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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

FÉ OPEROSA, AMOR ABNEGADO E FIRME ESPERANÇA: VOCÊ É PARTE DESTA IGREJA

VOCÊ DEVE QUERER SER PARTE DESTA IGREJA
 Já falamos bastante a respeito da I.P.T. (a Igreja Primitiva em Tessalônica). Era uma Igreja composta por eleitos de Deus, que gozava da paz do Senhor por causa da graça de Cristo Jesus. Sua vida era motivo de gratidão a Deus, e Paulo menciona que ela era uma Igreja de fé operosa, amor abnegado e firmeza na esperança no Senhor Jesus Cristo. Eles não eram super crentes – eram apenas crentes. Mas crentes de verdade.
E você? O que te faz diferente dos tessalonicenses? Você ouve o mesmo evangelho, que vem do mesmo Deus e anuncia o mesmo eterno e único salvador, Jesus Cristo, no poder do mesmo Espírito. As palavras que você ouviu foram as mesmas que os  tessalonicenses ouviram ser lidas há quase 2 mil anos e fortaleceram ainda mais a sua fé e tem o mesmo objetivo: livrar você da condenação e do inferno, do poder das trevas e do medo da morte e fazer de você uma pessoa livre, isto é, alguém que não tem mais que fazer a vontade da carne e dos maus pensamentos (Ef 2:3) e pode, então, se deleitar em fazer a vontade de Deus (Sl 119:143).
O que fazer para ser como os tessalonicenses? Se você ainda não recebeu Jesus como seu salvador e Senhor este é o seu momento, esta é a sua oportunidade (II Co 6:2), você pode se levantar agora, confessar que é pecador e que precisa de Jesus para ser salvo, recebendo assim a fé, o amor de Deus e a firme esperança na vida eterna porque aquele que prometeu que de modo nenhum lançaria fora aquele que fosse a ele (Jo 6:37). E ele é fiel em todas as suas promessas.
Mas esta mensagem é também para aqueles que são membros da Igreja, qualquer Igreja, desta ou de outra Igreja que tem tido uma fé morna ou morta, cujo amor só alcança a si mesmo e só produz a satisfação do próprio ego e cuja esperança se esvai à primeira brisa, incapaz de resistir às menores provações. Eu preciso advertir você que uma fé assim, morna, é repulsiva (Ap 3:16) é menos do que nada, é mera palha que não resistirá às chamas do dia do juízo (I Co 3:12-13) e trará o certo, justo e decepcionante veredicto do Senhor: “Nunca vos conheci” (Mt 7:23).
E se você acha que, numa última e desesperada tentativa, buscar argumentar que fez coisas Ele ainda uma vez dirá: “Nem todo o que me diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus” (Mt 7:21).
Pode ser que esta seja, para você, uma mensagem de Deus como foi a que foi enviada para o rei Ezequias: “É hora de por em ordem a sua casa” (II Rs 20:1). Ezequias, humilhando-se sob a mão de Deus suplicou que o Senhor derramasse sobre ele a sua graça e foi curado.
E então, vamos seguir ao Senhor em fé operosa, amor abnegado e firme esperança?

