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segunda-feira, 9 de setembro de 2019


INTRODUÇÃO: APRENDENDO A SER CRENTE COM O CRENTE DANIEL 


Todos possuem algum modelo que admiram. Quando eu era adolescente, meu modelo de jogador de futebol era Arthur Antunes Coimbra, o grande Zico. Mas como eu não tinha a habilidade dele, acabei me espelhando em outro jogador menos habilidoso, mas que eu poderia imitar mais facilmente, Carlos Caetano Bledorn Verri, essencial para a conquista do tetracampeonato mundial de futebol: Dunga. Hoje tremo ao pensar que nossos adolescentes tem como modelo jogadores como Neymar, por exemplo. Mas é assim mesmo, gostamos mais ou menos de um jogador de futebol, de um astro do cinema, de um cantor pop, de um político desta ou daquela inclinação ideológica.

Na vida cristã não é diferente. Nós nos identificamos mais ou menos com alguns personagens das Escrituras. Uns se acham mais parecidos com Pedro e sua impulsividade, ou com Paulo e sua firmeza na exposição teológica, ou com a submissão de Sara, ou ainda com a disposição de Débora. Eu gosto muito de um profeta que não escreveu nenhum livro mas que tinha uma proposta ministerial extraordinária. Seu nome é Micaías (1Rs 22.14; 2Cr 18.13) e às vezes temos o mau hábito de identificar algumas pessoas com personagens bíblicos (quase sempre esta comparação é com personagens não muito piedosos ou bem sucedidos, para dizer o mínimo.

Mas a bíblia diz que não é para ser assim. Todos os personagens bíblicos retratam uma coisa só: a humanidade em sua imperfeição e o resultado da graça de Deus em suas vidas. Tudo quanto foi escrito foi escrito para que fossemos consolados e edificados e não nos desesperássemos em nossas fraquezas (Rm 15:4). O adúltero e assassino Davi foi o “homem segundo o coração de Deus” porque Deus o escolheu para fazer com ele uma aliança perpétua.

Jeremias foi um profeta fiel nos últimos dias de Judá e durante o cativeiro porque Deus o escolheu e o deu por profeta às nações. Bem assim os apóstolos, que, aliás, tem este título justamente por terem sido “enviados com uma missão”.

Em alguns estudos à partir de agora vamos nos deter um pouco mais cuidadosamente sobre a vida de um homem de Deus que é apontado como exemplo de piedade.

Embora as Escrituras não digam nada sobre pecados neste homem, creio que ele também era um pecador por que o ensino da Palavra é que não há quem nunca peque e sempre faça o bem.

Ele foi, durante algum tempo, contemporâneo de Jeremias. Viu seu pais ser destruído pelos babilônicos. Viu sua família ser massacrada dentro das muralhas de Jerusalém. Viu sua liberdade e seus sonhos de infância e juventude serem brutalmente arrancados e foi levado cativo.

Sua vida já lhe pertencia mais. Viveria em uma nação hostil ao seu estilo de vida, hostil à sua fé. Se já não é fácil ser crente numa nação que se diz cristã, e se não é fácil viver como crente no meio de crentes, imagine a dificuldade a que ele seria submetido.

Seu nome foi Daniel - servo de Deus no cativeiro babilônico, ali renomeado como Beltessazar mas sempre chamado de Daniel, mesmo na corte (Dn 5:13).

Daniel nasceu em Jerusalém, de família nobre, foi levado cativo para a Babilônia no terceiro ano do reinado de Jeoaquim e foi escolhido para ser um dos jovens nobres que seriam treinados para o serviço do monarca babilônico (Dn 1:1-6) o que era, também, uma forma de aculturação da liderança feita cativa e uma maneira de fazer com que os povos não se rebelassem porque seus nobres estavam em uma espécie de cativeiro de luxo no palácio real.

Daniel tinha tudo para não se importar com a sua religião. Na mentalidade comum de seu tempo todos diziam que seu Deus não fora capaz de resistir aos deuses babilônicos (2Cr 32:17).

Sua infância e juventude foi dentro de uma cidade corrompida como Isaías e Jeremias denunciaram, e, se era mesmo de nobre linhagem, viu seus parentes, os reis de Israel, superarem-se dia a dia em intrigas e práticas de impiedades. Religião não era uma prioridade para sua família.

Mas mesmo assim temos muito o que aprender com este homem que já era mais que um adolescente quando foi levado para Babilônia.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

EU VI O SENHOR... VOCÊ VIU?


A história da humanidade está dividida em eras, ou “idades”. Antes mesmo de haver história dizemos haver uma pré-história. E, especialmente na parte que chamamos de histórica os especialistas escolhem datas e eventos que balizam os períodos históricos. É claro que estas escolhas são totalmente arbitrárias, pois nem todo o mundo sofreu mudanças decorrentes, por exemplo, da queda do Império Romano do Ocidente, ou da Tomada de Constantinopla. Mas elas servem de ponto de recorte para quem estuda, e possuem o seu valor.
O profeta Isaías, em determinado momento, precisou de um ‘ponto de recorte’ para ambientar seu chamado e ministério. E ele o faz no capítulo 6 do livro que traz o seu nome:
No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo (Is 6.1).
Isaías destaca um evento extremamente marcante, que teria profundas repercussões na história de Israel e na história de toda a humanidade.
O senso comum nos leva a considerar a morte de Uzias (também conhecido como Azarias) no ano de 740 a.C. como um momento que mexia com todo o povo, após um longo governo de 52 anos. Seu governo piedoso e sábio, embora imperfeito, seu trabalho de reestruturar a economia, a agricultura, a segurança, a educação e o culto em Israel realmente foi impressionante (2Cr 26.1-15).
Quando ele morreu naturalmente o povo olhava em redor procurando um substituto tão capaz quanto ele. Se houve rei que chegou perto de ser equiparado a Davi no coração do povo de Israel como o descendente de Davi foi este (1Rs 13.2), apesar de seu trágico e arrogante erro perto do fim de sua vida (2Cr 26.21).
O profeta Isaías diz que, no tempo do seu chamado, o povo olhava para o trono e esperava que o novo rei lhes garantisse a paz e a prosperidade que gozavam nos dias de Uzias, embora houvesse uma promessa de disciplina de Deus sobre a nação.
Isaías cita o ano da morte do rei, mas o evento mais marcante, o evento que realmente merece ser destacado aqui não é a morte do rei, não é o trono vazio, mas o trono ocupado. Não o trono dos reis de Judá, mas o alto e sublime trono ocupado pelo Senhor. Enquanto Isaías usa uma frase para falar da morte de Uzias, todo o resto do capítulo chama a atenção para o que realmente deve ser digno de nossa atenção.
O trono do universo nunca está vazio, o Senhor nunca deixa de reinar sobre sua criação, nada está sem controle ou governo. O que deve realmente ocupar as mentes e corações do povo de Deus é que o Senhor estava, está e continuará eternamente regendo o seu povo à partir do seu glorioso trono.
Não há nem um momento sequer em que o trono fique vazio e a sua grei sem sua direção e governo. O registro de Isaías é bastante sugestivo: todo o Israel olhava para o rei morto em busca de outro rei, mas se esquecia que os reis de Israel eram apenas servos do Rei de toda a terra, do Senhor dos Exércitos, do Deus que tudo provê para satisfazer as necessidades de seu povo.
Assim como Israel no passado, os brasileiros nesta semana também olharão para uma urna (diferente da de Uzias que era funerária) com uma mistura de esperança e temor. Quem ocupará o trono que Michel Temer em breve deixará vago? E isto importa? Sim, claro que importa. Queremos reis que sejam para bênção e não para disciplina de toda a nação, e que a disciplina seja aplicada sobre todos os homens maus. Oremos para que o Senhor nos dê governantes sábios porque é ele quem remove reis e estabelece reis (Dn 2.21) mas, acima de tudo, não nos esqueçamos de que o Senhor continua assentado no seu alto e sublime trono a reinar sobre toda a terra. Sobre o trono em Brasília se assentará aquele que Ele escolheu. E assim será eternamente.

sábado, 19 de dezembro de 2015

A RESPEITO DO NATAL - O MAIS REJEITADO DE TODOS OS PRESENTES É O MELHOR DOM - Is 9 1 7

NÃO REJEITES O PRESENTE DE DEUS

1 Mas para a terra que estava aflita não continuará a obscuridade. Deus, nos primeiros tempos, tornou desprezível a terra de Zebulom e a terra de Naftali; mas, nos últimos, tornará glorioso o caminho do mar, além do Jordão, Galiléia dos gentios.
2 O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz. 3 Tens multiplicado este povo, a alegria lhe aumentaste; alegram-se eles diante de ti, como se alegram na ceifa e como exultam quando repartem os despojos. 4 Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre eles, a vara que lhes feria os ombros e o cetro do seu opressor, como no dia dos midianitas; 5 porque toda bota com que anda o guerreiro no tumulto da batalha e toda veste revolvida em sangue serão queimadas, servirão de pasto ao fogo.
6 Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; 7 para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto.
Is 9.1-7
O nascimento do redentor, comemorado pela cristandade ocidental em 25 de dezembro (e em 06 de janeiro pelos cristãos ortodoxos e em 19 pelos cristãos armênios) tem uma importância fundamental para nós. Neste estudo vamos deixar de lado várias discussões já tratadas em outros momentos, como a questão do marketing envolvendo as celebrações natalinas (cada vez mais marketing e menos natal) ou os objetos acessórios às mesmas celebrações (como velas, guirlandas, árvores, guloseimas, presentes e outras coisas que vão se tornando cada vez mais protagonistas e menos acessórias).
O nosso ponto de partida é: as Escrituras afirmavam que o redentor viria – e ele veio, portanto, elas, as Escrituras, por serem a palavra de Deus são fidedignas e merecem a nossa confiança. São estas Escrituras que nos falam de um presente especial de Deus para nós – o filho que Deus nos deu, predito por Isaías (v. 6) e cumprido segundo o apóstolo João (Jo 3.16).
Enquanto as pessoas ficam na expectativa de presentes absolutamente descartáveis o maior presente, a vinda de Cristo, vai sendo olvidada. A vinda de Cristo é o presente que se relaciona diretamente com a doutrina da graça: a eleição de Deus (Ef 1:4-5) com suas benditas consequências, tais como a salvação, a justificação, a santificação e a glorificação que seriam absolutamente impossíveis não fosse a soberana, livre e graciosa vontade de Deus ao nos dar Jesus Cristo. A maior alegria que temos ao lembrarmos do nascimento do redentor é de que a promessa feita (Gn 3:15) e depois lembrada por Isaías foi efetivamente cumprida (Lc 2.10-11).

