Mostrando postagens com marcador glória. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador glória. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

VOCÊ SABE O QUE É GRAÇA E PAZ


Paulo, Silvano e Timóteo, à Igreja dos tessalonicenses em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo, graça e paz a vós outros [1Ts 1.1].
... --- ::: X ::: --- ...
Recebemos uma carta da parte de Deus através de um verdadeiro apóstolo e seus colaboradores. Paulo, apóstolo pela vontade de Deus, chamado pessoalmente pelo Senhor Jesus Cristo, e seus companheiros, Silvano e Timóteo. Reconhecendo que é uma carta do próprio Deus, nos perguntamos: que boa nova Deus tem para nós? Que orientações o Senhor tem para seu povo? De que bênçãos Ele diz derramar sobre seu rebanho?
A carta de que tratamos foi escrita primariamente para os habitantes de Tessalônica, mas apenas para alguns em especial. Foi uma carta escrita para os crentes, judeus ou gentios, e que foi totalmente ignorada pelos incrédulos habitantes da região.
Paulo fala de duas bênçãos que só podem ser experimentadas na Igreja de Deus - e por Igreja de Deus refiro-me à comunidade do que foram chamados para fora do mundo do pecado (e)kklesi/a) e serem seu povo, sua propriedade particular (Ml 3.17), e isto a um preço elevadíssimo, a oferenda sacrificial e substitutiva do próprio filho de Deus (1Jo 4.10). Paulo refere-se à Igreja chamando-a de Igreja de Deus, isto é, a Igreja que é de Deus, que tem origem em Deus e cuja existência é assegurada pelo próprio Deus. Esta Igreja experimenta duas bênçãos que só podem ser recebidas da parte de Deus: graça e paz. 
    MARAVILHOSA GRAÇA
A graça, kháris (xa/rij) deve ser entendida como a maravilhosa manifestação da bondade de Deus através da qual Ele age para abençoar pecadores que nada mereciam além da condenação e da manifestação da sua ira. Graça é a substituição da merecida manifestação da ira de Deus sobre pecadores, lançando-os na morte eterna, e em lugar disso transformando-os em filhos do seu amor e fazendo-os assentarem-se em lugares celestiais (Ef 2.8).
Por sua  graça Deus exerce influência santificadora sobre a alma dos pecadores dando-lhes um novo princípio de vida e os capacita para que se voltem para Cristo (Ef 2.5).
Pela graça os nascidos de novo são fortalecidos na fé, seu coração é enternecido para Cristo e para o corpo de Cristo, composto por outros que são tão pecadores quanto eles.
Ao ser derramada nos que creem a graça de Deus os motiva espiritualmente e eles são capacitados para abandonarem o pecado e andarem em novidade de vida.
É por esta razão que estamos na Igreja. É por esta razão que permanecemos na Igreja. É por esta razão que perseveraremos servindo e seguindo ao Senhor até o fim: a graça de Deus derramada sobre nós. 
    INSUPERÁVEL PAZ
Ao lado da graça, e exclusivamente por causa da graça a Igreja experimenta paz com Deus (Rm 5.1). Vivemos experimentando conflitos emocionais interiores, conflitos espirituais, conflitos relacionais, conflitos profissionais. Mas podemos experimentar um tipo de paz mesmo assim. A palavra paz vem do verbo grego eirô (e)irw=) que significa juntar, por fim à separação (Ef 2.12), experimentada por uma alma tranquila que tem certeza da salvação através de Cristo, nada temendo, nem materiais ou espirituais, com a convicção de que mesmo que haja danos presentes, são irrelevantes em face da recompensa eterna (Rm 8.18).
Paz é algo que, sem Cristo, o pecador jamais poderá experimentar de verdade porque somente a paz de Cristo é superior a quaisquer formas de conflito ou dissabores. Ninguém consegue, neste mundo, estar imune a conflitos e problemas, de toda ordem, mesmo em ambientes onde tudo deveria ser harmonia e alegria, como o lar e a Igreja — mas mesmo assim estes conflitos não são capazes de superar a extensão da paz com Deus.
A paz com Deus não é garantia de paz em relacionamentos de qualquer tipo neste mundo. A paz com Deus não pode ser entendida por este mundo (Fp 4.7), porque se trata de algo espiritual e que só pode ser discernida espiritualmente (1Co 2.14).
Paz é uma dádiva do Senhor, para os seus, e somente para os seus (Jo 14.27). Paz com Deus é o fim da guerra, é o estabelecimento de uma nova inclinação do coração, de um desejo de andar com Deus em alegre obediência, entendendo que alegrar-se no Senhor é que é fonte de força e poder para a Igreja (Ne 8.10).
É pela graça que há disposições virtuosas em nós como fruto do Espírito (Gl 5.22-23) e então podemos desfrutar de paz, de alegria, com o Senhor e com nossos amados. É pela graça de Deus que nos vem todas as coisas boas (Tg 1.17) e é pela graça que todos os dons nos são dados por intermédio de Jesus Cristo (Ef 4.8). Essa bênção é para todo aquele que recebe a Palavra de Deus como verdade e Jesus Cristo como seu Senhor e salvador.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

