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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

GRATIDÃO E ALEGRIA EM UMA VIDA DE ORAÇÃO - I Ts 5.16-22

GRATIDÃO E ALEGRIA EM UMA VIDA DE ORAÇÃO
16 Regozijai-vos sempre.
17 Orai sem cessar.
18 Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.
19 Não apagueis o Espírito.
20 Não desprezeis as profecias; 21 julgai todas as coisas, retende o que é bom; 22 abstende-vos de toda forma de mal.
1Ts 5.16-22
A bíblia nos fala que antes do evangelho éramos sem Deus no mundo (Ef 2:12), alheios às bênçãos que Deus prometeu aos seus e alijados da família da fé.
Existem situações ruins a vida, mas talvez uma das mais difíceis seja a sensação de “não pertencimento”, de não fazer parte de alguma coisa - é possível estar no meio de 1 milhão de pessoas e ainda se sentir solitário. É possível entrar e sair pelas portas de algum lugar, até mesmo falando com as pessoas e ter a sensação de ser absolutamente invisível e deslocado.
Mas ser sem família é provavelmente uma das mais cruéis. Por alguns anos vivi a experiência de morar sozinho, em uma cidade estranha cheia de gente estranha. Até alguns que deveriam ser a minha família só faziam por aumentar esta sensação. E uma família, que não era minha família, totalmente estranhos, sem nenhum laço de sangue me adotou, e hoje ainda sou o “filho mais velho” e o “irmão mais novo”.
Também já tive a oportunidade de ficar sozinho em casa com toda a família viajando e, creia-me, não foram situações agradáveis, a casa tornou-se 10 vezes maior, o silêncio muito mais ensurdecedor, e o relógio extremamente preguiçoso, especialmente no fim da tarde e começo da noite. Por mais difícil que seja a situação que você enfrenta, se você tem o apoio de sua família então fica mais suportável, como cantamos no hino 395.
É verdade que a vida em família também tem suas lutas, suas dificuldades, seus desajustes. Precisamos reaprender a lidar com conceitos como autoridade, comunhão, respeito, perdão. Precisamos aprender a lidar com rebeldes, com gente desanimada e gente fraca, doente e que nunca cresce. E precisamos aprender a, em meio às dificuldades naturais e corriqueiras, aprender a fazer sempre o bem, a evitar retribuir o mal com o mal, a amar verdadeiramente não apenas àqueles a quem amamos (Mt 5:46), mas a todos, sem distinção, sejam nossos preferidos ou não.
Lamentavelmente somos inclinados à ingratidão, a desprezarmos as coisas boas que o Senhor nosso Deus nos deu fazendo o contrário do que ele quer (Lc 6:35). Desprezamos a comunhão, dos santos, deixando de congregar, preferindo o pecado à bênção (Hb 10:25). Desprezamos o privilégio de contribuir (II Co 8:4) e acabamos escolhendo o pecado de roubar a Deus (Ml 3:8). Desprezamos o privilégio de compartilhar o amor redentor de Cristo preferindo o pecado da negação silenciosa ou blasfemadora como fez Pedro.
A família da fé, a Igreja, é uma bênção de Deus. A família da fé é uma benção de Deus para cada um de nós e, ao consideramos as bênçãos de Deus, temos muitos e preciosos motivos para viver em alegre regozijo em ações de graças através da oração.
GRATIDÃO E ALEGRIA EM UMA VIDA DE ORAÇÃO
Se você ler este texto sem uma análise mais cuidadosa poderia pensar duas coisas: ou Paulo não tinha noção da realidade, não era casado, não tinha vizinhos ou parentes, e não tinha que trabalhar (e você só vai pensar assim se não conhecer nada sobre o apóstolo - II Ts 3:8), não tinha nenhuma das ocupações e preocupações cotidianos que os mortais comuns tem ou que, então, ele estava pensando em propor uma forma de monasticismo como era possível encontrar entre alguns grupos apocalípticos de seus dias, grupos extremados como os essênios (e isso só lhe passaria pela cabeça se realmente não conhecesse realmente nada, absolutamente nada, sobre Paulo - Cl 2:20-23).
O que o Espírito quer que aprendamos é que existe uma maneira correta de viver à partir do reconhecimento das inúmeras bênçãos de Deus em nossas vidas. E este reconhecimento passa pela expressão verbal, de gratidão a Deus, através da oração, audível ou não - e esta expressão de gratidão pode ser constante em toda e qualquer circunstância.
O CRISTÃO TEM MOTIVOS PARA ESTAR CONSTANTEMENTE ALEGRE
16 Regozijai-vos sempre. 17 Orai sem cessar. 18 Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.
1Ts 5.16-17
Certa vez um pastor procurou um jovem recém convertido e, ao mesmo tempo, recém-chegado à sua Igreja e em uma cidade estranha e lhe perguntou se ele era crente. Diante da resposta positiva ele insistiu perguntando sobre a sua certeza de salvação com nova resposta positiva e então o pastor concluiu com uma terceira pergunta: a certeza de vida eterna não lhe traz alegria - e pela terceira vez a resposta foi positiva, e então o pastor lhe disse que ele precisava aprender a expressar esta alegria, tanto no rosto quanto nas ações, para demonstrar de maneira mais visível esta sua alegria da salvação que ele carregava no coração.
Mesmo em meio às suas lutas, que eram muitas, Paulo diz aos tessalonicenses para eles se regozijarem em todo o tempo. Pode parecer esquisito esperar que alguém esteja sempre alegre com o sentido comum de sorridente, e não é isto exatamente o que Paulo quer dizer. O que ele está dizendo é ainda mais do que isso. Regozijar (xairo) é o mesmo que estar contente, é estar extremamente contente, extremamente alegre, considerar-se bem-sucedido.
Agora imagine o apóstolo Paulo morando em um palacete. Imagine que ele tem dezenas de seguranças 24h por dia cuidando dele. Imagine que ele sequer precise trabalhar para ter o que comer. Imagine que sua única ocupação é orar e escrever até o fim dos seus dias. E esta foi uma boa descrição da vida do apóstolo Paulo. Agora, imagine isto da perspectiva correta, veja isto mais de perto. Imagine o apóstolo Paulo preso e prestes a se executado escrevendo aos filipenses e dizendo-se um homem bem-sucedido e pedindo-lhes que completem a sua alegria (Fp 2:2)? É exatamente isto o que ele faz.
Agora imagine um apóstolo moderno, morando em mansões e viajando de jatinhos dizendo-se um homem jubiloso e bem-sucedido mas ainda pedindo doações de milhões em programa de televisão para trocar de jatinho e comprar fazendas e mais fazendas, mansões e mais mansões (I Tm 6:9)? Qual dos dois tem mais razão? Quem tem mais motivos para considerar-se bem-aventurado, bem-sucedido, feliz? Ambos, se você considerar as razões do coração de cada um.
Mas... Qual dos dois terá maiores motivos para rejubilar-se diante de Deus dizendo que completou acarreia, e guardou a fé, após combater o bom combate (II Tm 4:7)? Qual dos dois poderá dizer que aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação, seja de fartura ou de escassez, de honra ou de perseguição (Fp 4:11)? Somente um, somente o verdadeiro apóstolo, somente aquele cujos tesouros são celestes e não materiais (Lc 12:34).
Imagine aí Valdomiro Santiago sem seus bois, ou Edir Macedo sem seu jatinho? Ou Silas Malafaia sem seus DVDs? Ou Cláudio Duarte sem risadas e palmas? Imagina-os considerando-se bem-sucedidos?
O júbilo do cristão é verdadeira bem aventurança porque independe das circunstâncias. Enquanto todos podem enxergar apenas o fim de uma carreira o cristão olha firmemente para o autor e consumador da fé (Hb 12:2), olha para o seu Senhor e espera nele.
Não havendo nenhuma razão, mesmo quando tudo parece perdido e infrutífero (Hc 3:17-18) o cristão ainda espera porque confia em seu Senhor, olha para aquele que prometeu, e é verdadeiro em suas promessas, e é poderoso pra cumprir suas promessas.
O cristão, você, cristão, tem todos os motivos necessários para não ser pessimista, para não se murmurador, mas só o cristão que é amado e conhece o amor de Deus consegue perceber que por maiores que sejam as suas lutas e dissabores com Cristo a outra opção é ainda pior - lutas e dissabores sem Cristo, e, por fim, a morte, o inferno.
