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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

DEUS CHAMA OS SEUS ESCOLHIDOS APESAR DO QUE ELES SÃO

ELES SÃO CONTADOS ENTRE “AS COISAS LOUCAS DO MUNDO”

Os cristãos são colocados como uma coisa, um objeto de escárnio. Ninguém valoriza, ninguém dá atenção a um louco a menos que isto lhe seja uma ameaça. Mas, mais que isto, ninguém segue a quem considera não possuir nenhum tipo de saber. E é este tipo de loucura que o apostolo Paulo atribui aos cristãos. A expressão paulina refere-se à qualidade da loucura atribuída a eles, na aos próprios cristãos como pessoas. Eles não eram insensatos ou malucos. É o mesmo Paulo que afirmou expor sabedoria entre os experimentados (1Co 2.6 (i.e.: de grande labor mental)) que envergonha os sábios da época.
Os sábios consideravam loucura a mensagem do evangelho, mas a verdade que lhes envergonhava é que eles não tinham nada melhor a oferecer. Suas diferentes teorias eram apenas teorias, especulações vazias que não satisfaziam nem mesmo aos seus autores. Enquanto se digladiavam tentando oferecer ensinamentos vazios a preço de ouro, o cristianismo oferecia mensagem de salvação a preço de sangue - mas de graça aos que a recebessem. Isso lhes parecia loucura. Seu nada era caro, o tudo de Deus aos homens era sem custo algum para quem não merecia. Como aceitar?
Como aceitar que escravos fossem maiores que seus senhores? Como aceitar que pecadores precederiam religiosos dedicados no reino porvir (Mt 21.31)? Para um escravo ser tratado como “coisa” não havia novidade, mas para os arrogantes coríntios era extremamente humilhante, e é justamente neste momento que Paulo mostra a imensidão da graça de Deus. Nenhum de nós escolheria alguém igual a si mesmo para salvar - mas Deus o fez. A maravilha está justamente em Deus dizer que nada somos - e nos escolher para si.

ELES SÃO CONTADOS ENTRE “OS FRACOS DO MUNDO”

Parece um paradoxo pensar que os cristãos, filhos do rei, herdeiros de todas as coisas, não possuíam poder algum. Não tinham direitos legais nas cidades, eram constantemente perseguidos e não tinham defensores. Seus bens eram espoliados - seus filhos escravizados, eles próprios lançados às masmorras e anfiteatros para jogos cruéis e servirem de pasto a leões e outros animais ferozes. Um cristão genuíno não tinha direito legal para buscar reparação nos tribunais, e, tampouco, deveriam fazê-lo porque, espiritualmente, isto significa prestar oferendas aos deuses greco-romanos. Os heróis gregos, como Hércules, Perseu, Teseu, Ulisses e outros eram idolatrados. Notemos que os cristãos eram realmente fracos no sentido. E foram escolhidos assim para serem transformados em vencedores, em heróis como mostrado na galeria da fé. Mas nenhum deles enfrentava dezenas de leões sem armas, e, ainda, cantando louvores. Nenhuma das mulheres dos poderosos podiam suportar sentar-se em uma chapa de ferro em brasa e ainda continuar anunciando Cristo como Senhor.
Nenhum de seus senadores era capaz de caminhar para o cadafalso e, tendo a oportunidade de escapar, preferir a morte como uma maneira de anunciar a vitória sobre esta mesma morte. Um simples cristão era capaz de demonstrar maior força e coragem que todo senado romano. Deus os escolheu - eles tinham certeza da vitória, a morte não era temida porque já fora vencida, seu aguilhão não representava mais motivo algum de receio ou temor. Os fortes, tão admirados pelos coríntios, admiravam os mais fracos entre os cristãos porque, estes, na sua fraqueza, demonstravam força inigualável (2Co 12.10).