A VERDADEIRA IGREJA POSSUI UMA FIRME ESPERANÇA NO SENHOR JESUS


UMA IGREJA MARCANTE POR SUA FIRME ESPERANÇA 
  Uma característica de nosso tempo, lamentavelmente muito mais presente que o desejável e suportável até mesmo naquela que proclama de si mesma ser a Igreja do Senhor é aquilo que convencionou chamar-se de “politicamente correto” ou, em outras palavras, uma mensagem e uma atitude para cada circunstância, e isto onde ninguém está sob ameaça de perder a vida como a Igreja dos tessalonicenses poderia estar enfrentando.
Tenho dito que, sempre que um cristão se vê na obrigação (e cede) de ser politicamente correto ele se torna biblicamente herético. Posso exemplificar citando o fato de que muitos dizem ter aderido a uma seita ou até mesmo alguma prática religiosa frontalmente ofensiva a Deus mas apresenta algumas mudanças morais ou pragmáticas em sua vida, à semelhança dos desafiadores incrédulos citados por Tiago (Tg 2:18) e o cristão não ousa lhe lembrar dos perigos espirituais que semelhante crença pode lhe causar, como, por exemplo, a danação eterna por confiar que obras caridosas podem produzir melhoramento espiritual ou alguma forma de redenção. Cristãos verdadeiros não podem deixar de anunciar a verdade, independente do risco e do preço (At 4:20).
Vamos lembrar as circunstâncias do nascimento da Igreja em Tessalônica. Paulo, Silvano e Timóteo já haviam sido perseguidos e acusados de serem perturbadores da ordem em Éfeso (At 16:20).
Em Tessalônica as coisas não foram diferentes e Jasom e alguns irmãos acabaram sendo presos e maltratados (At 17:6).
As tribulações não haviam cessado (1Ts 1:6), mas a sua esperança em Cristo não esmoreceu porque eles sabiam em quem tinham crido (II Tm 1:12) e nada, nem na vida nem a morte poderia afastá-los do amor de Deus em seu Senhor Jesus Cristo (Rm 8:38-39).
O que os nossos irmãos do passado nos ensinam é que alguém pode até preservar a vida sendo politicamente correto, mas sem dúvida será duramente repreendido por não ser biblicamente obediente (Mt 10:28).
Os tessalonicenses se mantiveram firmes porque estavam arraigados e alicerçados no seu Senhor e Salvador Jesus Cristo, como escreve o apóstolo Paulo aos Colossenses (Cl 1:23). Precisamos lembrar sempre que a Igreja não foi criada para ser meramente um lugar de eventos sociais e muito menos o lugar de encontros de amigos (embora estas coisas sejam desejáveis). A igreja foi estabelecida para ser coluna e baluarte da verdade (1Tm 3.15).
Nesta Igreja que tenta desesperadamente ser politicamente correta que encontramos no séc. XXI quantos cristãos confessariam publicamente a sua fé no Senhor Jesus, negando-se a prestar culto ao imperador e com isso sendo condenados à morte? Quantos abririam mão de todos as suas posses e cargos para dizer que só Jesus Cristo é Senhor, e ninguém mais, em lugar algum, por mais poderoso que seja, pode arrogar para si mesmo o senhorio sobre a vida de um crente?
Quantos manteriam firme a sua confissão de fé diante de espadas, lanças, ursos, touros e leões furiosos e hábeis seteiros? Quantos entrariam na galeria dos heróis da fé de Hb 11 mesmo diante da ameaça de serem perseguidos, apedrejados e serrados ao meio (Hb 11:37)?
Quantos manteriam firme a sua confissão sendo pregados em uma cruz de cabeça para baixo ou amarrado em uma estaca para ser queimado até a morte como sofreram por sua confissão de fé milhares de cristãos (Hb 10:23) cujos nomes só não são anônimos porque estão escritos onde realmente interessa, no livro da vida do Cordeiro (Fl 4:3).
É possível que os tessalonicenses não fossem tão bons em teologia quanto muitos teólogos modernos – acredito até que não eram mesmo. Precisavam aprender sobre eclesiologia, escatologia... provavelmente se fossem perguntados sobre as duas naturezas de Cristo ou a economia ontológica da trindade fizessem aquela cara de “heinnn!??”. Mas com certeza eram mais crentes que os crentes de Facebook ou WhatsApp do século atual.
Eles não tinham nem mesmo as Escrituras completas, não conheciam todas as cartas, até porque as cartas de João e do Senhor em Apocalipse não haviam sido escritas, mas eram eles mesmos as cartas vivas (2Co 3.2-3).
Mas há algo em que eles podem nos dar uma boa aula, a nós, crentes evoluídos do séc. XXI: eles guardavam firmes a confissão da sua fé no Senhor Jesus. E faziam isto em meio à mais cruel perseguição. Eram perseguidos pelos judeus, eram perseguidos pelos gentios mas guardavam firmemente a confissão de sua fé no Senhor Jesus. Ele era para eles e deve ser, também, para nós, a base da fé, a rocha dos séculos, a pedra sobre a qual estavam edificados em sua fé é e por isso eles não se deixavam abalar (Ef 3:17-19).
O que eles tinham de diferente? Eram mais fortes? Eram mais valentes? Eram mais valorosos? O que havia neles que lhes dava essa firmeza a ponto de entrarem em uma seleta lista?
A galeria dos heróis da fé nos ensina que é tolice pensar que os antigos crentes eram diferentes de nós. Tiago lembra que Elias era homem semelhante a nós (Tg 5:17).
Abraão, o pai da fé duvidou da capacidade de Deus preservá-lo e mentiu a respeito de Sarai ser sua irmã (Gn 12:13). O filho da promessa, Isaque, incorreu no mesmo erro (Gn 26:7) e seu filho, Israel, era um embusteiro profissional a ponto de enganar o próprio pai usando para isso o nome do Senhor (Gn 27:18). A lista é enorme. Mas estes já servem para mostrar que os heróis da fé eram homens semelhantes a nós. Mas, o que fez deles heróis da fé?
Paulo nos dá uma resposta clara, objetiva e absurdamente simples: eles criam em Deus, sabiam que o seu Senhor é castelo forte, socorro bem presente em toda e qualquer tribulação (Sl 46:1) e, mesmo que o Senhor não intervisse em uma situação particular, como fez no caso de Elias (1Rs 18.24, 37-39), o Senhor ainda continuaria sendo Senhor e os crentes ainda continuariam sendo fiéis, como vemos na firme confissão de Hananias, Misael e Azarias, mais conhecidos como Sadraque, Mesaque e Abede-Nego (Dn 3.17-18).
O que fazia da Igreja dos tessalonicenses uma Igreja a ser lembrada por sua firmeza na fé era o fato de que ali não havia amigos do evangelho, não havia simpatizantes da Igreja A, B ou C, não havia filhos de crentes, não havia pais de crentes, mas, à semelhança do que o apóstolo João diz em sua carta, ali havia crentes, havia pais crentes, havia jovens crentes e fortes, havia mulheres piedosas e crentes – sua fé estava firmada em Cristo e nenhuma tempestade ou sutileza do mundo seria capaz de mudar isso (I Jo 2:14).
Nada, nenhum poder deste mundo seria capaz de mudar isto, nada que já havia existido ou que viesse a existir mudaria isso porque eles simplesmente eram a Igreja dos eleitos de Deus, predestinados desde antes da fundação do mundo para crerem e serem fiéis ao seu Senhor e salvador.
O que pode fazer de sua igreja uma igreja a ser lembrada por todos quantos a conhecerem, por todos quantos passarem por ela é a existência de crentes que possuem uma fé real e que se se expressa na vida prática através de obras realmente piedosas (Ef 2:10) e que não se limita a discursos teológicos e postagens em redes sociais.
O que pode fazer de sua igreja uma igreja inesquecível por todos que forem abençoados por ela é a existência de um amor abnegado, buscando sempre o bem do outro e não o seu próprio (Fp 2.4).
O que vai fazer de sua igreja uma igreja inesquecível e marcante é a firmeza na fé daqueles que confessaram a Jesus Cristo como Senhor e que se mantém firmes nesta confissão por meio da assistência do Espírito Santo. Sempre haverá falsos crentes, mas Deus também manterá o testemunho de si mesmo através de homens e mulheres de fé (At 15:24-26).
O que vai fazer sua igreja ser inesquecível é você ter uma fé operosa, que se expressa através de um amor abnegado e que enfrenta qualquer obstáculo em nome do Senhor Jesus.



quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

COMO NÃO PERDER A FÉ QUANDO OS ÍMPIOS PROSPERAM


10  Assim também vi os perversos receberem sepultura e entrarem no repouso, ao passo que os que frequentavam o lugar santo foram esquecidos na cidade onde fizeram o bem; também isto é vaidade.
11  Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal.
12  Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, e os dias se lhe prolonguem, eu sei com certeza que bem sucede aos que temem a Deus.
13  Mas o perverso não irá bem, nem prolongará os seus dias; será como a sombra, visto que não teme diante de Deus.
Ec 8.10-13
COMO NÃO PERDER A FÉ
ENQUANTO OS ÍMPIOS PROSPERAM 
Eu não tenho a menor dúvida de que os ímpios efetivamente prosperam. Em todos os lugares que olhamos, em todas as esferas, aparentemente vemos os ímpios exibindo orgulhosa e triunfantemente a sua impiedade, no que a bíblia chama de excesso de devassidão (1Pe 4:4-5).
A política brasileira é dominada por, em sua grande maioria, homens e mulheres que respondem a dezenas de processos na justiça, inclusive criminais. A economia conta com empreiteiros e empresários que se caracterizam por fazer o menor esforço possível, com o mínimo necessário de justiça, para construir fortunas ainda que destituídas de qualquer honra.
Mesmo se a procura for em lugares onde se espera encontrar maior comprometimento com a bondade, com a verdade, com o amor mútuo a decepção é mais comum do que o suportável.
Os ímpios prosperam. E prosperam em todos os ambientes. Um olhar de relance para a Igreja, em sua longa história, mostra que nem mesmo os muros santos deixaram de ser assaltados pela impiedade e maldade. A Igreja teve os seus Simões e Bórgias. Conspurcou-se e chafurdou na lama do mundanismo e do pecado. Conspirações colocavam e tiravam dirigentes dos governos eclesiásticos, não fugindo ao que já é descrito nas páginas das Escrituras (Gl 5:15).
Servos fiéis são tratados como gado e religiosos ímpios, desonestos, dissimulados e avarentos fazem comércio com a vida e piedade dos crentes (2Pe 2:3) sob uma enganosa capa de piedade.
Frustração, desconforto e até mesmo uma quase admiração, como é refletido no dito popular nada sábio “Se não pode vencê-los, junte-se a eles”. Talvez seja este o sentimento que assola o coração de muitos crentes fiéis, como aconteceu com o salmista ao observar a felicidade com que vivem os perversos (Sl 73:2-3). E com isto muitos vão paulatinamente se afastando da Igreja, o que em nada resolve o problema porque crente foi feito em Cristo Jesus para viver a sua vida espiritual na Igreja.
Sim, os ímpios e muitas vezes desqualificados continuarão a prosperar. Continuarão a praticar as suas impiedades e oprimir os santos de Deus. Lamentavelmente haverá opressão, cinismo e outros males até mesmo nos santos arraiais, usando o nome de Deus de maneira acintosamente desrespeitosa e arrogante, e, o que é mais frustrante, por muito tempo ainda, até que chegue o dia da ceifa (Mt 13:30) e os que assim agem recebam o seu devido galardão. O joio continuará a prosperar em meio ao trigal do Senhor. Ao crente cabe continuar clamando em angústia e perturbação de alma: Até quando, Senhor! Até quando!!!? (Sl 6:3).
O que a Palavra de Deus tem a dizer a crentes sinceros que observam este estado de coisas, fora e dentro da Igreja, e estão sendo tomados de desânimo e outros sentimentos como frustração e desalento? Tenho firme convicção que a Palavra de Deus tem resposta para esta e outras indagações. Com base nesta convicção, apresento esta singela mensagem, com o objetivo de ajudar os crentes a não perderem a fé no soberano governo de Deus mesmo quando os ímpios, efetivamente, prosperam e se dão (muito) bem, enquanto os crentes lutam diariamente para atender à injunção do profeta Malaquias:
Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus [Mq 6.8].
Mas como fazer isso? Como andar confiantemente diante de Deus vendo os ímpios prosperarem. A resposta do sábio está registrada em Ec 8.12:
12 Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, e os dias se lhe prolonguem, eu sei com certeza que bem sucede aos que temem a Deus.
As orientações para que o crente não abandone a sua fé ao observar a prosperidade dos ímpios serão abordadas em três etapas:
i. O pecador fará o mal uma centena de vezes (o sentido, óbvio, é de continuidade, não de um número limitado de maldades, assim como as setenta vezes sete da maldição de Lameque (Gn 4:24 - Sete vezes se tomará vingança de Caim, de Lameque, porém, setenta vezes sete) ou da resposta de Jesus a Pedro (Mt 18:22);
ii. Os dias dos pecadores se prolongarão, e muitos deles prosperarão todos os dias de sua vida, e eles viverão dias tranquilos se dando bem em seus empreendimentos e artimanhas;
iii. Os crentes devem deixar o seu olhar de desalento com um misto de inveja e cobiça para esta prosperidade e lembrarem-se que lhes cabe temer ao Senhor.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