Você tem razões para considerar-se o mais bem sucedido de todos os homens: você foi amado de Deus, salvo por meio de Jesus Cristo e é sustentado pelo Espírito Santo de Deus na família da fé. Você já achou a razão para se sentir parte, você já pertence a uma família, a um povo, ao povo de Deus.
EM TODO O TEMPO O CRISTÃO TEM MOTIVOS PARA ORAR
16 Regozijai-vos sempre. 17 Orai sem cessar. 18 Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.
1Ts 5.16-17
Já sabemos que tudo o que temos é uma dádiva de Deus. Nosso méritos, isto é, o que fazemos que merece alguma forma de retribuição , só nos conduziriam à eterna condenação (Rm 6:23). Somos essencialmente pecadores, somos, por natureza, filhos da ira (Ef 2:3), se houvéssemos sido deixados à nossa própria sorte, às inclinações da nossa carne só deveríamos esperar condenação e morte eternas.
Mas Deus nos deu outra coisa: ele nos deu vida (Ef 2:5), nos faz assentar nos lugares celestiais com Cristo Jesus, nos faz novas criaturas (II Co 5:17) e nos capacita a viver e ver em tudo expressões de sua graça e misericórdia, de seu amor e cuidado acima de qualquer ritual ou méritos (Gl 6:15).
Geralmente pensamos e interpretamos a Palavra do Senhor que nos diz para tudo fazermos para glória de Deus como um imperativo, mas você também pode, sem desprezar o imperativo, vivenciar este texto em sua vida com um olhar de gratidão. Quer comais pode ser vivido em oração, dizendo ao Senhor de coração grato “obrigado por ter o que comer, obrigado pela qualidade, pela quantidade, pela companhia”. Quer bebais também pode ser feito agradecendo enquanto muitos passam sede, tomam água de péssima qualidade, contaminada; que tal agradecer pela água gelada, pelo suco, pelo café, pelo leite, etc..
Mas Paulo ainda diz “quer façais outra coisa qualquer” que pode ser vivido agradecendo por sua vida em família (que deve ser tão imperfeita quanto a minha ou quanto qualquer outra); por seu trabalho (e não há trabalho que não seja estressante por causa da maldição lançada sobre Adão (Gn 3:19) - ou você preferiria estar sendo contado entre os 14 milhões de desempregados?)... Ou você preferia não ter família? Não ter trabalho? Do que você tanto reclama mesmo ao invés de dar graças? Preferia não ter família? Não ter trabalho? Não ter estudos - e aquelas enfadonhas aulas, trabalhos massacrantes e provas extenuantes? Preferiria não ter igreja - talvez em lugar dela que tal um simples clube ou algum antro onde drogas e bebidas sejam consumidas indiscriminadamente numa orgia de escarnecedores? Preferia estar com eles a não ter nem a comunhão dos santos? Preferia seu destino e não ter a seu dispor como presente de Deus a dádiva da salvação?
O que aconteceria se Deus te dissesse que só manteria em sua vida aquilo que você valorizasse e orasse agradecendo a Deus no dia anterior? Será que assim você finalmente aprenderia a orar sem cessar por coisas simples da vida e que você tem desprezado e murmurado? Não agradeceu por seu emprego? Desempregado! Reclamou do seu carro? Vai a pé! Seus filhos dão trabalho? Partiram! Seus pais são “quadrados”? Sozinho! Seus amigos não são legais? Solitário! Sua escola é chata? Analfabeto! Sua Igreja é... é... é... Ah, sei lá, mas algo que você critica? Proibida de cultuar!
Será que pararia de maldizer a vida? Cessaria a murmuração por causa de eventuais dificuldades familiares? Pararia de reclamar do seu cônjuge, de seus pais ou de seus filhos? Pararia de reclamar de seu trabalho por meio do qual Ele lhe dá o seu pão de cada dia? Pararia de reclamar de sua escola se fosse proibido de frequentar uma escola qualquer? Pararia de reclamar de sua Igreja se ela lhe fosse tirada como Paulo foi tirado dos Efésios e dos Tessalonicenses? E se Deus lhe dissesse que tiraria de você, de uma vez por todas, toda e qualquer coisa contra a qual você murmurasse e reclamasse ao invés de interceder e glorificar ao Senhor (Jd 1:16)?
É sobre mudar a disposição de seu coração e dar graças a Deus que Paulo está falando (Is 29:24). É sobre isto o que Paulo está falando com eles, é sobre isso que o Senhor está nos falando. É isto o que significa vida de oração incessante: em tudo ver a manifestação da realização da vontade Deus em nossas vidas, tanto na dádiva das tribulações que prova a fé e produz perseverança e salvação quanto na dádiva das bênçãos da vida eterna.
Percebe agora como é possível orar em todo o tempo? Percebeu que é possível falar com Deus em todo o tempo mesmo em meio às provações da fé e das rotinas do dia-a-dia?
EM TODO O TEMPO O CRISTÃO DEVE DAR GRAÇAS
16 Regozijai-vos sempre. 17 Orai sem cessar. 18 Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.
1Ts 5.16-17
A terceira atitude que deve ser constante na vida de um cristão é a de dar ações de graças. E não estamos falando de um culto de ações de graças por um emprego conseguido, um negócio fechado, um filho que chega, uma cura obtida, uma aprovação em exame ou qualquer outro benefício. Espere! Eu não estou dizendo que não deve expressar gratidão! Você deve!
Mas o que Paulo está dizendo é para dar graças em tudo. Os tessalonicenses perderam o seu pastor (I Ts 2:17), e deveriam dar graças a Deus porque esta era a vontade insondável, mas boa, perfeita e agradável de Deus para a vida deles.
Jasom e outros foram presos? Deviam dar graças porque foram considerados dignos não apenas de crer, mas de padecerem por causa do amor a Cristo (I Pe 4:12-14). E você, foi reprovado em um exame apesar de ter se preparado exaustivamente? Dê graças. E se não estudou? Dê graças igualmente porque o Senhor como pai que ama, te disciplinou e te deu mais uma oportunidade para se preparar melhor para o próximo exame.
O ensino das Escrituras é um só: dar graças em tudo, em tudo ver a manifestação da soberania de Deus, corrigindo, edificando, suprindo, abençoando por um motivo muito simples: o cristão vê em tudo a vontade bondosa de Deus sendo feita em sua vida porque sabe que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo o seu propósito (Rm 8:28) - e Ele sabe que foi chamado segundo o propósito eterno de Deus que é sempre benigno para suas criaturas.
CONCLUSÃO
Qualquer pessoa pode se perguntar: porque isto está acontecendo na minha vida? O que eu fiz para merecer isso? Ou pode afirmar: “Eu fiz por merecer, batalhei, lutei, me esforcei, venci. Aquele que crê em Jesus e compreende as Escrituras tem a resposta para estas situações. Ele entende que a causa é Deus, e seu amor, e seu propósito soberano. Mas o crente continua, e se pergunta: para que? E a resposta é: para o seu bem, para a sua edificação, para seu crescimento espiritual e, finalmente, para glória de Deus.
Se você compreende estas coisas, se você entende como os tessalonicenses entenderam que a estadia de Paulo em seu meio foi para lhes anunciar a salvação em Cristo Jesus, e receberam isto como Palavra de Deus, e entenderam que era o propósito de Deus tirá-lo deles para o seu próprio progresso na fé, e que Deus lhes deu autoridades para governa-las e irmãos para se exortarem mutuamente, se consolarem e ampararem mutuamente, então eles finalmente entenderam o propósito de Deus para suas vidas e se você tem esta mesma percepção então você está compreendendo que a vontade de Deus em sua vida é boa, perfeita e agradável.
Se você reconhece o amor de Deus em sua vida então em tudo você vai receber as situações de sua vida em oração incessante, com regozijo. Sem reclamação, sem murmuração. Seja qual for a situação, você crendo nisto ou não, Deus continua cuidado de cada detalhe de sua vida, e o que está em estudo nesta ocasião é se você vai se deleitar na vontade de Deus ou vai viver murmurando, com ingratidão, lamúria e tristeza. Se é só isso o que você tem conseguido fazer, então você precisa conhecer este maravilhoso convite do Senhor Jesus:
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11.28).