VOCÊ SABE QUAL O MELHOR DE TODOS OS PRESENTES

Quase todos nós gostamos de ganhar presentes – e talvez aqui estejam algumas pessoas sonhando com alguns deles. Você pode estar esperando um carro novo, ou uma jóia, ou um celular novo… um computador ou um tablete… está valendo até mesmo um perfume… com a crise, se não der, vale uma camiseta ou um par de meias mesmo… mas certamente há a expectativa por algum presente nestes dias finais deste ano.
Mas por mais valioso que seja este presente, ele logo vai ficar obsoleto, esquecido ou pode até mesmo ser perdido. Não há nada que você possa ganhar de presente que não possa ser tirado de você – isto é, quase nada. Há algo que, mesmo não lhe custando nada, tem valor inigualável e não pode ser encontrado guardado a cadeado em nenhuma loja de departamentos, pelo contrário, o mais valioso dos presentes é oferecido livre e gratuitamente em milhares de lugares cujas portas permanecem abertas para quem quiser recebe-lo (Jo 1:12  ).
Este presente tem nome, aliás, uma das formas de ele ser conhecido é justamente pelos nomes e títulos que ele tem. Seu nome é Jesus, que significa “do Senhor é a salvação”. Ele possui muitos títulos, sendo Cristo (o ungido, o escolhido) um deles. Vou partir do pressuposto que você conhece a história de Jesus Cristo, o messias que nasceu de uma virgem – e foi crucificado em Jerusalém. Mais ainda, parto do pressuposto que ao menos você já tenha ouvido que ele é o Filho de Deus, isto é, o próprio Deus encarnado. Se isto não for importante para você, quero que saiba que é fundamental para os genuínos cristãos, é fundamental para mim, e, sendo assim, não posso raciocinar sem levar em conta estes fatos. E é a partir deles, tendo-os como base para tudo o que vamos ver à partir de agora. Além do titulo de “Cristo” Jesus possui outros, e é sobre alguns dos títulos do filho de Deus que vamos falar agora.
Um dos meios pelos quais Deus revela o seu caráter é a variedade de nomes e títulos que ele atribui a si mesmo nas páginas das Escrituras. Não foram nomes inventados ou títulos atribuídos a ele pelos escritores bíblicos, mas recebidos por divina revelação (2Pe 1:21). Cada nome de Deus nas páginas das Escrituras revelam algo que Deus quer que conheçamos a respeito de si mesmo. É através de seus nomes que Deus se revela como o eterno (El Olam), o altíssimo (El Shadday), o Deus provedor (IHVH Yiréh) e assim sucessivamente. Entretanto, nenhum dos nomes reveladores do caráter e dos atributos de Deus o revelam de maneira absoluta. Mesmo “o nome” que interpretamos como “Eu sou o que sou” mais esconde do que revela, porque ao mesmo tempo em que mostra a imutabilidade e a existência essencial de Deus, uma vez que ele não foi nem deixará de ser coloca diante de nós uma grandiosidade tal que apenas humilha nossa mente e somos obrigados a exclamar como Agostinho: finitun nunc capere infinitum, isto é, o que é finito é incapaz de compreender o infinito.
A mesma coisa aplica-se aos nomes e títulos de Jesus Cristo. Ele foi de pronto odiado pelos judeus por atribuir a si mesmo o mesmo atributo de Deus ao afirmar que antes que Abraão, o pai da nação israelita existisse, “eu sou” (Jo 8:58). Mas quem é Jesus, segundo a promessa messiânica de Isaías?

JESUS É O MARAVILHOSO CONSELHEIRO – AQUELE QUE LHE DÁ ORIENTAÇÃO

Mais de uma vez encontramos na bíblia a mesma sensação que muitos expressam: o que fazer. Durante anos trabalhei num sistema de aconselhamento chamado Disquepaz – e as pessoas ligavam em busca de orientação para todo tipo de problema. Quando o assunto era espiritual e tinha a ver com a vontade revelada de Deus, era relativamente fácil. Mas havia gente que ligava pedindo orientação para coisas pessoais, profissionais. Pessoas sem rumo na vida e precisando desesperadamente de orientação.
Há uma multidão caminhando sem rumo, como nuvens impelidas pelo vento, indo de um lado para outro (Ef 4:14) e, lamentavelmente, se tornando massa de manobra nas mãos de inescrupulosos tanto incrédulos quanto ímpios disfarçados de crentes (II Pe 2:3).
Mas damos graças a Deus porque ele nos deu Jesus, e Jesus é aquele que é capaz de nos dar a orientação necessária para toda e qualquer área da nossa vida, porque ele é o maravilhoso em conselho, isto é, aquele que, sendo pleno de sabedoria, sendo a própria sabedoria divina encarnada, consegue não apenas discernir os pensamentos e propósitos do coração mas, também, perceber as consequências das nossas intenções.
Jesus é aquele que conhece tudo e todos, inclusive aquilo que escondemos no coração (Mt 9:4) e por isso é capaz de dar não apenas os melhores conselhos, mas os conselhos que realmente são importantes e essenciais (Ap 3:18).
Ele é aquele que pode aconselhar sem precisar de conselho de ninguém (Rm 11:34). Ninguém jamais deu conselhos a Deus, e tampouco houve quem desse algum conselho a Jesus que não se envergonhasse de tenta-lo (Mc 8:33). E o fato de que ele é maravilhoso conselheiro independe da época do ano ou dos sinos que tocam. Ele é a promessa que se cumpriu.

JESUS É DEUS FORTE – AQUELE QUE LHE DÁ SEGURANÇA

O que é chave no entendimento de quem é este menino – ele não é apenas um menino especial, ele é o próprio Deus vindo morar entre os homens e é exigido que os homens se convertam a este Deus forte (Is 10:21). O título l) (Deus) usado para Jesus é o mesmo usado dezenas de vezes para o Deus altíssimo. Isaías quer enfatizar que o messias, aquele que estava sendo prometido e que viria, é o Deus forte – e este menino prometido é Jesus. Na perspectiva de Isaías não há distinção entre Jesus, como o Deus forte, e o Deus descrito diversas vezes no Antigo Testamento como o Deus altíssimo.
Mesmo naquele que parece o momento de maior fraqueza, predito nos salmos messiânicos Jesus chama a Deus pelo mesmo titulo que lhe é atribuído por Isaías (Sl 22:1). O Espírito de Deus, falando por intermédio de Isaías, atribui ao messias o mesmo nome que Jesus chamaria o Deus que também disse ser ele o filho amado em que ele tinha plena satisfação (Mt 3:17).
Em 2014 foi feita uma pesquisa sobre o que mais angustiava o brasileiro e de cada 5 entrevistados 4 temiam por sua segurança. Assaltos, assassinatos, invasões, furtos, violência doméstica e de trânsito… o sonho de consumo de muitos era poder usufruir de alguma forma de segurança particular – e este mercado foi se expandido assombrosamente. Mas, segundo a pesquisa, quanto mais se gastava em segurança, maior o nível de preocupação das pessoas simplesmente porque o problema não era, e não é, se a segurança é real, mas a sensação de insegurança reinante.
Mas em Jesus nós dispomos da certeza de segurança que nenhuma empresa, nenhum guarda, nenhuma grade ou arma podem dar. Ele diz que quem vai a ele está absolutamente seguro e das suas mãos ninguém pode nos tomar – se você for a ele terá o cuidado das mãos poderosas do Deus forte (Jo 10:29).
Os salmistas, mesmo em situações de risco expressavam bem esta certeza de estarem seguros nas mãos do Senhor dos exércitos. No salmo 46 o salmista repete, três vezes, esta certeza (Sl 46.2, 7 e 11).
Você se sente inseguro? Tem medo que os montes saiam do lugar? Então, confie no Deus forte, Jesus (Sl 56:4).

