Há uma idéia bem conhecida e divulgada
sobre descanso que acho absolutamente inconsistente e inexplicável. Não consigo
entender como descanso passar um ou dois dias juntando coisas, depois colocando
estas coisas em um veículo, depois montar acampamento, transportar as coisas
para outro veículo e depois passar horas e horas ao sol ou espantando incômodos
insetos, correndo o risco de contrair uma doença como malária, dengue ou febre
amarela, e depois recomeçar tudo novamente, todo o transporte e retorno para casa,
geralmente cansado e com vontade de dormir horas e horas. Não, isto não é
descanso. Pode até ser chamado de lazer, pode dar algum tipo de prazer para
quem gosta, mas não é descanso.
Como você descansa? Que tipo de atividade
(ou de inatividade) você tem escolhido para descansar? João Mendes afirmava que
o descanso pode e deve ser produtivo, carregando pedras. Por trás desta frase
usual na sabedoria popular o que ele queria dizer é que o descanso deve ser
produtivo, deve proporcionar algo construtivo.
Não há dúvida que o descanso é não
apenas um direito como um dever cristão em obediência ao seu Deus que
prescreveu tal prática para a sua criação.
Mas como descansar quando as coisas não
estão como nós queremos que estejam? Como descansar quando as coisas não nos
agradam e nos sentimos como náufragos no mar, tendo que lutar contra a força
das águas que insistem em carregar o incauto nadador para lugares ignorados?
A resposta é: observando o que o Senhor
Deus, o criador, diz a respeito de seu caráter. Ele diz que é o nosso cuidador,
é o Deus providente. Ele afirma que Ele é aquele que supre cada uma das
necessidades dos seus ao mesmo tempo que diz que é inútil trabalhar arduamente
e não confiar no seu sustento (Sl 127:2 - Inútil vos
será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente
granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem).
É provável que muitos cristãos já tenham
tido a experiência de estar em um barco à deriva, enfrentando ondas que são
muito mais fortes do que suas forças são capazes de superar à semelhança dos
apóstolos que, mesmo experientes pescadores, viram que a força das águas que
invadiam o barco e a intensidade do vento era superior às suas (Mt 8:24-25 - E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. entretanto, Jesus dormia. 25 Mas os discípulos vieram
acordá-lo, clamando: Senhor, salva-nos! Perecemos!).
Mas temos que aprender o que fazer nestes
momentos. Quando a angústia tomar conta de sua alma de uma maneira terrivelmente
insuportável e a tristeza e o desalento se aproveitarem das circunstâncias e
seu coração começar a duvidar da justiça de Deus lembre-se do que diz o
salmista à sua alma atemorizada:
Sl 42:5 - Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em
Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.
Não é fácil sair do
abatimento para a tranquilidade. Humanamente é impossível, mas é justamente por
isso que o cristão é chamado de crente. Crente é aquele que confia apesar das
circunstâncias, apesar dos fatos. Crente é aquele que não se atemoriza nem
mesmo quando os inimigos se levantam como um exército contra ele, crente é
aquele que vê milhares caírem à direita e à esquerda e continua confiando. Crente
é aquele que sabe que tem um Deus que atende às suas necessidades antes mesmo
que levante o seu clamor. Esta é a minha experiência com Deus. Esta foi a
experiencia de José, de Daniel, e de tantos outros servos de Deus. Descansa,
pois, no Senhor, ele é verdadeiro descanso.
E é isto o que o
Senhor Jesus promete aos que atendem ao seu chamado (Mt 11:29 - Tomai sobre vós
o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis
descanso para a vossa alma)
apesar de muitos preferirem rejeitar este chamado, andar por seus próprios caminhos,
e, desta maneira, jamais experimentarão o descanso do Senhor em sua rebelião (Jr 6.16 - Assim diz o
SENHOR: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas,
qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma; mas
eles dizem: Não andaremos).