O VERDADEIRO AMOR CRISTÃO É ABNEGADO

1Ts 1:2 Damos, sempre, graças a Deus por todos vós, mencionando-vos em nossas orações e, sem cessar, 3 recordando-nos, diante do nosso Deus e Pai, da operosidade da vossa fé, da abnegação do vosso amor e da firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo [1Ts 1.2-3].
... --- ::: X ::: --- ...
O apóstolo Paulo destaca uma segunda característica que não apenas ele mas todo o mundo conhecia da Igreja tessalonicense: além de uma fé operosa ela também exercitava o amor de forma abnegada.
O conceito bíblico de amar é  diferente do que comumente encontramos fora da igreja, em qualquer época. O conceito extra bíblico é absolutamente deturpado, e até mesmo a igreja se equivoca, considerando amor coisas como lascívia, contemporização, beijos e abraços [vale lembrar que foi com um beijo que Judas entregou o Senhor Jesus aos seus inimigos] e para esta forma de amor a bíblia traz uma advertência severa, dizendo simplesmente: “Ai deles!” [Is 5.20].
A igreja em Salônica tinha boa teologia com algumas dúvidas a respeito da pessoa de Cristo, o que não é de estranhar numa igreja nascente recebendo uma mensagem ainda em processo de consolidação. Também era uma igreja que possuía pessoas habilitadas para pregar, governar, evangelizar - e isto sempre fez parte do propósito de Deus para sua Igreja [Ef 4.11-12].
Mas o que a fazia ser uma igreja notável era a maneira como ela exercitava o amor. Ela amava de maneira abnegada, seguindo dois exemplos muito próximos para ela.

O EXEMPLO DE PAULO
O primeiro exemplo era o do próprio apóstolo Paulo, que considerara a evangelização do mundo gentio como a tarefa essencial de sua vida, com a responsabilidade de cuidar das igrejas que ele plantara [2Co 11.28]. Ele afirma que esta era uma obrigação que pesava sobre ele [1Co 9.16].
Paulo amava ao Senhor e a igreja do Senhor a ponto de, embora desejoso de partir para encontrar-se com Cristo na glória (conhecemos sua história de perseguições e maus tratos) ele ainda considerava com grande carinho permanecer “na carne” para edificação da Igreja.
Coisas extremamente valiosas, tanto no mundo judaico quanto gentílico, foram consideradas por Paulo como de menor valor e até como refugo, isto é, coisas que deveriam ser jogadas para o lado como sem utilidade (Fp 3.4-7) e até como embaraço (Hb 12.1): nacionalidade judaica, família, cultura, religiosidade e, principalmente, nacionalidade romana.
Paulo desejava de tal maneira agradar a Cristo que considerava até mesmo sua vontade como secundária (2Tm 2.4) desejoso que, ao conhecerem, todos conhecessem a Cristo por meio dele (Gl 2.20) mesmo enquanto sofria cadeias e perseguições (Ef 6.20; Fp 1.7) e por isso instava com as igrejas que o imitassem naquilo que ele tinha mostrado como imitador de Cristo (Fp 3.17).

O EXEMPLO DE CRISTO
O exemplo mais perfeito de amorosa negação de si mesmo é encontrado naquele que Paulo imitava: o Senhor Jesus. Paulo diz aos crentes que eles deveriam ter o mesmo sentimento que houve em Cristo (Fp 2.5): um sentimento que levou o criador dos céus e da terra a assumir nossa natureza e limitações, a ser servo de pecadores quando podia ser servido por anjos.
É o sentimento que levou Jesus a sofrer maus tratos e até experimentar a morte em lugar de quem merecia morrer, deixando o trono celeste para ser encravado numa cruz infamante. O nome deste sentimento é amor abnegado, verdadeiro e inigualável. Negação de si mesmo sem buscar recompensa, anulação da própria vontade por amor àqueles que lhe foram dados pelo Pai celeste (Jo 10.29), comprando-os com seu precioso sangue (Ap 20.28).
É este tipo de sentimento que foi exigido pelo Senhor para todos os seus seguidores (Mc 8.34) e que era encontrado na igreja dos tessalonicenses e que fazia dela uma igreja digna de ser lembrada: seus membros buscavam o bem uns dos outros e, mesmo correndo riscos, o bem dos pecadores que se declaravam seus inimigos e inimigos de Cristo (Jo 15.20).