É UM PECADO NÃO ADVERTIR O PECADOR DO PERIGO QUE LHE AMEAÇA


A bíblia diz que, quando um pecador está em risco, deve ser advertido ou aquele que deve adverti-lo se torna responsável pelo dano que ele venha a sofrer (Ez 3.18). Imagina, então, a responsabilidade da Igreja para com aqueles que estão dentro de seus muros e não são advertidos dos riscos de uma profissão de fé inócua. Cabe à Igreja ensinar a seus membros e frequentadores a calcularem o custo que implica a profissão, sem a pressão por aceitação social, ou crescimento numérico ou financeiro apenas com a adesão de multidões, quase sempre sem a genuína conversão e sem o necessário discipulado (Mt 28:19-20).
É necessário anunciar a salvação graciosa, gratuita e completa em Jesus Cristo, chamando os pecadores à fé, sem, entretanto, deixar de advertir o ouvinte do solene compromisso de servir a Cristo, suas obrigações, especialmente abandonar o mundo e suas concupiscências (Rm 13.14). Cada ouvinte do evangelho deve ser advertido do custo de ser um verdadeiro cristão porque este era o método evangelístico do Senhor Jesus. Ele falava do reino porvir, anunciava a vida eterna como uma dádiva (Jo 5:24) mas seus ouvintes sabiam o que os esperava. Ele não tinha onde reclinar a cabeça, isto é, não oferecia glória, fama ou fortuna terrena (Mt 8:20), pelo contrário, isto podia significar perda de bens terrenos (Mc 10:21), lembrava-lhes das aflições que lhes esperavam (Jo 16:33) e da cruz que deveriam carregar (Lc 14:25-27). Quantos pregadores de nossos dias dizem aos seus ouvintes que a boa nova da salvação, que o evangelho consiste em tomar uma cruz? É isto o que temos visto nas pregações de nossos dias, com promessas vulgares e luxuriosas ao invés das solenes advertências da Palavra de Deus – e não advertir o pecador dos perigos que corre é um pecado grave.
É obrigação de cada cristão que proclama a Palavra de Deus ensinar todo o conselho de Deus, ensinar todas as coisas que o Senhor Jesus ensinou para que sejam guardadas (Mt 28:20), e isto inclui o direito divino de soberania sobre toda a sua criação (Is 43:15). Isto também inclui o direito divino de reprovação sobre os caídos, que não conseguem alcançar o padrão estabelecido por Deus (1Pe 1:16 - ...porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo) por causa do pecado que praticam constantemente (Rm 5:12). Isto também inclui o ensino da ação divina para restaurar sua criação caída (Os 14:1), fazendo isto por intermédio de seu filho Jesus (Jo 3:16) para que o pecador pudesse viver de maneira aceitável diante dele (1Jo 4:9), mas, ao mesmo tempo, sem abrir mão do seu direito de retribuir ao pecador segundo a injustiça que praticar, especialmente a rejeição do seu Filho (Jo 3:36).
É um pecado não advertir o pecador do perigo que o ameaça. O nome deste pecado é negligência. Assim como o pecador precisa aprender e guardar todas as coisas que o Senhor Jesus ensinou, cabe aos discipuladores ensinarem-no todas as coisas que aprenderam do Senhor.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

I Tm 1 12 13 - A GLÓRIA DE DEUS EM CRISTO É O CENTRO DA MENSAGEM DO EVANGELHO

DEIXAR DE CONFIAR NA PALAVRA DE DEUS LEVA A BUSCA DE GLÓRIA PRÓPRIA

Há muitos anos, quando ainda era seminarista, fui convidado para passar algumas semanas em uma Igreja no interior da Bahia como parte de um projeto chamado “Seminaristas no Campo”. 
Na época, um caso de assassinato havia tomado conta do noticiário: a morte de Daniela Perez, emboscada e assassinada com 18 golpes de punhal por Guilherme de Pádua e Paula Thomaz, à época grávida de 4 meses. Noticiava-se que Guilherme e Daniela, que faziam um par romântico [Yasmin e Bira] na novela Corpo e Alma, da Rede Globo. O corpo da atriz foi encontrado no dia seguinte ao assassinato, 29 de dezembro, no mesmo dia que Fernando Collor de Melo anunciava sua renúncia da presidência da república.
Na mesma época, na cidade onde eu estava passando aqueles dias, aconteceu um outro caso rumoroso: um jovem casal se desentendeu gravemente, houve agressões mútuas e a mulher resolveu voltar para a casa dos pais. O jovem, no fim do dia, resolveu ir atrás da mulher, conversou com o pai dela na porta da casa mas não houve nenhum tipo de acordo. À noite entrou pelos fundos da casa, munido de um machado assassinou o pai e a mulher. Como os fatos ocorreram algum tempo antes de minha chegada, eu não tinha conhecimento do acontecido.
O estudo bíblico daquela semana, na Escola da Bíblia, tratava da magnitude do perdão de Deus, baseado na carta de Paulo aos romanos, especialmente 5.20-21. E quando mencionei, como exemplo, e uma pergunta, se os crentes ali presentes acreditavam na possibilidade de perdão a Guilherme de Pádua e Paula Thomaz, especialmente com as alegações de Guilherme de que ele havia se convertido, que estava arrependido [mas tentou mentir, omitir, dissimular, contou diversas versões para o crime] e que era um novo homem. Deus o perdoou? Deus o perdoaria?
Logo uma pessoa, membro da Igreja há muitos anos, contou a segunda história e disse acreditar que era impossível que Deus perdoasse uma pessoa tão ruim, tão fria e má como aquele homem que matou o sogro e a sua mulher. Segundo ele, era impossível que Deus perdoasse alguém assim.
Aquela discussão trouxe à baila uma pergunta interessante: até que ponto Deus perdoa pecadores, e qual o objetivo disso? De imediato, é preciso entender que o que nós achamos sobre Deus não é relevante – o que é relevante é o que Deus revela de si mesmo [Sl 103:8] e de nós [Dn 9:18].
Vejamos o que Deus nos diz em sua palavra através do apóstolo Paulo em sua carta ao seu filho espiritual e discípulo ministerial Timóteo:
12 Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério, 13 a mim, que, noutro tempo, era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade.
I Tm 1.12-13

