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terça-feira, 9 de setembro de 2014

SERIE PERSONAGENS - SAMUEL, O ÚLTIMO JUIZ, O HOMEM DA TRANSIÇÃO

SAMUEL, O ÚLTIMO JUIZ

Samuel viveu em um tempo de transição para Israel, na segunda metade do séc. XII a.C. É corretamente chamado de o último juiz, e, ao mesmo tempo, inaugura o período dos reis, embora seus filhos também tenham julgado o povo como co-regentes durante um período, em Beer Sheba. Samuel é mais um daqueles que não era para ter existido, como Isaque, mas que Deus trouxe a existência para usar de uma maneira especial.
Samuel era filho de Elcana e Ana, uma história bem conhecida de oração e resposta de Deus. Amargurada por não ter um filho, e tendo que suportar as zombarias da outra esposa de Elcana, Ana buscou ajuda onde ela poderia ser encontrada: no Senhor (I Sm 1.10).
Mesmo confundida com uma bêbada, Ana explicou pacientemente sua situação ao sacerdote Eli e saiu de lá certa de que o Senhor a havia ouvido (Is 1.18). Tendo concebido, Ana entrega o menino dois ou três anos depois (I Sm 1.24).
Samuel passou a servir ao sacerdote Eli, certamente sem a expectativa de sucedê-lo pois esta seria uma função a ser exercida Hofni e Finéias – que se mostraram indignos de tal ministério e foram rejeitados pelo Senhor (I Sm 3.13). Apesar de servir na casa de Deus Samuel aparentemente não tivera uma experiência pessoal com o Senhor (I Sm 3.7), um estado que pode refletir a realidade de muitas pessoas que nascem na Igreja sem nascerem da água e do Espírito.
Deus foi tolerante com o relapso Eli e seus filhos ímpios durante o período de preparação de Samuel, por mais de duas décadas, certamente, pois a maturidade para o sacerdócio só era alcançada aos 30 anos. Samuel foi naturalmente reconhecido como herdeiro do sacerdócio com a trágica morte de Eli, Hofni e Finéias porque todos sabiam que o Senhor lhe falara, algo que não estava acontecendo com muita frequência naqueles dias. Lamentavelmente Samuel não aprendeu com os erros de Eli e os repetiu – também não conseguiu educar seus filhos para serem justos sucessores e, por isso, Joel e Abias, também se tornaram homens de belial e foram rejeitados pelo povo, dando início a um novo período na história de Israel. Era o raiar do período dos reis, sendo que os dois primeiros foram ungidos por Samuel – Saul e Davi.
O primeiro rei foi escolhido por causa do clamor do povo que não confiava nos filhos de Samuel – vejamos como foram escolhidos os líderes pós Samuel.
Os primeiros "sucessores" foram o que a tradição mandava – os filhos de Samuel (I Sm 8.1-2). Abias e Joel representam a vontade do homem, mas foram rejeitados por seus contemporâneos por não reunirem qualidades ou, pior ainda, enfeixarem defeitos que os inabilitava para julgarem o povo de Deus (I Sm 8.3), desobedecendo as exigências do Senhor quanto ao exercício da função de juízes do povo (Dt 16.18-20).
Por causa das ações más de Joel e Abias o povo pediu a Samuel que lhes desse uma outra forma de governo, não mais a teocrática direta, mas a monárquica (I Rs 8.4-5), a que Samuel, a princípio, não via com bons olhos (I Sm 8.6) mas acabou atendendo por mandato do Senhor (I Sm 8:7).
Israel havia vivido um período em que fora governado por homens piedosos como Moisés e Josué, mas havia entrado em rebelião e apostasia. Depois, foi governado pelos juízes, alguns deles profundamente tementes a Deus – e este período se mostrou por demais conturbado, e muitas vezes o governo destes homens (ou mulheres, como no caso de Débora) tinha um alcance muito limitado, próprio para uma sociedade ainda tribal. Em vista disto, muitas coisas indesejáveis acabaram acontecendo. Agora seria a vez do governo dos reis – e mais uma vez Israel se mostraria rebelde. O que fica claro é que a rebelião era uma coisa do coração, não das instituições.
Samuel acaba sendo o agente desta transição. Rejeitados pelo povo, os juízes darão lugar aos reis. E a primeira escolha, feita por Deus, foi o que considero uma escolha disciplinar: Saul, filho de Quis, um jovem de porte impressionante (I Sm 9.2), impetuoso, que começa bem mas termina mal. Antes de ser ungido rei Saul aparece duas vezes perante Samuel: a primeira vez quando buscava algumas jumentas de seu pai (I Sm 9.3), sem saber, entretanto, que o Senhor o conduzia ao encontro de Samuel (I Sm 9.15-16). Saul é ungido rei (I Sm 10.1) e tomado pelo Espírito do Senhor acaba profetizando (I Sm 10.9-10).