UMA NECESSIDADE PARADOXAL
É lamentável e paradoxal que de tempos em tempos a igreja, que é composta daqueles que foram alcançados por amor e capacitados a amar por um derramamento de amor do próprio Deus que ela precisa ser uma comunidade adoradora em sua relação vertical e amorosa em sua relação horizontal. É lamentável ter que lembrar que algo tão basilar precise ser lembrado, o que é uma evidência de que os sintomas da falta de amor estão presentes e se manifestando com efeitos danosos, a ponto de ser muito difícil ver o mundo dizer que a principal característica da igreja é o amor mútuo (Jo 13.35). Para alcançar pecadores aquela igreja estava disposta a morrer para glória de Cristo, o que era, e continua sendo, incomparavelmente melhor do que viver ser  considerado fiel pelo Senhor (Ap 2.10).

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

QUANDO O PASTOR FICA MUITO PREOCUPADO COM A IGREJA


(ESTE TEXTO É MAIS QUE UM TEXTO PARA BOLETIM, LEIA-O MEDITANDO NOS TEXTOS BÍBLICOS CITADOS)

Semana passada estava estudando um pouco mais profundamente o texto base da lição que encerraria a nossa revista “A Identidade do Cristão” e, quanto mais vezes eu lia os primeiros versos do texto (1Jo 5.1-4) não consegui deixar de pensar: “É isso. É por isso que a Igreja do Senhor encontra tantas dificuldades hoje em dia”.
E comecei a fazer uma análise textual inversa, isto é, de traz pra frente, dos resultados apontados para as causas. E este texto declara enfaticamente que a nossa fé é a razão de vencermos o mundo. Mas... Pensei eu, já começando a ficar preocupado, porque a Igreja não tem vencido o mundo? Porque a Igreja tem sido tantas vezes e tão duramente ferida pelo mundo? Continuei perguntando, de que tipo de fé João está falando mesmo?
João está falando da fé obediente, da fé que obedece aos mandamentos do Senhor Jesus Cristo (Jo 14.15). Fé pode ser explicada como uma atitude de confiança em alguém, uma confiança tão forte que leva o crente a fazer o que lhe é mandado tendo como única evidência a autoridade de quem manda e não podemos esquecer que Jesus já deu evidências insofismáveis de sua autoridade absoluta. Assim, a fé que vence o mundo é uma fé obediente - o que não tem nada a ver com quanta fé alguém tem.
Vamos olhar mais um pouco para o texto. A fé que vence o mundo é a fé obediente, é a fé que obedece aos mandamentos do Senhor - e isto não se refere a práticas litúrgicas e João tampouco está tratando, nesta seção, de ortodoxia religiosa, ele já fez isso anteriormente nesta mesma carta.
Que tipo de obediência não penosa é esta? Segundo João é a obediência ao mandamento do amor mútuo (Jo 13.34). Aquele que não quer ser um fracassado em sua vida espiritual, que não quer ser vencido pelo mundo tem que considerar o que a Palavra de Deus ensina: ninguém será um vencedor sobre o mundo sem vencer a inclinação pecaminosa carnal para o ódio (1Jo 2.9-11), que é natural e comum em quem não conhece a Deus, porque Deus é amor (1Jo 4.8). É muito mais que absurdo considerar penoso o mandamento ensina o cristão a amar o seu próprio irmão. Isso não deveria sequer necessitar de uma ordem, deveria ser natural ao que conhece o Deus que é amor como é natural odiar para o que serve o diabo, que é assassino desde o princípio. João declara que o teste do amor não é para ser feito por terceiros em relação aos irmãos, mas para que cada cristão olhe para si mesmo e, conhecendo o seu coração, conhecendo suas atitudes, pergunte a si mesmo: eu realmente amo a Deus? Uma palavra chave neste texto de João (junto com amor) é conhecimento, não meramente intelectual, mas mais profundo, existencial. João diz que nós conhecemos se amamos ou não os filhos de Deus.
O ensino de João é que só é vencedor, só pode ser vencedor quem não considera penoso obedecer aos mandamentos do Senhor Jesus, quem não considera penoso amar os próprios irmãos porque reconhece neles aqueles que nasceram do mesmo Pai, possuem o mesmo Deus e salvador, Jesus Cristo, e são selados pelo mesmo Espírito.
Para concluir esta rápida análise do texto joanino, chegamos então ao primeiro verso - para você ser vencedor você precisa crer que Jesus é o messias, o Cristo de Deus, e, por ter recebido a salvação por meio de Jesus Cristo ama ao seu Pai e ama também àqueles que, da mesma maneira, nasceram de novo por crerem nele.
E, voltando ao início do texto, porque a preocupação pastoral com este assunto? Porque não há dúvidas de que o amor não tem sido a ação mais praticada pelos cristãos. Não preciso apontar exemplos, mas convocar você a considerar se realmente tem alguma chance de ser um vencedor, aliás, mais que vencedor por meio daquele que nos amou.
Quero convidar você a, silenciosa, discretamente e mentalmente, “olhasse” para os seus irmãos, e se perguntasse: se dependesse de quanto eu amo a este irmão nós dois chegarmos juntos à Nova Jerusalém, quanto da jornada eu andaria? Eu seria considerado qualificado ou seria prontamente desqualificado por não conseguir e não querer amar a este meu irmão?

