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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

O JULGAMENTO CIVIL DE JESUS - Lc 23:5-11

O VERDADEIRO REI É JULGADO PELO USURPADOR

Na época de Jesus Roma dominava a maior parte dos reinos do mundo, semelhante ao império persa no período de Daniel. Assim como Dario respeitava cada povo e permitia o culto aos seus deuses, César permitia que as províncias tivessem a sua religião e organização social.
Havia várias regiões em Israel que eram comandadas por governadores designados por Roma. Além disso, havia representantes locais do império que tinham função de liderança sobre os judeus. Herodes, o Grande, e seus sucessores fizeram essa função. Herodes não era um nome propriamente dito, mas um título, assim como César, imperador romano.
Houve pelo menos quatro “Herodes” no Novo Testamento. Alguns deles governaram em períodos diferentes. O Herodes que mandou matar as crianças de Belém não foi o mesmo Herodes do tempo de João Batista.
Herodes, o Grande, avô de Antipas (Herodes mandou matar o próprio filho, Aristóbulo, pai de Antipas, por temer que este lhe tomasse o trono), era idumeu, nascido na região da Iduméia. Sua mãe era nabatéia. Não tendo sangue real judeu correndo em suas veias fez aliança com o império romano para manter-se no poder quando os partos tomaram Jerusalém e prenderam João Hircano II.
Herodes era o conselheiro chefe  e fugiu para Roma ficando sob proteção de Marco Antônio e este pediu ao césar Otaviano que estabelecesse o “confiável Herodes” como rei dos judeus, de modo que um descendente de Esaú assumisse o trono em 40 a.C. Não possuía descendência israelita e o remoto laço de parentesco se dava mediante uma tribo distante de Esaú (Edom) e seus descendentes tiveram laços consanguíneos com os macabeus ao casar-se com Mariane, neta de Aristóbulo II e de Hircano II em 37 a.C.
Conquistou a confiança dos judeus quando construiu o templo em Jerusalém, anteriormente destruído no período macabeu. Essa iniciativa fez dele um defensor da religião aos olhos do povo, embora, evidentemente, trabalhava para Roma obedecendo criteriosamente à palavra de César.
Herodes deixou descendentes que seguiram o mesmo estilo cruel e criminoso de governar: Arquelau, etnarca da Judéia, Felipe, tetrarca dos territórios do norte e da Transjordânia, e seu neto Antipas (filho de Aristóbulo), tetrarca da galiléia e Peréia.
Herodes Antipas, dominava parte da Judéia e localidades próximas ao rio Jordão. Daí o conflito com João, o Batista, que vivia naquela região. Antipas resolvia os problemas de ordem religiosa e de organização social. Somente as questões que afrontavam o governo romano como sonegação de impostos e insurreições eram encaminhadas ao procurador romano, naquela época representado por Pôncio Pilatos. Este sim representava a autoridade direta romana – inclusive sobre o próprio rei Herodes.
Problemas que envolvessem a religião e a lei dos judeus eram julgados por Herodes. Isso explica o porquê de Pilatos enviar Jesus à jurisdição de Herodes, uma vez que Jesus era galileu e a galiléia fazia parte do governo religioso de Herodes, pois a problemática era no âmbito da religião. Mesmo assim, e mesmo não vendo em Jesus nada de que o considerasse digno de morte Pilatos resolve usar Jesus politicamente enviando-o a Herodes apesar da acusação que os judeus faziam de um crime político (Lc 23:5).
Como vimos, apesar de cuidar de assuntos relacionados à cultura e religião dos judeus Herodes tinha tênues laços com os judeus, e seu interesse na religião era apenas para tê-la como instrumento de controle do povo de modo que nem ele nem os líderes religiosos tivessem problemas (Jo 11.48-50).
Vejamos o que a Palavra de Deus nos diz em Lc 23.6-11:
6 Tendo Pilatos ouvido isto, perguntou se aquele homem era galileu. 7 Ao saber que era da jurisdição de Herodes, estando este, naqueles dias, em Jerusalém, lho remeteu. 8 Herodes, vendo a Jesus, sobremaneira se alegrou, pois havia muito queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; esperava também vê-lo fazer algum sinal. 9 E de muitos modos o interrogava; Jesus, porém, nada lhe respondia. 10 Os principais sacerdotes e os escribas ali presentes o acusavam com grande veemência. 11 Mas Herodes, juntamente com os da sua guarda, tratou-o com desprezo, e, escarnecendo dele, fê-lo vestir-se de um manto aparatoso, e o devolveu a Pilatos.
A Bíblia diz Herodes Antipas ouviu a fama de Jesus Cristo. Temeroso e supersticioso, ele até começou a sugerir que Jesus fosse João Batista redivivo (Mc 6:14-16). Depois ele procurou matar Jesus, e alguns fariseus aconselharam o Senhor a fugir (Lc 13:31). Mas Jesus não se intimidou diante das ameaças de Herodes Antipas considerando-o desprezível e malicioso como uma raposa (Lc 13:32) porque era rei maior até mesmo do que a daquele que tinha maior autoridade em Israel naquele momento (Jo 19:10-11).

