sem pecados se estavam ali com o objetivo claro e deliberado de cometerem um assassinato. Eles já haviam julgado e condenado Jesus, só faltava a aplicação da pena, que conseguiriam tempos depois usando estratagemas como traição e suborno (Mt 26.14-16Então, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, indo ter com os principais sacerdotes, propôs: Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata. E, desse momento em diante, buscava ele uma boa ocasião para o entregar) e mentira (Mc 14.56-59 Pois muitos testemunhavam falsamente contra Jesus, mas os depoimentos não eram coerentes. E, levantando-se alguns, testificavam falsamente, dizendo: Nós o ouvimos declarar: Eu destruirei este santuário edificado por mãos humanas e, em três dias, construirei outro, não por mãos humanas. Nem assim o testemunho deles era coerente).
Para entendermos sua disposição de coração João registra a repreensão de Nicodemos, não aceita pelos demais, sobre seus intentos assassinos (Jo 7.50-52 Nicodemos, um deles, que antes fora ter com Jesus, perguntou-lhes: Acaso, a nossa lei julga um homem, sem primeiro ouvi-lo e saber o que ele fez? Responderam eles: Dar-se-á o caso de que também tu és da Galiléia? Examina e verás que da Galiléia não se levanta profeta). Nicodemos chama a atenção do sinédrio mas eles escarnecem da lei. Já haviam julgado e decidido a matar a Jesus. Por isso Jesus pergunta se há alguém ali sem pecado. Se houvesse, poderia começar o apedrejamento. A bíblia nos fala que ouvindo eles esta resposta, e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um. Até mesmo os ouvintes iniciais de Jesus se retiram, provavelmente sentindo-se envergonhados por terem sido influenciados pelos fariseus e escribas. Parece que os discípulos de Jesus, João especialmente, se colocam de fora da história, ficando apenas como observadores.
Foram se retirando, um por um, a começar pelos mais velhos, até os últimos, ficando só Jesus e a mulher no lugar onde ela fora colocada. Um por um se retiraram. A prova da messianidade de Jesus, a evidência da messianidade de Jesus está também no fato de que Jesus conhecia os intentos do coração daqueles homens. Jesus sabia o que se passava em seu íntimo, sabia o que queriam, qual o seu propósito, sabia qual era o seu projeto, sabia que estavam ali com desejo de sangue (daquela mulher e do próprio Jesus) e nada mais - pecadores, cometendo pecados, e intentando cometer ainda mais pecados, um abismo chamando outro abismo.
Jesus não precisava que ninguém lhe dissesse o que se passava no coração deles (Jo 2:25 E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana, e, ainda Mt 22:18 Jesus, porém, conhecendo-lhes a malícia, respondeu: Por que me experimentais, hipócritas?).
Mas há, ainda, uma terceira evidência da messianidade de Jesus neste relato. Após aqueles homens terem saído o mesmo Jesus que havia se abaixado para escrever na areia, e sabendo que não havia mais ninguém ali para condenar a mulher, sabendo que ali só ficara ele, a mulher e provavelmente os discípulos que relatam o episódio, olha para a mulher e diz: Mulher, ninguém te condenou? É óbvio que ele sabia que ninguém a havia condenado. Ela ainda estava ali, viva, e os acusadores tinham ido embora.
Jesus pretendia dar um novo passo no julgamento daquela mulher - um passo de restauração. Pergunta-lhe: Ninguém te condenou? Ao que ela responde: Ninguém, Senhor. Talvez ela tivesse dito estas palavras num misto de alívio e de temor, porque sabia que estava diante de alguém sem pecado (Jo 8:46 Quem dentre vós me convence de pecado? Se vos digo a verdade, por que razão não me credes?). E aquele que estava ali era, evidentemente, sem pecado, podendo, então, atirar a primeira pedra. Jesus havia desafiado os religiosos a mostrar algum pecado que ele houvesse cometido.
É verdade que ele era homem, semelhante a nós (Hb 4:15 Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado), mas, mesmo tentando, não caiu em pecado.
Aquela mulher, olhando para Jesus, diz: Ninguém, Senhor. Mas ainda era uma pecadora, ainda era digna de apedrejamento, e ainda havia uma pessoa capaz de julgá-la e condená-la. Aquela mulher chegou naquele lugar com a mais absoluta certeza de que haveria de morrer. Ela chegou ali, no meio daquela multidão, com a certeza de que não sairia viva dali. Ela não tinha esperança alguma, provavelmente já tivesse visto outros julgamentos a respeito do mesmo pecado, talvez já tivesse até participado de outros justiçamentos. Não havia clemência para o adultério. Não era como hoje, onde o adultério se tornou uma coisa comum, corriqueira, e todo mundo considera normal. Não, todo mundo não. Nem todo mundo faz. Nem todo mundo acha normal. A lei moral ainda permanece valida, o adultério ainda é pecado aos olhos do Senhor, o Senhor ainda abomina o adultério.