O HOMEM NÃO É O CENTRO DA MENSAGEM FIEL

Uma leitura apressada pode levar alguém a pensar que o personagem central da passagem que temos diante de nós é o apóstolo Paulo: forte, fiel, ministro, modelo para os crentes. E, de fato, Paulo é um personagem muito importante a ponto de afirmar que os que o conheceram poderiam tê-lo como modelo, imitando-o naquilo que ele espelhava Cristo [I Co 11:1] porque já não era ele quem vivia, mas Cristo vivia nele [Gl 2:20]. Paulo diz que os crentes de corinto deviam imitá-lo porque viram ele viver como genuíno ministro cristão – e os coríntios faziam parte de uma Igreja que desafiava a sua autoridade apostólica, como também desafiavam a de Pedro e discordavam dos ensinos de Apolo.
Mas como Paulo chegou a ser este modelo? Ele mesmo diz: pela ação de Deus. Pela exclusiva ação de Deus. Conhecemos sua historia – que ele relembra aqui em linhas muito gerais. Ele era blasfemo, isto é, alguém que fala mal, de maneira injuriosa, caluniadora, que procura provocar no ouvinte a crença na má fama daquele ou daquilo de quem se fala. E Paulo falava mal da Igreja de Cristo. Paulo falava mal dos cristãos. Paulo falava mal de Cristo. Mas ele não apenas falava, ele ia adiante, era também perseguidor e também insolente, uma pessoa cheia de orgulho pelas suas conquistas, que por causa de Cristo ele viria a considerar inúteis [Fp 3.4-7].
O insolente usa de linguagem insultante sobre os outros cometendo contra eles atos vergonhosos e errados e é por isso que Cristo vai a ele com uma dura acusação: Paulo perseguia a Cristo [At 26:14]. Isso mostra o tamanho da insolência de Paulo – o pecador perseguindo o próprio Deus.
Paulo poderia ser descrito como um fanfarrão – mesmo que o que ele dissesse a seu respeito não fosse, necessariamente, falso. Mas ele achava-se, em seu interior, muito superior a todos os cristãos e a muitos judeus, e isso acabava por se manifestar externamente na perseguição aos cristãos, com maneiras arrogantes e deleitando-se em praticar atos cruéis contra eles. Embora não se refira diretamente a si mesmo, antes do pecado Paulo também compartilhava daquilo que ele denuncia em sua carta aos romanos [Rm 1.29-31]: uma humanidade prepotente em palavras, orgulhosa e dominadora em pensamentos e insolente e injuriosa em atos.
O âmago deste texto não é a insolência e perfídia de Paulo antes da conversão – é justamente a ação de Deus para que ele fosse convertido. Acertadamente Paulo chama a atenção para Deus – é de Deus que ele está falando. É a Deus que ele é grato porque Deus o fortaleceu. Gratidão é mais do que um sentimento. Paulo usa uma expressão que implica em ter sua mente totalmente controlada ou possuída por apegada àquele que lhe dá alegria, prazer, satisfação – a bondade misericordiosa de Deus, exercendo uma influência toa poderosa sobre sua alma que o fez voltar-se para Cristo, em quem é guardado, fortalecido e nutrido de maneira que possa expressar isso em sua vida – em resumo, Paulo diz que esta gratidão é uma condição espiritual de alguém governado pelo poder de Deus.

AS AÇÕES DO HOMEM, BOAS OU MÁS, NÃO SÃO O CENTRO DA PALAVRA FIEL

Quando Paulo se apresentou à Igreja houve temor, afinal, ele era aquele que arrastava os cristãos para as prisões. Era o perseguidor, o flagelo que assolava os “do caminho” nos primeiros dias com autorização das autoridades. Muitos temeram que fosse uma armadilha.
Os judeus conheciam bem Paulo, e, quando ele fala de si mesmo ele não está mentindo. Sua religiosidade era exemplar, senão não conseguiria autorização do sinédrio para representá-los fora de Jerusalém [Fp 3.4-7]. Conheciam tão bem a seriedade de Paulo que, quando ele se converteu, queriam silenciá-lo rapidamente [At 23:12-13].
Damos tanta importância à procedência religiosa, ao pedigree que nos esquecemos que isto não passa de obras das mãos de homens, e não há motivo algum de nos gloriarmos nelas [Ef 2:9], pelo contrário, na maioria das vezes isto é motivo de orgulhoso pecado.
Por outro lado também damos grande importância aos pecados do passado como se isso fosse impedimento para servir a Deus no presente, esquecendo-nos das palavras do Senhor que nos fez novas criaturas [II Co 5:17]. De maneira figurada, Paulo afirma que nem a religiosidade infrutífera nem a pecaminosidade antes da conversão são impedimentos para o serviço dedicado ao Senhor daqueles que nasceram de novo [Gl 6:15].
Embora se refira à sua ignorância, não religiosa, mas do real caráter de Deus, como também aconteceu com Nicodemos [Jo 3:3] ela não lhe serviu de desculpa. Por ignorância Paulo está se referindo às opiniões erradas que possuía e emitia por não entender as coisas do reino de Deus. Ele também se refere à sua incredulidade a respeito do Messias, sua falta de fé, sua rejeição de Cristo também não serviu de desculpa para seus erros – a única razão pela qual ele podia dar graças a Deus é a misericórdia que lhe foi dada da parte de Deus que lhe deu ajuda em sua miserabilidade e tentativas frustrantes de encontrar justificação pelas obras da carne.

