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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

ESCOLHIDOS SEM MERECER PELO DEUS GRACIOSO

(Este e os três outros abaixo são uma sequência, e foram pregados em três semanas na IP de Paragominas). Disponíveis em vídeo no Youtube.

ESCOLHIDOS SEM MERECER PELO DEUS GRACIOSO

Por que você está aqui? A resposta natural é: porque eu quis. Porque me convidaram. Porque eu não tinha nada para fazer e resolvi ir a uma Igreja. Se insistir na pergunta, mas porque você está na igreja? Porque você resolveu ficar um dia e voltar outras vezes a reposta ainda pode ser porque eu me senti bem, porque eu gostei do ambiente, gostei da pregação, gostei da tranquilidade da Igreja Presbiteriana e outras coisas mais. Mas perceba que muitas vezes a ênfase verbal está sempre na primeira pessoa do singular. Sempre no eu.
E se perguntar, mais uma vez, porque esta Igreja especificamente, com todas as suas falhas, seus erros, seus pecados (porque não há Igreja que não falhe e cujos membros não tenham pecados) você ainda terá alguma resposta tentando justificar esta sua escolha. O problema é que tudo isto parte de um princípio equivocado. Estamos aqui porque Deus nos escolheu (Jo 15:16) com um propósito abençoador bem definido: para nos abençoar por sua graça (Tg 2:5).
Você está aqui porque Deus te escolheu, e Ele fez isto desde antes da fundação do mundo, para seu prazer e glória. O que eu e você precisamos saber é que Deus nos escolheu apesar da nossa feiura, apesar da nossa fraqueza, apesar da nossa pobreza, apesar da nossa loucura – e tudo isto enquanto pensamos que somos belos, fortes, ricos e espertos. Não somos! Nem toda a esperteza, nem riqueza, nem diplomas, nem vigor físico do mundo vai livrar um pecador da reprovação de Deus.
26 Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; 27 pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; 28 e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; 29 a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus (1Co 1.26-29).
O apóstolo Paulo começa esta seção irmanando-se aos coríntios. Chama-os de irmãos. Coloca-se no mesmo patamar em que eles se encontram, como se dissesse: o que vou lhes falar a partir de agora não é um fato apenas entre vocês, nem apenas entre os gentios, mas é comum a todos os santos. Paulo está dizendo-lhes: eu também passei por esta experiência. E é justamente para a experiência de salvação dos coríntios que Paulo chama a atenção. Enquanto eles estavam enfatizando o conhecimento (gnose) que nenhum fruto produziu em Atenas, Paulo lembra-lhes do que eles viveram e como eles se converteram, por isso a expressão enfática: reparai, isto é, coloquem todos as suas capacidades intelectuais para analisar como foi que foram chamados.
Mas, segundo Paulo, quem foram estes chamados de maneira tão eficaz e irresistível? Certamente não foram chamados para o que os homens do seu tempo amavam. Aliás, os homens naturais, judeus ou gregos, ou todos os homens indistintamente, rejeitavam a mensagem da cruz, aquele que é chamado, e só o que é chamado, a acolhe, seja judeu ou gentio. Paulo afirma que o que é importante não é o que eles eram, mas o fato de que foram chamados por Deus. Tudo o mais é irrelevante, sem importância.
Eles sabem que na fraqueza de Cristo reside o poder para vencer o que nenhum homem jamais conseguiu: o poder para dominar e vencer o poder do pecado. Eles experimentam este poder, pois Cristo é o poder de Deus neles e para eles.

DEUS CHAMA OS SEUS ESCOLHIDOS APESAR DO QUE ELES NÃO SÃO

Entre os coríntios crentes certamente havia pessoas instruídas, entretanto, eles não eram considerados como os homens sábios de seu tempo. Se olhassem todo o cristianismo nascente, certamente poucos rivalizariam com o próprio Paulo em conhecimento. Entretanto, o que nós vemos é Paulo lembrar-lhes que não havia muitos filósofos entre eles. Não era nestes que o Senhor estava interessado.
Não fazia parte do plano de Deus criar uma nova escola filosófica, nem homens confiantes na sua própria cultura (Rm 3.27). A percepção de Paulo era de que os homens haviam rejeitado a sabedoria de Deus, e, autodeclarando-se sábios, tornaram-se loucos. Em lugar do criador resolveram adorar a criaturas ou, ainda, a si mesmos e seus ídolos ideológicos (Rm 1.22). Era isso o que os coríntios estavam valorizando. E o que isso havia feito por eles antes do ingresso de Paulo entre eles?
A resposta é nada. Então, o conhecimento que eles estavam valorizando agora também nada poderia fazer a favor deles, e, pior, estava agindo contra eles pois os levava a contendas sem fim. O evangelho foi aceito pelos simples não porque era ineficiente com os sábios, pelo contrário, porque foi oculto aos sábios e revelado aos pequeninos (Lc 10.21). A palavra diz que assim foi porque foi do agrado de Deus, foi assim que Deus quis fazer porque ele não necessita em nada da sabedoria humana, tola e ineficaz. Deus usou para sua glória os que não tinham nada a oferecer, o que só enfatiza ainda mais a sua graça e poder.

