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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

A QUEM VOCÊ PODE OU DEVE SEGUIR


Há algum tempo eu li uma frase no para-choques de um caminhão que dizia, mais ou menos, o seguinte: “Não me siga! Também estou perdido”. Por outro lado, vemos uma multidão de perdidos buscando atrair seguidores, tanto virtuais quanto reais. Lembramos aqui o caso de religiosos que conduziram seus seguidores ao suicídio coletivo como o de Charles Manson ou de Jamestown, na Guiana. Não há dúvida de que sempre houve e ainda há cegos suicidas guiando outros cegos suicidas (Mt 15:14 - Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco).

E lembrando-me disso, comecei a fazer algumas perguntas, que gostaria de  compartilhar com vocês:

i. A quem você seguiria com absoluta confiança? Você conhece alguém a quem você confiaria decisões importantes de sua vida?

ii. Quem seguiria você com absoluta confiança? Você conhece alguém que confiaria decisões importantes de sua vida em suas mãos?

Não é nada difícil encontrar pessoas que desejam colocar-se como guias de outras - é assim nas famílias, onde às vezes encontramos cônjuges e pais que querem determinar cada detalhe da vida dos demais membros, desde escolhas mais simples como a cor de uma roupa até coisas mais sérias, como escolha de uma profissão. Não faltam guias e gurus dizendo o que as pessoas devem fazer, e muitos querem tais guias especialmente pelo fato de que isto tira um pouco da responsabilidade por fazer escolhas, e há pessoas que tem medo de fazê-las [teleiofobia].

A frase do caminhoneiro revela uma verdade: muitos não sabem para onde estão indo. A Escritura afirma que há caminhos que parecem direitos ao homem, mas, ao cabo, dão em caminhos de morte (Pv 14:12 - Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte).

Lamentavelmente a frase revela uma segunda verdade - que há muitos que querem ser guias mas não passam de cegos que não sabem para onde estão indo  e estão não apenas indo para o abismo mas levando muitos outros consigo, mas quem segue cego, não é digno de lamentações, pois é mais cego ainda, como quem segue a um ídolo mudo que precisa ser carregado (Sl 115:8 - Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam).

Pra complicar ainda há muitos que dizem que há muitos caminhos possíveis, usando uma frase de efeito, um antigo  provérbio que na península itálica e no império romano podia até fazer sentido real, mas que aplicada às coisas espirituais são é absolutamente inaceitável: todos os caminhos levam a Roma. Mas será mesmo que todos os caminhos levam a Deus?

Não podemos esperar encontrar direção em outro lugar a não ser nas palavras daquele que não apenas sabe o caminho mas é o próprio caminho.

Quando Tomé pergunta a Jesus para onde ele vai, ou melhor, quando ele admite sua ignorância (Jo 14:5 - Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; como saber o caminho?), a resposta que recebe do Senhor Jesus é enfática: Jesus não é apenas alguém que ensina o caminho, ele é o próprio caminho.

Seguir a homens significa colocar-se a si mesmo em sério risco pois significa afastar-se do Senhor Deus (Jr 17:5 - Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!).

Podemos, sem dúvida, aprender coisas importantes com pessoas, podemos até mesmo aprender que devemos seguir ao Senhor Jesus, mas só devemos seguir a Jesus pois só ele é capaz de afirmar que quem o segue não anda em trevas e terá a luz da vida (Jo 8:12 - De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida).

Seguir a Jesus não significa apenas ter para onde ir ou saber para onde ir, mas estar com quem se deve estar (Jo 6:68 - Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna) porque estar em Jesus é estar com o próprio pai (Jo 10:30 - Eu e o Pai somos um).

É importante que saibamos que o Senhor tem nos dado informações preciosas sobre como servi-lo e como segui-lo mesmo num emaranhando de informações disponíveis confusas e contraditórias.