O INTERESSE DE HERODES EM JESUS

Herodes Antipas havia herdado o caráter de seu avô. Em Roma havia agido sempre de maneira sorrateira, a ponto de ter que sair da cidade para não ser morto por causa de dívidas. Analisando suas ações em relação a Jesus podemos afirmar que Herodes tinha três interesses em Jesus:

USO POLÍTICO

Jesus precisava ser conhecido e controlado, porque representava um risco ao seu controle sobre os judeus. Seu avô já tentara matá-lo para não perder o trono (Mt 2:13) por causa das perguntas dos viajantes do oriente (Mt 2:2). Para ele Jesus não era nada mais do que um instrumento de controle religioso – inicialmente ele tinha medo que Jesus fosse o próprio João Batista que lhe ameaçava a popularidade denunciando publicamente as suas impiedades (Mc 6:18) e por isso foi morto por incitação da filha da mulher que possuía indignamente (Mc 6:19-24). Mais tarde decidiu matar a Jesus por questões políticas – para ele a religião era um mero instrumento de poder. E Pilatos também sabia disso (Lc 23:12) e aproveitou Jesus como moeda de troca para apaziguar o rancoroso e ladino rei depois de ter mandado matar alguns galileus (Lc 13:1).

SATISFAÇÃO DE CURIOSIDADE RELIGIOSA

Herodes já havia ouvido muitas coisas sobre Jesus – a sua fama corria por todo lugar. Certamente sabia que Jesus havia entrado em Jerusalém sob a aclamação das multidões (Mt 21:9). E não devemos duvidar de que isto o incomodava. erodes não é em nada diferente das multidões que enchem as igrejas procurando satisfazer sua curiosidade. Ele não queria a presença de Jesus como Nicodemos, como Zaqueu, como Jairo, a mulher hemorrágica ou o centurião de Cafarnaum. Ele só queria matar sua curiosidade. Queria saber se Jesus era mesmo capaz de fazer o que as pessoas diziam o tempo todo. Quem sabe Jesus fizesse um sinal miraculoso que o agradasse e que agradasse à plateia em seu palácio. Quem sabe Jesus o agradasse para não ser morto como João Batista foi. Mas, assim como com os religiosos que pediam sinais, aquele era só mais um incrédulo que não teria um show da fé particular (Lc 11:29).

SATISFAÇÃO DE CURIOSIDADE INTELECTUAL

Herodes também tinha curiosidade intelectual, interrogava Jesus porque sabia que Jesus ensinava de uma maneira diferenciada e isto todos reconheciam (Mc 1:22) e os escribas, com todas as suas artimanhas intelectuais, atitudes imorais e subterfúgios religiosos nunca haviam conseguido apanhá-lo (Lc 20:19-26). Em outra ocasião Jesus utiliza-se da mesma maneira de argumentar, e os escribas mesmo tendo sido desafiados a provar que havia algum erro no que ele fazia ou ensinava, são envergonhados mais de uma vez, e por isso ele os reprovava publicamente (Jo 8:46) e eles eram obrigados a calarem-se por temerem a opinião pública (Mat 21:23-24).

COMO JESUS LIDA COM ESTAS COISAS

Herodes Antipas foi a única pessoa em toda a Escritura com quem Jesus se recusou a falar. Ele não era digno de estar ali, ele não era o legítimo rei dos judeus. Ele estava num lugar que não era seu, era um usurpador (do latim usurpare, agarrar para uso próprio, apossar-se. Usurpar é a ação intrusiva, invasiva e criminosa individual de apossar-se mediante força, trapaça ou ato indigno coisas, bens, propriedades, títulos, cargos, função ou atribuição que não lhe é próprio, para o qual não tem nem pode obter dignidade de função, ofício, prerrogativa ou direito. Se exercido por mais de uma pessoa torna-se em associação para o crime).
Jesus falou com publicanos. Jesus falou com pecadores. Jesus falou com meretrizes. Jesus falou com leprosos, com samaritanos e com gentios. Jesus falou até com o diabo e seus demônios. Jesus falou até com os religiosos que tramaram e executaram seu julgamento indigno e também falou com o governador romano, Pilatos, porque eles estavam no lugar que tinham direito de estar.
 Herodes provavelmente desse pouca importância aos brados e acusações dos religiosos contra Jesus. Ele só queria ter sua curiosidade satisfeita – e viu-se frustrado nisso.
Herodes, não tendo satisfeitos os seus interesses, irado, trata Jesus com desprezo, escarnece dele e o devolve a Pilatos (Lc 23.10).
O destino de Herodes Antipas, um homem que teve a oportunidade de aprender com o Senhor e desprezou porque os Herodes tradicionalmente não aceitavam a idéia de nenhuma autoridade sobre eles (Mt 11:28).
Herodes preferiu ficar bem com o governante do mundo (César) e rejeitou se submeter ao Senhor dos senhores, e o fim de sua vida não é nada honroso. Foi derrotado por forças árabes sob o comando de seu e sogro Aretas IV e seus súditos consideravam sua derrota como retribuição divina por seus pecados cometidos (seu casamento irregular com Herodias, o assassinato de João Batista e a rejeição de Jesus).
Em 39 d.C. Herodes Antipas se envolveu em intrigas com seu sobrinho Herodes Agripa I e foi denunciado como conspirador e banido de sua tetrarquia pelo imperador Calígula, sendo exilado na Gália (França) onde morreu algum tempo depois.
Que lições podemos aprender com os erros de Herodes?
Jesus jamais se prestará a joguetes políticos e interesses mesquinhos.
Jesus jamais se prestará a ser animador de auditório satisfazendo curiosidade religiosa ou intelectual.
Jesus jamais satisfará os arrogantes anseios de satisfação do coração e da mente do homem.

sábado, 8 de dezembro de 2018

NATAL? O QUE É MESMO O NATAL?!!!

