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segunda-feira, 22 de maio de 2017

UMA IGREJA QUE DEIXA MARCAS INDELÉVEIS PARA GLÓRIA DE DEUS - I Ts 1.2-3

COMO SER UMA IGREJA QUE DEIXA MARCAS INDELÉVEIS

É possível que você tenha uma experiência com Igreja que lhe marcou. Talvez algum dia você tenha chegado a uma Igreja e ficou impactado com o pastor que pregava ou com a maneira dele trabalhar. Talvez tenha ficado impressionado com a liderança da Igreja e seu envolvimento com a obra do Senhor. Talvez a vida da Igreja, a maneira como eles se relacionavam e cultuavam tenha, de alguma forma, impactado e gerado em você uma impressão tão viva que tenha se tornado um padrão para julgamento de outras Igrejas. E é possível que a Igreja em Tessalônica se enquadre como uma Igreja deste tipo.
Quando conhecemos a Igreja dos tessalonicenses aprendemos que a Igreja do Senhor é alvo de sua graça e de sua paz. É por causa da graça de Deus, isto é, de sua misericordiosa bondade, que os pecadores são abençoados ao invés de serem condenados. É por causa da ação de Deus em enviar seu filho para resgatar pecadores, evangelizando paz (Ef 2:17) que eles não são imediatamente condenados à perdição.
Certa vez, em uma aula, surgiu paralelamente o assunto “como ser salvo”. Naturalmente as palavras de Paulo aos efésios me vieram à mente e afirmei que a salvação é pela graça de Deus (Ef 2:8) dando Cristo para morrer pelas nossas ofensas (Rm 5:15). Insisti que a graça nada mais é do que Jesus morrer a nossa morte, para que pudéssemos ter vida. É Jesus morrer em nosso lugar, ele, o justo, morrendo em lugar de injustos (I Pe 3:18).
De onde eu menos esperava, em um ambiente em que imaginamos que a doutrina da salvação pela graça é consensualmente aceita alguém pediu a palavra e disse: “É assim mesmo, graças a Deus que nós fizemos por onde merecer a salvação porque estamos na Igreja, fazemos o bem ao próximo e como recompensa Deus nos dá a graça da salvação”. Depois de tentar explicar que fomos criados em Cristo para as boas obras (Ef 2:10) e não que recebêssemos a salvação como eventual recompensa por boas obras impossíveis de serem feitas por mortos espirituais (Ef 2:5) concluindo que ninguém pode se salvar desta maneira, pois, do contrário, já não seria graça (Tt 3:5) não pude deixar de pensar no conceito que nós temos de salvação pela graça para todo aquele que crê em Cristo (At 15:11).
Voltando ao que já sabemos sobre a Igreja dos tessalonicenses, ela era uma comunidade de pessoas salvas sem mérito próprio, salva pela graça de Deus onde deveria abundar a graça e a paz do Senhor Deus e do Senhor Jesus Cristo.
Esta deve ser uma descrição de toda e qualquer Igreja, isto é, de toda e qualquer verdadeira Igreja de Cristo. Isto, de imediato, nos leva a pensar se instituições que privilegiam as obras ao invés da graça ou que colocam as obras como complemento e não como decorrência natural da graça de Deus deveriam ser consideradas Igrejas. A resposta é: não, esta não é a fé bíblica, não é a Igreja fundamentada na Palavra de Cristo e na doutrina dos apóstolos e mais cedo ou mais tarde cairão. Mas não é assim com a Igreja de Cristo – ela veio para ficar, as portas do inferno não podem prevalecer contra ela (Mt 16:18). Paulo diz que há três coisas que são permanentes, independente da idade ou da capacidade de compreensão: a fé, a esperança e o amor (I Co 13:13). Ao conhecermos a Igreja dos tessalonicenses encontramos uma Igreja que tinha estas três coisas.
Vamos ver o que o apóstolo Paulo nos fala sobre esta Igreja e porque estas suas marcas não podem ser apagadas:
1 Paulo, Silvano e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo, graça e paz a vós outros.
2 Damos, sempre, graças a Deus por todos vós, mencionando-vos em nossas orações e, sem cessar, 3 recordando-nos, diante do nosso Deus e Pai, da operosidade da vossa fé, da abnegação do vosso amor e da firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, 4 reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição, 5 porque o nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção, assim como sabeis ter sido o nosso procedimento entre vós e por amor de vós.

UMA IGREJA MARCANTE POR SUA FÉ OPEROSA

Um dos mais constantes ensinos do apóstolo Paulo, em contraste com as exigências dos gregos judaizantes de seus dias, era o de que a salvação é uma dádiva de Deus, por meio de Jesus Cristo, sendo obtida unicamente por meio da fé. Esta é uma verdade bíblica tão cristalina, tão facilmente perceptível quanto a luz do sol. O problema é que há quem não veja a luz do sol – da mesma maneira que há quem não consiga compreender esta bendita doutrina.
Não é incomum que os mais diversos tipos de correntes religiosas incorram em dois erros quanto à natureza da fé e seus efeitos para a salvação.

COMODISMO

O primeiro é o de achar que apenas assentir intelectual e emocionalmente seja suficiente. Basta acredita. Se você acredita então não precisa fazer mais nada, afinal, você é um salvo e permanecerá eternamente salvo, e, então, você pode descansar nas promessas de Deus.
Antes que você comece a pensar que eu tenha abandonado a fé e me tornado um pelagiano ou um arminiano, entenda que é suficiente crer para obter a salvação (At 16:31), mas a fé é, além de um chamado à salvação, também uma chamada para um caminho denominado, nas Escrituras, de boas obras (Tt 3:8) como fruto da presença do Espírito Santo no redimido (Ef 2:10).
Também é verdade que você, ao crer, pode e deve descansar nas promessas daquele que nunca falha (Mt 11:29) mas se lembre que o nosso pastor não nos chama para uma vida estática e de comodismo, mas para nos levar através do vale (Sl 23:4) para pastos verdejantes e águas tranquilas (Sl 23:2). Somos chamados para, mesmo descansando em Deus, caminhar pelas veredas de justiça (Sl 23:3) correr perseverantemente a carreira que nos está proposta (Hb 12:1) até que ela esteja completa (II Tm - 4:7 - Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé) e tenhamos alcançado o alvo da soberana vocação (Fp 3:14).
Sob este primeiro aspecto temos que concluir que o conforto que recebemos não deve ser confundido com comodismo ou como uma desculpa para deixar de fazer o bem e praticar a justiça (Mq 6:8).

ATIVISMO

O segundo erro que encontramos quando pensamos em uma fé operosa é confundi-la com ativismo religioso, com muitas tarefas e ocupações e, dependendo do contexto, uma expectativa de ter suas ações reconhecidas não só entre os homens (Mt 6:2) mas também pelo próprio Deus que, para alguns, se veria, no mínimo, inclinado quando não na obrigação de dar um lugar melhor na glória, de dar uma recompensa neste mundo, ou algum tipo de recompensa por ter trabalhado mais que os outros, erro que é veementemente combatido pelo apóstolo Paulo (I Co 15:10).
Não quero com isto que você se sinta desestimulado a servir nas mais diversas áreas em sua Igreja, muito pelo contrário, quero que você sirva cada vez mais, na medida das suas forças, trabalhando para a glória de Deus sabendo que quem se esforça para servir ao Senhor não trabalha em vão (I Co 15:58).
É uma bênção e um privilégio servir ao Senhor. E é com alegria e louvor que devemos servi-lo (Sl 100:2). E ao servimos na alegre expectativa de que ele não deixa de recompensar aos servos que são fiéis e dedicados (Mt 25:23). Mas devemos servi-lo porque ele é digno e não pelas coisas que ele é capaz de nos dar (Jo 6:27).
Não confunda ter uma fé operosa com a expectativa equivocada de receber alguma coisa em troca do que você, sozinho, não é capaz de fazer (Jo 15:5). Suas obras, se agradam a Deus, é só porque ele se agradou de você antes (Gn 4:4) e te deu vida perdoando-lhes os pecados (Cl 2:13) e fez de você uma nova criatura (II Co 5:17), um filho amado ao invés de um pecador em débito impagável (Cl 2:14).
Os tessalonicenses tinham uma fé operosa porque procuravam aplicar o ensino que receberam de Paulo e continuaram recebendo no seu dia-a-dia, certamente andando humildemente com o seu Senhor, Jesus Cristo, sob a luz bendita do Espírito Santo.