E estas informações nos chegam através do que ele ensinou através de  homens que ele mesmo escolheu, os apóstolos e profetas (II Pe 1:21 - ...porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo) para que nós não ficássemos sem testemunho sobre si mesmo (At 14:17 - ...contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria) e, por isso, não podemos correr o risco de, tendo todas as informações, rejeitarmos suas instruções (Hb 2.1-3 - Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos. Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram).

Isto quer dizer que, embora ninguém tenha o direito de fazer o que Jesus fez como quando chamou Mateus para segui-lo (Mt 9:9 - Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu) você ainda deve, como Natanael, dar ouvidos a quem lhe chama para seguir ao Senhor (Jo 1:46 - Perguntou-lhe Natanael: De Nazaré pode sair alguma coisa boa? Respondeu-lhe Filipe: Vem e vê) porque não segui-lo significa estar à margem do caminho, sem direção e em caminhos de morte.

Infelizmente muitos erram apesar da existência de numerosos marcos orientando o caminho. Há informação mais que suficiente disponível e acessível para quem quiser saber o que fazer, como seguir a Jesus, como e a quem entregar a direção de sua vida (Sl 37:5 - Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará) e como andar com Deus de maneira que lhe seja agradável (Mq 6:8 - Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus).

O problema não é não saber para onde ir - o problema maior é receber a informação sobre para onde ir, receber o mapa do caminho, receber uma bússola e ainda assim continuar errando o caminho.

Não faça isso, porque não estamos falando de uma simples viagem de dezenas ou centenas de quilômetros, mas da viagem que lhe conduz à eternidade. Todos os caminhos conduzem à eternidade, mas só um caminho é a eternidade com Deus. Os demais caminhos conduzem à eternidade da condenação. O caminho dos prazeres, dos luxos, da incredulidade, da cegueira - todos eles conduzem ao mesmo lugar, e não é a Roma, e muito menos ao céu. Qual é mesmo o caminho que você vai seguir? 

sábado, 7 de setembro de 2019

COMO ACHAR DESCANSO

Há uma idéia bem conhecida e divulgada sobre descanso que acho absolutamente inconsistente e inexplicável. Não consigo entender como descanso passar um ou dois dias juntando coisas, depois colocando estas coisas em um veículo, depois montar acampamento, transportar as coisas para outro veículo e depois passar horas e horas ao sol ou espantando incômodos insetos, correndo o risco de contrair uma doença como malária, dengue ou febre amarela, e depois recomeçar tudo novamente, todo o transporte e retorno para casa, geralmente cansado e com vontade de dormir horas e horas. Não, isto não é descanso. Pode até ser chamado de lazer, pode dar algum tipo de prazer para quem gosta, mas não é descanso.
Como você descansa? Que tipo de atividade (ou de inatividade) você tem escolhido para descansar? João Mendes afirmava que o descanso pode e deve ser produtivo, carregando pedras. Por trás desta frase usual na sabedoria popular o que ele queria dizer é que o descanso deve ser produtivo, deve proporcionar algo construtivo.
Não há dúvida que o descanso é não apenas um direito como um dever cristão em obediência ao seu Deus que prescreveu tal prática para a sua criação.
Mas como descansar quando as coisas não estão como nós queremos que estejam? Como descansar quando as coisas não nos agradam e nos sentimos como náufragos no mar, tendo que lutar contra a força das águas que insistem em carregar o incauto nadador para lugares ignorados?
A resposta é: observando o que o Senhor Deus, o criador, diz a respeito de seu caráter. Ele diz que é o nosso cuidador, é o Deus providente. Ele afirma que Ele é aquele que supre cada uma das necessidades dos seus ao mesmo tempo que diz que é inútil trabalhar arduamente e não confiar no seu sustento (Sl 127:2 - Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem).
É provável que muitos cristãos já tenham tido a experiência de estar em um barco à deriva, enfrentando ondas que são muito mais fortes do que suas forças são capazes de superar à semelhança dos apóstolos que, mesmo experientes pescadores, viram que a força das águas que invadiam o barco e a intensidade do vento era superior às suas (Mt 8:24-25 - E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. entretanto, Jesus dormia. 25 Mas os discípulos vieram acordá-lo, clamando: Senhor, salva-nos! Perecemos!).
Mas temos que aprender o que fazer nestes momentos. Quando a angústia tomar conta de sua alma de uma maneira terrivelmente insuportável e a tristeza e o desalento se aproveitarem das circunstâncias e seu coração começar a duvidar da justiça de Deus lembre-se do que diz o salmista à sua alma atemorizada:
Sl 42:5 - Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.
Não é fácil sair do abatimento para a tranquilidade. Humanamente é impossível, mas é justamente por isso que o cristão é chamado de crente. Crente é aquele que confia apesar das circunstâncias, apesar dos fatos. Crente é aquele que não se atemoriza nem mesmo quando os inimigos se levantam como um exército contra ele, crente é aquele que vê milhares caírem à direita e à esquerda e continua confiando. Crente é aquele que sabe que tem um Deus que atende às suas necessidades antes mesmo que levante o seu clamor. Esta é a minha experiência com Deus. Esta foi a experiencia de José, de Daniel, e de tantos outros servos de Deus. Descansa, pois, no Senhor, ele é verdadeiro descanso.
E é isto o que o Senhor Jesus promete aos que atendem ao seu chamado (Mt 11:29 - Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma) apesar de muitos preferirem rejeitar este chamado, andar por seus próprios caminhos, e, desta maneira, jamais experimentarão o descanso do Senhor em sua rebelião (Jr 6.16 - Assim diz o SENHOR: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma; mas eles dizem: Não andaremos).

