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sábado, 2 de julho de 2016

RAZÕES ÍMPIAS PARA NÃO HONRAR A DEUS: NÃO SE IMPORTAR COM O REINO DE DEUS

Malaquias é um profeta que lembra constantemente os termos da aliança de Deus com seu povo. O contraste bênção x maldição e a tônica de sua fala. Israel foi o povo escolhido para ser abençoado grandemente desde que andasse no caminho das boas obras preparadas por Deus para ele, todavia, Israel também seria disciplinado toda vez que se desviasse deste caminho.
A nota triste da história de Israel é que eles sempre “se desviavam pelo caminho” (Is 53:6) eram advertidos, em algumas situações se corrigiam, em outras se mostravam piores que as nações ímpias (Jn 3:5) a ponto de, enchendo a medida das suas iniquidades, serem enviados para o cativeiro babilônico até que tivesse chegado do tempo da restauração (Jr 32:37) vivido justamente nos dias de Malaquias.
Malaquias profetizava para um povo que havia sido liberto do cativeiro, como nós fomos libertos do império das trevas (Cl 1:13). Malaquias falava para um povo que era alvo do favor imerecido de Deus, como nós somos e só por isso não somos consumidos (Lm 3:22).
Malaquias falava para um povo satisfeito com seu estilo de vida, apainelando as suas casas (Ag 1:4) e que, como muitos hoje, transformaram a fé em pouco mais que uma ação mecânica, indo à Igreja de vez em quando a ponto de Deus chegar a afirmar que preferia que eles ficassem em casa, igreja fechada (Ml 1:10) para não ter que suportar ajuntamento em seu nome mas com corações carregados de iniquidades (Is 1:13).
Este povo para o qual Malaquias profetizava tinha mais uma razão iníqua no coração para não honrar a Deus. Era um povo que não dava a menor importância para a manutenção da casa de Deus e para a gloriosa expansão do conhecimento do seu santo nome entre os gentios (Rm 15:9), propósito de Deus com Israel e com a sua Igreja (Êx 19:6).
Vamos examinar como Israel expressava esta motivação:
Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida.
Ml 3.20

ISRAEL DESPREZAVA O REINO DE DEUS

Não vou cair na tolice de identificar uma instituição eclesiástica qualquer como o reino de Deus de uma forma absoluta, como o fazem algumas seitas religiosas, ao afirmar que se você não for parte daquela Igreja então você está do lado de fora do reino de Deus. Todavia, é óbvio que o reino de Deus é a Igreja, é o povo que ele comprou com seu precioso sangue e este povo se reúne em embaixadas visíveis, chamadas pelo próprio Jesus de “sua Igreja” (Mt 16:18) e pelos apóstolos de Igrejas (I Co 11:16).
Houve tempo em que Israel confiava no templo como se ele fosse o próprio reino de Deus como um amuleto ou um totem (Jr 7:4), mas, nos dias de Malaquias olhava para o templo como apenas a “sede da religião” (algo muito parecido com dizer “são só paredes”, e esta sede era tratada no mesmo nível de interesse e cuidado com que tratavam da sua religião do coração: construíam casas luxuosas e permitiam que o templo continuasse em ruínas. Investiam todos os seus recursos em seu conforto, interesse e prazeres – mas não tinham interesse em contribuir para a manutenção da casa e do culto de Deus.
A palavra do Senhor pela boca de Malaquias para Israel é para que traga todos os dízimos à casa do tesouro. Já afirmamos anteriormente que o que aconteceu com o antigo Israel é história e lição para nós (Rm 15:4). Israel não pode consertar mais seus erros – mas nós podemos e devemos. Conhecemos a história e não precisamos repeti-la. Israel não queria obedecer ao Senhor mantendo o culto ao Senhor – mas sempre estava disposto a construir templos e oferecer sacrifícios nos altos dos deuses pagãos.
Israel não obedecia ao Senhor por que seu coração não estava nas coisas de Deus. Aqueles israelitas não eram capazes de dizer que preferiam a porta da casa de Deus às tendas onde reinasse a perversidade (Sl 84:10). Este Israel babilonizado queria tendas luxuosas – e via como canseira e enfado ir à casa de Deus. Triste obrigação, lamentável formalidade, desperdício de dinheiro contribuir para um “clube religioso” no qual não tinham interesse algum. Seu coração não estava ali. Israel não contribuía porque não amava a casa de Deus. Israel não tinha interessem em contribuir porque não amava as coisas de Deus.
Israel não contribuía para a manutenção do culto simplesmente porque não fazia sentido para eles contribuírem para a manutenção de algo que eles não amavam e não consideravam importante. Israel não entregava todos os dízimos por que era ingrato e não apenas não amava mas em seu coração desprezava o reino de Deus (Ml 3:14). Para o falso Israel é inútil servir a Deus, de nada adianta guardar os seus preceitos e abrir mão das concupiscências mundanas é para eles como ter um morto na sala.