ELES SÃO CONTADOS ENTRE “COISAS” HUMILDES E DESPREZADAS, SEM VALOR

Homens sem sabedoria filosófica, sem poder político-econômico, e, agora, sem nobreza de nascimento.
Eram, aos olhos dos romanos, piores que os libertos ou os livres que enchiam suas cidades.
Eram piores que os imigrantes porque estes aceitavam de bom grado os costumes de sua época.
Eram piores que os escravos, pois afirmavam terem apenas Cristo como seu Senhor. Para tornar as coisas ainda mais claras aos olhos dos pretensiosos e jactanciosos coríntios, Paulo lhes lembra que eles, em sua maioria, eram imigrantes - tidos como cidadãos de segunda categoria aos olhos dos dominadores romanos. Podiam trabalhar, ajuntar dinheiro e comprar propriedades. Com muito custo podiam comprar a cidadania romana (At 22.8-29).
A idéia de não serem de nobre nascimento estava associada a uma certa indignidade moral, uma inferioridade que não poderia ser retirada de maneira alguma. Sua cidadania seria sempre comprada, nunca natural. E eles eram, efetivamente, tratados como coisa sem valor. Um liberto que morre logo tem seu lugar tomado por outro. Um escravo já significava prejuízo. Por isso Paulo os adverte que eram tidos por desprezíveis, e, ainda, um termo ainda mais forte, sem valor algum. A jactância coríntia era reduzida a nada.
E é justamente este o poder da mensagem da cruz: o que era nada, sem valor algum, desprezada e inútil, que é usado por Deus em uma atividade recriadora. Deus não precisava, necessariamente, usar nada do material existente nos chamados. Ele pôde recriá-los. E é com estas “coisas”, essas não pessoas, que nada eram que Deus torna sem valor algum, inútil e envergonhado, aquilo que tanto era valorizado pelos homens - e podemos afirmar que isto não mudou absolutamente nada.
Era assim nos tempos de Paulo, continua assim nos nossos tempos. Os homens ainda correm atrás dos “sábios”, dos poderosos, das nobres castas de seu tempo. E para que? Para nada. Como sempre foi.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

APRENDENDO A SER CRENTE COM O CRENTE DANIEL - III

III: COMO DANIEL VOCÊ DEVE CONHECER A VONTADE DE DEUS

Dn 5.24-31 - Então, da parte dele foi enviada aquela mão que traçou esta escritura. 25 Esta, pois, é a escritura que se traçou: MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM. 26 Esta é a interpretação daquilo: MENE: Contou Deus o teu reino e deu cabo dele. 27 TEQUEL: Pesado foste na balança e achado em falta. 28 PERES: Dividido foi o teu reino e dado aos medos e aos persas. 29 Então, mandou Belsazar que vestissem Daniel de púrpura, e lhe pusessem cadeia de ouro ao pescoço, e proclamassem que passaria a ser o terceiro no governo do seu reino. 30 Naquela mesma noite, foi morto Belsazar, rei dos caldeus. 31 E Dario, o medo, com cerca de sessenta e dois anos, se apoderou do reino.


Uma característica importante em Daniel era não se adequar ao que era politicamente correto. Todos os escravos ficaram felizes em comer bem, carnes e vinhos, mas Daniel e os crentes preferem a pureza e pedem para comer legumes (Dn 1:8).

Como o profeta Micaías, que todos sabiam que profetizaria a vontade de Deus mesmo diante da pressão de reis poderosos como Acabe de Israel e Josafá de Judá (1Rs 22:8). Chegou o momento de colocar em prática a sabedoria que Deus lhe havia dado (Dn 1:17). Era hora de dar uma notícia ruim ao rei Belsazar. Havia muita gente que leria sem dificuldade a expressão }ysrpyw lqt )nm )nm). Mas e o que ela significava realmente?

Daniel não participava dos banquetes onde o nome do Senhor era profanado, como um crente não deve participar de nenhuma assembléia onde o nome do Senhor é profanado ou usado em vão. Mas ele soube da mão que escrevia na parede enquanto Belsazar usava os utensílios do templo em suas festas orgíacas.

Apesar de a notícia a ser dada ao rei não ser nada agradável Daniel explica ao rei Belsazar o que lhe aconteceria por ter ultrajado os utensílios do templo. Crente não negocia a verdade, crente não tenta ser politicamente correto, crente não fala o que o outro quer ouvir só para não contrariar. Crente diz não quando tem que dizer não mesmo que isto implique em correr riscos (At 5:29).

Daniel diz ao rei o que lhe aconteceria. Seu pai Nabucodonosor havia trazido os utensílios de Jerusalém mas os respeitara. Belsazar não fez o mesmo, e o Senhor tirou-lhe o reino naquela noite. Daniel poderia ter dito que Belsazar poderia ser punido por Deus e nada mais - mas ele afirma claramente que Belsazar seria deposto.