Boletim 47, 2018, da IP de Paragominas.
Vestida de vermelho e verde, com um gorro na cabeça, trabalhando num ambiente decorado com enfeites multicoloridos. Porque? O que isto significa? Surpresa com a pergunta, mais surpreendente é a resposta: eu não sei, todo mundo participa, então eu participo junto.
Pois é. Este é um resumo da primeira parte de uma conversa no maior país católico do mundo, e no país onde 1/5 da população afirma ser cristã evangélica, e, segundo dizem os estatísticos, este número aumenta ano a ano, uma nação onde as igrejas são tão numerosas quanto drogarias e bares.
Você já parou para pensar o que diria para alguém assim, que não sabe que a cristandade celebra o nascimento do seu Redentor? Pense comigo: se uma pessoa não tem conhecimento do que é a festa quanto mais de quem está sendo festejado, o dono da festa. Colocando isto de outra maneira - sem saber que a humanidade tem um redentor obviamente nada sabe sobre ter um redentor pessoal, ter um salvador que veio para dar a sua vida em resgate de pecadores, talvez nem se reconheça pecador.
Deixe-me falar com você um pouco sobre intencionalidade, sobre testemunho intencional, porque foi sobre isto que Jesus falou para os seus discípulos quando disse-lhes que eles receberiam poder para serem suas testemunhas por onde quer que fossem, e diante de quem quer que fosse.
Mesmo que você diga que sabe pouco, que não tem conhecimento suficiente para pregar o evangelho, você tem mais do que aquela jovem. Você conhece o Senhor Jesus, você conhece o Salvador. Você sabe que Jesus veio, sabe que ele viveu uma vida extraordinária de santidade e feitos, sabe que ele foi traído e morto numa cruz e sabe que, mesmo morto, ele ressuscitou de entre os mortos.
Intencionalidade, como aprendi com o Rev. Elias Medeiros, significa aproveitar as oportunidades e provocar o diálogo, oferecer a oportunidade para que o outro saiba o que você sabe, conheça o que você conhece e experimente o mesmo relacionamento com o Salvador que você já experimenta. Testemunho intencional significa que você deve estar preparado para reconhecer estas oportunidades, e falar do seu amor por aquele que te amou primeiro, e que amou de maneira tão intensa que não fugiu à morte sofrida e vergonhosa na cruz para alegrar-se com sua salvação.
Para concluir o resumo daquele diálogo intencional, aquela jovem que disse apenas fazer o que os outros fazem ouviu que celebramos o nascimento de Jesus, o salvador, o Filho de Deus que se fez como um de nós, mas sem pecado, para dar a sua vida na cruz salvar-nos de nossos pecados.
Agora, pense mais um pouco comigo: se alguém lhe dissesse não saber nada sobre o nascimento de um redentor para a humanidade na “pequena vila de Belém”, o que você conseguiria ensinar-lhe sobre esse assunto? Nesta hora não adianta dizer que aprendeu que o testemunho vale mais do que mil palavras porque testemunho é palavra, testemunho é dizer o que viu e ouviu. Ainda que o testemunho de vida chame a atenção o máximo que o observador vai poder concluir é que a religião ou a filosofia de vida são capazes de fazer as pessoas viverem de modo diferente, até com dignidade, mas eles nunca vão saber de Jesus se você não falar.

Se você perguntar a uma criança da UCP ela vai saber falar quem é Jesus. Porque, então, adultos dizem “não saber falar”? Porque não sabem falar sobre Jesus os mesmos que falam sobre Bolsonaro e Lula, Flamengo e Vasco, Remo e Paysandu, sobre os abusos do STF ou sobre a operação Lava-Jato? E não conseguem falar do evangelho? Não conseguem ou tem vergonha do evangelho? Não conseguem ou tem vergonha de falar de Jesus e serem reprovados pelos ouvintes por causa do seu estilo de vida? O evangelho não é vergonhoso - vergonhoso é não anunciar o evangelho, com uma timidez que pode ser apenas um sinal de perdição.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

RAZÕES ÍMPIAS PARA NÃO HONRAR A DEUS

Os políticos, de uma maneira geral, aperfeiçoaram a regra de que é lícito prometer o que todos querem e entregar o que eles quiserem. Parece ser a regra. Tem sido assim há muitos anos, políticos são conhecidos mais por suas promessas não cumpridas do que por suas realizações.
Uma boa e salutar orientação que os pais quase nunca conseguem colocar em prática é a de não prometer nada que não possam cumprir, e, em decorrência disso, cumprirem tudo o que prometerem. Antes que os filhos se animem a olhar para os seus pais com aquela expressão “viu o que o pastor disse” isso inclui tanto as coisas boas (passeio, brinquedo, etc.) como aquelas melhores ainda, como disciplina, por exemplo.
É verdade que muitos cidadãos ainda caem nas promessas vazias de políticos – e caem porque esperam ganhar algum benefício com a eleição de sicrano ou beltrano, e ficam na esperança de alguma benesse. Mas a maioria já sabe que tais promessas não se realizarão e isso já entrou para o anedotário nacional. É verdade também que muitos pais, lamentavelmente, acabam ameaçando mais do que fazendo. E isto infelizmente alimenta a rebeldia natural do coração da criança (Pv 22:15).
Todavia, o padrão que Deus espera encontrar em homens e mulheres que o temem é que, tendo prometido, cumpram, não importando o preço (Sl 15:4). Ele próprio nos dá o exemplo.
Ele é aquele de quem jamais podemos pensar que promete sem a intenção de cumprir. Há alguém que, tendo feito uma promessa, sempre a cumpre (Nm 23:19). Uma prova de que Deus cumpre suas promessas, independente do custo que ela porventura venha a ter está no fato de ele ter prometido enviar o descendente da mulher, que esmagaria a cabeça da serpente (Gn 3:15) e tê-lo cumprido, enviando seu próprio filho para dar a sua vida em lugar de pecadores (Rm 5:8) alcançando para os crentes a vitória que vence o mundo (I Jo 5:4).