ISRAEL NÃO CONFIAVA NO DEUS QUE PROVÊ

Embora não houvesse tanta prosperidade e a segurança em Jerusalém fosse pouca mesmo assim nos dias de Malaquias casas estavam sendo construídas, vinhas sendo plantadas, trigo sendo colhido. O quadro já não era tão desolador como dos dias de Habacuque (Hc 3. 17-18). Havia figos e frutos nas vides, embora houvesse mantimento nos campos, ovelhas nos apriscos e gado nos currais faltava a alegria no Senhor e a exultação no Deus que salva. Era um quadro completamente antagônico: enquanto um tinha o necessário mas não tinha Deus, o outro tinha Deus, e conseguia viver alegremente com o que Deus lhes dava.
Conhecendo a dureza do coração e a falta de confiança que tinham em sua graça, o Senhor lhes faz um desafio: provai-me nisso. Pensem com seriedade na proposta que Deus este fazendo a este povo: vocês acham que é enfadonho e inútil me servirem, mas façam um teste – sejam fiéis e vejam o quanto serão abençoados. Deus não está propondo nenhuma troca do tipo me deem os dízimos (porque já eram dele) e eu vou dar muito dinheiro a vocês, até porque o amor de Deus é para com aqueles que dão com alegria (II Co 9:7) como a bíblia mostra ao registrar a história das ofertas entregues pelos irmãos Caim e Abel (Gn 4.3-5).
O que Deus, na verdade, estava dizendo é: experimentem viver de acordo com os termos da aliança e verá que um justo jamais mendigará o pão. Não é só uma questão de fé, mas de viver de acordo com a fé, cumprir o tríplice mandato – cuidar da criação, amar o próximo e cultuar a Deus, tudo fazendo para glória de Deus (I Co 10:31). Se você faz esperando receber, então isto não é fidelidade, é barganha, é troca – e está propondo uma troca para o dono do ouro e da prata (Ag 2:8), dos animais e dos campos, fonte de todas as boas dádivas – enfim, sempre que você oferecer algo lembre-se que este algo foi recebido das mãos do próprio Deus e ele só quer sua fidelidade expressa através da entrega de parte de seus bens, que para ele não tem nenhum valor (I Cr 29:14).
Se você não acredita que Deus pode suprir suas necessidades com 9/10 do que ele te dá, então, você confia mais no 1/10 que retém que no próprio Deus? Pense um pouco nisso – sua fé no Deus que provê é tão pequena que precisa ser amparada pela décima parte de sua renda?

ISRAEL NÃO CONFIAVA NO DEUS DA ALIANÇA

Israel dizia: “é inútil, não ganhamos nada – é como andar de luto”. O crédulo do sec. XXI diz: “que ganharemos? Qual a vantagem em ser religioso?”. E pregadores ávidos de seguidores prometem o céu na terra – alguns chegam mesmo a prometer terra, com título e tudo, no céu. E, enganados e enganadores, vão se abraçando num aperto insano e mortal.
A promessa de Deus para os fiéis é abrir as janelas do céu, é derramar bênçãos sem medida. Você já parou para pensar se sua religião pode ser resumida em “confiar no Deus da aliança”. Antes de responder, deixe-me te lembrar quais são os termos da aliança de acordo com as palavras do próprio Deus (Jr 31:33).
Em primeiro lugar, vamos tratar da parte superior desta aliança de suserania, de governo e de manutenção. Deus diz que vai ser o seu Deus. Isto lhe parece pouco? O Senhor do universo, o criador de todas as coisas, o sustentador de tudo quanto há diz que vai cuidar pessoalmente de você, de cada detalhe de sua vida. Nem um ato, nem um pensamento, nada, absolutamente nada vai estar fora do seu raio de ação. Deus está dizendo que colocará todo o seu ser onipotente, onipresente, onisciente em completa e íntima ligação contigo e ninguém poderá te separar dele (Rm 8.38-39).
Em segundo lugar, tratamos da parte governada. Ele está dizendo que você lhe pertencerá – e que ele vai governar sua existência provendo a satisfação de todas as suas necessidades, estabelecendo um caminho de retidão (Ef 2:10) e, à medida que você anda nelas, terá seu coração moldado e os desejos de seu coração estarão em tal harmonia com a Sua vontade que serão todos satisfeitos (Sl 37.4-5) e você, então, poderá experimentar a vontade de Deus como Habacuque experimentava: reconhecendo ser ela boa, perfeita e agradável (Rm 12:2).
Em terceiro lugar, precisamos tratar do tipo de aliança que Deus estabeleceu – e os termos dela podem ser encontrados em Dt 28. Deus estabeleceu uma aliança condicional, isto é, ele, soberanamente, propôs termos que incluíam perfeita obediência, submissão incondicional e serviço voluntário e, em decorrência do cumprimento por parte dos seu servos, ele supriria todas as suas necessidades sociais, familiares e econômicas (Dt 28.11-12) mas, ao mesmo tempo, em caso de desobediência, os faria perecer (Dt 28:45). E mesmo para os faltosos Deus estabeleceu a oportunidade de conserto, de arrependimento (Is 1.18-20).

