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sábado, 7 de setembro de 2019

COMO ACHAR DESCANSO

uma idéia bem conhecida e divulgada sobre descanso que acho absolutamente inconsistente e inexplicável. Não consigo entender como descanso passar um ou dois dias juntando coisas, depois colocando estas coisas em um veículo, depois montar acampamento, transportar as coisas para outro veículo e depois passar horas e horas ao sol ou espantando incômodos insetos, correndo o risco de contrair uma doença como malária, dengue ou febre amarela, e depois recomeçar tudo novamente, todo o transporte e retorno para casa, geralmente cansado e com vontade de dormir horas e horas. Não, isto não é descanso. Pode até ser chamado de lazer, pode dar algum tipo de prazer para quem gosta, mas não é descanso.
Como você descansa? Que tipo de atividade (ou de inatividade) você tem escolhido para descansar? João Mendes afirmava que o descanso pode e deve ser produtivo, carregando pedras. Por trás desta frase usual na sabedoria popular o que ele queria dizer é que o descanso deve ser produtivo, deve proporcionar algo construtivo.
Não há dúvida que o descanso é não apenas um direito como um dever cristão em obediência ao seu Deus que prescreveu tal prática para a sua criação.
Mas como descansar quando as coisas não estão como nós queremos que estejam? Como descansar quando as coisas não nos agradam e nos sentimos como náufragos no mar, tendo que lutar contra a força das águas que insistem em carregar o incauto nadador para lugares ignorados?
A resposta é: observando o que o Senhor Deus, o criador, diz a respeito de seu caráter. Ele diz que é o nosso cuidador, é o Deus providente. Ele afirma que Ele é aquele que supre cada uma das necessidades dos seus ao mesmo tempo que diz que é inútil trabalhar arduamente e não confiar no seu sustento (Sl 127:2 - Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem).
É provável que muitos cristãos já tenham tido a experiência de estar em um barco à deriva, enfrentando ondas que são muito mais fortes do que suas forças são capazes de superar à semelhança dos apóstolos que, mesmo experientes pescadores, viram que a força das águas que invadiam o barco e a intensidade do vento era superior às suas (Mt 8:24-25 - E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. entretanto, Jesus dormia. 25 Mas os discípulos vieram acordá-lo, clamando: Senhor, salva-nos! Perecemos!).
Mas temos que aprender o que fazer nestes momentos. Quando a angústia tomar conta de sua alma de uma maneira terrivelmente insuportável e a tristeza e o desalento se aproveitarem das circunstâncias e seu coração começar a duvidar da justiça de Deus lembre-se do que diz o salmista à sua alma atemorizada:
Sl 42:5 - Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.
Não é fácil sair do abatimento para a tranquilidade. Humanamente é impossível, mas é justamente por isso que o cristão é chamado de crente. Crente é aquele que confia apesar das circunstâncias, apesar dos fatos. Crente é aquele que não se atemoriza nem mesmo quando os inimigos se levantam como um exército contra ele, crente é aquele que vê milhares caírem à direita e à esquerda e continua confiando. Crente é aquele que sabe que tem um Deus que atende às suas necessidades antes mesmo que levante o seu clamor. Esta é a minha experiência com Deus. Esta foi a experiencia de José, de Daniel, e de tantos outros servos de Deus. Descansa, pois, no Senhor, ele é verdadeiro descanso.
E é isto o que o Senhor Jesus promete aos que atendem ao seu chamado (Mt 11:29 - Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma) apesar de muitos preferirem rejeitar este chamado, andar por seus próprios caminhos, e, desta maneira, jamais experimentarão o descanso do Senhor em sua rebelião (Jr 6.16 - Assim diz o SENHOR: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma; mas eles dizem: Não andaremos).

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

UM FARDO PODE ROUBAR SUA ALEGRIA

O TRABALHO

Para a nossa cultura a palavra trabalho vem, inicialmente, associada a cansaço e só depois a sustento, provisão, realização, etc. Já ouvi pessoas falando que isto é por causa da maldição lançada sobre Adão – que do suor do seu rosto comeria o pão [Gn 3.19: No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás], todavia, o trabalho é anterior à maldição [Gn 2.15: Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar], logo, a ligação não é bíblica. E em toda a história bíblica apenas o trabalho forçado é visto como punição. O ócio é que é visto como pecado [Pv 6.10-11: Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso, assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado].

