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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

SOBRE JUSTIÇA DE DEUS, INJUSTIÇA DOS HOMENS E MALAFAIA

Há muito tempo me posiciono em relação ao ensino do sr. Malafaia, ainda que ele tenha, em algumas ocasiões, posicionamentos que considero acertados. Mas um relógio quebrado acerta a hora pelo menos duas vezes por dia. Como disse, discordo de muitos de seus ensinos e, obviamente, não compartilho com sua atuação midiática, monetarista e política. Nunca estranhei seu envolvimento com políticos e com a política – seu comportamento errático, combatendo para depois apoiar, apoiando para depois combater tornavam claro para os não malafólatras que tudo era mais uma questão de interesse, de favores políticos, de encabrestamento eclesiológico do que, propriamente, reflexo de um posicionamento cidadão cristão amadurecido.
Sempre desestimulei a Igreja a ouvir suas mensagens que tinham muito de psicologia e pouco de exegese e hermenêuticas bíblicas. Lamentavelmente até pastores presbiterianos (se reformados é outra história) incentivavam incautos a consumirem essa água turva. Cada vez mais longe do evangelho, unindo-se a heréticos nacionais e internacionais, apoiando políticos de caráter duvidoso e pedindo votos até para candidatos cujos partidos políticos tinham plataforma declaradamente anti-cristã, eis que surge a notícia inesperada: Polícia Federal bate a sua porta sob a acusação de receber dinheiro desviado de royalties no RJ. Pergunta-se: não seria apenas uma oferta de um membro de uma igreja ou de um amigo do evangelho? Porque não se pergunta também: não seria uma recompensa por relevantes serviços prestados para que o mesmo fizesse declarações em suas pregações, palestras, entrevistas e publicações em favor de determinados candidatos, numa forma de propaganda política sub-reptícia?
Sei que logo os malafólatras vão entrar começar a discordar e os réplicas virão. Incentivo-os a fazerem seus posts em seus perfis. De novo, preciso dizer que não me alegro com a notícia que aparece no noticiário, que, sensacionalista, dirá apenas que "Pastor evangélico fez isso" como se todos nós fizéssemos. O evangelho não ganha nada com isso. Mais uma vez vamos ter que lembrar que nem todos somos da mesma fôrma, vamos perder tempo explicando o que não deveria ser necessário explicar. Ou será que o evangelho ganha? Um som dissonante numa sinfonia estraga a harmonia. Um lobo que cai a máscara faz mais bem ao rebanho que um lobo revestido de pelego de cordeiro.
E se Malafaia for inocente desta acusação. Sem problemas. Muitos cristãos e não cristãos já foram acusados antes e inocentados. Do jeito que a coisa vai ele certamente manterá os seus seguidores, como Estevam e Sônia Hernandes manteve os seus, como Edir Macedo também. Isso não é problema para os fãs. Provavelmente não será problema para suas finanças também. Lembremos o que a Palavra de Deus diz a respeito dos seus fiéis: Ele vela pelos simples (Sl 116:6 - O SENHOR vela pelos simples; achava-me prostrado, e ele me salvou) e fará com que a justiça do justo resplandeça (Sl 37:6 - Fará sobressair a tua justiça como a luz e o teu direito, como o sol ao meio-dia).
E se ele não for inocente? Se assim for, que responda judicialmente pelo que fez. Não vou dizer que ele deve pagar por seus pecados, porque somente Cristo pode fazer isso. Mas que ele responda judicialmente, não se martirize ou alegue que está sendo perseguido porque apoiou este ou aquele candidato (até porque ele já apoiou inimigos feitos amigos e amigos foram feitos inimigos). Neste caso lembro as palavras de Pedro (I Pe 4.15-16 - Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome).
O que eu gostaria que acontecesse? Que, no final, ele se provasse inocente. E se dedicasse a pregar o evangelho, apenas o evangelho – e esquecesse as coisas que vão além do evangelho.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

