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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

1Rs 19 - ERRO DE FOCO: PORQUE AS PESSOAS FICAM DECEPCIONADAS COM DEUS

Pense numa sociedade onde tudo tem regras bem definidas. Se todos cumprirem todas as regras, tudo vai funcionar, tudo vai dar certo. É o que acontece quando você tem um equipamento que só funciona em 110w e o proprietário só insere o plug na tomada com a voltagem adequada. Sabemos que se você ligar um aparelho na voltagem inadequada não vai funcionar corretamente. Um aparelho 220w ligado em 110w pode até ligar, mas vai funcionar precariamente. Já o contrário é um pouco pior: qualquer aparelho 110w ligado em 220w vai virar uma torrada. Creiam-me, é assim mesmo, já passei por isso algumas vezes.
Voltemos àquela sociedade funcional. Sempre que faziam o que era certo tudo ia bem, mas de vez em sempre eles tomavam algumas decisões e enveredavam por práticas que sempre davam errado, como vemos descrito no livro dos juízes (Jz 17:6 - Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto).
Esta oscilação entre obediência e desobediência tornou-se uma constante. Períodos de obediência e bonança eram alternados com períodos de desobediência e penúria até que o fundo do poço foi atingido. Aquele povo rejeitou o que era justo e resolveu seguir seus próprios e tortuosos caminhos liderados por um casal: um homem que desprezou todas as prescrições e fez tudo o que era possível de fazer errado (1Rs 16:30 - Fez Acabe, filho de Onri, o que era mau perante o SENHOR, mais do que todos os que foram antes dele).
Sua esposa era ainda pior que ele. Filha de um povo inimigo, praticante de atos repulsivos conduzia o próprio esposo em práticas abusivas e repulsivas (1Rs 21:25 - Ninguém houve, pois, como Acabe, que se vendeu para fazer o que era mau perante o SENHOR, porque Jezabel, sua mulher, o instigava), incluindo falso testemunho e a morte de um homem inocente por um capricho cobiçoso (1Rs 21:13 - Então, vieram dois homens malignos, sentaram-se defronte dele e testemunharam contra ele, contra Nabote, perante o povo, dizendo: Nabote blasfemou contra Deus e contra o rei. E o levaram para fora da cidade e o apedrejaram, e morreu).
Estamos contando a história do povo de Deus e seus constantes desvios da lei do Senhor, com as óbvias e conhecidas consequências: invasões, opressão, fome e exílio, porque foram estes os termos da aliança que o Senhor estabeleceu com seu povo (Is 1:19 - Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra. 20 Mas, se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do SENHOR o disse).
Acabe e Jezabel são os seus nomes. Acabe era filho de Onri, e foi um rei arrogante, cheio de caprichos e birrento, mas também ameninado, dependendo da astúcia de sua esposa para conseguir seus objetivos. Jezabel era filha de Etbaal, rei sidônio, e sendo profundamente religiosa a ponto de ter cerca de 450 profetas de Baal e 400 profetas idólatras a seu serviço (1Rs 18:19 - Agora, pois, manda ajuntar a mim todo o Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas do poste-ídolo que comem da mesa de Jezabel), logo induziu seu incauto e influenciável marido a andar na idolatria sidônia, adorando a Baal (1Rs 16:31 - Como se fora coisa de somenos andar ele nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e o adorou).
Não podia dar nada certo mesmo: um homem ímpio que não reconhecia a Deus e uma mulher ímpia que não conhecia ao Senhor. E este casal influenciou todo o Israel a abandonar ao Senhor, andar em maus caminhos e o juízo de Deus não tardou a ser lançado sobre este povo rebelde com grande seca (1Rs 17:1 - Então, Elias, o tesbita, dos moradores de Gileade, disse a Acabe: Tão certo como vive o SENHOR, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra) e fome extrema sobre toda a terra da Samaria (1Rs 18:2 - Partiu, pois, Elias a apresentar-se a Acabe; e a fome era extrema em Samaria). Os animais estavam morrendo por falta de água e alimento (1Rs 18:5 - Disse Acabe a Obadias: Vai pela terra a todas as fontes de água e a todos os vales; pode ser que achemos erva, para que salvemos a vida aos cavalos e mulos e não percamos todos os animais) mas a dureza de coração de Acabe e Jezabel os impedia de verem sua culpa (1Rs 18:18 - Respondeu Elias: Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do SENHOR e seguistes os baalins.) e não do profeta do Senhor (1Rs 18:17 - Vendo-o, disse-lhe: És tu, ó perturbador de Israel?).
É neste contexto, em que Acabe e Jezabel estavam matando os profetas que ainda serviam ao Senhor (1Rs 18:3-4 - Acabe chamou a Obadias, o mordomo. Obadias temia muito ao SENHOR, 4 porque, quando Jezabel exterminava os profetas do SENHOR, Obadias tomou cem profetas, e de cinqüenta em cinqüenta os escondeu numa cova, e os sustentou com pão e água) e queriam matar a Elias que o profeta do Senhor ordena ao rei que convoque todos os seus falsos profetas para o célebre desafio no monte Carmelo.
Mas não é o que acontece durante o desafio de fé no monte Carmelo, retratado no capítulo 18, versos 20 a 40 que chama a nossa atenção nesta ocasião, mas o que acontece depois com o profeta que cai em profunda angústia de alma que alguns chegam a considerar depressão, e pede ao Senhor o fim da sua própria vida. O que houve com Elias? Porque seu emocional decaiu tão rapidamente? Acredito que tudo tem a ver com visão de mundo e de interpretação das circunstâncias que o cercavam. 
Eu quero falar com você, que talvez esteja, por algum motivo, se sentindo decepcionado com Deus. Não fique!

