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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

CONCLUSÃO: DEUS NUNCA NOS DECEPCIONARÁ PORQUE ELE É SEMPRE O SENHOR DE TUDO, DE TODOS E DE TODAS AS CIRCUNSTÂNCIAS

1Rs 19:15-21 - Disse-lhe o SENHOR: Vai, volta ao teu caminho para o deserto de Damasco e, em chegando lá, unge a Hazael rei sobre a Síria. 16 A Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei sobre Israel e também Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar. 17 Quem escapar à espada de Hazael, Jeú o matará; quem escapar à espada de Jeú, Eliseu o matará. 18 Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou. 19 Partiu, pois, Elias dali e achou a Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze juntas de bois adiante dele; ele estava com a duodécima. Elias passou por ele e lançou o seu manto sobre ele. 20 Então, deixou este os bois, correu após Elias e disse: Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe e, então, te seguirei. Elias respondeu-lhe: Vai e volta; pois já sabes o que fiz contigo. 21 Voltou Eliseu de seguir a Elias, tomou a junta de bois, e os imolou, e, com os aparelhos dos bois, cozeu as carnes, e as deu ao povo, e comeram. Então, se dispôs, e seguiu a Elias, e o servia.


A resposta de Deus às angústias de Elias passa por algumas observações importantes. Em primeiro lugar Deus concorda que seu servo foi fiel, e apesar daquele momento de abandono ainda o tem como instrumento para realização de sua vontade. A vontade de Deus é resumida em uma só palavra: “Vai”.

Em seguida Deus reafirma o seu poder sobre todas as coisas, porque seu poder não está circunscrito às coisas que podem ser observadas, e isto inclui tanto a fidelidade do profeta quanto a infidelidade de Israel sob a liderança dos perversos Acabe e Jezabel. Elias tem uma missão: proclamar a soberania de Deus sobre as nações, como mais tarde o profeta Isaías mostraria Deus levantando a Ciro para este mister (Is 45:1 - Assim diz o SENHOR ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações ante a sua face, e para descingir os lombos dos reis, e para abrir diante dele as portas, que não se fecharão).

Em terceiro lugar Deus mostra que os que procederam perfidamente não se manteriam tranquilamente desfrutando dos resultados de sua perfídia. Jeú seria levantado para tomar o lugar de Acabe (2Rs 9:7 - Ferirás a casa de Acabe, teu senhor, para que eu vingue da mão de Jezabel o sangue de meus servos, os profetas, e o sangue de todos os servos do SENHOR) e Jezabel teria sua carne devorada pelos cães no meio da rua (2Rs 9:10 - Os cães devorarão Jezabel no campo de Jezreel; não haverá quem a enterre. Dito isto, abriu a porta e fugiu) num triste destino para a filha de um rei.

É provável que você já tenha se sentido tão angustiado a ponto de ter vontade de desistir. Talvez chegue ao ponto de pensar em abandonar a Igreja, deixar de ser crente. Mas isto é impossível. É impossível deixar de ser crente. É possível deixar de ser membro de uma Igreja por não ser crente, amando mais o mundo que ao Senhor. Mas só faz isto quem não é crente de verdade (1Jo 2:19 - Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos).

É até possível um crente de verdade deixar a congregação temporariamente por causa de um problema pessoal ou de um pecado, mas um crente de verdade não deixa de ser crente. Ele confia no Senhor, ele sabe que o seu Deus é Senhor sobre toda a terra. Ele sabe que os escudos das terras (símbolos de poder e soberania) pertencem ao Senhor (Sl 47:9 - Os príncipes dos povos se reúnem, o povo do Deus de Abraão, porque a Deus pertencem os escudos da terra; ele se exaltou gloriosamente).

O descanso que Elias pediu viria. Embora tenha se tornado conhecido como o ápice do movimento profético de Israel, ele seria substituído por um homem duas vezes mais incisivo do que ele, que continuaria fazendo o papel de boca de Deus e braço do Senhor mesmo que Israel preferisse a babugisse de 850 falsos profetas de falsos deuses.

