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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

A VERDADEIRA IGREJA POSSUI UMA FIRME ESPERANÇA NO SENHOR JESUS


UMA IGREJA MARCANTE POR SUA FIRME ESPERANÇA 
  Uma característica de nosso tempo, lamentavelmente muito mais presente que o desejável e suportável até mesmo naquela que proclama de si mesma ser a Igreja do Senhor é aquilo que convencionou chamar-se de “politicamente correto” ou, em outras palavras, uma mensagem e uma atitude para cada circunstância, e isto onde ninguém está sob ameaça de perder a vida como a Igreja dos tessalonicenses poderia estar enfrentando.
Tenho dito que, sempre que um cristão se vê na obrigação (e cede) de ser politicamente correto ele se torna biblicamente herético. Posso exemplificar citando o fato de que muitos dizem ter aderido a uma seita ou até mesmo alguma prática religiosa frontalmente ofensiva a Deus mas apresenta algumas mudanças morais ou pragmáticas em sua vida, à semelhança dos desafiadores incrédulos citados por Tiago (Tg 2:18) e o cristão não ousa lhe lembrar dos perigos espirituais que semelhante crença pode lhe causar, como, por exemplo, a danação eterna por confiar que obras caridosas podem produzir melhoramento espiritual ou alguma forma de redenção. Cristãos verdadeiros não podem deixar de anunciar a verdade, independente do risco e do preço (At 4:20).
Vamos lembrar as circunstâncias do nascimento da Igreja em Tessalônica. Paulo, Silvano e Timóteo já haviam sido perseguidos e acusados de serem perturbadores da ordem em Éfeso (At 16:20).
Em Tessalônica as coisas não foram diferentes e Jasom e alguns irmãos acabaram sendo presos e maltratados (At 17:6).
As tribulações não haviam cessado (1Ts 1:6), mas a sua esperança em Cristo não esmoreceu porque eles sabiam em quem tinham crido (II Tm 1:12) e nada, nem na vida nem a morte poderia afastá-los do amor de Deus em seu Senhor Jesus Cristo (Rm 8:38-39).
O que os nossos irmãos do passado nos ensinam é que alguém pode até preservar a vida sendo politicamente correto, mas sem dúvida será duramente repreendido por não ser biblicamente obediente (Mt 10:28).
Os tessalonicenses se mantiveram firmes porque estavam arraigados e alicerçados no seu Senhor e Salvador Jesus Cristo, como escreve o apóstolo Paulo aos Colossenses (Cl 1:23). Precisamos lembrar sempre que a Igreja não foi criada para ser meramente um lugar de eventos sociais e muito menos o lugar de encontros de amigos (embora estas coisas sejam desejáveis). A igreja foi estabelecida para ser coluna e baluarte da verdade (1Tm 3.15).
Nesta Igreja que tenta desesperadamente ser politicamente correta que encontramos no séc. XXI quantos cristãos confessariam publicamente a sua fé no Senhor Jesus, negando-se a prestar culto ao imperador e com isso sendo condenados à morte? Quantos abririam mão de todos as suas posses e cargos para dizer que só Jesus Cristo é Senhor, e ninguém mais, em lugar algum, por mais poderoso que seja, pode arrogar para si mesmo o senhorio sobre a vida de um crente?
Quantos manteriam firme a sua confissão de fé diante de espadas, lanças, ursos, touros e leões furiosos e hábeis seteiros? Quantos entrariam na galeria dos heróis da fé de Hb 11 mesmo diante da ameaça de serem perseguidos, apedrejados e serrados ao meio (Hb 11:37)?
Quantos manteriam firme a sua confissão sendo pregados em uma cruz de cabeça para baixo ou amarrado em uma estaca para ser queimado até a morte como sofreram por sua confissão de fé milhares de cristãos (Hb 10:23) cujos nomes só não são anônimos porque estão escritos onde realmente interessa, no livro da vida do Cordeiro (Fl 4:3).
É possível que os tessalonicenses não fossem tão bons em teologia quanto muitos teólogos modernos – acredito até que não eram mesmo. Precisavam aprender sobre eclesiologia, escatologia... provavelmente se fossem perguntados sobre as duas naturezas de Cristo ou a economia ontológica da trindade fizessem aquela cara de “heinnn!??”. Mas com certeza eram mais crentes que os crentes de Facebook ou WhatsApp do século atual.
