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terça-feira, 17 de maio de 2016

PRINCÍPIOS PARA SE FAZER A OBRA DO SENHOR: NÃO DESANIMAR APESAR DAS DIFICULDADES

Em toda obra há dificuldades – a tarefa a que Neemias se propôs atendendo a uma inclinação do seu coração, certamente uma inclinação vinda do próprio Senhor que também dirigiu o coração do rei (Pv 21:1) era uma tarefa grandiosa, com enormes, porém não insuperáveis dificuldades.
Como homem capaz que era Neemias, já estando informado do tamanho do desafio, certamente foi preparado para as dificuldades que enfrentaria, embora não soubesse quais eram. É possível que, em alguma situação, você já tenha se atemorizado diante da complexidade e da magnitude dos desafios que teve que enfrentar. Como o jovem arquiteto que recebe a encomenda de uma construção importante. Ou como o jovem advogado que tem diante de si uma causa de grande repercussão. Ou como o funcionário em seu primeiro dia de trabalho, especialmente se for seu primeiro emprego. Ou como o seminarista que vai assumir sua primeira Igreja, presidir seu primeiro conselho… isto não é anormal.
É possível também que, depois de assumir o compromisso, você tenha percebido que aquilo com o que se comprometeu é muito grande, é algo que talvez você não consiga fazer. É como o jovem que durante algum tempo recusava-se a assumir um compromisso de fé com Cristo tornando-se membro de uma Igreja. Indagado sobre o que lhe faltava, ele disse: “Certeza de que não serei uma vergonha pra mim e pra igreja ficando pelo meio do caminho, desistindo como muitos desistem e sendo só mais um ex-pseudocrente. Falta-me a certeza de que não serei uma vergonha para a igreja sendo um crente relaxado e descompromissado. Só me falta isso: a certeza de que vou conseguir”.
Obviamente ele estava certo – faltava-lhe uma certeza, certeza que lhe veio ao coração quando ouviu as doces palavras do Senhor (Is 41:13). Ele ouviu que certamente suas forças faltariam, suas certezas virariam dúvidas, sua força se tornaria desalento – mas que o Senhor restauraria suas forças de uma maneira inimaginável (Is 40:29) e o faria andar de maneira firme porque confiou no Senhor (Sl 22:8) e o Senhor o livrou de seus próprios temores (Sl 34:4). Vejamos o que nos diz a Palavra de Deus:
11 Cheguei a Jerusalém, onde estive três dias. 12 Então, à noite me levantei, e uns poucos homens, comigo; não declarei a ninguém o que o meu Deus me pusera no coração para eu fazer em Jerusalém. Não havia comigo animal algum, senão o que eu montava.
13 De noite, saí pela Porta do Vale, para o lado da Fonte do Dragão e para a Porta do Monturo e contemplei os muros de Jerusalém, que estavam assolados, cujas portas tinham sido consumidas pelo fogo. 14 Passei à Porta da Fonte e ao açude do rei; mas não havia lugar por onde passasse o animal que eu montava. 15 Subi à noite pelo ribeiro e contemplei ainda os muros; voltei, entrei pela Porta do Vale e tornei para casa.
16 Não sabiam os magistrados aonde eu fora nem o que fazia, pois até aqui não havia eu declarado coisa alguma, nem aos judeus, nem aos sacerdotes, nem aos nobres, nem aos magistrados, nem aos mais que faziam a obra. 17 Então, lhes disse: Estais vendo a miséria em que estamos, Jerusalém assolada, e as suas portas, queimadas; vinde, pois, reedifiquemos os muros de Jerusalém e deixemos de ser opróbrio. 18 E lhes declarei como a boa mão do meu Deus estivera comigo e também as palavras que o rei me falara. Então, disseram: Disponhamo-nos e edifiquemos. E fortaleceram as mãos para a boa obra.
Ne 2.11-18

11 Cheguei a Jerusalém, onde estive três dias. 12 Então, à noite me levantei, e uns poucos homens, comigo; não declarei a ninguém o que o meu Deus me pusera no coração para eu fazer em Jerusalém. Não havia comigo animal algum, senão o que eu montava.
A primeira atitude de Neemias ao chegar a Jerusalém após um descanso certamente merecido, tomando pé da situação e identificando-se como representante do rei – o primeiro judeu a exercer alguma forma de autoridade naquela região em quase um século foi sair para conhecer a região.
Ele nos informa que resolveu dar uma volta pelos arredores da cidade. Andou por ruas das quais certamente tinha ouvido falar, comparou o que via com o que havia ouvido de seus pais ou avós. Andou por lugares onde nem mesmo uma mula conseguia andar. Eis o momento em que muitos valentes desistem. Em que muitos voluntários olham para os escombros, não enxergam nada à frente e resolvem voltar. Muitos desistem antes mesmo de começar – são a maioria, são e serão sempre os derrotados.
Mas Neemias era diferente – era um homem de fé, e o que via (ou talvez não visse por causa da escuridão) não o demoveria de seu propósito (II Co 5:7), um homem que tomou o arado em suas mãos e não olharia para trás (Lc 9:62). Este homem fazia parte dos homens de Deus, não dos que retrocedem para a própria perdição (Hb 10:39) como foi o caso de Demas e de muitos outros ao longo da história, que, na primeira dificuldade, abandonam o caminho da fé (Mt 13:22).
Permita-me voltar para o exemplo daquele jovem indeciso. Ele tinha consciência das dificuldades. Conhecia muitos membros e ex-membros de Igrejas evangélicas e sabia que muitos eram uma vergonha. Não vem ao caso citar a que atos vergonhosos ele se referia, mas o fato é que seus olhos estavam fitos nos escombros. De um lado e de outro muros derribados, casas queimadas, portais e portões destruídos. Onde deveria ver firmeza via destroços. A vida cristã não era um território desconhecido para ele – mas era um território que ele só conhecia de olhar, não de caminhar. Talvez você também já tenha pensado em tomar uma decisão em sua vida – talvez você já tenha pensado em tornar-se cristão mas logo deu uma olhada para as dificuldades resultantes desta decisão. Você imaginou que teria que abrir mão das festinhas e festonas; abrir mão dos amores fugazes, paixões de fim de semana. Você logo pensou que teria que deixar seus prazeres mais secretos, um cigarro, um baseado ou algo parecido. Provavelmente não seria nada fácil parar de colar na escola, ou falar mal do próximo. Talvez ser mais honesto em seu trabalho, não pagar nem receber propina, não sonegar impostos… realmente não é um caminho muito fácil, não é? Talvez tão difícil quanto o de Neemias circundando Jerusalém.
É, realmente são decisões difíceis. Abrir mão de tudo isto, de um mundo inteiro para que? O que você teria a ganhar com isso? A resposta é: sua alma. Preservar sua alma (Mt 16:26). Continuemos juntos… você talvez ainda não tenha percebido o que quero lhe propor, mas não vou fazer suspense: quero que você tome a decisão certa, pelos motivos corretos. Esqueça o medo de não conseguir e tire os olhos do que você terá que deixar para trás – a mulher de Ló queria salvar-se sem perder Sodoma – perdeu os dois (Gn 19:26). É sempre assim, perde-se os dois (Lc 17:32): não preserva a alma nem ganha Sodoma.