CONSIDERAÇÕS FINAIS

É curioso que no tempo em que há mais Igrejas sendo espalhadas pelos quatro cantos das cidades seja justamente o tempo em que a Igreja seja mais desprezada por seus sempre insatisfeitos frequentadores.
Israel, em primeiro lugar, desprezava o reino de Deus porque desprezava Deus. Você investe no que ama – Israel não amava o reino de Deus, portanto, não levava os seus dízimos para a casa do tesouro que Deus estabeleceu como expressão visível de seu reino invisível.
Em segundo lugar, Israel não confiava em Deus. Sua confiança estava no quanto pudesse ajuntar em seus celeiros, no quanto de ouro e prata pudesse colocar em seus cofres – coisas que eles podiam fácil e rapidamente perder. Seus valores eram terrenos e não eternos.
Em terceiro lugar com sua desconfiança em Deus e seu desamor para com o reino Israel se esquecia que com isso causava dano a si próprio porque deixava de ser objeto da bênção de Deus e passava a ser alvo da sua maldição por causa de sua própria desobediência.
O novo Israel tem cometido os mesmos erros. Tem voltado seus olhos para a terra, tem feito aliança com políticos, tem esperado dos poderes deste mundo que solucione os seus problemas, que publique leis que lhe sejam benéficas, se esquecendo que a lei maior a ser obedecida é a de Deus – e que ele move o coração dos reis quando bem entende, portanto, sua aliança tem que ser com o santo Rei dos reis, e não com reis vassalos e ímpios.
O novo Israel tem cometido os mesmos erros. Pergunte para você mesmo: em sua ordem de prioridade na semana, onde está o reino de Deus. Ler a constituição do reino é sua prioridade? Conversar com o rei é sua prioridade? Servir aos seus conservos é sua prioridade? Juntar-se a eles para agradecer o bem que o rei lhe faz é sua prioridade? Quantas vezes por semana você congrega? Quanto tempo você ora? Quanto tempo você dedica à leitura das Escrituras? Como é a sua contribuição – você, diante de Deus, passaria no teste da fidelidade e da liberalidade?
São suas práticas que demonstram os valores do seu coração. Era relativamente fácil chegar em algum lugar e destruir uma estátua, como fez Gideão – mas destruir o ídolo interior do coração dos homens é muito mais difícil (Jz 6:31). É relativamente fácil se tornar membro de uma Igreja cristã – mas somente quem verdadeiramente nasceu de novo torna-se parte do reino de Deus (Jo 3:3).
Você tem certeza que é parte deste reino? Já se converteu? Já nasceu de novo? Já existem evidencias disto em sua vida? Se não, arrepende-te. Crê e seja salvo pelo Senhor (At 2:38). Não adianta você me dizer: já sou membro de Igreja – você precisa ser é membro do reino de Deus e isso precisa transparecer em sua mente, através do arrependimento, em seu coração, através de uma conversão de caminhos para Deus, e em sua vontade, através da prática de obras que demonstrem o que você diz ter no coração e na mente (At 26:20).

segunda-feira, 6 de junho de 2016

RAZÕES ÍMPIAS PARA NÃO HONRAR A DEUS

É provável que você não desejasse estar aqui hoje. Talvez você quisesse ver outra coisa. Talvez preferisse ouvir outra coisa. Talvez sua vontade fosse estar fazendo outra coisa. Talvez seu coração desejasse ouvir algum discurso mais rápido – ou uma pessoa mais eloquente, mais agradável. Mas me permita lembrar o que a bíblia diz sobre o nosso, o meu e o seu, coração: ele é enganoso. Ele quer muito o que geralmente não é sua mais real e profunda necessidade.
Mas há uma coisa que eu preciso que você saiba: Deus não quer que você saia daqui sem antes falar ao seu coração (Is 55:11). Deus quer falar com você para transformar sua mente, sua vontade, suas emoções, enfim, Deus quer falar com você para tratar com seu coração. E ele designou este momento, este pregador, para instruir seu coração pela verdade da Escritura, para repreender sua consciência pela santidade da Escritura, para nutrir seu Espírito pela admoestação da Escritura, para restaurar sua alma pelo poder restaurador da verdade da Escritura.
Nosso tema desta noite trata das razões do coração, razões ocultas que muitos têm para não honrar a Deus. E quero falar daqueles que não temem serem amaldiçoados por Deus.
Porque as pessoas não temem a Deus? Porque não acreditam em seu caráter – porque não acreditam no que ele fala de si próprio ou porque não conhecem nada sobre seu caráter porque não conhecem ou não querem conhecer nada de sua revelação. A acusação feita por Deus aos sacerdotes daqueles dias pelo profeta Oséias (Os 4:6) pode ser dirigida aos novos sacerdotes da era cristã – os discípulos de Jesus do sec. XXI (I Pe 2:9).
Uma das mais cruéis mentiras ditas a respeito de Deus é que ele é um Deus tão amoroso que não lançará ninguém no inferno. Segundo os mentirosos que se autoproclamam mensageiros de Deus ele não condenaria ninguém, nenhuma de suas criaturas, e, no fim, até o próprio satanás poderia ser salvo. Lamentavelmente muitos tem falado estas coisas e muitos, muitos mesmo, tem acreditado nestas mentiras que são repetidas, repetidas, e repetidas até que para os ouvintes isso pareça verdade. 
É uma mentira comum nos meios não cristãos e muito constante nos meios pseudo cristãos que, de tanto descaso e descrença na justiça de Deus consideram apenas a provação como o máximo de punição que Deus poderia dar a alguém, numa espécie de purgatório na terra – e consequentemente a doutrina da cruz acaba esquecida, a doutrina da redenção deixa de ser anunciada e os pecadores não consideram importante arrependerem-se de seus pecados, se converterem a Deus e terem, deste modo, seus pecados perdoados (At 3:19). Mas isto não é novo, como já dizia o sábio Salomão (Ec 1:9), e já era absurdamente comum nos dias de Malaquias:
7 Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós outros, diz o SENHOR dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?
8 Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.
9 Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda.
Ml 3.7-9