Eles não tinham nem mesmo as Escrituras completas, não conheciam todas as cartas, até porque as cartas de João e do Senhor em Apocalipse não haviam sido escritas, mas eram eles mesmos as cartas vivas (2Co 3.2-3).
Mas há algo em que eles podem nos dar uma boa aula, a nós, crentes evoluídos do séc. XXI: eles guardavam firmes a confissão da sua fé no Senhor Jesus. E faziam isto em meio à mais cruel perseguição. Eram perseguidos pelos judeus, eram perseguidos pelos gentios mas guardavam firmemente a confissão de sua fé no Senhor Jesus. Ele era para eles e deve ser, também, para nós, a base da fé, a rocha dos séculos, a pedra sobre a qual estavam edificados em sua fé é e por isso eles não se deixavam abalar (Ef 3:17-19).
O que eles tinham de diferente? Eram mais fortes? Eram mais valentes? Eram mais valorosos? O que havia neles que lhes dava essa firmeza a ponto de entrarem em uma seleta lista?
A galeria dos heróis da fé nos ensina que é tolice pensar que os antigos crentes eram diferentes de nós. Tiago lembra que Elias era homem semelhante a nós (Tg 5:17).
Abraão, o pai da fé duvidou da capacidade de Deus preservá-lo e mentiu a respeito de Sarai ser sua irmã (Gn 12:13). O filho da promessa, Isaque, incorreu no mesmo erro (Gn 26:7) e seu filho, Israel, era um embusteiro profissional a ponto de enganar o próprio pai usando para isso o nome do Senhor (Gn 27:18). A lista é enorme. Mas estes já servem para mostrar que os heróis da fé eram homens semelhantes a nós. Mas, o que fez deles heróis da fé?
Paulo nos dá uma resposta clara, objetiva e absurdamente simples: eles criam em Deus, sabiam que o seu Senhor é castelo forte, socorro bem presente em toda e qualquer tribulação (Sl 46:1) e, mesmo que o Senhor não intervisse em uma situação particular, como fez no caso de Elias (1Rs 18.24, 37-39), o Senhor ainda continuaria sendo Senhor e os crentes ainda continuariam sendo fiéis, como vemos na firme confissão de Hananias, Misael e Azarias, mais conhecidos como Sadraque, Mesaque e Abede-Nego (Dn 3.17-18).
O que fazia da Igreja dos tessalonicenses uma Igreja a ser lembrada por sua firmeza na fé era o fato de que ali não havia amigos do evangelho, não havia simpatizantes da Igreja A, B ou C, não havia filhos de crentes, não havia pais de crentes, mas, à semelhança do que o apóstolo João diz em sua carta, ali havia crentes, havia pais crentes, havia jovens crentes e fortes, havia mulheres piedosas e crentes – sua fé estava firmada em Cristo e nenhuma tempestade ou sutileza do mundo seria capaz de mudar isso (I Jo 2:14).
Nada, nenhum poder deste mundo seria capaz de mudar isto, nada que já havia existido ou que viesse a existir mudaria isso porque eles simplesmente eram a Igreja dos eleitos de Deus, predestinados desde antes da fundação do mundo para crerem e serem fiéis ao seu Senhor e salvador.
O que pode fazer de sua igreja uma igreja a ser lembrada por todos quantos a conhecerem, por todos quantos passarem por ela é a existência de crentes que possuem uma fé real e que se se expressa na vida prática através de obras realmente piedosas (Ef 2:10) e que não se limita a discursos teológicos e postagens em redes sociais.
O que pode fazer de sua igreja uma igreja inesquecível por todos que forem abençoados por ela é a existência de um amor abnegado, buscando sempre o bem do outro e não o seu próprio (Fp 2.4).
O que vai fazer de sua igreja uma igreja inesquecível e marcante é a firmeza na fé daqueles que confessaram a Jesus Cristo como Senhor e que se mantém firmes nesta confissão por meio da assistência do Espírito Santo. Sempre haverá falsos crentes, mas Deus também manterá o testemunho de si mesmo através de homens e mulheres de fé (At 15:24-26).
O que vai fazer sua igreja ser inesquecível é você ter uma fé operosa, que se expressa através de um amor abnegado e que enfrenta qualquer obstáculo em nome do Senhor Jesus.



segunda-feira, 11 de novembro de 2019

IGREJA CONSAGRADA E IGREJA JUBILOSA [III]