SAIBA COMO AS COISAS DEVEM SER
13 De noite, saí pela Porta do Vale, para o lado da Fonte do Dragão e para a Porta do Monturo e contemplei os muros de Jerusalém, que estavam assolados, cujas portas tinham sido consumidas pelo fogo. 14 Passei à Porta da Fonte e ao açude do rei; mas não havia lugar por onde passasse o animal que eu montava. 15 Subi à noite pelo ribeiro e contemplei ainda os muros; voltei, entrei pela Porta do Vale e tornei para casa.
Onde a maioria desistiria Neemias prosseguiu. Ele conheceu os escombros de Jerusalém, a outrora imponente e orgulhosa cidade compacta (Sl 122.3-5). Não havia mais muros, nem portais, nem trono. Só escombros – nada além de problemas que precisavam de atenção e solução.
Neemias sabia como Jerusalém tinha sido, certamente deve ter ouvido descrições abundantes através dos velhos – mas seus olhos estão voltados para o que Jerusalém deveria ser. Neemias identifica cada lugar, cada porta, cada torre pelo seu nome antigo, nomes que não eram usados há quase um século. Ele faz isso porque não queria que a história se perdesse, mas também não estava disposto a deixar que Jerusalém virasse apenas história.
O que temos aqui é: Neemias tinha um referencial. Não há ninguém que não possua alguma forma de referencial em sua vida. E geralmente dispomos de mais de uma proposta de referencial. A questão é: qual referencial vai influenciar as escolhas, as decisões e as ações? Aos olhos de Neemias se apresentavam os escombros –o referencial dos judeus durante 70 anos e por isso Jerusalém continuava um montão de escombros. Mas o referencial de Neemias era o correto – o que Jerusalém fora no passado, a cidade do grande rei (Sl 48:2). O referencial não era o pior, mas o melhor. O modelo a ser adotado e perseguido não era o do fracasso, da rebeldia, da destruição e desolação, mas o da glória outrora perdida, de dias como o de grandes reis como Davi e Salomão.
Voltemos para nosso jovem indeciso – e indeciso com boas razões. Ele conhecia o referencial errado. E na verdade uma pequena sujeira em um grande pano branco chama mais a atenção do que todo o pano (Ec 10:1). Muitos dos ‘cristãos’ que ele conhecia eram ou fracassados ou descompromissados. Mas ele também conhecia cristãos sérios e consagrados – que lhe chamavam pouco a atenção, e é por isso que os cristãos são advertidos quando a uma grande quantidade de testemunhas (Hb 12:1).
Alguns entendem que estas testemunhas são os heróis da fé – o que é bom como modelo. Outros entendem que são os não crentes que observam os cristãos – o que também é bom para incentivá-los a serem exemplares (I Pe 3:16).
O que você precisa é do referencial correto – e as Escrituras nos fornecem dezenas de exemplos de referencial correto, mas nos dão o melhor de todos os referenciais, aquele para quem devemos olhar: Jesus (Hb 12:2).
Você talvez tenha boas razões para titubear – mas tem melhores razões ainda para crer, confiar e tomar a resolução de colocar toda a sua confiança em Jesus. Você, sozinho, não conseguirá ser um bom cristão, no máximo será um bom membro da Igreja. Sozinho você estará condenado a fracassar… mas continue comigo mais um pouco, peço-te que, por um pouco mais, não desanime nem desista ainda (Rm 7:24).