JESUS É O DEUS ETERNO – AQUELE QUE LHE DÁ VIDA ETERNA

A expressão “pai da eternidade” é encontrada em traduções antigas, mas o texto hebraico pode ser traduzido apenas como “eterno” com sentido de originador de algo. Assim como Jesus é o Deus forte, ele é, também, portador de um atributo que só Deus possui: a eternidade. O Cristo não passou a existir no momento em que foi gerado no ventre de Maria – não há um ponto de partida em sua história. Ele não passou a existir à partir de sua manifestação em carne – ele foi apenas manifestado em carne, embora existisse. Assim como Deus é pai eterno, o filho tem que ser eterno senão Deus não poderia ser pai – alguém só é pai quando possui um filho.
Em sua existência na carne Cristo, o filho eterno de Deus, revela o próprio Deus da exata maneira que é necessária para atender as nossas necessidades (Hb 1:3). O Filho revela o pai porque tem a mesma essência, a mesma natureza, ele, embora não seja o pai, dele procede e pode revela-lo satisfatoriamente (Jo 14:9).
Nossa sociedade é marcada pela efemeridade e pela transitoriedade. É sintomático o titulo de uma música dos Titãs: “A maior banda te todos os tempos da última semana”. O mercado de celebridades joga na TV semana após semana novas estrelas que logo são desaparecem e ninguém se lembra mais a não ser para montar programas de subcelebridades de gosto especialmente duvidoso, como Casa dos Artistas e A Fazenda.
Mas Jesus não oferece nada transitório – ele diz que quem nele crê tem a vida eterna porque ele lhes dá esta vida (Jo 10:28).
Judas agiu como muitos, em busca dos benefícios absolutamente passageiros deste mundo (1Jo 2:17), porque a sua natureza era terrena e carnal, abandonou aquele que é o único que tem as palavras de vida eterna (Jo 6:68).
Quantos tem deixado para trás a segurança de estarem com o bom pastor para seguirem após novidades e vaidades, correrem atrás do vento e juntarem coisas passageiras que não permanecem. Somente em Jesus é possível experimentar aquilo que é, de fato, permanente (1Pe 1:23).

JESUS É O PRÍNCIPE DA PAZ – AQUELE QUE PÕE FIM À INIMIZADE

O governo de alguém que seja um maravilhoso conselheiro, com existência e poder soberanos eternamente produz paz – e seu governo de paz será, necessariamente, eterno. Jesus é chamado de príncipe (neste caso, de príncipe – aquele que tem a primazia - da vida, embora nossa tradução traga “autor da vida” - At 3:15). No caso de Jesus seu principado não se refere apenas a autoridade e poder, mas a autoria – assim como à parte de Jesus não há vida, também não pode haver paz sem ele (Jo 14:27). Somente por meio de Cristo há paz entre o homem pecador (que de outra sorte continuaria tomando atitudes de confronto e inimizade contra Deus – Ef 2.1-3) e Deus (Rm 5.1-2).
Em Cristo e por Cristo também são removidas as barreiras que separam os homens entre si – havia barreiras entre judeus e gentios, entre gregos e bárbaros, entre livres e escravos, entre homens e mulheres (Gl 3:28), mas Cristo aboliu todas as barreiras em sua carne (Ef 2:14) obrigando um judeu, como Pedro, a reconhecer o alcance universal da salvação, independente da nacionalidade (At 10.34-36).
Em Cristo temos paz com Deus e com o próximo – Cristo é o único que pode trazer paz entre os homens, como anunciaram os anjos aos pastores (Lc 2:14). Aproveite o 25 de dezembro para começar a falar desta paz pelos próximos 365 dias e você estará de fato, mostrando que a vinda do messias fez sentido em sua vida.

APLICAÇÃO

Eu sei que você não pode dizer, em verdade, que não deseja estas coisas. Você quer paz – e eu tenho que lhe dizer que você só pode obter paz verdadeira se ela lhe for dada pelo príncipe da paz. Com muito esforço talvez, e isto é apenas uma hipótese, você pode viver sem brigar com ninguém, mas sem Cristo você jamais poderá ter paz com Deus – e esta é a única paz que realmente importa porque sua natureza essencial lhe diz que se você resolver todos os seus problemas com o mundo, se você for amigo de todo o mundo, ainda assim você permanecerá inimigo de Deus (Tg 4:4).
Eu sei que você não deseja enfrentar a morte – e mesmo os que desejam deixar de viver o fazem não porque não amam a vida, mas porque não suportam os seus problemas, mas precisam ser avisados que, abandonando a vida sem receber de Deus a vida eterna só experimentarão mais dores e angustias, e, pior, angústia sem esperança pois o que resta para quem não tem a vida eterna é a morte eterna, o inferno e seus tormentos inextinguíveis (Mc 9.42-48).
Eu sei que você deseja segurança – e você mostra isso quando coloca muros e grades em sua casa. Quando não sai às ruas sozinho de madrugada. Quando se cerca de todos os tipos de instrumentos que consegue para evitar sofrer nas mãos de salteadores, bandidos… mas que segurança você pode ter quando os céus se desfizerem, e a terra for abalada? Que segurança você pode conseguir quando os próprios montes virem abaixo? Onde você poderá estar seguro quando o Senhor resolver efetuar o grande juízo? Não há segurança sem o Deus forte – nas mãos dele o mundo pode se enfurecer contra você e ainda assim você poderá andar pelo vale da sombra da morte de maneira tranquila (Sl 23:4) e, ainda que milhares caiam de todos os lados, você continuará seguro (Sl 91:7). Mas só com o Deus forte como seu Deus.
Isto parece fácil demais? Basta ter Jesus e eu terei a verdadeira segurança, estarei seguro mesmo que o mundo acabe? Sim. Basta ter Jesus, de verdade, que eu terei vencido a morte de maneira definitiva? Sim. Basta ter Jesus e eu experimentarei a verdadeira paz? Sim. Isto parece maravilhoso demais? É maravilhoso demais, mas é maravilhoso porque é uma dádiva do Deus maravilhoso, é uma dádiva do maravilhoso conselheiro, daquele que tem respostas para todas as suas dúvidas existenciais essenciais (Jr 33:3).

Você pode ser sábio, e receber este maravilhoso presente de Deus. Ou pode continuar correndo atrás dos presentes do mundo, presentes que, quando você realmente precisar de algo de valor, estarão ausentes e serão inúteis.

domingo, 19 de abril de 2015

Is 65.1-10 - O DEUS VERDADEIRO É O ÚNICO CAPAZ DE SUPRIR SUAS NECESSIDADES ESSENCIAIS

O DEUS VERDADEIRO: PARA A VIDA PRESENTE E PARA A ETERNIDADE

QUEM É DEUS?

INTRODUÇÃO

Onde está Deus?, perguntam os ímpios (Sl 115.2-3). Deus pode ser encontrado? Perguntam os céticos (Jr 29:13). Como encontrar um ser que não pode ser visto, porque é puro Espírito?
Apesar desta dificuldade, afirmamos que conhecemos o nosso Deus (I Jo 2:3). Ousamos ir além, afirmamos conhecê-lo intimamente (Sl 25:14). E vamos ainda mais além, dizemos que ele habita em nós, testifica ao nosso Espírito que somos seus filhos e não nos desampara jamais (II Tm 1:14).
De que outro deus é possível afirmar estas coisas? Pode um muçulmano afirmar que seu Alá habita em seu coração sem estar sendo metafórico? Pode um católico advogar a morada de Maria em seu corpo? Pode um espírita – bem, um espirita até pode dizer que um espírito faz morada eventual nele, mas não pode afirmar que possui Deus dentro de si mesmo.
Sim, diferente dos atenienses, não adoramos a um Deus desconhecido (At 17:23). Nós o conhecemos, nós o experimentamos e sabemos que ele é quem tem nos guiado a toda a verdade. É deste Deus que falamos, é o nome, os feitos, o caráter e a vontade deste Deus que proclamamos com tanta veemência, como se disto dependesse a nossa vida – espere, não apenas a nossa, mas da proclamação da mensagem deste Deus depende a sua, porque, se ele é nosso Deus, então já passamos da morte para a vida (I Jo 3:14). E você, já o conhece? Como conhece-lo? Através da verdade revelada nas Escrituras (Jo 5:39). E é pelas páginas das Escrituras que vamos tentar conhecer mais de Deus. Se você quer conhecer algo sobre alguém, a melhor pessoa para lhe dar informações é ela mesma. Então, vamos ver o que Deus nos diz a seu respeito através do profeta Isaías.

