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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

DEUS CHAMA OS SEUS ESCOLHIDOS APESAR DO QUE ELES SÃO

ELES SÃO CONTADOS ENTRE “AS COISAS LOUCAS DO MUNDO”

Os cristãos são colocados como uma coisa, um objeto de escárnio. Ninguém valoriza, ninguém dá atenção a um louco a menos que isto lhe seja uma ameaça. Mas, mais que isto, ninguém segue a quem considera não possuir nenhum tipo de saber. E é este tipo de loucura que o apostolo Paulo atribui aos cristãos. A expressão paulina refere-se à qualidade da loucura atribuída a eles, na aos próprios cristãos como pessoas. Eles não eram insensatos ou malucos. É o mesmo Paulo que afirmou expor sabedoria entre os experimentados (1Co 2.6 (i.e.: de grande labor mental)) que envergonha os sábios da época.
Os sábios consideravam loucura a mensagem do evangelho, mas a verdade que lhes envergonhava é que eles não tinham nada melhor a oferecer. Suas diferentes teorias eram apenas teorias, especulações vazias que não satisfaziam nem mesmo aos seus autores. Enquanto se digladiavam tentando oferecer ensinamentos vazios a preço de ouro, o cristianismo oferecia mensagem de salvação a preço de sangue - mas de graça aos que a recebessem. Isso lhes parecia loucura. Seu nada era caro, o tudo de Deus aos homens era sem custo algum para quem não merecia. Como aceitar?
Como aceitar que escravos fossem maiores que seus senhores? Como aceitar que pecadores precederiam religiosos dedicados no reino porvir (Mt 21.31)? Para um escravo ser tratado como “coisa” não havia novidade, mas para os arrogantes coríntios era extremamente humilhante, e é justamente neste momento que Paulo mostra a imensidão da graça de Deus. Nenhum de nós escolheria alguém igual a si mesmo para salvar - mas Deus o fez. A maravilha está justamente em Deus dizer que nada somos - e nos escolher para si.

ELES SÃO CONTADOS ENTRE “OS FRACOS DO MUNDO”

Parece um paradoxo pensar que os cristãos, filhos do rei, herdeiros de todas as coisas, não possuíam poder algum. Não tinham direitos legais nas cidades, eram constantemente perseguidos e não tinham defensores. Seus bens eram espoliados - seus filhos escravizados, eles próprios lançados às masmorras e anfiteatros para jogos cruéis e servirem de pasto a leões e outros animais ferozes. Um cristão genuíno não tinha direito legal para buscar reparação nos tribunais, e, tampouco, deveriam fazê-lo porque, espiritualmente, isto significa prestar oferendas aos deuses greco-romanos. Os heróis gregos, como Hércules, Perseu, Teseu, Ulisses e outros eram idolatrados. Notemos que os cristãos eram realmente fracos no sentido. E foram escolhidos assim para serem transformados em vencedores, em heróis como mostrado na galeria da fé. Mas nenhum deles enfrentava dezenas de leões sem armas, e, ainda, cantando louvores. Nenhuma das mulheres dos poderosos podiam suportar sentar-se em uma chapa de ferro em brasa e ainda continuar anunciando Cristo como Senhor.
Nenhum de seus senadores era capaz de caminhar para o cadafalso e, tendo a oportunidade de escapar, preferir a morte como uma maneira de anunciar a vitória sobre esta mesma morte. Um simples cristão era capaz de demonstrar maior força e coragem que todo senado romano. Deus os escolheu - eles tinham certeza da vitória, a morte não era temida porque já fora vencida, seu aguilhão não representava mais motivo algum de receio ou temor. Os fortes, tão admirados pelos coríntios, admiravam os mais fracos entre os cristãos porque, estes, na sua fraqueza, demonstravam força inigualável (2Co 12.10).

ELES SÃO CONTADOS ENTRE “COISAS” HUMILDES E DESPREZADAS, SEM VALOR

Homens sem sabedoria filosófica, sem poder político-econômico, e, agora, sem nobreza de nascimento.
Eram, aos olhos dos romanos, piores que os libertos ou os livres que enchiam suas cidades.
Eram piores que os imigrantes porque estes aceitavam de bom grado os costumes de sua época.
Eram piores que os escravos, pois afirmavam terem apenas Cristo como seu Senhor. Para tornar as coisas ainda mais claras aos olhos dos pretensiosos e jactanciosos coríntios, Paulo lhes lembra que eles, em sua maioria, eram imigrantes - tidos como cidadãos de segunda categoria aos olhos dos dominadores romanos. Podiam trabalhar, ajuntar dinheiro e comprar propriedades. Com muito custo podiam comprar a cidadania romana (At 22.8-29).
A idéia de não serem de nobre nascimento estava associada a uma certa indignidade moral, uma inferioridade que não poderia ser retirada de maneira alguma. Sua cidadania seria sempre comprada, nunca natural. E eles eram, efetivamente, tratados como coisa sem valor. Um liberto que morre logo tem seu lugar tomado por outro. Um escravo já significava prejuízo. Por isso Paulo os adverte que eram tidos por desprezíveis, e, ainda, um termo ainda mais forte, sem valor algum. A jactância coríntia era reduzida a nada.
E é justamente este o poder da mensagem da cruz: o que era nada, sem valor algum, desprezada e inútil, que é usado por Deus em uma atividade recriadora. Deus não precisava, necessariamente, usar nada do material existente nos chamados. Ele pôde recriá-los. E é com estas “coisas”, essas não pessoas, que nada eram que Deus torna sem valor algum, inútil e envergonhado, aquilo que tanto era valorizado pelos homens - e podemos afirmar que isto não mudou absolutamente nada.
Era assim nos tempos de Paulo, continua assim nos nossos tempos. Os homens ainda correm atrás dos “sábios”, dos poderosos, das nobres castas de seu tempo. E para que? Para nada. Como sempre foi.

sábado, 8 de dezembro de 2018

NATAL? O QUE É MESMO O NATAL?!!!