UM POVO ENDURECIDO E NÉSCIO QUE NÃO APRENDE COM SUA PRÓPRIA HISTÓRIA

7 Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós outros, diz o SENHOR dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?
É bem conhecido o adágio que diz que “um povo que não aprende com a sua história tende a repetir os mesmos erros”. Este ditado é particularmente aplicável à história de Israel – murmuradores e desobedientes na saída do Egito, desobedientes e apóstatas durante o período dos juízes, afundando em idolatria e paganismo durante os dias dos reis. Avisados por Moisés, reiteradamente avisados pelos juízes, insistentemente advertidos pelos profetas (II Rs 17:13), especialmente por Isaías (Is 1.18-20) eles não aprenderam nem mesmo tendo passado pelo duro período de exílio babilônico voltaram à sua terra por causa da fidelidade de Deus e não da fidelidade de Deus e apesar de sua própria infidelidade (porque eu o Senhor não mudo). A maneira como eles haviam sido identificados por Deus, como um povo de dura cerviz, os descrevia perfeitamente (II Rs 17:14).
Geralmente somos muito rápidos para condenar um povo assim. Também somos rápidos para condenar quem não aprende com os próprios erros, como, por exemplo, o jovem que é preso roubando e, quando sai da prisão, comente novos crimes e é preso novamente. Condenamos também a jovem que, cedendo às inclinações pecaminosas da carne, engravida sem querer de um jovem qualquer, pouco tempo depois engravida novamente… ou de um usuário de drogas ou alcoólatra que passa por tratamentos de desintoxicação e logo tem uma recaída. E estamos certos – eles estão errados e deveriam aprender com seus erros.
Nós sempre dizemos – “eles não querem aprender”. Mas não era assim com Israel? Deus lhes diz: voltem, voltem! Corrijam seus próprios erros. Consertem seus maus caminhos, mudem seus maus hábitos, façam a coisa certa (Is 1.16-17). O problema de Israel não era que eles não soubessem o que fazer – eles não queriam fazer o que sabiam ser seu dever (Tg 4:17). Israel era um povo difícil.
Mas… mas… sempre tem um “mas”… parece que as coisas não mudaram muito – o povo que se chama pelo nome de Deus continua sendo um povo de dura cerviz. Não apenas o povo de antes de Cristo, mas também foi de dura cerviz nos dias de Cristo e continuaram a ser depois da descida do Espírito Santo (At 7:51).
Assim como Israel não aprendia com seu erros, o novo Israel também não tem aprendido. Havia descompromissados nos dias passados (Jr 48:10) e certamente há iguais nos nossos dias. Havia desobedientes nos dias de Malaquias – como os há atualmente. Certamente havia aqueles que não aprendiam com seus erros e tampouco com os erros de seus pais, como hoje existe os que não aprendem com os erros do antigo Israel e nem com os seus próprios erros – sim, ainda temos, no meio do povo de Deus, um povo endurecido e néscio que não aprende com sua própria história – e talvez pior que Israel, porque Israel ao menos conhecia a sua história.

UM POVO ENDURECIDO E CEGO QUE NÃO ACEITA SER ADVERTIDO DE SEUS ERROS

8 Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.
“É o meu trabalho”. Com esta frase um jovem, muito jovem, definiu a sua opção pelo mundo do crime. “É um trabalho como qualquer outro”, muitos defendem, por exemplo, a prostituição. Lamentavelmente estas frases não evidenciam uma resposta hipócrita ou zombeteira – elas são expressão de uma visão de mundo que acredita ser natural a transgressão dos mandamentos do Senhor, pois, em alguns casos, já deixou de ser transgressão de leis civis porque estas são uma construção social e já se tornaram normativas (Os 4:2) a ponto de sobre elas até impostos serem cobrados (Ml 2:17).
Ageu, contemporâneo de Malaquias, faz uma contundente descrição do descaso com que Israel tratava as coisas de Deus (Ag 1:4) e uma das expressões desde descaso era a infidelidade ao mandamento de contribuírem para a manutenção do templo (Dt 14:22). Sua infidelidade de contribuição era apenas uma inescapável consequência de sua infidelidade de coração (Mt 15:8). Que outra explicação há para investir o (não tão) excedente em painéis (que era a mais moderna moda, assimilada da babilônia onde haviam passado algumas décadas como escravos) e não contribuírem para a casa do Senhor?
Tudo não passava de uma questão de prioridade – e honrar a Deus não era sua prioridade porque não acreditavam na fidelidade, não criam na justiça nem na bondade de Deus. Infelizmente podemos facilmente constatar que muitos cristão são piores que os fariseus – aqueles eram criteriosos mantenedores da sua religião, ainda que sem atentarem para a reta justiça, destituídos de misericórdia e incrédulos, enquanto estes preferem serem considerados roubadores e desobedientes (Mt 23:23). Reflita comigo: um roubador pode ser considerado uma pessoa justa, uma pessoa bem aventurada (Mt 5:6)? Um roubador pode ser considerado uma pessoa que ama a misericórdia e confia em Deus para sua provisão (Ml 3:10).
O chamado do Senhor é para que Israel “torne”, isto é, restitua o que foi roubado. Diferente de Zaqueu, que deu metade do que possuía aos pobres e ainda prometeu devolver quatro vezes mais se, porventura, tivesse defraudado alguém, Israel faz pouco caso e zomba do chamado de Deus para devolver o que havia retido injustamente.
É, não nos devemos deixar iludir com uma consciência cauterizada: um roubador é e será sempre um transgressor, um rebelde desobediente, exatamente igual aos fariseus, porque, assim como Deus não se agradava de suas ofertas porque não se agradava deles, também não se agrada dos roubadores porque não se agrada deles (Os 7:1) devido a sua desobediência e vã cobiça (Mt 6:19).
Porque muitos membros da Igreja se negam a honrar a Deus com as primícias e os dízimos de suas rendas? O pior problema é que, como o antigo Israel, o novo Israel não quer que seus pecados sejam denunciados, que suas más práticas sejam expostas diante de si mesmos – mas a boa notícia que o convite feito ao antigo Israel permanece vigente. O Senhor ainda diz: “vinde, pois, e arrazoemos”. É como se Deus dissesse: “Venha até mim, e me diga o que te leva a ficar com o que me pertence. Me exponha suas razões”. E talvez você diga que ganha pouco, que não ganha o suficiente, que tem que realizar determinados projetos. Talvez você ame mais os seus cosméticos… o seu carro… sua casa… sua aparência com seus calçados e roupas… seus gatos… seu cachorro… seu celular e seus joguinhos… e afinal Deus vai desnudar seu coração e você vai ver que a razão é que você não o tem como prioridade, que você não confia que ele seja capaz de te manter se você devolver apenas a décima parte e ficar com a maioria dos seus ganhos. No fundo, no fundo, você não o ama o suficiente e tampouco ama a sua obra.