SEJA RADICAL



A frase "Você é radical" quase sempre dita em tom de reprovação, já foi muito comumente ouvida pelos cristãos evangélicos protestantes... Já foi! E hoje não é mais... Porque? E porque fazer questão de denominar com tantas palavras aqueles que eram, simplesmente, chamados de “crentes”.
Atualmente quase todo mundo se diz evangélico - já vi cartazes convidando para reunião espírita evangélica... Já vi uma placa em São Paulo onde se reuniriam católicos evangélicos... Os mórmons também possuem seu próprio evangelho...
Mas, e os evangélicos denominados protestantes? Eram diferentes, tinham estilo de vida diferente... Seu vestir e comportamento eram perceptivelmente diferentes... Lembro claramente de como agiam e como eram tratados na escola colegas evangélicos protestantes... Não participavam das “festinhas” culturais, tais como carnaval, páscoa, são João, entre outros.
E lá vinha a frase: “Você é muito radical”. Acompanhada de duas outras: “Que que tem?” e “Nada a ver!”
Acredito, entretanto, que seja exatamente isto o que esteja acontecendo. Há muito pouco de cristianismo radical no moderno cristianismo.
O desafio para os cristãos do sec. XXI é serem cristãos radicais.
Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças. Cl 2.6-7
Quando vejo o cristianismo do fim do século XX e início do XXI me pergunto: este é o cristianismo radicado em Cristo? Ou é um cristianismo adulterado, sempre em busca de novidade a ponto de uma “celebridade” gospel convocar seus celebritetes (seguidores de celebridades) para uma noite de louca cheiração da Bíblia... Vou ficar apenas neste exemplo para não dar cartaz a quem não merece.
Minha indagação é: Jesus faria tal convite? Ele aceitaria tal convite? Ou adentraria em tal lugar e lhes derrubaria as mesas dizendo-lhes que estavam absolutamente errados por não conhecerem as Escrituras?
Não precisamos viver correndo atrás de novidades nem de coisas maravilhosas - precisamos apenas estar radicados em Cristo, e, radicados nele, vivermos o amor de Deus e mútuo.
Seja radical!
Ser radical faz bem. Ser um cristão radical significa não ter a mente formatada pelo presente século [Rm 12.2] mas deixar-se guiar pelo Espírito do Senhor (Rm 8.14), ter a mente de Cristo (I Co 2.16).
Não sabe como ser radical? A receita está nas Escrituras - na dúvida, não é porque todos estão fazendo que é o certo, mas talvez seja o oposto, o que  é certo esteja justamente naquilo que poucos querem fazer.  
Seja radical!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