Boletim 47, 2018, da IP de Paragominas.
Vestida de vermelho e verde, com um gorro na cabeça, trabalhando num ambiente decorado com enfeites multicoloridos. Porque? O que isto significa? Surpresa com a pergunta, mais surpreendente é a resposta: eu não sei, todo mundo participa, então eu participo junto.
Pois é. Este é um resumo da primeira parte de uma conversa no maior país católico do mundo, e no país onde 1/5 da população afirma ser cristã evangélica, e, segundo dizem os estatísticos, este número aumenta ano a ano, uma nação onde as igrejas são tão numerosas quanto drogarias e bares.
Você já parou para pensar o que diria para alguém assim, que não sabe que a cristandade celebra o nascimento do seu Redentor? Pense comigo: se uma pessoa não tem conhecimento do que é a festa quanto mais de quem está sendo festejado, o dono da festa. Colocando isto de outra maneira - sem saber que a humanidade tem um redentor obviamente nada sabe sobre ter um redentor pessoal, ter um salvador que veio para dar a sua vida em resgate de pecadores, talvez nem se reconheça pecador.
Deixe-me falar com você um pouco sobre intencionalidade, sobre testemunho intencional, porque foi sobre isto que Jesus falou para os seus discípulos quando disse-lhes que eles receberiam poder para serem suas testemunhas por onde quer que fossem, e diante de quem quer que fosse.
Mesmo que você diga que sabe pouco, que não tem conhecimento suficiente para pregar o evangelho, você tem mais do que aquela jovem. Você conhece o Senhor Jesus, você conhece o Salvador. Você sabe que Jesus veio, sabe que ele viveu uma vida extraordinária de santidade e feitos, sabe que ele foi traído e morto numa cruz e sabe que, mesmo morto, ele ressuscitou de entre os mortos.
Intencionalidade, como aprendi com o Rev. Elias Medeiros, significa aproveitar as oportunidades e provocar o diálogo, oferecer a oportunidade para que o outro saiba o que você sabe, conheça o que você conhece e experimente o mesmo relacionamento com o Salvador que você já experimenta. Testemunho intencional significa que você deve estar preparado para reconhecer estas oportunidades, e falar do seu amor por aquele que te amou primeiro, e que amou de maneira tão intensa que não fugiu à morte sofrida e vergonhosa na cruz para alegrar-se com sua salvação.
Para concluir o resumo daquele diálogo intencional, aquela jovem que disse apenas fazer o que os outros fazem ouviu que celebramos o nascimento de Jesus, o salvador, o Filho de Deus que se fez como um de nós, mas sem pecado, para dar a sua vida na cruz salvar-nos de nossos pecados.
Agora, pense mais um pouco comigo: se alguém lhe dissesse não saber nada sobre o nascimento de um redentor para a humanidade na “pequena vila de Belém”, o que você conseguiria ensinar-lhe sobre esse assunto? Nesta hora não adianta dizer que aprendeu que o testemunho vale mais do que mil palavras porque testemunho é palavra, testemunho é dizer o que viu e ouviu. Ainda que o testemunho de vida chame a atenção o máximo que o observador vai poder concluir é que a religião ou a filosofia de vida são capazes de fazer as pessoas viverem de modo diferente, até com dignidade, mas eles nunca vão saber de Jesus se você não falar.

Se você perguntar a uma criança da UCP ela vai saber falar quem é Jesus. Porque, então, adultos dizem “não saber falar”? Porque não sabem falar sobre Jesus os mesmos que falam sobre Bolsonaro e Lula, Flamengo e Vasco, Remo e Paysandu, sobre os abusos do STF ou sobre a operação Lava-Jato? E não conseguem falar do evangelho? Não conseguem ou tem vergonha do evangelho? Não conseguem ou tem vergonha de falar de Jesus e serem reprovados pelos ouvintes por causa do seu estilo de vida? O evangelho não é vergonhoso - vergonhoso é não anunciar o evangelho, com uma timidez que pode ser apenas um sinal de perdição.