UMA IGREJA MARCANTE POR SEU AMOR ABNEGADO

Há coisas que são tão comuns que achamos que não é necessário falar. Por exemplo, não deveria ser necessário falar de amor, porque, afinal, todos nós temos alguma experiencia que envolva algum tipo de amor, tanto filial, paternal, sexual ou espiritual. Se você é crente, então, certamente você, no mínimo, já sabe alguma coisa sobre o amor (I Jo 4:8). Não precisaríamos dizer, mas não tem jeito, é necessário. O conceito de amor que nossa cultura possui e aparece o tempo todo diante de nós está terrivelmente deturpado. Amor tem sido confundido com paixonite, com erotismo e até com doenças comportamentais, como possessividade.
O apóstolo Paulo destaca que, entre as qualidades da Igreja em Tessalônica e que estavam fazendo dela uma notável agência missionária em sua região, uma era especial: o amor (I Jo 4:16). Certamente era uma Igreja de boa teologia, embora com algumas dúvidas naturais a uma igreja recém-nascida. Certamente era uma Igreja que contava com pessoas capazes de administrar, de ensinar, de doutrinar, de pregar e de discipular. Mas Paulo lembra que os crentes tessalonicenses se fizeram reconhecer por um amor abnegado e verdadeiro (I Jo 3:18), isto é, por uma vida que se caracterizava por uma alegre negação de sua vontade para que alguém fosse abençoado.

O EXEMPLO DE PAULO

Encontramos este conceito magistralmente aplicado na vida do próprio apóstolo Paulo. Ele considerava que tinha uma obrigação que sobrepujava até mesmo os mais básicos instintos naturais humanos (I Co 9:16), como o da sobrevivência. Paulo desconsiderava o chamado instinto de preservação afirmando que considerava a sua vida como não importante, pois importante mesmo era pregar o evangelho o e cuidar das Igrejas (II Co 11:28). Ele não considerava a sua vida preciosa para ele mesmo, mas ao mesmo tempo reconhecia sua utilidade para levar pecadores ao conhecimento do salvador (Fp 1.23-24).
Por sua abnegação Paulo chega a afirmar que sua nacionalidade, sua descendência de Abraão, sua prática religiosa (Fp 3:4-6) e até sua cultura poliglota (I Co 14:18-19 -  Dou graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós. 19 Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua) tinham menos valor se ele não fosse encontrado em Cristo Jesus e vivendo para glória dele (Fp 3:7-8). Tudo o que Paulo queria era viver para a gloria de Cristo, era ser achado em Cristo e Cristo ser achado nele. Paulo não se preocupava em ter a sua vontade anulada (II Tm 2:4) e se regozijava em saber que Cristo vivia nele (Gl 2:20) – e Paulo estava disposto a morrer par que outros também vivessem esta experiencia maravilhosa.
Não temos nenhuma indicação de que Paulo e os tessalonicenses estivessem falando de uma agenda social nesta carta, embora ela não esteja ausente nas preocupações da Igreja primitiva que era ensinada a cuidar dos que sofrem, dos carentes, das viúvas e fazer o bem a todos, especialmente os da família da fé (Gl 6:10).

O EXEMPLO DE CRISTO

O exemplo mais perfeito de amorosa negação de si mesmo encontramos naquele que Paulo queria imitar (I Co 11:1). Que sentimento é este que levou o criador dos céus e da terra a assumir a natureza e limitações de criaturas tão insignificantes quanto nós? Que sentimento é este que leva aquele que é servido por anjos perfeitos e sem pecado a aceitar ser servo de pecadores?
Que sentimento é este que leva o Eterno Senhor da vida a experimentar a morte para evitar que quem merecia a morte eterna a experimentasse? Que sentimento é este que levou o Senhor da glória a deixar-se humilhar até a morte (Fp 2:8)? Que sentimento é este que levou o Senhor dos exércitos a se deixar prender e arrastar e maltratar e zombar por meros soldados do templo e alguns romanos (Mt 27:29)? que sentimento é este que fez o santo colocar-se no lugar de pecadores (I Pe 3:18)? Que sentimento é este que leva o Senhor que se assenta no alto e sublime trono a deixar-se encravar no madeiro, lugar de maldição e não de glória?
Abnegação! Negação de si mesmo! Este é o sentimento. Negação de si mesmo sem buscar recompensa para si mesmo. Os pecadores que Jesus remiu lhe foram dados pelo pai (Jo 10:29) e do ápice de sua paixão ele via com alegria o fruto do penoso trabalho de sua alma, quando ele a derramou na morte (Is 53:11-12) ficando feliz com aqueles que, mesmo sendo dele, foram comprados por meio de seu sangue (At 20:28).
Era este tipo de sentimento que era encontrado na Igreja dos tessalonicenses e que fazia dela uma igreja digna de ser lembrada: seus membros buscavam o bem uns dos outros e, mesmo correndo riscos, o bem dos pecadores, dos que se declaravam seus inimigos e inimigos de Deus (Jo 15:20). Para alcançar pecadores eles consideravam que viver é Cristo, e, se morressem, isto seria para eles incomparavelmente melhor, incomparável lucro.

UMA IGREJA MARCANTE POR SUA FIRME ESPERANÇA

  Uma característica de nosso tempo, lamentavelmente muito mais presente que o desejável e suportável até mesmo naquela que proclama de si mesma ser a Igreja do Senhor é aquilo que convencionou chamar-se de “politicamente correto” ou, em outras palavras, uma mensagem e uma atitude para cada circunstância, e isto onde ninguém está sob ameaça de perder a vida como a Igreja dos tessalonicenses poderia estar enfrentando.
Vamos lembrar as circunstâncias do nascimento da Igreja em Tessalônica. Paulo, Silvano e Timóteo foram perseguidos e acusados de serem perturbadores da ordem. Jasom e alguns irmãos foram presos, maltratados e tiveram que pagar fiança. As tribulações não haviam cessado (I Ts 1:6), mas a sua esperança em Cristo não esmoreceu porque eles sabiam em quem tinham crido (II Tm 1:12) e nada, nem na vida nem a morte poderia afastá-los do amor de Deus em seu Senhor Jesus Cristo (Rm 8:38-39).
Os tessalonicenses se mantiveram firmes porque estavam arraigados no seu Senhor e salvador Jesus Cristo (Cl 1:23 - ...se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro). A Igreja não era apenas um lugar de eventos sociais. Não era apenas o lugar de encontros de amigos. Nesta Igreja politicamente correta que encontramos no sec. XXI quantos cristãos confessariam publicamente a sua fé no Senhor Jesus, negando-se a prestar culto ao imperador e com isso sendo condenados à morte? Quantos manteriam firme a sua confissão de fé diante de espadas, lanças, ursos, touros e leões furiosos? Quantos entrariam na galeria dos heróis da fé de Hb 11 mesmo diante da ameaça de serem perseguidos, apedrejados e serrados ao meio (Hb 11:37)? Quantos manteriam firme a sua confissão sendo pregados em uma cruz de cabeça para baixo ou amarrado em uma estaca para ser queimado até a morte (Hb 10:23)?
É possível que os tessalonicenses não fossem tão bons em teologia – acredito até que não eram mesmo. Precisavam aprender sobre eclesiologia, escatologia... provavelmente se fossem perguntados sobre as duas naturezas de Cristo ou a economia ontológica da trindade fizessem aquela cara de “heinnn!??”.
Mas há algo em que eles podem nos dar uma boa aula, a nós, crentes evoluídos do séc. xxi: eles guardavam firmes a confissão da sua fé no Senhor Jesus. Ele era para eles e deve ser, também, para nós, a base da fé, a rocha dos séculos, a pedra sobre a qual estavam a fé é edificada e por isso eles não se deixavam abalar.
O que eles tinham de diferente? Eram mais fortes? Eram mais valentes? Eram mais valorosos? O que havia neles que lhes dava essa firmeza? Paulo nos dá uma resposta: eles criam em Deus, sabiam que o seu Senhor é castelo forte, socorro bem presente em toda e qualquer tribulação (Sl 46:1) e, mesmo que o Senhor não intervisse em uma situação particular, o Senhor ainda continuaria sendo Senhor e os crentes ainda continuariam sendo fiéis (Dn 3.17-18).
O que fazia da Igreja dos tessalonicenses uma Igreja a ser lembrada por sua firmeza na fé era o fato de que ali não havia amigos do evangelho, não havia filhos de crentes, não havia pais de crentes, mas, à semelhança do que o apóstolo João diz em sua carta, ali havia crentes, havia pais crentes, havia jovens crentes e fortes, havia mulheres piedosas e crentes – sua fé estava firmada em Cristo e nenhuma tempestade ou sutileza do mundo seria capaz de mudar isso (I Jo 2:14). Nada, nenhum poder deste mundo seria capaz de mudar isto, nada que já havia existido ou que viesse a existir mudaria isso porque eles simplesmente eram a Igreja dos eleitos de Deus, predestinados desde antes da fundação do mundo para crerem e serem fiéis ao seu Senhor e salvador.