A APOSTASIA DE ISRAEL

Malaquias denuncia mais uma razão ímpia do coração dos judeus – além de não terem prazer nas coisas de Deus eles também não acreditavam na justiça de Deus. Deviam acreditar, porque haviam voltado do exílio justamente como resultado desta justiça – que os criara como povo, mas que, também, estabelecera condições para abençoá-los ou para amaldiçoá-los (Dt 11.26-28). Através de Isaías foi dado um último aviso (Is 1.19-20) e eles rejeitaram, sendo lançados por Deus no exílio (Jr 29.14) e de lá trazidos em resposta as piedosas orações de homens como Esdras e Neemias.
1 Agora, ó sacerdotes, para vós outros é este mandamento. 2 Se o não ouvirdes e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz o SENHOR dos Exércitos, enviarei sobre vós a maldição e amaldiçoarei as vossas bênçãos; já as tenho amaldiçoado, porque vós não propondes isso no coração. 3 Eis que vos reprovarei a descendência, atirarei excremento ao vosso rosto, excremento dos vossos sacrifícios, e para junto deste sereis levados. 4 Então, sabereis que eu vos enviei este mandamento, para que a minha aliança continue com Levi, diz o SENHOR dos Exércitos. 5 Minha aliança com ele foi de vida e de paz; ambas lhe dei eu para que me temesse; com efeito, ele me temeu e tremeu por causa do meu nome. 6 A verdadeira instrução esteve na sua boca, e a injustiça não se achou nos seus lábios; andou comigo em paz e em retidão e da iniqüidade apartou a muitos. 7 Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a instrução, porque ele é mensageiro do SENHOR dos Exércitos. 8 Mas vós vos tendes desviado do caminho e, por vossa instrução, tendes feito tropeçar a muitos; violastes a aliança de Levi, diz o SENHOR dos Exércitos. 9 Por isso, também eu vos fiz desprezíveis e indignos diante de todo o povo, visto que não guardastes os meus caminhos e vos mostrastes parciais no aplicardes a lei.
10 Não temos nós todos o mesmo Pai? Não nos criou o mesmo Deus? Por que seremos desleais uns para com os outros, profanando a aliança de nossos pais? 11 Judá tem sido desleal, e abominação se tem cometido em Israel e em Jerusalém; porque Judá profanou o santuário do SENHOR, o qual ele ama, e se casou com adoradora de deus estranho. 12 O SENHOR eliminará das tendas de Jacó o homem que fizer tal, seja quem for, e o que apresenta ofertas ao SENHOR dos Exércitos. 13 Ainda fazeis isto: cobris o altar do SENHOR de lágrimas, de choro e de gemidos, de sorte que ele já não olha para a oferta, nem a aceita com prazer da vossa mão. 14 E perguntais: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança. 15 Não fez o SENHOR um, mesmo que havendo nele um pouco de espírito? E por que somente um? Ele buscava a descendência que prometera. Portanto, cuidai de vós mesmos, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade. 16 Porque o SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio e também aquele que cobre de violência as suas vestes, diz o SENHOR dos Exércitos; portanto, cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis.
17 Enfadais o SENHOR com vossas palavras; e ainda dizeis: Em que o enfadamos? Nisto, que pensais: Qualquer que faz o mal passa por bom aos olhos do SENHOR, e desses é que ele se agrada; ou: Onde está o Deus do juízo?
Ml 2.1-17

ISRAEL CRIOU UMA IMAGEM DE UM DEUS À SUA PRÓPRIA IMAGEM (2.1-9)

Quando a idolatria se revela na consecução de uma imagem, seja ela de ouro, prata, madeira ou qualquer outro tipo de material, na verdade, ela apenas reflete a imagem que o homem tem de si mesmo. Não desejando servir ao Deus vivo criam para si mesmos deuses que, embora os sirvam, sintam-se à vontade para mudá-los a seu bel prazer (Rm 1:25). No fundo, a idolatria é o culto do homem ao seu próprio coração – com o tempo, este culto acaba sendo sociabilizado e transmitido geração após geração.
Israel era um povo de dura cerviz e que tinha dificuldade para atender aos chamamentos do Senhor. E isto não era novo, desde Abraão os problemas de obediência – por causa de alguma forma de incredulidade - eram constantes. Quando eles observavam os ímpios e notavam a injustiça de suas ações levou-os a achar que, assim como os deuses dos demais povos aparentemente não se importavam com isso, quem sabe o seu Deus também não se importaria, afinal, eles viam os ímpios prosperando e os justos sendo oprimidos.
O primeiro problema que Malaquias prontamente detecta é que a liderança espiritual de Israel – os sacerdotes – havia rejeitado o conhecimento de Deus. E, se conhecer ao Senhor, temendo-o, é o princípio da sabedoria (Sl 111:10) o oposto também é verdadeiro, isto é, rejeitar tal conhecimento é, sem sombra de dúvida, caminho certo para a derrocada (Os 4:6).
O mandamento do Senhor era para que eles guardassem o conhecimento e fossem fonte de instrução para o povo como mensageiros do Senhor dos exércitos, todavia, eles se desviaram do caminho mas ainda queriam continuar instruindo o povo – cegos que se propunham a guiar um povo também cego (Mt 23:16). A primeira exortação de Malaquias era para aqueles que deveriam guardar a aliança mas que preferiram violá-la flagrante e publicamente. Eles desprezavam os mandatos do Senhor e por isso o povo que os seguia não os tinha em consideração como modelos de conduta (Tg 5:10).
Mas ainda havia culto, você pode objetar. Ainda havia templo. E ainda havia sacrifício. Mas não era uma devoção integral. Malaquias os adverte por sua parcialidade, por cultuarem de um jeito “mais ou menos”. A advertência de Malaquias decorre do fato de que eles cultuavam o seu próprio deus, e não o Deus verdadeiro. Eles não cumpriam os mandamentos do Senhor à risca – e isto significava que eles desobedeciam integralmente o Senhor.