UM POVO ENDURECIDO E REBELDE QUE NÃO TEME TER SEUS PECADOS PUNIDOS

9 Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda.
Uma regra básica de cuidado de filhos é não prometa o que você não pode ou não pretende cumprir. Provavelmente eu e você falhemos nisso mais do que gostaríamos – especialmente quando prometemos coisas boas. Também falhamos quando prometemos disciplinar e não o fazemos. Israel achava que Deus não o julgaria – mesmo já tendo feito isso inúmeras vezes ao longo da história e curiosamente achava que suas restaurações eram tudo menos indicativos do julgamento de Deus sobre suas más ações (Is 26:10).
Israel cometia a tolice de pensar que suas más obras poderiam passar desapercebidas aos olhos do Senhor (Sl 94:7) esquecendo-se que o Senhor está absolutamente atento ao que fazem os filhos dos homens (Sl 113.5-6) e que retribuirá a cada um segundo as suas obras (Ap 22:12) pois conhece cada detalhe do que fazem suas criaturas (Jó 31:4).
O problema é que Israel não queria contribuir com seus dízimos e suas ofertas para sua própria edificação espiritual – ou que outros o fizessem ou, pior ainda, que ninguém o fizesse porque não desejava ser edificado. Israel não queria que ninguém lhe dissesse sobre o Deus vivo e verdadeiro porque isto significava que este Deus vivo e verdadeiro exigiria plena obediência, submissão da vontade entrega total de si mesmo (Mt 22:37). No fundo eles não queriam investir numa religião que lhes denunciava seus pecados, que lhes exortasse ao arrependimento, à conversão e a uma vida digna diante do Senhor seu Deus (Mq 6:8).
Só que, ao fazer isso, eles estavam desobedecendo a Deus e à aliança que fora estabelecida por Deus com eles. E é curioso que o estatuto do dízimo é colocado numa sequencia imediata do abandono da idolatria e do autogerenciamento (vd. Dt 12.1-9), mas, antes disso, Deus lembra que a obediência seria recompensada com muitas bênçãos, todavia, a desobediência seria recompensada com maldições (Dt 11:26-28).
Deus não deixou de ver. Deus não é menos justo nem menos poderoso. Ele ainda abençoa e ainda disciplina. Esta é a mensagem dos profetas Ageu, Oséias e Malaquias. Esta é a mensagem da Palavra de Deus para o povo de Deus, em todas as épocas e em todos os lugares. Por acaso o seu Deus só lhe serve para ser fonte de bênçãos? Então, não é o Deus das Escrituras, assim como um Deus somente exigente e punitivo também não é o Deus revelado nas sagradas páginas. Mas não se deixe enganar – o braço do Senhor ainda pode te alcançar mesmo nos confins da terra, aqui em Xinguara (Sl 139.7-9), tanto para derramar bênçãos sem medida como para disciplinar e corrigir aqueles a quem ama (Ap 3:19).
O que você precisa entender neste momento é que Deus não mudou – ele é o mesmo sempre (Ml 3:6). O antigo Israel acreditava que Deus não os puniria e colheu frutos amargos. O novo Israel que provavelmente crê na mesma mentira satânica repetida inúmeras vezes ainda tem tempo de arrependimento, ainda pode atentar para a voz de Deus que afirma categoricamente que não deixará os pecados impunes (Sl 94:10). Não faça parte de um povo que, voluntariamente, se faz réu e se afasta do caminho da bênção para se colocar sob a maldição do Todo Poderoso.