Daniel conhecia a vontade de Deus e não deixa de dizer o que precisava ser dito. Se você quer ser crente, então pense nisso: você precisa se reunir com os crentes para fazer coisas de crentes, conhecer a vontade de Deus e não se esquivar de anunciá-la mesmo que ela não seja politicamente correta e possa lhe trazer antipatias. Querer ficar com a maioria quando esta está cometendo impiedades não é sabedoria, é apenas cômoda covardia.

TRAZENDO À MEMÓRIA O QUE APRENDEMOS COM O CRENTE DANIEL PARA PROSSEGUIR APRENDENDO E PRATICANDO


Tg 4:17 - Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.


Precisamos retomar o nosso foco em Daniel lembrando aquilo que já aprendemos com uma pergunta: o que, daquilo que você já aprendeu, você colocou em prática? Quanto do que você aprendeu se tornou realidade e quanto foi como areia na mão numa tarde de sol na praia? É certo que para ouvidos insensíveis, endurecidos, rebeldes e moucos a Palavra de Deus não fará qualquer sentido e não produzirá nenhum fruto por causa da dureza da cerviz (2Rs 17:14) e permanecerão continuamente na prática das mesmas obras más, como sempre aconteceu com o povo de Deus antes de uma calamidade (2Rs 17:40).

Permita-me ajudar-te a lembrar o que já aprendemos com o crente Daniel através de algumas observações bem simples e práticas:

i. Você tomou a firme decisão de ser crente? A palavra usada para definir os crentes na bíblia é pistós (pisto/j), que significa “aquele que é fiel”. Não é fácil ser crente diante das ofertas tentadoras do mundo e das inclinações pecaminosas da carne. Ser crente é confiar a condução de sua vida profissional, pessoal, emocional e espiritual ao Senhor Jesus e obedecê-lo, deixando de praticar obras carnais como maledicência, porfia, dissensão, ira, discórdia, lascívia, glutonaria, bebedice, adultério, idolatria, partidarismo, mentira, preguiça e tantas outras. É por isso que o crente tem como fruto do Espírito o autodomínio.

ii. Você decidiu juntar-se aos crentes para fazer coisas próprias de crentes? Mas o que crentes de verdade fazem? Além de evitar as obras da carne citadas anteriormente, crente lê a bíblia, crente ora com e pelos que estão sofrendo, crente alegra-se com os que se alegram, crente estuda a Palavra de Deus, crente congrega, crente ora pelo bem estar e por sabedoria de Deus ao seu pastor, crente ora pelas autoridades da Igreja e de sua nação, crente ora por seus irmãos, crente não se envolve em rebeliões ou em atitudes de escárnio, pecado e impiedade, crente perdoa e não vive à procura de vingança para satisfazer seu coração pecaminoso.

iii. Você já decidiu-se por conhecer a vontade de Deus? Responda para você mesmo, diante de Deus, quantos versos da Palavra de Deus você leu esta semana com a intenção de compreender e aplicar à sua vida? Esqueça aqueles textos retirados do contexto que você lê no Facebook, Instagram ou WhatsApp muitas vezes usados sem propósitos edificantes. Quero saber se você pegou sua bíblia, retirou-se para um lugar sossegado e orou ao Senhor pedindo que ele falasse ao seu coração, corrigindo o que estivesse errado e fortalecendo você nas suas fraquezas ou nas suas decisões que contribuem para a sua glória? Diga para você mesmo, agora, o que você aprendeu e praticou esta semana após dedicar-se à leitura e meditação na Palavra de Deus? Quanto tempo? Quantos capítulos das Escrituras? Quantos versos?

iv. Você já se decidiu a investir seu tempo com Deus? Quanto tempo você investiu em buscar a face de Deus esta semana? Quanto tempo investiu no seu trabalho? Quanto tempo gasto no seu lazer? Quanto tempo perdido diante de novelas esdrúxulas e afrontosas ao Senhor e aos seus mandamentos? Quanto tempo perdido com conversas infrutíferas no WhatsApp e visualizações de curiosidades inúteis no Facebook? Quanto tempo de oração diária? Quanto tempo de meditação silenciosa? Quanto tempo para estar a sós com Deus? E o que Ele lhe disse? O que Ele lhe disse para fazer? Como Ele mandou você agir? Que tipo de comportamento Ele mandou você ter?