NÃO SÃO CONTADOS ENTRE OS PODEROSOS

Embora houvesse convertidos na “casa de César” é certo que não havia muitos homens cristãos ocupando altos cargos neste tempo, especialmente porque os oficiais e governantes deveriam prestar o tão combatido culto ao imperador (1Jo 4:2). Lembremos que mesmo um governador romano era inferior à autoridade de Jesus.
Comparemos a autoridade de Jesus (Mt 28.18) com a autoridade derivada que Pôncio Pilatos possuía (Jo 19.10- 11). Qualquer cristão convertido deveria abandonar seus postos de poder, passando a ser considerados como se fossem a escória do mundo, peregrinos e forasteiros na terra. A valorização dos poderosos, e a divisão da Igreja em partidos, especialmente os “fortes”, pode indicar que alguns deles achavam que não haveria mal algum em curvar-se ante o culto imperial, permanecer no poder e ter condições de ajudar os cristãos - como se eles já não tivessem o auxílio necessário por intermédio do Espírito Santo.
O poder que importava e que ainda importa para os cristãos é o poder que vem de Deus, o poder do Espírito. E é por isso que Paulo lembra aos coríntios que, quando entre eles (1Co 2.4-5). Nenhum poderoso em Corinto podia chamar para si a autenticação de suas palavras e atos como possuindo autoridade vinda do próprio Deus. Paulo o fazia. E não podia ser questionado, nem por aqueles que estavam assumindo pertencerem a outros grupos.

NÃO SÃO CONTADOS ENTRE OS DE NOBRE NASCIMENTO

O cristianismo floresceu entre os homens comuns do séc. I. Libertos, senhores e escravos compunham um numeroso grupo social que não dispunha de privilégios - que, aliás, Paulo possuía (At 22:27-28) mas ao qual não dava qualquer valor (Fp 3.8: Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo).
Dinheiro podia comprar cidadania romana, mas jamais poderia comprar o acesso a Deus ou as bênçãos espirituais em Cristo Jesus (At 8:20), pelo contrário, o dinheiro pode ser uma terrível armadilha que engana quem o tem e quem se aproveita das migalhas que caem da mesa.
Mas de que servia ter o título de cidadão romano e não ter o nome escrito no livro da vida. De que adiantava aos coríntios valorizarem os nobres romanos, que os prendiam e perseguiam, e ter a nobreza de serem declarados filhos de Deus? Na verdade a nobreza de nascimento se apresentava como um empecilho à fé, uma vez que os nobres, tanto gregos quanto romanos, se julgavam descendentes de deuses ou semideuses, ou de fundadores das cidades a quem chamavam “heróis”, e os adoravam como os modernos romanos adoram seus santos. Tinham seu próprio culto familiar, ao seu heroico antepassado. Deixar de cultuar o herói e o antepassado significa a abandonar a família, perder o direito familiar, deixar de ser cidadão e passar a ser considerado um estranho em sua própria casa. Como esperar que alguém assim abandonasse tudo por Cristo, um obscuro galileu morto na Palestina? Houve alguns, é verdade, mas foram poucos, e eram menos ainda nos dias do apóstolo Paulo.
Após lembrar quem os coríntios não eram, isto é, nem sábios, nem poderosos nem nobres, e, mais especificamente, a quem Deus tinha preferido preterir, Paulo passa a mostrar-lhes quem eles realmente são. E o quadro não é nada animador se olharmos das perspectivas do mundo circundante porque o apóstolo lhes diz que, eles, os chamados, são loucos, fracos e insignificantes.