CRENTES CONSAGRADOS SÃO ATENTOS PRATICANTES DA PIEDADE

A primeira coisa que Paulo acha necessário escrever novamente aos filipenses é para eles terem cautela (blepw), terem discernimento mental, examinar cautelosa e cuidadosamente as coisas espirituais, colocarem-se em atitude de defesa para não serem atingidos por três tipos de perigos existentes e que deles faziam seu alvo:

i.                 Acautelai-vos dos cães

Estamos acostumados a vermos cachorros como animal de estimação, muitos sendo melhor cuidados do que milhões de seres humanos. Mas cães (kuwn) eram vistos, muitas vezes, em matilhas que atacavam rebanhos e pessoas e, comiam carniça e eram vistos como impuros. Metaforicamente (e não alegoricamente) o termo é usado para referir-se a um homem de mente impura, e os filipenses deveriam ser cautelosos para que sua mente não fosse usada e manipulada ou maculada por este tipo de pessoa, que não possui a amente de Cristo (I Co 2.16 - Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo).

ii.             Acautelai-vos dos maus obreiros

O segundo cuidado que Paulo orienta os filipenses a terem é com os maus obreiros (kakoj ergathj), isto é, causadores de problemas, prejudiciais, destrutivos, perniciosos e banais. O problema dos maus obreiros, para Paulo, não é que eles nada façam - é eles são de natureza diferente da natureza da igreja. São de natureza má, são perniciosos, suas obras geram problemas, suas ações são prejudiciais e o resultado é destruição, como os trabalhadores maus da parábola contada por Jesus (Lc 20.19 - Naquela mesma hora, os escribas e os principais sacerdotes procuravam lançar-lhe as mãos, pois perceberam que, em referência a eles, dissera esta parábola; mas temiam o povo) que só intentam matar, roubar e destruir (Jo 10:10 - O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância).

iii.         Acautelai-vos da falsa circuncisão

A terceira advertência é contra os judaizantes a quem Paulo chama duramente de mutilados (katatomh). Paulo era judeu, fora também ele circuncidado, manda circuncidar a Timóteo (At 16.3 - Quis Paulo que ele fosse em sua companhia e, por isso, circuncidou-o por causa dos judeus daqueles lugares; pois todos sabiam que seu pai era grego[1]) mas adverte que a circuncisão não é de nenhum proveito espiritual (Gl 5:2 - Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará) e, ao mesmo tempo, faz um contraste entre a circuncisão verdadeira, espiritual, do coração (Rm 2.29 - Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus) e a mera mutilação genital que não acompanha nenhuma conversão verdadeira nem traz nenhum fruto espiritual. Os primeiros e mais graves problemas da igreja foram causados pela resistência dos mutilados fisicamente e incircuncisos de coração (At 7.51 - Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis). 
CONCLUSÃO
Já vimos que a primeira característica de crentes que vão experimentando a alegria do Senhor em sua caminhada é que eles são guardiães da verdade de Deus, defensora da doutrina que uma vez por todas foi entregue aos santos (II Jo 1:9-10 - Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas).
Isto serve de advertência para os crentes do séc. XXI que, em nome do politicamente correto, se esquivam de defender a fé e, pior ainda, enchem a sua casa de doutrinas aberrantes e antibíblicas que resultam em práticas esdrúxulas quando não são abertamente ofensivas a Deus e pecaminosas. Quando pensamos em sã doutrina não devemos pensar somente em conhecimento, mas em como este conhecimento se expressa na prática. Não tenho sombra de dúvidas que Paulo diria para os crentes do séc. XXI para mudarem de canal quando estiverem transmitindo as verborragias e bobagens de pregadores caídos, malas falantes e suas bobagens internacionais, mundiais ou universais.
Conhecer a verdade de Deus é concordar com ela significa confiar inteiramente no Senhor, por isso crentes consagrados não cometem o equívoco de acreditarem-se capazes de produzir a própria alegria e satisfação eternas (Lc 12:19 - Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te).