AS AÇÕES GRACIOSAS DE DEUS SÃO O CORAÇÃO DA PALAVRA FIEL

A chave para entendermos a mensagem desta passagem é: Deus foi misericordioso com Paulo, não apenas salvando-o por sua graça mas escolhendo-o, de entre outros vasos de barro e dignos da destruição para usá-lo para sua glória. E a Paulo só cabia responder com gratidão. Você quer realmente entender o porque Deus nos deu tudo o que temos registrado? Porque Paulo escreveu tantas cartas? Porque tantos detalhes a respeito da vida de Jesus, dos apóstolos e do que isto tudo representa?
A resposta é: mudar a vida de pecadores, blasfemos, perseguidores, arrogantes, insolentes, ignorantes e incrédulos. O propósito de Deus é mudar o destino daqueles que estavam condenados à uma eternidade de tormentos – e que não apenas mereciam como tudo faziam para acrescentar flagelos a esta condenação. O centro da mensagem é o que Deus fez e faz. Paulo é grato a Deus pelo que Deus fez em sua vida. É este o assunto destes versos – e do que vem em sequência.
Em primeiro lugar Paulo demonstra gratidão a Deus – não foi o acaso, nem um acidente na estrada, mas o que aconteceu no tempo próprio, certo e determinado por Deus que o levou da ignorância para a luz, do império das trevas para o reino do filho do amor de Deus. Não foi um convencimento epistemológico, nem uma crise emocional, mas um encontro com Deus, o Deus que veio ao seu encontro e lhe mudou a historia. Se Paulo julgava-se forte, imbuído de autoridade pelo sinédrio, foi somente ao ser encontrado com Cristo que, cego, passou a enxergar, humilhado e sem pátria, passou a ser o embaixador do reino dos céus [II Co 5:20]. Paulo aprendeu que, sem Cristo, o mais forte dentre os homens é insignificante, mas, com Cristo e revestido pelo poder de Cristo, mesmo a fraqueza se torna em grande poder [II Co 12:9].
Em segundo lugar, Paulo considera a dignidade do ministério, ministério que não merecera e do qual, de per si, não era digno, mas que lhe fora dado por Deus, diferente e superior do que ele buscara com tantos esforços dentro do judaísmo [Gl 1:14]. O apóstolo foi conduzido, concebido, preparado e equipado para agir com fidelidade, integralmente comprometido com a fé e obediente na execução dos comandos do seu Senhor [I Co 9:16].
Em terceiro lugar Paulo é grato pela enorme transformação que houve eu seu ser por causa da misericordiosa graça de Deus em Cristo Jesus. Primeiro, Deus o capacitou. Depois, Deus lhe deu um sentido para a vida e, em terceiro e extremamente importante, Deus lhe deu uma visão clara do que significa ser cristão: alguém que é grato pela manifestação da misericórdia de Deus, que chama o que não o conhece para conhecê-lo [II Pe 2:12] porque seu coração é tomado de misericórdia e compaixão [Hb 5:2] e que faz o incrédulo ver o que antes não conseguia enxergar [II Co 4:4] até que sua cegueira seja removida – e é possível que estes incrédulos, cegos e ignorantes estejam perto ou até mesmo dentro das Igrejas [Jo 20:27].

EXORTAÇÕES FINAIS

UMA PALAVRA PARA OS CRENTES

Se perguntássemos ao apóstolo Paulo o que ele gostaria que, sabendo destas coisas, os cristãos fizessem? Provavelmente a resposta é vivam, vivam o evangelho como se fosse o próprio Cristo vivendo-o. Vivam por modo digno do evangelho de Cristo. Paulo diz isso quatro vezes em suas cartas – e isto mostra que ele [e o autor maior das cartas] tinha real interesse que vivêssemos por modo digno deste evangelho gracioso que transforma mesmo o maior pecador num filho amado.
Paulo exorta os Efésios, aos quais Timóteo estava pastoreando, a andar de modo digno da sua vocação evangélica [Ef 4:1]. Ele diz aos filipenses a viverem, acima de tudo, isto é, prioritariamente, por modo digno do evangelho de Cristo [Fp 1.27]. Aos crentes em Colossos Paulo diz que os cristãos devem viver de modo digno do Senhor para seu inteiro agrado [Cl 1.10]. Por fim, aos Tessalonicenses Paulo exorta e admoesta para que vivam por modo digno de Deus que os chamou para o seu reino e glória [I Ts 2.12]. Para que não pensemos que isso é ideia fixa de Paulo, João também menciona o mesmo assunto [III Jo 1:6].
Quer perguntar de novo? Ok, tudo bem! O que isto tem a ver comigo, crente do sec. XXI em Xinguara? Meu irmão, minha irmã, você ainda não entendeu o que significa viver o evangelho em seu dia-a-dia? Significa não colar na prova... significa não ficar com o troco a mais que o caixa lhe deu... significa não furar a fila, seja no banco ou no almoço... significa falar coisas edificantes ao invés de usar palavras duras ou maldosas para ferir o coração ou a reputação de alguém... significa escolher no Senhor aquela pessoa que vai lhe acompanhar pelo resto da vida... significa não sonegar impostos... significa não tomar uma cervejinha com os amigos... significa não usar o que deveria ser templo do Espírito Santo para fins luxuriosos... significa não usar a língua que pode ser instrumento de bênção para amaldiçoar a criação de Deus... significa ser um jovem ou adolescente que não traz vergonha ao evangelho [lembrem-se de dois dos presos mais ilustres do Brasil, ambos cariocas, dos últimos meses – Eduardo Cunha e Anthony Garotinho]... acho que você já entendeu...

