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sexta-feira, 5 de julho de 2019

A IGREJA QUE EU [E O SENHOR JESUS] QUERO


46 Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, 47 louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos (At 2.46-47).
Estamos muito distantes da Igreja descrita em At 2. são 20 séculos. Isto é muito tempo. A geografia também não nos ajuda. Mas temos uma ajuda importante, que aquela Igreja também tinha: o paracletos de Deus, o Espírito de Cristo que atuava naquela Igreja é o mesmo que atua na Igreja ainda hoje. Mas não é nada difícil constatar que temos colhido resultados um tanto quanto diferentes. E a culpa não é do Espírito. Ele não perdeu o jeito nem se tornou ultrapassado. Mesmo 2000 anos depois o Espírito Santo não é um velhinho caquético e incapaz.
Mas a Igreja não tem muito do que aquela Igreja tinha. Não tem unidade. Não se vê perseverança na doutrina, no partir do pão, nas orações. Não há alegria na comunhão. Não há singeleza de coração. A submissão que a Igreja tinha aos apóstolos não é mais vista nem em relação às autoridades nem quanto à doutrina. A Igreja mudou. E mudou para pior. Provavelmente por isso os resultados também tenham mudado e não colhe com a mesma profusão os frutos que a Igreja colhia naqueles dias memoráveis.
Mas ela ainda pode almejar os frutos que aquela Igreja colhia. Lucas descreve dois frutos que ela experimentava abundantemente. A Igreja, apesar da antipatia das autoridades, gozava da simpatia do povo. A Igreja, apesar de odiada pelos donos do poder, era bem vista por causa da fidelidade, comunhão, amor e alegria que podiam ser encontrados nela. Hoje acontece o inverso. A Igreja é bajulada pelas autoridades, afinal, isto rende votos. A Igreja se esforça por ter representantes nos órgãos de poder, afinal, isto rende influência. A Igreja não é perseguida - mas ela não conta com a simpatia do povo por que não apresenta as mesmas características da Igreja primitiva.
A Igreja também não experimenta mais o fenômeno do crescimento constante. Dia a dia o Senhor ia acrescentando à Igreja os que iam sendo salvos. Não creio que o número dos eleitos de Deus diminuiu nesta geração. A escolha de Deus não raleou... Provavelmente eles estão se reunindo em outros lugares porque, escandalizados com o que os próprios crentes fazem questão de espalhar, não se parece com aquela comunidade amorosa onde “ninguém tinha necessidade”. A dura realidade da Igreja é a de crescimento esporádico, chegando ao ponto de existirem Igrejas que comemoram 40, 50 anos de existência de uma congregação que nunca conseguiu organizar-se por não ter membros, recursos e liderança suficientes. Isto é motivo de tristeza e não de comemoração.
Rogo ao Senhor que nos lembremos de como deve ser a verdadeira Igreja de Cristo, e que não apenas desejemos mas tenhamos a firme resolução de ser esta Igreja: uma comunhão de crentes no Senhor Jesus, que o amam, que obedecem sua palavra, que se sujeitam às suas ordenações, que perseveram na prática dos deveres cristãos e que experimente a alegria da comunhão e do crescimento espiritual e numérico.