II. PODEMOS FICAR DECEPCIONADOS COM DEUS SE OLHARMOS APENAS PARA AS AÇÕES DAS PESSOAS

1Rs 19:14 - Ele respondeu: Tenho sido em extremo zeloso pelo SENHOR, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida.

Segunda vez Deus pergunta a Elias o que estava acontecendo com ele e ele insiste nos mesmos argumentos. Os seus olhos estão no lugar errado. E certamente isto é terrivelmente frustrante a ponto de às vezes nos perguntarmos: onde Deus está nisto? Porque Deus permite que estas coisas aconteçam com seus servos? Porque Deus permitiu que José fosse jogado em uma cova e vendido como escravo? Porque José, mesmo sendo fiel, foi lançado numa prisão e a adúltera esposa de Potífar se deu bem com suas calúnias? Porque Deus permitiu que servos seus fossem serrados pelo meio e sofressem todo tipo de injúria e maus tratos (Hb 11:37 - Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados)? Porque os amigos de Daniel foram lançados em uma fornalha ardente? Porque Daniel foi jogado em uma cova cheia de leões famintos depois de 70 anos de fidelidade? Porque? Porque? Porque Deus? Você clama! Porque?!!!
É esta a angústia que oprime o coração de Elias. A ímpia Jezabel e o amolecado rei Acabe queriam matá-lo, acusando-o de perturbar a nação. De Jezabel ele podia esperar isto, afinal ela era filha de um inimigo de Israel, adoradora de um deus que não é Deus, mas receber isto das mãos de Acabe, do rei de Israel?
Acabe era judeu. O nome do Deus de Abraão, Isaque e Jacó fora honrado maravilhosamente diante de todo o povo mesmo dentro de um contexto idólatra inaugurado por Jeroboão – 1Rs 12:27-30 - Se este povo subir para fazer sacrifícios na Casa do SENHOR, em Jerusalém, o coração dele se tornará a seu senhor, a Roboão, rei de Judá; e me matarão e tornarão a ele, ao rei de Judá. 28 Pelo que o rei, tendo tomado conselhos, fez dois bezerros de ouro; e disse ao povo: Basta de subirdes a Jerusalém; vês aqui teus deuses, ó Israel, que te fizeram subir da terra do Egito! 29 Pôs um em Betel e o outro, em Dã. 30 E isso se tornou em pecado, pois que o povo ia até Dã, cada um para adorar o bezerro). Acabe deveria restaurar o culto ao Senhor que havia provado diante de todos ser o Deus verdadeiro (1Rs 18:39 - O que vendo todo o povo, caiu de rosto em terra e disse: O SENHOR é Deus! O SENHOR é Deus!). Mas não é isto o que Acabe faz.
O povo deveria voltar todo à antiga aliança... mas não voltara... mesmo a empolgação com o fogo descido do céu que consumira o altar e a admissão de que o Senhor é Deus parecia-lhe apenas uma empolgação passageira e não uma volta para Deus. Ninguém se levantara para defendê-lo das ameaças de Jezabel. E com seus olhos nos que lhe queriam fazer o mal só lhe restava sentir-se abandonado por todos e só.
Não se esqueça do que disseram os amigos de Daniel: mesmo que Deus não te livre da fornalha ardente, ele continua sendo Senhor e Deus, e até as ações ímpias de pessoas ímpias serão usadas por ele para a consecução de seu propósito, como aconteceu com o apóstolo Paulo que queria ir a Roma e só chegou àquela cidade quando religiosos maus quiseram matá-lo e ele lá chegou sob patrocínio e escolta estatal. Se os teus olhos ficarem presos no mal que os homens são capazes de fazer certamente sua fé vai enfraquecer. Homens maus fazem coisas más. Homens de Deus, como os filhos de Jacó, são capazes de fazer coisas más.
É isto mesmo. A maior parte das pessoas que eu conheço que se dizem decepcionadas com Deus na verdade estão decepcionadas com o que as pessoas fizeram e fazem. A decepção não é com Deus, é com pessoas que compõem a Igreja visível.
Se você fiar os teus olhos nas ações dos homens sua fé vai desfalecer, portanto, ainda que todos os sinais exteriores sejam de degradação, faça como o profeta Habacuque (Hb 3:17-18 - Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, 18 todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação) e mantenha sua fé firme, como fez o profeta Jeremias (Lm 3:21 - Quero trazer à memória o que me pode dar esperança).
Talvez sua família não te entenda, seus colegas na escola te repilam ou façam bullying ou seus patrões te pressionem de todas as maneiras possíveis e injustas. Talvez você esteja realmente abandonado por todos. Talvez você esteja sendo perseguido injustamente (Mt 5:11 - Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós). Talvez sinta as trevas anuviando seus olhos, então, faça como o salmista, contemple o Senhor (Sl 34:5 - Contemplai-o e sereis iluminados, e o vosso rosto jamais sofrerá vexame).