ISRAEL CRIOU UMA RELIGIÃO DE INDIVÍDUOS EGOCÊNTRICOS (2.10-16)

O resumo da atitude de Israel pode ser descrito como tendo construído uma religião de indivíduos egocêntricos onde o mais importante era, no fundo, apenas ter uma religião. A pergunta de Malaquias sobre fraternidade, sobre serem irmãos e terem um mesmo pai é respondida por uma análise prática do estilo de vida adotado por Israel: deslealdade de uns para com os outros; deslealdade para com a esposa através do divórcio; deslealdade para com Deus casando-se com idólatras, trazendo para dentro de Israel, de suas próprias casas, e de seu futuro (pois as mães ensinavam não apenas a língua (Ne 13:24) mas também seus costumes, dentre eles a idolatria aos filhos) a destruição de Israel como povo santo.
O que um povo pode esperar de seu Deus em resposta a estas atitudes? Como Israel podia facilmente compreender pela leitura das Escrituras e pelo que Deus disse quando estabeleceu a aliança não lhe restaria outra expectativa a não ser a justa e dura aplicação da disciplina divina – e ela viria, não mais como um aviso através de opressão, primeiro, e depois do exílio, mas com uma rejeição definitiva da nação como povo exclusivo do Senhor (Is 43:10).
Para poder ao menos viver em paz com seu estilo de vida, porque, se consciência tivessem – e creio que tinham porque não podiam apagar de si a sensação (colocada por Deus em seu coração) de que há um Deus a observar cada um de seus atos (Sl 113.5-6) só restava a Israel criar para si uma nova religião, estabelecer novos parâmetros mesmo tendo em mãos o mesmo livro, mesmo frequentando o mesmo templo, mesmo usando o mesmo nome mas diminuindo este Deus ao tamanho e à falta de pureza de suas ofertas. Quando adoravam, não adoravam a Deus, mas a religião que eles mesmos criaram em seus corações – e Deus diz que não aceita tal coisa, não tem prazer nem nas ofertas nem nos ofertantes. Sim, o que Deus está dizendo é que uma religião hipócrita, mesmo que pareça a verdadeira religião, é inútil e só vai gerar enfado do coração de tais adoradores que não são os que ele procura (Jo 4:23).
Malaquias conclui dizendo para que Israel cuidasse de si mesmos, isto é, de seu coração, de seu estilo de vida, que se convertessem verdadeiramente a Deus e não confiassem apenas em seus costumes e em suas religião vazia (Rm 2:25). O que Israel precisava era de uma conversão verdadeira, como a proclamada séculos depois pelo apóstolo Paulo (At 26:20), uma conversão que se expressasse com um estilo de vida descrito um século antes pelo profeta Isaías (Is 1.16-17).

ISRAEL CRIOU UMA RELIGIÃO FADADA AO FRACASSO (2.17)

Israel pretendia apresentar a um Deus em quem não cria, ao qual não obedecia, uma religiosidade inútil e vazia e, paradoxalmente, esperava ser abençoado. Reclamava de não ser próspero como as demais nações, esquecendo-se de que existiam apesar de seus pecados, e não por causa de seus acertos. Deus lhes deu existência por seu amor, e não por causa do amor deles (Dt 26:5).
Como Deus via esta adoração de Israel a um Deus feito à sua imagem? Com enfado. Como Deus via a religião de homens egocêntricos? Com enfado! O que significa isto? Enfado é uma sensação de tédio, de fadiga espiritual, uma espécie de mal estar causado por algo entediante. É como assistir a uma peça longa, mal ensaiada por atores incompetentes. É um estado de espírito no qual predomina o aborrecimento, uma sensação de gastura que resulta em zanga. O contrário de enfado é prazer, agrado, alegria e enlevo – tudo o que não era encontrado no coração de Deus ao observar a religião de Israel (Ml 1:10).
Sim, o resultado da religiosidade de Israel era um só – fracasso. Eles não atingiam o objetivo da religião (agradar ao Deus vivo) e por isso se contentavam em acreditar num Deus inferior e injusto. Acreditavam que Deus não via suas ações, não ligava para suas impiedades e não recompensaria suas más ações.
Parece que Israel fazia para si mesmo uma pergunta: que Deus serve para eu servir? E, então, arrumou para si mesmo um Deus que satisfizesse seus interesses, segundo o seu próprio molde. Mas é isso que agrada a Deus? É isso o que iria trazer a aprovação de Deus para eles? Não é diferente dos nossos dias – muito da religiosidade que vemos hoje, embora com algumas diferenças circunstanciais, é muito parecida em seus aspectos principais.
Ela tem origem no coração do homem, no que o homem pensa e imagina. Ela serve a deuses que não são o Deus verdadeiro e segundo um sistema de adoração que não é o desejado pelo Deus verdadeiro. Há muito de afirmar honrar a Deus, mas com o coração mais voltado para o mundo e seus prazeres (Rm 13:13-14). E, acima de tudo, é uma religiosidade que satisfaz o homem nas suas concupiscências, mas que não satisfaz o anseio essencial do coração humano e muito menos agrada a Deus.