domingo, 22 de abril de 2018

NÃO CALCULAR O CUSTO FAZ GENTE FRUSTRADA COM O QUE PERDERAM DO MUNDO


Tornar-se cristão e discípulo de Jesus significa, é claro, experimentar o amor do Pai (1Jo 4:19), mas, para experimentar o amor do pai, outro amor tem que se ausentar definitivamente, o amor do mundo (1Jo 2:15). Os dois não podem coexistir em um mesmo coração, pois não pode haver comunhão entre luz e trevas (2Co 6:14), e o homem tem que tomar uma atitude e uma decisão definitiva em sua vida: a quem vai servir (Js 24:15).
O apóstolo Paulo fala sobre a expectativa da ressurreição, mas o que ele diz serve de alerta para aqueles que, não tendo nascido de novo, adentram na Igreja e sentem-se frustrados, obrigados a obedecerem a “leis da Igreja” e a deixarem de fazer coisas porque a Igreja proíbe (explicita ou implicitamente): são os mais infelizes de todos os homens, porque deixam de gozar dos prazeres terrenos e não gozarão da bem aventurança celeste (1Co 15:19). Na sua infelicidade alguns se voltam para o mundo buscando um pouco de compensação, proclamando com seu modo de viver que é melhor comer, beber porque a morte é certa (Is 22:13), esquecendo-se, porém, que a morte não é o fim, e que, para os que retrocedem, o destino é a perdição (Hb 10:39). Lamentavelmente partem numa busca desenfreada e infrutífera do mundo inteiro, jamais conseguirão seu intento e, mesmo que consigam muito, no fim estão causando dando à sua própria alma (Mt 16:26).
O que começa com um lamentável engano (e os enganadores terão que responder pelo mal que praticaram) termina com vergonha e opróbrio, aqueles que não nasceram de novo, não creram para se tornarem ovelhas de Cristo (Jo 10:26) e por isso jamais conseguiram ouvir a voz do bom pastor (Jo 10:27) embora tenham seguido aos uivos ululantes dos lobos devoradores do rebanho (At 20:29), como cães voltam a comer o próprio  vômito e porcas lavadas, retornam avidamente ao lamaçal (2Pe 2:22) seu estado e miseravelmente pior que o primeiro (2Pe 2:20).
O que começa com uma noção tristemente equivocada do evangelho, passa por um arremedo de cristianismo e produz frustração profunda, escondida, muitas vezes, sob uma falsa alegria mantida por experiências passageiras e insatisfatórias, muitas delas fabricadas por técnicas de sugestão psicológica – ou o compromisso exigido por Cristo é substituído por um rodízio de instituições como usuários de drogas que passam de uma para outra em busca de um novo barato, ou frequentadores de restaurante que se cansam do cardápio e passam a frequentar outros lugares ou ainda a pura e simples busca da bênção, não importando onde ela possa ser encontrada – cada dia em uma Igreja diferente, uma mensagem diferente, mas uma mesma busca por satisfazer anseios carnais. O problema é que nesta busca por algo satisfatório acabam se tornando presa fácil de quem está disposto a oferecer qualquer coisa para conseguir seguidores. A fé cristã é mais que uma “decisão por Cristo” causada por um bom sermão ou um evento profundamente emotivo que produz, por alguns momentos, alguma forma de sentimento de alegria e paz até que o peso da cruz começa a pesar-lhes nos ombros (Lc 14:27) e percebe que seguir a Cristo não é tão fácil e como alguns pregadores ensinam na busca de seguidores para si mesmos, seguidores que estão dispostos a pagar qualquer coisa para suprirem as suas necessidades, numa espécie de barganha, ou numa tentativa de barganha com Deus com um único (e insuperável) problema – Deus não se deixa comprar.
Ninguém está livre de se equivocar, não temos todas as informações – somente Deus é onisciente e perfeitamente justo. Pessoas honestas e sinceras se equivocam. Mas pessoas honestas e sinceras voltam atrás em busca da verdade. Muitos que vivem no ambiente da Igreja, inclusive filhos de pais verdadeiramente crentes, podem dar um testemunho muito pobre do que é a fé cristã porque realmente não nasceram de novo, apesar de terem grande conhecimento de fórmulas doutrinárias e estruturas eclesiásticas, de terem assistido muitas pregações, lições e participado de muitos eventos, ocupado cargos em quase todas as instâncias da Igreja sem, entretanto, pensar seriamente no que tem aprendido (2Tm 3:5-7) até que, finalmente, sua insensatez se manifeste e escolham os caminhos que os conduzem para longe de Deus (2Tm 3:8-9).
Lamentavelmente estes são os mais difíceis de serem recuperados porque estão de tal modo acostumados com a vida da Igreja que não percebem que vida cristã é mais do que isto (Hb 6.4-6) e nunca chegaram a comprometer-se como o Senhor requer, com os sacrifícios e as consequências que uma profissão de fé séria em Cristo exige. Lamentavelmente é provável que muitos deles jamais tenham sequer ouvido falar que devem calcular o custo de seguir a Cristo e as suas implicações.
É preciso, entretanto, um último aviso: não sejamos apressados em nos julgarmos melhores do que eles, porque, afinal, somos o que somos pela graça de Deus e, estando de pé, devemos ser sempre zelosos para não tropeçar (1Co 10:12).