DEUS CHAMA OS SEUS ESCOLHIDOS APESAR DO QUE ELES SÃO

ELES SÃO CONTADOS ENTRE “AS COISAS LOUCAS DO MUNDO”

Os cristãos são colocados como uma coisa, um objeto de escárnio. Ninguém valoriza, ninguém dá atenção a um louco a menos que isto lhe seja uma ameaça. Mas, mais que isto, ninguém segue a quem considera não possuir nenhum tipo de saber. E é este tipo de loucura que o apostolo Paulo atribui aos cristãos. A expressão paulina refere-se à qualidade da loucura atribuída a eles, na aos próprios cristãos como pessoas. Eles não eram insensatos ou malucos. É o mesmo Paulo que afirmou expor sabedoria entre os experimentados (1Co 2.6 (i.e.: de grande labor mental)) que envergonha os sábios da época.
Os sábios consideravam loucura a mensagem do evangelho, mas a verdade que lhes envergonhava é que eles não tinham nada melhor a oferecer. Suas diferentes teorias eram apenas teorias, especulações vazias que não satisfaziam nem mesmo aos seus autores. Enquanto se digladiavam tentando oferecer ensinamentos vazios a preço de ouro, o cristianismo oferecia mensagem de salvação a preço de sangue - mas de graça aos que a recebessem. Isso lhes parecia loucura. Seu nada era caro, o tudo de Deus aos homens era sem custo algum para quem não merecia. Como aceitar?
Como aceitar que escravos fossem maiores que seus senhores? Como aceitar que pecadores precederiam religiosos dedicados no reino porvir (Mt 21.31)? Para um escravo ser tratado como “coisa” não havia novidade, mas para os arrogantes coríntios era extremamente humilhante, e é justamente neste momento que Paulo mostra a imensidão da graça de Deus. Nenhum de nós escolheria alguém igual a si mesmo para salvar - mas Deus o fez. A maravilha está justamente em Deus dizer que nada somos - e nos escolher para si.

ELES SÃO CONTADOS ENTRE “OS FRACOS DO MUNDO”

Parece um paradoxo pensar que os cristãos, filhos do rei, herdeiros de todas as coisas, não possuíam poder algum. Não tinham direitos legais nas cidades, eram constantemente perseguidos e não tinham defensores. Seus bens eram espoliados - seus filhos escravizados, eles próprios lançados às masmorras e anfiteatros para jogos cruéis e servirem de pasto a leões e outros animais ferozes. Um cristão genuíno não tinha direito legal para buscar reparação nos tribunais, e, tampouco, deveriam fazê-lo porque, espiritualmente, isto significa prestar oferendas aos deuses greco-romanos. Os heróis gregos, como Hércules, Perseu, Teseu, Ulisses e outros eram idolatrados. Notemos que os cristãos eram realmente fracos no sentido. E foram escolhidos assim para serem transformados em vencedores, em heróis como mostrado na galeria da fé. Mas nenhum deles enfrentava dezenas de leões sem armas, e, ainda, cantando louvores. Nenhuma das mulheres dos poderosos podiam suportar sentar-se em uma chapa de ferro em brasa e ainda continuar anunciando Cristo como Senhor.
Nenhum de seus senadores era capaz de caminhar para o cadafalso e, tendo a oportunidade de escapar, preferir a morte como uma maneira de anunciar a vitória sobre esta mesma morte. Um simples cristão era capaz de demonstrar maior força e coragem que todo senado romano. Deus os escolheu - eles tinham certeza da vitória, a morte não era temida porque já fora vencida, seu aguilhão não representava mais motivo algum de receio ou temor. Os fortes, tão admirados pelos coríntios, admiravam os mais fracos entre os cristãos porque, estes, na sua fraqueza, demonstravam força inigualável (2Co 12.10).