VOCÊ QUER SER PARTE DESTA IGREJA

E você? O que te faz diferente dos tessalonicenses? Você ouve o mesmo evangelho, que vem do mesmo Deus e anuncia o mesmo eterno e único salvador, Jesus Cristo, no poder do mesmo Espírito. As palavras que você ouviu foram as mesmas que os  tessalonicenses ouviram ser lidas há quase 2 mil anos e fortaleceram ainda mais a sua fé e tem o mesmo objetivo: livrar você da condenação e do inferno, do poder das trevas e do medo da morte e fazer de você uma pessoa livre, isto é, alguém que não tem mais que fazer a vontade da carne e dos maus pensamentos (Ef 2:3) e pode, então, se deleitar em fazer a vontade de Deus (Sl 119:143).
O que fazer para ser como os tessalonicenses? Se você ainda não recebeu Jesus como seu salvador e Senhor este é o seu momento, esta é a sua oportunidade (II Co 6:2  ...porque ele diz: Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação; eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação), você pode se levantar agora, confessar que é pecador e que precisa de Jesus para ser salvo, recebendo assim a fé, o amor de Deus e a firme esperança na vida eterna porque aquele que prometeu que de modo nenhum lançaria fora aquele que fosse a ele (Jo 6:37). E ele é fiel em todas as suas promessas.
Mas esta mensagem é também para aqueles que são membros da Igreja, qualquer Igreja, desta ou de outra Igreja que tem tido uma fé morna ou morta, cujo amor só alcança a si mesmo e só produz a satisfação do próprio ego e cuja esperança se esvai à primeira brisa, incapaz de resistir às menores provações. Eu preciso advertir você que uma fé assim, morna, é repulsiva (Ap 3:16) é menos do que nada, é mera palha que não resistirá às chamas do dia do juízo (I Co 3:12-13) e trará o certo, justo e decepcionante veredicto do Senhor: “Nunca vos conheci” (Mt 7:23).
E se você acha que, numa última e desesperada tentativa, buscar argumentar que fez coisas Ele ainda uma vez dirá: “Nem todo o que me diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus” (Mt 7:21).
Pode ser que esta seja, para você, uma mensagem de Deus como foi a que foi enviada para o rei Ezequias: “É hora de por em ordem a sua casa” (II Rs 20:1). Ezequias, humilhando-se sob a mão de Deus suplicou que o Senhor derramasse sobre ele a sua graça e foi curado). E então, vamos seguir ao Senhor em fé operosa, amor abnegado e firme esperança?

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A IGREJA MANTÉM SUA IDENTIDADE E DESEMPENHA SUA MISSÃO QUANDO POSSUI A HUMILDADE COMO FRUTO DO ESPÍRITO

O Senhor deu, à Igreja, estratégias claras e precisas para desempenhar sua missão. Dentre estas estratégias está o conhecimento de quem é, de fato, seu inimigo. Embora carne e sangue sejam instrumentos de oposição contra a Igreja do Senhor, que, afinal, é uma instituição no mundo mas não do mundo, o verdadeiro inimigo é espiritual. E é nas regiões celestiais, com armas não carnais, que a Igreja vence porque Cristo venceu por ela. Enquanto o inimigo arma-se de todo tipo de instrumento a principal arma da Igreja é a espada do Espírito, a Palavra da verdade, mais cortante que espada de dois gumes e com poder de separar o que parece inseparável (Hb 4:12).
Todavia, deixar-se orientar nem sempre é fácil. O homem tem a tendência, desde a primeira transgressão, de desejar autonomia, tem o desejo de ser senhor do seu destino, tomar as rédeas de sua vida na sua mão e traçar o seu destino. Ledo engano. Mas é assim que pensa, é assim que age, é isso o que deseja. Provavelmente uma das palavras mais odiadas da Bíblia seja “sujeição” ou “submissão”. Homens não querem sujeitar-se a ninguém, mulheres não querem ser submissas a ninguém. Filhos não querem ser obedientes a ninguém. Crentes não querem ser obedientes a ninguém. Opa! Como assim, crentes não querem ser obedientes a ninguém? Será que estamos nos esquecendo que rebelião é como feitiçaria e a obstinação na rebelião é tão maligna quanto a idolatria (I Sm 15:23), como Samuel falou claramente a Saul, mesmo Saul achando que tinha obedecido ao Senhor (I Sm 15:20) mas relaxado só um pouquinho para agradar o povo e quem sabe a Deus (I Sm 15:21)?
Encontramos numerosos exemplos de humildade nas Escrituras. Obviamente que o maior modelo que podemos encontrar é o próprio Senhor Jesus que nos encoraja a aprender dele (Mt 11:29), e, para quem esquece ser ele semelhante a nós, diferente apenas no fato de não ser pecador e não praticar pecados (Hb 4:15) podemos apontar vários outros homens de Deus que se destacaram por sua mansidão, por se deixarem, humildemente, conduzirem, como Moisés (Nm 12:3). Muitos dos problemas que a Igreja enfrenta em seu desafio de ser Igreja e ser comunidade de salvos é o fato de que a humildade cedeu lugar ao orgulho, à arrogância, e por causa disso surgem rixas e pelejas no seio da Igreja. E certamente isso não é motivo de alegria para o boníssimo coração de Deus. Vejamos o que o apóstolo Tiago tem a nos ensinar a respeito deste importante assunto:
6 Antes, maior graça. Portanto, diz: Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes.
7 Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.
8 Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Limpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai o coração.
9 Senti as vossas misérias, e lamentai, e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo, em tristeza.
10 Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará.
Tg 4.6-10
O texto fala de humilhar-se – e esta é uma virtude que não parece ter muito status entre os homens a ponto de seu significado ser pouco conhecido, sendo basicamente “ter consciência das próprias imperfeições e limitações”, porém, nosso padrão para determinar o que e imperfeição e limitação não é a natureza humana, mas aquele que estabeleceu um padrão ao qual estamos sujeitos (Rm 3:23). Humildade não é ser acomodado ao sofrimento, não é passividade nem covardia. Ninguém ousaria chamar Moisés, ou Jesus, de covardes – embora neles tenhamos excelente exemplo de humildade.
Quais os benefícios que a Igreja pode receber do Senhor quando se humilha sob a sua poderosa mão?

I.                   O QUE É HUMILDADE DO PONTO DE VISTA DE DEUS

6 Antes, maior graça. Portanto, diz: Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes.
Há uma historieta a respeito de um sábio de uma nacionalidade qualquer (o que importa aqui não é a filosofia, a religião ou a nacionalidade, mas o ensino) que foi procurado por um de seus alunos que, arrogantemente, lhe dizia estar progredindo rapidamente no caminho da sabedoria, dizendo: - Mestre, eu vou conseguir primeiro que todos os outros alunos teus. Estou me tornando muito humilde. Tenho dormido no chão, tomo apenas água e me alimento apenas de verduras. O sábio logo percebeu a arrogância que buscava exaltação e lhe disse em tom amistoso, mas firme: - Não fazes nada além do que os nossos cavalos fazem, e nem por isso eles são sábios. Você deve aprender a dominar os anseios mais profundos do seu coração, aprender a expulsar dele a arrogância e o desejo de ser exaltado, enchê-lo de humildade e assim darás o primeiro passo no caminho da sabedoria. Como você acha que aquele aluno recebeu aquela reprimenda? Como você reagiria a uma exortação como essa? Provavelmente a maneira como você reage mostrará o que você entende por humildade (Pv 9:8).
Permita-lhe lembrar-me uma segunda historieta, que ouvi há mais de 20 anos e não sei se é verdadeira ou não, mas que é ilustrativa: conta-se que um pastor, depois de muitos anos servindo a uma igreja, recebeu um presente do conselho da Igreja: um lindo quadro, ricamente emoldurado, no qual realçavam sua grande humildade no trato com a Igreja ao longo dos anos. Alguns dias depois, o conselho foi até o gabinete do pastor e perceberam o quadro afixado logo atrás da sua mesa. Insatisfeitos com aquela “demonstração de orgulho da sua humildade”, solicitaram o quadro de volta. O que você pensaria da atitude do pastor? E do conselho?
Tiago afirma que humilde é aquele que é feito habitação do Espírito, isto é, aquele que é habitado pelo Espírito (Tg 4:5) e não é cobiçoso das coisas do mundo (Tg 4:2-3). A palavra que Tiago usa (ταπεινος) pode ser usada tanto com o sentido de “aquele que não se exalta, que não se levanta muito do chão” numa referência ao ato de manter-se abaixado diante de reis orientais como, negativamente, aquele que se comporta de forma humilhante, depressiva, submetendo-se a uma indigna servidão.
Mas Tiago está usando a palavra em seu sentido positivo, de reverência e submissão diante de Deus, que jamais é uma indigna servidão. Israel sempre foi humilhado quando não foi humilde (Sl 107:39) mesmo quando achava que estava sendo, no que podemos considerar uma falsa humildade, isto é, uma humildade fingida, calculada visando a obtenção de recompensas ou privilégios, como no caso dos hebreus que faziam tudo certinho, faziam cerimônias com gestos estudados e maquinalmente aprendidos mas com o coração em outras coisas (Ml 3:14).
Este tipo de atitude não é nada espiritual, é egocêntrica, é centrada no homem, nas recompensas que o homem pode dar ou receber e não tem nada de agradável ao Senhor (Mt 6:16).