O NOVO ISRAEL AINDA PODE CORRIGIR SEUS CAMINHOS

O que para o antigo Israel é apenas história para o novo Israel é oportunidade de arrependimento e mudança. O que foi uma história de constantes disciplinas por causa da maldição divina sobre um povo rebelde é, para nós, exemplos a serem evitados. A história de Israel é a história do povo de Deus – é a história do coração do homem. É a minha história, é a sua história. É a história da Igreja de Deus, é a história da Igreja Presbiteriana. É, com certeza, a história da Igreja Presbiteriana em Xinguara.
É muito comum acusar Israel de dureza, necedade, cegueira e rebeldia. Quão habilidosos são os crentes do presente em ver os argueiros nos olhos daqueles que já passaram. Somos até capazes de ver como erramos em escolhas feitas no passado – mas ainda estamos engatinhando na arte de reconhecer os erros do presente. Israel errou. Errou por ser um povo endurecido e néscio, que não aprendeu com sua própria história – afastando-se constantemente de Deus e sofrendo por isso (Os 4:6). Israel errou, errou por se deixar tornar um povo endurecido e cego, que não aceitou ser advertido por seus erros, nem com amor, nem com juízo (Is 1:3). Israel errou, errou por permitir que seu coração se endurecesse e se rebelasse contra o Senhor sem temer que seus pecados fossem punidos, mesmo sabendo que para Deus a rebelião e a obstinação mereciam o mesmo julgamento que a feitiçaria e a idolatria e traz como consequência a rejeição por parte de Deus (I Sm 15:23).
Mais uma vez, Deus não mudou. E ele ainda te convida a ir a ele e corrigir seus maus caminhos. A primeira coisa que precisa ser corrigida é a dureza de coração. Você precisa olhar para você mesmo e ver o quão pecaminoso você é – e se arrepender de seus pecados. Arrependimento é mudança de mentalidade, é uma nova percepção a respeito do que se é e do que se faz. É perceber que em você não habita bem intrínseco algum (Rm 7:18) e que sem a graça de Deus só lhe resta, realmente, o desespero (Rm 7:24). A segunda coisa que precisa ser corrigida é a direção de sua vida. Desde Adão e Eva o homem quer dirigir os próprios destinos – e sempre encontra a morte no fim da jornada (Pv 16:25). Você pode tentar e tentar, mas ao cabo sempre será caminho de morte. Tudo o que você fizer resultará em caminho de morte – a alternativa é que alguém morra por você – por isso você precisa se converter de seus maus caminhos e fazer dele, aquele que morreu por você, seu caminho (Jo 14:6). A terceira coisa que precisa ser corrigida é aquilo que você faz. É praticar aquilo que demonstre que você realmente entendeu o que significa confessar a Cristo como Senhor e salvador. Ele não é somente salvador – ele não é só aquele que salva o homem de seus pecado. Deus o fez Senhor e Cristo (At 2:36), e, sendo Senhor, ele tem direito de exigir de você, que se diz seu servo, obediência absoluta especialmente com a quantidade de conhecimento que você tem agora (Lc 12:48).
Alguém poderia dizer – mas, tudo isso por causa do dízimo. É claro que não. Não seja tolo. Deus não precisa de seu suado dinheirinho. Se não é com alegria, então Deus não tem prazer em receber (II Co 9:7) e melhor seria que as portas da Igreja estivessem fechadas (Ml 1.10). Se você não fizer, Deus continuará sustentando sua obra. Jerusalém foi reedificada nos dias de Neemias com dinheiro de Artaxerxes (Ne 2:8). Paulo foi para Roma e ali evangelizou a casa de César com transporte providenciado pelo próprio império romano. É por causa do seu coração. É por causa da sua alma. É porque, se você não se arrepender e não se converter, você nunca terá a motivação correta para praticar o que o Senhor requer de ti. Você pode até dizimar, pode até ofertar, como Caim e Saul – mas sua oferta será inútil e ofensiva (Gn 4:5) e seu dízimo reprovável como o dos ricos contrastados com a viúva pobre (Mc 12:44).
Sabe, você pode sair daqui hoje dizendo: nada a ver. Não vou mudar. Deus tenha misericórdia de sua alma. Ou pode sair daqui como o publicano no templo, e exclamar: Senhor, sê propício a mim, pecador (Lc 18:13). Há coisas que você decide, você é responsável – como nos dias de Josué, quando o antigo Israel é chamado para escolher a quem servir. Como vai ser? A quem vai servir?