Em seguida Samuel convoca o povo para Mispa, repreende o povo por ter rejeitado o governo teocrático do Senhor (I Sm 10.18-19) – e mais uma vez é necessário observar que o problema não estava na forma de governo, mas na rebeldia dos governados e, lançando sortes, acabaram chegando à Saul família de Quis, que estava escondido no meio da bagagem do povo (I Sm 10.20-22). Ao ver o porte de Saul o povo imediatamente o acolheu como seu rei (I Rs 10.23-23). Após livrar Israel da mão dos filisteus, Saul acabaria agindo impensadamente e cometendo três graves pecados:
1.     Usurpou a função sacerdotal ao oferecer sacrifício (I Sm 13.8-9). Saul era benjamita, e os sacrifícios só deveriam ser oferecidos pelos membros da tribo de Levi, como Samuel. Somente Cristo teria o privilégio de exercer os três ministérios – profético, sacerdotal e real. Saul fora chamado para ser apenas rei, e não deveria passar disso. Sua desobediência fê-lo perder a continuidade da sua família no trono (I Sm 13.13-14);
2.     Deixou de exterminar os inimigos derrotados (I Sm 15.9) como fora, explicitamente, orientado a fazer (I Sm 15.18-19) e, mesmo depois da repreensão, não aceitando a correção (I Sm 15.20-21 – quando Saul diz que Deus é o Deus de Samuel alguns querem ver aqui uma confissão de que o Deus de Israel não era mais considerado por Saul como seu Deus, mas é mais provável que tenha sido uma tentativa de bajular Samuel);
3.     Participou de ritos espúrios (I Sm 28.7). Saul já fora advertido sobre sua desobediência, de sua rebeldia que desagradava a Deus e que o fazia tão odioso como um feiticeiro (I Sm 15:23) e, como sabemos, um pecado chama outro pecado (Sl 42:7). Samuel havia dito que não mais se encontraria com Saul (I Sm 15.26 e 36), e Deus já não mais o orientava (I Sm 28.6).
Ainda antes de Saul ser morto Deus usou Samuel para fechar o ciclo de seu propósito iniciado com a chamada de Rute (Rt 4.21). A história de Samuel com Davi tem dois momentos emblemáticos – a unção de Davi como rei e seu estabelecimento como um tipo de profeta (At 2. 29-31):
1.     Tendo informado de que Saul fora preterido, Samuel também declara que o Senhor já tinha escolhido o substituto (I Sm 13:14) e é encaminhado pelo Senhor à casa de Jesse (I Sm 16.1). Samuel quase incorre no erro de escolher um rei pela aparência (I Sm 16.6-7) ou pela vontade de Jessé, que lhe apresenta quase todos os filhos (I Sm 16.10). De detrás da malhada o Senhor havia chamado a Davi para ser seu ungido (I Sm 16.11-12).
2.     O segundo encontro é quando Saul, desejoso de matar a Davi, acaba sendo enganado por sua própria filha, Mical, e refugia-se com Samuel em Ramá (I Sm19.18). Tanto os mensageiros de Saul, por duas vezes, quanto ele próprio acabam sendo tomados pelo Espírito do Senhor e, ao invés de levarem a cabo seu intento de prenderem e matarem a Davi, unem-se a Samuel e profetizam (I Sm 19.23-24).
Depois disto Samuel é mencionado apenas
1.     Na sua morte (I Sm 25.1);
2.     Na busca desesperada de Saul (I Sm 28:14) embora seja evidente que não era mesmo Samuel porque: a. Samuel disse que jamais tornaria a Saul; b. Samuel não poderia vir de baixo, de um lugar inferior, se estava no seio de Abraão; c. Não há comunicação entre vivos e mortos; d. Samuel, sendo profeta do Senhor, não aceitaria adoração; e. O Senhor condena veementemente a invocação dos mortos e não permitiria que seu profeta atendesse tal chamado;
3.     Como um exemplo de profeta, de fidelidade (Sl 99:6) e fé (Hb 11:32).
Para concluir, pode ser que surja uma pergunta: se a morte de Samuel foi relatada no primeiro livro (I Sm 25.1) quem escreveu o resto? Os estudiosos divergem sobre nomes, mas citam quase unanimemente Natã, o profeta (II Sm 12:25) como o compilador da primeira seção do segundo livro, e Gade, o vidente (II Sm 24.11) como responsável pela edição da segunda parte do segundo livro.