Mas, naquela época, a punição era o apedrejamento, a punição era ser colocado contra uma parede e coberto de pedradas até se tornar numa massa sanguinolenta no chão.
Neste relacionamento restaurador vamos encontrar mais uma evidência da messianidade de Jesus.
Neste relacionamento restaurador vamos encontrar mais uma evidência da messianidade de Jesus.
O MESSIAS TEM PODER PARA PERDOAR PECADOS
Moisés havia dito que após ele se levantaria outro varão, profeta, maior do que ele, ao qual o povo deveria ouvir (At 3:22 Disse, na verdade, Moisés: O Senhor Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis em tudo quanto vos disser). E agora nós vemos Jesus, julgando segundo a lei, julgando uma mulher que merecia a punição da lei. Jesus não iria contra a lei. Ele não a quebraria, não desautorizaria aquilo que o próprio Deus deu a Moisés no Sinai.
O que é maravilhoso é que Jesus é maior que a lei - quem pode perdoar uma ofensa, senão aquele que foi o ofendido. Jesus evidencia a sua messianidade quando promove a restauração daquela que não possuía mais nenhuma esperança, cuja chama já esteava apagada (Mt 12:20 Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega, até que faça vencedor o juízo) porque ele conhece as dores humanas, suas fraquezas (Hb 4:15 Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado) sendo capaz de entender-nos por ser semelhante a nós em tudo, exceto no pecado.
Quando alguém desobedece a lei do Senhor esta desobediência é contra o próprio Senhor. Jesus demonstra a sua messianidade no momento em que se volta para aquela mulher e lhe diz: “Nem eu tão pouco te condeno”. Jesus pode, Jesus tem o direito, Jesus tem o poder para perdoar pecados. Quaisquer pecados.
Quando Jesus disse ao paralítico que seus pecados estavam perdoados (Mt 9:2 E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num leito. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Tem bom ânimo, filho; estão perdoados os teus pecados) logo houve quem o criticasse. Os escribas logo chamaram-no de blasfemo por chamar a si uma prerrogativa exclusiva de Deus (Mt 9.3 Mas alguns escribas diziam consigo: Este blasfema).
Mas é exatamente isto o que é Jesus é, o filho de Deus. E ele, conhecendo o coração maligno dos escribas, interpela-os comprovando poder perdoar pecados e, o que era ainda mais difícil para os escribas, mandar um paralítico ir andando para casa (Mt 9:4-7 Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Por que cogitais o mal no vosso coração? 5 Pois qual é mais fácil? Dizer: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te e anda? Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados - disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. E, levantando-se, partiu para sua casa). Era mais fácil usar palavras - e o homem, curado, saiu correndo para sua casa, maluco de felicidade por ter experimentado o poder do filho do homem, tanto para perdoar pecados quanto para curar enfermidades.
Jesus, o messias, o Senhor da lei, o legislador, diz para aquela mulher que transgrediu a lei: “Nem tampouco eu te condeno”. Perdoados estão os teus pecados. Somente o legislador maior que Moisés poderia suspender a pena - só Jesus, ao mesmo tempo legislador e ofendido, poderia ter feito o que ele fez.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Um encontro com o Senhor Jesus sempre traz consequências. Ninguém encontra-se com Jesus e fica imune à sua influência. Houve os que fugiram, os que se indignaram com ele, os que creram. Mas nunca houve indiferença, porque ele mesmo afirma que quem não é por ele, é contra ele (Lc 11:23 Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha).
Aquela mulher chegou naquele lugar praticamente morta. Aquela mulher chegou naquele lugar contando os minutos para tomar a primeira pedrada, talvez orando pedindo que a primeira fosse no meio da testa, para que lhe acontecesse como Golias, caindo desacordada e não vendo ou sentindo mais nada.