MENSAGEM I

DEUS É DEUS PARA TER SATISFAÇÃO NESTA VIDA

DEUS É DEUS QUE SE DEIXA ACHAR

1 Fui buscado pelos que não perguntavam por mim; fui achado por aqueles que não me buscavam; a um povo que não se chamava do meu nome, eu disse: Eis-me aqui, eis-me aqui.
Deus é um Deus que se revela e que quer ser conhecido. Deus é um Deus que dá testemunho de si mesmo (At 14:17). Deus não tem nenhum interesse em se manter desconhecido, por isso ele não se esconde. Deus só é desconhecido onde sua revelação é rejeitada, deturpada ou trocada por invenções humanas (Rm 1:25 - ...pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!).
O profeta Isaías fala de Deus usando um modo que não existe na nossa língua, o perfeito profético, referindo-se a um evento futuro como certo e determinado, como se já tivesse, de fato acontecido, como se ele estivesse presente assistindo e descrevendo o que estava diante de seus olhos. Antes mesmo de Paulo perguntar Isaías oferece resposta às suas indagações retóricas em Rm 10 sobre aqueles que invocariam o Senhor mediante a pregação do evangelho ordenada pelo Senhor Jesus àqueles que antes não o buscavam e não o buscariam por nada terem ouvido dele (Rm 10.13-15), finalmente deixando de viver sem Deus no mundo e podendo ser, então, tornados filhos de Deus.
Em seus dias Isaías via Israel rejeitar ao Senhor assim como Israel rejeitou o Senhor Jesus nos dias de sua carne – mas nem por isso Deus deixou de ter seu remanescente (Rm 11:5), criando para si mesmo um novo povo, uma nova nação, uma nação santa constituída de gente vinda de todas as famílias da terra. Independente da tribo, do povo, da raça, de classe, todos, ricos e pobres, brancos, amarelos, vermelhos e negros, cultos ou iletradas, livres ou escravos, todos, sem qualquer forma de discriminação são chamados para fazer parte deste povo que o adora e que é salvo por sua graça (Ap 7:9).
Chamados por Deus, alcançados por seu evangelho, de todo o coração buscam e Deus e por isso encontram (Jr 29:13). Onde está Deus? Ora, nosso Deus está nos céus, está assentado num alto e sublime trono, mas também está perto do abatido e contrito de Espírito. Deus é Deus de perto, nosso Deus é Deus presente. Deus é Deus que se deixa achar – a menos que, em seus pecados, você prefira manter distância dele para praticar as obras dos filhos das trevas. Mas, se você quiser, nem mesmo seus pecados podem te afastar do amor de Deus revelado em Cristo porque, quem nele crê, é feito nova criatura. Quem confessa seus pecados e os abandona acha misericórdia. Então, procure ao Senhor em tempo de poder encontrá-lo (Sl 32:6).

DEUS É DEUS QUE MANIFESTA FAVOR IMERECIDO

2 Estendi as mãos todo dia a um povo rebelde, que anda por caminho que não é bom, seguindo os seus próprios pensamentos; 3 povo que de contínuo me irrita abertamente, sacrificando em jardins e queimando incenso sobre altares de tijolos; 4 que mora entre as sepulturas e passa as noites em lugares misteriosos; come carne de porco e tem no seu prato ensopado de carne abominável; 5 povo que diz: Fica onde estás, não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu. És no meu nariz como fumaça de fogo que arde o dia todo.
O nosso Deus, o Deus que se fez conhecido dos pais, o Deus que se revelou através dos profetas, o Deus que se mostrou de muitas maneiras e que, finalmente, se revelou plenamente em seu filho Jesus Cristo (Hb 1.1-2) desvendando, até para nós, gentios, o mistério que fora oculto pelos séculos (Cl 1:26), se revela como aquele que manifesta seu favor para aqueles que não apenas não o buscavam, mas também não o mereciam, pois andavam na vaidade de seus próprios pensamentos (Ef 4:17).
Reflitamos um pouco sobre nós mesmos. O que havia ou há em nós para que o Deus santo, perfeito e pleno, o Deus que tem todo o universo a proclamar a sua glória, o Deus que tem miríades de santos anjos a louvarem-no, o Deus que tem comunhão perfeita intra-trinitária – o que havia em nós para atrair sua atenção e merecer sua graça, para ser alvo do seu favor? Reflitamos mais um pouco – como esperar o favor deste Deus que abomina o pecado e outra coisa nós não somos além de pecadores? Como imaginar algum mérito em nós se estávamos mortos em nossos delitos e pecados, e os cometíamos com grande prazer? Como almejar o favor de Deus se, ao invés de fazer a sua santa vontade nos dedicávamos em fazer a vontade da carne e do príncipe da potestade do ar, o diabo?
Para nossa surpresa este Deus se revela e o faz propondo-se a manifestar graça e favor a rebeldes que abandonaram o reto caminho e seguiam seus próprios pensamentos. Deus estende a sua benfazeja mão a um Israel idólatra, adorador de mortos, filhos que foram engrandecidos e se rebelaram em graves ofensas a ponto de encolerizá-lo até mesmo com seus cultos (Is 1:13). Quanto mais santos deveriam ser, mais se tornaram repreensíveis, praticando todo tipo de pecado – mas mesmo assim Deus não desiste de manifestar a sua graça.
Este mesmo Deus que manifestou sua graça prometendo que manteria um remanescente de Israel (Rm 9:27), também continua manifestando sua graça e o faz inclusive a cada um de nós aqui presentes – sejam quais forem os nossos pecados, Deus é o mesmo, ontem, hoje e eternamente e ainda chama pecadores ao arrependimento, ainda chama pecadores para que o ouçam e sua alma seja vivificada – e você sabe que um morto não pode nem mesmo desejar a vida a menos que o doador da vida aja nele, gerando-o novamente para uma nova forma de viver.

DEUS É DEUS QUE MANIFESTA JUSTIÇA

6 Eis que está escrito diante de mim, e não me calarei; mas eu pagarei, vingar-me-ei, totalmente, 7 das vossas iniqüidades e, juntamente, das iniqüidades de vossos pais, diz o SENHOR, os quais queimaram incenso nos montes e me afrontaram nos outeiros; pelo que eu vos medirei totalmente a paga devida às suas obras antigas.
Deus é Deus que se deixa achar, manifestando sua graça mesmo àqueles que não o procuravam. Mas o mesmo Deus que conclama para que pecadores o busquem enquanto ele pode ser encontrado mostra-se em sua justa ira para com aqueles que se mantém rebeldes (Is 1:20). Aliás, é justamente a rebeldia um dos pecados que mais aborrecem ao Senhor – Deus trata de uma maneira menos dura os pecados cometidos na ignorância, mas com duro rigor aqueles que, tendo sido iluminados por sua palavra, tendo experimentado as graças que Deus derrama sobre a Igreja, preferem virar-lhe as costas (Hb 10:31).
Não há injustiça em Deus ao retribuir a cada um segundo as suas obras – de maneira que, quando um pecador recebe o pagamento pelos seus pecados, ele está recebendo exatamente aquilo que merece (Ap 20:13). Israel rejeitou o filho de Deus, não quis ser tornado filho de Deus em uma nova aliança, e, por isso, muitos deles foram denunciados como filhos do diabo (Jo 8:44).
Israel resolveu fazer exatamente aquilo que fora proibido pelo Senhor – foram instruídos a acabar com a idolatria, e tornaram-se idolatras. Foram instruídos a destruir todas as formas de culto dos povos pagãos ao seu redor e se tornaram tão abomináveis quanto eles. O que esperar das mãos de Deus além do cumprimento da aliança estabelecida ao entrarem na terra prometida. Os obedientes comeriam o melhor da terra, os rebeldes seriam destruídos à espada e lançados por entre as nações – e foi exatamente isto o que Deus fez com Israel após os dias de Isaías.
Mas não sejamos apressados em condenar Israel – as uvas verdes que eles comeram embotaram os dentes deles, e tanto histórica quanto espiritualmente já tem sofrido terrivelmente. Eles mataram o messias, foram rejeitados pelo Senhor, banidos de sua aliança – muitos podem e tem voltado, mas não como povo, apenas como membros de um povo que se torna parte do novo Israel. Eles pagam pelas próprias culpas – mas nosso espelho não deve nos deixar esquecer que também nós ouvidos os pais, os profetas, somos privilegiados por termos já a revelação completa e ainda assim quantos não continuam rebeldes, tão dignos de receber a cobrança da justiça divina? O Deus que se revela gracioso também se revela justo – e certamente derramará sua ira sobre todos aqueles que rejeitaram seu oferecimento de graça na pessoa bendita de seu filho (Sl 2:12).

DEUS É DEUS QUE MANIFESTA MISERICÓRDIA

8 Assim diz o SENHOR: Como quando se acha vinho num cacho de uvas, dizem: Não o desperdices, pois há bênção nele, assim farei por amor de meus servos e não os destruirei a todos. 9 Farei sair de Jacó descendência e de Judá, um herdeiro que possua os meus montes; e os meus eleitos herdarão a terra e os meus servos habitarão nela. 10 Sarom servirá de campo de pasto de ovelhas, e o vale de Acor, de lugar de repouso de gado, para o meu povo que me buscar.
A manifestação da misericórdia de Deus se dá em preservar um remanescente para si mesmo – nos dias de Isaías seria uma porção tão pequena, inferior à décima parte... menos que um toco, apenas uma semente. Israel merecia graça? A resposta é: não. Mesmo Isaías se apresenta como um homem de lábios impuros – mas sem esquecer que habita no meio de um povo de impuros lábios. Uma coisa não justifica a outra. Seu pecado é pessoal, mas o pecado de Israel não é decorrente do pecado de Isaías.
Deus manifesta sua misericórdia sem baseá-la nos méritos de Israel, mas por causa de sua própria promessa aos pais, Abraão, Isaque e Jacó. É por sua fidelidade à si mesmo, mesmo envolvendo infiéis, que Deus não muda de idéia. É por causa da sua misericórdia que Israel (e nós) não somos consumidos (Lm 3:22). - É por causa da misericórdia de Deus prometida a Davi (Is 55:3) que Deus mantém a promessa de um herdeiro que possua os montes.
Deus não precisava de Israel, pelo contrário, Israel é que precisava descobrir que precisava desesperadamente de Deus, assim como Deus não precisa de nenhum de nós e nós precisamos ser lembrados constantemente que, sem Deus, nós simplesmente não existiríamos (Jo 34.14–15) porque nele nós não apenas nos movemos, como, também, existimos (At 17:28 - pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração).
A misericórdia de Deus é expressa na promessa de dar-lhes o que eles já tinham perdido o direito de possuir – a terra. A misericórdia de Deus se revela a nós na promessa de Deus de dar-nos o que também não temos o direito de possuir – a vida eterna, a habitação no novo céu e na nova terra. Esta misericórdia simplesmente não nos dá o que, em nosso estado miserável de pecado, nós merecemos – a ira de Deus – e oferece-nos a salvação em Jesus Cristo (Ef 2:3).
Deus é misericordioso dando-nos seu filho, Jesus, fazendo-o conhecer as nossas fraquezas para que possamos recorrer a ele e encontramos graça em ocasião oportuna (Hb 4:16). Quando pedimos ao Senhor misericórdia em uma situação de anseio moral, espiritual ou material podemos ter certeza que ele nos entende porque as experimentou (Hb 4:15).