A história de Samuel nos mostra que mesmo os mais consagrados dos homens são capazes de cometer erros. Samuel errou na educação dada a seus filhos – mesmo tendo acompanhado bem de perto os erros de Eli e sido beneficiário da sentença de Deus sobre a sua casa. Errou também ao colocar seus filhos como juízes sem que eles tivessem o estofo moral e espiritual necessário, erro semelhante ao de Eli (). Quase erra ao acreditar que Eliabe fora o escolhido por Deus para suceder Saul, de quem tivera pena e demorara a ungir o novo rei (I Sm 16.1).

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

SÉRIE PERSONAGENS - ELI, O SACERDOTE QUE NÃO SOUBE SER PAI

ELI

28 Eu o escolhi dentre todas as tribos de Israel para ser o meu sacerdote, para subir ao meu altar, para queimar o incenso e para trazer a estola sacerdotal perante mim; e dei à casa de teu pai todas as ofertas queimadas dos filhos de Israel.
29 Por que pisais aos pés os meus sacrifícios e as minhas ofertas de manjares, que ordenei se me fizessem na minha morada? E, tu, por que honras a teus filhos mais do que a mim, para tu e eles vos engordardes das melhores de todas as ofertas do meu povo de Israel?
I Sm 2.28-29
Eli (cujo nome significa "meu Deus") foi um sacerdote e um dos últimos juízes de Israel. Julgou Israel por 40 anos e foi um dos personagens centrais da história de Ana e seu filho Samuel.
Era homem observador a ponto de perceber uma mulher orando no tabernáculo (I Sm 1.12). Também era humilde a ponto de reconhecer um erro de julgamento (I Sm 1.13-14) e temente a Deus, orando para que ele abençoasse uma mulher atribulada (I Sm 1.17) e sensível aos sonhos de uma família (I Sm 2.20).
Porém, mesmo tendo sido um bom sacerdote e um bom juiz para Israel, Eli não obteve a aprovação integral do Senhor, que julgou levantar, após Eli, um sacerdote mais fiel (I Sm 2.35).
Qual o pecado de Eli? Que pecado terrível concebeu este sacerdote a ponto de ter sido julgado devedor pelo Senhor? O nome deste pecado é tolerância, o mesmo pecado pelo qual a Igreja de Tiatira foi julgada (Ap 2.20). Eli foi rápido e duro ao julgar que Ana estava embriagada, mas nada fez em relação a seus filhos, Hofni e Finéias, com uma extensa lista de abusos:
¨ Eles não se importavam com o Senhor (v. 12, como os sacerdotes ímpios do tempo de Malaquias – Ml 1.7);
¨ Se apropriavam do que deveria ser comido pelo povo ao ofertar (v. 13-14; vd. Dt 14.26);
¨ Usurpavam com violência o que deveria ser entregue totalmente ao Senhor (v. 14-16 – vd. Lv 3:16);
¨ Abusavam de sua posição social, prostituindo-se, à semelhança dos sacerdotes pagãos, com as mulheres que serviam no tabernáculo (v. 22);
¨ Sua conduta era reprovada por todo o Israel, servindo de mau exemplo e conduzindo o povo ao desprezo pelas coisas de Deus (v. 23-24).
Eli foi fraco em corrigir seus filhos – violentos, abusados, chamados de "filhos de belial". O termo belial (não + sem) não é um nome próprio, mas designa algo indigno, inútil, imprestável, maligno. É uma expressão rude para designar um julgamento moral pesado contra aqueles que praticam coisas reprováveis. Para Israel Hofni e Finéias eram nada além de vagabundos inescrupulosos (Jz 19.22).