sábado, 10 de março de 2018

O QUE É A IGREJA, II


Boletim dominical da Igreja Presbiteriana em Paragominas, 25 de fevereiro de 2018.
Aprendemos em Atos 2.42-47 que a Igreja primitiva tinha uma característica muito importante: ela era uma cultuadora. Mas isto não é tudo. Ela tinha mais algumas características importantes que fizeram dela o que ela foi: uma Igreja que impactou o seu mundo e cujo exemplo e poder impacta o mundo ainda hoje.
Este impacto ocorrido no primeiro século se prolongou séculos afora porque aquela Igreja era uma Igreja ensinadora. Como Igreja eles aprendiam a Palavra de Deus quando ouviam atentamente a palavra dos apóstolos e nela perseveravam.
Mesmo quando a atenção da Igreja foi chamada para outras emergências (e eram emergências que não podiam ser, sob nenhuma hipótese, desprezadas) o foco foi mantido, a ponto de os apóstolos afirmarem que eles próprios deviam se dedicar à oração, meditação e ensino da Palavra de Deus, enquanto outros,  necessariamente cheios do Espírito Santo, cuidariam da assistência social e outros aspectos. Este é um dado importante - se a Igreja de Cristo quer saber como deve ser para ser mesmo a Igreja de Cristo ela não pode descuidar, mantendo-se fundamentada na doutrina dos apóstolos e dos profetas. Os apóstolos nos ensinam sobre prioridades.
Mas, se continuarmos buscando conhecer melhor esta Igreja não será nada difícil percebemos que este ensino, além de formal, era também relacional. Para a edificação da Igreja é suficiente oferecer teoria, teologia, ´por melhor que ela seja. A Igreja aprendia com a vida comunitária, os membros aprendiam uns com os outros. Isto pode ser afirmado se olharmos para Barnabé, o cipriota filho da exortação. Tendo feito um negócio imobiliário entregou o dinheiro para a administração da Igreja e isto foi notado pelos demais membros da comunidade. Certamente outros se sentiram motivados por seu exemplo, e sabemos que na Igreja não havia necessitados. Barnabé nos ensina sobre liberalidade.
Continuando conhecendo esta Igreja logo percebemos que também aprendemos com os erros que podem ferir a Igreja. Mesmo numa Igreja tão cheia de vida, tão cheia do Espírito, os problemas caudados pelo enganoso coração humano não deixam de mostrar sua face negra. Enquanto Barnabé era visto como membro exemplar da comunidade, um casal desejou o mesmo tipo de reconhecimento. Resolveu imitar a Barnabé em quase tudo, menos no essencial: a correta disposição de coração para a prática da verdade, fosse qual fosse o custo. O resultado não foi nada bom, e com Ananias e Safira aprendemos sobre os benefícios da integridade.
Por fim, ainda acompanhando os primeiros dias da Igreja, encontramos pessoas cujos nomes desconhecemos, mas que estavam prontas para servirem à Igreja, para arrumarem as coisas quando algo desse errado. Eles tiveram a disposição para enterrarem Ananias e, algum tempo depois, Safira. Não sabemos seus nomes, talvez entre eles estivessem alguns dos que foram escolhidos para o diaconato. Não era um trabalho fácil, nem agradável, mas era necessário. Na Igreja Deus sempre coloca muitas pessoas assim, que servem à Igreja anonimamente por anos a fio. Com estas pessoas anônimas aprendemos sobre uma benção cada vez mais rara na Igreja, mas, graças ao bom Deus, ainda presente: disponibilidade.
Posso continuar mais um pouco e observar que a Igreja primitiva não deixava de louvar a Deus com hinos e com cânticos espirituais - e com salmos (sim, sei que há um debate se estas três palavras não se referem à mesma coisa, entretanto, aparentemente Rm 11, por exemplo, é um cântico cristão e a opinião mais aceita é que Paulo está falando de coisas diferentes mas com o mesmo objetivo: o louvor do Senhor). A Igreja cantava os salmos, o hinário de Israel. Mas a Igreja também tinha seus hinos, dos quais talvez tenhamos pequenas menções nas cartas paulinas. E os alegres cristãos também compunham seus cânticos para adorarem ao Senhor Jesus. Enquanto a Igreja louvava a Deus o Senhor ia acrescentando dia a dia os que iam sendo salvos. Com isto podemos aprender sobre criatividade.
Vamos concluir? No meio de tudo isto a Igreja achava tempo para cumprir o propósito fundamental da sua existência, isto é, glorificar a Deus. E enquanto glorificava a Deus Ele aumentava o número dos adoradores, estabelecendo um círculo virtuoso com mais culto, com mais adoração, com mais ensino formal e relacional.
Apesar de estarmos separados da Igreja Primitiva por tantos séculos, devemos lembrar que somos a mesma Igreja, com o mesmo Deus, o mesmo Espírito, o mesmo batismo e a mesma fé. Que nós sejamos motivados pelo Espírito de Deus para sermos uma Igreja assim, a Igreja que o Senhor quer que a sua Igreja seja.