Quando a prova vier, lembre-se que o propósito de Deus sempre será cumprido, lembre-se que no tempo certo o Senhor lhe dará o descanso, confie no Senhor em todo o tempo, não cometa o erro que Ben-Hadade cometeu, de confiar em carros e em cavalos, ou como fizeram os contemporâneos do profeta Isaías, buscando apoio na iniquidade (Is 31:1 - Ai dos que descem ao Egito em busca de socorro e se estribam em cavalos; que confiam em carros, porque são muitos, e em cavaleiros, porque são mui fortes, mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao SENHOR!). O perverso vai continuar vivendo perfidamente praticando suas perversidades, mas o crente deve continuar vivendo como crente fazendo coisas de crentes (Ap 22:11 - Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se) até que o Senhor venha e retribua com justiça, o que deveria arrepiar de medo ao injusto e deve trazer gozo e alegria antecipadas ao crente (Ap 22:12 - E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras).

Confie no Senhor, faça o bem, habita na terra e alimenta-te da verdade até que o Senhor faça a justiça brilhar como o sol ao meio dia.

Sl 37:1-6 - Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniqüidade. 2 Pois eles dentro em breve definharão como a relva e murcharão como a erva verde. 3 Confia no SENHOR e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade. 4 Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração. 5 Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará. 6 Fará sobressair a tua justiça como a luz e o teu direito, como o sol ao meio-dia.

sábado, 31 de dezembro de 2016

GRATIDÃO NO SALMO 103

“Um ano mais de vida, guardou-vos o Senhor,
E deu-vos fiel guarida, no seu divino amor,
De coração dai graças, ao vosso eterno pai
Pois mais um ano passa, a Deus mil graças dai”.