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

É POSSÍVEL AMAR A IGREJA REAL - I Ts 3.6-10

6 Agora, porém, com o regresso de Timóteo, vindo do vosso meio, trazendo-nos boas notícias da vossa fé e do vosso amor, e, ainda, de que sempre guardais grata lembrança de nós, desejando muito ver-nos, como, aliás, também nós a vós outros,
7 sim, irmãos, por isso, fomos consolados acerca de vós, pela vossa fé, apesar de todas as nossas privações e tribulação,
8 porque, agora, vivemos, se é que estais firmados no Senhor.
9 Pois que ações de graças podemos tributar a Deus no tocante a vós outros, por toda a alegria com que nos regozijamos por vossa causa, diante do nosso Deus,
10 orando noite e dia, com máximo empenho, para vos ver pessoalmente e reparar as deficiências da vossa fé?
I Ts 3.6-10
 Paulo havia enviado Timóteo para fazer uma visita à Igreja dos tessalonicenses, preocupado e em busca de informações sobre como eles estavam vivendo a sua fé tão recentemente abraçada, tão violentamente perseguida (I Ts 1:6) e tão abruptamente privados de seu pastor. Para sua alegria as notícias são boas: eles estão vivendo a sua nova vida demonstrando sua fé através de obras que evidenciam-nas perante todos; eles continuavam amando-se mutuamente e amando aos demais homens mostrando-lhes o caminho da salvação; e, apesar das perseguições, se mantinham firmes em sua viva esperança.
Se não tomarmos cuidado podemos incorrer num enorme erro: pensar que a Igreja era perfeita, que ali não havia qualquer espécie de necessidade de melhoria (Fp 3:12). Não é assim que a Igreja de Cristo se vê, embora haja hereges que tenham afirmado que a própria perfeição.
Perfeita só a Igreja no momento da sua glorificação (Ef 5:27). Perfeita a Igreja só é, agora, como Deus a vê em Cristo. Vejamos como Paulo vê a Igreja que era sua filha, fruto do seu labor, pela graça de Deus operando nele. A chegada de Timóteo trouxe notícias de uma Igreja viva, operosa, amorosa, esperançosa. Mas uma Igreja que ainda precisava crescer espiritualmente, que precisava conhecer mais sobre a sua fé, sobre a doutrina e sobre como viver para glorificar a Deus (I Ts 3:10).

ALEGRE-SE COM O QUE VOCÊ CONHECE DA IGREJA
I Ts 3:6 - Agora, porém, com o regresso de Timóteo, vindo do vosso meio, trazendo-nos boas notícias da vossa fé e do vosso amor, e, ainda, de que sempre guardais grata lembrança de nós, desejando muito ver-nos, como, aliás, também nós a vós outros...
A Palavra de Deus diz que é bom, que é agradável a comunhão dos irmãos (Sl 133:1). Todos nós guardamos boas recordações do convívio festivo com os nossos amigos e familiares. Paulo recebeu por intermédio de Timóteo boas notícias que alegraram o seu coração, como já temos visto repetidamente; ele se alegra com as notícias de sua fé e do seu amor, mas também com as lembranças pessoais compartilhadas. Eles eram lembrados não como transtornadores do mundo (At 17:6) ou culpados de serem, agora, perseguidos. Pelo contrário, eles queriam que Paulo estivesse novamente entre eles, lhes ensinasse mais, lhes exortasse sobre como viver ainda mais abundantemente para a glória de Deus.
Quais as recordações que você costuma guardar de sua Igreja? Como você se sente, como fica o seu coração quando você se lembra da Igreja? Como fica seu coração quando você se lembra que está chegando a hora de fazer o que Paulo não podia fazer naquele momento: encontrar-se com os irmãos? Você se sente ansioso (Sl 122:1) ou despreza a comunhão (Hb 10:25)?
Deve haver algo terrivelmente errado com a vida da Igreja se ela despreza a comunhão - a Igreja é gente, é pecador tornado santo, é pecador tornado crente, chamado para pertencer a Jesus Cristo (Rm 1:6), com um destino: serem santos (Rm 1:7), para serem uma comunidade, um novo povo (Tt 2:14).
Deve haver algo de muito errado com a Igreja quando em pensar em ir congregar é motivo de desânimo, é visto como uma obrigação a ser cumprida semanalmente e para a qual vai o mais tarde possível, e de onde se sai ainda mais rapidamente. É para se pensar em onde está o problema quando o crente precisa ser “convidado para o culto”.
Paulo tinha alegria em pensar na Igreja, tinha alegria em pensar em estar com a Igreja porque ali estavam seus irmãos, homens e mulheres que foram igualmente salvos por Jesus Cristo. Nas Igrejas havia pessoas que se desentendiam e eram exortadas a mudar (Fp 4:2), havia pessoas que precisavam ser corrigidas por pensarem errado sobre a obra e pessoa de Cristo.
Mas ainda era o corpo de Cristo (Cl 3:15), ainda estavam unidos pelo mesmo Espírito (I Co 12:11).
E isto era motivo de alegria para Paulo (Fp 2:2) porque sem dúvidas era motivo de alegria para o Senhor a quem Paulo fazia todo o empenho por imitar (I Co 11:1).