ELES SÃO CONTADOS ENTRE “COISAS” HUMILDES E DESPREZADAS, SEM VALOR

Homens sem sabedoria filosófica, sem poder político-econômico, e, agora, sem nobreza de nascimento.
Eram, aos olhos dos romanos, piores que os libertos ou os livres que enchiam suas cidades.
Eram piores que os imigrantes porque estes aceitavam de bom grado os costumes de sua época.
Eram piores que os escravos, pois afirmavam terem apenas Cristo como seu Senhor. Para tornar as coisas ainda mais claras aos olhos dos pretensiosos e jactanciosos coríntios, Paulo lhes lembra que eles, em sua maioria, eram imigrantes - tidos como cidadãos de segunda categoria aos olhos dos dominadores romanos. Podiam trabalhar, ajuntar dinheiro e comprar propriedades. Com muito custo podiam comprar a cidadania romana (At 22.8-29).
A idéia de não serem de nobre nascimento estava associada a uma certa indignidade moral, uma inferioridade que não poderia ser retirada de maneira alguma. Sua cidadania seria sempre comprada, nunca natural. E eles eram, efetivamente, tratados como coisa sem valor. Um liberto que morre logo tem seu lugar tomado por outro. Um escravo já significava prejuízo. Por isso Paulo os adverte que eram tidos por desprezíveis, e, ainda, um termo ainda mais forte, sem valor algum. A jactância coríntia era reduzida a nada.
E é justamente este o poder da mensagem da cruz: o que era nada, sem valor algum, desprezada e inútil, que é usado por Deus em uma atividade recriadora. Deus não precisava, necessariamente, usar nada do material existente nos chamados. Ele pôde recriá-los. E é com estas “coisas”, essas não pessoas, que nada eram que Deus torna sem valor algum, inútil e envergonhado, aquilo que tanto era valorizado pelos homens - e podemos afirmar que isto não mudou absolutamente nada.
Era assim nos tempos de Paulo, continua assim nos nossos tempos. Os homens ainda correm atrás dos “sábios”, dos poderosos, das nobres castas de seu tempo. E para que? Para nada. Como sempre foi.

DEUS GLORIFICA O SEU NOME ATRAVÉS DOS SEUS ESCOLHIDOS

Diferente do que se via entre os coríntios, e, que, certamente, não é nada diferente do que vemos ao nosso redor, não eram homens que deveriam ser glorificados. A existência da Igreja em Corinto, embora fruto do trabalho de Paulo como cooperador com o Senhor, devia-se exclusivamente à graça de Deus em Cristo Jesus (1Co 9.23). Ele sabia que trabalhara, e muito, e fizera um bom trabalho, na realidade, um grande trabalho (1Co 15:10) mas tudo como fruto da graça de Deus. Paulo é enfático ao escrever aos efésios (Ef 2.8). Não havia muita diferença na mentalidade reinante em Éfeso da que reinava em Corinto.
Paulo conclui seu raciocínio nesta seção afirmando enfaticamente que, pelo fato de Deus ter, por sua livre vontade, escolhido os fracos, os humildes, os sem nobreza de nascimento, os desprezados e, virtualmente, os que nada eram, eles não teriam qualquer direito a vangloriar-se, pelo contrário, deveriam andar humildemente diante do Senhor seu Deus (Mq 6.8) e considerando o seu próximo como digno de igual ou maior honra especialmente se comparados com a honra a que não tinham direito algum.
Ninguém pode jactar-se, nem diante dos irmãos (lembremos que a primeira palavra desta seção é, justamente, irmãos, quando Paulo os chama ao mesmo patamar de si mesmo e os convida a olharem quem são e como e porque foram chamados) e, principalmente, na presença de Deus, diante de quem a glória dos homens nada é.
Se atentarmos para o que somos, se olharmos ao nosso redor certamente vamos encontrar alguém que seja, em alguma coisa, mais habilitado, mais capacitado, mais dotado do que nós. Qualquer grandeza que tenhamos está alicerçada sobre algo e alguém que veio antes de nós. Qualquer riqueza amealhada está alicerçada sobre os ombros, mãos e suor de outros tantos. Mas, acima de tudo, a grandeza e honra entre os homens é insignificante diante de Deus (Sl 2.1) e mesmo as mais poderosas nações (Is 40.17) e aos que não são diz afirma enfaticamente: sois menos do que nada (Is 41.24).
Assim, aos olhos do Senhor era abominação escolher o nome de Paulo, de Pedro, de Apolo ou mesmo usar o nome de Cristo como pretexto para sua vangloria. É abominação aos olhos do Senhor sequer imaginar que, porque conquistou algo, pode jactar-se de alguma coisa. Tolice é acreditar em frases estúpidas e sem sentido como as que dizem que “Deus precisa de você”. Isto é bobagem. Nem mesmo a Igreja precisa de você – e talvez logo apareça alguém mal-intencionado dizendo que eu estou incentivando você a deixar a Igreja. O que estou afirmando é que é você quem precisa de Cristo. É você quem precisa de Deus. É você quem precisa da Igreja como comunidade de fé, onde você possa crescer espiritualmente e exercitar seus talentos e dons. Irmãos, observai a vossa vocação. Lembrem-se do que eram quando foram chamados. Não retornem à jactância mundana, arrogante, pretensiosa e inútil. Humilhai-vos perante a poderosa mão de Deus e ele, em tempo oportuno, vos exaltará (1Pe 5.6).