FAÇA O QUE DEVE SER FEITO
16 Não sabiam os magistrados aonde eu fora nem o que fazia, pois até aqui não havia eu declarado coisa alguma, nem aos judeus, nem aos sacerdotes, nem aos nobres, nem aos magistrados, nem aos mais que faziam a obra. 17 Então, lhes disse: Estais vendo a miséria em que estamos, Jerusalém assolada, e as suas portas, queimadas; vinde, pois, reedifiquemos os muros de Jerusalém e deixemos de ser opróbrio. 18 E lhes declarei como a boa mão do meu Deus estivera comigo e também as palavras que o rei me falara. Então, disseram: Disponhamo-nos e edifiquemos. E fortaleceram as mãos para a boa obra.
Conhecimento sem ação é omissão. E Neemias não era nem foi omisso em momento algum. Ter uma meta é não agir para alcançá-la é apenas o sonhar de um tolo – perde-se tempo e não se produz nada. Depois de tanta preparação Neemias não se limitaria a isso. Ele pretendia conjugar conhecimento, planejamento e ação. Ele conhecia os desafios sabia onde queria chegar e começa a colocar em prática o que desejava fazer. Havia trabalho a ser feito, e ele estava ali para fazer o trabalho. Ele sabia o que havia acontecido, estava disposto a fazer e sabia o que precisava ser feito. Não poderia desanimar. Conhecimento sem ação não resolve problema nenhum. Ação sem conhecimento pode gerar novos problemas e vergonha (Lc 14:28).
De imediato Neemias chama os magistrados, os nobres, os sacerdotes e todos os demais que tinham alguma função administrativa em Jerusalém, nomeados anteriormente por Esdras e finalmente lhes expõe o que está no coração: ele via o estado de miséria de Jerusalém, ele estava profundamente incomodado com estas coisas e então lhes apresenta o seu plano absolutamente simples: reconstruir os muros ao redor da cidade, reorganizando a administração e a defesa, e assim deixar de ser motivo de escárnio dos povos ao redor. Não era possível que a cidade do grande rei, do rei que reina sobre as nações fosse apenas um vergonhoso montão de ruínas (Sl 47:8).
Depois de ouvir falar, orar, entregar o projeto confiantemente nas mãos do Senhor e chegar em Jerusalém, ele já sabia o que precisava ser feito. E não deveria deixar para depois. Teve três dias para descansar, analisar, conhecer as pessoas e o ambiente – já tinha todas as informações, era hora de trabalhar.
Já que chegamos aqui com aquele amigo, vamos prosseguir com ele. Ele conhecia os problemas existentes nas Igrejas, conhecia pessoas que eram membros vergonhosos das Igrejas, conhecia outros que saíram da Igreja para voltar às suas velhas práticas pecaminosas, alguns cometendo pecados ainda maiores (II Pe 2:22). Ele tinha todas as razões para não incorrer no mesmo erro – seu referencial de cristianismo era o pior possível. Mas o seu problema era justamente que ele escolhera como referencial o modelo deturpado, ruim, estragado.
Mas, conhecendo o melhor modelo, Cristo e conhecendo o poder de Cristo para mantê-lo firme e fazê-lo perseverar no caminho desde que confiasse plenamente nele (Fp 1:6) ele passou a ter diante de si duas opções: ou continuava arredio ao evangelho, a Cristo e à Igreja, seguindo o exemplo daqueles que foram da Igreja sem nunca terem feito parte da Igreja, ou, confiadamente, admitir sua necessidade de Cristo em sua vida e entrar em comunhão com a Igreja do Senhor Jesus Cristo. Lembre-se: só há estas duas possibilidades (Pv 21:8).
Não há outra alternativa, não há uma terceira via, pois o próprio Cristo diz que é impossível ficar no meio do caminho (Mt 7:13). A Igreja é um corpo em marcha – e quem não marcha junto com ela não chegará ao mesmo lugar ao qual ela chegará. Talvez você se pergunte: que devo fazer? Deixe-me ajudar você – e talvez ajudar muitos cristãos que podem estar com problemas ou causando problemas para outros que tem as mesmas ansiedades.
Quero dirigir-me àqueles irmãos que buscam ser fiéis, se esforçam por dar um bom testemunho, por serem, nas palavras do apóstolo Paulo, serem o padrão dos fiéis (I Tm 4:12) devendo, por isso, serem imitados. Eis uma palavra de ânimo para que não se desviem, para que continuem andando no caminho dos justos até que seja dia perfeito (Pv 4:18) ao mesmo tempo que ofereço uma palavra de admoestação, de alerta, para que não se ensoberbeça (I Co 10:12) porque, no final, tudo em nós é a justiça de Cristo e não há justiça alguma nossa (I Co 12:6). O melhor incentivo é sempre a Palavra do Senhor Jesus Cristo: sê fiel até a morte (Ap 2:10).
CONCLUSÃO II: UMA PALAVRA AOS INFIÉIS
Quero dirigir-me aos cristãos problemáticos que talvez ainda não tenham refletido sobre isso, que podem estar sendo o referencial que muitas pessoas tem de cristianismo. É possível que haja alguém que se aflija só de ouvir falar em Igreja porque a Igreja que conhecem é você, que cola na escola. Que conta piadas imundas. Que não respeita autoridade alguma. Que sonega impostos. Que é relaxado no trabalho. Que é mal humorado e fofoqueiro. Filho desobediente ou pai violento. Deixe-me exortá-lo com as Escrituras – se o mal que pode estar causando ao próximo não te sensibiliza, talvez a Palavra de Deus o faça, e ela te diz para não ser causa de tropeço (I Co 10:). Lembre-se que você foi chamado para ser cooperador de Deus, instrumento de Deus para bênção (I Co 3:) e não pedra de tropeço (Mc 9:42).
CONCLUSÃO III: UMA PALAVRA AOS INDECISOS
Por fim, mas não menos importante, quero dirigir-me aos amigos do evangelho, que gostam da Igreja, da mensagem, do ambiente mas ainda estão como aquele jovem: indecisos e receosos de tomar uma decisão que implique em um compromisso de vida. Concordo com você em relação ao atual estado da Igreja – ela não é perfeita porque é composta por homens e mulheres com uma doença terrível chamada pecado. Mas muitos dos que estão dentro dela estão lutando com todas as forças (e com a força que vem de Deus - Ef 6:10) para vencerem esta enfermidade e para que seus efeitos sejam cada vez menores em suas vidas. Concordo que tem alguns que estão nela e que parecem não estar nesta luta, e isto é realmente lamentável.

Mas também já sabemos como ela deve ser – é uma tarefa que exige cada gota de sangue, cada gota de suor, cada respiração de cada um de nós. Mas lutamos com a certeza de que não lutamos em vão (I Co 15:58). Por fim, sabemos que há algo por fazer – e não permita que o receio de não conseguir, a timidez (Mc 4:40), seja um empecilho grande demais que lhe impeça de receber a maravilhosa promessa de Deus (I Pe 5:4).

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

JUSTIFICATIVAS PARA A INCREDULIDADE EM Jo 7, 10 a 53

O texto não foi revisado adequadamente, mas espero que de alguma maneira abençoe algum dos leitores.