LOUVE A DEUS POR SUA IGREJA
I Ts 3:7-8 - ...sim, irmãos, por isso, fomos consolados acerca de vós, pela vossa fé, apesar de todas as nossas privações e tribulação, 8 porque, agora, vivemos, se é que estais firmados no Senhor.
Você conhece bem a sua Igreja? Se você conhece sabe de suas lutas, de suas dificuldades, dos planos, anseios e até mesmo suas frustrações e problemas. Não há Igreja sem problemas, internos ou externos, materiais, relacionais e até espirituais. O que você faz? Você pode reclamar, ou pode murmurar, ou pode criticar, ou pode até fazer como a maioria faz, começa com uma sensação de inadequação, depois de desânimo e esfriamento e que culmina com afastamento e em alguns casos em apostasia final e definitiva (Hb 12:3).
Mas o que realmente importa não é o que os outros estão fazendo, mas o que você deve fazer. Diante de tantas opções possíveis só tem uma que você pode escolher; e não é desanimar, esfriar, afastar, apostatar porque isto sim é chamar sobre si mesmo terrível maldição (Hb 10:29). A única opção que você pode considerar é a de viver em comunhão com a Igreja do Senhor (I Jo 1:3-4) e louvar a Deus por sua Igreja, pela Igreja que ele comprou por preço altíssimo: o sangue de seu unigênito Jesus Cristo (At 20:28). É louvar a Deus pela Igreja que ele estabeleceu mediante a pregação da Palavra da verdade.
O que o Senhor nos ensina através desta palavra é que o crente deve agradecer a Deus por fazer parte de um povo especial, de uma nação separada e santificada, de uma família especial, a família da fé, a família de Jesus, a família de Deus.
O que você tem feito? Você já agradeceu a Deus por sua Igreja? Pelo seu pastor? Pelos seus presbíteros? Pelos seus diáconos? Você os ajuda em seu ministério sendo-lhe submisso (Hb 13:17). Pelos seus irmãos e irmãs apesar de ver neles as mesmas falhas que existem em você (Lc 6:42).
Como você se sentira se domingo que vem você saísse de casa e a Igreja já não estivesse aqui? Como se sentira se Deus tirasse de você o seu pastor, especialmente se você não tem dado graças por ele? E se o mesmo acontecesse com os presbíteros de cujas decisões e trabalho você às vezes discorda e reclama? E se não tivesse mais os diáconos que você acha que não cuidam da Igreja como deveriam?
E se você viesse a Igreja e os irmãos com os quais você não tem buscado a necessária comunhão não estivessem mais aqui? Agora esqueça todos estes ‘ofícios’ e se lembre que eles todos são seus irmãos. Você louva a Deus por eles ou preferiria que eles lhe fossem tirados?
Não é fácil, não é? Bom, então a boa notícia é: não é fácil mesmo. Se fosse fácil o Senhor não mandaria que você fizesse. Ele não te mandaria amar seus irmãos (Jo 13:34) e nem mesmo mandaria amar e fazer o bem aos inimigos da fé, que perseguem os crentes por serem de Jesus (Mt 5:44). Mas ele mandou. E o que tem de boa notícia nisso? Tem que ele enviou o seu Espírito para te auxiliar a cumprir seus mandamentos, efetuando em você o querer e o realizar (Fp 2:13) para que você cumpra sua vontade que é sempre boa, perfeita e agradável (Rm 12:2).

ANSEIE PELA COMUNHÃO DOS SANTOS QUE ESTÃO NA SUA IGREJA
I Ts 3:9 - Pois que ações de graças podemos tributar a Deus no tocante a vós outros, por toda a alegria com que nos regozijamos por vossa causa, diante do nosso Deus,
O ensino das Escrituras é que o amor deve ser de verdade, sem fingimento (I Tm 1:5). O Senhor provou o seu amor pelo seu povo e ensinou a seu povo a exercitar o mutualidade do amor como ele próprio o amou (Jo 13:34). A mais eficaz prova de que se conhece a Deus é o exercício do amor: a Deus, aos irmãos e ao próximo. E isto foi visto na Igreja que serviu de modelo para Paulo e que também modelou o comportamento dos tessalonicenses, a Igreja de Jerusalém.
A comunhão dos santos era tão importante que eles perseveravam diariamente no templo (At 2:46), e quando não esteavam no templo exercitavam a fé de casa em casa e nem mesmo a prisão foi suficiente para impedir os cristãos de ansiarem por esta união, como vemos no exemplo de Pedro que, liberto da prisão, foi imediatamente para o local onde a Igreja estava reunida.
Aqui aprendemos uma segunda atitude esperada e determinada por Deus para você: independente das situações que se apresentem, independente de quais sejam os seus planos o maior anseio do seu coração deve ser estar em comunhão com os irmãos (Rm 15.22-24).
Certamente o lugar onde a Igreja estava reunida seria o primeiro lugar onde Pedro seria procurado (At 12:12), mas mesmo assim foi para lá que ele foi; Paulo sabia que poderia ser morto se fosse para Tessalônica mas desejava ir para lá; Paulo sabia que seria preso em Jerusalém e foi para junto dos irmãos em Jerusalém que ele foi (Rm 15:25), e ficou anos preso por causa disso para o progresso da fé (At 21:10-11).
Você se importaria se, por algum motivo, fosse impedido de ir à Igreja por causa do trabalho que você tanto se empenha, ou pelo amor ao qual você tanto se dedica, ou por uma enfermidade, ou ainda por uma determinação de alguma lei (Sl 42:4)? Será que você só passaria a valorizar o privilégio de congregar com os santos que há na terra (Sl 16:3) se ele lhe fosse tirado, como você faz, por exemplo, reclamando tanto da obrigatoriedade de votar e certamente ficaria profundamente indignado se ele lhe fosse retirado.
Congregue, meu irmão, anseie pela comunhão dos santos. Congregue, minha irmã. Deleite-se neste maravilhoso privilégio que o Senhor tem dado a você.