O QUE É A IGREJA


Boletim Dominical da Igreja Presbiteriana em Paragominas, 18 de fevereiro de 2018.
Não é incomum a identificação de uma Igreja por causa de sua estrutura organizacional ou física. Mas a Igreja é mais do que isso. A Igreja é um corpo espiritual, o corpo de Cristo, que ele mesmo estabeleceu para cumprir alguns propósitos,
Vamos pensar, à luz das Escrituras, o que é a Igreja. O livro de Atos dos Apóstolos descreve o estabelecimento da Igreja como uma comunidade que sabia exatamente o que fazer para glorificar a Deus. E, melhor do que isso, ela não apenas sabia, mas fez o que devia fazer para glorificar ao seu Senhor, mesmo em meio a todo tipo de dificuldade, interna e externa.
Pegue a sua bíblia e leia Atos 2.42-47. Você vai perceber uma característica desta Igreja que impacta todo o seu modo de ser. Ela era uma comunidade cultuadora.
É impossível ser Igreja sem estar envolvido ativamente no culto. É impossível ser membro do corpo de Cristo, ser um verdadeiro membro da igreja que Cristo chama de “minha Igreja” sem uma vida de culto.
Vamos brincar de “o que é o que é”? O que é um lugar para reunião, para atividades estimulantes e capaz de oferecer excelente instrução? O que é um lugar onde as pessoas vão para se sentir bem e aprender sobre o que fazer para ajudar o próximo?
Bom, você pode encontrar instituições capazes de fazer isso sem, entretanto, terem a menor pretensão de ser igrejas de Cristo. Aliás, muitas até se declaram abertamente anticristãs.
Encontramos igrejas que tentam oferecer todo tipo de entretenimento e atividades, todo tipo de atendimento e orientação mas falham como aquilo que devem ser: uma comunidade de adoradores, de cultuadores. É pertinente a observação de Charles R. Swindoll que
“...em mais de três anos de ministério na terra, Jesus jamais disse aos discípulos que anotassem alguma coisa. Nem uma vez. Sua instrução não era um exercício acadêmico. Aqueles que se sentavam aos seus pés, entretanto, geralmente adoravam”.
Aos pés de Jesus aprendemos a cultuar - e Jesus nos ensina que o verdadeiro culto não pode estar dissociado do princípio da vontade de Deus de que o amor e a misericórdia devem caracterizar o agir da sua Igreja.
Igreja, para ser Igreja, precisa de adoração, de cânticos de louvor, de sons de adoradores adorando. É preciso, para ser Igreja, haver corações enternecidos pelo amor de Deus, amando uns aos outros compassivamente como Deus nos amou, e, mais ainda, porque Deus nos amou primeiro.
Na Igreja, além de haver aprendizado sobre o amor de Deus há também a prática deste amor, longânimo e compassivo, compreendendo que diante de nós, ao nosso lado, estão homens e mulheres que lidam diariamente com a tentação, com provações e com o pecado, lutando com maior ou menor sucesso.
Mas não podemos nos esquecer que o espelho também reflete um homem ou uma mulher que, da mesma forma, lida com tentações, provações e com o pecado. É por isso que o amor na Igreja deve ser exercitado misericordiosamente, como aprendemos com o Senhor Jesus quando ele lidou com o problema da mulher adúltera.
É preciso, para ser Igreja, haver corações adoradores independente das circunstâncias. Paulo e Silas em certo momento, foram encarcerados e chicoteados, colocados numa situação que não lhes oferecia boa perspectivas. Observe que eles não tinham tido o melhor dos dias. Nem a melhor das companhias. Nem o melhor dos tratamentos. Muito menos o mais aconchegante dos lugares disponíveis na cidade.
Mas eles tinham algo que a Igreja do Senhor Jesus tem: um coração adorador, um coração cultuador - e adoraram a Deus ali, no calabouço. Oravam e louvavam a Deus na prisão e, no fim desta breve ilustração, Deus foi grandemente louvado.
Meu chamado para você, que é Igreja, que faz parte da Igreja de Cristo, que ama sinceramente ao Senhor Jesus Cristo, que não se deixe impressionar por quaisquer aspectos externos, ou temporais, ou estruturais, ou culturais. Que se lembre apenas do proposito de sua existência como indivíduo e como Igreja do Senhor, lado a lado com outros, como num exército onde todos os soldados possuem feridas e cicatrizes, onde todos possuem deveres de cuidar uns dos outros, ajudando-se mutuamente em suas fraquezas, para que, ao levarmos as cargas uns dos outros, cumpramos a lei de Cristo.
Levemos as marcas de Cristo, cuidando um dos outros com amor. Cuidemos dos que nos chegam, enviados pelo Senhor para que cuidemos uns dos outros. Isto é ser Igreja - uma Igreja que adora a Deus enquanto demonstra o seu amor.

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