O TRABALHO PARA O SENHOR

Trabalhar para o Senhor, então, deve ser visto como motivo de grande alegria, como privilégio [Sl 100.2: Servi ao SENHOR com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico] que deve ser motivo de grande alegria. Aliás, a alegria, ou o agradar-se de Deus de nós que é a nossa força, nosso poder [Ne 8.10: Disse-lhes mais: ide, comei carnes gordas, tomai bebidas doces e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força], é o que faz diferença entre o cristão e o não-cristão. O mesmo evento pode ser motivo de profunda tristeza e desespero, ou de gratidão a Deus – depende do ponto de vista [Jó 1.21: e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!].

O TRABALHO E O CANSAÇO

É muito comum constatar no decorrer do ano mãos descaindo, joelhos ficando trôpegos por causa das cargas assumidas no fim do ano anterior. A vida do cristão, ao servir ao Senhor, deveria ser marcada por alegria (Fp 4.4: Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos), ser uma experiência alegre (Gl 5.22: Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade) e plena (Jo 15.11: Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo). Mas o excesso de ocupações, os fardos, acabam afetando esta alegria. Um estudo mostrou que o extrato social que mais sofre de stress, nos Estados Unidos, é passageiro frequente de avião, piloto de avião de caça e, surpreendentemente, líderes de igrejas classificadas como "ativas", que ganham até de policiais de tropas de choque.
Todos nós temos que enfrentar o pecado quotidianamente, mas o stress causado pelo excesso de cargas pode ser um fator a desencadear crises de ansiedade, impaciência, irritabilidade, tristeza, desânimo e ansiedade por não conseguir levar a cabo os compromissos assumidos.

O TRABALHO E A SOBRECARGA

Temos o hábito de tratar nossa vida, nossa agenda, como se fosse uma bolsa para viagem. Vi recentemente uma entrevista de uma jovem dizendo que, para uma viagem de 6 dias, pretendia levar 20 pares de sapatos. E além deles, para combinar com eles, quantos cintos, e outros apetrechos mais?
Tomamos a nossa agenda como uma bolsa de viagem, e enchemos de coisas [todas elas boas, inclusive a família] – quase nunca deixamos tempo para o repouso mental, e, quando deixamos, eles logo são tomados pelos imprevistos... é, sentamos sobre a mala para fechar... e a nossa viagem já começa com aborrecimento, perdemos pouco a pouco a alegria.
Não temos margem de manobra – um espaço para o que não planejamos. E precisamos aprender que o imprevisto vai surgir, vamos nos cansar, e talvez, ficar amargurados em relação a irmãos que, pensamos, não ajudam a carregar as cargas. O excesso de ocupação tira a alegria, torna o prazer de servir ao Senhor um fardo que nos esmaga, oprime.

 E este é um erro de toda a Igreja – dos que tomam cargas demais, e dos que não tomam carga alguma. O ideal seria que cada um auxiliasse o outro [Gl 6.2: Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo]. Quando isto não acontece, todo o corpo sofre – quando um membro da Igreja perde a alegria, ele acaba atormentando e tirando a alegria de muitos outros.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