 ORE POR SUA IGREJA
I Ts 3:10 - ... orando noite e dia, com máximo empenho, para vos ver pessoalmente e reparar as deficiências da vossa fé?
Você pode agradecer a Deus por sua Igreja, ou, mais que isso, você deve agradecer a Deus por sua Igreja porque foi esta e não outra a Igreja que Deus lhe deu como Paulo fazia em relação aos tessalonicenses (II Ts 2:13). Não adianta ficar pensando em como seria se você estivesse na Igreja daqui ou dacolá... Com o pastor Sicrano ou Beltrano, ou com os presbíteros Pafúncio ou Nostrôncio. Esta é a Igreja que Deus te deu, é nesta Igreja que Deus lhe plantou, é nela que você deve congregar e frutificar, experimentando o compartilhamento dos dons que Deus deu e o conforto pela companhia mútua (Rm 1:11-12).
Mas aqui aprendemos também que há mais uma coisa que você deve fazer, e não é reclamar, não é murmurar e tampouco é boicotar suas atividades. Você deve orar incessantemente no Espírito, deve interceder por sua Igreja como algo mais que uma mera instituição (e ela é uma instituição), mas muito mais do que isso, porque ela deve ser vista e vivida como uma comunhão de irmãos que consideram a presença uns dos outros como uma bênção (Sl 133:1).
Ore por seus pastores, ele são seus irmãos em Cristo e não apenas ocupantes de um cargo, a Igreja não é uma empresa, é um corpo, o corpo de Cristo e somos membros uns dos outros (Ef 4:25) e devemos nos ajudar mutuamente porque este é o desejo do Senhor (Gl 6:2). Ore por seus presbíteros, eles são seus irmãos e não apenas cargos nem apenas governantes; ore por seus diáconos, eles são seus irmãos e não empregados da Igreja (Gl 5:13).
Ore pelos membros da Igreja, eles são seus irmãos, são o corpo de Cristo e você é parte deste corpo, e quando uma parte do corpo sofre, todo o corpo sofre (I Co 12:26). Se você não se importa com o sofrimento do corpo então isto é uma indicação de que você não é parte deste corpo.
Ore por sua Igreja. Ore por seus irmãos em Cristo. Ore com alegria e não por obrigação, ore porque você quer o bem do povo de Deus, ore pela paz do povo de Deus (Sl 122:6). Paulo diz que ele orava dia e noite, com o máximo empenho, e fazia isso por uma Igreja que não era perfeita.

CONCLUSÃO
Talvez você esteja esperando a sua Igreja ser uma Igreja perfeita para, então, dar graças a Deus por ela. Não há mal em desejar que sua Igreja seja perfeita, mas o que você não pode é se recusar a louvar a Deus porque ela é imperfeita.
Ou, talvez, você esteja esperando a Igreja alcançar a perfeição para passar a congregar - a notícia que talvez você não goste é que, se você esperar isso, você nunca vai congregar. Talvez esteja esperando o pastor perfeito atendendo a todas as suas necessidades e desejos - bom, ele já veio, e o mataram. E ele vai voltar, mas só para os que já fizerem parte do seu corpo, a Igreja, e não para os que estiverem fora dela; talvez espere um conselho que tome decisões inspiradas como as do concílio de Jerusalém e todos aceitem unanimemente e alegremente; talvez espere sua Igreja ter diáconos como Estevão e, então, e quando usa Igreja for como a de Tessalônica, passar a congregar. Ou talvez você esteja esperando que a pessoa que você considera mais importante no mundo seja perfeita e então passe a congregar - tenho que te dizer, no entanto, que você não é e não será perfeito (Ec 7:20) a não ser que seja aperfeiçoado em Cristo Jesus.
Ou, talvez, você espere que sua Igreja tenha uma vida tão harmoniosa como a descrita em At 2 para então passar a orar por ela, ou, quem sabe, esteja esperando que uma perseguição se levante, que seu pastor seja preso, que um presbítero e um diáconos sejam mortos para passar a orar por sua Igreja. O problema é que você não tem o direito de esperar por uma Igreja perfeita porque ela simplesmente não vai ser uma Igreja perfeita antes da volta do Senhor Jesus, e aí já não haverá mais necessidade disso - e não haverá mais tempo para você congregar nela, já será tarde demais (Pv 1.24-30). Outra realidade terá sido inaugurada, mas, até lá você não deve se omitir.
Você deve ser parte da Igreja, parte de uma Igreja imperfeita, parte de uma Igreja que tem deficiências em sua fé e mesmo assim tem uma fé operosa; parte de uma Igreja que ainda tem um coração que precisa de mandamento para amar e mesmo assim expressa um amor abnegado e você também pode ser parte de uma Igreja que, mesmo vacilando às vezes, possuiu uma firme esperança no Senhor Jesus e suas promessas.
O que você precisa é entender que você deve ser parte de uma Igreja que é exatamente como você é mesmo assim segue adiante, ferida, perseguida, titubeante às vezes, mas operosa, amorosa, esperançosa.
E ela será menos operosa, menos amorosa, menos firme se você criticar ao invés de louvar, cruzar os braços e se ausentar ao invés de amar a comunhão e a abandonar ao invés de interceder por ela.
E ela será tão operosa, tão amorosa, tão firme quanto você for. Será tão operosa quanto você estiver disposto a viver a sua fé... Será tão amorosa quanto você estiver disposto a amar ao seu próximo e até ao seu inimigo. Será tão firme quanto você guardar firme a confissão da sua fé.
Eu poderia dizer: não seja cego para com as falhas da Igreja, e isto seria verdadeiro. Mas eu tenho que dizer para não ser cego às deficiências da sua Igreja, da Igreja que você é mais do que da instituição da qual você faz parte. vamos corrigir isso, à partir de agora e para a qual tem um mandamento, que também é para você: santificai-vos (Js 3:5) e sede perfeitos (Mt 5:48).
Vamos ser Igreja. Vamos ser Igreja de Cristo. Vamos ser Igreja em busca da comunhão, da oração, do amor. Vamos ser genuína Igreja de Cristo.

sábado, 31 de dezembro de 2016

GRATIDÃO NO SALMO 103

“Um ano mais de vida, guardou-vos o Senhor,
E deu-vos fiel guarida, no seu divino amor,
De coração dai graças, ao vosso eterno pai
Pois mais um ano passa, a Deus mil graças dai”.