Como já vimos conhecendo um pouco sobre a vida do crente Daniel não era fácil ser crente naqueles dias, cercado de inimigos e numa cultura hostil. Mas, quer ouvir uma coisa impressionante? Também não é fácil ser crente hoje. Não é fácil ser crente em tempo algum e em lugar nenhum e não é somente por causa da oposição do mundo. Aliás, quanto menos oposição, quanto menos provação mais difícil é ser verdadeiramente crente (Tg 1:2-4).

É preciso mais sabedoria para ser crente quando a provação não vem, é mais difícil ser crente em dias de bonança (Pv 30:7-9) do que viver pela fé que em meio às provações, e esta sabedoria deve ser pedida ao Senhor (Tg 1:5).

Não é fácil ser crente e o maior adversário do crente não é o mundo, embora ele esteja cheio de tentações, nem é o diabo, embora ele seja um adversário perigoso e cruel (1Pe 5:8) e uma de suas práticas prediletas é a de ser maledicente, isto é, ser o acusador falando mal dos crentes (Ap 12:10) no que é muitas vezes imitados por seus filhos, isto é, seguidores humanos que fazem o que ele quer que façam (Sl 109:6).

O maior problema para o crente ser crente é o de decidir em seu coração e  em virtude disso agir como crente, dominando-se e evitando atender às inclinações pecaminosas de seu próprio coração (Tg 1:14-15).

Mas ainda não aprendemos tudo com o crente Daniel, há pelo menos mais três características de Daniel que podem nos ajudar, como Igreja sábia e fiel, a sermos crentes.


quarta-feira, 14 de agosto de 2019

MALEDICÊNCIA! PECADO ODIOSO E DESTRUTIVO!


Recentemente li um artigo de que tratava sobre 5 maneiras de se tratar o problema da maledicência na Igreja trazendo algumas observações e conselhos bastante salutares, que vou resumir aqui antes de prosseguir com algumas observações pastorais. Acredito que se cada cristão observar estes passos simples este mal pode ser erradicado de qualquer igreja, por mais que ela esteja acostumada a esta prática.

I.    MONITORE SUAS PALAVRAS: Antes de ouvir o que as pessoas tem a dizer, ouça o que você mesmo diz. Cuide do que você fala, para quem você fala e o que você quer alcançar com sua fala. Garanta que suas palavras são dignas dos lábios de um cristão, se são edificantes e não destrutivas.

II. EVITE POLUIR SUA MENTE: Seja cuidadoso com o que chega à sua mente porque tudo que lhe chega causa alguma impressão. Não aceite ouvir detalhes negativos sobre a vida de quem estiver ausente. Mude o tema da conversa, saia da presença desta pessoa ou afaste-a do convívio de sua casa imediatamente.

III. REAJA POSITIVAMENTE CONTRA A MALEDICÊNCIA: Rejeite educada e biblicamente participar de qualquer conversa maledicente. Não se deixe dominar pela mórbida curiosidade. Recorde às pessoas se o que elas vão falar merece ser dito para promover a fraternidade cristã e o evangelho de Cristo.

IV. DESCONFIE. SEMPRE HÁ MORTE NA ÁGUA: A maior parte do conteúdo de maledicências tem origem num coração amargurado e pode conter inverdades. Antes de perguntar se o que está sendo dito é verdadeiro, parta do princípio de que toda maledicência é má.

V. FAÇA A MALEDICÊNCIA TERMINAR EM VOCÊ: Você pode estar sendo usado como instrumento para passar uma maledicência adiante. Faça-a morrer quando chegar a você de duas maneiras: a primeira é não dando-lhe crédito, e a segunda é convidando o mexeriqueiro a ir conversar com a vítima deste mal. Se não conseguir, informe a pessoa agredida de que ela está sendo defraudada para que possa se defender.

Lembre-se que maledicência pode ser enquadrada como crimes de calúnia (acusar alguém de uma falta que não cometeu com o propósito de causar-lhe prejuízos) ou difamação (espalhar informações verdadeiras ou não a respeito de alguém com o intuito de prejudicar lhe).

A prática da maledicência é chamada de mexerico e mexericar equivale a atentar contra a vida de alguém. Observe que a ordem da Escritura, num dos livros da Lei, é que o crente não ande com quem tem esta prática como costume (Lv 19.16 - Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não atentarás contra a vida do teu próximo. Eu sou o SENHOR!). Preste atenção porque a Escritura nunca toma o nome do Senhor em vão.