terça-feira, 9 de junho de 2015

SIM, ELES ESTÃO CERTOS

Por favor, antes de se escandalizar com o título acima, peço-te que tenhas um pouco de paciência e leia um pouco mais.
Tenho acompanhado a gritaria generalizada causada pela caminhada homossexual – masculina, feminina, ativa, passiva e até mesmo daqueles que aprovam tais áticas, e sei que muito do que houve é uma questão de marketing – os inimigos da cruz sabem que seu movimento, sem a generosa (mas ainda com alguma) ajuda estatal de outrora tende a minguar, conseguindo levar apenas 20.000 pessoas para a Avenida Paulista (ainda ganha do PT, mas, hoje em dia, ganhar do PT é bater em bêbado caído).
Tem muito “cristão” aproveitando o escárnio promovido pelos desesperados marqueteiros homossexuais para aparecer, alguns chegando ao ponto de mandar para o inferno seus promotores e participantes. E acredito que mais evangélicos postaram fotos como a que vai abaixo do que os próprios homossexuais. Confesso que relutei muito em escrever a respeito, mas o coração do pastor não pode se esquivar a pastorear. O que dizer para o povo de Deus?
Os que tinham que amaldiçoar, já o fizeram. Os que culpam a própria Igreja pela ação dos homossexuais também já foram politicamente corretos. Houve quem lembrasse que algumas Igrejas, até mesmo algumas históricas, já admitem homossexuais em suas fileiras. Sim, eles podem fazer parte da Igreja visível, mas, jamais, da Igreja invisível. Podem ganhar cargos na Igreja terrena, mas não herdarão o reino do céu os que tais coisas praticam.
Talvez o título escolhido tenha te causado alguma forma de suspeita ou escândalo, e, peço-te, seja um pouco mais paciente comigo, especialmente se você já me conhece, já conhece meus textos e sabe do meu posicionamento de jamais torcer ou negociar qualquer princípio oriundo da Palavra de Deus.
Quem são estas pessoas que tomaram a decisão de colocar alguém em um carro alegórico, como uma cruel alegoria, que, sem saber, remete à condenação divina, à maldição, sobre o que eles pretendem promover? Talvez não saibam, ou, muito provavelmente, muitos devem saber, que eles e suas praticas não são estranhos às Escrituras. O apóstolo Paulo, já há mais de 1900 anos, os descrevia com uma riqueza de detalhes impressionante ao escrever para os romanos, tão lascivos quanto os brasileiros do sec. XXI:
Rm 1.28 E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, 29 cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, 30 caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, 31 insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia. 32 Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem.
Observe que, em primeiro lugar, Paulo diz quem eles são. Seus nomes? Desnecessário referir. Pode ser João ou Joana, Michael ou Michele, o que é fato é que Deus os descreve como “desprezadores do conhecimento de Deus e entregues a uma disposição mental reprovável” e por isso são capazes de praticarem “coisas inconvenientes”. Eles consideram o conhecimento de Deus, sua revelação, sua Palavra, sua vontade como coisa de pouco ou nenhum valor. Se voltaram contra o criador, se tornaram seus inimigos e a punição de Deus é simplesmente entregá-los a si próprios, às suas cisternas rotas e caindo de abismo em abismo (Sl 42:7 - Um abismo chama outro abismo, ao fragor das tuas catadupas; todas as tuas ondas e vagas passaram sobre mim). Eles não estão fazendo nada para o qual não tenham sido designados por sua própria rebeldia e pela soberania divina. Estão agindo de acordo com a sua própria disposição mental – são reprováveis, estão reprovados e receberão a paga por suas ações ímpias (Sl 1:4 - Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa).
Observe, ainda, em segundo lugar, que Paulo descreve o que eles fazem: suas ações são motivadas pela injustiça, malícia, avareza, maldade; são invejosos e homicidas, contenciosos, cheios de intenções más e dolosas, carregadas de malignidade, difamadores, caluniadores, destituídos de amor de Deus e de amor a Deus, pelo contrário, são insolentes e soberbos, presunções e inventores de males, desonram aos pais em sua insensatez e perfídia, sua afeição homossexual não é natural e não sabem o que é ter misericórdia. É uma dura descrição, mas é uma descrição verdadeira porque inspirada por Deus, e corresponde à realidade porque o Deus verdadeiro não mente nem se engana.
Por fim, sua atitude de afronta à fé, de colocar-se contra Deus evidencia o que Paulo coloca em sequência e como conclusão de seu pensamento: os homossexuais (GLTB) conhecem a sentença de Deus, sabem que são passiveis de morte e se levantam insolentemente contra o Senhor e seu ungido (Sl 2.1 - Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? 2 Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo: 3 Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas. 4 Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles). Não, eu não esqueci do “S”. Também os simpatizantes, não importa que grau de parentesco tenham com os homossexuais, também estão sob a sentença de Deus. Quando aprovam o que tais insolentes e presunçosos fazem, tornam-se tão merecedores da recompensa quanto eles.
Por fim, talvez você esteja perguntando: e o título, pastor? Porque o Senhor disse que eles estão certos? Mais uma vez, peço um pouco de sua paciência para seguir meu raciocínio. A cruz é lugar de maldição. A cruz é lugar de suplício para aqueles que estão sob a maldição de Deus (Dt 21:23 - ...o seu cadáver não permanecerá no madeiro durante a noite, mas, certamente, o enterrarás no mesmo dia; porquanto o que for pendurado no madeiro é maldito de Deus; assim, não contaminarás a terra que o SENHOR, teu Deus, te dá em herança). O homossexualismo é abominação aos olhos do Senhor e, como tal, seus praticantes e apoiadores receberão a justa retribuição e serão lançados em condenação eternas (I Co 6.9 - Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas). Sim, eles estão certos porque a cruz é o seu lugar. Sem perceber eles estão, em sua insensatez, dizendo ao mundo inteiro que aquele é o lugar que merecem estar. Sim, a cruz é lugar para homossexuais masculinos. A cruz é lugar para homossexuais femininos. A cruz é lugar para efeminados. A cruz é o lugar para quem, embora mudando sua estrutura física, não pode mudar sua essência. Sim, a cruz é o seu lugar de direito. Eles, realmente, merecem aquele lugar.
Porque me incomodaria com o fato de eles assumirem o lugar que lhes é de direito? A cruz não é meu lugar – era, eu merecia, eu mereço, mas Cristo já encravou na cruz o meu débito (Cl 2:14 - ...tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu- o inteiramente, encravando-o na cruz), ele foi pregado nela para que eu não precisasse estar lá. Sim, eu merecia estar lá, mas ele, o justo, aquele sobre quem continuam tentando cuspir no rosto com suas blasfêmias, tomou o meu lugar (I Pe 3:18 - Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito).
Sim, eles estão certos, aquele é mesmo o seu lugar de direito. Não é o lugar de crentes no Senhor Jesus, não é o lugar daqueles que o receberam como Senhor e salvador. E, também, não é nem mesmo o lugar do meu Senhor Jesus. O meu Jesus, o Jesus das Escrituras não está mais lá – como, também, não está mais no túmulo. Ele está assentado num alto e sublime trono, e em breve, virá trazer a recompensa – mesmo que algumas pseudo Igrejas, que um dia ouvirão do Senhor Jesus a dura frase “nunca vos conheci” (Mt 7:23 - Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade) tentem tirar de sobre eles a condenação. Não cabe a nós reivindicar justiça, abrir processos nos tribunais seculares nem mesmo amaldiçoar ninguém com as penas do inferno (Mt 5:39 - Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra). Assim como não conseguimos tirar ninguém de lá, também não conseguimos mandar. Como cristãos, ao invés de reivindicar vingança esperemos a ação de Deus (Dt 32:35 - A mim me pertence a vingança, a retribuição, a seu tempo, quando resvalar o seu pé; porque o dia da sua calamidade está próximo, e o seu destino se apressa em chegar) e clamemos pela volta do Senhor Jesus, não mais em humilhação, mas em poder e glória. E, enquanto isto, anunciemos o perdão daquele a quem rejeitam blasfemamente: Jesus – perdão possível, inclusive, para GLTBS (Mt 12:31 - Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada).