UMA PALAVRA PARA VOCÊ

Paulo relata que tinha um problema antes da manifestação da graça de Deus – sua blasfêmia, insolência e maldade era fruto da falta do conhecimento adequado, isto é, mesmo tendo conhecimento das Escrituras ele não cria naquele de quem as Escrituras falavam [Jo 5:39].
Paulo tinha experiência religiosa, mas teve que perguntar, quando Jesus lhe apareceu, quem ele era [At 9:5] porque ele não conhecia verdadeiramente a Jesus. Tomé convivera com o Senhor e com a Igreja, mas teve que ouvir de Jesus para não ser incrédulo, mas se tornar um crente [Jo 20:27].
É isso, talvez você tenha vindo esta noite com outros propósitos, mas o propósito de Deus é dizer-lhe: seja crente. Você pode sair daqui decidido a não ser crente, mas você ouviu o que Deus queria que você ouvisse: seja crente. E o que acontecerá com você se você não se tornar um crente em Jesus Cristo – o que significa ser membro de uma Igreja, sim, mas não apenas isso? Se você não se tornar um crente a Palavra de Deus diz que sobre o incrédulo permanece a ira de Deus [Jo 3:36]. Não há a promessa de lançar ira sobre quem se mantém incrédulo – mas a constatação de que ela permanece sobre quem não crê no Filho de Deus.
Mas, e se crer? A promessa de Deus é que, quem crê no Filho, tem a vida eterna [Jo 5:24] e vai, conhecendo cada vez mais a Deus e sua Palavra, viver por modo digno do evangelho, como os demais crentes.

Agora vamos pra casa. Voltemos para o nosso dia-a-dia. A semana vai começar, e teremos chances de viver, como incrédulos [Ef 2:12] ou por modo digno do evangelho.

domingo, 27 de setembro de 2015

COMO VOCÊ PODE MOSTRAR QUE JÁ TEM A NOVA VIDA EM CRISTO - Cl 3.5-11

Já entregou seu caminho ao Senhor? Já recebeu a nova vida? Quais as evidências? Não nos esqueçamos das palavras do apóstolo Paulo: todos aqueles que ouvirem o evangelho precisam se arrepender, isto é, se entristecerem, sentirem pesar e se deixarem inclinar no sentido de corrigir o mal praticado; precisam também se converter a Deus – é inútil se converter a uma mera religiosidade, na verdade, em muitos casos a conversão é justamente para sair da mera religiosidade.
Se converter é abandonar os maus caminhos e se voltarem para Deus; e, então, convertido ao Senhor, o pecador passa a desejar e a sentir prazer na prática das boas obras que o Senhor preparou, de antemão, para que os crentes andassem nelas. Que fique claro, ninguém é salvo porque anda ou andou em boas obras – é feito crente para andar em boas obras, caminho já previamente preparado pelo Senhor (Ef 2:10).
A convocação feita é para que quem entra na Igreja o adore, mas que quem saia o faça expressando alegremente sua fé no salvador e seu conhecimento das suas virtudes (I Pe 2:9) a um mundo que está em trevas e servindo ao maligno (I Jo 5:19).
A esperança do cristão é ver a manifestação da plenitude de Cristo (Cl 1:). A pergunta é: como Cristo se manifesta em você? Vamos ser um pouco mais incisivos: Cristo tem mesmo se manifestado em você? Quais as evidências de que você já conhece a riqueza da glória de Cristo, se é que você já conhece a riqueza da glória de Cristo (Cl 1:23)?
4 Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.
5 Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; 6 por estas coisas é que vem a ira de Deus [sobre os filhos da desobediência].
7 Ora, nessas mesmas coisas andastes vós também, noutro tempo, quando vivíeis nelas.
8 Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar.
9 Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos 10 e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; 11 no qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos.
Cl 3.5-11