Evitar o mexerico e o mexeriqueiro também é uma orientação da sabedoria divina (Pv 20.19 - O mexeriqueiro revela o segredo; portanto, não te metas com quem muito abre os lábios). O sábio é enfático: não te metas com o mexeriqueiro, não te deixes enredar por um especialista. Geralmente o que um maledicente fala diz mais sobre o seu próprio caráter do que sobre o caráter da vítima.

Como disse no princípio, quero encerrar com um conselho bastante salutar: não confunda o amor cristão com a omissão diante da prática do mal. O amor cristão não se alegra em ver a injustiça ser praticada. Ele rejubila com a verdade. Quando ouvir algo maldoso sobre alguém, busque o contraditório, dê ao outro o direito de saber do que é acusado e defender-se e não se esquive do dever cristão de testemunhar a verdade.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

CARACTERÍSTICAS DE UM CRENTE QUE DESEJA FAZER TUDO EM NOME DE JESUS - Cl 4 2 6

Não é difícil reconhecer que as exortações bíblicas são demasiado difíceis para serem colocadas em prática sem falhas. Paulo sabia disso, João também deixa bastante claro que, quando falhamos, temos advogado junto ao pai (I Jo 2:1). Um homem natural não tem condições alguma de vencer a guerra contra o pecado – mas quem disse que o crente é um homem comum, um homem natural (I Co 2:13) apesar de às vezes não agirem assim (I Co 3:1)? O homem natural é vendido à escravidão do pecado, não consegue nem ver nem compreender as coisas de Deus – mas aquele que é nascido de Deus é capacitado pelo próprio Deus para vencer o pecado (I Jo 5:4) e ser, por meio de Cristo Jesus, mais do que vencedor (Rm 8:37). O mesmo texto que diz aos crentes que eles devem fazer tudo em nome do Senhor Jesus para glória de Deus pai nos dá algumas preciosas instruções sobre como, com as armas espirituais (II Co 10:4), fazer tudo de maneira que glorifique o Senhor (I Co 10:31).
2 Perseverai na oração, vigiando com ações de graças. 3 Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado; 4 para que eu o manifeste, como devo fazer. 5 Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. 6  A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um.
Cl 4.2-6

INTRODUÇÃO

Podemos dividir a carta de Paulo aos colossenses da seguinte maneira: a primeira seção (1.1 – 12) na qual ele expõe seu interesse e suas orações em favor dos colossenses; depois ele mostra quem Cristo é (1.13-20) seguido do resultado da chegada do evangelho (e que é evangelho é esse) na vida dos colossenses (1.21-2.5). Na segunda seção Paulo da várias exortações aos colossenses sobre como viver esta nova vida após terem recebido a Cristo e estarem neles edificados e confirmados: eles devem andar em Cristo (2.6-7); cuidar para não serem enganados (8-15); não se submeterem a nenhuma forma de jugo humano (16-23); buscar e pensar nas coisas do alto (3.1-4) de maneira a fazer morrer a natureza terrena (5-10); revestir-se de um novo princípio de vida (11-16) tudo fazendo em nome de Cristo (17-4.1). Como fazer isso? Como fazer tudo em nome de Cristo se o próprio Paulo diz que o bem que ele queria fazer ele não conseguia, mas que, ao final, acabava fazendo o mal que não queria (Rm 7:19). Como fazer tudo para agradar a Deus sabendo que ninguém consegue cumprir a lei, não há ninguém que nunca peque e sempre faça o bem (Ec 7:20). De onde tirar poder para fazer tudo em nome do Senhor Jesus Cristo? O mesmo Paulo que nos exorta a tudo fazer em nome de Cristo para glória de Deus pai é o mesmo que nos fornece os meios para, mesmo quando não conseguirmos, perseverarmos sempre e não perdermos o ânimo jamais. Quais são as características, afinal, daqueles que, renascidos pela graça de Deus, prosseguem para o alvo da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus (Fp 3:14).