sábado, 19 de dezembro de 2015

A RESPEITO DO NATAL - O MAIS REJEITADO DE TODOS OS PRESENTES É O MELHOR DOM - Is 9 1 7

NÃO REJEITES O PRESENTE DE DEUS

1 Mas para a terra que estava aflita não continuará a obscuridade. Deus, nos primeiros tempos, tornou desprezível a terra de Zebulom e a terra de Naftali; mas, nos últimos, tornará glorioso o caminho do mar, além do Jordão, Galiléia dos gentios.
2 O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz. 3 Tens multiplicado este povo, a alegria lhe aumentaste; alegram-se eles diante de ti, como se alegram na ceifa e como exultam quando repartem os despojos. 4 Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre eles, a vara que lhes feria os ombros e o cetro do seu opressor, como no dia dos midianitas; 5 porque toda bota com que anda o guerreiro no tumulto da batalha e toda veste revolvida em sangue serão queimadas, servirão de pasto ao fogo.
6 Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; 7 para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto.
Is 9.1-7
O nascimento do redentor, comemorado pela cristandade ocidental em 25 de dezembro (e em 06 de janeiro pelos cristãos ortodoxos e em 19 pelos cristãos armênios) tem uma importância fundamental para nós. Neste estudo vamos deixar de lado várias discussões já tratadas em outros momentos, como a questão do marketing envolvendo as celebrações natalinas (cada vez mais marketing e menos natal) ou os objetos acessórios às mesmas celebrações (como velas, guirlandas, árvores, guloseimas, presentes e outras coisas que vão se tornando cada vez mais protagonistas e menos acessórias).
O nosso ponto de partida é: as Escrituras afirmavam que o redentor viria – e ele veio, portanto, elas, as Escrituras, por serem a palavra de Deus são fidedignas e merecem a nossa confiança. São estas Escrituras que nos falam de um presente especial de Deus para nós – o filho que Deus nos deu, predito por Isaías (v. 6) e cumprido segundo o apóstolo João (Jo 3.16).
Enquanto as pessoas ficam na expectativa de presentes absolutamente descartáveis o maior presente, a vinda de Cristo, vai sendo olvidada. A vinda de Cristo é o presente que se relaciona diretamente com a doutrina da graça: a eleição de Deus (Ef 1:4-5) com suas benditas consequências, tais como a salvação, a justificação, a santificação e a glorificação que seriam absolutamente impossíveis não fosse a soberana, livre e graciosa vontade de Deus ao nos dar Jesus Cristo. A maior alegria que temos ao lembrarmos do nascimento do redentor é de que a promessa feita (Gn 3:15) e depois lembrada por Isaías foi efetivamente cumprida (Lc 2.10-11).

VOCÊ SABE QUAL O MELHOR DE TODOS OS PRESENTES

Quase todos nós gostamos de ganhar presentes – e talvez aqui estejam algumas pessoas sonhando com alguns deles. Você pode estar esperando um carro novo, ou uma jóia, ou um celular novo… um computador ou um tablete… está valendo até mesmo um perfume… com a crise, se não der, vale uma camiseta ou um par de meias mesmo… mas certamente há a expectativa por algum presente nestes dias finais deste ano.
Mas por mais valioso que seja este presente, ele logo vai ficar obsoleto, esquecido ou pode até mesmo ser perdido. Não há nada que você possa ganhar de presente que não possa ser tirado de você – isto é, quase nada. Há algo que, mesmo não lhe custando nada, tem valor inigualável e não pode ser encontrado guardado a cadeado em nenhuma loja de departamentos, pelo contrário, o mais valioso dos presentes é oferecido livre e gratuitamente em milhares de lugares cujas portas permanecem abertas para quem quiser recebe-lo (Jo 1:12  ).
Este presente tem nome, aliás, uma das formas de ele ser conhecido é justamente pelos nomes e títulos que ele tem. Seu nome é Jesus, que significa “do Senhor é a salvação”. Ele possui muitos títulos, sendo Cristo (o ungido, o escolhido) um deles. Vou partir do pressuposto que você conhece a história de Jesus Cristo, o messias que nasceu de uma virgem – e foi crucificado em Jerusalém. Mais ainda, parto do pressuposto que ao menos você já tenha ouvido que ele é o Filho de Deus, isto é, o próprio Deus encarnado. Se isto não for importante para você, quero que saiba que é fundamental para os genuínos cristãos, é fundamental para mim, e, sendo assim, não posso raciocinar sem levar em conta estes fatos. E é a partir deles, tendo-os como base para tudo o que vamos ver à partir de agora. Além do titulo de “Cristo” Jesus possui outros, e é sobre alguns dos títulos do filho de Deus que vamos falar agora.
Um dos meios pelos quais Deus revela o seu caráter é a variedade de nomes e títulos que ele atribui a si mesmo nas páginas das Escrituras. Não foram nomes inventados ou títulos atribuídos a ele pelos escritores bíblicos, mas recebidos por divina revelação (2Pe 1:21). Cada nome de Deus nas páginas das Escrituras revelam algo que Deus quer que conheçamos a respeito de si mesmo. É através de seus nomes que Deus se revela como o eterno (El Olam), o altíssimo (El Shadday), o Deus provedor (IHVH Yiréh) e assim sucessivamente. Entretanto, nenhum dos nomes reveladores do caráter e dos atributos de Deus o revelam de maneira absoluta. Mesmo “o nome” que interpretamos como “Eu sou o que sou” mais esconde do que revela, porque ao mesmo tempo em que mostra a imutabilidade e a existência essencial de Deus, uma vez que ele não foi nem deixará de ser coloca diante de nós uma grandiosidade tal que apenas humilha nossa mente e somos obrigados a exclamar como Agostinho: finitun nunc capere infinitum, isto é, o que é finito é incapaz de compreender o infinito.
A mesma coisa aplica-se aos nomes e títulos de Jesus Cristo. Ele foi de pronto odiado pelos judeus por atribuir a si mesmo o mesmo atributo de Deus ao afirmar que antes que Abraão, o pai da nação israelita existisse, “eu sou” (Jo 8:58). Mas quem é Jesus, segundo a promessa messiânica de Isaías?