Os judeus usavam este termo para israelitas que se desviassem de temer ao Senhor e também, para crianças não circuncidadas, filhas de povos pagãos. O termo aplicado aos filhos de Eli era, portanto, uma palavra que denotava algo sem valor algum que foi adquirindo novos significados, designando pessoas desprezíveis e acabou se tornando adjetivo negativo e até mesmo personalizada como um demônio.
A conversa de Eli com seus filhos foi pouco menos do que um simples aviso a respeito do julgamento de Deus (I Sm 2.25) sendo que ele era o responsável por executar este julgamento (I Sm 2.29).
Eli falhou em amar mais a sua família que ao Senhor (Mt 10.37). Deus já havia julgado a casa de Eli (I Sm 2.30), bem como ao próprio Eli (I Sm 2.31).
Eli sabia que o julgamento de Deus era justo, por isso não esboça nenhuma reação, nenhum tipo de reclamação – e também não parecia disposto a enfrentar os seus filhos, julgando-os publicamente por seus execráveis pecados (I Sm 3.13).
Mesmo com o aviso feito pelo "homem de Deus" não houve mudanças nem na atitude de Eli nem na conduta de Hofni e Finéias e, algum tempo depois o Senhor decide efetuar o julgamento sobre a casa de Eli (I Sm 3.1).
Quando tudo parecia transcorrer normalmente – Eli deitado no lugar de costume, Samuel já recolhido para dormir (I Sm 3.2-3) o Senhor anuncia a chegada do dia do julgamento (I Sm 3.4).
O Senhor deu a conhecer a Samuel o que faria com a casa de Eli, e o próprio Eli, ao tomar conhecimento, reconhece que sua falha merecia tal castigo (I Sm 3.17-18).
Muitas vezes Deus julga o seu povo usando como instrumentos povos pagãos (Is 10:5). Assim foi nos dias de Eli, enviando os filisteus que saíram para enfrentar os israelitas. Um povo sob julgamento não poderia vencer sem a ajuda de Deus, e assim, naquela batalha, pereceram 4.000 homens (I Sm 4.2).
Numa tentativa supersticiosa de usar a arca como amuleto Hofni e Finéias levaram-na consigo ao campo de batalha (I Sm 4.3-4) – mas a arca era apenas um símbolo da presença do Deus vivo, nada poderia fazer em favor daqueles que desprezavam o próprio Deus.
O estratagema quase deu certo, pois os filisteus haviam se tornado tão supersticiosos quanto os israelitas (I Sm 4.6-8).
Tanto os hebreus quanto os filisteus estavam errados. Deus não daria vitória aos israelitas, era chegado o dia do julgamento (I Sm 4.10-11).
Mesmo com 98 anos, velho e cego, Eli sobreviveu aos seus filhos, como o Senhor havia dito (I Sm 2.34  - Ser-te-á por sinal o que sobrevirá a teus dois filhos, a Hofni e Finéias: ambos morrerão no mesmo dia). Mas Eli não lhes sobreviveu por muito tempo, pois morreu ao ser informado da desgraça que caíra sobre Israel (I Sm 4. 17-18). Sua preocupação era com a arca, não com seus filhos, que sabia serem merecedores do castigo (I Sm 4.13).
Com a morte de Eli, a esposa de Finéias, que estava grávida, começou a sentir as dores de parto, deu a luz um bebê e, antes de morrer, chamou-lhe Icabô, ou Icabode, num lamento pela tomada da arca (sem glória).
A tolerância de Eli com o pecado de seus filhos foi de tal forma longa que eles contaminaram Israel, e o resultado foi muito sofrimento, não apenas pessoal, mas familiar e também da comunidade. Eli sofreu, seus filhos e família sofreram, e Israel sofreu, numa única ocasião, a morte de cerca de 34.000 homens que tinham suas esposas, filhos, pais e familiares (Sl 32.10).
É impossível ser um sacerdote fiel sem ser um pai zeloso.