[1] A circuncisão de Timóteo é por causa de uma circunstância de aceitação no campo de missões. Paulo, entretanto, não aceita circuncidar a Tito por causa de exigências religiosas dos judaizantes (Gl 2:3 - Contudo, nem mesmo Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se).

sábado, 19 de outubro de 2019

IGREJA CONSAGRADA E IGREJA JUBILOSA (II)

CRENTES CONSAGRADOS SÃO ATENTOS GUARDIÕES DA VERDADE

A primeira característica destes cristãos é eu eles são atentos guardiães da verdade. É pela verdade que uma Igreja permanece ou cai. Mesmo quando nos referimos ao amor ele precisa ser verdadeiro (1Pe 1:22 - Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente). O apóstolo inicia o terceiro capitulo considerando suficiente o que já foi dito, deixando o assunto por encerrado e passando a tratar de uma nova necessidade da Igreja. Como ela poderia permanecer de pé? 
Paulo continua falando para as mesmas pessoas, pessoas que, com ele, possuem a mesma comunhão em Cristo. Eles são "meus irmãos" (adelfo\j mou=) e precisam de orientação para não deixarem de ser cristãos alegres (xairw=) que, para eles, é fruto do fato de estarem no (en) Senhor (kurioj), soberano governante de todas as coisas.
Para Paulo, como um pastor e pai amoroso, não é motivo de desgosto repetir um ensino que resulta em benção para a Igreja. Paulo não vê como um fardo, mas como uma parte do ministério, uma parte necessária para segurança e confirmação (asfalhj) da fé que ele sabia haver naquela comunidade de crentes que ele lhes escrevesse. 
O interesse de Paulo era o bem dos filipenses, e o recurso que Paulo tinha era escrever-lhes (grafw=) lembrando o que eles já conheciam muito bem. O que Paulo está dizendo não é para crentes neófitos, mas de alerta e confirmação para crentes amadurecidos, crentes que viram o ministério paulino em Filipos, crentes que ouviram seus ensinamentos (Fp 4:9 - O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco).
De que Paulo achava necessário eles serem lembrados? Cremos que estamos diante de membros de uma igreja que guardava o ensino apostólico, que eram irmãos consagrados ao Senhor, que procuravam viver zelosamente a ponto de Paulo não precisar tratar de problemas como os existentes na Igreja em Corinto, pelo contrário, apenas alertá-los para que problemas não viessem a existir.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

APRENDENDO A SER CRENTE COM O CRENTE DANIEL - CONSIDERAÇÕES FINAIS

CONSIDERAÇÕES FINAIS PARA CRENTES VELHOS E CRENTES NOVOS 

É provável que você olhe para os problemas, para as adversidades que tem que enfrentar e ache, por um ou mais momentos, que está tudo perdido, que não vale a pena, que as águas são muito mais fortes do que suas forças e lhe submergirão, mas não deixe de confiar em Deus (Is 43:2). Lembre-se que Daniel nasceu em uma família complicada, enfrentou uma educação religiosa deficiente, sofreu com a destruição de seus sonhos e de suas raízes, ficou à mercê de seus  inimigos maledicentes e astuciosos por diversas vezes, sobreviveu a uma noite dentro de uma cova cheia de leões e ainda assim não teve a sua fé abalada.

Lembre-se que os amigos de Daniel passaram por dificuldades iguais, rejeitaram adorar uma estátua e por isso foram jogados dentro de uma fornalha ardente mas todos tinham a mesma esperança: o Senhor não perdeu as rédeas da realidade e ainda é Deus soberano sobre tudo e sobre todos, inclusive sobre os crentes, sobre suas vidas e sobre seu destino eterno. Confie, pois, em Deus, e considere as palavras do profeta Jeremias (Lm 3:24).

Lembre-se que os mesmos sofrimentos que você enfrenta podem estar sendo enfrentados por muitos outros irmãos seus (1Pe 5:8-9) e talvez eles enfrentem sofrimentos ainda maiores que os seus (Hb 12:4).

Então, se eu tenho que te dar uma recomendação sobre como viver a sua vida, eu tenho que insistir, embora pareça repetitivo: decida ser crente, viva como crente, ande com crentes fazendo coisas de crentes, conheça a Palavra de Deus e viva em intimidade com ele e confie inteiramente na graça e na soberania de Deus, certo de que ele jamais deixará de abençoar os que lhe são fiéis.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

EU NÃO POSSO!