COMO NÃO ADERIR A UMA RELIGIÃO QUE CONDUZ AO FRACASSO

Então, devemos nos perguntar: que tipo de adorador Deus procura? A resposta é dada pelo próprio Senhor – adoradores que o adorem em Espírito e em verdade (Jo 4:23-24).
Vejamos algumas orientações de Deus através de outro profeta. Miquéias lembra que Deus já declarou o que ele deseja – e não são sacrifícios, não são campanhas, não são procissões, mas a prática da justiça, a misericórdia amorosa e o andar em humildade com Deus (Mq 6:8). A estes Deus dá a conhecer a sua aliança (Sl 25:14).
Deus deseja que você o adore com conhecimento e com o coração. O seu cultuar ao Senhor tem que ser espiritual e verdadeiro, e, também, tem que ser integral, vivo. Tem que ser com o abandono da impiedade, tem que ser santo. Tem que ser como Deus orienta – tem que ser agradável a Deus. E para saber o que agrada a Deus você precisa conhecer a vontade de Deus, e isso inclui a sua razão (Rm 12:1).
Você tem que empenhar sua vontade, sua emoção, seu coração (Dt 6:5). Lembre-se, por fim, que o culto não é feito para agradar a você. Não é feito para agradar aos membros da Igreja. Não é feito para agradar a quem visita a Igreja. Não é feito para agradar pecadores – é feito para que pecadores se humilhem perante o Deus vivo, tenham a oportunidade de confessar seus pecados, adorem ao Deus vivo e sejam por ele abençoados.

domingo, 20 de março de 2016

FEMINISMO: IGUALDADE DE GÊNERO OU GUERRA CONTRA DEUS?


27  Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. 28  E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. 
Gn 1.27-28

O FEMINISMO SEGUNDO O FEMINISMO[1]

Segundo o movimento feminista o feminismo é:
"um discurso intelectual, filosófico e político que tem como meta conquistar a igualdade de direitos entre homens e mulheres, isto é, garantir a participação da mulher na sociedade de forma equivalente à dos homens. Envolve diversos movimentos, teorias e filosofias advogando pela igualdade para homens e mulheres e a campanha pelos direitos das mulheres e seus interesses".

AS ETAPAS HISTÓRICAS DO MOVIMENTO FEMINISTA

Segundo intelectuais comprometidos com as bandeiras feministas, o movimento pode ser dividido em três etapas históricas:
i.                     Conquista do direito ao voto e divórcio pelas mulheres nos anos anteriores à década de 60;
ii.                   Movimento de liberação feminina, entre os anos 60 e 90 – com ênfase em novos direitos jurídicos e sociais, especialmente cuidados às parturientes, delegacias especializadas em atendimento a mulheres vítimas de violência, doméstica ou sexual – ênfase no igualitarismo;
iii.                 Complementação das "conquistas dos anos anteriores" com luta por "reparação social" (leia-se promoção de políticas sociais como quotas em favor das mulheres), direitos sobre o corpo (especialmente interrupção de gravidez) a partir dos anos 90 – ênfase também no racialismo e na necessidade de políticas socioeconômicas protecionistas.

O QUE O FEMINISMO DIZ QUERER

O movimento feminista historicamente tem advogado igualdade de oportunidades, direitos e reparações de injustiças históricas, com as seguintes premissas:
I.                    Fim do casamento tradicional entre o homem e a mulher – que na teoria feminista favorece o homem em sua opressão e exploração à mulher;
II.                  Fim da família tradicional em que os filhos são criados sob o amor cuidadoso da mãe e cuidado providente e amoroso dos pais, passando a serem apenas mantidos pelos pais e tutelados pelo estado ou, num estado ainda mais avançado, criados por “coletivos” como o do grupo “Fora do Eixo”;
III.               Fim do ensino sobre identidade sexual na família – não é o tamanho ou forma dos órgãos sexuais que determinariam a sexualidade das crianças, mas uma orientação para uma livre escolha, mesmo que estas escolhas sejam feitas em idade precoce;
IV.               Eliminação de termos que definam gênero como masculino ou feminino (marido/mulher; esposo/esposa; filho/filha; irmão/irmã; masculino/feminino) em documentos oficiais, sendo substituídos por termos neutros (bebê, criança, cônjuge, parentes, genitores);
V.                  Quotas de emprego igualitariamente divididas para ambos os sexos, independente de qualificação ou dificuldade (a ocupação de vagas seria por sexo – embora, contraditoriamente, haja a premissa do fim da definição de diferenças à partir de sexo – item III). Resultado: Exército composto por homens e mulheres; times de futebol mistos, cargos eletivos ou universitários ocupados por vagas, o que faria uma pessoa com menos votos tomar o lugar de outra com mais votos por causa do sexo, etc.
VI.               Direitos reprodutivos como política estatal, com livre acesso feminino a preservativos, métodos contraceptivos e até mesmo a interrupção da gravidez a qualquer tempo independente da vontade do pai da criança gestada como fruto do slogan “a mulher é senhora de seu próprio corpo”, mesmo que isto signifique a destruição de outro corpo;
VII.             Preferência pelo relacionamento homossexual ou multissexual, especialmente o feminino, tido como o meio mais rápido para pôr fim à propalada "opressão masculina" pois a mulher, mesmo homossexual, pode gerar filhos à partir de bancos genéticos existentes através de inseminação artificial – e as mulheres requerem sobre crianças assim gestadas os mesmos direitos de paternidade conferidos historicamente aos pais biológicos.
VIII.          Fim da religião tradicional, fim dos dogmas, fim dos métodos literais de interpretação e promoção de uma religiosidade de amor livre. Incentivo às comunidades inclusivas e total repúdio às religiões tidas como fundamentalistas e opressoras históricas do sexo feminino (catolicismo, protestantismo, evangelicalismo, ortodoxos, judeus, muçulmanos).
IX.                O feminismo conta com simpatizantes entre católicos e protestantes que identificam "problemas significativos” nas Escrituras (silêncio feminino na Igreja, proibição do ensino, exortação à submissão) e propõe uma redefinição na maneira de ler as Escrituras, abandonando a tradição das Escrituras quando não falarem de acordo com os anseios feministas, considerando tudo como uma questão de contextualização social.