JESUS É O MARAVILHOSO CONSELHEIRO – AQUELE QUE LHE DÁ ORIENTAÇÃO

Mais de uma vez encontramos na bíblia a mesma sensação que muitos expressam: o que fazer. Durante anos trabalhei num sistema de aconselhamento chamado Disquepaz – e as pessoas ligavam em busca de orientação para todo tipo de problema. Quando o assunto era espiritual e tinha a ver com a vontade revelada de Deus, era relativamente fácil. Mas havia gente que ligava pedindo orientação para coisas pessoais, profissionais. Pessoas sem rumo na vida e precisando desesperadamente de orientação.
Há uma multidão caminhando sem rumo, como nuvens impelidas pelo vento, indo de um lado para outro (Ef 4:14) e, lamentavelmente, se tornando massa de manobra nas mãos de inescrupulosos tanto incrédulos quanto ímpios disfarçados de crentes (II Pe 2:3).
Mas damos graças a Deus porque ele nos deu Jesus, e Jesus é aquele que é capaz de nos dar a orientação necessária para toda e qualquer área da nossa vida, porque ele é o maravilhoso em conselho, isto é, aquele que, sendo pleno de sabedoria, sendo a própria sabedoria divina encarnada, consegue não apenas discernir os pensamentos e propósitos do coração mas, também, perceber as consequências das nossas intenções.
Jesus é aquele que conhece tudo e todos, inclusive aquilo que escondemos no coração (Mt 9:4) e por isso é capaz de dar não apenas os melhores conselhos, mas os conselhos que realmente são importantes e essenciais (Ap 3:18).
Ele é aquele que pode aconselhar sem precisar de conselho de ninguém (Rm 11:34). Ninguém jamais deu conselhos a Deus, e tampouco houve quem desse algum conselho a Jesus que não se envergonhasse de tenta-lo (Mc 8:33). E o fato de que ele é maravilhoso conselheiro independe da época do ano ou dos sinos que tocam. Ele é a promessa que se cumpriu.

JESUS É DEUS FORTE – AQUELE QUE LHE DÁ SEGURANÇA

O que é chave no entendimento de quem é este menino – ele não é apenas um menino especial, ele é o próprio Deus vindo morar entre os homens e é exigido que os homens se convertam a este Deus forte (Is 10:21). O título l) (Deus) usado para Jesus é o mesmo usado dezenas de vezes para o Deus altíssimo. Isaías quer enfatizar que o messias, aquele que estava sendo prometido e que viria, é o Deus forte – e este menino prometido é Jesus. Na perspectiva de Isaías não há distinção entre Jesus, como o Deus forte, e o Deus descrito diversas vezes no Antigo Testamento como o Deus altíssimo.
Mesmo naquele que parece o momento de maior fraqueza, predito nos salmos messiânicos Jesus chama a Deus pelo mesmo titulo que lhe é atribuído por Isaías (Sl 22:1). O Espírito de Deus, falando por intermédio de Isaías, atribui ao messias o mesmo nome que Jesus chamaria o Deus que também disse ser ele o filho amado em que ele tinha plena satisfação (Mt 3:17).
Em 2014 foi feita uma pesquisa sobre o que mais angustiava o brasileiro e de cada 5 entrevistados 4 temiam por sua segurança. Assaltos, assassinatos, invasões, furtos, violência doméstica e de trânsito… o sonho de consumo de muitos era poder usufruir de alguma forma de segurança particular – e este mercado foi se expandido assombrosamente. Mas, segundo a pesquisa, quanto mais se gastava em segurança, maior o nível de preocupação das pessoas simplesmente porque o problema não era, e não é, se a segurança é real, mas a sensação de insegurança reinante.
Mas em Jesus nós dispomos da certeza de segurança que nenhuma empresa, nenhum guarda, nenhuma grade ou arma podem dar. Ele diz que quem vai a ele está absolutamente seguro e das suas mãos ninguém pode nos tomar – se você for a ele terá o cuidado das mãos poderosas do Deus forte (Jo 10:29).
Os salmistas, mesmo em situações de risco expressavam bem esta certeza de estarem seguros nas mãos do Senhor dos exércitos. No salmo 46 o salmista repete, três vezes, esta certeza (Sl 46.2, 7 e 11).
Você se sente inseguro? Tem medo que os montes saiam do lugar? Então, confie no Deus forte, Jesus (Sl 56:4).

JESUS É O DEUS ETERNO – AQUELE QUE LHE DÁ VIDA ETERNA

A expressão “pai da eternidade” é encontrada em traduções antigas, mas o texto hebraico pode ser traduzido apenas como “eterno” com sentido de originador de algo. Assim como Jesus é o Deus forte, ele é, também, portador de um atributo que só Deus possui: a eternidade. O Cristo não passou a existir no momento em que foi gerado no ventre de Maria – não há um ponto de partida em sua história. Ele não passou a existir à partir de sua manifestação em carne – ele foi apenas manifestado em carne, embora existisse. Assim como Deus é pai eterno, o filho tem que ser eterno senão Deus não poderia ser pai – alguém só é pai quando possui um filho.
Em sua existência na carne Cristo, o filho eterno de Deus, revela o próprio Deus da exata maneira que é necessária para atender as nossas necessidades (Hb 1:3). O Filho revela o pai porque tem a mesma essência, a mesma natureza, ele, embora não seja o pai, dele procede e pode revela-lo satisfatoriamente (Jo 14:9).
Nossa sociedade é marcada pela efemeridade e pela transitoriedade. É sintomático o titulo de uma música dos Titãs: “A maior banda te todos os tempos da última semana”. O mercado de celebridades joga na TV semana após semana novas estrelas que logo são desaparecem e ninguém se lembra mais a não ser para montar programas de subcelebridades de gosto especialmente duvidoso, como Casa dos Artistas e A Fazenda.
Mas Jesus não oferece nada transitório – ele diz que quem nele crê tem a vida eterna porque ele lhes dá esta vida (Jo 10:28).
Judas agiu como muitos, em busca dos benefícios absolutamente passageiros deste mundo (1Jo 2:17), porque a sua natureza era terrena e carnal, abandonou aquele que é o único que tem as palavras de vida eterna (Jo 6:68).
Quantos tem deixado para trás a segurança de estarem com o bom pastor para seguirem após novidades e vaidades, correrem atrás do vento e juntarem coisas passageiras que não permanecem. Somente em Jesus é possível experimentar aquilo que é, de fato, permanente (1Pe 1:23).