DEPENDÊNCIA DE DEUS

2 Perseverai na oração, vigiando com ações de graças. 3 Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado
Como fazer tudo perfeito (Mt 5:48) sendo imperfeito? Como acertar sempre se, desde o ventre, carregamos a marca do pecado e da iniquidade (Sl 51:5). Uma das atitudes mais comuns é o desespero, como vemos, ainda que encontrando solução imediata, em Paulo (Rm 7:24) ou a desorientação que vemos nos hebreus após a mensagem acusadora e redentora do pentecostes (At 2:37). Há os que preferem se entregar a um tipo qualquer de vida sem sentido e sem esperança (I Co 15:32). Paulo nos propõe a não confiarmos em nós mesmos porque em nós não habita bem algum (Rm 7:18) e colocarmos toda a nossa confiança naquele que já fez tudo o que era necessário ser feito para que tivéssemos nova vida, para que lhe pertencêssemos e, por meio dele, fossemos tornados aceitáveis pelo Senhor (Tt 2:14). Dependência de Deus em todo o tempo. Esta é a resposta. Eu não posso – e Deus e eu sabemos quanto eu não posso. Mas nós sabemos também que você não pode. Não adianta você me dizer que consegue. Não adianta você dizer que vai tentar mais uma vez – será mais um fracasso. Não adianta perseverar tentando sozinho, mas há algo que você pode fazer – entregar-se como criança nas mãos do Senhor e assumir que depende dele para tudo, em todo o tempo. A orientação de Paulo é para perseverar em oração, e oração não é outra coisa senão dizer a Deus que depende dele para a vitória sobre o pecado e a solução dos problemas da vida, e, também, agradecer a Deus pelo muito que ele já fez. A receita de Paulo é desistir de lutar com suas próprias forças e aceitar a vitória conquistada pelo Senhor Jesus, que faz daqueles que nele esperam mais do que vencedores (Rm 8:37). Somente um ímpio não encontra motivos para agradecer a Deus por todos os seus benefícios (Sl 116:12) sempre constantes e que se renovam todas as manhãs (Lm 3.22-23). Já se colocou diante de Deus para agradecer porque ele te livrou do império das trevas e te fez cidadão do reino do filho do seu amor? Devoção perseverante e ações de graças constantes. Isso é algo para ser feito por si mesmo, vigiando-se a si mesmo, e não aos outros. Paulo nos diz para não nos preocuparmos com os outros, mas para orarmos e vigiarmos por nós mesmos (Rm 14:4). Este senso de dependência de Deus expressa-se também e ao mesmo tempo em intercessão. A mesma oração que agradece a Deus pela vitória concedida intercede para que novas vitórias sejam alcançadas. A Paulo havia sido dado a missão de tornar conhecido perante todos o que antes era reservado para poucos (Mc 4:11). Paulo afirma ter recebido a revelação deste mistério (Ef 3:3) concomitantemente com a ordem para fazê-lo conhecido perante os gentios (Ef 6:19). Para cumprir sua missão Paulo mais de uma vez roga que os crentes intercedam por ele. E esta é uma das características da nova vida em Cristo, do fato de ter sido feito nova criatura (II Co 5:17) e retirado do império das trevas. O egoísmo dá lugar ao altruísmo – e diferente do que estamos acostumados a ver atualmente, Paulo não queria que orassem por sucesso financeiro ou profissional – ele queria que os colossenses orassem em favor dele para que o Deus que os livrou do império das trevas lhe concedesse, a Paulo, oportunidades para proclamar o conhecimento que antes era oculto, ao qual ele chama várias vezes de mistério – o evangelho que vem de Cristo, é Cristo e é sobre Cristo. Qual o propósito disto? É pela dependência de Deus que o cristão recebe poder para viver de modo digno do evangelho (Fp 1:27) e, assim, testemunhar a graça salvadora de Deus em Cristo Jesus.