Esta não tem sido a tônica nas conversas mais comuns neste fim de ano. Jornais de economia e política colocam o ano de 2016 como o ano a ser esquecido, o ano perdido. Muda a maneira de dizer, muda a idade e muda o tamanho da conta bancária, geralmente mais enxuta, com menos números, às vezes mais colorida... parecida com a camisa do Bahia... azul, vermelha, azul, vermelha... mas ainda é melhor que ficar como a camisa do Internacional – totalmente no vermelho.
Não tem sido muito comum ouvir pessoas dizendo que este ano foi um ano bom. Mas, afinal, este foi ou não foi um ano bom. Bem, depende da perspectiva. Depende de como olhamos para os fatos e feitos, para o quanto valorizamos o que temos e, muitas vezes, de quanto valorizamos o que não temos, não conseguimos, não alcançamos. Às vezes a sensação de que nada foi bem não é nem pelo que perdemos, mas pelo que não conseguimos ter. Enfim, tudo depende daquilo em que colocamos as nossas expectativas de realização, de satisfação. Utilizando uma linguagem mais teológica, depende de quem é o ídolo do coração do homem.
Quanto mais devotado ele for a um ídolo, quanto maior o amor que lhe dedicar, quanto mais esperar dele a sua realização maior a sensação de fracasso quando sofrer algum tipo de decepção. Em todas as áreas da vida. Talvez você diga: “mas como, eu sou cristão, sou evangélico, não tenho ídolos”. Talvez não tenha uma imagem de gesso num canto ou pendurada em uma correntinha, ou uma figura pintada na parede ou pregada em seu carro – e tanto mais profundo é o ídolo, mais difícil de perceber sua realidade e influência porque ele se torna “natural”, parte da vida.
Deixe-me exemplificar. O grande ídolo da vida de alguém pode ser o cônjuge, noivo ou namorado (ou noiva e namorada) por quem é capaz de pequenos e grandes sacrifícios – mas, inconscientemente sempre com a expectativa de que seu sacrifício seja visto, reconhecido e recompensado. Se não vem – isto estraga todos os demais aspectos da vida.
Mas outro ídolo também pode ocupar o lugar do coração do homem. Por exemplo, sua família. Se algo não dá certo, se a família não funciona como acha que é certo, se os filhos não são como “os dos outros” então, o que certamente acontece, os filhos se vão, faculdade, casamentos, chega a síndrome do ninho vazio e vem a sensação de fracasso, de inadequação, de que sempre está faltando algo, mesmo que não haja nenhuma necessidade essencial insatisfeita.
Mais um ídolo: o trabalho. Funcionário esforçado, exemplar, frequente e participativo. Seu ídolo é a carreira, espera reconhecimento dos colegas, do patrão, quem sabe na forma de promoção ou no mínimo com um quadro de “funcionário do ano” na confraternização da firma. Mas de repente o que chega é a aposentadoria, ou, pior, o desemprego. Seu ídolo se foi, e toda a vida é vista com grande desprazer.
Ninguém faz uma imagem ao São Marido, São Trabalho ou Santa Família. Ainda não vi ninguém fazer promessa á Santa Carteira de Trabalho para ter um aumento – ainda não vi, mas, do jeito que andam as coisas, não duvido absolutamente nada de que alguém já tenha feito ou venha a fazer.
Mas, se o trono do seu coração é ocupado pelo Senhor, ou seja, se você já teve a experiência de tomar o Senhor como seu Senhor, entregando-se em suas mãos em absoluta confiança de que ele fará não apenas o melhor que ele puder, mas simplesmente tudo o que lhe for necessário (Sl 37.5), então, você terá a experiência de estar plenamente satisfeito, de não sentir desejos ardentes por mais nada (Sl 23.1) independente de qual seja a sua situação (Fp 4.11) em uma determinada circunstância (Hc 3.17-18) e ainda terá motivos para dar graças por saber que esta é a vontade de seu Deus, de seu Senhor, para sua vida (I Ts 5.18).
É sobre esta experiência que eu gostaria de viver em plenitude que o salmista fala no salmo 103. Vamos ler os versos 1 a 5 para entender que sentimento, que experiência é esta da qual ele fala:
1 Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome.
2 Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios.
3 Ele é quem perdoa todas as tuas iniqüidades; quem sara todas as tuas enfermidades; 4 quem da cova redime a tua vida e te coroa de graça e misericórdia; 5 quem farta de bens a tua velhice, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia.
O louvor de Davi, que foi tirado de detrás da malhada de ovelhas para ser rei em Israel (I Cr 17:7) se concentrou nos atos gloriosos de Deus. Em algum momento ele poderia queixar-se da vida ou de coisas que lhe aconteceram na vida, como ser motivo de desprezo dos seus próprios irmãos, ou ser perseguido pelo próprio sogro simplesmente porque dava o melhor de si mesmo a Deus e Deus o abençoava lhe dando vitórias gloriosas. Mas não, Davi se concentra em dar louvores a Deus, como fez Jó quando instado por sua esposa para amaldiçoar a Deus (Jó 2:10).
Davi louva a Deus, elogia a sua bondade e seu cuidado misericordioso. De Deus recebemos todas as coisas – sem merecer nenhuma delas. Mesmo a pior vida ainda é vida, e nem mesmo nós merecemos. Mesmo o mais infortunado dos homens ainda pode contar bênçãos passadas, bênçãos do presente e confortar-se na expectativa de bênçãos futuras. Se você algum dia não se sentir motivado para louvar a Deus, para agradecer por alguma coisa, se você pensar em dizer que sua vida não vale a pena ser vivida, então, leia as doces e gratas palavras de Davi: “1 Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome”.
O que podemos aprender com Davi e, olhando para o “famigerado 2016”, nos guiarmos nos anos que Deus ainda nos dará? Antes de prosseguir, porém, é necessário que você perceba um pequeno detalhe: o salmista não se prende ao passado, nem espera o futuro para louvar: ele o faz no tempo presente porque entende que a bênção e o cuidado de Deus correm paralelas às nossas lutas diárias – mesmo quando caminhar no vale da sombra da morte faz doer os pés e arder os olhos.
Quero compartilhar com você duas verdades que aprendi ao ler estes versos maravilhosos da Palavra de Deus:

AÇÕES DE GRAÇAS é FRUTO DO CONHECIMENTO DE QUEM DEUS É

Davi diz uma coisa mais que óbvia: a sua alma deveria bendizer ao Senhor. É óbvio, mas precisa ser explicado. Quando o Senhor criou o homem, fê-lo em barro e depois soprou-lhe o fôlego da vida e ele passou a ser alma vivente (Gn 2.7). Fora a discussão se o homem é composto de corpo e alma ou alguma outra coisa, o fato é que o homem é alma vivente e somente sendo alma vivente ele pode louvar a Deus (Is 38.18).
Quando Davi diz que sua alma deve louvar ao Senhor ele está dizendo que vai louvá-lo com a integridade do seu ser, e enquanto tiver vida. Só pode louvar a Deus quem está vivo. Mortos não louvam. Mortos não adoram. Mortos não podem dar testemunho da bondade e da fidelidade de Deus porque, morrendo o homem, cessam as suas cogitações e interesse nas coisas desta vida. Se você tiver dúvida sobre quem deve louvar ao Senhor e sua proposição é que sua alma, seu ser, que ele deve louvar ao Senhor com integridade, com todo o seu ser, enquanto vivo for (Sl 150.6).
Com o que devemos louvar ao Senhor? Com o que devemos servir ao Senhor? O que você tem que serve para servir ao Senhor? Seus bens? Suas propriedades? Seus diplomas? Seu conhecimento científico? Sua rede de relacionamentos (e não estou falando do facebook). A resposta dos catecúmenos é: com meus dons, talentos, bens e presença. Isto quer dizer que devemos servir ao Senhor com todo o nosso ser. Nada menos que isso é aceitável, nenhum homem de ânimo dobre é aceitável diante do Senhor (Tg 1.7-8).
Mas esta adoração não é nem aleatória como era o culto dos atenienses (At 17:27) nem natural e espontânea, pelo contrário, a tendência natural do homem é subverter a verdade e em seu lugar colocar uma mentira que ele próprio é capaz de fabricar segundo a imagem que ele faz de si mesmo como criação caída (Rm 1.25), em alguns momentos criando um deus no qual reflete uma visão de si com qualidades elevadas ou, o que também não é incomum, se coloca como insignificante, inferior aos animais (adorando seres irracionais ou animais) o que revela mais uma vez a mentira no lugar da verdade de Deus (Sl 8.5).
O salmista faz questão de mencionar o nome de Deus, SENHOR (hwhy) e lembrar que o seu Deus não é um Deus como os deuses dos povos, mas o Deus cujo nome é santo (Ez 43.7) e para o qual os anjos cantam louvores (Is 6.3), que são constantes nos salmos sempre lembrando que quem louva ao Senhor deve conhece-lo e jamais esquecer que ele é santo (Sl 30.4; 33.21). 