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

SÉRIE PERSONAGENS: ANA, DE AMARGURADA A ABENÇOADA

Recentemente publicamos lições que se referiram a mulheres da Bíblia – Noemi e Rute, que fazem parte da linhagem davídica, da tribo de Judá. Agora vamos conhecer uma terceira mulher, Ana, cujo nome significa "graça", sendo parte da linhagem sacerdotal, levítica. Embora não tenham se conhecido, elas viveram num período próximo, e suas histórias convergiam para que seus descendentes fossem de grande importância na vida um do outro – Samuel e Davi. O descendente de Rute consolidaria o período dos reis, enquanto o de Ana faria a transição entre os juízes e os reis. Ana é, sem dúvida, uma das muitas mulheres que merecem o epíteto de "mulher virtuosa" da Bíblia. Viveu por volta da segunda metade do séc. XII a.C. na cidade de Ramá, a 18km de Siló, nas proximidades de Betel.
Mas, mesmo sendo uma mulher virtuosa, Ana era, provavelmente, como muitas pessoas que conhecemos: possuem quase tudo o que poderiam desejar para a felicidade e se apegam ao que não tem para se fazerem infelizes: cônjuge amoroso – mas que sabia mas não entendia a razão de sua angústia, boas condições financeiras, com casa, comida, roupas, segurança (I Sm 1.24). Ficava especialmente afligida todo ano quando iam a Siló, para adorar o Senhor. A tristeza de Ana era aumentada pelo fato de que, embora seu marido a amasse, ele havia tomado outra esposa e com ela havia tido filhos e filhas (I Sm 1:4).
Penina sabia que Elcana amava Ana (I Sm 1:5 - A Ana, porém, dava porção dupla, porque ele a amava, ainda mesmo que o SENHOR a houvesse deixado estéril) e que se casara com ela para garantir que possuiria filhos, e, por isso, vingava-se irritando-a com a sua desdita (I Sm 1:6), tida como maldição entre os hebreus antigos, havendo, inclusive, uma tradição que permitia o divórcio caso a mulher não concebesse ao cabo de 10 anos.
Não sabemos depois de quantos anos de casamento, mas alguns já se haviam passado (I Sm 1.7) e a dor de Ana crescia a ponto de, além de não comer, sentir-se verdadeiramente desesperada e procurar auxílio onde ela sabia que poderia encontrar – no Senhor (Sl 113.9).
Na sua amargura Ana orou ao Senhor e chorou abundantemente (I Sm 1.10). Como a oração era em lugar público, com o passar do tempo ela acabou sendo notada pelo sacerdote Eli, que sem querer, faz com que aquela mulher temente a Deus, de coração dedicado ao Senhor sofra mais uma agressão, tendo-a por embriagada (I Sm 1.14).
Em nossos dias isso daria afastamento da Igreja, ou denúncia eclesiástica, danos morais, muito falatório e queixumes – mas não seria essa a atitude de Ana, da crente Ana. Ela, ofendida, manteve-se equilibrada, buscou não a reparação mas o conserto (Mt 18:15), esclareceu devidamente a situação (I Sm 1.15-16) e acabou abençoada (I Sm 1.17).
Ana nos é apresentada como exemplo de resiliência no sofrimento, humildade diante de Deus e equilíbrio diante da ofensa.
Mas não é apenas isso. No dia seguinte retornam para Ramá, bem perto de Siló, e, após algumas horas de viagem, Ana, Elcana, Penina e os filhos voltaram para casa. Elcana coabitou com Ana e ela ficou grávida (I Sm 1.19-20), dando ao menino o nome de Samuel (o Senhor ouve).
Elcana não se opõe a consagração do menino, algo normal entre os levitas, especialmente pelo fato de que Samuel não era seu primogênito, nem ele poderia favorece-lo por mais que amasse Ana (Dt 21.15-16). Samuel receberia educação especial, como nazireu, sendo colocado a serviço no templo quando fosse desmamado – e foi entregue com no mínimo dois, mas, mais provavelmente 3 anos (I Sm 1.24).
Pode nos parecer estranho e desumano, mas Samuel fora pedido para ser dado, veio para ser entregue, e isso agradou ao Senhor. O pedido de Ana fora feito com a promessa de que Samuel seria do Senhor – e o mesmo Senhor que ouve e atende também ouve e cobra (Jó 22:27). Precisamos entender que Deus nunca nos dá algo que não possamos lhe dar de volta. Qualquer coisa que consideremos nosso e que neguemos ao Senhor torna-se objeto de idolatria no coração, ocupará o lugar de Deus em nossos sentimentos. Nada é mais importante do que Deus (Jó 1:21).
Isso é uma preciosa lição para nossa geração não aprendeu a cumprir seus compromissos, especialmente os compromissos eclesiásticos e espirituais.
Mesmo depois de ter cumprido a sua promessa de entrega-lo, e, ainda mais, depois de ter tido mais outros filhos (I Sm 2.21) na continuou a contribuir para o bem estar do menino (I Sm 2.19).
Concluímos destacando três atitudes de Ana que devem ser imitadas pelos crentes de todos os tempos, e em todos os lugares.
FIDELIDADE
O que Ana prometeu, ela cumpriu (I Sm 1.25). Tendo, agora, apenas um filho, entregou tudo o que tinha. Nada reteve para si além da plena benção da realização de seu maior desejo. Ela queria ser mãe, se tornara mãe. Estava livre das chacotas de Penina, podia experimentar o amor de seu marido sem a amargura que lhe corroía a alma (I Sm 2.20). Observe que Penina não é mais mencionada e a benção é dada ao casal, e não apenas a Ana. Isto é importante porque Elcana também se afligia com sua dor (I Sm 1. 8).
TESTEMUNHO
Ana não apenas entregou o menino, mas fez questão de, anos depois (no mínimo dois), ao entregá-lo faz questão de lembrar ao homem de Deus que aquele menino é resposta de oração, é fruto da sua súplica perante o Senhor e compartilha que a benção dada por intermédio Eli de fato se tornou uma realidade – e ali estava a prova, literalmente, o testemunho vivo de uma benção tão ardentemente suplicada (I Sm 1.26-28)
LOUVOR

Sua fidelidade e testemunho, sua abnegação ao entregar o único filho (até então, e ela não tinha garantias de que teria outros – e só os teve depois de cumprir o prometido) resulta num alegre cântico de louvor ao Senhor (I Sm 2.1-2). Deus transformou o desprezo que a angustiava em louvor pelas bênçãos derramadas.

domingo, 22 de dezembro de 2013

PESSOAS SÁBIAS, NO NATAL, PROCURAM A JESUS, O FILHO DE DEUS

PESSOAS SÁBIAS PROCURAM A DEUS
  Uma mensagem a propósito dos despropósitos natalinos