A RELIGIÃO CRISTÃ (?) FEMINISTA

O movimento feminista propõe um abandono do cristianismo tradicional em prol de uma nova religiosidade, com as seguintes premissas:
I.                    Uma nova antropologia com o fim da dominação masculina e pautada pela reparação dos erros em relação às mulheres cometidos no passado;
II.                  Uma nova teontologia, tida como eminentemente masculina e que repudia o feminino, Deus passaria a ser chamado de Deus/A ou de Pai/Mãe;
III.               Uma nova hamartiologia (doutrina do pecado), mudando a compreensão de doutrinas como soteriologia, onde a redenção é a libertação para que cada um assuma o poder sobre a sua própria vida (Gn 3.5[2]).
IV.               Rejeição da cristologia tradicional, pois um salvador homem não pode salvar as mulheres. A adoração a uma figura masculina reforçaria o estereotipo de que as mulheres não podem ser pessoas completamente livres sem a intervenção de um relacionamento com um homem.

O QUE O FEMINISMO REALMENTE É

Segundo Sittema o feminismo é um movimento que tem como objetivo reescrever o plano divino para as relações humanas, a isto acrescento que esta nova relação afeta as relações humanas inclusive com o próprio Deus.
O feminismo nada mais é do que um novo aspecto da rebelião humana contra Deus, que sofre novas inclinações, assume novas formas e tendências, novas roupagens de folhas para uma mesma atitude: rebelião contra Deus (Rm 1.18-32[3]).

COMO ENFRENTAR O FEMINISMO

Sittema oferece quatro orientações para o enfrentamento bíblico, sem entrar nas provocações e reivindicações do movimento feminista, porque o debate não é situacional, é estrutural. Não é o que as circunstancias ditam, mas o conhecimento de qual o propósito de Deus desde a criação (Ef 3.10-12[4]):

O PADRÃO DE DEUS

i.               Sem exacerbação, mas com princípios bíblicos, mostre o padrão de justiça divina relativa ao relacionamento heterossexual:
a.       Deus criou homem e mulher (Gn 1.27[5]);
b.      Deus lhes deu regência e ordem procriativa (Gn 1.28[6]);
c.       Relacionamentos homossexuais são perversões (Rm 1.26-27[7]);
d.      Deus ordenou submissão (Gn 3.16[8]; Cl 3.18[9]);
e.       Deus ordenou o amor cuidadoso (I Pe 3.7[10]; Ef 5.25[11]).

CONHEÇA O OPOSITOR

ii.            Conheça o que o movimento é, esclareça os incautos sobre suas origens, métodos e objetivos – lembre-se que a premissa principal é a de rebelião contra Deus.
Lembre-se que sua luta não é contra aqueles que estão escravizados ao pecado, mas contra o seu escravizador (Ef 6.12[12]), embora as ideias defendidas por seus servos devam ser enfrentadas, vencidas e submetidas a Cristo (II Co 10.4-6[13]). O mal não deve ser tolerado, pois o que uma geração tolera, a próxima considera normal e pode tranquilamente abraçar seus postulados. Pessoas são vetores de ideias e transformam estas idéias em ações, mas a origem do mal está no senhor destas pessoas (Jo 8.44[14]).

O LUGAR E EXERCÍCIO DOS DONS

iii.          Reconheça o valor e o lugar para o exercício dos dons femininos na Igreja, sem, entretanto, usurpação de funções (normativo x situacional):
a.       Pastorado feminino (I Co 14.34[15]) e pregação (I Tm 2.12[16]) – o trabalho das mulheres com a primazia é visto, à luz das Escrituras, como uma disciplina sobre homens relapsos e medrosos, honrando as mulheres e sua disposição para o serviço do Senhor, mas, ao mesmo tempo, trazendo vergonha sobre os homens (Jz 4.9[17]);
b.      Deus, por sua vontade livre e soberana (ele podia ter feito de outro jeito, mas não quis, nem nos deixou instruções para mudar de acordo com as circunstâncias), estabeleceu ofícios (I Tm 3.12[18]; Tt 1.5-6[19]) e funções (I Co 11.3[20]; Ef 5.23[21]) e o exercício dos dons, inclusive pelas mulheres, deve de acordo com a vontade de Deus (I Tm 2.12[22]), sob a orientação amorosa de oficiais. Não se trata de defender costumes, mas de observar que há instruções claras nas Escrituras a este respeito;