JESUS É O PRÍNCIPE DA PAZ – AQUELE QUE PÕE FIM À INIMIZADE

O governo de alguém que seja um maravilhoso conselheiro, com existência e poder soberanos eternamente produz paz – e seu governo de paz será, necessariamente, eterno. Jesus é chamado de príncipe (neste caso, de príncipe – aquele que tem a primazia - da vida, embora nossa tradução traga “autor da vida” - At 3:15). No caso de Jesus seu principado não se refere apenas a autoridade e poder, mas a autoria – assim como à parte de Jesus não há vida, também não pode haver paz sem ele (Jo 14:27). Somente por meio de Cristo há paz entre o homem pecador (que de outra sorte continuaria tomando atitudes de confronto e inimizade contra Deus – Ef 2.1-3) e Deus (Rm 5.1-2).
Em Cristo e por Cristo também são removidas as barreiras que separam os homens entre si – havia barreiras entre judeus e gentios, entre gregos e bárbaros, entre livres e escravos, entre homens e mulheres (Gl 3:28), mas Cristo aboliu todas as barreiras em sua carne (Ef 2:14) obrigando um judeu, como Pedro, a reconhecer o alcance universal da salvação, independente da nacionalidade (At 10.34-36).
Em Cristo temos paz com Deus e com o próximo – Cristo é o único que pode trazer paz entre os homens, como anunciaram os anjos aos pastores (Lc 2:14). Aproveite o 25 de dezembro para começar a falar desta paz pelos próximos 365 dias e você estará de fato, mostrando que a vinda do messias fez sentido em sua vida.

APLICAÇÃO

Eu sei que você não pode dizer, em verdade, que não deseja estas coisas. Você quer paz – e eu tenho que lhe dizer que você só pode obter paz verdadeira se ela lhe for dada pelo príncipe da paz. Com muito esforço talvez, e isto é apenas uma hipótese, você pode viver sem brigar com ninguém, mas sem Cristo você jamais poderá ter paz com Deus – e esta é a única paz que realmente importa porque sua natureza essencial lhe diz que se você resolver todos os seus problemas com o mundo, se você for amigo de todo o mundo, ainda assim você permanecerá inimigo de Deus (Tg 4:4).
Eu sei que você não deseja enfrentar a morte – e mesmo os que desejam deixar de viver o fazem não porque não amam a vida, mas porque não suportam os seus problemas, mas precisam ser avisados que, abandonando a vida sem receber de Deus a vida eterna só experimentarão mais dores e angustias, e, pior, angústia sem esperança pois o que resta para quem não tem a vida eterna é a morte eterna, o inferno e seus tormentos inextinguíveis (Mc 9.42-48).
Eu sei que você deseja segurança – e você mostra isso quando coloca muros e grades em sua casa. Quando não sai às ruas sozinho de madrugada. Quando se cerca de todos os tipos de instrumentos que consegue para evitar sofrer nas mãos de salteadores, bandidos… mas que segurança você pode ter quando os céus se desfizerem, e a terra for abalada? Que segurança você pode conseguir quando os próprios montes virem abaixo? Onde você poderá estar seguro quando o Senhor resolver efetuar o grande juízo? Não há segurança sem o Deus forte – nas mãos dele o mundo pode se enfurecer contra você e ainda assim você poderá andar pelo vale da sombra da morte de maneira tranquila (Sl 23:4) e, ainda que milhares caiam de todos os lados, você continuará seguro (Sl 91:7). Mas só com o Deus forte como seu Deus.
Isto parece fácil demais? Basta ter Jesus e eu terei a verdadeira segurança, estarei seguro mesmo que o mundo acabe? Sim. Basta ter Jesus, de verdade, que eu terei vencido a morte de maneira definitiva? Sim. Basta ter Jesus e eu experimentarei a verdadeira paz? Sim. Isto parece maravilhoso demais? É maravilhoso demais, mas é maravilhoso porque é uma dádiva do Deus maravilhoso, é uma dádiva do maravilhoso conselheiro, daquele que tem respostas para todas as suas dúvidas existenciais essenciais (Jr 33:3).

Você pode ser sábio, e receber este maravilhoso presente de Deus. Ou pode continuar correndo atrás dos presentes do mundo, presentes que, quando você realmente precisar de algo de valor, estarão ausentes e serão inúteis.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