RESULTADO DO CONHECIMENTO DE DEUS – I PARTE

Não podemos pensar que Deus é como um ator que se manifestou apenas para saciar sua curiosidade ou deleite temporário. Veja o que acabamos de expor:
i. Em relação à esta vida:
a.    Deus manifesta a si mesmo, deixando-se achar por você que você não o procurava;
b.   Deus manifesta seu favor para quem não merece;
c.    Deus manifesta sua justiça repreendendo o mal, inclusive do coração do homem;
d.   Deus manifesta sua misericórdia concedendo vida a quem merecia a morte.
O fato de Deus manifestar estes seus atributos, estas suas ações, devem nos levar a perguntar: porque? Porque Deus quis que eu soubesse dessas coisas? Qual o seu propósito (Ec 3:1)? De que me adianta saber estas coisas, afinal?
Então, vamos verificar o que aprendemos:
             i.            Se Deus se manifestou mostrando da sua vontade e o seu caráter, e você sabe disso, então, quando chegar o dia do julgamento você vai ser julgado de acordo com este conhecimento – se ele é Deus, e ele é Deus, porque você não o adorou (Sl 150:6)? Não é melhor louvá-lo agora, por seu amor, do que ter que dobrar-se diante dele e louvá-lo por reconhecer que ele é justo (Rm 14:11)?
          ii.            Se Deus manifestou seu favor a quem não merece, colocando-o diante de ti de maneira salvadora, como será no dia do juízo quando você perceber que você não recebeu, de graça, a única coisa que realmente importa? Como se sentirá sabendo que rejeitou a pérola de grande valor para ficar com um monte de bijuterias e quinquilharias? Se Deus já provou o seu amor para conosco, porque preferir continuar sendo seu inimigo (Rm 5:8)?
      iii.            Se Deus manifesta sua justiça restringindo o mal, punindo as ações más dos homens até para que estes sirvam de exemplo para os que também desejam o mal, e se já sabemos que não há como escapar da justiça de Deus, nem mesmo escondendo-se sob os montes (Lc 23:30 - Nesses dias, dirão aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos!), então não há sabedoria em continuar caminhando para longe de Deus, desafiando a sua justiça;
       iv.            Se Deus é Deus que manifesta sua misericórdia, isto é, o sofrimento e a desgraça do homem caído não lhe passam desapercebidos, pelo contrário, ele não fica insensível à nossa miséria, então, porque virar-lhes as costas quando ele, que não precisa de nós, oferece exatamente tudo a quem tudo necessita (Fp 4:19). É um absurdo rejeitar a satisfação daquilo que mais se necessita, e, pior, rejeitar a oferta do único lugar de onde pode vir esta satisfação.

CONCLUSÃO

Há muitos ‘deuses’ sendo oferecidos no que mais parece um mercado – deuses de todo tipo, deuses para todos os gostos. Deuses liberais, que aceitam tudo... deuses exigentes, que proíbem tudo... deuses pequenos demais que precisam ser carregados... deuses que nem mesmo possuem personalidade... há deuses de todos os tipos, com mercadejadores gritando: escolha o seu, escolha o que mais te agrada.
No meio evangélico não é nada diferente do que é encontrado fora do ambiente chamado cristão. Para cada inventor de moda sempre há seguidores, porque sempre houve e sempre vai haver pessoas como as descritas por Paulo, com coceiras nos ouvidos (II Tm 4:3) e que se deixam seduzir facilmente.
Mas, mesmo neste meio confuso, sempre haverá a voz clara do Senhor chamado (Mt 11:28), com carinho e mansidão, as suas ovelhas (Jo 10:27).
É possível que você esteja real e sinceramente interessado em conhecer o Deus verdadeiro e experimentar as suas bênçãos (Jo 17:3) – se é assim, seja como os bereanos e dê ouvidos apenas às Escrituras (Jo 5:39). O que você conheceu agora é suficiente para saber que Deus já te mostrou tudo o que você precisa para viver sob a sua maravilhosa graça.
E permanece de pé o convite feito pelo Senhor através de Isaías: dê ouvidos ao Senhor, obedeça-o e experimente o melhor desta vida – andar com Deus (Is 1:19). Como é possível a um pecador andar com Deus? Buscando o Senhor enquanto se pode achar, invocando-o enquanto está perto (Is 55:6).
Nunca é demais lembrar: entregue seu caminho ao Senhor que se revelou a você, que mostrou seu favor, sua justiça e misericórdia. Confia sua vida às suas mãos e ele satisfará os desejos do seu coração restaurado por sua graça (Sl 37:5).

Quando nós não sabemos o caminho ainda temos a desculpa por errar – mas quando temos todas as placas e alguém nos diz qual o caminho certo, errar não é mais uma questão de desconhecimento, é uma questão de escolha, e escolhas erradas conduzem a resultados danosos (Pv 14:12) – faça como Josué, pois só existe uma atitude correta a ser tomada: servir ao Senhor (Js 24:15).

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

E POR FALAR EM INDEPENDÊNCIA

Sete de setembro. Feriado nacional. Dia da independência do Brasil. Mas, que independência mesmo? Sob certos critérios, independência política, econômica, institucional.
Contam os livros de história que, certo dia, certo príncipe, em certo lugar, deu um grito e com ele tornou o país independente de Portugal. A história é bonitinha, como bonitinho é o desenho que imortaliza aquele ato - nem a história nem o grito se deram do jeito que a maioria pensa que sabe.
O desejo de independência é algo que aflora nos homens de uma maneira natural. Crianças, adolescentes, adultos - todos querem, normalmente, independência. Mesmo aqueles que vivem na mais absoluta dependência querem, de alguma forma, sentir-se independentes.
Mas o problema real é quando o homem, não importando qual idade tenha, deseja ser independente de Deus. Desde que o primeiro casal resolveu tomar decisões sem considerar a vontade revelada de Deus esta independência tem causado muitos males.
O homem não foi criado para ser independente. Não tem estrutura para isso. Não tem estrutura emocional para isso. Não tem estrutura física para isso. Não tem estrutura espiritual para isso. Na verdade, se o homem conseguisse realmente desvencilhar-se de Deus, ele simplesmente “não seria” (At 17.28). Mas, mesmo não conseguindo, não desistimos da vã tentativa de sermos independentes.
Na verdade, a benção não está em ser independente, porque a tal independência é, na verdade, rebelião contra o criador (Jó 34.37). A benção está, justamente, em depender do Senhor em toda e qualquer situação, na verdade, em reconhecer o Senhor em todos os caminhos (Pv 3.6), entregando-lhe a direção de sua vida (Sl 37.5) e, assim, receber dele toda sorte de bênçãos (Ef 1.3).
A Palavra de Deus afirma, e basta uma rápida olhada para qualquer canto do mundo para perceber, que feliz é a nação que não é independente ou, dito de outra maneira, feliz é a nação cujo Deus é o Senhor (Sl 33.12). Toda frase afirmativa pode ser lida, também, de maneira negativa, isto é, infeliz a nação cujo deus não é o SENHOR ou que Deus não é o seu Senhor.
O Brasil apresenta um quadro cada vez mais caótico porque até mesmo quem se diz cristão, por interesses os mais diversos, e muitos destes inconfessáveis, acaba defendendo ideias e ideais que são frontalmente contrários à vontade revelada de Deus. Exemplos? Vários.
i. sob a justificativa de ser uma questão de saúde pública cristãos tem se unido a defensores do “direito da mulher de decidir sobre seu corpo”, um eufemismo para a prática do aborto;
ii. sob a capa do legalismo e da universalidade de direitos civis há aqueles que defendem a união conjugal do mesmo sexo - na prática, a defesa do homossexualismo;
iii.  sob a capa de ecologia defendem alguma forma de supremacia da natureza, de evolucionismo, abandonando o ensino criacionista das Escrituras;
v. sob a capa da ética e do politicamente correto (às vezes usando de maneira totalmente irresponsável uma das palavras mais preciosas da língua portuguesa, amor) há quem deixe de denunciar o erro, a corrupção das instituições e, na prática, acaba se tornando, pelo silêncio, cúmplice dos malfeitos;
v.  sob um discurso modernista e progressista rejeitam a bíblia como autoritativa e inerrante em todas as questões pertinentes à ética, à moral, à economia e a todos os demais temas que envolvem a vida humana.
Fora do Brasil podemos observar a imoralidade galopante, a crescente criminalidade e o uso cada vez mais indiscriminado de drogas em outrora poderosos países cristãos porque eles abandonaram o seu Deus (Jr 2.13), como Inglaterra, Estados Unidos, Holanda e vários outros. Pior ainda o estado de países que tem sido influenciados por uma fé não apenas não cristã mas eminentemente anticristã, como podemos ver nos conflitos generalizados em todo oriente médio e África. Nações infelizes porque não tem o SENHOR como seu Deus.
Poderia fazer um levantamento de muitas outras questões, semelhantes a estas, mas o ponto que quero focalizar não é o mal, mas o fato de que uma nação só pode ser verdadeiramente feliz, só pode gozar de verdadeira paz e prosperidade tendo Deus como seu Senhor - esta é uma afirmação comprovada tanto biblicamente quanto historicamente (todos os países europeus que abraçaram a Reforma Protestante do séc. XVI se desenvolveram tanto na economia, quanto na educação e na ciência).
A orientação de Davi a Salomão (I Cr 28.9) ainda é pertinente, e a proclamação de Jeremias continua de pé (Jr 29.14).  Não, nossa nação não é feliz porque não tem Deus como seu Senhor. Nossa nação não quer ouvir a voz do Senhor que conclama ao arrependimento, que oferece perdão (Is 1.18) e benção (Is 1.19) mas também promete punição em caso de rebeldia contumaz (Is 1.20).
Independência? É melhor não, Brasil. Melhor é servir ao Senhor (Js 24.15).