III. PODEMOS FICAR DECEPCIONADOS COM DEUS SE OLHARMOS APENAS PARA AS CIRCUNSTÂNCIAS

1Rs 19:11-13 - Disse-lhe Deus: Sai e põe-te neste monte perante o SENHOR. Eis que passava o SENHOR; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do SENHOR, porém o SENHOR não estava no vento; depois do vento, um terremoto, mas o SENHOR não estava no terremoto; 12 depois do terremoto, um fogo, mas o SENHOR não estava no fogo; e, depois do fogo, um cicio tranqüilo e suave. 13 Ouvindo-o Elias, envolveu o rosto no seu manto e, saindo, pôs-se à entrada da caverna. Eis que lhe veio uma voz e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?

Elias é chamado para sair da caverna. É grande o risco de alegorizar o “sair da caverna” como deixar o seu próprio mundinho, o mundinho de sua própria dor e angústia para poder ver as coisas mais claramente. É óbvio que queremos ver com mais clareza, ter uma melhor percepção das coisas, mas o fato é que o que acontece aqui é que Deus chama o profeta para falar com ele. E eventos extraordinários começam a suceder.
Primeiro, um forte vento fendia os montes e despedaçava pedras. Qualquer adorador de Baal, numa situação destas, enalteceria o poder de sua divindade. Seria uma excelente resposta para o fiasco do monte Carmelo. Logo depois, um terremoto abalou as estruturas dos montes, a terra tremia e certamente teria sido perigoso permanecer na caverna, mas nada lhe acontece ali. Que excelente oportunidade de enaltecer a providência de seu Deus – mas ainda não era isso o que Deus queria comunicar a Elias. Em seguida, um fogo. O quadro de destruição era generalizado ao redor de Elias. Quanta demonstração de poder e quanta destruição. Mas faltava algo. Ainda não era isto o que Deus queria falar. E, por fim, um cicio tranquilo e suave. Era isto então? Deus estava na tranquilidade? Não, também não é dito que o Senhor estava no cicio também.
Onde estava Deus? Onde estava Deus quando as pedras eram destroçadas? Ele estava presente! Onde estava Deus quando o terremoto assolava a terra? Ele estava presente! Onde estava Deus quando o fogo consumia a já pouca vegetação? Ele estava presente! Então Deus está na tranquilidade, que bom? Na verdade, Deus sempre esteve presente! Deus sempre está presente.
Talvez a dor e a tristeza, a decepção com as coisas tumultuosas e as tribulações que acontecem tenham te levado a alguma forma de desespero (2Co 1:8 - Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida) e falta de percepção da presença do Senhor, como aconteceu com Maria na entrada do túmulo agora vazio (Jo 20:13 - Então, eles lhe perguntaram: Mulher, por que choras? Ela lhes respondeu: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram).
O que precisamos compreender é que o Senhor sempre está presente! Ele está presente e governando quando os crentes fazem coisas de crentes. Ele está presente quando o crente obedece aos seus mandamentos, ama os seus irmãos, anuncia a salvação em nome do Senhor. Ele está presente em todo o tempo, isto é inquestionável (Mt 28:20 - ...ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século).
O Senhor também está presente quando os crentes fazem coisas indignas de crentes. Seus santos olhos estão sobre o que fazem os filhos dos homens e sua justiça não deixará de ser retribuída sobre atos de rebelião e desobediência (Sl 62:11-12 - Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: Que o poder pertence a Deus, 12 e a ti, Senhor, pertence a graça, pois a cada um retribuis segundo as suas obras). Os irmãos de José sofreram e se angustiaram de medo depois de tê-lo vendido como escravo aos midianitas, mesmo sem haver qualquer intenção de vingança por parte dele (Gn 50:20 - Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida).
O Senhor também está presente quando homens maus agem, como Faraó cujo coração foi endurecido para que, em sua frustrada rebelião contra Deus o nome do Senhor fosse engrandecido (Rm 9:17 - Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra) e também como aconteceu com a Assíria que, apesar de toda a maldade dos ímpios assírios, era apenas um instrumento de Deus para disciplinar os infiéis judeus (Is 10:5 - Ai da Assíria, cetro da minha ira! A vara em sua mão é o instrumento do meu furor).
É Deus quem faz com que homens maus façam coisas boas para o bem do povo de Deus, como Ciro, a quem o Senhor chama de meu pastor (Is 44:28 - ...que digo de Ciro: Ele é meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; que digo também de Jerusalém: Será edificada; e do templo: Será fundado), ou o faraó dos dias de José, que o colocou como segundo no governo do Egito (Gn 41:43 - E fê-lo subir ao seu segundo carro, e clamavam diante dele: Inclinai-vos! Desse modo, o constituiu sobre toda a terra do Egito).
As circunstâncias por si mesmas não dizem nada sobre o caráter e sobre o governo de Deus. Embora difícil a caminhada do crente deve ser por fé e não pela maneira como interpreta as circunstâncias (2Co 5:7 - visto que andamos por fé e não pelo que vemos). É difícil não se deixar levar pelo olhar para o mal que nos cerca, mas Deus é Deus apesar da ventania, terremoto, fogo e do cicio. Deus é Deus o tempo todo, em todo lugar, ontem, hoje e eternamente. Pode parecer impossível quando seus olhos estão cheios de lágrimas, seu coração partido de dor, mas Deus ainda é e sempre será Deus, o seu Deus, que cuida de ti (Is 41:13 - Porque eu, o SENHOR, teu Deus, te tomo pela tua mão direita e te digo: Não temas, que eu te ajudo) e te atende antes que você chore (Is 65:24 - E será que, antes que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei).