Nossas cidades estão enfeitadas, não há uma loja que não exiba, de alguma maneira, mesmo muito discretamente, alguma alusão às festividades natalinas. Nos dois últimos natais passei por duas experiências, e, ao lado delas, gostaria de compartilhar uma observação pessoal com vocês.
A primeira foi em Gurupi, natal de 2012. Como Gurupi é uma cidade universitária, muitos moradores acabam saindo da cidade, deixando-a relativamente vazia, e, por isso, as Igrejas preferem fazer suas comemorações com uma semana ou mais de antecedência. Como em Gurupi não tem shopping, não haveria programação especial na Igreja, resolvemos ir passear num posto de gasolina, onde haveria boa comida e algum movimento. Ficamos lá até por volta das 23.00h, e, quando retornávamos para casa, pudemos observar cenas deprimentes de homens e mulheres bêbados e em atitudes ridículas.
A segunda, mais recente, foi nos primeiros dias de dezembro de 2013, quando passava por uma avenida muito bem iluminada na cidade de São Paulo. Muitas luzes, centenas de árvores completamente iluminadas (em pleno vigor do horário de verão). Passei por shopping centers iluminados, vi o “maior papai Noel do mundo”, com uns 12m de altura. Muita propaganda de panetonne, refrigerantes, vinhos, presentes, etc.
Por fim, uma observação: em tudo isto eram raríssimas as alusões ao personagem motivador das tais festas natalinas - não que eu me iludisse procurando Jesus no comércio, no marketing, nas lojas ou nas roupas coloridas dos vendedores. Eu não esperava encontra-lo lá, porque ele realmente não está lá, nem se interessa por esta festa consumista. Mas milhões de pessoas estão correndo de um lado para o outro num frenesi insano para organizarem boas festas, gastando um dinheiro que não tem para fazer uma festa de aniversário que, no final das contas, não agrada ao aniversariante.
O que devemos, então, procurar no natal? Bom, a princípio defendo a tese de que não é apenas nesta época que o nascimento de Jesus Cristo não deve ser lembrado. Dizer, com o coração vazio de fé e cheio de sentimentalismo forçado embalado pela música da Simone então é natal “que neste natal Jesus nasça em seu coração” é o mesmo que dizer: “não importa o que você faz o ano inteiro, desde que você se lembre de dar algum presente a alguém no fim, tudo fica bem”.
Isto não honra a Deus, não agrada a Jesus. Desta maneira gostaria de compartilhar com vocês uma porção da Palavra de Deus com o seguinte tema: “PESSOAS SÁBIAS BUSCAM A DEUS”.
O Senhor é bastante claro quando diz que, quando for buscado, se deixará achar (Jr 29.13: Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração). Uma vez que tanto se fala sobre os eventos ocorridos do nascimento de Jesus, quero compartilhar três breves observações sobre a verdadeira sabedoria à partir deste crucial momento da história da humanidade.
Devemos levar em consideração a premissa de que Jesus veio para que todos os que nele cressem não morressem, mas obtivessem a vida eterna. Ele não veio para classe de pessoas, a menos que consideremos como classe os “pecadores”, da qual todos os homens, indistintamente, fazem parte. Ele não veio para ricos ou pobres - veio para ricos e pobres. Não veio para sábios ou incultos - veio para sábios e incultos. Não veio para religiosos ou pagãos - veio para transformar religiosos e pagãos em crentes redimidos. Veio para buscar e salvar o perdido. E há perdidos em todas as tribos, em todos os povos, em todas na nações e entre todas as raças.