terça-feira, 15 de julho de 2014

NÃO TIRE FÉRIAS DE DEUS

II Cr 33.1-19
Manassés era filho do rei Ezequias - um dos reis dos quais as Escrituras dizem ter sido um bom rei, apesar de ter cometido falhas que desagradaram a Deus. Apesar dos erros de Ezequias, podemos afirmar que ele teve oportunidade de aprender sobre quem era o Deus de Israel, sobre seus grandes e poderosos feitos. Entretanto, ele preferiu não fazer o que era agradável a Deus, e seguir seus próprios caminhos (Pv 14:12 - Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte).
O texto sagrado afirma que Manassés fez o que era mau perante o Senhor:
* seguiu as abominações dos gentios (Dt 32:16 - Com deuses estranhos o provocaram a zelos, com abominações o irritaram);
* edificou altos, lugares de cultos aos deuses gentios (Ez 16:16 - Tomaste dos teus vestidos e fizeste lugares altos adornados de diversas cores, nos quais te prostituíste; tais coisas nunca se deram e jamais se darão);
* levantou altares aos baalins (Jz 2:11 - Então, fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o SENHOR; pois serviram aos baalins);
* fez postes-ídolos (Jz 3:7 - Os filhos de Israel fizeram o que era mau perante o SENHOR e se esqueceram do SENHOR, seu Deus; e renderam culto aos baalins e ao poste-ídolo);
* se prostrou e serviu aos astros (Dt 4:19 - Guarda-te não levantes os olhos para os céus e, vendo o sol, a lua e as estrelas, a saber, todo o exército dos céus, sejas seduzido a inclinar-te perante eles e dês culto àqueles, coisas que o SENHOR, teu Deus, repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus);
* profanou a casa do Senhor edificando altares pagãos (Ex 34:12-14 - Abstém-te de fazer aliança com os moradores da terra para onde vais, para que te não sejam por cilada. Mas derribareis os seus altares, quebrareis as suas colunas e cortareis os seus postes-ídolos [porque não adorarás outro deus; pois o nome do SENHOR é Zeloso; sim, Deus zeloso é ele]);
* queimou seus filhos como oferta aos deuses pagãos (Dt 18:10 - Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro);
* era adivinho (vd. Dt 18.10);
* era agoureiro (vd. Dt 18.10);
* era feiticeiro (vd. Dt 18.10);
* era necromante (Dt 18:11 - nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos);
* colocou uma imagem de escultura na casa de Deus (Lv 26:1 - Não fareis para vós outros ídolos, nem vos levantareis imagem de escultura nem coluna, nem poreis pedra com figuras na vossa terra, para vos inclinardes a ela; porque eu sou o SENHOR, vosso Deus);
* conduziu o povo ao erro e negou-se a ouvir (obedecer) ao Senhor (Lv 26:18 - Se ainda assim com isto não me ouvirdes, tornarei a castigar-vos sete vezes mais por causa dos vossos pecados);
* era sanguinário (II Rs 21:16 - Além disso, Manassés derramou muitíssimo sangue inocente, até encher Jerusalém de um ao outro extremo, afora o seu pecado, com que fez pecar a Judá, praticando o que era mau perante o SENHOR).

O BOM USO DA MEMÓRIA
De imediato somos tentados a pensar: como alguém pode cometer tantos pecados, tendo sido instruído aos pés de um rei piedoso, tendo nascido como fruto da graça de Deus que deu mais tempo para que seu pai o gerasse, 3 anos que ele foi milagrosamente curado pelo Senhor quando adoeceu e orou ao Senhor (II Rs 20:2-3 - Então, virou Ezequias o rosto para a parede e orou ao SENHOR, dizendo: Lembra-te, SENHOR, peço-te, de que andei diante de ti com fidelidade, com inteireza de coração, e fiz o que era reto aos teus olhos; e chorou muitíssimo) nos dias do profeta Isaías (II Rs 20.5-6 - Volta e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que eu te curarei; ao terceiro dia, subirás à Casa do SENHOR. Acrescentarei aos teus dias quinze anos e das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e a esta cidade; e defenderei esta cidade por amor de mim e por amor de Davi, meu servo).
Talvez nenhum homem tenha merecido mais o nome que tinha do que Manassés - seu nome significa esquecimento (Gn 41:51 - José ao primogênito chamou de Manassés, pois disse: Deus me fez esquecer de todos os meus trabalhos e de toda a casa de meu pai). Diferente dos reis pagãos, Manassés não podia dizer: “Eu não sabia”. Aliás, nem mesmo os pagãos podem dizer isso (Rm 2:14-15 - Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se). Mas Manassés era um caso pior. Ele sabia, e ainda assim rejeitava. Ele trocou a verdade de Deus pela mentira que agradava seu coração (Rm 1:25 - ...pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!).
A história de Manassés nos instrui que:

NÃO DEVEMOS NOS ESQUECER DE DEUS
O grande problema do rei Manassés é que, embora tendo conhecimento dos acertos de Davi, e também dos terríveis erros  de Acabe e sua ímpia esposa Jezabel ele preferiu se esquecer de Deus, da Sua fidelidade e das inúmeras vezes que o Senhor havia mostrado que só o Senhor é Deus, e que os baalins não eram nada (I Rs 18:36-39 - No devido tempo, para se apresentar a oferta de manjares, aproximou-se o profeta Elias e disse: Ó SENHOR, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, fique, hoje, sabido que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo e que, segundo a tua palavra, fiz todas estas coisas. Responde-me, SENHOR, responde-me, para que este povo saiba que tu, SENHOR, és Deus e que a ti fizeste retroceder o coração deles. Então, caiu fogo do SENHOR, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e a terra, e ainda lambeu a água que estava no rego. O que vendo todo o povo, caiu de rosto em terra e disse: O SENHOR é Deus! O SENHOR é Deus!).
Não pensemos que esquecer signifique apenas não lembrar - é pior que isso. A bíblia fala do povo de Deus se esquecendo do Senhor com um sentido muito mais terrível, indicando conhecimento, mas falta de consideração. É pura e simples rejeição (Os 4:6 - O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos).
Nestes dias, nos dias do rei chamado esquecimento, Isaías advertira constantemente a Israel para não se esquecer do Senhor (Is 46:9 - Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim), e Israel sabia que havia transgredido, exatamente como fizera nos dias dos juízes (Jz 6:13 - Respondeu-lhe Gideão: Ai, senhor meu! Se o SENHOR é conosco, por que nos sobreveio tudo isto? E que é feito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos fez o SENHOR subir do Egito? Porém, agora, o SENHOR nos desamparou e nos entregou nas mãos dos midianitas). O tempo passara, mas Deus continuava o mesmo, e o coração de Israel também.
Ninguém precisava dizer para Manassés do que ele estava se esquecendo - porque ele não tinha amnésia, o problema dele era rejeição, abandono... Ele havia tomado, conscientemente, a decisão de não fazer o bem (Tg 4:17 - Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando). Ele escolhera o mal e sabia o que merecia das mãos do Senhor (Dt 30:15-18 - Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal; se guardares o mandamento que hoje te ordeno, que ames o SENHOR, teu Deus, andes nos seus caminhos, e guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, então, viverás e te multiplicarás, e o SENHOR, teu Deus, te abençoará na terra à qual passas para possuí-la. Porém, se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido, e te inclinares a outros deuses, e os servires, então, hoje, te declaro que, certamente, perecerás; não permanecerás longo tempo na terra à qual vais, passando o Jordão, para a possuíres).
O julgamento de Deus sobre Manassés é terrível (II Rs 21.11 - Visto que Manassés, rei de Judá, cometeu estas abominações, fazendo pior que tudo que fizeram os amorreus antes dele, e também a Judá fez pecar com os ídolos dele), mas não é muito distante do que é dito sobre aqueles que, tendo conhecimento da graça de Deus em Cristo Jesus, preferem viver como se nunca a houvessem experimentado (Hb 10:29 - De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?).
Não precisamos nos perguntar sobre como Deus vê um cristão que não pensa como discípulo de Cristo, que não anda como discípulo de Cristo, que não adora como discípulo de Cristo. Já sabemos a resposta: Deus considera o abandono como uma forma de prostituição (Jz 2.12 - Deixaram o SENHOR, Deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e foram-se após outros deuses, dentre os deuses das gentes que havia ao redor deles, e os adoraram, e provocaram o SENHOR à ira) mesmo que não se edifique deuses de ouro e prata, mas adora-se os deuses do coração, o ego, a cultura, algo como a carreira ou alguém. Era este o diagnóstico apresentado para os erros do povo nos dias dos juízes (Jz 21:25 - Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto).
Não é preciso dizer para um crente de verdade, que tem o Espírito de Deus lembrando-lhe que é um filho de Deus (Rm 8:16 - O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus) que o Senhor não aprova seu abandono, seus atos maus, sua negligência, sua preguiça, sua falta de testemunho, sua covardia. Da mesma maneira que Deus não aprovou o esquecimento de Manassés, também não aprova o esquecimento de um crente no século XXI porque ele não mudou e continua olhando para nós com os mesmos olhos, com o mesmo padrão... Se agirmos como Manassés, esquecendo-nos de servir ao Senhor, então, podemos ter certeza que o Senhor terá o mesmo sentimento que teve para com Manassés.
A primeira lição que aprendemos com Manassés é que não podemos nos esquecer de Deus - isto vale para qualquer um, de qualquer idade. À partir daqui veremos que este esquecimento inevitavelmente resultará em consequências desastrosas. A segunda lição que aprendemos com Manassés é que:

APOSTASIA TEM CONSEQUÊNCIAS
11 Pelo que o SENHOR trouxe sobre eles os príncipes do exército do rei da Assíria, os quais prenderam Manassés com ganchos, amarraram-no com cadeias e o levaram à Babilônia.
Usamos a palavra esquecimento para traduzir uma mais séria, mais profunda e mais dolorida: apostasia. Na vida de Manassés podemos ver que o julgamento de Deus sobre ele foi expresso de duas maneiras bastante duras. É verdade que Deus já havia previsto o cativeiro através do profeta Isaías (Is 6:11 - Então, disse eu: até quando, Senhor? Ele respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, as casas fiquem sem moradores, e a terra seja de todo assolada, e o SENHOR afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo. Mas, se ainda ficar a décima parte dela, tornará a ser destruída. Como terebinto e como carvalho, dos quais, depois de derribados, ainda fica o toco, assim a santa semente é o seu toco) mas os feitos de Manassés superaram tudo o que já havia acontecido antes, e sua apostasia trouxe consequências funestas.
O esquecimento de Manassés não poderia ficar sem consequências (Os 8:14 - Porque Israel se esqueceu do seu Criador e edificou palácios, e Judá multiplicou cidades fortes; mas eu enviarei fogo contra as suas cidades, fogo que consumirá os seus palácios). A bíblia considera a atitude de Manassés como um ultraje ao Senhor (Hb 10:29 - De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?).
A primeira das consequências refere-se a ele próprio. Foi feito cativo - teve seu corpo perfurado por ganchos e foi levado amarrado para a Babilônia. Mas foi vivo - sua vida foi preservada. É bom lembrar que tudo que lhe ocorreu ainda expressa, de alguma forma, a misericórdia de Deus. Os assírios eram conhecidos por sua crueldade no trato com os inimigos vencidos. Conta-se que um rei, percebendo que seria vencido, fez um trato com os assírios: ele se renderia desde que o sangue de seu povo não fosse derramado. E assim foi - todos foram enterrados vivos.
Seu pecado, sua apostasia, sua rebelião levou-o não apenas a ser rejeitado por Deus como sobre si e sobre seu povo trouxe a ira de Deus. Diferente do que costumamos pensar, não foi o poderio militar dos assírios que lhe abriu a porta para entrar em Israel. É muito comum culpar os homens ou o diabo pelos males que surgem, mas a Palavra de Deus diz que foi o Senhor quem fez ir sobre eles o pior, o mais cruel dos povos da antiguidade (II Cr 33.11 - Pelo que o SENHOR trouxe sobre eles os príncipes do exército do rei da Assíria, os quais prenderam Manassés com ganchos, amarraram-no com cadeias e o levaram à Babilônia). Deus havia advertido que seria assim quando fez Israel entrar na terra prometida (Is 1:20 - Mas, se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do SENHOR o disse).
Como esperar que um povo seja abençoado se seu líder máximo os conduz para longe da fonte das bênçãos (Tg 1:17 - Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança)? Como esperar que um povo seja abençoado se não observa a instrução que Deus lhes dá (Dt 13:1-3 - Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma). Se esta instrução valia para profetas, evidentemente também tinha valor para os seus reis e sacerdotes e era aplicável ao caso de  Manassés.
A segunda das consequências sofrida por causa dos atos de Manassés foi em relação a sua descendência. Manassés teve um filho, que reinou em seu lugar. Seu nome era Amom. O que dele é dito não é nada elogioso: ele perseverou nos maus caminhos que seu pai havia escolhido (II Rs 21.19-22 - Tinha Amom vinte e dois anos de idade quando começou a reinar e reinou dois anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Mesulemete e era filha de Haruz, de Jotbá. Fez o que era mau perante o SENHOR, como fizera Manassés, seu pai. Andou em todo o caminho em que andara seu pai, serviu os ídolos a que ele servira e os adorou. Assim, abandonou ele o SENHOR, Deus de seus pais, e não andou no caminho do SENHOR).
Porque Amom escolheu o caminho dos baalins? Evidentemente foi influenciado por seu pai. Tornou-se rei e preferiu o culto licencioso aos baalins ao culto formal, ordeiro e santo que era prestado ao Senhor Deus. Sabemos que servir ao Senhor exige dedicação, renúncia... Mesmo com influências positivas já não é fácil um filho seguir o caminho dos pais (Pv 22.6 - Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele) quanto mais com abundantes exemplos para o mau. É fácil imaginar Amom vendo seu pai dirigir o opulento e luxurioso culto a Baal. Assumindo o trono aos 22 anos era natural que ele se inclinasse para aquilo que agrada aos seus instintos. Isto não tira a culpa de Amom, mas demonstra a influência que um mau pai pode ter para seus filhos.
É desnecessário observar que os males que vieram sobre Manassés e seu filho (mesmo após um período de bons exemplos) também podem sobrevir sobre qualquer família na qual um pai resolva, durante o período formativo de seu filho, dar-lhe somente maus exemplos. Não está fácil educar filhos no contexto cultural desfavorável em que vivemos. Já temos que enfrentar a TV, a internet, os amigos - mas certamente fica ainda mais difícil se os promotores dos maus exemplos forem os próprios pais. Já pensou, pai, se você for a principal influência para que seu filho seja um apóstata?