quarta-feira, 1 de março de 2017

FARINHA POUCA, MEU IRMÃO PRIMEIRO - I Rs 17


Dentre as instruções do apóstolo Paulo aos filipenses há uma que destacamos neste nosso encontro: ele exorta os irmãos de Filipos a serem altruístas, a considerarem o outro como digno de maior consideração do que eles próprios (Fp 2.4).
Enquanto estudava este assunto para nossa devocional, lembrei-me de um material que tenho de uma muito conhecida fraternidade que instrui os membros a, caso encontrem um irmão em uma situação de risco, tomarem algumas providências, dentre as quais a primeira é ver se ele próprio não está se colocando em risco e só então avaliar se pode ajudar o necessitado sem se colocar em situação de risco; ou ir em busca de ajuda. Mas a premissa é: não se coloque em situação de risco. Contextualizando, quando a segurança é pouca, a minha segurança em primeiro lugar.
Em muitas situações de incerteza somos questionados sobre o que fazer – e se orientamos as pessoas a fazerem a coisa certa (que às vezes não é o que as pessoas querem fazer porque não lhes as vantagens que desejam obter) muitas vezes ouço a seguinte pergunta: mas o que eu ganho com isso? De novo, a melhor brasa para minha batata.
O que é exatamente ser altruísta? É pensar no bem do outro, mesmo que o outro seja um desconhecido caído à beira do caminho. Ser altruísta é parar para cuidar dele, abrir mão do seu conforto, do seu tempo é até de bens para que o outro tenha a sua necessidade satisfeita – e tudo isto sem esperar nada em troca e, no mais das vezes, sabendo que nem mesmo deveria esperar por algo que certamente não viria (Lc 10.25-37). Samaritanos e judeus eram meio irmãos que não se relacionavam por causa dos problemas iniciados nos dias de Esdras e Neemias por causa de Tobias, Sambalate e Gesem, o arábio.
O relato do livro dos reis é ainda mais impressionante. Trata-se do início do ministério de Elias, profeta do Senhor, no reino de Israel, o reino do norte (que mais tarde se tornaria Samaria). O reino do norte teve maus reis. Dentre estes um se destaca: Acabe, em cujo reinado grave crise religiosa afetou o reino por causa de seu matrimônio com Jezabel, uma princesa fenícia filha de Etbaal, rei de Sidom. O nome de Jezabel significa “baal existe”, e ela efetivamente queria apresentar seu deus aos israelitas, trazendo para o reino sua religião e profetas numa tentativa de conversão de Israel para seu deus.
Elias, natural de Tisbé de Galahad é a resposta de Deus – seu nome significa “o Senhor é (meu) Deus”, expressão que ele usa ao desafiar os adoradores de baal no monte Carmelo (I Rs 18:21).
Uma das características do baalismo era acreditar que baal era o senhor das chuvas e da fertilidade, como se Deus não fosse o provedor de todos (Jl 2:23). E é justamente esta característica atribuída a baal que é imediatamente desafiada com o surgimento de Elias (I Rs 17.1).
O grande tema do livro dos reis é saber quem é o governante supremo. O ponto de vista da Bíblia é que este Senhor supremo é Deus. Jezabel achava que não, então, o pano de fundo, é um conflito para provar quem é Deus: se baal ou o Senhor. Considerado inimigo por Acabe e Jezabel, Elias é orientado a fugir – e vai justamente para a terra onde o ‘adversário’ de Deus parecia imperar: Sarepta, a 15km da capital, Sidom, terra dos fenícios, sob a regência do pai de Jezabel, Etbaal. Se os pagãos acreditavam na territorialidade dos deuses (I Rs 20:23), era o momento de mostrar, na casa de baal, quem de fato era Deus.
Vejamos o texto:
8 Então, lhe veio a palavra do SENHOR, dizendo:
9 Dispõe-te, e vai a Sarepta, que pertence a Sidom, e demora-te ali, onde ordenei a uma mulher viúva que te dê comida.
10 Então, ele se levantou e se foi a Sarepta; chegando à porta da cidade, estava ali uma mulher viúva apanhando lenha; ele a chamou e lhe disse: Traze-me, peço-te, uma vasilha de água para eu beber.
11 Indo ela a buscá-la, ele a chamou e lhe disse: Traze-me também um bocado de pão na tua mão.
Após mantê-lo por um tempo junto ao ribeiro de Querite, o Senhor manda que Elias vá a Sarepta de Sidom e permaneça ali (possivelmente os três anos e meio que durou a seca na região) e que encontrasse uma mulher, viúva, que lhe daria comida.
Ao chegar ele efetivamente encontra a viúva pegando lenha, à qual pede água para beber. Seria ela aquela através da qual Deus o sustentaria, longe de casa, numa terra estranha e a serviço de uma divindade “hostil” e, literalmente, tão perto do covil dos adoradores de baal, seus adversários?
12 Porém ela respondeu: Tão certo como vive o SENHOR, teu Deus, nada tenho cozido; há somente um punhado de farinha numa panela e um pouco de azeite numa botija; e, vês aqui, apanhei dois cavacos e vou preparar esse resto de comida para mim e para o meu filho; comê-lo-emos e morreremos.
13 Elias lhe disse: Não temas; vai e faze o que disseste; mas primeiro faze dele para mim um bolo pequeno e traze-mo aqui fora; depois, farás para ti mesma e para teu filho.
Quando Elias lhe pede um bocado de pão aquela mulher lhe mostra sua difícil situação. Havia fome na terra. Havia seca. Era viúva e tinha apenas um filho pequeno. Não havia quem lhe desse mantimento, ela não tinha um provedor. Ela não tinha nenhuma esperança. Se o seu deus (ela chama o Deus de Elias de “teu Deus”) era o deus da provisão agrícola, ela não tinha nem fé mais. Só lhe restava uma saída – a resignação e a morte, para si e para seu filho.