DISPOSIÇÃO PARA OBEDIÊNCIA A DEUS

4 para que eu o manifeste, como devo fazer.
Se a primeira característica é a dependência de Deus, esta dependência, inclusive na intercessão, tem como alvo ser capacitado para a obediência. Paulo foi chamado para pregar o evangelho perante os gentios (At 9:15) e é para pregar este evangelho, para os gentios, que ele pede para que os colossenses intercedam por ele (Ef 6:19). Para pregar o evangelho Paulo não precisava de retorica ou palavras persuasivas, comuns aos mestres de seus dias (I Co 2.1-2) porque a persuasão para os corações dos pecadores deveria vir do próprio Deus – e não dos homens, porque, se de homens, ela é falha (Gl 5:7-8). O que Paulo precisava, e queria, era o poder de Deus capacitando-o a tornar conhecido o evangelho de Cristo, mesmo que os judeus considerassem um escândalo a adoração a alguém que fora crucificado, sinal maior de maldição, e os gentios considerassem esta história uma tolice ou loucura, pois adorar um herói era-lhes natural, mas adorar alguém que foi morto de maneira vergonhosa era-lhes absurdo (I Co 1:23). Paulo queria poder para obedecer. Queria que Deus lhe abrisse a porta para proclamar o evangelho de Cristo, para tornar conhecido a salvação por intermédio deste mesmo Cristo, único meio de salvação. Esta obediência era uma obrigação (I Co 9:16) a que ele se sentia constrangido pelo amor de Deus (II Co 5:14) que ele sabia, era muito grande e foi a motivação para a sua própria salvação e a de todos os demais pecadores, mortos em delitos e pecados (Ef 2.4-5). Isto não é realidade apenas para Paulo – nós também fomos chamados à obediência, e é uma tolice achar que meros sacrifícios (I Sm 15:22) ou cultos elaborados, animados ou “espirituais” (Ml 1:10) são mais agradáveis a Deus do que obedecê-lo de coração (Mt 15:8). Tanto faz que seja eu ou você, Paulo ou Paulina… todos fomos chamados à mesma forma de obediência ao evangelho que recebemos – se é que ele não foi recebido em vão, com alegria passageira em reuniões muitas vezes cheias de manipulação e promessas de prosperidade e vitórias fantasiosas para logo ser abandonado quando a vida real se apresenta com seus reclames, porque para obedecer a Jesus (Jo 15:14) guardando os seus mandamentos (Jo 14:15) tem-se que estar disposto a resistir, se necessário, até que o seu próprio sangue seja derramado (Hb 12:) por amor àquele que é nosso modelo e, por nós, derramou todo o seu sangue em nosso favor (Fp 2:8). Qual o propósito disto? É pela dependência de Deus que o cristão recebe poder para viver de modo digno do evangelho, testemunhando a graça salvadora de Deus em Cristo Jesus obedecer ao mandato de fazer discípulos (At 26.19-20).

SABEDORIA DE DEUS

5 Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. 6  A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um.
O apóstolo Tiago nos diz que, se alguém quer sabedoria, deve pedi-la a Deus que ele concede com liberalidade (Tg 1:5), e é ele quem capacita o cristão a tudo fazer em nome de Cristo, para glória de Deus pai, e, certamente isto inclui ser sábio para discernir tanto a vontade de Deus quanto a maneira de agir em meio a uma geração que desconhece esta mesma vontade (Mc 13:11). A orientação de Paulo é para que aqueles que entregaram o seu caminho ao Senhor confiadamente e nele acham graça (Hb 4:16) façam o seu próprio caminho junto com sua vizinhança com sabedoria, e precisamos ser lembrados que há caminhos que ao homem parecem direitos, mas ao cabo dão em morte (Pv 14:12). A bíblia nos diz aqui que o caminho do crente deve ser orientado de tal modo que isto beneficie os de fora – devemos aproveitar as oportunidades não por nós, mas para beneficio dos que ainda não conhecem a Jesus Cristo. O crente já tem tudo, já tem o Senhor como seu pastor, e isto é fonte de satisfação (Sl 23:1). Se alguém ousar dizer que ter Jesus não é suficiente, que ter o Senhor de tudo como o maior interessado no seu bem estar é insatisfatório, então, posso dizer sem sombra de duvida que este alguém ainda não experimentou o amor de Deus, e na verdade, ama o mundo (I Jo 2:15). Então, se temos tudo, as oportunidades que nos são dadas não podem ser para nosso próprio beneficio, como, por exemplo, o encontro de Filipe com eunuco etíope (At 8:29 -), ou de Paulo com o carcereiro de Filipos (At 16:31) ou até mesmo o envio de José para o Egito (Gn 50:20). Esta sabedoria para perceber as oportunidades, aproveitando-as em beneficio dos que estão próximos também se revela-se em falar para edificação, em usar as palavras certas, no momento certo. Isto não quer dizer palavras agradáveis, mas palavras abençoadoras, palavras que lembram ao homem o resultado dos seus pecados (I Co 15:26) mas ao mesmo tempo apresentam a salvação através da mensagem redentora, contendo a verdade do evangelho da graça do nosso Senhor Jesus Cristo (At 20:24). É a sabedoria que vem de Deus que dá discernimento para que o crente possa responder às oportunidades que surgirem, proporcionando o bem a cada um que questionar a razão da esperança que há em seus corações (I Pe 3:15). Qual o propósito disto? É pela dependência de Deus que o cristão recebe poder para viver de modo digno do evangelho, testemunhando a graça salvadora de Deus em Cristo Jesus obedecer ao mandato de fazer discípulos, abençoando suas vidas com a redenção graciosamente oferecida em Cristo Jesus, enquanto eles eram, ainda, sem Deus no mundo (Ef 2:12).