INTRODUÇÃO

Conhecer a Cristo significa ver manifestar em si uma nova vida. Paulo afirma que a essência da fé é a vida de Cristo substituir a morte que outrora tomava conta do homem sem Deus. O cristão é, antes de tudo, alguém que nasceu de novo (I Pe 1.23); é alguém que tem recebido um novo princípio de vida (Gl 2.20); é alguém que parte da infância (I Pe 2.2) até atingir a maturidade espiritual (Ef 4.13). Neste processo esse alguém tem que ir deixando as coisas de criança para agir com a sobriedade que é própria de um adulto (I Co 13.11).
O nosso ponto de investigação é: como você pode ver, ou como outros podem ver de maneira prática, se a nova vida, a vida de Cristo e em Cristo, tem sido manifesta em você?
É verdade que a fé é uma coisa intrínseca, pessoal, interna (Rm 10.9). Não existe nenhum meio de saber a quantidade de fé que alguém possui, todavia, é impossível existir a fé sem que esta se manifeste, embora a iniquidade possa ser disfarçada através da hipocrisia (e esta é a essência das obras de satanás, isto é, ele tenta fazer com que o falso pareça verdadeiro) a verdadeira fé não pode ser ocultada (Mt 5.14).
Tiago afirma que a fé pode ser conhecida por intermédio daquilo que fazemos – os homens podem ver a fé dos cristãos à medida em que estes agem como espelhos da graça de Cristo (Tg 2.17-18) e os homens espirituais demonstram a sua espiritualidade produzindo frutos de justiça (Mt 7.20) – é impossível alguém ser habitação do Espírito sem produzir o fruto da morada deste mesmo Espírito (Gl 5:22-23).
Talvez eu esteja sendo repetitivo, mas, eu tenho que perguntar ao menos mais uma vez: a vida de Cristo, no Espírito, tem se manifestado em você? Como? O que a Escritura diz a este respeito? O que a carta de Paulo diz aos colossenses, àqueles que eram escravos, àqueles pertenciam a um império de trevas e foram libertos por Cristo, o libertador inigualável? Nosso ponto de partida é que Cristo vai se manifestar, e quem estiver nele, quem tiver a vida dele, vai se manifestar – como nós podemos ver evidências desta manifestação naqueles que dizem já ter a vida de Cristo?

O QUE FAZER COM A NATUREZA TERRENA: MORTIFICAÇÃO

Para você viver a nova vida em Cristo é absolutamente necessário que você faça morrer a velha natureza. Paulo nos diz para fazer morrer ou deixar necrosar, isto é, nada fazer para manter viva o que já está morrendo – a natureza terrena, inclinada para as coisas da terra, para as coisas mundanas. Sabemos que esta natureza carnal luta contra a nova natureza, contra a formação de uma nova inclinação, de novos hábitos. Os velhos hábitos ainda estão presentes mesmo naquele que foi resgatado por Cristo da escravidão ao diabo – e eles não querem perder seu lugar, não querem perder seus escravos. A natureza carnal ainda te quer como um escravo, como um autômato a desobedecer a Deus (Gl 5.17).
Paulo não fala de uma natureza terrena generalizada – quando ele fala de si, ela não fala hipoteticamente ou de um homem genérico (Rm 7:19-20). Da mesma maneira que a carne era um problema para Paulo, também é um problema para nós. E da mesma maneira que mortificar a carne era um dever para Paulo, também é um dever para nós. É impossível alguém viver espiritualmente se não fizer mortificar, isto é, se não parar de alimentar e passar a combater e fazer perecer os apetites carnais porque elas fazem guerra contra a alma (I Pe 2:11). Para que não digamos que não sabemos que paixões são essas, Paulo nos dá uma pequena lista, embora haja outras até mais extensas na bíblia:
i.           Prostituição – a impureza sexual, a pornografia, a entrega do que é de Cristo para fins ilícitos (I Co 6:15);
ii.         Impureza – a vida luxuriosa, um estilo de vida caracterizado pela ausência de santidade, de desconsideração para com a exortação do Senhor de que seu povo deve ser santo (Lv 20:7);
iii.       Paixão lasciva – sentimentos sexuais impuros, descontrolados, que leva a ações irracionais, como o homossexualismo (Rm 1.26);
iv.       Desejo maligno – interesse e vontade de possuir ou praticar algo proibido, algo que não deve ser, uma coisa que é intrinsecamente errada e má, como poderíamos classificar a necrofilia, a pedofilia;
v.       Avareza, que Paulo classifica como idolatria. Ele não diz que é semelhante à idolatria, mas que é uma forma de idolatria, isto é, qualquer coisa que é colocada no coração, onde somente Deus deveria estar (Mt 6:24). O cobiçoso nunca fica satisfeito, sempre quer mais – e não consegue satisfação nem mesmo em Deus, o que é algo bem estranho para se encontrar em um crente que deve pensar nas coisas do alto (Cl 3:2).