QUEM CONHECE A DEUS SABE PORQUE AGRADECER

O primeiro verso do Sl 103 diz quem, com o que e a quem o louvor deve ser dirigido. Cada homem, cada ser humano, cada ser que respira deve louvar a Deus com todo o seu ser. Os versos 2 a 5 continuam a tratar do mesmo assunto ensinando que louvor é gratidão, é reconhecimento e lembrança do que Deus tem feito – e sua ação poderosa é motivo de esperança para o crente (Lm 3.21) mesmo nas situações mais adversas, como, por exemplo, a dos jovens amigos de Daniel na corte babilônica (Dn 3.17-18).
Davi avança, desenvolve o seu pensamento, descobre mais uma camada do seu pensamento e passa a considerar não mais o ser de Deus, mas seus atos de misericórdia para com seu povo e conclama a si mesmo para não ser ingrato, não se esquecer, isto é, não deixar de considerar os seus feitos grandiosos. Não é possível perceber os atributos de Deus e glorifica-lo sem considerar o que ele faz, porque o que ele faz revela quem ele é (I Jo 4.16).
Se ingratidão é não considerar mais o que Deus faz de bom, então só pode dar graças quem não se esquece de ter sido beneficiado. Bendizer ao Senhor é lembrar que Ele é a fonte de todas as nossas bênçãos. O salmista bendiz ao Senhor com todo o seu ser (SI 146.2). Davi faz uma lista de tipos de benefícios que o Senhor lhe concedeu – e que certamente você já experimentou em ao menos uma vez na sua vida. Se você não quer dar graças a Deus agora ou você é ingrato ou é um esquecido.
Em primeiro lugar Davi diz que o Senhor perdoa todas as tuas iniquidades. Se você não tem casa, não tem carro, não tem família, não tem emprego nem tem saúde... se você tem uma casa que não é do seu jeito, seu carro é velho, sua família é problemática, seu emprego é desgastante e sua saúde não é das melhores... se você tem uma excelente casa, seu carro é o melhor, sua família é uma agradável fonte de alegria, seu emprego é maravilhoso e sua saúde é de ferro... não importa, nada disso é mais importante do que o que Davi afirma aqui: o Senhor perdoa todas as suas iniquidades. Lembremos que o salário do pecado é a morte (Rm 3.23) e a prática do pecado é garantia de eternidade no inferno (I Co 6.9-10). Se você acha que não tem razão para dar graças a Deus, então, lembre-se desta razão, e se ela não for suficiente, você é realmente ingrato demais: Deus te livrou da sentença que paira sobre os praticantes do pecado (condenação ao inferno) e da morte (Rm 8:2).
Em segundo lugar Davi diz que Deus sara todas as tuas enfermidades. Eu creio que ele está se referindo especificamente às enfermidades do ser humano em sua integralidade, isto é, enfermidades morais, psíquicas e físicas e suas manifestações somáticas, no corpo. Embora Deus não tenha a obrigação de curar nenhuma de suas enfermidades, todavia, toda cura provém dele, toda boa dádiva e todo dom perfeito vem dele, vem do alto, para nós. Deus não diz que não haverá enfermidades, mas que é ele quem cura cada uma delas (Dt 32:39). Sou incapaz de afirmar a razão de cada enfermidade que ataca uma pessoa, especialmente o crente. Jamais cairia na tolice de ser como os amigos de Jó. Mas uma coisa é certa – se você está vivo, se você ainda não foi fulminado pela mais inescapável de todas as doenças (a morte) então você tem motivos para agradecer a Deus.
Em terceiro lugar, Davi diz que Deus é aquele que traz redenção ao moribundo, aliás, mais que moribundo, pois sem Deus o estado do homem é de morto (Ef 2.1) e Deus lhe dá vida – uma nova vida, que faz sentido e já é, aqui, um antegozo da bênção da vida eterna que também já foi outorgada, isto é, dada mediante lei irrevogável do supremo legislador. E porque ele faz isso? Não é por nada que possamos fazer, primeiro, porque mortos não podem fazer nada, e, em segundo lugar, para evitar a tentação do arrogante coração humano de achar que tem direito a exigir alguma coisa de Deus. Não caia na tentação de dizer: “Deus eu vou fazer isso, mas quero aquilo”... e, tendo feito, começar a cobrar dizendo: “Deus eu fiz isso, agora faça sua parte”. Deixe-me dizer-lhe que a parte de Deus é ser Senhor, soberano, livre, e se ele nos dá alguma coisa, a redenção inclusive, é porque Ele se compadece em seu coração da nossa miséria e graciosamente nos dá não apenas o que estão diante de nossos olhos, mas, também, seu filho amado (Rm 8:32), nosso Redentor.
Por fim, Davi fala da suficiência que vem de Deus. Ele afirma que Deus é quem farta de bens a velhice e renova a mocidade como a da águia. Na cultura oriental a águia era tida como o animal que, quanto mais velho, mais experiente e forte ele se tornava pela agilidade de seu voo e pela constante renovação de suas plumas, tornando-se, assim, um símbolo de juventude perene (Is 40.31). Um provérbio desejava que a pessoa envelhecesse como a águia, isto é, se tornando mais e mais forte. As Escrituras afirmam que Deus é a fonte de toda suficiência (Tg 1.17), e, embora pareça que a juventude é quem é forte para alcançar as coisas (e a isso a bíblia chama de jactância, arrogância), na verdade é Deus quem dá, tanto ao que trabalha vigorosamente (Tg 4.15-16), como àquele que já não tem mais nenhum vigor (Is 40.29-30).