NÃO HÁ BARREIRAS PARA OS VERDADEIROS ADORADORES

NÃO HÁ BARREIRAS PARA OS VERDADEIROS ADORADORES

INTRODUÇÃO
Nos dias do nascimento do Senhor Jesus uma estranha comitiva chegou a Jerusalém. Três (?) "magos" do oriente, muito provavelmente da Mesopotâmia, região onde se localiza, entre outros países, os atuais Irã e Iraque. Em outros tempos aquela região também fora chamada de Padã-Arã ou Caldéia (Dt 26.5), de onde saiu Abrão, Sarai e Ló em direção à terra prometida tendo como motivação e garantia apenas o chamado de Deus (Gn 12.1).
Embora a tradição eclesiástica lhes dê nomes (Melchior, Gaspar e Baltazar), diga quantos foram (costuma-se dizer que eram três por causa dos presentes entregues – ouro, incenso e mirra) e os faça reis (da Pérsia, Índia e Arábia, respectivamente), a bíblia nada diz a respeito, apenas diz que eram "uns magos do oriente". Estas tradições foram incorporadas ao cristianismo por volta do séc. VII[1].
O que podemos afirmar é que eram magos (magoi) e não reis e que, provavelmente, entre seus estudos se ocupavam da observação dos astros e não seria motivo de espanto se conhecessem os vários livros e tradições religiosas de seu tempo, dos hebreus inclusive.
O que fazia deles "homens estranhos". Sua maneira de vestir era diferente do que habitualmente se via na Palestina. Mas não era exatamente isto o que faria deles "estranhos", até porque a Palestina estava acostumada com o trânsito de gregos, egípcios, etíopes, romanos e diversas outras nacionalidades.
Não era, também, o seu meio de transporte, provavelmente camelos e mulas, que, mesmo chamando a atenção nas ruas, poderia fazer deles estranhos. Sua língua, mesmo que fosse desconhecida, não seria problema porque praticamente todo o mundo de então se comunicava em grego koinê, uma variação do grego usada normalmente pelos soldados greco-macedônios que se espalharam pelo mundo durante o reinado de Alexandre, o grande, e que foi incorporada pelos conquistadores romanos.
O que os tornava muito, muito estranhos mesmo, era o propósito de sua viagem. Porque eles estavam ali? Porque queriam adorar o recém-nascido rei dos judeus (Mt 2.2). Mas, para conseguirem realizar seu propósito, precisaram superar ao menos três barreiras:


I.    A BARREIRA DA DISTÂNCIA PODE SER SUPERADA POR QUEM QUER ESTAR NA PRESENÇA DO SENHOR

Uma das alegações que ouvimos, às vezes, como desculpas para não frequentarem os cultos é a de dificuldade de acesso à Igreja, geralmente a distância.
1 Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém.
Uma rápida olhada no mapa do oriente médio nos faz constatar que os magos orientais percorreram aproximadamente 600km desde a Mesopotâmia até Jerusalém. O que já parece uma grande distância no séc. XXI, com carros que chegam a mais de 200km/h, com estradas asfaltadas e sinalizadas, torna-se ainda maior quando imaginamos que estes homens atravessaram rios (muitos sem pontes), montanhas (com caminhos de animais e não estradas) e deserto (sem água, com a temperatura oscilando entre 0o e 50o).
Isto explica porque aqueles homens chegaram a Belém e encontraram o menino em uma casa, e não na manjedoura, como os pastores. A uma média de 15km por dia eles gastariam 40 dias para chegar em Jerusalém, mais um ou dois dias até, finalmente, conseguirem ver o menino a quem buscavam adorar. Mas é possível que tenham demorado muito mais tempo, pois a preparação de uma viagem como a que eles empreenderam não era tão rápida, e muitos outros obstáculos podem ter se levantado.
Como explicar que gentios empreendessem uma viagem desta apenas para entregar presentes a um rei? Somente uma razão os levava a tal atitude: eles sabiam que não era um simples rei. Sabiam que iriam encontrar não um simples rei ao qual deveriam honrar, mas o Rei messiânico prometido, o rei ao qual todo joelho deve se dobrar.
Conheço muitas pessoas que andaram, a pé, e no escaldante sol da Transamazônica, 15, 20 ou mais km para participarem de um culto. Aqueles crentes tinham fé que estavam se dirigindo para algo mais que uma reunião social, estavam indo para adorar ao Senhor. Com chuva ou ao sol, enfrentavam semanalmente as distâncias e se colocavam diante do mesmo Jesus que os magos queriam adorar.
Com os magos aprendemos que a distância não é uma barreira para os verdadeiros adoradores. Ninguém mora longe demais de Deus (Sl 139.7-10) a ponto de não ter como adorá-lo. Mas, para quem tem o coração o coração longe de Deus, qualquer distância é maior que todos os desertos do mundo (Mt 15.8) porque o seu coração é um enorme deserto e o amor do Pai não está nele (I Jo 2.15) e os mandamentos do Senhor acabam sendo considerados penosos (I Jo 5.3).
Não havia interesses mundanos, não havia política envolvida, não havia desejo de pedir nada – havia, apenas, o desejo de adorar ao Senhor Jesus. Não há razão mais forte, não há razão mais imperativa do que esta para alguém dirigir-se à presença do Senhor e, de todo o coração, adorá-lo.
Quem o busca desta maneira, o encontra (Sl 34.4). Quem o busca de todo o coração terá a ventura de encontra-lo (I Cr 28.9).
A certeza que havia no coração daqueles magos é a certeza que também pode haver no seu coração nesta ocasião, se tão somente praticardes aquilo que o Senhor te diz em sua Palavra (Jr 29.13).
É com base nesta certeza que eu te convido nesta ocasião: busque ao Senhor, e ele se deixará achar por ti e, mais ainda, se você for a ele, com certeza ele te receberá (Jo 6.37) e não te rejeitará.