JUSTIFICATIVAS PARA A INCREDULIDADE
O normal seria falar de razões para se crer, mas quero chamar a atenção para as justificativas dadas pelos homens para a incredulidade. Razões que se encontram no coração e que, muitas vezes, não são expressas, não são explicitas e em alguns casos o próprio incrédulo reluta admitir que é incrédulo por causa disso. Mas a palavra do Senhor conhece o coração do homem. O Senhor Jesus conhece o coração do homem e o Espírito do Senhor conhece o coração do homem, e neste texto nós vamos encontrar três razões claras, três justificativas para a incredulidade.
Nosso texto é o evangelho de João, capítulo 7, versos 10 a 53.
Este texto está inserido num contexto de relativa popularidade de Jesus, e esta popularidade faz com que ele não fosse tão querido. Normalmente quando as pessoas são populares elas são queridas, desejadas. Quando um cantor popular vem a uma cidade as multidões vão para ouvi-lo, querem vê-lo, querem tocá-lo, querem autógrafo, querem, querem, etc…
No caso de Jesus havia muita gente que queria estar perto dele mas havia outras pessoas que já haviam decidido que fariam de tudo para tirar a vida a sua vida. Já havia inclusive um boato a respeito disto, já circulava por toda a Judéia que havia pessoas que queriam matar a Jesus. E os irmãos de Jesus sabiam disso. E havia em Israel o costume que os judeus se dirigissem a Jerusalém ao menos três vezes ao ano: na festa da libertação, na festa dos tabernáculos e na festa da páscoa. E os irmãos de Jesus, na época da festa dos tabernáculos se dirigem a Jerusalém, e eles vão sem levar Jesus porque se opunham a sua ida, porque queriam evitar alguma espécie de transtorno.
Mas Jesus também vai para Jerusalém, ele era um judeu praticante, era sua obrigação legal, não seria ele quem iria deixar de guardar a lei. Ele cumpriu toda a lei, inclusive esta. E lá as pessoas perguntavam sobre Jesus, e alguns diziam que talvez ele não fosse por causa do interesse de alguns em matá-lo.
De repente, no lugar mais acessível, mais público da festa, literalmente no meio da festa que era realizada no templo, lá está Jesus. E ele está ensinando, está falando, está sendo mais uma vez o centro das atenções. Diz o texto no verso 14 que Jesus subiu ao templo e ensinava. Então os judeus se maravilhavam e diziam como sabe estas letras sem ter estudado. Jesus responde que o seu ensino não é dele, mas daquele que o enviou. E se alguém quer fazer a vontade daquele que o enviou conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se ele falava por si mesmo. Quem fala por si mesmo está procurando a própria glória, mas o que procura a glória de quem o enviou este é o verdadeiro e nele não já injustiça. Questiona-os: não vos deu Moisés a lei? Contudo, ninguém entre vós a observa, porque procuravam matá-lo.
A multidão replica dizendo que ele tinha demônio, e pergunta hipocritamente quem procura matá-lo. Jesus replica que um só feito realizou e todos se admiraram, isto é, se escandalizaram se colocaram como seus opositores. De que ele estaria falando? Pelo motivo que Moisés deu a circuncisão, que vem dos patriarcas e não dele. E se eles podem circuncidar num dia de sábado para que a lei mosaica não seja violada, como se indignavam contra ele pelo simples fato de ter curado inteiramente (sem deixar sequelas) a um homem num sábado? Eles não deviam julgar pela aparência, mas pela reta justiça.
Jesus afirma que algumas pessoas haviam decidido matá-lo pelo simples fato de que havia curado um homem num sábado. Jesus lhes lembra que a lei mosaica determinava a prática de atos de religião e misericórdia no sábado para cumprir a lei. E ele praticou ato de misericórdia, cumprindo a lei mas ainda assim intentavam, desejavam matá-lo. Jesus os acusa de hipocrisia, afirma que eles diziam observar a lei mas não a observavam.
Eles não acreditavam em Jesus pelo simples fato de que eles não queriam fazer a vontade de Deus, eles não conheciam nem entendiam, não sabiam que a doutrina que ensinava era verdadeira porque o problema daqueles judeus, daquela multidão que se encontrava em Jerusalém, o motivo pelo qual eles se mantinham incrédulos é mostrado no verso 18, isto é, o fato de que
AS PESSOAS BUSCAM A SUA PRÓPRIA GLÓRIA
O fato de que elas não desejam se humilhar perante ninguém, a incredulidade está enraizada no coração do homem pelo fato de ele querer uma glória que não lhe pertence. Desde o Éden é assim, desde o primeiro pecado é assim, desde a primeira desobediência foi assim, desde o primeiro roubo foi assim, desde o primeiro assassinato foi assim.
O homem desejando ser ele o alvo de toda a glorificação. O homem desejando glória para si mesmo. Em Israel os hebreus, os judeus, os sacerdotes pagavam caro pelo privilégio de serem sumo sacerdotes, isto custava uma verdadeira fortuna a ser paga ao governador romano naqueles dias. E não era só isso. Para que os líderes pudessem ser e conhecidos como tais nas ruas eles vestiam roupas que os diferenciavam dos demais. Eles vestiam roupas multicoloridas, roupas que os identificavam como religiosos. Eles iam para as praças e, nas esquinas delas, nas esquinas, onde passavam mais pessoas de uma rua para outra eles faziam suas orações. No templo e nas sinagogas faziam discursos enormes, cheios de conceitos religiosamente corretos – porém destituídos de piedade, vazios de amor.