Obedecer às palavras do profeta se torna tão mais difícil quando vemos o quadro de um olhar mais amplo: ela não tinha comida, e, se atendesse ao profeta, nem mesmo o direito a uma última refeição eles teriam. Servir ao próximo nem sempre é uma decisão fácil. Servir ao próximo com o que sobra já é difícil, mas servir ao próximo com a totalidade do que se tem é algo que somente por Deus é possível fazer. E foi o que aquela mulher, fenícia, adoradora de baal fez. Não deveria ser tão difícil para os cristãos, aquele que aprenderam que “mais bem aventurada coisa é dar do que receber” (At 20.35).
14 Porque assim diz o SENHOR, Deus de Israel: A farinha da tua panela não se acabará, e o azeite da tua botija não faltará, até ao dia em que o SENHOR fizer chover sobre a terra.
15 Foi ela e fez segundo a palavra de Elias; assim, comeram ele, ela e a sua casa (seu filho, descendência) muitos dias.
16 Da panela a farinha não se acabou, e da botija o azeite não faltou, segundo a palavra do SENHOR, por intermédio de Elias.
A conclusão desta história de fé (Elias confiou que Deus supriria suas necessidades e lhe daria segurança mesmo sendo ele um estrangeiro em terras fenícias), altruísmo (aquela viúva mostrou-se disposta a obedecer “antes” que o milagre acontecesse) se dá quando o relato afirma que ela foi e fez segundo a palavra de Elias. E o Senhor a abençoou de tal maneira que eles comeram “muitos dias”, o que pode ser uma referência ao período de seca que veio naquela época. Mas é crucial destacar que Elias apresenta o seu Deus como “o Deus de Israel”, pois era Deus, e não baal, uma mera invenção humana, quem supriria as necessidades daquela mulher e de seu filho, com o profeta junto. E o texto conclui que tudo aconteceu conforme a Palavra do Senhor.
Se o desafio proposto por Jezabel era saber quem era realmente Deus – a primeira partida estava ganha, e fora ganha pelo Senhor, na casa do adversário.
A história poderia terminar aqui – o altruísmo, a liberalidade daquela mulher lhe resultara em grande bênção. Mas Elias permaneceu naquela casa, e um dia o filho daquela mulher morreu e sua primeira ação é questionar o profeta (lembremos que muitos dias antes ela já se considerava morta, junto com seu filho). Porque isso aconteceu, porque Deus permitiu que o sofrimento viesse à minha casa mesmo eu sendo capaz de fazer uma boa ação dando casa e pão ao seu profeta? O Senhor ainda é o Deus do profeta, não dela.
Num primeiro momento nem mesmo o profeta consegue compreender ou dar uma resposta satisfatória, que acalmasse o coração daquela mulher, e a única coisa que ele pode fazer é buscar ao Senhor pois fora ele quem o mandara para aquele lugar. A obra era dele, a batalha era dele, o problema era da viúva e de Elias, mas a solução era dele também. A obra é do Senhor, a batalha é do Senhor, os problemas são nossos, mas a solução é do Senhor.
E a história termina com uma confissão daquela mulher de que, ali, em terra fenícia, o Senhor é reconhecido como verdadeiro Deus – seu filho fora salvo não uma, mas duas vezes. Se a disputa era saber quem era o Deus verdadeiro, e Elias afirmava que o Deus verdadeiro era o Deus de Israel, aquela mulher diz que o que Elias dizia era a verdade, e que a Palavra do Senhor na boca de Elias era a verdade. O verdadeiro alimento a ser compartilhado não é farinha ou azeite. A necessidade do meu próximo de saber que o meu Deus é o Deus verdadeiro deve ser maior que o meu desejo de conforto pessoal, deve ser maior que meu comodismo.
Este texto poderia facilmente ser utilizado por um incrédulo para falar de humanitarismo, por um espírita para falar de caridade, ou por um adepto da teologia da libertação para falar sobre dividir o pão com o que tem fome, de ajudar o próximo. E eu concordo que estas ações, não estas teorias, são coisas boas. É justo agir para amenizar as diferenças abissais que caracterizam uma sociedade desigual é algo justo – o Senhor insistentemente dizia que isso deveria ser feito, que o necessitado deveria ser assistido (Sl 146:9), que em Israel nem o órfão, nem a viúva nem o estrangeiro deveriam ser esquecidos nas sarjetas (Dt 24:19) e um dos argumentos da justiça de Jó era, justamente, o de não maltratar os necessitados (Jó  31:16-17), pelo contrário, estender-lhes as mãos (Jó 29:12).
Mas a vergonha de Israel era que ele se deixava conduzir por Jezabel e seus 850 missionários. Era vergonhoso que Israel se afastasse do Deus verdadeiro para adorar uma estátua horripilante de um falso deus. E uma única mulher fenícia mostra o tamanho da loucura de Israel, de deixar-se influenciar pelo mundo e não confiar em Deus e em sua Palavra. Israel sofria fome e sede, Israel havia deixado o manancial de águas vivas para escavar cisternas sujas e furadas, que ofereciam lama e não retinham água (Jr 2:13).
É lamentável que uma nação de sacerdotes se deixasse evangelizar por apenas 850 mentirosos adoradores de um falso Deus. É lamentável que a nação santa, verdadeiros sacerdotes, que o povo de propriedade exclusiva de Deus se deixe influenciar pelo jeito de ser do mundo e não cumpra seu papel: a diferença é que a farinha não é pouca, é abundante, é inacabável – é mais do que você precisa então, que tal servi-la para o seu próximo?
Seja Igreja, não retenha o que não é para ser só seu. Seja altruísta, seja evangelista, seja servo do Senhor em sua geração. Use o que Deus tem te dado para que outros possam ouvir a Palavra de Deus em sua boca.