QUAL A RECOMPENSA DA NATUREZA TERRENA: A IRA DE DEUS

Para você viver a nova vida em Cristo é absolutamente necessário que você faça morrer a velha natureza e que você se lembre que a natureza terrena, a carnalidade, é alvo da ira de Deus. Após dar uma lista resumida das obras más que podem ser praticadas pela natureza carnal, motivadas por um coração corrupto (Jr 17:9) Paulo diz que estas coisas não apenas não podem herdar o reino de Deus como, pior ainda, sobre estas coisas Deus estabelece a sua indignação punitiva. O escritor aos hebreus adverte estar sob a ira de Deus é uma coisa terrível (Hb 10.31).
Mas não é nosso propósito fazer nenhuma espécie de terrorismo espiritual – todavia, é minha obrigação advertir você, pois a Palavra de Deus afirma que Deus não deixará de cumprir a sua Palavra, tanto para bênção quanto para condenação. E sobre aqueles que preferirem ser filhos de belial, vivendo na vaidade de seus próprios pensamentos (Ef 4:17) ao invés de serem tornados seus filhos e alvos do seu amor redentor (Rm 5:8). A ira de Deus vem apenas sobre os filhos da desobediência. Esqueça a tolologia que afirma que você pode parar de sofrer agora se você passar a ir a alguma Igreja. Acreditar que a ira de Deus se expressa em uma dor de cabeça ou na perda de uma função é não ter a menor ideia do real significado da desobediência à vontade de Deus. Por causa da desobediência, mesmo que bem intencionada, Saul foi rejeitado como rei de Israel (I Sm 15:23).
Alguns dizem: “Ah, mas eu estou na Igreja, eu congrego, eu ajudo, eu...”. Os fariseus também. Eles também iam ao templo, também ofertavam, também faziam sacrifícios... os fariseus tinham um padrão de justiça sob quaisquer critérios muito mais elevado do que o que mesmo a Igreja mais conservadora possui. Às vezes insistimos afirmando que “eles”, “os outros”, “os que estão no mundo” e outros termos semelhantes são os alvos da ira de Deus. Mas Paulo tinha uma expressão para definir a solidariedade da raça humana, isto é, o fato de todos estarem exatamente na mesma situação (Rm 11:32). Antes que nós ousemos começar a olhar para o outro, o chamado das Escrituras é para que nós olhemos para nós mesmos. Aos colossenses Paulo fala dos filhos da desobediência e acrescenta: os que agora creem também praticavam as mesmas coisas.
A questão é que estas coisas deveriam fazer parte do passado do crente – as obras infrutíferas das trevas (Ef 5:11) deveriam ter ficado no passado e serem objeto de reprovação por parte dos filhos de Deus. Mas é isto o que tem acontecido? Sob o argumento de pertencerem à cultura crentes tem aderido ao pecado – não o reprovam, o praticam e até o divulgam. Mas não é cultura? Não nos deixemos enganar. A cultura é formada pelas inclinações do coração do homem – e por isso está indelevelmente contaminada pelo pecado. Mas a cultura nunca define o que é pecado – o máximo a que ela pode chegar é afirmar o que é socialmente aceito. É Deus quem define, nas Escrituras, o que é pecado.

COMO FAZER MORRER A NATUREZA TERRENA: DESPOJAMENTO

A vontade de Deus é que o novo homem, nascido segundo Deus, nascido pela ação do Espírito em Cristo Jesus viva em novidade de vida. Como? A resposta é: fazendo morrer o velho homem, mortificando-o, retirando dele o seu vigor. Paulo usa uma linguagem militar ao falar de despojamento – que era o que se fazia com um soldado derrotado, tirando-lhes as armas, colete, capacete e tudo o mais. Mas não era apenas retirar-lhe seus apetrechos – ia além disso, tratava-se também de impedir o acesso, colocando fora do alcance, o mais longe possível.
O que Paulo está dizendo é que as práticas do velho homem devem ser colocadas para bem longe do novo homem. Não apenas algumas – mas todas. Na linguagem de Paulo cada uma delas deve ser rejeitada, todas e cada uma delas deve ser lançada para longe. Além da pequena lista que Paulo já mencionara, ele nos dá mais algumas coisas que devem ser objeto desta mortificação, deste despojamento:
i.      Ira – sentimento que busca a destruição do próximo, em flagrante contradição com o mandamento do Senhor de amar ao próximo (Jo 15:12);
ii.    Indignação – sentimento de revolta descontrolada contra algo ou alguém – as paixões são exatamente o contrário do fruto do Espírito, que inclui o domínio próprio (Pv 16:32);
iii.  Maldade – ação deliberada para ferir ou prejudicar o próximo, contrário à bondade que é fruto do Espírito, expressão da formação do caráter de Deus no convertido (Rm 15:2);
iv.  Maledicência – maneira de falar que produz frutos maus ou que machuca aquele que ouve ou alguém de quem se fala. Ao invés de usar o dom da fala para abençoar, usa-se para trazer males;
v.    Linguagem obscena – uso de palavras de baixo nível, maneira suja de falar que sai de lábios que deveriam apenas confessar o Senhor Jesus como seu Senhor e salvador. Jesus diz que o que sai do coração do homem é que o contamina (Mc 7.20);
vi.  Mentira – o abandono da verdade (e Jesus é a verdade), falar falsidade de maneira deliberada para alguém ou sobre algo para evitar algum dissabor, se beneficiar ou para prejudicar-se mutuamente.
Estas coisas se tornam pesos que atrapalham a carreira proposta. A Palavra chama os crentes a se desembaraçar de todo o peso e do pecado que tenazmente os assedia (Hb 12:1). Estas coisas tem que ser abandonadas porque quem nasceu de novo se despiu, já se despojou, já não pertence mais à antiga natureza com seus feitos, com aquelas realizações que, por vergonhosas que são, nem deveriam ser mencionadas, quanto mais praticadas (II Co 4:2). Para fazer a velha natureza morrer você precisa se despojar dela, precisa jogar para longe aquilo que não deve sequer ser mencionado.