II.                O CONTRÁRIO DA HUMILDADE – AFASTAMENTO DE DEUS

Ao contrário da humildade, a soberba é uma atitude de autossuficiência que, num efeito teflon, acaba afastando o homem de Deus porque seus intentos são apenas tudo fazer para sua própria glória e reconhecimento de suas habilidades pelos homens (Cl 3:23) e isto não é considerado reto por Deus (Hb 2:4). A soberba foi a causa da queda do rei de Tiro (Is 44.11-15), o homem que muitos insistem em identificar equivocadamente com Satanás (Is 44.16) embora guarde com satanás semelhanças como a de querer ser adorado como se fora Deus – satanás chega ao absurdo de tentar obter a adoração do próprio Filho de Deus (Mt 4:9).
Ao invés da graça de Deus (Pv 15:33) o que o soberbo inevitavelmente receberá é a sua própria destruição, pois a Palavra de Deus ensina que a soberba precede a ruína (Pv 16:18) como aconteceu com o poderoso e orgulhoso Nabucodonosor (Dn 4:29-33).
O poderoso rei Nabucodonosor não é o único caso de soberbo que é derribado. Isto também aconteceu com o insensato Nabal, marido de Abigail (I Sm 25:10) que logo depois morreria em sua estultícia, provavelmente de um derrame (I Sm 25.37-38). Tal também foi o caso de Saul, que, pretensiosamente, deixou de obedecer a Deus e fez a sua própria vontade (I Sm 15:22) e também aconteceu com o arrogante Herodes (At 12.21).
A humildade evita estas desgraças, porque ela aproxima o homem de Deus, aproxima o servo do Senhor, aproxima o pecador do salvador. Não deixe seu coração ser tomado pela soberba – ela precede a ruina, mas lembre-se que Deus concede graça ao humilde.

III.             A RECOMPENSA DA VERDADEIRA HUMILDADE

Enquanto a soberba só traz destruição e humilhação (Pv 29:23) a humildade goza do favor de Deus. Não sejamos tolos imaginando que, aparentando humildade, possamos “atrair a graça de Deus” – graça é favor, não é comprada nem merecida. Não dá para ser bíblico e, ao mesmo tempo, cantar “Encontra em mim, Óh! Deus, algo de valor, quero atrair tua presença”...
Não é possível enganar a Deus. Às vezes as pessoas confundem temperamento, jeito de ser, tanto com humildade quanto como arrogância – e podemos nos enganar pois não vemos como Deus vê. Deus sabe quando é apenas aparência de humildade e quando a humildade é um fruto da ação do Espírito, afinal, é ele mesmo que dá ou é apenas uma ação humana, um pretexto para se sobressair aos seus semelhantes (Cl 2:18) mas que, no final, não tem valor algum, não produz santidade, não vence o pecado e tampouco glorifica a Deus (Cl 2:23).
Enquanto a falsa humildade recebe recompensa dos homens, seja qual for a máscara que use, como esmolas, orações longas, jejuns, vestuário e até dízimos escrupulosamente calculados – o princípio é o mesmo para qualquer destas práticas: se não há verdadeira humildade qualquer recompensa recebida dentre os homens já foi grande demais (Mt 6:5), mas, ao mesmo tempo, por maiores que sejam, são apenas coisas passageiras deste mundo (I Jo 2:17).
Todavia, não é assim com a verdadeira humildade – Deus abençoa grandemente àqueles que se achegam a ele com integridade, e lhes dá graça e auxílio em toda e qualquer situação de suas vidas (Hb 4:16). Esta é uma grandiosa promessa de Deus – de dar-nos atenção do seu trono de graça. Os homens podem até amar mais ouro e prata, mas, por mais que tenha ouro e prata a graça do Senhor é muito mais valiosa, é muito melhor do que todos os tesouros do mundo. Quando, angustiado, Paulo orava ao Senhor pedindo-lhe livramento do “espinho na carne”, seja lá o que isto era, o Senhor lhe respondia que ele já tinha o suficiente, tinha a Sua graça (II Co 12:9).
Vamos apresentar apenas três exemplos do que estamos afirmando. Ao ser informado de que deveria colocar em ordem a sua casa porque logo morreria (II Rs 20:1), o rei Ezequias orou ao Senhor humildemente e o Senhor restaurou sua saúde dando-lhe ainda 15 anos de vida e não apenas isso, mas livramento dos seus inimigos (II Rs 20:5).
A graça de Deus é tão impressionantemente demonstrada diante de um ato de verdadeira humilhação que até mesmo o mais ímpio dos reis que houve em Israel, Acabe, obteve favor do Senhor (I Rs 21:29).
O terceiro exemplo é o do “combate de humildade” entre o fariseu e o publicano. O fariseu coloca-se diante de Deus e, com uma oração muito bem elaborada “agradece” o fato de ele ser bom – seu Deus era ele mesmo. O publicano, repudiado pelos religiosos, simplesmente se humilha publicamente diante de Deus. Ninguém o queria ali. Os fariseus, saduceus e escribas não os queriam no templo. Mas ele queira estar diante de Deus para fazer uma só coisa: humilhar-se, pedindo misericórdia (Lc 18:13.
Teria Deus mudado para, hoje, abençoar a hipocrisia e a arrogância em detrimento da humildade que ele sempre disse agradá-lo em seus servos? O modelo supremo de humildade, o próprio Senhor Jesus, teria por acaso deixado de ser o modelo? E como fica, então, o chamado para aprendermos dele (Mt 11:29)?

CONCLUSÃO

Pode parecer estranho afirmar que há algumas coisas em comum entre Deus e o diabo. Não se assuste, não estou dizendo que eles são iguais. Não estou defendendo nenhuma forma de equivalência de poderes entre ambos. Deus é Senhor, é soberano, inclusive sobre o diabo, seus anjos e quaisquer ações que eles venham a intentar. Que coisas em comum, então, poderiam ser essas que tanto a luz quanto as trevas possuem?
A primeira coisa que ambos demonstram querer é alguma forma de proximidade com o ser humano (]. Desde o Éden é assim. O diabo vem falar com os seres humanos (Gn 3:1) e Deus também se aproxima dele para alguma forma de adoração e diálogo (Gn 3:8). Assim como o diabo é o deus deste século, o príncipe do mundo e tem o costume de andar pelo mundo observando o que fazem os filhos dos homens (Jó 1:7) com o intuito de acusá-los (Ap 12:10) ou destruí-los com seus dardos malignos (Ef 6:16) e armadilhas (Ef 6:11) sendo comparado a um leão à espreita (I Pe 5:8) também entendemos pelas Escrituras que Deus é o Senhor do universo, o Deus presente (Ez 36:9) e não um ser ausente como querem muitos materialistas evolucionistas que não abrem mão de atribuírem a si mesmos o apelido de cristãos daí obtendo alguma forma de conforto espiritual. Deus não é o Deus distante (Is 57:15) nem se mantém desconhecido (At 17:23) embora o defeito que impeça os homens de vê-lo está em si mesmos, e não em Deus (Rm 1:20).
A segunda coisa em comum é que tanto o diabo quanto Deus desejam exercer o senhorio sobre sua vida. O diabo quer escravizá-lo, mantendo você como escravo de um império de trevas tendo como única recompensa a morte e o inferno. Ele não pode te dar outra coisa porque ele só pode te dar o que ele tem, e a herança dele é o inferno que foi preparado para ele, para seus anjos e seus servos (Mt 25:41). Ele não pode te dar nada diferente disso porque é só o que ele tem – e no fim os que permanecerem seus servos terão sobre si a permanência da ira de Deus (Jo 3:36) e, com seu senhor, terão toda a eternidade para lamentar (Lc 13:28). Por outro lado a Escritura também afirma que Deus quer o senhorio sobre a vida de pecadores que ele comprou com o precioso sangue de Jesus Cristo (I Co 6:20) não devendo ser escravos de ninguém, se não de homens, menos ainda de satanás (I Co 7:23). Diferente do senhorio satânico, o senhorio de Jesus é suave, é um fardo leve (Mt 11:28-30) e a recompensa é a vida eterna na presença do Senhor que não permitirá que tenhas mais qualquer motivo de choro (Ap 21:4).
Sim, o diabo quer proximidade, mas é a proximidade de um ladrão, assassino, destruidor. É a proximidade de um estelionatário que vai lhe prometer luzes, brilhos, prazeres e euforia e, como um traficante, vai te dar porções cada vez mais inebriantes para te fazer cada vez mais escravo até que você não seja mais do que um trapo e morra a seu serviço. Sim, Deus quer proximidade, mas a proximidade de um amigo, um pai, um irmão, de um salvador que está disposto a ser rasgado por uma lança, pregado em uma cruz para que você tenha acesso livre a Deus (Hb 4:16) porque ninguém pode chegar até o Pai se não for por ele (Jo 14:6).
Então, qual a diferença? O diabo é invasivo e Deus espera seu convite? Isso é uma tolice teológica. Desde quando o Senhor, o dono da casa precisa de sua autorização para entrar naquilo que lhe pertence? Ele é o Senhor tanto da casa quanto do servo, e faz com que o servo queira abrir a porta – e para o servo é dia de regozijo e festa. A diferença está no objetivo deste desejo de proximidade e senhorio. A diferença é que enquanto o diabo quer destruir sua vida Deus lhe dá nova vida porque, antes dele te encontrar (Lc 19:10) você estava morto em delitos e pecados (Ef 2:1) e nesta nova vida ele efetua em você o querer e o realizar que lhe capacita a obedecer-lhe. É por causa desta capacitação, é porque ele efetua um novo querer em você que você está, finalmente, habilitado a resistir ao diabo, isto é, a dizer não à sua nefasta proximidade, a não sujeitar-se-lhe numa escravidão que conduz à morte (mesmo que você durante toda a sua vida a tenha desejado por causa dos enganos de satanás – Ef 2:3). Sua nova vontade, sua vontade renascida leva você a sujeitar-se a Deus, a ser mais que vencedor por meio de Jesus Cristo (Rm 8:37), a achegar-se a Deus como um filho se achega ao pai, como uma criança procura o colo da mãe e nele se aninha após ser desmamada (Sl 131:2).
Não é o que você fez a vida toda que é realmente importante agora – mas o que você vai fazer agora, ou à partir de agora, que define a sua eternidade. A ordem do Senhor é sujeitai-lhe sua vontade para que você possa resistir ao diabo e ele fique longe e você – e você sinta, então, o quão perto Deus tem estado de você, porque nem ele nem sua vontade estão longe (Rm 10:8) embora o pecador sempre queira o máximo de distância dele (Is 59:2).
Escravo do diabo ou servo do Senhor? Morto em delitos e pecados ou vivo para Deus (Rm 6:11)? É a maneira prática que você responde a estas indagações que demonstra, que evidencia o que você efetivamente é: servo de Deus ou escravo do diabo? De quem você quer ficar próximo? Não caia na tolice de achar que, ficando próximo do diabo aqui, vai poder passar a eternidade próximo de Deus.