sábado, 8 de novembro de 2014

SÉRIE PERSONAGENS - ACABE E JEZABEL

OS MAUS FRUTOS DAS SEMENTES PLANTADAS POR SALOMÃO
I Rs 16.30-33
30 Fez Acabe, filho de Onri, o que era mau perante o SENHOR, mais do que todos os que foram antes dele. 31 Como se fora coisa de somenos andar ele nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e o adorou. 32 Levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria. 33 Também Acabe fez um poste-ídolo, de maneira que cometeu mais abominações para irritar ao SENHOR, Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que foram antes dele.
É obvio que não devemos culpar Salomão pela maldade de Acabe e Jezabel, provavelmente a pior dupla de governantes que Israel teve.
Saul foi o primeiro – começou bem mas terminou de maneira trágica. Davi, após Salomão, foi considerado o melhor por causa de sua devoção a Deus, mesmo após cometer erros estratégicos, morais e familiares. Salomão foi um excelente administrador, mas deixou-se corromper justamente no desejo de administrar as alianças estabelecidas com os povos vizinhos.
Durante o reinado de Salomão a idolatria se espalhou tão espantosamente que Deus decidiu tirar o reino de seus descendentes, guardando, porém, a promessa que fora feita a Davi, dividindo a terra de Israel em dois reinos: Norte e Sul dando o pequeno território do sul à descendência de Davi. Isso ocorreu no reinado de Reoboão, um tolo impetuoso, que não tinha nem a juventude como desculpa para afastar de si a grande maioria do povo. O reino de Reoboão, ao sul, foi chamado de Judá e tolerou a idolatria, mas foi no reino de Jeroboão, ao norte, que ela foi promovida a política de estado ao fazer os dois bezerros de ouro para que o povo não fosse até Jerusalém adorar ao Deus eterno.