COMO VIVER ESTA NOVA VIDA: PELA FÉ

É suficiente não fazer o mal? A resposta da bíblia é não. Não basta não fazer o mal, não basta deixar de fazer o mal, é preciso, também, praticar o que é bom. O Senhor ordenou que façamos o que é certo. O arrependimento traz o abandono das más obras para a prática do bem (Ef 4:28), que Deus preparou de antemão para que andássemos nelas (Ef 2:10). Se arrependimento leva a abandonar as más obras, a conversão leva a prática de obras dignas de arrependimento (At 26:20).
Assim como é necessário fazer morrer a natureza terrena, despojando-se da carnalidade, também é necessário revestir-se do novo homem, para que ele viesse a ser na prática aquilo que ele já fora judicialmente declarado ser em Cristo Jesus. O verbo (particípio presente passivo) indica que este revestimento é uma realidade constante, contínua e que vem de cima, de modo que a imagem do filho vai sendo formada continuamente pelo conhecimento cada vez mais íntimo do seu Senhor e salvador. Paulo chama este conhecimento de “pleno” que não tem o sentido de saber tudo, mas de ser correto, preciso, verdadeiro. É um conhecimento que vem da experiência, de andar com Cristo e segundo Cristo, que molda a maneira de compreender as coisas (Cl 2:8) e, também, de sentir (Rm 15:5).
Assim como Deus encerrou todos os homens, de todos os lugares da terra, na mesma condenação por causa de sua desobediência, assim também, ao serem refeitos, todos são colocados numa mesma relação com Deus – pelo conhecimento do redentor aqueles que viviam sem Deus no mundo e estranhos às promessas da aliança (Ef 2:12) agora todos são colocados em uma mesma relação entre si e com Deus.
Se todos pecaram, se todos careciam da glória de Deus (Rm 3:23), todos foram chamados ao mesmo arrependimento por causa do grande amor com que Deus os amou (Ef 2:4-5) e todos foram chamados para a mesma obediência (I Pe 1:2 - eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas) através das obras que o Senhor preparou para seu povo (Ef 2:10). Assim, não há distinção sobre o que o Senhor exige de cada um de nós. Não importa a origem étnica, social ou sexual – a exigência é a mesma, porque o Espírito é o mesmo – e aquele que o salvou é o mesmo salvador inigualável que Paulo apresenta no começo da carta.
Que garantia nós podemos ter desta nova vida? A resposta é simples: quem está em Cristo sabe que foi feito nova criatura (II Co 5:17) e não lhe resta alternativa senão andar com Cristo, viver a vida de Cristo (Gl 2:20) porque tem um novo princípio de vida e sabe que seu Senhor não o abandona, mas está com ele todo o tempo, até a consumação do século (Mt 28:20).
Este novo homem foi refeito, recriado à imagem de Cristo. E se nos perguntarmos, então, o que esperar deste novo homem – a resposta só pode ser: que ele viva segundo aquele que o recriou, que ele viva em novidade de vida, que viva para glorificar o seu Senhor com a nova vida que recebeu. Paulo faz um apanhado das principais divisões étnicas, religiosas, culturais e sociais de seu tempo para dizer uma verdade que nenhum daqueles grupos partilhava. Era uma verdade nova e revolucionária, a mensagem que não há distinção nenhuma à partir do momento em que qualquer membro destes grupos se encontram em Cristo. Cristo é tudo – em todos. O que faltava ao grego e ao judeu é suprido – a justiça de Cristo. O que faltava ao circunciso e ao incircunciso é cumprido – a circuncisão do coração segundo Cristo. O que faltava aos bárbaros em termos de cultura é resolvido pelo conhecimento de Cristo e todos são libertos em Cristo Jesus.
Não é por nascimento que você poderá se despojar do velho homem e suas práticas e se revestir do novo homem. Deixe eu ir um pouco mais além – sua religiosidade não fará de você um novo homem, não este novo segundo Cristo. Sua cultura não te dará o conhecimento de Deus que conduz à salvação – isso só o Espírito Santo pode dar. Nem todas as escolhas que você poderia fazer ao longo da vida farão de você alguém verdadeiramente livre se não for liberto pela verdade de Deus, Cristo (Jo 8:32).
A nossa pergunta inicial era como pode alguém que creu em Cristo, como Cornélio dar evidências desta sua nova fé? Paulo faz uma série de admoestações que exigem renúncia aos desejos da própria carne (Rm 7:18). A guerra está declarada – e o campo de batalha é sua vida. Mas você não foi largado sozinho. Seu libertador está presente, te sustentando e capacitando. Quando você perceber que não consegue vencer sozinho, você clama ao seu Senhor – porque a sua vitória está nele (Rm 7:24) e ele responde com graça (Rm 7:25).  O que você deve fazer? Confiar em Cristo. Negar-se a atender os reclamos da carne, porque, ainda que a carne realmente seja fraca, isto é, a resistência ao pecado é limitada, pecado é veneno e não vitamina para a carne. O que sua alma precisa é do auxílio do Espírito Santo – e este Deus dá liberalmente (Rm 8:15).

E AGORA, O QUE O NOVO HOMEM DEVE FAZER

Há algo que não deve ser esquecido – não é o braço do homem, não é a vontade do homem que faz o novo homem. É verdade que o Senhor renova a mente (I Co 2:16), o que tem reflexo imediato na disposição para pensar e agir diferente do que anteriormente era o padrão (Rm 12:2) e dá um novo coração e um novo espírito àqueles a quem ele transforma por sua graça (Ez 11:19) mas não somos nós quem produzimos. Não importa o quanto leias a bíblia, nem o quanto ore, nem quanto contribua. Não importa se jejue uma ou duas vezes por semana. Não importa o quanto você vá à Igreja e o tato que você trabalhe nela – se você não nasceu de novo e o novo homem não pode ser visto no seu viver então tudo não passa ativismo.

Como o novo homem pode ser visto, então? Pelo abandono das más obras, pela rejeição das obras da carne, pela entrega total e pessoal, devocional e espiritual ao Senhor – e, acima de tudo, com a certeza de que o velho homem tem que ser deixado para trás e, embora sem ter, ainda, atingido a perfeição, prosseguir sempre para o alvo da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Esta é a minha experiência – e esta é a experiência de todo aquele que nasceu de novo (Fp 3:12-14).

FAÇA DESTE BLOG SUA PÁGINA INICIAL