II.   A BARREIRA DA DESINFORMAÇÃO PODE SER SUPERADA POR QUEM QUER CONHECER AO SENHOR

Os magos tinham informações verdadeiras, mas imprecisas a respeito do messias. Sabiam o tempo em que ele havia nascido, sabiam também de qual país ele era rei. Sabiam até que não era um rei como qualquer outro, mas um tipo especial de rei que requeria não apenas homenagens, mas adoração.
1 Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém.
2 E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo.
3 Tendo ouvido isso, alarmou-se o rei Herodes, e, com ele, toda a Jerusalém; 4 então, convocando todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer.
5 Em Belém da Judéia, responderam eles, porque assim está escrito por intermédio do profeta:
6 E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel.
7 Com isto, Herodes, tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles com precisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera.
Quando souberam do nascimento do rei dos judeus, eles cometeram algumas obviedades frutos do desconhecimento: vão procura-lo na capital do reino. E é assim que deveria ser mesmo – lugar de rei é na sede do reinado. O problema é que o reino de Jesus não é deste mundo (Jo 18.36).
Chegando a Jerusalém eles de dirigem ao lugar onde os reis normalmente residem: o palácio. Esperavam encontrar um menino cercado de servos no palácio do rei da Judéia pois não sabiam que aquele que havia nascido não veio para ser servido, mas para servir (Mc 10.45).
Como muitos hoje, eles procuraram a Jesus nos lugares errados. Multidões estão andando de um lado para o outro, como cegos, guiados por outros cegos (Mt 15.14), ouvindo gritos de que ele está em um ou outro lugar (Lc 17.23) mas não o encontrarão desta maneira. Para encontrar Jesus é necessário o conhecimento que só pode ser conseguido através da Palavra de Deus.
E é justamente na Palavra que a resposta para a busca dos magos vai ser encontrada. A criança não estava nem no palácio, nem em Jerusalém – estava no lugar onde Deus havia anunciado que estaria. O nascimento da criança ocorre não apenas no tempo exato, mas na plenitude dos tempos, no lugar e contexto determinados pelo Senhor.
Aproximadamente 700 anos antes do nascimento do menino um profeta chamado Miquéias anunciava que o messias nasceria na pequena Belém (Mq 5.2), terra natal do rei Davi.
Os magos erraram – e erraram por não conhecer. Não é diferente de hoje, quando um falso evangelho, um evangelho segundo o mundo que mais parece com a proposta feita pelo diabo a Jesus (Mt 4.8-9) leva multidões a acharem que estão indo na direção certa mas ao cabo não passa de um largo e espaçoso caminho de morte (Pv 14.12).
Multidões vão a lugares onde o Senhor não é adorado, pelo contrário, honrado com os lábios, desprezado e odiado com o coração como no palácio real. Qual a causa disso? Podemos perceber a causa na atitude dos escribas que, tendo conhecimento do local do nascimento do redentor, apenas "dão a informação" e não tem qualquer atitude em relação ao messias. Sacerdotes que rejeitam a verdade da palavra de Deus (Os 4.6) e falam segundo o seu próprio interesse, o seu ventre é o seu Deus (Fp 3.19).
Mas os magos eram diferentes, eles queriam verdadeiramente adorar ao menino. Corrigem seu erro, param de buscar a Jesus no palácio. Não intentam mais encontra-lo na capital real. Vão a Belém, a cidade que estava no centro do propósito de Deus de, ali, dar ao mundo o salvador.
Com o exemplo dos magos em mente que te convido a corrigir a sua busca. Convido você a confiar no Senhor (Pv 3.5) e a entregar-se a ele em alegre confiança. Entregue seu caminho em suas mãos e veja a maravilha que é tê-lo como seu Deus (Sl 37.5). Atenda ao convite do Senhor e conheça-o verdadeiramente (I Co 2.12).