terça-feira, 21 de março de 2017

A IGREJA PRESERVA SUA IDENTIDADE E DESEMPENHA SUA MISSÃO QUANDO É TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO

Todos devem ter plena certeza de que as práticas ilícitas devem se rejeitadas por todos os cristãos. Não há meio termo, e quem desejar tornar-se cristão deve compreender que as decisões que venha a tomar vão impulsioná-lo a deixar de fazer o mal e praticar o bem, pois a conversão ao Senhor leva a prática de obras que demonstrem este arrependimento.
 Santificação é mais do que fazer ou deixar de fazer – santidade é ser do Senhor, é deixar-se orientar pelo Senhor e por sua Palavra e ser habitação do seu santo Espírito. Ser cristão é mais do que seguir uma tal de “lei de crente” que, quando muito, são regras existentes dentro das Igrejas e na maior parte das vezes não passam de mandamentos de homens (Is 29:13) com os quais a Igreja sequer deve se ocupar (Tt 1:14). A única lei que realmente importa, que deve imperar no coração do povo de Deus é a inclinação do Espírito, que leva os corações dos crentes a prática do que é justo diante de Deus e dos homens, independente da cultura e da época.
Em nossa cultura permissiva a santificação é, muitas vezes, confundida com deixar de fazer algumas coisas, mas, mesmo o “deixar de pecar” pode tornar-se num orgulho pecaminoso, num julgamento menos correto de si mesmo, num desconhecimento da real natureza do pecado e num julgamento mais duro a respeito das fraquezas dos outros. Santificar-se significa, inicialmente, separar-se de tudo o que impede o pecador de buscar a glória de Deus. Santificar-se significa tudo fazer buscando a gloria de Deus – e arrepender-se dos pecados por amor ao Senhor, e não por temor das consequências, sem dúvida, corresponde à glorificar o Senhor que deseja que sua Igreja seja santa (Lv 20:7 - Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus).
Para preservar sua identidade e desempenhar sua missão a Igreja de Cristo

I. POSSUI POR GRAÇA A BÊNÇÃO DE SER TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO

Perguntado sobre como um soldado pode desempenhar sua missão da melhor maneira possível o soldado simplesmente respondeu: conhecendo a missão e sabendo quais os obstáculos que podem surgir entre ele e a meta final (Hb 12:14). Evidente que não havia a menor preocupação com a questão de santidade no que ele disse – mas o fato é que esta resposta diz muito sobre como podemos definir santidade: conhecendo a vontade de Deus e, para sermos obedientes até o fim, evitarmos os obstáculos, os pecados, que podem atrapalhar esta jornada (Hb 12.1).
Ainda usando a linguagem militar, santidade é, de certo modo, definido pelo apóstolo Paulo como “cumprir satisfatoriamente a vontade do chefe” (II Tm 2:4). Imagine um soldado que precisa entregar uma mensagem crucial para a movimentação de uma tropa em uma guerra impreterivelmente em 1 dia e percorre apenas 90% do percurso dentro do prazo, mas só consegue chegar 1 semana depois. Que espécie de tratamento ele deve esperar de seus superiores, se superiores ainda existirem?
Como a Igreja poderia manter a sua identidade e cumprir a sua missão sem obediência – se ela perder a sua identidade (Lv 20:7) evidentemente será incapaz de cumprir a sua missão, que é dar frutos (Mt 7:16) que testemunhem a transformação que o Espírito faz na vida do pecador convertido (Ef 4:28) que passa a ter como alvo na vida glorificar o Senhor, fazendo, diariamente, a mesma oração feita pelo salmista (Sl 69:6), aplicando o ensino das Escrituras às situações diárias e não se deixando moldar pelos costumes da cultura em que vive (I Pe 1:14) porque o que é aceitável numa cultura pode ser visto como ofensivo e inconveniente em outra, e por isso escandaloso (Mt 18:7).
Vamos ver o que a Escritura nos diz sobre a necessidade de cada membro ser Igreja e, através da santificação diária, realmente se mostrar como o templo do Espírito e ter a santificação como uma característica constante em seu modo de viver.
12 Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.
13 Os alimentos são para o estômago, e o estômago, para os alimentos; mas Deus destruirá tanto estes como aquele. Porém o corpo não é para a impureza, mas, para o Senhor, e o Senhor, para o corpo.
14 Deus ressuscitou o Senhor e também nos ressuscitará a nós pelo seu poder.
15 Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? E eu, porventura, tomaria os membros de Cristo e os faria membros de meretriz? Absolutamente, não.
16 Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne.
17 Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele.
18 Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo.
19 Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?
20 Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.
I Co 6.12-20
Como a Igreja pode, obedecendo à Palavra de Deus, evitar os erros quanto às suas exigências e mover-se segundo a direção do Espírito Santo? A primeira maneira de a Igreja andar segundo Cristo é

i.                   PRATICAR O QUE É LÍCITO

12 Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.
13 Os alimentos são para o estômago, e o estômago, para os alimentos; mas Deus destruirá tanto estes como aquele. Porém o corpo não é para a impureza, mas, para o Senhor, e o Senhor, para o corpo.
14 Deus ressuscitou o Senhor e também nos ressuscitará a nós pelo seu poder.