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

SÉRIE PERSONAGENS: NOÉ E SEUS FILHOS

Quando um justo "faz o que todo mundo faz" as consequências podem ser trágicas.
A arca era um ambiente seguro - mas cumpria apenas um propósito. E, depois de cumprido, era necessário que fosse abandonada. 
Noé não tinha coração idólatra, não tinha interesse em guardar relíquias - e logo que saiu da arca usou parte dela para fazer um sacrifício ao Senhor.
O patriarca tomou alguns cuidados: construiu um altar, ofereceu animais “limpos” a Deus. Antes mesmo da lei ele já sabia o que seria aceitável ou não como sacrifício ao Senhor. Que tipo de sacrifício foi este?
Embora alguns queiram entender o sacrifício de Noé como uma confissão que era pecador e não merecia ter sobrevivido isto não se adequa ao contexto, que indica muito mais uma oferta pacífica, um culto de gratidão ao Senhor pelos benefícios feitos (Ex 20.24). Isto não significa, entretanto, que Noé não tivesse consciência de quem ele era - um pecador.
UM PROPÓSITO IMUTÁVEL
Mesmo depois do dilúvio o eterno propósito de Deus permaneceu inalterável. Os filhos de Adão ainda tinham incumbências a cumprir, e Noé os abençoa e eles são instruídos acerca da obrigação de encher a terra (Gn 9.1).
Como no Éden, foi-lhes dado domínio sobre a criação, com duas alterações fundamentais: a criação, embora sujeita, teria o homem como motivo de pavor e medo (v. 2) porque passaria a ser não apenas governada mas explorada (v. 3) como fonte de alimento, com a restrição referente ao sangue.
Deus mostra a necessidade de respeitar a “imago Dei” ainda presente no homem: decaída, deformada, em alguns quase imperceptível, mas, mesmo o pior dos seres humanos ainda guarda algo da imagem de Deus, cuja vida deve ser valorizada - a ponto de a punição para uma afronta à mesma ser a pena máxima, a pena de morte, instituída pelo próprio Deus (v. 6).
UM DESCUIDO IRREPARÁVEL
Alguns anos depois [houve tempo para Noé plantar uma vinha, colher uvas, fazer vinho) Noé comete um erro que resultou em danos para sua família: entregou-se ao vinho. Não há reprovação ao plantio da vinha ou fabricação de vinho, entretanto, nem tudo que é lícito é conveniente, e temos uma clara demonstração de que a embriaguez pode causar danos irreparáveis a uma família. Certamente Noé não foi o primeiro a embriagar-se (Lc 17.27), o que nos alerta para o enorme perigo espiritual de “fazer o que todo mundo faz” que pode trazer consequências sobre nós e sobre aqueles que estiverem próximo de nós. A bebedice do patriarca trouxe grande tristeza sobre sua descendência por causa da irreverência de seu filho, Cam, que acabou amaldiçoado, junto com seus descendentes.
CONSEQUÊNCIAS TERRÍVEIS
Ébrio, Noé deixou-se cair bêbado em sua tenda, e seu filho, Cam, não apenas viu a sua nudez de seu pai como não teve o cuidado que deveria ter tido (v. 22), deixando de dar-lhe a honra devida (Ex 20.12). Por  causa de  sua irreverência, contratada com o respeito demonstrado por seus irmãos (v. 23), Cam foi amaldiçoado pelo próprio pai - era seu dever, como sacerdote da família. Cam e seus descendentes se tornariam servos de seus próprios irmãos por seu patriarca não ter dominado sua vontade eles teriam sua vontade sujeita aos demais.
Não é correto, mais do que isso, é uma tolice afirmar que o sofrimento dos palestinos seja fruto da maldição sobre Cam, uma vez que eles são descendentes de Sem (são filhos de Ismael, filhos de Abraão, portanto). De Cam saíram nações etíopes, egípcias, persas e canaanitas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Algumas breves considerações sobre esta triste passagem a respeito do patriarca Noé.
Deus não desistiu de contar-nos a história de Noé apenas porque ele cometeu um erro - ela nos foi contada apesar do erro que ele cometeu, o que nos serve de instrução (Rm 15.4) e corrobora a verdade bíblica que não há quem não peque (Ec 7.20), mesmo um homem que o próprio Deus considerou justo e íntegro (Gn 6.9). Lembre-se: acertos passados não equilibram erros presentes (Tg 2.10).
Deus não desistiu de seu propósito por causa da infidelidade dos homens, nem mesmo de seus mais dedicados servos (II Tm 2.13). Todas as exigências feitas a Adão, todas as determinações originais permaneciam sobre os homens, mesmo depois da queda, por isso o alto valor que Deus dá aos seres humanos (Gn 9.6).
Ser como todo mundo, como Noé foi, ainda que por pouco tempo, pode trazer consequências irreparáveis, danosas para si mesmo e para o próximo (Rm 2.24). Nem sempre é suficiente não fazer o que Deus proíbe, mas o ideal é só fazer o que Deus manda (Sl 119.4). Fazer a vontade de Deus já ocupa tempo suficiente, e, na dúvida, o ideal é fazer como no trânsito, não ultrapassar nem pegar desvios (Dt 5.32).

Geralmente, além de nós mesmos (Pv 8.36) quem mais sofre com nossos erros são aqueles a quem amamos - ou aqueles que nos amam.

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