O LUGAR DA HONRA FEMININA

iv.          Honra às mulheres naquilo que Deus lhes ordenou – sua submissão não é impositiva, mas é atitude de adoração ao Senhor (Ef 5.22[23]), vendo a mulher cheia de virtude (Pv 12:4)[24]:
a.       Como esposa um dom de Deus, uma parceira no trabalho no reino de Deus (Sl 128:3[25]);
b.       Como mãe um instrumento precioso para criar e formar a próxima geração de servos de Deus – cada um em sua função e sem a influência do feminismo cada vez mais forte entre os homens (I Tm 2:15[26]);
c.       Como parceira, cuidando dos negócios do lar e até extra-lar (Pv 31.11-22[27]) sem, todavia, usurparem as funções sociais e eclesiásticas do esposo (Pv 31:23[28]).
Lembremos que ser 'juiz' na terra era uma função sócio-eclesiástica na sociedade hebraica antiga, e nas comunidades havia conselhos de anciãos, nunca de anciãs.
É forçoso admitir que as sociedades mudaram e continuarão mudando circunstancialmente no decorrer dos séculos, mas, se somos forçados a tal admissão, seríamos, também, forçados a admitir que o que Deus estabeleceu como estrutural também precisa mudar (Ml 3:6[29])? Mas se retirarmos os fundamentos, o que sobra (Sl 11:3[30])? De que maneira alguém poderá saber qual é a vontade de Deus para sua vida em uma determinada época se os fundamentos estabelecidos por Deus para todas as épocas forem removidos (Pv 22.28[31]) ou alterados de acordo com as circunstâncias culturais vigentes. Devemos imaginar que aquilo que Deus estabeleceu como perpétuo só era perpétuo em uma determinada sociedade e época (Is 46:10[32])?
A grande pergunta é: nós, homens e mulheres do séc. XXI, devemos adaptar nossos pensamentos aos pensamentos de Deus ou devemos adaptar Deus às demandas de uma nova cultura, da cultura do momento, como esta do feminismo (Rm 12.2[33])?
A grande resposta é: em muitos casos já agimos assim – já fomos moldados pela cultura de nossa época, pelos valores reinantes em nosso tempo e já adaptamos nossos pensamentos ao nosso século. E, mesmo ouvindo a demanda das Escrituras preferimos rejeitar a verdade e permanecer no que acreditamos ser as nossas próprias verdades e é tudo o que temos a transmitir para os nossos filhos (Os 4:6[34]) como uma herança desejada, amada, cultivada mas maldita.
O grande desafio é: submeter as nossas premissas, as nossas idéias, ao escrutínio das Escrituras. Se estiver de acordo com o ensino das Escrituras corretamente interpretadas, então, é impositivo – se não, deve ser, de pronto, descartado em prol do ensino claro e simples das Escrituras (Is 8.20[35]).


[1] A primeira parte deste estudo é uma adaptação do cap. 8 do livro "Coração de Pastor", John Sittema, Editora Cultura Cristã.
[2] Gn 3. 5 Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.
[3] Rm 1.18-32 A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém! Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro. E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia. Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem.
[4] Ef 3.10-12 …para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor, pelo qual temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé nele.
[5] Gn 1.27 Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
[6] Gn 1.28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.
[7] Rm 1.26-27 Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.
[8] Gn 3.16 E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará.
[9] Cl 3.18 Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor.
[10] I Pe 3.7 Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações.
[11] Ef 5.25 Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.
[12] Ef 6:12 …porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.
[13] II Co 10.4-6 Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas 5 e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, 6 e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão.
[14] Jo 8:44 Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.
[15] I Co 14.34 …conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina.
[16] I Tm 2.12 E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio.
[17] Jz 4.9 Ela respondeu: Certamente, irei contigo, porém não será tua a honra da investida que empreendes; pois às mãos de uma mulher o SENHOR entregará a Sísera. E saiu Débora e se foi com Baraque para Quedes.
[18] I Tm 3.12 O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa.
[19] Tt 1.5-6 Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi: alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados.
[20] I Co 11.3 Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo.
[21] Ef 5.23 …porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo.
[22] I Tm 2.12 E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio.
[23] Ef 5.22 As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor.
[24] Pv 12:4 A mulher virtuosa é a coroa do seu marido, mas a que procede vergonhosamente é como podridão nos seus ossos.
[25] Sl 128:3 Tua esposa, no interior de tua casa, será como a videira frutífera; teus filhos, como rebentos da oliveira, à roda da tua mesa.
[26] I Tm 2:15 Todavia, será preservada através de sua missão de mãe, se ela permanece em fé, e amor, e santificação, com bom senso.
[27] Pv 31.11-22 O coração do seu marido confia nela, e não haverá falta de ganho. Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida. Busca lã e linho e de bom grado trabalha com as mãos. É como o navio mercante: de longe traz o seu pão. É ainda noite, e já se levanta, e dá mantimento à sua casa e a tarefa às suas servas. Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com as rendas do seu trabalho. Cinge os lombos de força e fortalece os braços. Ela percebe que o seu ganho é bom; a sua lâmpada não se apaga de noite. Estende as mãos ao fuso, mãos que pegam na roca. Abre a mão ao aflito; e ainda a estende ao necessitado. No tocante à sua casa, não teme a neve, pois todos andam vestidos de lã escarlate. Faz para si cobertas, veste-se de linho fino e de púrpura.
[28] Pv 31:23 Seu marido é estimado entre os juízes, quando se assenta com os anciãos da terra.
[29] Ml 3:6 Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.
[30] Sl 11:3 Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?
[31] Pv 22:28 Não removas os marcos antigos que puseram teus pais.
[32] Is 46:10 …que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade.
[33] Rm 12:2 E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
[34] Os 4:6 O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.
[35] Is 8:20 À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva.

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