A Igreja em Corinto estava localizada em péssima companhia. Havia numerosos templos, e milhares de pessoas dispostas a cultuarem aos deuses pagãos de todas as formas, inclusive as mais imorais possíveis – e esta prática imoral não era vista como ilícita, pelo contrário, jovens coríntios, de ambos os sexos, se colocavam durante um tempo à disposição dos “adoradores” que vinham de todas as partes do mundo greco-romano para comercializarem seus produtos na cidade.
A promiscuidade era generalizada e a prostituição cultual institucionalizada tornavam a vida da Igreja complicada em diversos aspectos, a ponto de Paulo insistir que o corpo não é para a impureza (I Co 6:13) e que a prostituição cultual nada tem de culto, na verdade (I Co 6:15) sendo somente mais uma obra da carne (Gl 5:19).
Apesar de tantos templos em Corinto, um só era necessário: o próprio crente que, abandonando as obras infrutíferas das trevas (Ef 5:11) se tornava em santuário do Espírito de Deus (I Co 3:17) tornando obsoletos todos os demais, e, pior ainda, reprovando com sua vida aqueles templos destinados à idolatria e lascívia.
Paulo não usa de ambiguidade quando reprova as práticas pecaminosas existentes em Corinto – suas palavras são diretas e duras, e ele as reprova na sociedade coríntia e faz o mesmo quando estas práticas começaram a entrar naquela Igreja e que, ao invés de promover a comunhão, estavam causando divisões, pois uns diziam ser seguidores de Paulo, outros de Pedro, outros de Apolo e havia os que usavam o nome de Cristo para, aparentando superespiritualidade, justificar seu divisionismo (I Co 1:12).
As práticas que a Igreja estava adotando, práticas lícitas na sociedade coríntia, estavam se tornando um padrão de conduta que diminuíam a comunhão entre os irmãos e, mais ainda, com o Senhor. Abandonar o padrão do mundo, não se deixar levar pelo que “todo mundo faz” é um imperativo cristão (Rm 12:2) porque o mundo jaz no maligno (I Jo 5:19) e o cristão é chamado à santidade que antes desprezava (I Pe 1:14 ) por ignorância da Verdade que é libertadora (Jo 8:32).
O problema detectado e combatido por Paulo em Corinto era que os cristãos estavam se utilizando da liberdade para, insensata e insensivelmente, ser motivo de escândalo para outros e, assim, tornando a liberdade em ocasião para pecar fazendo outros tropeçarem (I Co 8:9). É comum que uma atitude que, em si mesma, não é pecaminosa, seja ofensiva e atrapalhe o crescimento espiritual de outros irmãos menos experimentados. Podemos ilustrar isto com o fato de que grandes teólogos protestantes do séc. XIX tinham o hábito de fumarem cachimbos, ou que reformadores do séc. XVI recebiam parte de seus proventos em barris de vinho (em tempo, não há registros de que tenham se embriagado). Em seus dias e onde moravam isto não era visto como pecaminoso, mas seria terrível para a Igreja evangélica brasileira que seus pastores agissem desta maneira – certamente o habito de fumar era pecaminoso, mas cada um deve andar segundo a luz recebida.
Devemos, pois, ter comportamento contrário ao dos crentes de Corinto, pois usaram da “liberdade Cristã” para aumentar seus pecados. Devemos usar os nossos corpos como aquilo que eles efetivamente são – nosso ser, contaminado pelo pecado e remido pelo sangue de Cristo. A salvação e a santificação não é uma coisa apenas espiritual, ela envolve todo o nosso ser e influencia definitivamente o que fazemos com ele (Rm 12:1).
A Escritura nos diz para não nos iludirmos – mesmo aquilo que é lícito socialmente pode ser um terrível pecado, por isso somos chamados de peregrinos e forasteiros, com uma lei interior diferente daquela que rege o mundo ao nosso redor (I Pe 2.11-12).
Sem dúvida que a prática de coisas lícitas à luz das Escrituras é absolutamente necessária, mas precisamos andar um pouco mais e compreender que a Igreja preserva a sua identidade e cumpre a sua missão vivendo em santidade ao

ii.                UNIR-SE A DEUS

15 Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? E eu, porventura, tomaria os membros de Cristo e os faria membros de meretriz? Absolutamente, não.
16 Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne.
17 Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele.
18 Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo.