SE VOCÊ ESTÁ COM DIFICULDADES EM AGRADECER

Este salmo de Davi expressa de maneira magistral o que deve ocupar o coração da Igreja do Senhor Jesus, de cada cristão verdadeiro. O cristão não precisa de bem estar para dar graças a Deus. O cristão dá graças a Deus porque ele conhece o seu Senhor, conhece o seu Deus, conhece o nome santo do Senhor.
Como cristão ele sabe que seu Senhor já lhe proporcionou bênçãos extraordinárias e inalcançáveis pelo braço do homem. O homem não consegue alcançar a sua própria salvação, não consegue promover a sua própria remissão e não consegue, de maneira alguma, o perdão de seus pecados. Quantos ricos e poderosos, ou pobres e miseráveis, tanto faz, vivem vidas loucas, e acabam morrendo em seus abusos simplesmente porque estão buscando, de alguma maneira, esquecer-se lá no mais íntimo de seu ser que são rebeldes sem causa contra o Deus boníssimo e santo? Seu grande problema? Indisposição para agradecer a Deus as pequenas e grandes coisas.
Vamos fazer agora um pequeno exercício mental. Imagine que você tem em suas mãos um papel e uma caneta. Neste papel estão gravados os nomes de algumas pessoas. Os casados imaginem o nome de seu cônjuge, filhos e filhas. Os não casados, imaginem os nomes dos irmãos e pais. Imagine que aí também tem uma lista dos bens que possui. Casa. Carro. Moto. Bicicleta. Celular. Gado. Imagine que aí, nesta lista, também tem coisas que você faz. Estudos. Trabalho. Tarefas domésticas. Imagine que à frente desta lista tem um espaço para você colocar algo que te aborrece nestas coisas.
Agora deixe-me te contar uma história pessoal, acontecida no dia 13 de novembro de 1987. Meu avô comprou uma bicicleta usada, uma Monark, e me deu de presente de aniversário. Eu saí todo feliz e naquele mesmo dia aprendi a andar de bicicleta. Mas ela tinha um problema: os freios estavam desregulados. E, depois de andar a tarde inteira eu, feliz mas cuidadoso, fui falar com meu avô que precisava regular o freio. Não sei por que ele, muito bravo, pegou a bicicleta e eu nunca mais a vi.
Voltemos à listinha imaginária. E se Deus fosse como meu avô foi naquela ocasião? Se cada vez que você murmurasse contra algo que você tem ele tirasse? Está pronto para ficar sem seu cônjuge? Ou sem seus pais? Ou sem seus filhos? Sem seu emprego? Sem seus estudos? Sem sua casa? Sem suas propriedades?
Quero concluir propondo a você um outro modelo de gratidão. Um homem que tinha casa. Tinha propriedades. Tinha esposa. Tinha filhos. E sua riqueza não lhe impedia de devotar-se a Deus com ações de graças. Este homem perdeu tudo. Perdeu propriedades. Perdeu filhos. Perdeu, de alguma maneira, o companheirismo da esposa. Perdeu a saúde. E, ainda assim, continuou a devotar-se a Deus com ações de graças. Seu nome é Jó. Para concluir, cito aqui as benditas palavras do apóstolo dos gentios, Paulo, que deixou tudo o que considerava importante por amor de Cristo (Fp 3.4-11) que diz para todos nós que, em tudo, devemos dar graças:
Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.

I Ts 5:18

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

AOS MEUS MENINOS - UM ATÉ LOGO

aos meus meninos
Chegou a hora de nos despedirmos. De coração, gostaria de não dizer-lhes adeus. Prefiro um "até logo", na expectativa de que os caminhos da fé nos permitam outros reencontros. Mas não é sem um nó na garganta e uma sensação de pesar que me despeço de vocês, por ora.
Meninos e meninas, me permitam chamá-los de "meus meninos". Peço licença para, junto com estes meninos e meninas, adolescentes, incluir alguns outros, alguns que não podem ser contados entre os que ainda não chegaram aos dezoito, alguns que já chegaram e passaram dos oitenta, mas que, de coração, considero meus meninos – independente se são homens ou mulheres. Adolescentes, jovens, homens e mulheres que, num momento de extrema liberdade, peço: permitam-me chamá-los de meus meninos. Externo a minha gratidão a Deus por tê-los conhecido e, mesmo com as minhas muitas limitações, tê-los pastoreado, se bem que houve momentos que eram vocês que pastoreavam o meu coração. Obrigado, muito obrigado.
Em dias de ferrenha luta vocês foram gigantes, fizeram a diferença, e, mesmo com pouca idade demonstraram possuir mais maturidade, mais que papo, foram, de fato, cabeças. Vocês tem cabeça, erguida e altiva, mas sem estarem contaminados com o vírus do orgulho, da arrogância e da prepotência, como tanto se viu.
Resistiram com decência a ataques indecentes, brincaram de se animar mutuamente, mesmo por telefone, em suas incessantes trocas de mensagens, enquanto recebiam ameaçadores telefonemas e absurdas pressões. Visitaram para edificar, para animar, a pé, de bicicleta no causticante sol que assola o Tocantins. Sem ar condicionado, com vento no rosto mas não na cabeça, cheios de amor e não de amargura no coração.
Com humildade ensinaram o que deveriam ainda estar aprendendo, ensinaram a quem não queria aprender. Sim, ensinaram a quem não queria aprender, pois os que, já devendo ser mestres pelo tempo decorrido de congregação, muitas vezes tempo maior do que o de vida que vocês, meus meninos, têm. Mesmo com suas gafes adolescentes foram mestres, pois não se deram a frases estudadas com o intuito de causar dano – causavam danos apenas no mau humor, com uma infinidade de risos.
Serviram com humildade e alegria, e foram grandes, enquanto muitos que por muito tempo foram considerados grandes se apequenaram na mesquinharia de máscaras de piedade que caíram revelando interesses inconfessáveis, e, por inconfessáveis, imperdoáveis.
Gigantes que desafiaram, abaixando a cabeça não por medo, mas em devota oração, vozes truculentas e mentirosas que lhes profetizaram fracasso – falsos profetas, falsas profecias, arautos de uma mensagem do próprio ventre e, por não serem verdadeiros, mostrando a identidade de seu pai e se revelaram mentirosos.
Vocês, meus meninos, foram grandes quando aqueles que se achavam os maiorais se apequenaram – foram firmes quando muitos foram apenas omissos, e a omissão não é outra coisa senão o apoio ao mal. Permaneceram inabaláveis em seus postos quando muitos preferiam passar para outras partes, ferindo assim o corpo.
Foram exemplares frente a tantos maus exemplos, colunas e baluartes da Igreja que resistiram ao dia mal e a maus todos os dias.
Cuidai-vos, outros virão, talvez lobos que se reaproximarão, travestidos novamente de ovelhas, tudo farão para fazê-los, com seus jogos e seduções, esquecer-se do que foi aprendido – exemplares de maus exemplos buscarão com sagaz hipocrisia minar vossa virtude. Atentai, observai a história e não vos deixai iludir por palavras e sorrisos, por lobos e raposas, pois os tais, quando lhes mostram os dentes, não é por gentileza, mas por desejo de sangue. Lobos e raposas podem vestir-se e maquiar-se de cordeiros, mas não podem mudar a sua natureza.

Talvez esperassem ouvir, no fim, um lamento, mas não, não lamento deixá-los, nem por um momento. Lamentaria se vocês não estivessem prontos, mas estão. Não se desviem, nem se deixem desviar. Já resistiram bravamente, já resistiram e venceram a oposição – cuidai agora de perigos ainda maiores, os perigos da sedução. Sois fortes, tendes vencido o maligno. Sois fiéis, vossa já é a coroa da vida – não deixem que sorrisos sedutores e fala macia vos roubem o que é vosso pela graça de Cristo.

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