domingo, 16 de abril de 2017

A ESPERANÇA NÃO MORRE NA CRUZ

QUANDO UM PATÍBULO SE TORNA PALCO DE UMA IMORRÍVEL ESPERANÇA
Imagine que você tenha a oportunidade de escolher entre duas notícias com consequências fundamentais para sua vida. Imagine que você foi chamado a um luxuoso escritório e fosse convidado a sentar-se em uma confortável poltrona com dois envelopes à sua frente. Nele, duas propostas, duas notícias das quais você poderá escolher apenas uma.
Imagine que a primeira notícia é: você acabou de receber R$ 1.000.000.000,00 (um bilhão de reais) para fazer com ele o que quiser. Você ficaria absolutamente livre de tudo o que te incomoda, de tudo o que tira sua paz, de tudo o que você não gosta. Seja lá o que você não goste, você ficaria livre no exato momento em que concordasse com os termos da doação. Pode comprar casa, comida, carro, fazenda, avião, viajar... Pode fazer o que quiser, com quem quiser, onde quiser... Mas... Junto com esta maravilhosa notícia vem as condições: você teria 24h para usufruir como quisesse. Após este período você morreria e não poderia deixar nada para seus herdeiros.
Agora, imagine a segunda notícia. Você poderia escolher continuar com sua casa e as goteiras que existem nela... Com a dificuldade normal de escolher entre o que adquirir porque o dinheiro não é suficiente para tudo. Com seu emprego enfadonho e o chefe insuportável e colegas desagradáveis... Com sua família e os esforços diários para caminharem apesar da personalidade de cada um. Sem as festas que muitos frequentam. Sem o glamour que muitos usufruem. Sem as viagens paradisíacas que muitos fazem e retornam contando histórias de lugares maravilhosos.
Qual das duas propostas você escolheria? 24h sem nenhum problema e nenhum futuro, ou a vida inteira, com suas lutas constantes e pequenas mas sinceras alegrias?
Vamos aprender uma preciosa lição a este respeito, isto é, sobre como fazer as escolhas que realmente são essenciais, num trecho da Palavra de Deus que apenas o evangelista Lucas registra: o ladrão que, na cruz, pede a Jesus que se lembre dele quando vier no seu reino. Vejamos o que o evangelista registrou para nossa edificação (Lc 23.39-43).

39 Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também.
40 Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença?
41 Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez.
42 E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino.
43 Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.