MINHA IDENTIDADE ECLESIOLÓGICA

Este texto é um resumo e uma elaboração diferenciada de um texto maior, publicado no blog, sob o título “Pastoreando uma Igreja que já não existe mais”, e a pedido do Rev. Davi Charles Gomes precisamos escrever um paper tendo, praticamente, os mesmos parâmetros, todavia, com reconsideração de algumas das perspectivas originais, percebendo sua aplicabilidade prática e os resultados dela decorrentes, dentro de três perspectivas de identidade: Confessional, Denominacional e Pessoal.
Talvez este seja o texto mais “pessoal”, “profundo” e “analítico” a meu respeito, como pessoa e como ministro do evangelho do Senhor Jesus - ministro deste evangelho dentro da Igreja Presbiteriana do Brasil.
IDENTIDADE CONFESSIONAL
Toda identidade precisa de um norte [base ou norma], e esta está nas Escrituras Sagradas, texto normativo que deve ser recebido, conhecido e obedecido como regra absoluta daquilo que se deve crer e que serve de trincheira para rejeitar o que não se pode crer. Não há ministério cristão que não esteja fundamentado nas Escrituras e sua autoridade absoluta. Para crer o que se deve crer existe a necessidade de conhecer bem e profundamente o que já foi revelado e capacita a dizer “não” diante de inovações tanto extra quanto antibíblico, porque apenas a bíblia é fonte absoluta e jamais obsoleta de autoridade para o seu ser e o seu crer, não relegando a bíblia a uma era estranha e passada. Esta bíblia tem sido explicada através de documentos, humanos, reconhecidos como adequada explicação das Escrituras - aos quais chamamos de Símbolos de Fé: Confissões e Catecismos de Westminster [Maior e Breve], acrescidas dos Credos, aceitas pelos cristãos reformados como autoritativos e normativos ressalvando que sua autoridade e normatividade sustenta-se primariamente nas Escrituras Sagradas. A Igreja deve submeter sua consciência a tais documentos, e isto é lícito porque estes expressam da melhor maneira possível e com alto grau de fidelidade o conteúdo das Sagradas Escrituras. Este compromisso do cristão com a Palavra, mormente do ministro e meu como ministro, requer fidelidade na vivência e no anúncio de todo o conselho de Deus, em dependência do Espírito e desconsiderando custos temporais daí decorrentes.
IDENTIDADE DENOMINACIONAL
Identidade denominacional refere-se ao “onde” e, ainda, “com quem” se vai viver os princípios nos quais se crê e onde eles são vividos, são aceitos como normativos, ainda que, em muitos casos e num espectro mais amplo, isso seja teórico. É onde há identificação com outros que possuam a mesma visão e onde, junto com seus pares, é possível desenvolver com fidelidade o ministério para o qual se foi vocacionado e onde a vocação é estimulada e reconhecida, ainda que muitas vezes o seja com duros embates dentro da própria denominação, e isto deve ser visto, no mais das vezes, que é ferro afiando ferro, é preparo para embates ainda mais duros e para que, assim preparado, resulte em maior utilidade como ministro cristão. Dentro desta denominação, com erros e falhas por ser uma instituição humana, encontra-se outros que caminham junto, aos quais considera-se iguais e aos quais, em circunstâncias especificas, há submissão de maneira voluntária por reconhecer neles ministros do Senhor. Esta submissão é fruto da convicção de que aqueles aos quais se submete estão, primariamente, submissos às Escrituras e aos símbolos de fé. É uma submissão voluntária, uma submissão fruto de uma transformação interior subjacente, fruto da ação do Espírito Santo na vida da sua Igreja.
IDENTIDADE PESSOAL
Tem a ver com a maneira que se expresso as próprias convicções de fé, convicções doutrinárias e ministeriais, ou, dito de outra maneira, sobre o que se é na comunidade na qual está inserido, reconhecendo duas coisas: a fraqueza [pessoal e dos seus semelhantes] e a força daquele que coloca cada cristão neste caminho. Lembrado sempre pelas palavras de Micaías, diante dos reis Acabe e Josafá: “Respondeu Micaías: Tão certo como vive o SENHOR, o que o SENHOR me disser, isso falarei” [I Rs 22.14]. Estas convicções não devem ser exercidas com aspereza ou aridez, mas como fruto do amor a Deus, à sua Palavra, às pessoas que formam a instituição, pois pessoas são mais importantes que instituições, ainda que instituições sejam formadas por pessoas. É sempre difícil reconhecer falhas, reconhecer que às vezes se é o que não deveria, e que ainda não está onde deveria estar. Ainda há para onde ir, ainda há alvos a serem atingidos, e são elevados porque propostos por aquele que é altíssimo. Sei que o único caminho é o da submissão à Palavra de Deus, é amar e ao mesmo tempo submeter-se à Igreja do Senhor  e suas formas de expressão, porque parte dela.

Como ministro e cristão sinto o doce peso da responsabilidade de apresentar a fé àqueles que sejam colocados pelo Senhor na minha área de vivencia [Igreja, família, lazer] no contexto sociocultural local - mas sempre com a fidelidade exigida e ao custo que o Senhor pedir.

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