EU NÃO POSSO!
Jz 4.1-24
Mensagem Dominical na Igreja Presbiteriana em Xinguara
2014, fevereiro, 09

Com esta frase inicia-se uma série de explicações para dizer não ao chamado para o serviço ao Senhor na sua Igreja. É evidente que não confundimos o chamado do Senhor com o chamado da Igreja. O Senhor chama para a conversão, para a nova vida, para o serviço – a Igreja, reconhecendo os dons de Deus e os talentos, ou ainda, devido à necessidades do momento, chama pessoas para suprir as carências existentes.
Vejamos algumas destas razões:
1. Preciso dedicar-me mais à minha família – como se servir ao Senhor fosse impedimento para ensinar a família a servir ao Senhor (Pv 22.6).
2. Preciso dedicar-me mais aos meus estudos ou à minha carreira – como se estas coisas não pudessem ser acrescentadas pelo Senhor aos que o buscam como prioridade (Mt 6.33).
3. Preciso descansar a minha mente – como se os mandamentos do Senhor fossem penosos (I Jo 5.3) e a lei do Senhor não fosse restauradora (Sl 19.7).
Talvez estas não sejam as suas razões, é possível que você tenha outras, justas, razoáveis, satisfatórias para você mesmo. Seus pensamentos conseguem justificar os propósitos do seu coração (Hb 4.12).
Será, entretanto, que estas justificativas sobreviveriam ao escrutínio do Senhor que sonda o coração do homem (Sl 139.23) e o conhece melhor do que o próprio homem (Jr 17.9).
UMA MULHER CHEIA DE OCUPAÇÕES PODE SERVIR AO SENHOR
O que faz de Débora uma mulher que se diferencie das demais mulheres e também dos homens de seu tempo? A bíblia nada diz de sua classe social ou financeira. Também não diz do grau de instrução formal que ela possuía. Não diz quantos filhos, são poucas as informações sobre esta mulher. Mas há uma informação preciosa. Para quem encontra em seus afazeres (muitos ou poucos) para não se dedicar ou dedicar-se menos à obra do Senhor, a Escritura nos traz as seguintes informações sobre esta mulher:
4 Débora, profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo.
A primeira constatação é que Débora era mulher. Antes que pensemos que isto é óbvio, o fato é que ela se destaca numa sociedade patriarcal, isto é, numa sociedade onde os homens exerciam a liderança e isto era não apenas esperado quanto cobrado deles. Mas nos dias dos juízes tal liderança era exercida sem um parâmetro, e inúmeras vezes o escrito diz que cada um fazia o que bem entendia – deixando a si mesmos e aos demais israelitas completamente vulneráveis.
A segunda constatação é que ela era uma mulher casada. Isto implicava em responsabilidades com o esposo, com os filhos e com os afazeres domésticos. E, por ser uma serva fiel ao Senhor certamente Débora não se furtava ao papel de auxiliadora em sua casa. Para isto ela precisava investir do seu tempo.
A terceira constatação, e a mais preciosa delas, é que Débora era uma mulher casada que escutava a Deus. O oficio profético implicava em ouvir a Deus – somente assim ela poderia ser a boca de Deus, isto é, aquele que fala em nome de Deus. E Débora é qualificada como tal, uma mulher que ouvia a voz de Deus.
A quarta constatação é que Débora era uma mulher casada que escutava e praticava o que Deus lhe dizia, a ponto de ser reconhecida não somente como profetisa mas, também, como digna de ser ouvida em questões econômicas, sociais e religiosas.
Esta mulher encontrava tempo para muitas atividades. Encontrava tempo para seu esposo, que certamente a qualificaria como uma mulher virtuosa nos moldes de Pv 31.10-11. Ela também encontrava tempo para ouvir a Deus, isto, se aplicado à nossa realidade, significa estudo da palavra e participação nos cultos, aprendizado diário do que Deus tem a dizer aos seus servos, ainda que não exclua o testemunho interno do Espírito Santo (Sl 27.8).
A atitude que se espera dos servos do Senhor é que, como Maria, tenham os olhos fitos no Senhor, pois esta é a melhor parte (Sl 141.8), aliás, parte que, independente das circunstâncias, jamais pode ser tirada.
Tudo o mais que uma pessoa pode conseguir por investir tempo e esforços pode ser tirado, até mesmo conhecimento (por amnésia ou Alzheimer, por exemplo). Mesmo que alguém conseguisse o impossível de conquistar o mundo inteiro (e houve quem tenha tentado) Deus chama isto de loucura (Mt 16.26).