I: PESSOAS SÁBIAS PROCURAM A DEUS COMO PRIORIDADE

Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.
Jr 29.13
Podemos observar, sem muito esforço hermenêutico, nos eventos relatados no nascimento de Jesus é que havia pessoas muito ocupadas em seus afazeres quando Jesus nasceu.
Os governantes procuravam governar da maneira que lhes fosse mais favorável, a ponto de um censo ter sido ordenado por César Augusto para tornar a cobrança de impostos mais eficiente (Lc 2.1-3: Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade). Os donos dos hotéis procuravam hospedar o máximo de pessoas com a máxima presteza.
Os serviços do templo e das sinagogas estavam funcionando normalmente. Havia ofertas, sacrifícios, cânticos, estudos, pregações. Tudo acontecia como tinha que acontecer, como a tradição e a lei mandavam. Ninguém deixou ou deixaria suas funções.
Os pastores cumpriam a sua escala noturna, cuidando dos rebanhos na fria noite palestina. Eles sabiam que havia lobos e salteadores à espreita e não podiam descuidar dos rebanhos.
Muito longe, no oriente, estudiosos dos astros celestes continuavam a estudá-los. Havia religiosos que queriam conhecer a revelação de Deus (Cl 1:15: Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação) e outros que preferiram os seus livros. Havia de tudo naqueles dias, como, ainda hoje, há de tudo.
Os primeiros a receberem a notícia do nascimento do messias foram os pastores - que imediatamente deixaram o rebanho (provavelmente sob a guarda de alguns outros colegas) e correram para o local onde foram instruídos que deveria estar o menino, envolto em faixas, em uma manjedoura. Ver o menino era sua maior prioridade no momento. Esqueceram-se de quem eram, de qual era a sua função profissional - eram adoradores e iam adorar o messias recém-nascido.
Sua presença ali foi simples, singela, eram pobres e nada tinham a oferecer além do espaço em seu coração para a alegria de verem o salvador. Mas saem dali e contam para outros o que viram, em uma alegria incontida mas para a qual todos os demais fizeram pouco caso. Para os pastores Jesus era prioridade, para os demais moradores da pequena Belém, era noite de receberem seus parentes - a hospitalidade era uma obrigação levada a sério entre os judeus.
Não houve hospitalidade para o rei. Não que ele se importasse - ele não buscava a glória entre os homens, por isso escolheu a manjedoura e não o palácio. Ele não desejava bajulação, e sim adoração em espírito e em verdade. Ele não veio para disputar um trono, veio para ocupar seu trono.
Também os religiosos souberam da chegada do messias - Simeão e Ana estavam no templo quando o menino chegou para ser circuncidado - oito dias depois, segundo a lei (Lc 2:24: ...e para oferecer um sacrifício, segundo o que está escrito na referida Lei: Um par de rolas ou dois pombinhos). Deram testemunho de que aquele era o messias, aquele era o salvador aguardado. O templo nunca estava vazio, sempre havia sacerdotes, levitas, escribas, ofertantes, visitantes.
Simeão e Ana eram bem conhecidos, há décadas permaneciam por ali aguardando ver a chegada da “esperança de Israel”. E afirmam diante de todos que aquele menino era o redentor. Mas os religiosos estavam ocupados demais com sua religião, seu culto, suas cerimonias para darem ouvidos a dois velhos crentes.
Os religiosos do templo fazem pouco caso, como fizeram pouco caso os religiosos a serviço de Herodes que sabiam onde o messias nasceria, embora não se importassem em estar de prontidão para este nascimento.
Consultados, como bons técnicos e teóricos, deram a informação e voltaram aos seus livros. Se estranhos orientais acreditavam que o messias nascera, então, deveriam ir eles próprios procurarem em Belém da Judéia. Mas para eles isto era irrelevante - e eles não admitiam que estes estrangeiros soubessem mais sobre sua religião do que eles, afinal, eles eram "doutores da lei". O saber que possuíam não lhes movia o coração - nem mesmo os pés. Haviam chegado ao palácio, eram consultores reais, não havia desejo algum de lá sair - nem para ver o messias. Seus estudos eram sua prioridade.
Também os ricos souberam da sua chegada. Os magos orientais dispunham de recursos financeiros, tinham suas ocupações mas, mesmo assim, deixaram tudo para irem em busca do nascituro anunciado pela estrela. Foram recebidos no palácio, o que indica que possuíam uma comitiva que impressionou os judeus a ponto do próprio Herodes, em  toda a sua conhecida arrogância, aceitar recebê-los. Seus presentes eram valiosos, dignos de um rei - e para um rei ninguém daria uma ninharia, pelo contrário, foi seu ouro que financiou a chegada e estabelecimento de José, Maria e o menino Jesus no Egito com condições de se manterem adequadamente.
O notícia do nascimento do rei pôs Herodes e toda a Jerusalém em alarme, mas não pelo motivo correto - eles não saíram nem sairiam a procura-lo para beijá-lo. Herodes queria manter seu trono, manter-se no governo, e, portanto, queria saber apenas quem era o menino e onde estava para eliminá-lo o mais rapidamente possível - uma rápida olhada nos livros de história mostrará quão cruel ele era capaz de ser.
Quero destacar que os pastores assumiram ver o messias como sua prioridade naquele momento. Que Simeão e Ana tinham como prioridade verem a salvação de Israel - e isto durante a maior parte de suas vidas. Que os magos orientais assumiram como sua tarefa mais premente entregarem seus presentes, simbolizando seu reconhecimento de Jesus como rei, como profeta e como sacerdote.
E você, qual é a sua prioridade do momento? Está preocupado demais sobre quais presentes dar para agradar e, ao mesmo tempo, não se afundar em dívidas? E a organização da ceia, com frutas, bolos, assados? Esta é sua prioridade?
Sua prioridade deve ser reconhecer Jesus como o Filho de Deus, vindo em carne, o salvador que deve ser recebido e crido para se obter a salvação, pois a sua rejeição torna-te réu da justa ira de Deus, como o fizeram os judeus dos dias do ministério terreno de Jesus.
Como conclusão lembro aos amados o que o próprio Senhor Jesus diz a pessoas sábias:
...buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Mt 6.33