segunda-feira, 17 de março de 2014

CARACTERÍSTICAS DE UMA IGREJA BIBLICAMENTE ORIENTADA

O primeiro relato que Lucas faz da vida da Igreja cristã encontra um paralelo nas palavras de João que afirma que a igreja é uma comunhão espiritual com os irmãos, com o Pai e com o filho (I Jo 1:3). Da mesma maneira que a comunhão relatada por João é fruto do ensino apostólico, a vida da Igreja primitiva era da maneira descrita por Lucas por causa do ensino apostólico. Vamos refletir sobre a seguinte proposição: a vida da Igreja, descrita no livro de Atos dos apóstolos, só era daquela maneira porque era norteada pela Palavra de Deus (Dt 17:11).
É muito comum ver a defesa de uma espécie de esquizofrenia nos cristãos, pois uns defendem que há coisas que não são licitas "enquanto crentes" mas que são permitidas "enquanto profissionais". Um exemplo é o médico que afirma defender a vida mas pratica o "aborto terapêutico". Outro exemplo é o comerciante que afirma ser necessário submissão às autoridades mas faz de tudo para sonegar impostos. Outro exemplo ainda é cantar "tudo o que tenho, tudo o que sou, como oferenda te entregar" mas tem um namoro impuro e não contribui para a manutenção da Igreja. O nome disto é hipocrisia. Não existe esta divisão! Isto é um engodo do diabo que faz com que muitos achem que podem ser crentes apenas no fim de semana. Para entendermos esta passagem precisamos ter em mente que o conceito chave é perseverança. A igreja nascente não abandonava o ensino dos apóstolos que pode ser simplificado dizendo que os crentes foram comprados por Cristo com seu precioso sangue (I Co 6:20) para que, como povo santo e exclusivo do Senhor (Tt 2:14) vivessem em união (I Ts 5:10) com ele e com o restante da Igreja.
Por causa da perseverança na Palavra a Igreja sabia como viver em comunhão. Dito de outra maneira, eles estavam unidos porque tinham a palavra a reuni-los. A Igreja não era um clube. Ir à Igreja não era um evento social – não era para ser divertido. Embora ali encontrassem amigos e irmãos, eles se reuniam prioritariamente para ouvirem a Palavra, para aprenderem a doutrina da salvação e praticarem esta doutrina, impactando a vida de quem estivesse ao seu redor.
A palavra orientava e determinava como a Igreja praticava a eucaristia, a santa ceia. Ali não havia divisões, não havia partidarismo como mais tarde vamos encontrar em Corinto. Ali não havia participação indigna, como Paulo denuncia e como, talvez, seja muito mais comum em nossos dias.
A Palavra orientava a vida de oração da Igreja – e os crentes se reuniam e oravam uns pelos outros (Tg 5:16), como aconteceu durante a prisão do apóstolo Pedro (At 12:12-14). Por causa da Palavra a Igreja tinha temor de Deus no coração. Não devemos confundir temor com medo. Medo você pode ter de cobra, de rato, de barata, de homens maus e até do diabo. Mas diante de Deus o cristão tem temor, isto é, uma reverência santa e amorosa, um desejo profundo de não ofender ao criador com ações ou omissões, com palavras ou pensamentos.
A palavra orientava a administração dos bens por parte dos irmãos (Gl 6:10) e isto, certamente, inclui dividir o que tem com o que não tem, e isto é extensivo mesmo aos inimigos (Pv 25:21-22) quanto mais aos irmãos. O evangelista Lucas procurou saber o que o Senhor Jesus havia ensinado, e, na memória dos discípulos de Jesus ficou gravada a ordem do Senhor quanto à comunhão dos bens (Lc 3.11) como um dos frutos que os filhos de Abraão devem produzir.
A Palavra moldava a vida da Igreja como comunidade adoradora, pois eles não desprezavam o seu compromisso de cultuarem juntos a Deus. O culto era mais do que uma reunião, era uma expressão de vida da Igreja, e por isso eles perseveravam unanimes, não de vez em quando, mas diariamente. Para eles estarem presentes nos cultos era uma obrigação espiritual (Hb 10.25) e não uma questão de escolha. Para os cristãos primitivos afastar-se da comunhão com o restante da Igreja era o mesmo que calcar aos pés o sangue de Cristo (Hb 10.29), derramado em favor deles para dar-lhes vida (Jo 10:15).
A Igreja moldada pela Palavra se conhecia, estavam em contato, dividiam o culto, o teto e a mesa e faziam isso com alegria, com um coração singelo, amando seu irmão como o Senhor lhe ensinara e como fruto da ação do Espírito no coração dos crentes, aplicando a obra de Cristo como um sintoma desta nova vida (I Pe 1.22-23). Este amor é singelo, é sincero (I Jo 3.18), não suporta hipocrisia ou fingimento, porque o Senhor detesta a hipocrisia (Mc 7.6).
A Igreja de Jerusalém tinha um corpo de apóstolos verdadeiros, tinha um grande número de pessoas que foram discípulos de Jesus. Tinha pelo menos 120 pessoas que foram tomadas pelo Espírito Santo na descida do pentecostes. Centenas de testemunhas oculares dos feitos de Jesus e, curiosamente, apenas Deus era louvado entre eles (Ap 19.10). Nem mesmo um apóstolo tardio aceita ser adorado, porque todo louvor deve ser dado somente ao Senhor (At 14.11-12). Diferente dos neoapóstolos, pseudoapóstolos e farsantes, eles sabiam que Deus não aceita dividir sua honra com ninguém (Is 42.8). Nem apóstolos, nem levitas, nem imagens, nem instituições: todo o louvor da Igreja era dada ao seu Senhor e salvador (Ap 7.12).
Em tempos de marketing e estratégia, perguntamos: qual era a utilizada pela Igreja de Jerusalém? Uma olhada rápida, e mesmo uma mais detalhada, vai mostrar que a única estratégia que a Igreja conhecia era ser Igreja, era viver como Igreja, era ser uma comunidade de cristãos vivendo como cristãos, anunciando o evangelho do reino, levando o bom perfume de Cristo (II Co 2.15) a quem anunciavam a tempo e fora de tempo (I Co 15.8), aproveitando todas as oportunidades (Cl 4.5). Esta Igreja colheu os resultados de sua obediência:
A Igreja não deve buscar a simpatia popular sacrificando a fidelidade no altar sacrílego da popularidade. Nenhum cristão deve ceder ao mundo para ser popular e, depois, tentar influenciar o mundo, porque os ímpios olharão para um cristão assim e dirão: você não agiu como cristão, não tem autoridade, e nem é um dos nossos (Gn 19.9). Mas a Igreja em Jerusalém contava com a simpatia do povo porque nenhum deles tinham o que falar contra a Igreja (I Pe 3.14-17).
Uma Igreja fiel, como a igreja em Jerusalém, era um vivo contraste diante de um sacerdócio vendido, de escribas e fariseus que todos sabiam ser hipócritas. Mesmo quando houve infiéis no meio da Igreja (casos de Simeão: At 8.20 – e Ananias: At 5.3) a Igreja agiu de maneira a preservar sua santidade e isto servia como um testemunho que trazia pessoas desejosas de servir ao Deus vivo e verdadeiro, de conhecerem o santo e serem salvos por ele. A Igreja de Jerusalém não buscava o aumento numérico da "instituição", porque instituição não havia. Não era este seu alvo. Seu alvo era a salvação de pecadores, era levar homens e mulheres arrependidos por seus pecados aos pés do Senhor, para que este os tomasse em suas mãos e começasse e completasse a obra redentora em cada um deles (Fp 1.6).