ACABE, FORTE POLITICAMENTE, MORALMENTE INÚTIL

Dentre os muitos reis que os seguiram, o ponto espiritual mais baixo a que o trono foi levado foi durante o governo de Acabe, filho de Onri, o sétimo rei do norte, que casou-se com uma fenícia chamada Jezabel, filha de Etbaal, de Sidom. Acabe seguia os passos de Salomão, fazendo casamentos políticos. Teve muitas esposas, 70 filhos (II Rs 10.7-8), mas o trono foi dado a Jezabel.
Acabe fortaleceu o reino do norte, fazendo alianças com a Síria, Judá e Fenícia. E foi nesta aliança com a Fenícia que ele permitiu que sua esposa e rainha, Jezabel, estranha às alianças e ao culto do Deus vivo, mulher muito mais maligna do que ele próprio, promovesse e patrocinasse a idolatria em larga escala em Israel, recorrendo ao dinheiro do Estado para pagar 400 profetas de Aserá (deusa da fertilidade fenícia) e mais 4500 de Baal, o deus da terra e da fertilidade canaanita. Muitos sacerdotes foram mortos, outros fugiram para o sul ou se esconderam no interior do país com medo de Jezabel.
Seguindo a linha proposta por Jeroboão (nos dias de Jeroboão o nome do deus de Israel continuava sendo cultuado, embora em um sincretismo com os baalins a ponto de haver culto ao Senhor como marido de Aserá) mas indo muito além dele, Jezabel dedicou-se a combater o culto ao Senhor que ainda sobrevivia em Israel (I Rs 19:18).

A INTRODUÇÃO DO ABSOLUTISMO PAGÃO


A bíblia relaciona a idolatria de Acabe de maneira muito direta à influência de Jezabel. Jezabel era uma mulher de qualidades: determinada, inteligente, persuasiva, independente, decidida, mas usava tudo isto para o mal, era totalmente inescrupulosa. A religiosidade de seus dias era um culto à fertilidade que promovia uniões sexuais entre os sacerdotes e as "virgens" do templo. Esta prática era contrária às leis de Deus assim como o era o casamento de Acabe com uma pagã (Dt 7.1-5).
Jezabel conseguiu que Acabe se casasse com ela diante de Baal (I Rs 16.31) e logo construísse um altar em Israel (I Rs 16.32).
O próximo passo foi exterminar o culto ao Senhor (I Rs 18.3-4) e sustentar os sacerdotes e profetas pagãos no palácio real (I Rs 18.19). Jezabel consegui até mesmo influenciar o reino de Judá, casando sua filha Atalia com Jeorão, rei de Judá, contaminando ambos os reinos com a idolatria fenícia (II Rs 8.17-18).
Jezabel levou o povo a adorar a Aserá (hr#) – também conhecida como Ishtar, Astarte, Astorete, Asterote, Asterath, Astorate e Baalat) era representada por uma árvore frondosa e pelo planeta vênus, sempre indicando fertilidade e era tida por esposa (em alguns casos, mãe) de Baal, por isso o culto de ambos caminhava junto em Israel. Por seu lascivo culto da fertilidade ser sempre feito à sombra de árvores Deus proibiu postes-ídolos e árvores próximas ao altar do Senhor (Dt 16.21-22).

Este culto tinha duas características básicas: a sexualidade e o sacrifício humano, especialmente crianças, através do fogo. Ofertas de produção, dinheiro e fornicação com as prostitutas cultuais eram consideradas formas de culto, e esta idolatria seria o motivo que acabaria levando Acabe à queda e morte em 853 a.C.

IMPIEDADE RELIGIOSA, IMPIEDADE SOCIAL

A impiedade religiosa reinante em Israel levaria, consequentemente, a atos de injustiça social. Quando Deus chama seu povo para um concerto espiritual (Is 1.16) ele, inevitavelmente, passa pelo conserto das relações sociais (Is 1.17).
Não podia ser diferente com esta dupla maléfica, Acabe e Jezabel. Quando Acabe se interessou por um terreno ao lado do seu palácio em Jezreel, pediu a Nabote que lhe vendesse a sua vinha (I Rs 21:1-2) – mas Nabote se recusou porque aquela era a única herança que cabia a sua família (I Rs 21.3) – as terras passavam de pai para filho e não podiam ser vendidas definitivamente, apenas o direito de posse podia ser dado e por, no máximo, 49 anos.
Desacostumado a ser contrariado, Acabe vai para seu palácio profundamente abatido, agindo como uma criança mimada (I Rs 21.4). Mesmo sendo um rei ímpio, Acabe conhecia as leis de seu povo e sabia que não podia obrigar Nabote a vender-lhe a propriedade.
Ao saber do ocorrido, Jezabel chama-o de fraco e afirma que resolveria a situação, conseguindo a vinha de Nabote (I Rs 21.7). Seu estratagema era muito simples: levantaria falso testemunho contra Nabote, ele seria morto e ela poderia, então, tranquilamente, tomar as terras para si. Jezabel cometeu três crimes de uma só vez: falsidade ideológica (I Rs 21.8), falso testemunho e incitação ao assassinato (I Rs 21.9-10).
Jezabel se apressou a incentivar Acabe a tomar a propriedade para si, antes que alguém a reclamasse – e evidentemente ninguém teria coragem de querer reclamar uma propriedade que estava sob o controle do rei (I Rs 21.16).