A identidade da Igreja é ser corpo de Cristo, edifício de Deus (I Co 3:9). Não há Igreja se ela não estiver essencialmente ligada ao Senhor Jesus, a videira verdadeira da qual a Igreja é apenas ramos (Jo 15:5). A mentalidade coríntia permitia ser religioso, frequentar um templo, ser devoto de um ou vários deuses e deusas sem que isto tivesse qualquer impacto prático em suas vidas. Podiam até mesmo participar de um culto ao imperador (mesmo detestando e não o considerando em nada divino) simplesmente porque eram cidadãos romanos e deviam dizer que César é senhor (I Co 12:3). Estar unido ao Deus vivo significa mais do que os coríntios estavam habituados a pensar, era mais do que um simples ritual, por mais impactante que fosse. Estar unido a Deus significa viver uma nova vida, uma nova vida em Cristo, podendo afirmar que já não se vive mais, mas que é Cristo quem vive no crente (Gl 2:20).
Para viver unido a Cristo é preciso ter a vida de Cristo – e para ter a vida de Cristo é preciso morrer para si mesmo, numa renúncia total (II Co 4:8-11), algo que não tem sido muito comum na cristandade atual que pensam muito mais nas delícias deste mundo e para quem a palavra renúncia é incabível (Mt 10:37-38), como se não tivesse sido uma exigência do Senhor para aqueles que querem ser seus discípulos, para aqueles que querem ser Igreja.
A esta união os teólogos denominaram “união mística”, mas podemos simplesmente chamá-la de comunhão, de andar com Cristo, de considerar a vontade de Cristo como fonte de autoridade e, antes de tomar uma decisão buscar conhecer qual a vontade de Deus para seus filhos naquela área. Não pense que estamos falando de buscar uma revelação pessoal, mas a revelação normativa de Deus para seus filhos em todas as épocas. É por isso que Paulo fala que os crentes são diferentes, porque tem a vida de Cristo, tem o Espírito de Cristo (Rm 8:9) e a mente de Cristo (I Co 2:16).
União com Cristo significa fuga do pecado, como fez José, não importando o preço (Hb 12:4). União com Cristo significa resistir ao diabo até que ele fuja (Tg 4:7) embora permaneça nas proximidades com intuitos maléficos em seu negro coração (I Pe 5:8).
Para, como Igreja, cumprirmos nossa missão e resguardarmos nossa identidade precisamos, como templo do Espírito, praticar o que é lícito não apenas socialmente, mas essencialmente em harmonia com a nova vida que o Senhor nos dá, e, ainda mais, é preciso

iii.             GLORIFICAR A DEUS

19 Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?
20 Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.

Alguns cristãos agem como se Deus precisasse de seus louvores, ou de sua atuação para ser glorificado. Este é um equívoco porque Deus é eterna e imensamente glorioso. Deus não precisa de nada – tudo é dele, tudo é por ele e tudo é para ele (Rm 11:36) e toda a terra está cheia da sua glória (Is 6:3). Certa vez um professor de matemática que gostava de ensinar macetes aos seus alunos disse uma frase que marcou meu entendimento sobre glorificar a Deus. E note que ele era professor de matemática: “Quer aprender como glorificar a Deus? Quer um método mais fácil do que somar dois e dois? Aprenda a conjugar o verbo amar – e o conjugue no presente, todo o tempo.”
Para uma sociedade que pensava que para glorificar a Deus tinha que obedecer a muitos mandamentos (um rabino chamado Moshê ben Maimon, ou Maimônides, ou ainda Rambam, chegou a listar 613 deles). Se 10 já é impossível, imagine 613. Mas mesmo assim o Senhor Jesus apresenta apenas dois, e ambos conjugam o verbo amar: amar a Deus e à criação de Deus (Lc 10:27) porque quem conhece a Deus ama verdadeiramente (I Jo 4:8) e nem esses dois conseguimos cumprir integralmente.
Não há como duvidar disso, em toda a Escritura Deus se mostra como curador, provedor, consolador, como pai amoroso que através de obras de incomparável poder prova o seu amor para conosco (Rm 5:8) pagando um alto preço para satisfazer uma necessidade que era nossa, e não dele. Nós precisávamos conhecê-lo, amá-lo e para isso ele pagou um preço extremamente alto (I Co 6:20) e a maneira de expressarmos nossa gratidão e glorificá-lo é sendo, de fato, templo do seu Espírito sendo, afinal, um com ele (I Co 6:17-19).
Quer aprender como glorificar a Deus? Siga alguns passos muito simples. É um resumo, muito, muito simples, mas suficiente por ora: em primeiro lugar, conheça-o verdadeiramente (Jo 17:3) e isto só pode ser feito por intermédio do reconhecimento de Jesus Cristo como o Filho de Deus (Mt 16:17); em seguida reconheça-o como seu Senhor e salvador pessoal (At 16:31) e então passe a conhecer e reconhecer sua vontade como imperativa (Jo 15:14) guardando os seus mandamentos (Jo 14:21).
Sim, é somente através do andar no caminho das boas obras que o Senhor preparou de antemão que de fato o Senhor será glorificado. É pelo frutificar de seu povo (Jo 15:8 - Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos), pelo que ele fala e faz, que o nome do Senhor é glorificado não apenas na Igreja, mas também entre os incrédulos (I Pe 4:11).