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

PRINCÍPIOS PARA REVITALIZAÇÃO DA IGREJA - NEEMIAS


A palavra revitalização não aparece nas Escrituras, mas o seu conceito sim. Revitalizar é tirar uma Igreja de uma situação de morte aparente ou iminente. Como instituição uma Igreja pode perecer, mas a Igreja de Cristo, não. Veja o que aconteceu nas Igrejas europeias.
O livro de Neemias vem logo depois do de Esdras. Esdras foi para Jerusalém para restaurar a comunidade, mas devido a oposição sua tarefa foi interrompida e Jerusalém ficou em desprezo e opróbrio por mais 18 anos. Até que surge Neemias. Em seu livro encontramos alguns princípios valiosos para serem aplicados em um projeto de revitalização de uma Igreja. 
Foi este livro que norteou o trabalho de pós-graduação nesta área, em 2012, bem como orientou o trabalho desenvolvido aqui em Paragominas com resultados que muitos consideravam impossíveis de serem alcançados.

i. AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO DO CAMPO (Ne 2.1-4): Tenha precisava ter uma visão clara da situação e por isso analisa o relatório recebido a respeito da situação de Jerusalém. É impossível fazer um bom trabalho e não desperdiçar esforços e recursos se não souber o que precisa ser feito. Em Jerusalém não havia liderança, não havia segurança e ainda havia numerosos problemas internos e externos.

ii. DISPOSIÇÃO PARA A OBRA (Ne 1.11; 2.1-6): É preciso haver disposição para superar os problemas que surgirão. Além de boa vontade é necessário disposição para sofrer as perdas e pagar o preço necessário, inclusive o de desagradar pessoas com quem se tem relacionamentos sociais estáveis.

iii. AVALIAÇÃO DO TRABALHO A SER FEITO NO CAMPO (Ne 2.11-15): Revitalizar exige a manutenção do foco no que precisa ser feito. Em Jerusalém Neemias resolve fazer um reconhecimento do terreno para verificar a extensão da obra que tinha que realizar. Ele não conhecera Jerusalém. Tampouco conhecera o templo. Ele deveria saber o que precisava ser feito: cada muro, cada porta, cada etapa do trabalho precisava ser cuidadosamente definida, olhando sem se deter no que era naquele momento, para vislumbrando o que ele sabia ter sido, e para o que poderia ser.