Encontramos exemplo disso no homem que chega no templo, se levanta e começa a dizer em alta voz: Senhor eu te agradeço por que não sou publicano, te agradeço por que não sou pecador, te agradeço por isto ou aquilo. Mas, na verdade, ele não estava agradecendo coisa nenhuma a Deus, ele estava apenas dizendo a todos os circunstantes que achava-se justo, que ele não era publicano, não era pecador, isto é, irreligioso, não era indigno, era um guardador da lei, estava exaltando a si mesmo, engrandecendo a si mesmo. O grande problema destes religiosos para que eles não acreditassem no Senhor Jesus, mesmo reconhecendo seu ensino como correto e superior ao que possuíam, mesmo vendo as obras maravilhosas que Jesus fazia era que eles não queriam abrir mão da gloria que recebiam para dá-la a Jesus. Eles chegam diante dele e o desafiam, perguntam que sinal Jesus fazia para que eles pudessem crer mesmo depois de Jesus alimentar uma multidão com 5 pães e dois peixes… Jesus curava enfermos, ressuscitava mortos, e ainda assim eles perguntavam que sinais Jesus podia mostrar para que eles cressem.
Os sinais estavam diante deles, mas eram uma geração má e adúltera, uma geração de coração embrutecido e endurecido e Jesus, conhecendo o coração deles, afirma que o problema deles é que eles não queriam dar glória a quem merece ser glorificado. Eles queriam ser glorificados, exaltados. Era esta a primeira razão que Jesus detectou no coração daqueles homens, daqueles líderes religiosos de Israel: eles queriam ser o centro das atenções, queriam ser glorificados, exaltados, queriam ser tidos como homens piedosos quando na verdade eles não tinham nada. Eles queriam ser vistos como insubstituíveis e imprescindíveis ao culto. Eram hipócritas, nenhum deles observava a lei. Esta era a primeira razão, a primeira justificativa de muitos, embora muitos não admitiam isso, não ousem dizer: "eu quero ser glorificado, eu quero que olhem pra mim".
Eu não posso dobrar o meu joelho, não posso dobrar a minha cerviz perante ninguém, eu quero ser exaltado, era oeste o primeiro problema daquele grupo, daquelas pessoas que desejavam matar a Jesus. Não era este, porém, o único problema, havia mais.
À partir do verso 37 nós vamos encontra uma segunda justificativa. No último dia, o grande dia da festa, um sábado, Jesus se levanta e exclama: se alguém tem sede deveria ir a ele e beber, quem cresse nele de acordo com a Escritura do seu interior fluiriam rios de agua viva, referindo-se ao Espírito Santo porque este ainda não havia sido dado porque Jesus ainda não havia sido glorificado. Dentre o povo havia aqueles que diziam que Jesus era o profeta. Outros afirmavam ser ele o Cristo, mas havia outros que perguntavam: porventura o Cristo vira da galileia – pois esperavam que viesse de Belém, da aldeia de Davi, e houve uma discussão e até quiseram prendê-lo.
Temos aqui a segunda razão, a segunda justificativa para a incredulidade. Enquanto alguns reconhecendo o ensino de Jesus se sentiam inclinados para crer e admitiam que ele era o profeta, não um profeta, não mais um profeta, mas o profeta, o profeta que havia sido anunciado por Moisés. Viam nele o grande profeta, o que viria e deixaria muito clara a vontade de Deus para o seu povo – Jesus é a plena revelação da vontade de Deus para nós. O povo dizia: este é o profeta, finalmente.
Alguns diziam se rele o Cristo, o Messias, o enviado, o aguardado. Mas havia uma razão para alguns não crerem: Jesus havia vindo da galileia, da Galiléia dos gentios, terá desprezada, terra de gente misturada, gente que se misturava com gentios, que não guardava direito a lei, terra de gente desprezada, de onde não aguardavam nada de bom.
A segunda razão para a incredulidade é que
AS PESSOAS SÃO PRECONCEITUOSAS
Esta é a segunda justificativa para a incredulidade, preconceitos, conceitos previamente assumidos que tomam o lugar que deveria ser ocupado apenas pela verdade, apenas pela revelação da verdade de Deus na pessoa de Jesus Cristo. E aquela multidão estava eivada, estava cheia de preconceitos. Hoje não é diferente. Eu não gosto de igreja por isso, não gosto de crente por aquilo, não gosto de evangelho por aquilo outro. Preconceito! Preconceitos! Já ouvi muitas expressões, muitas falas que machucam um coração quando as pessoas falam do cristão, falam mal dos cristãos – infelizmente alguma vezes os cristãos merecem alguns epítetos, mas de um modo geral são expressões preconceituosas.
Expressões de quem não conhece verdadeiramente o evangelho, não conhece verdadeiramente o evangelho do Senhor Jesus Cristo, e gente que talvez nunca tenha conhecido uma pessoa verdadeiramente transformada. Talvez tenha conhecido um mau crente… talvez tenha conhecido um membro de uma Igreja mas que nunca foi crente de fato. E ai criou um conceito ruim, um conceito deturpado, um conceito que não corresponde à realidade dos fatos. E aquelas pessoas acreditavam que da Galiléia nunca poderia vir nada de bom – aliás, a única coisa que eles acreditavam que podia vir de bom da Galiléia era peixe. Pode vir alguma coisa boa, pode vir alguém de bom daquele lugar. E o coração daquelas pessoas respondia: "não". E o preconceito impedia-lhes de ver a verdade que eles conheciam. Vejam que coisa curiosa: eles diziam assim: porventura o Cristo virá da Galiléia? Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, da aldeia de Davi, de Belém da Judéia? E de onde era Jesus, ó povo hipócrita e preconceituoso, se não de Belém, da Judéia, se não da descendência do rei Davi? Eles sabiam a verdade. Eles tinham a verdade diante deles. Mas se negavam a aceitar a verdade, a rejeitar seus preconceitos em prol da verdade. O trono de suas mentes e coração pertencia aos seus preconceitos, e não tinham lugar para a verdade.
Quando Jesus nasceu houve fatos extraordinários. O nome de Jesus foi anunciado no templo por Simeão, por Ana… vieram magos do oriente para dar testemunho de que o Messias havia nascido… houve uma carnificina em Belém por causa do nascimento de Jesus… Jesus era da Judéia, era de Belém… era da descendência de Davi e ainda assim aquelas pessoas não conseguiam enxergar porque seu preconceito os fazia esquecer que Jesus apenas havia crescido na Galiléia.