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

COMO NÃO SER UMA IGREJA QUE DIZ: "EU NÃO QUERO FAZER"

Texto do boletim da Igreja Presbiteriana em Xinguara, 2014, Fev, 23
O livro de Atos dos Apóstolos nos apresenta uma abordagem da história da Igreja que passa, da promessa do Senhor de fazer de seus discípulos suas testemunhas, mediante a capacitação do Espírito Santo, até a chegada do evangelho na capital do império romano, o lugar considerado mais difícil para o evangelho, algo que poderia ser qualificado de “os confins da terra”. Como um grupo de 120 discípulos conseguiu esta proeza em menos de 4 décadas? Como se transformaram num grupo tão numeroso que chegou a incomodar os césares? A resposta passa por seis características desta Igreja que nunca dizia, na prática, “eu não quero fazer’. Eis as características desta Igreja:
Ela era uma Igreja obediente (v. 1)
O Senhor havia ordenado que seus discípulos voltassem para Jerusalém (Lc 24.49) e lá aguardassem o cumprimento da promessa que dele haviam ouvido, isto é, que o Espírito seria derramado sobre eles. Não era uma promessa nova, pois já havia sido anunciada séculos antes pelo profeta Joel - e o fato de não ser nova apenas corrobora a natureza do propósito imutável de Deus na vida de seu povo.
Ela experimenta o cumprimento da promessa que o Senhor lhe fez (v. 2-4)
A Igreja estava, unida, em Jerusalém, aguardando o cumprimento da promessa que o Senhor lhes fizera. Eles não buscavam outras coisas, nem ouro, nem prata, mas queriam ver a vontade de Deus ser cumprida em suas vidas, em seus dias.
Ela testemunha o que viu e ouviu (v. 5-35)
Por terem recebido a capacitação do Espírito Santo, esta Igreja está habilitada a anunciar todas as coisas, e, sem medo, sai às ruas e anuncia de maneira inteligível (exatamente o contrário das modernas línguas que ninguém entende) a todos os homens que estavam em Jerusalém as coisas concernentes a Jesus, os fatos e promessas do Antigo Testamento, seu cumprimento exclusivamente na pessoa de Jesus Cristo.
Ela exorta os pecadores a se arrependerem de seus pecados (v. 36).
Ela adverte os pecadores para que não cometam o erro de rejeitarem o messias. A Igreja Primitiva disse aos judeus que eles haviam rejeitado o messias, e, não apenas rejeitando-o, mas, também, haviam matando-o. Todavia, isto não era o fim porque Deus havia feito dele Senhor e Cristo, diante de quem todo joelho deve se dobrar - mesmo os joelhos daqueles que o crucificaram usando a mão dos gentios.
Ela colhe os frutos da sua fidelidade (v. 37-40)
Por causa da pregação de Pedro e dos demais discípulos esta Igreja viu uma multidão buscar saber mais sobre o que haviam feito, sobre as consequências de seus pecados e o meio de se livrar da ira de Deus. Diz-nos o texto que eles ficaram de coração compungido, isto é, sentiram verdadeira dor pelo que fizeram, e, então, se arrependem, recebem a remissão de seus pecados e a dom do Espírito que lhes garante a salvação.
Ela se alegra com os resultados (v. 41)
Num único dia a Igreja cresce impressionantes 2500%, e, certamente, goza de grande alegria por causa disso. Sabemos que por um pecador que se arrepende há festa nos céus, imagine então a festa por uma multidão de pecadores que são salvos.
Não devemos os perguntar como fazer parte de uma Igreja como esta. Devemos nos esforçar para sermos uma Igreja assim. E que Deus nos abençoe.

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