CONCLUSÃO

Ser templo do Espírito Santo não é uma tarefa fácil. Não é uma simples questão de querer pessoal – é uma determinação do mesmo Deus que nos assiste em nossas fraquezas. É impossível à vontade desassistida do homem (Rm 7:19). O Espírito é o que habita o que crê e, ao mesmo tempo, o sustenta em sua fé.
É por isso que não é impossível ser templo do Espírito Santo – esta é uma ação de Deus, a santificação é uma ação de Deus na vida do crente (Jo 17:17), e a ação do crente é busca-la perseverantemente porque ela lhe é essencial para que ele tenha comunhão com o seu Senhor (Hb 12:14).
Paulo nos mostra que a maneira de glorificarmos a Deus é, diariamente, nos exercitarmos em obediência à sua vontade, através de um testemunho vivo de que somos seus instrumentos, prontos para o seu serviço em uma atitude que demonstre, antes de mais nada, amor total a ele, e, depois dedicação ao próximo.
Glorificar a Deus é, cumprindo sua vontade, encontrar recursos para fugir ao pecado, e viver obedecendo a sua Palavra é o melhor meio para não transgredir sua vontade (I Jo 3:4).
Para fugir do pecado (I Tm 6:11), e viver como templo do Espírito Santo de Deus o melhor, ou melhor, o único método infalível é viver sua Palavra, testemunhar seu amor e sacrifício e mostrar ao mundo que, mesmo que falem contra nós, a fé em Cristo realmente faz diferença na vida de um pecador (I Pe 2:12).
Faça um exame de você mesmo, se, sendo membro da Igreja, você efetivamente é Igreja, isto é
i.               Você efetivamente é templo do Espírito Santo? Você consegue perceber a atuação do Espírito em você ajudando-te a reconhecer o pecado que te assedia e te impulsionando a fugir dele (Hb 12:1);
ii.              Você, sendo Igreja, tem procurado efetivamente conservar seu corpo como templo do Espírito, usando-o para receber as bênçãos de Deus e tributar-lhe a glória que lhe é devida (Sl 103:1);
iii.            Você, sendo Igreja, sendo templo do Espírito e procurado manter sua vida pura para glória do Senhor, tem efetivamente mostrado a outros a diferença que faz na vida de um pecador conhecer a Jesus e reconhece-lo como seu Senhor e salvador (Ml 3:18).
Que testemunho você tem dado para mostrar que o seu corpo é o templo do Espírito Santo? Andar no Espírito (Gl 5:16) exige que se viva de acordo com a Palavra de Deus como se vive respirando o oxigênio.
Andar no Espírito é mais do que ler um pouco de bíblia, estuda-la de vez em quando ou fazer um curso aqui ou outro ali. É colocar em prática a orientação que Deus deu a Josué (Js 1:8), amando a Palavra de Deus, deleitando-se em sua vontade e cumprindo-a sem desvios (Js 1:7) e, com isso, exaltaremos a obra de Cristo, porque a obra do Espírito é exaltar a Cristo em nós e através de nós.
E este é o plano de Deus para todos os seus servos, e não apenas para uns poucos privilegiados (Tg 2:1) como se houvesse privilegiado diante do Senhor (Rm 2:11).

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