  O seu preconceito os cegava. Os óculos, a tapa que colocaram diante dos olhos os impedia de verem a luz do mundo que brilhava diante deles. Preconceito! Mas há uma terceira justificativa para a incredulidade. A partir do verso 45 a Escritura diz que os guardas voltaram – aqueles que haviam decidido matar Jesus haviam enviado guardas para prenderem-no -... voltaram pois os guardas à presença dos principais sacerdotes e fariseus e estes lhes perguntaram porque não o trouxeram. Os soldados responderam que jamais alguém haviam falado como este homem. Irados, os mestres perguntaram se eles também haviam sido enganados, se eles não viam que nenhuma autoridade cria nele, mas que, quem cria em Jesus era considerada plebe ignorante e maldita. Nicodemos, uma das figuras centrais do evangelho de João, pois nele vemos o caminho da conversão, saindo da religiosidade para a fé, em passos cuidadosos e nem sempre ousados, pergunta se eles poderiam julgar alguém sem ouvir o que tinha a dizer nem examinar suas ações. Nicodemos é desafiado a aderir aos preconceitos: da Galiléia não se levanta profeta. E dão o assunto por encerrado.
Uma terceira razão para que as pessoas justifiquem a sua incredulidade é o fato de que, muitas vezes,
AS PESSOAS TÊM MEDO DE SEREM PRESSIONADAS.
Quando os guardas voltam e eles testemunham que Jesus falava de uma maneira extraordinária, e muitas vezes as multidões diziam que Jesus ensinava como quem tem autoridade, e o próprio relato dos guardas diz que os religiosos não tinham a mesma autoridade de Jesus ao afirmar que ninguém, nunca, jamais falou com ele falava, nem mesmo eles, os doutores, os mestres de Israel, os líderes religiosos da nação judaica.
Os religiosos então perguntam: mas vocês também foram convencidos? Vocês também foram convertidos? Vocês estão se tornando como este bando de crente ignorante? Era isto o que eles estavam dizendo. Vocês também acreditaram? Será possível? Vocês não perceberam que ninguém que tenha um mínimo de cultura crê em Jesus?
Nicodemos toma a palavra. Já no cap. 3 do evangelho de João este homem aparece. João já o conhecia – muito provavelmente este relato da fala de Nicodemos foi dita a João tempos mais tarde. Nicodemos se levanta e diz aos demais que eles estavam cometendo um erro. Nós estamos julgando alguém sem conhecer, sem examinar, isso é um erro! Mas aqueles homens olham para Nicodemos e usam a tática de ridicularizar para ganhar o debate: você também é discípulo dele? Você também quer ser discípulo dele? Nicodemos ainda não era, ainda não fora convertido. A ideia é que se você quer ser discípulo de Jesus você vai nos ter como seus opositores, vai nos ter como seus inimigos, você vai ter que se ver conosco.
Esta é uma razão muito forte: muito se mantém na incredulidade por medo de serem pressionados pelos seus iguais, medo de sofrerem pressão na família, medo de sofrerem pressão dos companheiros, dos colegas da faculdade e do lazer.  É medo de se considerado quadrado, retrogrado, conservador. Medo!
Três justificativas para a incredulidade: a primeira, a busca da glória própria, a segunda justificativa: preconceito. A terceira, medo. Nós encontramos facilmente pessoas assim, pessoas como José de Arimatéia que demorou a assumir a sua fé porque tinha medo dos judeus. O homem que foi curado de cegueira viu seus pais terem medo de falarem o nome de Jesus como aquele que curara seu filho por medo, e disse para perguntarem para o filho que fora curado, porque ele era maior de idade, ele assumiria as consequências de seus atos… medo! O próprio cego demonstrou certo receio. Medo! Medo de pressão. Três justificativas para a incredulidade.
Diante destas justificativas, para aqueles que preferem continuar como incrédulos, para aqueles que não querem nenhum compromisso com Jesus porque ele é lá da Galiléia… a Palavra de Deus diz que quem crer no filho tem a vida eterna, o que, todavia, se mantem rebelde contra o filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. As tuas justificativas, as justificativas dos homens podem ser efetivas, podem parecer boas para toda a vida, mas certamente serão lamentadas por toda a eternidade porque rejeitam o autor da vida. Medo! Preconceito! Vanglória. O nome de tudo isto se chama pecado. E a Palavra do Senhor nos diz que nós não devemos carregar estas coisas no coração porque estas coisas levarão aquele que as carrega para longe de Deus. Sobre os tais permanece a ira de Deus. A Palavra de Deus nos diz que quando você, que conhece o amor de Deus, o amor de Deus faz com que você jogue fora o medo. A Palavra de Deus diz que todas as coisas que foram escritas foram escritas para nossa instrução – para que nós creiamos que Cristo é o filho de Deus e, e, crendo, tenhamos vida eterna em seu nome, jogando fora o preconceito. E a Palavra de Deus nos adverte que o Senhor não dará a sua glória a ninguém, mas que o Cristo é que será glorificado pelo Pai assim como ele glorificou o Pai. A glória é de Deus, e não nossa.
A Palavra do Senhor nos diz que somos salvos tão somente se cremos. É um presente, é uma dádiva, é um dom de Deus. Abandone o medo. Jogue fora o preconceito. Despeça a vangloria e creia. Creia no Senhor Jesus como seu Senhor. Creia no Senhor Jesus com o seu salvador e você verá, experimentará, usufruirá do amor, da comunhão e da graça de através de Cristo Jesus, aquele que morreu na cruz para salvar a sua vida, para te livrar da morte, do pecado, do inferno, para livrar você da ira de Deus.
Não sei quais são as suas justificativas – talvez você tenha outras. Mas não importa quais sejam, o que importa é que elas só servem aqui, agora. Não servirão de nada na eternidade. Não abrirão para você as portas da nova Jerusalém… a graça de Deus já se manifestou salvadora, de maneira inquestionável e irrefutável, para todos os homens, inclusive você – você não terá desculpas para não ter recebido Jesus como o salvador, como o Messias, como o filho de Deus.