O fato de somente Lucas ter registrado este evento, o pedido do ladrão e as palavras de Jesus facilita nosso estudo por não termos outros textos paralelos, mas, ao mesmo tempo, deixa sem resposta uma pergunta: porque Mateus não registrou que, após zombar de Jesus junto com o seu companheiro de infortúnio, percebeu a justiça que estava sendo feita com eles mas também se deu conta da grande injustiça praticada contra Jesus? Porque só Lucas? Não temos esta resposta, mas o fato é que os evangelhos se completam e nos fornecem o quadro mais perfeito possível da humanidade. Ali, no calvário, temos um registro perfeito do que é a humanidade.
Temos ali dois homens merecedores da morte. Temos um ímpio impenitente. Temos um pecador confesso e arrependido e conhecemos um salvador solícito. Quero convidar você a esquecer-se de onde você está e o que você é, e fazer um exercício de imaginação e viajar no tempo e no espaço, ir em imaginação àquele dia e local fatídico.
VOCÊ É UM PECADOR - VOCÊ MERECE ESTAR NA CRUZ!
Imagine que você esteja no local da crucificação. Imagine a multidão excitada. Imagine uma multidão composta por milhares de pessoas que não te conheciam. Imagine que estas pessoas não se importam minimamente com a angústia dos condenados. Ouça seus gritos exaltados! Sinta o calor causticante. Sinta um pouco mais o ambiente. Se aprofunde um pouco mais e tente sentir a dor das feridas em suas costas causadas pelo látego e o incômodo dos insetos que não podem ser espantados. Sinta a dor em suas mãos e pés.
Ninguém lhe dá um analgésico... Nenhuma palavra de conforto. Apenas palavrões, xingamentos e dor. E então você reage. Sua formação é a de um pecador. Sua formação, suas companhias constantes eram barulhentas, escarnecedoras, violentas. Bandidos... Imagine que você é um bandido. Sim, um bandido, imagine que é você quem está numa das cruzes. Seu companheiro começa a zombar do tolo que se dizia ser o rei dos judeus. Você o segue em seu mau comportamento, instintivamente começa a agir como ele, começa a zombar do tal de Jesus. Todos faziam isso, porque não você? Pelo menos acusar o outro vai te dar um pouco de distração, embora não resolva a sua situação.
Curiosamente as maiores ofensas não eram para eles, ladrões, salteadores, assassinos - eram para um tal de Jesus de Nazaré. O povo zombava dele, fora o povo que o condenara, gritando para que ele fosse crucificado. As maiores autoridades religiosas do povo zombavam dele, foram eles quem o denunciaram e entregaram às autoridades romanas, numa cooperação inimaginável. As autoridades civis, os soldados, também zombavam dele. Até as autoridades romanas zombaram dele, colocando em sua cabeça uma coroa de espinhos e acima dela uma frase em três idiomas diferentes que dizia: “Este é o rei dos judeus”. E fica surpreso com seu silêncio só rompido, uma única vez, para perdoar os que o maltratavam e insultavam.
Não é algo agradável de se imaginar. O barulho, o calor, o sangue coagulado, o suor ardendo nas feridas, as ofensas, a vergonha, a solidão... E você começa a ter algumas certezas. Sua vida foi um fracasso total... Você queria fortuna, e terminou na cruz. Queria a liberdade de seu país e só conseguiu ser cravado em uma cruz... Você pensa na certeza da morte iminente, na dor causada pelos pregos e pelo peso do seu corpo, cada vez mais fraco... Sinta as vertigens causadas pela circulação sanguínea cada vez mais difícil e a cada segundo só uma certeza vai sobrando: a morte, um desejo cada vez mais forte em um coração cheio de ódio pelos romanos, pelos judeus, por todos, inclusive por aquele que ousou dizer ser o rei dos judeus. Você começa a desejar que sua morte seja rápida... mas sabe que não será.
Ali você percebe que, junto com seu amigo, seu companheiro de infortúnio, representa aquilo que o homem é: pecador, merecedor da morte por causa de seus próprios pecados. E, imagine agora que, num lampejo de consciência, uma duvida começa a tomar seu coração. E se... E se for isso mesmo? E se esse homem for mesmo o que ele diz ser? O que ele fez? Qual o crime que ele cometeu? O próprio Pilatos disse não ver nele crime algum. Até a esposa de Pilatos testemunhou que Jesus era justo. Você conhece o sistema, sabe que é fácil encontrar testemunhas que se vendem para falar qualquer coisa... E então você para de zombar e logo adverte o outro ladrão para deixar Jesus em paz. Você admite que é justo estar ali, mas não aquele justo estar na cruz ao lado.
E você começa a pensar seriamente no que tinha ouvido a respeito daquele estranho profeta, nos últimos três anos sua fama se espalhara... Talvez tenha ouvido outras coisas na prisão até que se pergunta: “E se este tal de Jesus for mesmo quem diz ser”? E se ele puder mesmo perdoar pecados? E se ele puder fazer comigo o mesmo que fez com a mulher surpreendida em adultério? Ou com Lázaro? Será que... E se ele for mesmo um rei especial, rei de um reino que não é deste mundo? Ele disse ser filho de Davi, profeta, messias e até mesmo chamou Deus de seu pai. E se seu reino não for mesmo igual aos outros? E se... Será que ele se compadeceria de um pecador condenado que chegou mesmo a zombar dele instantes antes?
VOCÊ É UM PECADOR QUE NÃO PODE FAZER NADA PARA SE SALVAR
Talvez você então comece a pensar: será que um pedido de um ladrão que não pode fazer nada em contrapartida seria aceito? Da cruz seria impossível oferecer qualquer tipo de sacrifício por sua culpa... Nenhuma oferta pelo pecado... Nenhuma oferenda de gratidão... Na verdade, nem intenção de sacrificar existe mais. O que um incapaz, um semimorto, um condenado poderia fazer para merecer a atenção, perdão e salvação por parte de Jesus? Nada! Eis a única resposta! Nada. N A D A!
Mas você continua pensando... Não pode sair mesmo dali... É sua única esperança... Ele perdoou a adúltera sem contrapartidas... Curou o paralítico e perdoou seus pecados sem receber nada em troca. Mas ali a situação era mais grave. Mas o que ele poderia fazer de bom para convencer Jesus? Você talvez se volte para a multidão procurando alguém que, talvez, pudesse fazer alguma coisa por você, que tivesse acesso a Jesus, que de alguma forma pudesse interceder por você e... Nada... Ninguém... Nenhuma ajudinha - é entre você e Jesus, apenas entre vocês dois.
Você se sente ignorante, impotente, incrivelmente incapaz... Você está como Pedro no momento que afundava no lago e só lhe restava uma coisa a fazer: clamar por ajuda, pedir socorro. E você quer ser socorrido... Você não quer que as coisas terminem daquele jeito. Você já aceitou que não vai descer da cruz, mas... E o reino porvir? Já que não havia mais nada a fazer só lhe restava confiar em Jesus e pedir... O “não” você já tinha. A condenação já estava sobre sua cabeça. O inferno já era seu destino mesmo... Não há mais nada a perder... O jeito era pedir. E pede. Pede a Jesus que, quando vier em seu reino, se lembre de você, ouvindo então a promessa de salvação. Eis aqui o retrato da humanidade - um pecador que precisa de um salvador, um pecador que não procura um salvador, um pecador que se encontra com o salvador no mais inesperado dos lugares. Podia ser outro tipo de criminoso. Ladrão, assassino, mentiroso, rebelde, falsário, tanto faz... Era um ladrão, era um pecador, era você.
Você pede - e ao pedir demonstra que houve uma grande mudança em você. Inicialmente você zombava, dizendo a Ele que, se fosse mesmo o rei dos judeus, descesse do trono e você creria. Agora seu pedido a Jesus é para que ele se lembre de você “quando” vier em seu reino. Não há dúvida em seu pedido. Não é um pedido para que ele se lembre “se” vier mesmo em um reino utópico. Ali há confiança, há certeza, há fé naquele pedido. Uma fé que surge até mesmo quando os discípulos mais próximos de Jesus se sentem desalentados e dispersos - todos fugiram quando o pastor foi ferido, mas você nem fugir podia. Os discípulos queriam assentar-se ao lado de Jesus em seu trono, um à direita e outro à esquerda, mas foi um ladrão que tomou este lugar e, pela fé, no trono da cruz, obteve a salvação de sua alma.
Ali Jesus lhe fez uma promessa maravilhosa - imagine o que você poderia fazer para deixar de ser um pecador merecedor da condenação para ganhar uma promessa tão maravilhosa assim do Senhor Jesus? Imagine a sensação de esperança na eternidade em lugar do desespero da morte certa e inferno inescapável. Sinta o suor queimar-lhe a pele ferida e os ardor nos olhos causado pelo suor agora se misturando com as lágrimas de alegria enquanto uma sensação de frescor e renovo toma conta de seu coração, enquanto a nova vida brota em seu coração e finalmente você entende que “ao Senhor pertence a salvação”.
Sim, na cruz era um ladrão. Na cruz era você. Imagine-se ali. Imagine a dor. Imagine a angústia em saber que a morte era iminente. Agora, meu amado, minha amada, imagine a esperança enchendo o seu coração e expulsando a angústia da morte que se aproxima rapidamente. Mas você ouviu a palavra do Filho de Deus - você ouviu o salvador dizer-lhe que sua história não terminaria ali. A promessa dele é a promessa para os que nele creem - você estaria com ele, no mesmo dia, no paraíso.
VOCÊ É UM PECADOR QUE SOMENTE JESUS PODE SALVAR
Com base em que? Com base em quê um pecador condenado, crucificado, semimorto pode esperar salvação? Com base em quê qualquer pecador pode esperar alguma bênção de Deus estando morto por causa de seus próprios pecados (Ef 2.8)? Com base na superabundante graça de Deus (Rm 5.20).
Com base na vontade soberana de Deus que salva a quem quer salvar e endurece a quem quer endurecer (Rm 9:18). Com base na graça maravilhosa de Jesus. Com base no sacrifício substitutivo de Jesus. Sem base alguma em nada do homem que só contribui com a sua pecaminosidade e desesperada necessidade de salvação.
Sim, as palavras de Jesus garantindo a salvação para todo aquele que nele crê (Jo 6.47) são para o ladrão, para a adúltera, para o religioso perseguidor, como foi o apóstolo Paulo, para o pecador traidor que o negou. Lembre-se que naquele mesma noite dois outros judeus também pecaram contra Jesus. Um o traiu com um beijo, outro negou sua fé. Um morreu enforcado e o peso de seu corpo quebrou o galho da árvore e acabou despedaçado num campo que se tornou um cemitério de indigentes. O outro morreu crucificado - mas antes se arrependeu, foi perdoado, anunciou o salvador para que muitos fossem salvos. Sim, a salvação é para todos os demais pecadores: é, afinal, para mim e para você.
Assim como para aquele pecador na cruz a salvação é um negócio urgente para você também e não pode ser deixada para depois. Jesus diz ao ladrão que ele estaria com ele no paraíso, no seio de Abraão ou na bem aventurança dos santos sob o trono do cordeiro... Não importa como você chame, o fato é que para Jesus a salvação é algo urgente, tão urgente quanto era para aquele ladrão na cruz. E se era para o ladrão, porque não seria para você?
CONCLUSÃO
Naquelas cruzes temos a humanidade perfeitamente representada: temos dois pecadores que merecem a morte! Temos um pecador que continua morto porque não crê em Jesus, que permanece em seus pecados, porque, mesmo tão perto de Jesus, seus pecados ainda faziam separação entre ele e Deus. Naquelas cruzes temos, também, um pecador que se reconhece pecador e obtém a salvação por crer em Jesus.
Mas a humanidade não estaria perfeitamente representada ali se ali não estivesse o homem perfeito, o justo substituindo os injustos (I Pe 3.18).
Do alto da cruz ouvimos a sua voz, a doce voz de um salvador solícito, proclamando que, mesmo onde todos consideravam-no um derrotado no patíbulo proclama salvação que nenhum trono do mundo jamais poderia ou poderá ser capaz de dar.
Toda aquela dor, todo aquele espetáculo foi para salvar pecadores. Talvez você já não se veja mais lá... Talvez já tenha se esquecido de sentir o cheiro, o calor, mas há algo que você não pode se esquecer de ouvir: a voz do salvador dizendo aos que nele creem que estarão com ele no paraíso. Naquela cruz ouvimos a promessa de salvação ao ex ladrão, agora crente. Esta promessa é também para o comerciante desonesto, o funcionário corrupto, o patrão ganancioso, o aluno trapaceiro, o filho rebelde, o esposo violento ou relapso, a esposa insubmissa, o folgado preguiçoso, o amante da mentira, o dono de coração idólatra cheio de amor pelo mundo, o religioso soberbo e contencioso achando que sua religiosidade é que lhe garante a salvação, o hipócrita e toda sorte de pecadores.
Foi por você, foi por mim, foi por todo pecador que crê nele e humildemente clama: “Senhor, salva-me”, porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
Naquelas palavras que proclamam salvação encontramos eco de outras palavras do salvador que dizem “vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Você não sabe quanto tempo você, pecador, tem. Então, vá a Jesus porque Ele diz que todo aquele que vai a ele de modo nenhum será rejeitado (Jo 6.37).