Mas depois que Jesus perdoa aquela mulher, ele lhe diz algumas palavras mais. Além do “nem eu te condeno” ele lhe diz ainda “vai”. Ela estava livre. Ela não devia mais nada, ela podia ir embora, ali não havia mais ninguém para acusa-la ou apedrejá-la. Ela estava livre. Não há mais débito a ser pago, não há mais crime pelo qual fosse condenada. Ela podia ir, cuidar da sua vida, da sua casa, dos seus familiares. Mas não é apenas “vai”. Ele diz um pouquinho mais. A liberdade em Cristo não deve ser confundida por licença para a libertinagem (Jd 1:4 Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo) como se a graça de Deus fosse licença para pecar (Rm 6.1-2 Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?).
Ele diz “Vai e não peques mais”. Vai, e procede diferente. Vai e age como uma mulher arrependida, restaurada, renovada, transformada, purificada e perdoada. Vai e age como alguém que foi convertida, transformada (At 26.20 ...mas anunciei primeiramente aos de Damasco e em Jerusalém, por toda a região da Judéia, e aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento). Vai e age como alguém que é grata a Deus pelo perdão obtido. Vai, e age diferente.
O apóstolo João, relator deste episódio, diz que tudo o que ele escreveu, todos os relatos, tinham um único objetivo: levar os seus leitores a uma nova atitude para com o Senhor Jesus. Levar os seus leitores a uma atitude correta diante de Cristo, levar os seus leitores à única atitude aceitável, que é ter fé no filho de Deus e crendo nele, serem (Jo 20.30-31 Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome).
João relatou este julgamento da mulher adúltera não para falar dela, tanto que seu nome é omitido. Ele também não queria falar dos fariseus, mas ele queria que nós percebêssemos, que nós soubéssemos que Jesus é aquele que pode perdoar pecados e restaurar vidas (At 2:38 Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo).
Nós já sabemos quem é Jesus. Os fariseus souberam quem era Jesus. Os escribas também tiveram este conhecimento. Aquela mulher soube quem era Jesus naquele encontro. A multidão e os discípulos souberam quem era Jesus. É possível que você já tenha tido uma experiência com esta graça misericordiosa de Jesus, com aquele que conhece os nossos corações e é capaz de julgar retamente, sendo poderoso, inclusive, para nos perdoar os nossos pecados, mas permanece uma indagação, como estamos nós agindo à partir deste conhecimento, desta experiência de conhecermos Jesus como o messias, como o enviado de Deus? Que posicionamento nós temos tido em relação ao messias?
João relata algumas reações: alguns judeus se envergonhavam, outros fugiam, outros resistiam, colocando-se como opositores de Jesus, odiando-o. E vamos encontrar alguns, poucos é verdade, uma minoria, crendo em Jesus, recebendo-o como Senhor e reconhecendo neles o salvador e foram feitos filhos de Deus (Jo 1.11-13 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus). Alguns reconheceram que não há salvação a não ser em Jesus Cristo (At 4:12 E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos).
Alguns entenderam que o único meio de ganharem a sua vida era perdendo-a, isto é, entregando-a nas mãos do Senhor (Lc 17.33 Quem quiser preservar a sua vida perdê-la-á; e quem a perder de fato a salvará). Aquele encontro com Jesus, para aquela mulher, num momento de extremo desespero, foi importantíssimo. Ela teve a sua vida salva, transformada, restaurada.
E você já teve um encontro restaurador com Jesus? Já teve um encontro com este Jesus que conhece o seu coração, com este Jesus que julga retamente, com este Jesus que, mesmo sabendo que você é pecador diz-lhes vai e não peques mais. Você já teve um encontro com este Jesus? Não o Jesus da filosofia, ou da tradição, mas com o Jesus que olha nos seus olhos, que lhe diz para ir a ele e descansar (Mt 11:28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei)?
Quero te convidar a perguntar para si mesmo duas coisas:
I. Você já se encontrou com Jesus? Não importa como você chegou a encontra-lo. Se foi por causa de seus pais, dos cônjuges, do namorado ou namorada? Se foi um amigo que insistiu demais e você teve que ir para não decepcioná-lo. Lembre-se que aquela mulher não queira estar lá de jeito nenhum. Era o último lugar onde ela desejaria estar naquele momento. Não importa o motivo. Você já teve um encontro com Jesus?
II. Este encontro ocasionou que transformações na sua vida? Não adianta você dizer que já teve um encontro com Jesus se continua agindo do mesmo jeito, indo aos mesmos lugares, falando as mesmas palavras, tomando as mesmas atitudes. Você já teve um encontro transformador e restaurador com o Senhor Jesus? Esqueça tudo o mais e olhe para Jesus, só para Jesus, o autor e consumador da fé (Hb 12:2 ...olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus) e peça para ele derramar da sua graça e misericórdia transformando o seu viver.


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