Qualquer das suas justificativas será suficiente para que permaneça sobre você a ira de Deus. Rejeite-as e diga: eu creio. Faça como o carcereiro em Filipos… ou como o eunuco etíope… confesse o Senhor e diga-lhe que deseja a benção da salvação. Que sua vontade foi renovada e que você deseja ser contado entre os filhos de Deus e não entre os filhos da ira.

domingo, 22 de dezembro de 2013

II: PESSOAS SÁBIAS PROCURAM A DEUS COM PERSEVERANÇA

...e insistentemente lhe suplicou: Minha filhinha está à morte; vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá.
Mc 5.23 
É possível alegar que, no caso dos pastores, não há como demonstrar perseverança, e eu admito esta possibilidade, entretanto, não deve ter sido muito fácil convencer outros colegas a cuidarem de seus rebanhos enquanto eles saíram para atender a uma alegada visão celeste. Aquele momento era a sua vigília, sua responsabilidade. Os demais queriam e tinham o direito de  dormir. Porque só eles, e não todos os que estavam nas cercanias, tiveram o privilégio de ver tão brilhante luz, visto anjos cantando tão maviosamente como eles descreviam?
Entretanto, o mesmo não se pode dizer de Simeão e de Ana. A história dos dois é uma história de perseverança e fé.  Em primeiro lugar, vejamos o que o evangelista Lucas fala de Simeão. São poucas palavras, mas profundamente reveladoras [Lc 2.25-35]:
Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, foi ao templo; e, quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazerem com ele o que a Lei ordenava, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo:
Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel.
E estavam o pai e a mãe do menino admirados do que dele se dizia. Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe do menino:
Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.
Não nos é revelado há quanto tempo Simeão aguardava, mas o fato é que ele aguardava e não desistiu de aguardar a chegada do messias. E quando, movido pelo Espírito Santo, foi ao templo, viu o menino, sabia que não havia mais nada a esperar, mais nada a aguardar. Seus anseios, seus maiores desejos, estavam, finalmente realizados [Sl 23.1: O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará).
O que podemos dizer de uma fé que afirma ter Cristo mas se deixa seduzir facilmente pelos oferecimentos do mundo? Que, dizendo ter Cristo, fica facilmente insatisfeita e revoltada quando não obtém determinados favores ou realizações no mundo? Será que tal fé é fé genuína (I Jo 2:15: Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele)?
O outro modelo de perseverança que pretendo colocar diante de nossas considerações é o de Ana. Ela também estava no templo, e ouviu as palavras de Simeão sobre o menino Jesus (Lc 2.36-38).
Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que se casara e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações. E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.
Uma simples consideração matemática nos leva a admitir que Ana aguardara, no mínimo, 60 anos pela chegada do messias. Por que tal inferência? Ora, uma jovem judia casava-se ainda jovem, com aproximadamente 16, 17 anos. Contando mais 7 de casamento, restavam, ainda, 60 anos até a atual idade dela, 84 anos.
Lucas afirma que Ana estava constantemente no templo, adorando dia e noite em jejuns e orações. Durante 60 anos aquela mulher aguardou a chegada do messias. Durante 60 anos ela orou e jejuou por ver aquele momento. Ela perseverou em sua adoração durante seis décadas até que compreendeu que suas orações haviam sido respondidas.
Mesmo depois disso, Ana entendeu que sua missão ainda não havia sido totalmente cumprida - cumpria-lhe testemunhar da chegada do messias, e todos os que aguardavam a realização da esperança de Israel puderam ouvir que o messias havia, finalmente, chegado (embora, provavelmente, poucos tenham dado crédito à voz de uma velha profetisa).
Isto ainda não é tudo. Ainda há mais um relato de tenaz perseverança. Três homens, de nomes desconhecidos, morando muito distante da Palestina, entenderam que em Israel havia nascido um rei muito especial. Se prepararam para uma longa viagem - centenas de quilômetros, atravessando desertos e correndo perigo de salteadores.
Muniram-se de ricos presentes pois, afinal, iam visitar não um rei qualquer, mas o rei que havia sido prometido pelo próprio Deus aos judeus, sem dúvida, um rei especial. Provavelmente ouviram alguma coisa sobre um rei que faria de Jerusalém o centro do mundo, para onde as nações afluiriam com presentes (Sl 72:10: Paguem-lhe tributos os reis de Társis e das ilhas; os reis de Sabá e de Sebá lhe ofereçam presentes).
Queriam ser os primeiros - e foram, realmente. Tal caravana não deixaria de atrair a atenção de salteadores, por isso, provavelmente, devem ter providenciado alguma forma de escolta - atraindo, assim, ainda mais atenção. Mas nada disso foi visto como trabalhoso ou impeditivo - e eles se colocaram a caminho de Jerusalém.
Sem aviões, limusines, carros ou qualquer outro meio de transporte rápido, mas em lombos de camelos e outros animais de cargas enfrentaram semanas de sol causticante até que finalmente avistaram os montes de Jerusalém. Mas ainda não era o fim, pois quando ali chegaram souberam que nenhuma criança havia nascido no palácio.
Todavia, não podiam desistir - não estavam enganados, e, enquanto não obtém a informação dada pelos escribas  não se movem(Mq 5:2: E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade). Sua perseverança é confirmada quando a estrela que haviam visto no oriente novamente é vista, agora sobre Belém, não mais sobre uma manjedoura, mas sobre uma casa (Mt 2:9: Depois de ouvirem o rei, partiram; e eis que a estrela que viram no Oriente os precedia, até que, chegando, parou sobre onde estava o menino).
O que estes exemplos nos ensinam é que devemos buscar ao Senhor perseverantemente (Mc 12:30: Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força) - o que não é a mesma coisa que aguardar os presentes ou as festividades natalinas ansiosamente. São coisas diferentes, e cabe aqui uma advertência para cada um de nós fazermos uma sondagem em nossos corações para sabermos se estamos procurando realmente o Senhor com perseverança, ou nos deixamos desanimar aos primeiros e mais simples obstáculos?
Os pastores podiam perder os seus empregos - mas Cristo era prioridade. Ana e Simeão aguardavam, ambos, talvez, por décadas - especialmente Ana, que nada mais fazia senão orar, jejuar e aguardar. Quantas semanas tem durado a sua esperança em Deus? Os magos podiam até morrer na travessia do deserto - mas tinham um rei divino a adorar.
A palavra final nesta seção é do profeta Oséias que nos exorta com sábias palavras para pessoas sábias:
Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.
Os 6:3