terça-feira, 21 de março de 2017

A IGREJA PRESERVA SUA IDENTIDADE E DESEMPENHA SUA MISSÃO QUANDO É TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO

Todos devem ter plena certeza de que as práticas ilícitas devem se rejeitadas por todos os cristãos. Não há meio termo, e quem desejar tornar-se cristão deve compreender que as decisões que venha a tomar vão impulsioná-lo a deixar de fazer o mal e praticar o bem, pois a conversão ao Senhor leva a prática de obras que demonstrem este arrependimento.
 Santificação é mais do que fazer ou deixar de fazer – santidade é ser do Senhor, é deixar-se orientar pelo Senhor e por sua Palavra e ser habitação do seu santo Espírito. Ser cristão é mais do que seguir uma tal de “lei de crente” que, quando muito, são regras existentes dentro das Igrejas e na maior parte das vezes não passam de mandamentos de homens (Is 29:13) com os quais a Igreja sequer deve se ocupar (Tt 1:14). A única lei que realmente importa, que deve imperar no coração do povo de Deus é a inclinação do Espírito, que leva os corações dos crentes a prática do que é justo diante de Deus e dos homens, independente da cultura e da época.
Em nossa cultura permissiva a santificação é, muitas vezes, confundida com deixar de fazer algumas coisas, mas, mesmo o “deixar de pecar” pode tornar-se num orgulho pecaminoso, num julgamento menos correto de si mesmo, num desconhecimento da real natureza do pecado e num julgamento mais duro a respeito das fraquezas dos outros. Santificar-se significa, inicialmente, separar-se de tudo o que impede o pecador de buscar a glória de Deus. Santificar-se significa tudo fazer buscando a gloria de Deus – e arrepender-se dos pecados por amor ao Senhor, e não por temor das consequências, sem dúvida, corresponde à glorificar o Senhor que deseja que sua Igreja seja santa (Lv 20:7 - Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus).
Para preservar sua identidade e desempenhar sua missão a Igreja de Cristo

I. POSSUI POR GRAÇA A BÊNÇÃO DE SER TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO

Perguntado sobre como um soldado pode desempenhar sua missão da melhor maneira possível o soldado simplesmente respondeu: conhecendo a missão e sabendo quais os obstáculos que podem surgir entre ele e a meta final (Hb 12:14). Evidente que não havia a menor preocupação com a questão de santidade no que ele disse – mas o fato é que esta resposta diz muito sobre como podemos definir santidade: conhecendo a vontade de Deus e, para sermos obedientes até o fim, evitarmos os obstáculos, os pecados, que podem atrapalhar esta jornada (Hb 12.1).
Ainda usando a linguagem militar, santidade é, de certo modo, definido pelo apóstolo Paulo como “cumprir satisfatoriamente a vontade do chefe” (II Tm 2:4). Imagine um soldado que precisa entregar uma mensagem crucial para a movimentação de uma tropa em uma guerra impreterivelmente em 1 dia e percorre apenas 90% do percurso dentro do prazo, mas só consegue chegar 1 semana depois. Que espécie de tratamento ele deve esperar de seus superiores, se superiores ainda existirem?
Como a Igreja poderia manter a sua identidade e cumprir a sua missão sem obediência – se ela perder a sua identidade (Lv 20:7) evidentemente será incapaz de cumprir a sua missão, que é dar frutos (Mt 7:16) que testemunhem a transformação que o Espírito faz na vida do pecador convertido (Ef 4:28) que passa a ter como alvo na vida glorificar o Senhor, fazendo, diariamente, a mesma oração feita pelo salmista (Sl 69:6), aplicando o ensino das Escrituras às situações diárias e não se deixando moldar pelos costumes da cultura em que vive (I Pe 1:14) porque o que é aceitável numa cultura pode ser visto como ofensivo e inconveniente em outra, e por isso escandaloso (Mt 18:7).
Vamos ver o que a Escritura nos diz sobre a necessidade de cada membro ser Igreja e, através da santificação diária, realmente se mostrar como o templo do Espírito e ter a santificação como uma característica constante em seu modo de viver.
12 Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.
13 Os alimentos são para o estômago, e o estômago, para os alimentos; mas Deus destruirá tanto estes como aquele. Porém o corpo não é para a impureza, mas, para o Senhor, e o Senhor, para o corpo.
14 Deus ressuscitou o Senhor e também nos ressuscitará a nós pelo seu poder.
15 Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? E eu, porventura, tomaria os membros de Cristo e os faria membros de meretriz? Absolutamente, não.
16 Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne.
17 Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele.
18 Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo.
19 Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?
20 Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.
I Co 6.12-20
Como a Igreja pode, obedecendo à Palavra de Deus, evitar os erros quanto às suas exigências e mover-se segundo a direção do Espírito Santo? A primeira maneira de a Igreja andar segundo Cristo é

i.                   PRATICAR O QUE É LÍCITO

12 Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.
13 Os alimentos são para o estômago, e o estômago, para os alimentos; mas Deus destruirá tanto estes como aquele. Porém o corpo não é para a impureza, mas, para o Senhor, e o Senhor, para o corpo.
14 Deus ressuscitou o Senhor e também nos ressuscitará a nós pelo seu poder.

A Igreja em Corinto estava localizada em péssima companhia. Havia numerosos templos, e milhares de pessoas dispostas a cultuarem aos deuses pagãos de todas as formas, inclusive as mais imorais possíveis – e esta prática imoral não era vista como ilícita, pelo contrário, jovens coríntios, de ambos os sexos, se colocavam durante um tempo à disposição dos “adoradores” que vinham de todas as partes do mundo greco-romano para comercializarem seus produtos na cidade.
A promiscuidade era generalizada e a prostituição cultual institucionalizada tornavam a vida da Igreja complicada em diversos aspectos, a ponto de Paulo insistir que o corpo não é para a impureza (I Co 6:13) e que a prostituição cultual nada tem de culto, na verdade (I Co 6:15) sendo somente mais uma obra da carne (Gl 5:19).
Apesar de tantos templos em Corinto, um só era necessário: o próprio crente que, abandonando as obras infrutíferas das trevas (Ef 5:11) se tornava em santuário do Espírito de Deus (I Co 3:17) tornando obsoletos todos os demais, e, pior ainda, reprovando com sua vida aqueles templos destinados à idolatria e lascívia.
Paulo não usa de ambiguidade quando reprova as práticas pecaminosas existentes em Corinto – suas palavras são diretas e duras, e ele as reprova na sociedade coríntia e faz o mesmo quando estas práticas começaram a entrar naquela Igreja e que, ao invés de promover a comunhão, estavam causando divisões, pois uns diziam ser seguidores de Paulo, outros de Pedro, outros de Apolo e havia os que usavam o nome de Cristo para, aparentando superespiritualidade, justificar seu divisionismo (I Co 1:12).
As práticas que a Igreja estava adotando, práticas lícitas na sociedade coríntia, estavam se tornando um padrão de conduta que diminuíam a comunhão entre os irmãos e, mais ainda, com o Senhor. Abandonar o padrão do mundo, não se deixar levar pelo que “todo mundo faz” é um imperativo cristão (Rm 12:2) porque o mundo jaz no maligno (I Jo 5:19) e o cristão é chamado à santidade que antes desprezava (I Pe 1:14 ) por ignorância da Verdade que é libertadora (Jo 8:32).
O problema detectado e combatido por Paulo em Corinto era que os cristãos estavam se utilizando da liberdade para, insensata e insensivelmente, ser motivo de escândalo para outros e, assim, tornando a liberdade em ocasião para pecar fazendo outros tropeçarem (I Co 8:9). É comum que uma atitude que, em si mesma, não é pecaminosa, seja ofensiva e atrapalhe o crescimento espiritual de outros irmãos menos experimentados. Podemos ilustrar isto com o fato de que grandes teólogos protestantes do séc. XIX tinham o hábito de fumarem cachimbos, ou que reformadores do séc. XVI recebiam parte de seus proventos em barris de vinho (em tempo, não há registros de que tenham se embriagado). Em seus dias e onde moravam isto não era visto como pecaminoso, mas seria terrível para a Igreja evangélica brasileira que seus pastores agissem desta maneira – certamente o habito de fumar era pecaminoso, mas cada um deve andar segundo a luz recebida.
Devemos, pois, ter comportamento contrário ao dos crentes de Corinto, pois usaram da “liberdade Cristã” para aumentar seus pecados. Devemos usar os nossos corpos como aquilo que eles efetivamente são – nosso ser, contaminado pelo pecado e remido pelo sangue de Cristo. A salvação e a santificação não é uma coisa apenas espiritual, ela envolve todo o nosso ser e influencia definitivamente o que fazemos com ele (Rm 12:1).
A Escritura nos diz para não nos iludirmos – mesmo aquilo que é lícito socialmente pode ser um terrível pecado, por isso somos chamados de peregrinos e forasteiros, com uma lei interior diferente daquela que rege o mundo ao nosso redor (I Pe 2.11-12).
Sem dúvida que a prática de coisas lícitas à luz das Escrituras é absolutamente necessária, mas precisamos andar um pouco mais e compreender que a Igreja preserva a sua identidade e cumpre a sua missão vivendo em santidade ao

ii.                UNIR-SE A DEUS

15 Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? E eu, porventura, tomaria os membros de Cristo e os faria membros de meretriz? Absolutamente, não.
16 Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne.
17 Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele.
18 Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo.