iv. PERSEVERAR APESAR DAS DIFICULDADES (2.14-20): Toda obra tem obstáculos a serem superados. Reconstrução é ainda mais difícil porque há muita coisa antiga que precisa ser removida antes da edificação ser iniciada. Neemias ainda não sabia com quem contar, sabia que a cidade era insegura, com poucos recursos e entre o “resto de povo” não haveria colaboração total pois o julgavam indigno de ser obedecido (3.15). Além disso havia inimigos externos, todos fazendo o que lhes era natural de acordo com suas inclinações pecaminosas do coração.

v. SELEÇÃO DE PESSOAL (2.10; 19-20): Deve-se tomar muito cuidado com descompromissadas com o projeto final (sempre compromissadas com seus próprios planos e interesses) pois se tornam fonte de esforços contrários ao projeto de revitalização. É necessário escolher entre os que querem fazer a obra e os que querem estar em evidência, sob os holofotes em busca de reconhecimento.

vi. DIVISÃO DE TAREFAS (3.1-32; 4.16-23): Não há ninguém que tenha compromisso com o Senhor se sua obra que não tenha com o que contribuir. Todos os envolvidos são identificados em seus trabalhos, embora o trabalho de seleção de pessoal não termine tão rapidamente.

vii. APARECIMENTO DE OPOSIÇÃO INTERNA (4.1-3): Revitalizar implica em realizar mudanças necessárias, troca de peça e funções num processo de relocação que resulta em oposição dentro da comunidade que não querem mudanças no que julgavam direitos adquiridos ou privilégios conquistados porque tem seus próprios projetos, à margem é às vezes antagônicos ao projeto principal de revitalização e tendem a se tornar opositores incansáveis.

viii. CORRIGIR DESVIOS E PROBLEMAS PRE-EXISTENTES (5.1-13): cada problema tem seu tempo de solução, e a prioridade deve ser dada à busca do resultado final e não à satisfação de preferências individuais ou de setores específicos. Resolvidos as carências mais urgentes e graves, problemas secundários também devem ser tratados.

CONFIANÇA EM DEUS

Nenhum projeto dedicado a Deus é concluído em meio a rebeldia contra a Palavra do próprio Deus. Sem obedecer a direção de Deus não há colheita de bênção, mesmo usando o nome do Senhor como desculpa para a impiedade. O Senhor Jesus ensina a fazer planejamento antes de executar uma tarefa sem esquecer que o resultado final pertence a ele. A posição de Neemias em Jerusalém era perigosa, enfrentando oposição interna e externa (e todos queriam matá-lo) mas ele persevera por saber que estava fazendo a obra de Deus e cria que Deus não deixaria sua obra ficar incompleta (Ne 6.9) quando ora: "Ó Deus, fortalece as minhas mãos".

Analisando os resultados de um processo de revitalização levado a cabo, recomendamos os revitalizadores que observem um item que não foi mencionado mas que também está presente no processo de revitalização. Nem toda liderança existente na igreja almeja o bem do povo de Deus. Deve-se ter cuidado para não colocar em posição de liderança pessoas absolutamente desqualificadas moral e espiritualmente, porque estas serão enorme empecilho para o desenvolvimento do projeto e, pior, podem causar transtornos e perseguições ao revitalizador. Não deve haver pressa porque a obra é do Senhor, Ele a aviva no decorrer dos séculos. O tempo é de Deus, a obra é de Deus, e a pressa pode levar a um erro que compromete o resultado final - aos olhos dos homens, bem feito, mas deixando sequelas e mazelas na liderança da igreja que se perpetuarão e causarão mal aos verdadeiros adoradores.

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