DE LUGAR NENHUM

Inadequação. Sensação de alienação a um lugar ou situação. Quem nunca se sentiu assim? Estar em um lugar ou em uma situação e não encontrar ligações que justifiquem estar ali.
Nestes últimos dias o Brasil tem visto um número enorme de  caminhadas, passeatas, manifestações. Pelo que, mesmo? Porque tantas manifestações? Para que? E, mais importante, qual é o objetivo oculto, não declarado? Quem está ganhando para promover estes movimentos?
Se num primeiro momento as manifestações eram político-econômicas, esta semana houve outra, com entre 800.000 participantes, segundo a Polícia Militar, ou 2.000.000, segundo os ufanistas organizadores, chamada Marcha para Jesus, o mesmo que disse que não pretendia fazer gritaria na praça (Is 42.2: Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça), ainda mais num evento organizado pelo casal Hernandes, com a presença de Malafaia e feito para paparicar Feliciano. Não, não é de Jesus, não é meu lugar.
Estive observando uma das manifestações (aqui e aqui) de muito perto, e verifiquei o que já sabia: ali não era meu lugar. Mas também não me senti nem de longe atraído pela tal marcha que Jesus não pediu, mas que promove algumas pessoas, especialmente interessadas em mídia e política. Nas redes sociais é um tal de dizer que este ou aquele  #merepresenta ou #naomerepresenta, de um lado, cristãos, do outro, cristãos também, evidenciando uma casa dividida, um reino que, se não fora a promessa de Deus de que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja, já teria caído há muito tempo.
Se depender deste tal de exército em marcha, cheio de generais, coronéis que encabrestam membros de igrejas, capitães de patente autoconcedida, apóstolos que enviaram a si mesmos, profetas que falam de seus sonhos pessoais, dos desejos do seu ventre, pastores que a si mesmo se apascentam o reino não apenas não será instaurado em sua plenitude como, também, há muito já teria se esfacelado.
Não, não sou parte disso. Me sinto estranho, às vezes sozinho, como um observador numa terra que não é sua - um peregrino, observando e tentando entender costumes e práticas sociais cada vez mais absurdas. Meu lugar não é aqui. Sensação esquisita de não se sentir pertencente ao lugar onde se está, e, ao mesmo tempo, não ter um lugar onde se refugiar.
Porque? Porque, insisto, meu lugar não é aqui. Não pertenço a este lugar. Estou, mas não sou. Minha pátria não é esta, meu coração não está aqui. Nestes dias de passeatas e manifestações tenho visto todo tipo de comportamento, e o que menos me alegra é o de cristãos que, visando defender um ponto de vista, na verdade, uma simpatia por determinados políticos, agirem com desamor para com outros cristãos que possuem visão politica diferente. Brigam e se ofendem - fazem isso publicamente, e, provavelmente jamais pedirão perdão por isso, até porque confundem o direito de opinião com grosserias e ofensas.
E porque tudo isto? Por causas meramente mundanas, terrenas. Se esta não é a pátria do cristão, se o reino de Cristo não é deste mundo, porque tanta luta, tanta energia tem sido gasta nas coisas deste mundo, e tão pouca nas causas do reino. Será que os cristãos que carregavam faixas, cartazes, conviviam com vândalos e maconheiros nas passeatas, eram atingidos por bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha se empenham do mesmo jeito em suas congregações? Trocam um banco de lugar? Tocam uma música? Entregam um folheto?
Tenho minhas sérias dúvidas quanto à maioria. Por favor, não venha me dizer que você faz isso. Provavelmente, você é uma das poucas exceções.
Você já pensou o que Jesus faria em seu lugar? Iria para a via enfrentar os policiais romanos ou iria para a sinagoga, para o templo, para o monte? Ensinaria a usar balaclava, pedras, archotes, virar carros e ameaçar repórteres e desacatar policiais? Ou ensinaria os princípios do reino.
Ah, não me diga que orações não mudam uma nação. Se seu Deus não pode ouvir uma oração e atender, então, que mísero é ele. Não me serve. Ir pra igreja não mudar uma nação, mas ser santo, ético, não aceitar nem pagar suborno muda uma nação. Não votar por interesses e vantagens pessoais muda uma nação. Ser bom no que faz, ser excelente como profissional, como cidadão, isto muda uma nação.
Isto é utopia? Não, lamento dizer, mas utopia é achar que depredar prefeituras e jogar pedras em policiais mudam uma nação. Não pense que sou alienado - as pedras e tiros mudaram o Egito e outros países do oriente médio - parece que para pior. Tenho certeza que você não quer ir morar lá.
Não vai mudar o Brasil, também, e, se o mudar, não será para melhor. As badernas e manifestações trouxeram uma resolução do PT [um projeto do Foro de São Paulo de transformação do Brasil em uma nova Cuba ou Venezuela) que estava engavetada - trouxe para os holofotes crias políticas do PT e do PCdoB, recebidas como se fossem os representantes das multidões que foram às ruas.
Não, a presidente não está ouvindo a voz das ruas. Se quisesse ouvir, teria ido à final da Copa das Confederações. E não foi. Não foi porque não quer ouvir a voz das ruas. Ela ouve a voz de Lula, de Genoíno, de Mercadante, de João Santana.
Não, não me sinto à vontade aqui. Não estou em casa. Continuo me sentindo fora do ambiente. Continuo achando que meu lugar não é aqui. Continuo com vontade de ir para minha casa real. E esta vontade apenas cresce. Cresce quando vejo cristãos se engalfinhando por coisas deste mundo. Coisas pequenas, provincianas, mundanas. Cristãos que amam o mundo, amam as coisas que há no mundo. Será que amam realmente a Deus e ao próximo? Que cristianismo é esse?

Cristãos que ainda não entenderam que aqui são peregrinos, e que, quando ferem outros cristãos, fazem apenas o jogo do seu próprio inimigo. Cristãos que intentam destruir outros cristãos e não percebem que com isso apenas se tornam ainda mais vulneráveis.

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