DEUS NÃO EXIGE EXPERIÊNCIA PRÉVIA PARA CAPACITAR E USAR SEUS SERVOS
Há uma frase muito comum que diz que "Deus não chama os capacitados, mas capacita os chamados". Particularmente não gosto dela porque ela é apenas uma meia verdade. Deus chamou Moisés, a quem muitos atribuem gagueira apesar de ser poderoso em palavras e obras (At 7.22). Penso que não se tratava de gagueira, mas o fato de ele ser "pesado de língua" significa que ele possuía um discurso incisivo, não político e bajulador como é comum nas cortes. Deus chamou Isaías, membro da família real. Chamou Paulo, educado aos pés de Gamaliel. Chamou Mateus e Lucas, homens instruídos.
Por outro lado Deus também chamou a homens de baixa instrução, como Amós (Am 7.14) ou simples pescadores galileus, como Pedro, Tiago e João.
A frase é uma meia verdade porque Deus também chama aqueles a quem, antes mesmo de chamar, capacitou. Até mesmo as experiências domésticas de Débora deram-lhe um senso de organização que, talvez, muitos generais ao longo da história jamais tenham tido. Seu tempo, julgando a Israel sob as palmeiras, também deu-lhe credibilidade para liderar os dispersos e atemorizados israelitas.
6 Mandou ela chamar a Baraque, filho de Abinoão, de Quedes de Naftali, e disse-lhe: Porventura, o SENHOR, Deus de Israel, não deu ordem, dizendo: Vai, e leva gente ao monte Tabor, e toma contigo dez mil homens dos filhos de Naftali e dos filhos de Zebulom? 7 E farei ir a ti para o ribeiro Quisom a Sísera, comandante do exército de Jabim, com os seus carros e as suas tropas; e o darei nas tuas mãos. 8 Então, lhe disse Baraque: Se fores comigo, irei; porém, se não fores comigo, não irei. 9 Ela respondeu: Certamente, irei contigo, porém não será tua a honra da investida que empreendes; pois às mãos de uma mulher o SENHOR entregará a Sísera. E saiu Débora e se foi com Baraque para Quedes.
Débora não possuía nenhuma experiência alguma como condutora de exércitos. Nunca tinha participado de uma batalha, não sabia como usar escudos, lanças ou flechas. Mas sabia qual era a vontade de Deus e queria que ela fosse obedecida. E toma algumas atitudes neste sentido.
Como juíza e profetisa, com a autoridade moral e espiritual que possuía, ela manda chamar aquele a quem Deus capacitou para conduzir Israel em campo de batalha. Deus chama, sim, os capacitados, ainda que coloque-os sob liderança de quem não tem experiência alguma.
Tudo o que Deus fez na vida de Débora foi para capacitá-la para aquele momento. Você não se sente capaz? O que você sabe fazer? O que você aprendeu até o dia de hoje não tem utilidade nenhuma no reino de Deus? E como você interpreta a Palavra de Deus que diz que "tudo coopera" para o seu bem? (Rm 8.28).
Este texto é usado muitas vezes para assumir uma atitude de resignação diante das circunstancias, geralmente adversas, mas ele nos traz ensinos preciosos:
1. Deus não faz nada à toa – todas as nossas experiências são como tijolos e constroem o nosso caráter, forma o homem para que esteja habilitado para fazer toda boa obra (II Tm 3.17);
2. Deus tem um propósito definido – as ações de Deus em sua vida, suas experiências, sua formação emocional, familiar, educacional e profissional fazem parte de um projeto de Deus para usar você para glória dele;
3. Deus está te capacitando para te chamar – o chamado de Deus não é aleatório como uma pescaria que fazemos e descartamos os peixes que não nos agradam. Ele só chama os que vai usar em seu reino. Não existem voluntários – estes sempre desistem na hora da prova (Tg 1.3).
Se você acha que não tem experiência e capacitação para ser útil no reino de Deus, então, é porque você ainda não ouviu, com clareza, o chamado do Senhor para usar você. Não diga "não sei" – Deus sabe exatamente o que quer fazer com você (Jr 1.6-7).
DEUS NÃO LIMITA SEUS SERVOS A CONVENÇÕES SOCIAIS
Deixemos Débora por um tempo e vamos olhar para outra mulher, Jael. Sabemos também muito pouco sobre ela, além do fato de ser esposa de Heber, um queneu.