E VOCÊ, LEITOR

Em primeiro lugar, não espere que eu peça desculpas por lhe dizer que, sem crer em Cristo, sem confessá-lo como seu Senhor e salvador você está perdido, é, segundo as palavras da bíblia, uma pessoa sem Deus no mundo, vivendo em inimizade contra o Senhor que chama quem assim vive de ímpio, fraco e pecador (Rm 5.6-8). O que fazer? Perguntar-se como os judeus no pentecoste (At 2:37) e aceitar as mesmas orientações (At 2:38). Não há outro jeito. A alternativa é receber a ira de Deus (Jo 3:36).

E VOCÊ, CRENTE

Se esta primeira etapa, a de deixar de ser inimigo de Deus para ser adotado como seu filho (Gl 4:5) já foi alcançada, resta aos filhos de Deus andarem como filhos de Deus. Os filhos da luz devem andar como filhos da luz (Ef 5:8). Não basta ser religioso – religiosos conspiraram para matar o Senhor Jesus. É necessário mais – é necessário ser amigo do Senhor Jesus – obedecendo-lhe em tudo (Sl 119:4) porque só assim é possível demonstrar que, realmente, é amigo do Senhor (Jo 15:14). É preciso depender de Deus e confiar nele, esperando dele o poder para obedecer-lhe em tudo – e tornar sua graça conhecida àqueles que, de outra maneira, continuariam perdidos sem a luz do evangelho.

E VOCÊ, AGORA

Certa vez alguém disse que não importa em qual classificação você consegue entrar numa faculdade – o que importa realmente é você sair dela com o curso concluído. Da mesma maneira o que é mais importante não é como você começou, nem como você se sentia, mas quais disposições tomarão conta do seu coração. E somente três disposições são, realmente, aceitáveis:
i.                   Coração dependente de Deus para viver de modo digno do evangelho testemunhando a graça salvadora de Deus em Cristo Jesus;
ii.                Coração disposto a obedecer ao Senhor, seguindo-o e fazendo discípulos, como ele ordenou;
iii.             Coração dependente e obediente, aproveitando as oportunidades para abençoar àqueles que viviam sem Deus no mundo.

Não é admissível que aqueles que foram libertos do império das trevas ainda queiram viver nas trevas. Não é admissível que aqueles que eram escravos do pecado e foram chamados à liberdade por meio do Espírito queiram retornar à escravidão dos dominadores das trevas. Não é possível que insistam em cometer o mesmo erro cometido por Adão e Eva, que, desejosos de serem independentes de Deus, não entendiam que estavam sob sua proteção soberana que evitava que se tornassem escravos da morte. Não é possível que não de disponham a obedecer por amor quando obedeciam por medo da morte (Hb 2:15) e mais inadmissível é que não queriam livrar outros deste mesmo pavor. Agora você já não é mais o mesmo – sabe o que o Senhor espera de você. Não importa como você estava – o que importa é como você está agora e o que fará daqui pra frente. Diante da ordem de tudo fazer em nome de Jesus para glória de Deus temos que nos deparar com o fato de que não conseguimos ser perfeitos como pais ou maridos – e lamentar a dor de falhar. Também não há quem consiga ser esposa e mãe perfeita, e é triste chorar por estar aquém do padrão de Deus e até mesmo do nosso próprio desejo (Rm 7:19). Não fomos os filhos que deveríamos ser, ou não somos os filhos que devemos ser, e isto é triste e lamentável. Falhamos como patrões e empregados, e, principalmente, toda e qualquer falha é uma falha diante de Deus, é uma transgressão à sua lei e o nome disso é pecado. Mas ao invés de desanimarmos, o que devemos fazer? A única coisa certa – confessar os nosso pecados, buscar o Senhor de toda misericórdia (Hb 4:16), deixar para trás as coisas vergonhosas e prosseguir para o alvo da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus (Fp 3.13-14). E que ele, com sua imensa misericórdia e para sua própria glória, nos ajude. 

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