III: PESSOAS SÁBIAS PROCURAM A DEUS COM ESPERANÇA

De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.
Hb 11.6
As grandes descobertas feitas pelos homens em todos os campos científicos, se deram por causa da esperança de encontrarem alguma coisa. Sem a esperança de chegar ninguém vai a lugar nenhum. Como começar uma jornada, atravessar um mar ou um deserto, sem a perspectiva da chegada. Foi justamente o medo de não chegar que impediu, durante séculos, o desenvolver das navegações mundiais.
À partir do dia em que um teórico e um aventureiro resolveram ir adiante na esperança de encontrar mais do que um abismo, estava aberto o caminho para grandes descobertas.
Foi exatamente por causa da esperança que havia no coração de cada judeu - esperança que era chamada de expectativa messiânica, que pessoas como os pastores, Simeão e Ana tomaram atitudes como as que temos mencionado.
Por aguardarem a chegada do messias os pastores deixaram seus rebanhos - foram o mais rápido que puderam para o lugar que lhes fora apontado. Foram procurar um rei numa manjedoura - o que só pode parecer loucura, e efetivamente é (I Co 1:27: ...pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes), e só pode ser aceitável se, de fato, houver no coração a certeza de que a palavra de Deus, através dos anjos, era absolutamente verdadeira.
Mais ainda, procurar não apenas um rei, mas o Rei dos reis, o descendente de Davi que seria o grande libertador de seu povo envolto em panos numa manjedoura? Seria natural dirigirem-se para Jerusalém, para procurá-lo num palácio, numa casa de nobres, mas nunca numa estrebaria, numa manjedoura.
Era por causa da expectativa messiânica, da certeza de que o messias viria, que um homem como Simeão estava constantemente no templo, e recebera a benção de ser informado de que não morreria antes de ver a esperança de Israel. Esta era a sua esperança.
Quantos talvez olhassem para Simeão e o vissem como um louco, um lunático, um fanático dado a visões. Talvez outros, bem poucos, olhassem para Simeão e pensassem: está cada vez mais perto o dia, pois Simeão não durará muito mais - e pensavam: está chegando o dia do messias chegar. Lucas nos diz que havia pessoas assim (Lc 2:38: E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém). E o próprio Simeão olhava para si mesmo e pensava: quanto tempo ainda?
Até que, finalmente, indo ao templo sob o impulso do Espírito Santo, vê o menino e considera que a sua fé, a certeza que possuía no coração de que, embora ainda não visse, sua esperança seria concretizada (Hb 11:1: Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem).
Dificilmente encontraremos pessoas sadias física, emocional e espiritualmente, num contexto de normalidade social (encontramos os heróis da fé dos primeiros séculos do cristianismo, mas era num contexto de forte perseguição) que reagiriam de maneira tão alegre diante da iminência da morte.
Simeão diz alegremente ao Senhor: estou pronto para morrer, obrigado Senhor. Ele aguardara com esperança - e sua esperança fora contemplada (I Pe 1:7: ...para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo).
Que dizer, então, de Ana? 60 anos aguardando o messias.  Viúva, ainda jovem, com 23 ou 24 anos, podia ter se casado novamente. Mas preferiu dedicar-se a orações e jejuns, aguardando o messias. Não foram apenas 60 dias que se passaram enquanto ela esperava, mas 60 anos de expectativa, constantemente presente no templo, dia e noite. Foram quase 22 mil dias dedicados a aguardar o messias.
É impossível Ana não fosse muito conhecida, especialmente numa cidade religiosa como Jerusalém, num templo que era o centro da religiosidade de uma nação - e não apenas dos israelitas palestinos, mas de uma multidão de judeus espalhados pelo mundo mediterrâneo e um número grande, também, de prosélitos e tementes a Deus. Ela era tida por profetisa. E, como tal, após encontrar o menino falava a respeito deste menino a todos os que, como ela, aguardavam a Jesus com esperança no coração.
Esperança - esta é a palavra chave. Na expectativa de encontrar o Rei nascido para os judeus homens sábios, estudiosos, ricos, que não tinham nenhuma relação formal com Israel deixam a segurança de suas cidades, a respeitabilidade que possuíam e se tornam peregrinos. O que os movia? A esperança de encontrar o Rei dos judeus - não um dos reis dos judeus, mas o Rei, tão aguardado pelos judeus.
É impossível que não conhecessem os livros sagrados dos judeus e soubessem das profecias a respeito do Messias (Is 24:15: Por isso, glorificai ao SENHOR no Oriente e, nas terras do mar, ao nome do SENHOR, Deus de Israel) e, assim, as tivessem relacionado com aquela estranha estrela que brilhava lhes ao ocidente (Mt 2:2: E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo).
Esta esperança os moveu na sua longínqua e perigosa jornada. Chegaram ao palácio, não perderam a esperança, seguiram adiante até Belém, e, ali, não mais numa manjedoura, adoraram o Rei e entregaram-lhes presentes. Eles não apenas entregaram presentes, não apenas o honraram com sua presença e posses, mas, efetivamente, o adoraram (Mt 2.10-11: E, vendo eles a estrela, alegraram-se com grande e intenso júbilo. Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra).
Concluo remetendo ao sentimento existente no coração dos pastores, de Simeão, de Ana e dos magos: alegria, grande e intenso júbilo, adoração. Este sentimento com certeza não é o mesmo que o emocionalismo piegas que canta “vem chegando o natal” mas vive o resto do ano como se Jesus não tivesse vindo. Muitos dizem, num tom de voz profundamente doce: que o menino Jesus nasça em seu coração neste natal - como se ele já não tivesse nascido de uma vez por todas. Do mesmo jeito que celebram o natal com presentes, com papai Noel e sem Jesus, também celebrarão a páscoa com chocolates e sem a cruz.
Eis as sábias palavras do Senhor através do seu profeta Isaías:
Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura.

Is 42.8

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