17 Porém Sísera fugiu a pé para a tenda de Jael, mulher de Héber, queneu; porquanto havia paz entre Jabim, rei de Hazor, e a casa de Héber, queneu. 18 Saindo Jael ao encontro de Sísera, disse-lhe: Entra, senhor meu, entra na minha tenda, não temas. Retirou-se para a sua tenda, e ela pôs sobre ele uma coberta. 19 Então, ele lhe disse: Dá-me, peço-te, de beber um pouco de água, porque tenho sede. Ela abriu um odre de leite, e deu-lhe de beber, e o cobriu. 20 E ele lhe disse mais: Põe-te à porta da tenda; e há de ser que, se vier alguém e te perguntar: Há aqui alguém? responde: Não. 21 Então, Jael, mulher de Héber, tomou uma estaca da tenda, e lançou mão de um martelo, e foi-se mansamente a ele, e lhe cravou a estaca na fonte, de sorte que penetrou na terra, estando ele em profundo sono e mui exausto; e, assim, morreu.
Após ser derrotado por Baraque Sísera, comandante do exército cananeu, fugiu e buscou refúgio nas tendas de Heber porque sabia que havia algumas convenções sociais a serem respeitadas:
A paz firmada entre os queneus e os canaanitas – era obrigação de Heber zelar para que a paz fosse mantida;
O dever da hospitalidade para com um estranho – num mundo onde não havia tantas opções de hotéis, receber bem era (e até hoje é) um dos deveres mais bem observados pelos orientais.
Acontece, porém, que os queneus sempre foram "amigos" dos hebreus e certamente conheciam o relato das maravilhas de Deus ao trazê-los para a terra de Canaã. Moisés era casado com uma midianitas, outro nome pelo qual os queneus são denominados na bíblia (Nm 10.29).
Assim como Deus prometeu bênçãos a Israel, Moisés prometeu que estas bênçãos seriam transmitidas aos seus amigos, midianitas (Nm 10. 32) e certamente Heber e Jael sabiam destas promessas de Deus de que aquela terra pertencia aos hebreus, e eles, midianitas, poderiam usufruir delas por causa da amizade existente entre eles (I Sm 15.5-6).
Entre as convenções de paz entre povos e os costumes de sua cultura, Jael preferiu, à semelhança de Moisés, Raabe e tantos outros, o opróbrio de ser contado entre os crentes nas promessas de Deus (Hb 11.24-26) do que entre aqueles que amaram o mundo e suas concupiscências.
Baraque contava com um exército de 10.000 homens mas foi Jael, uma nômade midianita, quem pôs fim à vida de Sísera. Há muitos poderosos na terra – mas Deus chama você, em sua humildade e simplicidade, para servi-lo (I Co 1.26-29).
TOME UMA ATITUDE E SUPERE SEUS OBSTÁCULOS
 O que mulheres como Débora e Jael tem a nos ensinar? O que o exemplo delas pode ensinar para nós, homens e mulheres do séc. XXI?
Podemos aprender com elas que os obstáculos que existem podem impedir muitas coisas de acontecerem, mas jamais impedirão um servo de Deus de fazer a vontade do seu Senhor no contexto em que está vivendo.
Débora cuidava de uma casa e de uma nação. Jael não era guerreira e matou um general que 10000 homens não conseguiram capturar. Certamente você não se julga inferior a qualquer uma delas.
Então, porque não servir ao Senhor com todo o seu ser? Porque não se dispor a ser usado por Deus na certeza de que ele está te preparando desde o ventre de sua mãe para o cumprimento de um propósito em sua vida?
Achas que ele te trouxe aqui por acaso? Achas que está aqui hoje por algum feliz acaso do destino. Digo-te que não. Estás aqui porque esta foi a vontade de Deus. Estás aqui porque Deus te trouxe, ele te segurou com sua poderosa mão e te trouxe aqui para chamar você a um compromisso de vida com ele. Ele já te deu tudo o que precisa para que você seja útil.
Ele te buscou quando você não o procurava (Is 65.1). Ele te dá liberdade – te livra da escravidão ao pecado. Ele te dá vida, te livra da morte eterna causada por estes pecados. Ele te livra da sepultura e te faz assentar em lugares celestiais. E, se suas ocupações são pesadas demais para você, ele te chama e te dá uma porção que você pode carregar e usar para ser uma benção.
O que você precisa fazer? Simples, muito simples. Atender ao chamado do Senhor e dizer: "estou aqui, pronto para ser enviado" (Is 6.8).

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