DEUS NÃO ESTÁ MORTO

Era chegada a hora do Senhor começar a julgar tamanha impiedade, e, por isso, envia Elias ao seu encontro – e o repreende duramente, anunciando sua condenação. Elias chama-o de assassino, ladrão e lhe diz que teria morte violenta, como foi a morte de Nabote (I Rs 21.19). Mas isto ainda não era suficiente. Haveria julgamento sobre a sua casa (I Rs 21.20-21) e também sobre a incentivadora de Acabe que era Jezabel (I Rs 21.25): para ela também haveria julgamento (I Rs 21.23-24).

O CUMPRIMENTO DO JULGAMENTO DEUS

Apesar da humilhação de Acabe (I Rs 21.27) Deus não mudaria a punição – apenas estabeleceu um prazo além dos dias de Acabe – ele não veria a morte de Jezabel nem de seus 70 filhos. Entretanto, 03 anos depois Acabe entra em guerra contra os sírios com a ajuda de Josafá – episódio em que chama seus muitos profetas para bajularem-no (I Rs 22.11-12), tenta "encomendar' uma profecia de um genuíno profeta do Senhor (I Rs 22.13) recebendo a mais célebre frase que deve ser guardado coração de um pregador (I Rs 22.14) sem se importar com as consequências (I Rs 22.26-28).

A MORTE DE ACABE

Desta batalha resultam a morte de Acabe (I Rs 22.37-38), e, também, mais tarde, sobre Jezabel e os filhos de Acabe.

O FIM DA CASA DE ACABE

Deus escolheu Jeú para exterminar a casa de Omri do trono. Quando Jorão vai a Jeú propor paz este responde que é impossível haver paz com uma família tão idólatra (II Rs 9.22) e o mata (II Rs 9.24) lançando seu corpo na antiga vinha de Nabote (II Rs 9. 25-26)

A MORTE DE JEZABEL

A sentença ainda não estava totalmente cumprida, mesmo após 14 anos da sentença feita por Elias. Faltava Jezabel que se encontrava no palácio e ainda tentou uma última cartada, talvez confiando em algum resquício de sua antiga beleza, maquiou-se e colocou-se à janela, tentando impressionar Jeú (II Rs 9.30). Jeú conclamou os insatisfeitos com Jezabel a se libertarem, e alguns eunucos a lançaram da janela e Jeú a atropelou (II Rs 9.32-33).
Num ato de consideração mais tarde Jeú manda enterrá-la, mas só encontram partes do seu corpo (II Rs 9.35 - Foram para a sepultar; porém não acharam dela senão a caveira, os pés e as palmas das mãos) porque os cachorros a haviam comido (II Rs 9.36) e seu corpo jamais seria sepultado, se tornaria em esterco de cachorro (II Rs 9.37).

UMA MORTE TERRÍVEL, MAS JUSTA

Assim termina a triste história de Jezabel e Acabe, e sua casa.
Este casal é um exemplo de homem insensato e de uma mulher ímpia. A morte de Jezabel não foi uma morte digna, como digna não foi a sua vida. Ele recebeu a punição por sua vida de crimes contra os homens e blasfêmias contra o Senhor Deus. Deus não deixou impune seu pecado, como, evidentemente, não deixará impunes nenhum pecado (Ec 12.13-14), e, para isso, ele não precisa ficar analisando a vida de ninguém. Ele tem a sentença pronta, diferente do que pensam os adventistas em seu juízo investigativo (Jó 34:23) e seu juízo é inexorável e inescapável (Jó 11:10).

Jezabel, a poderosa, tornou-se em esterco canino. Jezabel, a vaidosa, tornou-se em alimento de cães. Jezabel, a ímpia, não se arrependeu. Vaidade, futilidade, aparência exterior são as características desta mulher poderosa, decidida, mas, lamentavelmente, impenitente. Arrumou seus olhos e seu cabelo, mas não estava com a vida arrumada para encontrar-se com o criador. Ainda que bem sucedida por um longo tempo, o dia do julgamento chegou e sua impiedade foi a causa de sua ruína. Semeou na carne, colheu corrupção (Gl 6.7-8).

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