II: PESSOAS SÁBIAS PROCURAM A DEUS COM PERSEVERANÇA

...e insistentemente lhe suplicou: Minha filhinha está à morte; vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá.
Mc 5.23 
É possível alegar que, no caso dos pastores, não há como demonstrar perseverança, e eu admito esta possibilidade, entretanto, não deve ter sido muito fácil convencer outros colegas a cuidarem de seus rebanhos enquanto eles saíram para atender a uma alegada visão celeste. Aquele momento era a sua vigília, sua responsabilidade. Os demais queriam e tinham o direito de  dormir. Porque só eles, e não todos os que estavam nas cercanias, tiveram o privilégio de ver tão brilhante luz, visto anjos cantando tão maviosamente como eles descreviam?
Entretanto, o mesmo não se pode dizer de Simeão e de Ana. A história dos dois é uma história de perseverança e fé.  Em primeiro lugar, vejamos o que o evangelista Lucas fala de Simeão. São poucas palavras, mas profundamente reveladoras [Lc 2.25-35]:
Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, foi ao templo; e, quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazerem com ele o que a Lei ordenava, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo:
Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel.
E estavam o pai e a mãe do menino admirados do que dele se dizia. Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe do menino:
Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.
Não nos é revelado há quanto tempo Simeão aguardava, mas o fato é que ele aguardava e não desistiu de aguardar a chegada do messias. E quando, movido pelo Espírito Santo, foi ao templo, viu o menino, sabia que não havia mais nada a esperar, mais nada a aguardar. Seus anseios, seus maiores desejos, estavam, finalmente realizados [Sl 23.1: O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará).
O que podemos dizer de uma fé que afirma ter Cristo mas se deixa seduzir facilmente pelos oferecimentos do mundo? Que, dizendo ter Cristo, fica facilmente insatisfeita e revoltada quando não obtém determinados favores ou realizações no mundo? Será que tal fé é fé genuína (I Jo 2:15: Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele)?
O outro modelo de perseverança que pretendo colocar diante de nossas considerações é o de Ana. Ela também estava no templo, e ouviu as palavras de Simeão sobre o menino Jesus (Lc 2.36-38).
Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que se casara e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações. E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.
Uma simples consideração matemática nos leva a admitir que Ana aguardara, no mínimo, 60 anos pela chegada do messias. Por que tal inferência? Ora, uma jovem judia casava-se ainda jovem, com aproximadamente 16, 17 anos. Contando mais 7 de casamento, restavam, ainda, 60 anos até a atual idade dela, 84 anos.
Lucas afirma que Ana estava constantemente no templo, adorando dia e noite em jejuns e orações. Durante 60 anos aquela mulher aguardou a chegada do messias. Durante 60 anos ela orou e jejuou por ver aquele momento. Ela perseverou em sua adoração durante seis décadas até que compreendeu que suas orações haviam sido respondidas.
Mesmo depois disso, Ana entendeu que sua missão ainda não havia sido totalmente cumprida - cumpria-lhe testemunhar da chegada do messias, e todos os que aguardavam a realização da esperança de Israel puderam ouvir que o messias havia, finalmente, chegado (embora, provavelmente, poucos tenham dado crédito à voz de uma velha profetisa).
Isto ainda não é tudo. Ainda há mais um relato de tenaz perseverança. Três homens, de nomes desconhecidos, morando muito distante da Palestina, entenderam que em Israel havia nascido um rei muito especial. Se prepararam para uma longa viagem - centenas de quilômetros, atravessando desertos e correndo perigo de salteadores.
Muniram-se de ricos presentes pois, afinal, iam visitar não um rei qualquer, mas o rei que havia sido prometido pelo próprio Deus aos judeus, sem dúvida, um rei especial. Provavelmente ouviram alguma coisa sobre um rei que faria de Jerusalém o centro do mundo, para onde as nações afluiriam com presentes (Sl 72:10: Paguem-lhe tributos os reis de Társis e das ilhas; os reis de Sabá e de Sebá lhe ofereçam presentes).
Queriam ser os primeiros - e foram, realmente. Tal caravana não deixaria de atrair a atenção de salteadores, por isso, provavelmente, devem ter providenciado alguma forma de escolta - atraindo, assim, ainda mais atenção. Mas nada disso foi visto como trabalhoso ou impeditivo - e eles se colocaram a caminho de Jerusalém.
Sem aviões, limusines, carros ou qualquer outro meio de transporte rápido, mas em lombos de camelos e outros animais de cargas enfrentaram semanas de sol causticante até que finalmente avistaram os montes de Jerusalém. Mas ainda não era o fim, pois quando ali chegaram souberam que nenhuma criança havia nascido no palácio.
Todavia, não podiam desistir - não estavam enganados, e, enquanto não obtém a informação dada pelos escribas  não se movem(Mq 5:2: E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade). Sua perseverança é confirmada quando a estrela que haviam visto no oriente novamente é vista, agora sobre Belém, não mais sobre uma manjedoura, mas sobre uma casa (Mt 2:9: Depois de ouvirem o rei, partiram; e eis que a estrela que viram no Oriente os precedia, até que, chegando, parou sobre onde estava o menino).
O que estes exemplos nos ensinam é que devemos buscar ao Senhor perseverantemente (Mc 12:30: Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força) - o que não é a mesma coisa que aguardar os presentes ou as festividades natalinas ansiosamente. São coisas diferentes, e cabe aqui uma advertência para cada um de nós fazermos uma sondagem em nossos corações para sabermos se estamos procurando realmente o Senhor com perseverança, ou nos deixamos desanimar aos primeiros e mais simples obstáculos?
Os pastores podiam perder os seus empregos - mas Cristo era prioridade. Ana e Simeão aguardavam, ambos, talvez, por décadas - especialmente Ana, que nada mais fazia senão orar, jejuar e aguardar. Quantas semanas tem durado a sua esperança em Deus? Os magos podiam até morrer na travessia do deserto - mas tinham um rei divino a adorar.
A palavra final nesta seção é do profeta Oséias que nos exorta com sábias palavras para pessoas sábias:
Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.
Os 6:3


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