A identidade da Igreja é ser corpo de Cristo, edifício de Deus (I Co 3:9). Não há Igreja se ela não estiver essencialmente ligada ao Senhor Jesus, a videira verdadeira da qual a Igreja é apenas ramos (Jo 15:5). A mentalidade coríntia permitia ser religioso, frequentar um templo, ser devoto de um ou vários deuses e deusas sem que isto tivesse qualquer impacto prático em suas vidas. Podiam até mesmo participar de um culto ao imperador (mesmo detestando e não o considerando em nada divino) simplesmente porque eram cidadãos romanos e deviam dizer que César é senhor (I Co 12:3). Estar unido ao Deus vivo significa mais do que os coríntios estavam habituados a pensar, era mais do que um simples ritual, por mais impactante que fosse. Estar unido a Deus significa viver uma nova vida, uma nova vida em Cristo, podendo afirmar que já não se vive mais, mas que é Cristo quem vive no crente (Gl 2:20).
Para viver unido a Cristo é preciso ter a vida de Cristo – e para ter a vida de Cristo é preciso morrer para si mesmo, numa renúncia total (II Co 4:8-11), algo que não tem sido muito comum na cristandade atual que pensam muito mais nas delícias deste mundo e para quem a palavra renúncia é incabível (Mt 10:37-38), como se não tivesse sido uma exigência do Senhor para aqueles que querem ser seus discípulos, para aqueles que querem ser Igreja.
A esta união os teólogos denominaram “união mística”, mas podemos simplesmente chamá-la de comunhão, de andar com Cristo, de considerar a vontade de Cristo como fonte de autoridade e, antes de tomar uma decisão buscar conhecer qual a vontade de Deus para seus filhos naquela área. Não pense que estamos falando de buscar uma revelação pessoal, mas a revelação normativa de Deus para seus filhos em todas as épocas. É por isso que Paulo fala que os crentes são diferentes, porque tem a vida de Cristo, tem o Espírito de Cristo (Rm 8:9) e a mente de Cristo (I Co 2:16).
União com Cristo significa fuga do pecado, como fez José, não importando o preço (Hb 12:4). União com Cristo significa resistir ao diabo até que ele fuja (Tg 4:7) embora permaneça nas proximidades com intuitos maléficos em seu negro coração (I Pe 5:8).
Para, como Igreja, cumprirmos nossa missão e resguardarmos nossa identidade precisamos, como templo do Espírito, praticar o que é lícito não apenas socialmente, mas essencialmente em harmonia com a nova vida que o Senhor nos dá, e, ainda mais, é preciso

iii.             GLORIFICAR A DEUS

19 Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?
20 Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.

Alguns cristãos agem como se Deus precisasse de seus louvores, ou de sua atuação para ser glorificado. Este é um equívoco porque Deus é eterna e imensamente glorioso. Deus não precisa de nada – tudo é dele, tudo é por ele e tudo é para ele (Rm 11:36) e toda a terra está cheia da sua glória (Is 6:3). Certa vez um professor de matemática que gostava de ensinar macetes aos seus alunos disse uma frase que marcou meu entendimento sobre glorificar a Deus. E note que ele era professor de matemática: “Quer aprender como glorificar a Deus? Quer um método mais fácil do que somar dois e dois? Aprenda a conjugar o verbo amar – e o conjugue no presente, todo o tempo.”
Para uma sociedade que pensava que para glorificar a Deus tinha que obedecer a muitos mandamentos (um rabino chamado Moshê ben Maimon, ou Maimônides, ou ainda Rambam, chegou a listar 613 deles). Se 10 já é impossível, imagine 613. Mas mesmo assim o Senhor Jesus apresenta apenas dois, e ambos conjugam o verbo amar: amar a Deus e à criação de Deus (Lc 10:27) porque quem conhece a Deus ama verdadeiramente (I Jo 4:8) e nem esses dois conseguimos cumprir integralmente.
Não há como duvidar disso, em toda a Escritura Deus se mostra como curador, provedor, consolador, como pai amoroso que através de obras de incomparável poder prova o seu amor para conosco (Rm 5:8) pagando um alto preço para satisfazer uma necessidade que era nossa, e não dele. Nós precisávamos conhecê-lo, amá-lo e para isso ele pagou um preço extremamente alto (I Co 6:20) e a maneira de expressarmos nossa gratidão e glorificá-lo é sendo, de fato, templo do seu Espírito sendo, afinal, um com ele (I Co 6:17-19).
Quer aprender como glorificar a Deus? Siga alguns passos muito simples. É um resumo, muito, muito simples, mas suficiente por ora: em primeiro lugar, conheça-o verdadeiramente (Jo 17:3) e isto só pode ser feito por intermédio do reconhecimento de Jesus Cristo como o Filho de Deus (Mt 16:17); em seguida reconheça-o como seu Senhor e salvador pessoal (At 16:31) e então passe a conhecer e reconhecer sua vontade como imperativa (Jo 15:14) guardando os seus mandamentos (Jo 14:21).
Sim, é somente através do andar no caminho das boas obras que o Senhor preparou de antemão que de fato o Senhor será glorificado. É pelo frutificar de seu povo (Jo 15:8 - Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos), pelo que ele fala e faz, que o nome do Senhor é glorificado não apenas na Igreja, mas também entre os incrédulos (I Pe 4:11).

CONCLUSÃO

Ser templo do Espírito Santo não é uma tarefa fácil. Não é uma simples questão de querer pessoal – é uma determinação do mesmo Deus que nos assiste em nossas fraquezas. É impossível à vontade desassistida do homem (Rm 7:19). O Espírito é o que habita o que crê e, ao mesmo tempo, o sustenta em sua fé.
É por isso que não é impossível ser templo do Espírito Santo – esta é uma ação de Deus, a santificação é uma ação de Deus na vida do crente (Jo 17:17), e a ação do crente é busca-la perseverantemente porque ela lhe é essencial para que ele tenha comunhão com o seu Senhor (Hb 12:14).
Paulo nos mostra que a maneira de glorificarmos a Deus é, diariamente, nos exercitarmos em obediência à sua vontade, através de um testemunho vivo de que somos seus instrumentos, prontos para o seu serviço em uma atitude que demonstre, antes de mais nada, amor total a ele, e, depois dedicação ao próximo.
Glorificar a Deus é, cumprindo sua vontade, encontrar recursos para fugir ao pecado, e viver obedecendo a sua Palavra é o melhor meio para não transgredir sua vontade (I Jo 3:4).
Para fugir do pecado (I Tm 6:11), e viver como templo do Espírito Santo de Deus o melhor, ou melhor, o único método infalível é viver sua Palavra, testemunhar seu amor e sacrifício e mostrar ao mundo que, mesmo que falem contra nós, a fé em Cristo realmente faz diferença na vida de um pecador (I Pe 2:12).
Faça um exame de você mesmo, se, sendo membro da Igreja, você efetivamente é Igreja, isto é
i.               Você efetivamente é templo do Espírito Santo? Você consegue perceber a atuação do Espírito em você ajudando-te a reconhecer o pecado que te assedia e te impulsionando a fugir dele (Hb 12:1);
ii.              Você, sendo Igreja, tem procurado efetivamente conservar seu corpo como templo do Espírito, usando-o para receber as bênçãos de Deus e tributar-lhe a glória que lhe é devida (Sl 103:1);
iii.            Você, sendo Igreja, sendo templo do Espírito e procurado manter sua vida pura para glória do Senhor, tem efetivamente mostrado a outros a diferença que faz na vida de um pecador conhecer a Jesus e reconhece-lo como seu Senhor e salvador (Ml 3:18).
Que testemunho você tem dado para mostrar que o seu corpo é o templo do Espírito Santo? Andar no Espírito (Gl 5:16) exige que se viva de acordo com a Palavra de Deus como se vive respirando o oxigênio.
Andar no Espírito é mais do que ler um pouco de bíblia, estuda-la de vez em quando ou fazer um curso aqui ou outro ali. É colocar em prática a orientação que Deus deu a Josué (Js 1:8), amando a Palavra de Deus, deleitando-se em sua vontade e cumprindo-a sem desvios (Js 1:7) e, com isso, exaltaremos a obra de Cristo, porque a obra do Espírito é exaltar a Cristo em nós e através de nós.
E este é o plano de Deus para todos os seus servos, e não apenas para uns poucos privilegiados (Tg 2:1) como se houvesse privilegiado diante do Senhor (Rm 2:11).

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