III.  A BARREIRA DA RELIGIOSIDADE DEVE SER QUEBRADA PARA SE ADORAR VERDADEIRAMENTE AO SENHOR

Os magos não eram judeus – e como tais não seriam aceitos numa cerimonia religiosa judaica. Se houvessem chegado a Jerusalém e ido ao templo para tentar prestar alguma forma de culto ou adoração ao Deus de Israel – pois seu objetivo era adorar ao rei-messias, teriam sua entrada proibida. Há um exemplo claro disto nas Escrituras. Trata-se etíope, eunuco, tesoureiro da rainha Candace: por ser eunuco, e, por isso, impossibilitado de circuncidar-se e tornar-se judeu, ninguém perdia tempo explicando-lhe a Palavra de Deus (ver ref.).
3 Tendo ouvido isso, alarmou-se o rei Herodes, e, com ele, toda a Jerusalém; 4 então, convocando todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer.
5 Em Belém da Judéia, responderam eles, porque assim está escrito por intermédio do profeta:
6 E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel.
7 Com isto, Herodes, tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles com precisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera.
8 E, enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide informar-vos cuidadosamente a respeito do menino; e, quando o tiverdes encontrado, avisai-me, para eu também ir adorá-lo.
9 Depois de ouvirem o rei, partiram; e eis que a estrela que viram no Oriente os precedia, até que, chegando, parou sobre onde estava o menino.
10 E, vendo eles a estrela, alegraram-se com grande e intenso júbilo.
11 Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra.
Embora quase imperceptível, há sutis barreiras que os magos tiveram que superar:
i.        A barreira da indiferença: Herodes convoca todos os principais sacerdotes e os escribas, estudiosos profissionais das Escrituras. Viviam para isso, e eram mantidos pelos dízimos e ofertas do povo para que conhecessem e lhes explicassem as Escrituras. O padrão era (Esdras ou Neemias?): deveriam dispor o seu coração para conhecer, cumprir e ensinar a vontade de Deus (), mas estavam longe de fazer isso. Todos eles eram indiferentes ao interesse dos magos – e certamente entre eles havia alguém que tivera conhecimento do estranho testemunhos de Simeão e Ana, quando um certo menino chamado Jesus foi circuncidado algum tempo antes. Isso não mudaria, ou antes, mudaria para pior, pois mais tarde resolveriam matar Jesus (), seguindo o mau exemplo de Herodes. Ainda tem muitos, hoje, indiferentes ao Senhor Jesus. Ainda não querem ouvir e atender ao seu doce chamado (vinde a mim todos).
ii.       A barreira de interesses inconfessáveis: Herodes só fornece a indicação sobre onde encontrar o menino porque não sabe, ele mesmo, onde ele estaria. Mas não há interesse em promoção da adoração desta criança – mesmo sendo esta a motivação declarada dos orientais. Ele não se importava se os magos o adorariam, na verdade, como muitos dos reis da época, seguindo o exemplo dos faraós e imperadores romanos, ele próprio desejava ser honrado como um deus (voz de um deus). O interesse de Herodes era um só: manter o seu trono, a qualquer custo, mesmo que para isso precisasse derramar sangue de crianças inocente. Herodes tem seguidores nos nossos dias, que, de algum modo, se aproximam de Jesus sem a motivação correta no coração, querendo alguma forma de benção ou realização pessoal. Quantas motivações não são apenas interesses políticos, financeiros, sociais, éticos e morais, sensuais? Se é assim, estas coisas todas, mesmo coisas boas como emprego e família, não passam de ídolos que foram sendo levantados e que precisam cair para que você experimente a graça de servir somente a Cristo e ser abençoado por ele.
iii.     A barreira das tradições: certamente não pensamos que os magos não tinham a sua própria religião, suas próprias tradições religiosas. Provavelmente eram respeitados em seu meio religioso, e agora estão diante de uma nova religião que não podia lhes mostrar uma única imagem de seu Deus, dispostos a adorar um menino que não tem ligação alguma com as suas divindades, tendo que se humilhar diante de sacerdotes e escribas de uma religião insignificante no contexto daquela época. Não era e não é fácil romper com tradições religiosas que geralmente recebemos de pessoas que amamos e respeitamos, como pais e avós. Mas as tradições podem ser fúteis (I Pe 1.18) e devem ser deixadas de lado quando conhecemos a verdade. O que sempre é feito em família, em sociedade, em grupos de amigos pode se tornar algo escravizador – mas são apenas barreiras que devem ser destruídas para que se possa adorar livremente ao Senhor.
Todas estas barreiras podem ser destruídas. Ninguém precisa ficar preso a nenhuma delas, mesmo que aprendidas há muito tempo (Is 29.13). Para nos dar liberdade o Senhor Jesus fez-se semelhante a nós, venceu todas as tentações (Hb 4.15) e nos dá a verdadeira liberdade (Jo 8.36) fruto da experiência da verdade (Jo 8.32).

QUAIS AS BARREIRAS QUE VOCÊ AINDA TEM EM SUA VIDA? SE VOCÊ FOR POR OUTRO CAMINHO ELAS NÃO ESTARÃO LÁ!?

Há muitas barreiras que podem dificultar a transformação de alguém em verdadeiro adorador. A pior delas é a própria vontade. A bíblia chama a vontade vacilante de "ânimo dobre" (Tg 1.8), isto é, uma vontade mutável, inconstante e sem firmeza, que, embora conhecendo a verdade, deixa-se influenciar por outros fatores secundários, embora suficientemente fortes para fazer com que pessoas que, num primeiro momento, acolhem alegremente a Palavra da verdade mas logo se deixam enredar por elas (Mc 4.19). Quais são estes cuidados do mundo? Riquezas, projetos pessoais, trabalho, família, amizades, relacionamentos sociais e emocionais, compromissos anteriormente assumidos que precisam ser abandonados por quem já conhece a verdade.
A bíblia fala de homens como Demas que, mesmo depois de cooperado com Paulo (Fm 1.24), amou o presente século e abandonou a Paulo e ao evangelho (II Tm 4.10). João explica este abandono dizendo que eles apenas pareciam ser crentes, mas não eram verdadeiros adoradores (I Jo 2.19).
Mas o grande modelo de pessoas que preferiram seus interesses ao invés do Senhor Jesus pode ser encontrado nos gadarenos. Mesmo depois de Jesus ter curado o endemoninhado que vivia nos sepulcros e os demônios terem entrado numa manada de porcos e lançarem-se no abismo, eles preferiram que Jesus fosse embora por causa do prejuízo que sofreram (Mt 8.33).
Quero convidar você a tomar uma atitude diferente. Fazer diferente e ser diferente, fugir ao curso dos acontecimentos, ao jeito do mundo de fazer as coisas, a, com o conhecimento da verdade, colocá-la em prática em sua vida. Liberte-se das barreiras, erga-se e adore ao Senhor.
Veja o que os magos orientais fizeram:
12 Sendo por divina advertência prevenidos em sonho para não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho a sua terra.
 Após ouvirem a advertência do Senhor, fizeram o inesperado. Retornaram por outro caminho – não precisavam dar satisfação a Herodes, ou a quem quer que fosse, pois estavam obedecendo ao Senhor da terra e céu. Atenda você também. Adore de todo o seu coração ao único que pode salvar-te. Esqueça homens, tão pecadores quanto você (Sl 146.3). Esqueça objetos, que tem mãos, pés, boca e nariz, mas nada fazem (Sl 115.3-8). Esqueça tradições e instituições, pois só há salvação em Jesus (At 4.12).




[1] Uma descrição dos "reis magos" foi feita pelo "Venerável Beda" (673-735 d.C.) em seu tratado "Excerpta Et Colletanea": "Belquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz".

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