ACERTE SUA VIDA COM DEUS
12 Ele, angustiado, suplicou deveras ao SENHOR, seu Deus, e muito se humilhou perante o Deus de seus pais; 13 fez-lhe oração, e Deus se tornou favorável para com ele, atendeu-lhe a súplica e o fez voltar para Jerusalém, ao seu reino; então, reconheceu Manassés que o SENHOR era Deus.
 Após ser preso, encadeado, deportado, finalmente Manassés sentiu que sua independência juvenil era uma grande bobagem. Para sua alegria ele logo descobre que Deus é fiel, mesmo quando nós lhe somos infiéis (II Tm 2:13 - se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo). Deus havia prometido que se seu povo se arrependesse dos seus pecados, voltando-se para ele, encontraria perdão (Is 55:7 - Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar) e restauração (Jr 32:37 - Eis que eu os congregarei de todas as terras, para onde os lancei na minha ira, no meu furor e na minha grande indignação; tornarei a trazê-los a este lugar e farei que nele habitem seguramente).
Manassés, embora tenha se esquecido de Deus (lembremos que esquecimento aqui significa rejeição, falta de interesse, desprezo) lembrou-se do que Deus havia feito com seu pai quando ele tinha apenas 7 anos. Deus havia lhe dito que ele deveria colocar em ordem a sua casa (isto é, a sua vida) porque em breve seria chamado à presença do criador (Ec 11.9 - Alegra-te, jovem, na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém, que de todas estas coisas Deus te pedirá contas).
Já era algo completamente fora do normal Manassés ainda estar vivo nas mãos dos assírios - Deus lhe dava provas da sua graça apesar de ele ainda estar afundado no seu pecado de rebelião, pecado tão tenebroso quanto a feitiçaria (I Sm 15:23 - Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei) que era punida com a mais dura pena aplicada em Israel (Ex 22:18 - A feiticeira não deixarás viver). E Manassés era rebelde, obstinado, idólatra e feiticeiro. Como manter no trono um rei assim?
E o Deus todo poderoso age: ou tirava o feiticeiro do trono ou o feiticeiro do rei. O que era mais fácil? Tirar o feiticeiro do trono? Tirar o feiticeiro do rei? Qualquer exército poderia fazer a primeira parte - e Deus usa os assírios para isso (Is 10:5 - Ai da Assíria, cetro da minha ira! A vara em sua mão é o instrumento do meu furor). O propósito de Deus era maior que isso. E ele o faria acontecer (Sl 81:13 - Ah! Se o meu povo me escutasse, se Israel andasse nos meus caminhos!).
Já tirar o feiticeiro do rei era mais difícil. Isto implicava em mudança de orientação do coração, mudança de vida (Ez 36:26 - Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne). Isso só Deus poderia fazer. E o Senhor faz exatamente isto. Leva Manassés a um momento de humilhação, arrependimento e concerto de vida com Deus (II Cr 7:14 - ...se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra). Manassés cumpriu as condições estabelecidas por Deus. Ele se humilhou, orou, e quando Deus o atendeu ele mostrou que realmente havia se arrependido (At 26:20 - ...mas anunciei primeiramente aos de Damasco e em Jerusalém, por toda a região da Judéia, e aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento).
Mas, antes de concluir, quero lembrar-lhe alguns pormenores desta história familiar. Ezequias teve tempo para se arrepender. Deus lhe mandou o profeta Isaías - arrependeu-se mediante o aviso da palavra, muito se humilhou, orou ao Senhor e foi atendido. Manassés, contra todos os prognósticos, também teve tempo de se arrepender - Deus lhe mandou os grilhões assírios. Ele foi humilhado, orou ao Senhor e foi atendido. Mas há um terceiro personagem, chamado Amom. Filho de Manassés, viu a humilhação de seu pai - não sabemos se também ele foi enviado ao exílio, mas o fato é que viu seu país ser invadido, suas cidades destruídas, seu povo massacrado, seu pai aprisionado e humilhado. Viu o arrependimento de Manassés e a inesperada restauração que Deus lhe concedeu - e aos 22 anos assume o trono.
Seria de esperar que ele tivesse aprendido com seu avô e com seu pai. Havia abundantes registros disponíveis nos livros dos videntes e dos reis. Mas ele preferiu cometer as mesmas bobagens que aprendera com seu pai antes da humilhação.
Amom fez o que era mau aos olhos do Senhor - abandonou ao Senhor, escolheu o mesmo caminho de seu pai e não andou no caminho do Senhor. Mas não teve a mesma oportunidade - foi morto no segundo ano de seu reinado (II Rs 21.23 - Os servos do rei Amom conspiraram contra ele e o mataram em sua própria casa). Amom, filho de Manassés, que aprendeu com Manassés a andar longe do Senhor, não teve tempo de se arrepender. É tolice fazer pouco caso de Deus (Gl 6:7 - Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará). A família real vinha plantando rebeldia - só poderia, inevitavelmente, colher tragédia de suas malignas sementes. Plantaram corrupção, rebeldia, se esqueceram de Deus e conduziram o povo para longe do Senhor - não poderiam escapar indefinidamente da ira do Senhor.
A Palavra de Deus, porém, afirma que o Senhor não tem prazer na morte do ímpio (Ez 18:23 - Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? - diz o SENHOR Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva?). Por isso ele enviou os seus profetas, por isso ele enviou Jesus e, por isso Jesus ainda não voltou (II Pe 3:9 - Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento).
Ezequias ouviu um aviso através do profeta Isaías. Você ouviu o aviso através da pregação da Palavra. Manassés foi humilhado nas mãos dos assírios. Você pode se colocar diante do Senhor e admitir que tem andado nos caminhos dos homens e não no de Deus. Você não precisa esperar as duras consequências de se esquecer do Senhor.

QUERO TRAZER À MEMÓRIA
Diante do que acabamos de aprender sobre Manassés, lembro-me da palavra de Deus que nos diz do que devemos nos lembrar (Lm 3:21 - Quero trazer à memória o que me pode dar esperança). Num contexto de desolação após o reinado de Manassés e Amom, o profeta Jeremias diz que, diferente de Manassés, o rei esquecido e que se esqueceu de instruir seu filho, ele quer se lembrar somente do Deus que é a sua fonte de esperança.
Que há muita coisa fora do lugar, não resta dúvida. A ordem de Deus para que coloquemos em ordem a nossa casa permanece válida porque há coisas fora de lugar, há coisas erradas, há coisas que precisam ser corrigidas, há coisas que precisam ser abandonadas, há altares que precisam ser derrubados, casas que precisam ser purificadas e um templo a ser restaurado.
A primeira coisa que precisamos lembrar é que Deus diz: Se o meu povo, que se chama pelo meu nome... O que está errado com o povo de Deus? O que o povo de Deus deve fazer?
Em seguida, quero trazer à memória o caminho da esperança - e ele não passa pelos sacrifícios de tolos (Ec 5:1 - Guarda o pé, quando entrares na Casa de Deus; chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal). Mais que sacrifícios, ele quer conhecimento e obediência (I Sm 15:22 - Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros).
A segunda coisa que precisamos lembrar é que, mesmo povo de Deus, podemos incorrer em erros - e, caídos, precisamos ser levantados pela graça de Deus. O caminho da esperança passa pela conversão: ...[se o meu povo] se humilhar, orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos... É por isso que ele nos chama graciosamente (Is 55.6-7 - Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar).
Há mais um passo a ser dado. Deus é gracioso, e se deixa achar por quem o busca de todo o coração (Jr 29:13 - Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração). Esta busca tem que ser feita no tempo oportuno (II Co 6:2 - ...porque ele diz: Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação; eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação) antes que o tempo da oportunidade tenha cessado (Pv 1.28-31 - Então, me invocarão, mas eu não responderei; procurar-me-ão, porém não me hão de achar. Porquanto aborreceram o conhecimento e não preferiram o temor do SENHOR; não quiseram o meu conselho e desprezaram toda a minha repreensão. Portanto, comerão do fruto do seu procedimento e dos seus próprios conselhos se fartarão).
A terceira coisa que precisamos lembrar é que o caminho da graça, do arrependimento, da obediência passa inapelavelmente também pela ação graciosa e redentora de Deus. Ele promete: “Eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra. A promessa de restauração de Deus é para aqueles que se arrependeram, que buscaram ao Senhor, que oraram e se humilharam, exatamente como Ezequias e Manassés.
Resta ainda observar que o caminho do Senhor, no final, é um caminho onde o crente é abençoado pelo Senhor. Enfermidade ou inimigos se tornaram apenas aspectos de um longo e negro vale pelo qual o Senhor conduziu seus filhos. Mas, mesmo no vale da sombra da morte, ele os conduziu. Observe que tanto Ezequias (II Cr 32:33 - Descansou Ezequias com seus pais, e o sepultaram na subida para os sepulcros dos filhos de Davi; e todo o Judá e os habitantes de Jerusalém lhe prestaram honras na sua morte; e Manassés, seu filho, reinou em seu lugar) quanto Manassés (II Cr 33:20 - Assim, Manassés descansou com seus pais e foi sepultado na sua própria casa; e Amom, seu filho, reinou em seu lugar) descansaram em paz por causa de sua humildade diante do Senhor. Mas não Amom (I Cr 33.23-24 - Mas não se humilhou perante o SENHOR, como Manassés, seu pai, se humilhara; antes, Amom se tornou mais e mais culpável. Conspiraram contra ele os seus servos e o mataram em sua casa). Não houve glória, não houve descanso, não houve paz para o ímpio (Is 48:22 - Para os perversos, todavia, não há paz, diz o SENHOR).
A quarta coisa que observamos que somente para o justo há verdadeira paz. Pode ser maltratado, perseguido, mas, humilhado pelo Senhor e diante do Senhor, será levantado e honrado (Lc 14:11 - Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado).

O QUE FAZER
Só tenho uma resposta. Se você tem sido como Manassés, tem se esquecido do seu Deus, tem andado como se ele não existisse, tem feito pouco caso de sua presença e de sua Palavra, só lhe resta uma coisa a fazer: arrepender-se. Humilhar-se como fez Ezequias. Humilhar-se como fez Manassés. Reconhecer que o Senhor é Deus e abandonar os ídolos que você tem cultivado no seu coração, porque tudo o que ocupa o lugar que é do Senhor é um ídolo, é um adultério espiritual, é uma forma de apostasia.
O Senhor disse que seu povo precisa se arrepender - precisa se converter a Deus e praticar obras que mostrem este arrependimento. Nas palavras de Isaías, contemporâneo de Manassés, precisa de uma purificação pessoal (Is 1:16-17 - Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas).
Colocando isto de outra maneira, é como se Deus estivesse dizendo para você, aqui e agora: muda de vida. Muda sua vida. Conserte sua vida. Você está avisado. Já viu os exemplos de Ezequias, Manassés e Amom. Não se esqueça de Deus, porque isto não fica impune. Arrependa-se e retorne, e Deus será compassivo contigo.
Que tal você fazer como Ezequias - virar para a parede, tirar os olhos de tudo o mais que o cerca, de todos os atrativos do mundo, de seus ídolos do coração e humilhar-se na presença de Deus?
Que tal você se humilhar perante o Senhor sem precisar passar pela humilhação de perder tudo como aconteceu com Manassés antes de se arrepender e reconhecer que só o Senhor é verdadeiro Deus?
Que tal você buscar ao Senhor antes que sejas como Amom - pois o Senhor garante que chegará o dia em que será buscado, mas não será achado (Pv 1.28 - Então, me invocarão, mas eu não responderei; procurar-me-ão, porém não me hão de achar). Talvez você esteja pensando: é, eu preciso consertar minha vida para buscar a Deus - eu tenho que te dizer que estás errado: você tem que buscar a Deus para ele consertar sua vida, te dando não um monte de regrinhas, mas um novo coração (Ez 36:26 - Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne).

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