Esta não tem sido a tônica nas conversas mais comuns neste fim de ano. Jornais de economia e política colocam o ano de 2016 como o ano a ser esquecido, o ano perdido. Muda a maneira de dizer, muda a idade e muda o tamanho da conta bancária, geralmente mais enxuta, com menos números, às vezes mais colorida... parecida com a camisa do Bahia... azul, vermelha, azul, vermelha... mas ainda é melhor que ficar como a camisa do Internacional – totalmente no vermelho.
Não tem sido muito comum ouvir pessoas dizendo que este ano foi um ano bom. Mas, afinal, este foi ou não foi um ano bom. Bem, depende da perspectiva. Depende de como olhamos para os fatos e feitos, para o quanto valorizamos o que temos e, muitas vezes, de quanto valorizamos o que não temos, não conseguimos, não alcançamos. Às vezes a sensação de que nada foi bem não é nem pelo que perdemos, mas pelo que não conseguimos ter. Enfim, tudo depende daquilo em que colocamos as nossas expectativas de realização, de satisfação. Utilizando uma linguagem mais teológica, depende de quem é o ídolo do coração do homem.
Quanto mais devotado ele for a um ídolo, quanto maior o amor que lhe dedicar, quanto mais esperar dele a sua realização maior a sensação de fracasso quando sofrer algum tipo de decepção. Em todas as áreas da vida. Talvez você diga: “mas como, eu sou cristão, sou evangélico, não tenho ídolos”. Talvez não tenha uma imagem de gesso num canto ou pendurada em uma correntinha, ou uma figura pintada na parede ou pregada em seu carro – e tanto mais profundo é o ídolo, mais difícil de perceber sua realidade e influência porque ele se torna “natural”, parte da vida.
Deixe-me exemplificar. O grande ídolo da vida de alguém pode ser o cônjuge, noivo ou namorado (ou noiva e namorada) por quem é capaz de pequenos e grandes sacrifícios – mas, inconscientemente sempre com a expectativa de que seu sacrifício seja visto, reconhecido e recompensado. Se não vem – isto estraga todos os demais aspectos da vida.
Mas outro ídolo também pode ocupar o lugar do coração do homem. Por exemplo, sua família. Se algo não dá certo, se a família não funciona como acha que é certo, se os filhos não são como “os dos outros” então, o que certamente acontece, os filhos se vão, faculdade, casamentos, chega a síndrome do ninho vazio e vem a sensação de fracasso, de inadequação, de que sempre está faltando algo, mesmo que não haja nenhuma necessidade essencial insatisfeita.
Mais um ídolo: o trabalho. Funcionário esforçado, exemplar, frequente e participativo. Seu ídolo é a carreira, espera reconhecimento dos colegas, do patrão, quem sabe na forma de promoção ou no mínimo com um quadro de “funcionário do ano” na confraternização da firma. Mas de repente o que chega é a aposentadoria, ou, pior, o desemprego. Seu ídolo se foi, e toda a vida é vista com grande desprazer.
Ninguém faz uma imagem ao São Marido, São Trabalho ou Santa Família. Ainda não vi ninguém fazer promessa á Santa Carteira de Trabalho para ter um aumento – ainda não vi, mas, do jeito que andam as coisas, não duvido absolutamente nada de que alguém já tenha feito ou venha a fazer.
Mas, se o trono do seu coração é ocupado pelo Senhor, ou seja, se você já teve a experiência de tomar o Senhor como seu Senhor, entregando-se em suas mãos em absoluta confiança de que ele fará não apenas o melhor que ele puder, mas simplesmente tudo o que lhe for necessário (Sl 37.5), então, você terá a experiência de estar plenamente satisfeito, de não sentir desejos ardentes por mais nada (Sl 23.1) independente de qual seja a sua situação (Fp 4.11) em uma determinada circunstância (Hc 3.17-18) e ainda terá motivos para dar graças por saber que esta é a vontade de seu Deus, de seu Senhor, para sua vida (I Ts 5.18).
É sobre esta experiência que eu gostaria de viver em plenitude que o salmista fala no salmo 103. Vamos ler os versos 1 a 5 para entender que sentimento, que experiência é esta da qual ele fala:
1 Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome.
2 Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios.
3 Ele é quem perdoa todas as tuas iniqüidades; quem sara todas as tuas enfermidades; 4 quem da cova redime a tua vida e te coroa de graça e misericórdia; 5 quem farta de bens a tua velhice, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia.
O louvor de Davi, que foi tirado de detrás da malhada de ovelhas para ser rei em Israel (I Cr 17:7) se concentrou nos atos gloriosos de Deus. Em algum momento ele poderia queixar-se da vida ou de coisas que lhe aconteceram na vida, como ser motivo de desprezo dos seus próprios irmãos, ou ser perseguido pelo próprio sogro simplesmente porque dava o melhor de si mesmo a Deus e Deus o abençoava lhe dando vitórias gloriosas. Mas não, Davi se concentra em dar louvores a Deus, como fez Jó quando instado por sua esposa para amaldiçoar a Deus (Jó 2:10).
Davi louva a Deus, elogia a sua bondade e seu cuidado misericordioso. De Deus recebemos todas as coisas – sem merecer nenhuma delas. Mesmo a pior vida ainda é vida, e nem mesmo nós merecemos. Mesmo o mais infortunado dos homens ainda pode contar bênçãos passadas, bênçãos do presente e confortar-se na expectativa de bênçãos futuras. Se você algum dia não se sentir motivado para louvar a Deus, para agradecer por alguma coisa, se você pensar em dizer que sua vida não vale a pena ser vivida, então, leia as doces e gratas palavras de Davi: “1 Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome”.
O que podemos aprender com Davi e, olhando para o “famigerado 2016”, nos guiarmos nos anos que Deus ainda nos dará? Antes de prosseguir, porém, é necessário que você perceba um pequeno detalhe: o salmista não se prende ao passado, nem espera o futuro para louvar: ele o faz no tempo presente porque entende que a bênção e o cuidado de Deus correm paralelas às nossas lutas diárias – mesmo quando caminhar no vale da sombra da morte faz doer os pés e arder os olhos.
Quero compartilhar com você duas verdades que aprendi ao ler estes versos maravilhosos da Palavra de Deus:

AÇÕES DE GRAÇAS é FRUTO DO CONHECIMENTO DE QUEM DEUS É

Davi diz uma coisa mais que óbvia: a sua alma deveria bendizer ao Senhor. É óbvio, mas precisa ser explicado. Quando o Senhor criou o homem, fê-lo em barro e depois soprou-lhe o fôlego da vida e ele passou a ser alma vivente (Gn 2.7). Fora a discussão se o homem é composto de corpo e alma ou alguma outra coisa, o fato é que o homem é alma vivente e somente sendo alma vivente ele pode louvar a Deus (Is 38.18).
Quando Davi diz que sua alma deve louvar ao Senhor ele está dizendo que vai louvá-lo com a integridade do seu ser, e enquanto tiver vida. Só pode louvar a Deus quem está vivo. Mortos não louvam. Mortos não adoram. Mortos não podem dar testemunho da bondade e da fidelidade de Deus porque, morrendo o homem, cessam as suas cogitações e interesse nas coisas desta vida. Se você tiver dúvida sobre quem deve louvar ao Senhor e sua proposição é que sua alma, seu ser, que ele deve louvar ao Senhor com integridade, com todo o seu ser, enquanto vivo for (Sl 150.6).
Com o que devemos louvar ao Senhor? Com o que devemos servir ao Senhor? O que você tem que serve para servir ao Senhor? Seus bens? Suas propriedades? Seus diplomas? Seu conhecimento científico? Sua rede de relacionamentos (e não estou falando do facebook). A resposta dos catecúmenos é: com meus dons, talentos, bens e presença. Isto quer dizer que devemos servir ao Senhor com todo o nosso ser. Nada menos que isso é aceitável, nenhum homem de ânimo dobre é aceitável diante do Senhor (Tg 1.7-8).
Mas esta adoração não é nem aleatória como era o culto dos atenienses (At 17:27) nem natural e espontânea, pelo contrário, a tendência natural do homem é subverter a verdade e em seu lugar colocar uma mentira que ele próprio é capaz de fabricar segundo a imagem que ele faz de si mesmo como criação caída (Rm 1.25), em alguns momentos criando um deus no qual reflete uma visão de si com qualidades elevadas ou, o que também não é incomum, se coloca como insignificante, inferior aos animais (adorando seres irracionais ou animais) o que revela mais uma vez a mentira no lugar da verdade de Deus (Sl 8.5).
O salmista faz questão de mencionar o nome de Deus, SENHOR (hwhy) e lembrar que o seu Deus não é um Deus como os deuses dos povos, mas o Deus cujo nome é santo (Ez 43.7) e para o qual os anjos cantam louvores (Is 6.3), que são constantes nos salmos sempre lembrando que quem louva ao Senhor deve conhece-lo e jamais esquecer que ele é santo (Sl 30.4; 33.21). 

QUEM CONHECE A DEUS SABE PORQUE AGRADECER

O primeiro verso do Sl 103 diz quem, com o que e a quem o louvor deve ser dirigido. Cada homem, cada ser humano, cada ser que respira deve louvar a Deus com todo o seu ser. Os versos 2 a 5 continuam a tratar do mesmo assunto ensinando que louvor é gratidão, é reconhecimento e lembrança do que Deus tem feito – e sua ação poderosa é motivo de esperança para o crente (Lm 3.21) mesmo nas situações mais adversas, como, por exemplo, a dos jovens amigos de Daniel na corte babilônica (Dn 3.17-18).
Davi avança, desenvolve o seu pensamento, descobre mais uma camada do seu pensamento e passa a considerar não mais o ser de Deus, mas seus atos de misericórdia para com seu povo e conclama a si mesmo para não ser ingrato, não se esquecer, isto é, não deixar de considerar os seus feitos grandiosos. Não é possível perceber os atributos de Deus e glorifica-lo sem considerar o que ele faz, porque o que ele faz revela quem ele é (I Jo 4.16).
Se ingratidão é não considerar mais o que Deus faz de bom, então só pode dar graças quem não se esquece de ter sido beneficiado. Bendizer ao Senhor é lembrar que Ele é a fonte de todas as nossas bênçãos. O salmista bendiz ao Senhor com todo o seu ser (SI 146.2). Davi faz uma lista de tipos de benefícios que o Senhor lhe concedeu – e que certamente você já experimentou em ao menos uma vez na sua vida. Se você não quer dar graças a Deus agora ou você é ingrato ou é um esquecido.
Em primeiro lugar Davi diz que o Senhor perdoa todas as tuas iniquidades. Se você não tem casa, não tem carro, não tem família, não tem emprego nem tem saúde... se você tem uma casa que não é do seu jeito, seu carro é velho, sua família é problemática, seu emprego é desgastante e sua saúde não é das melhores... se você tem uma excelente casa, seu carro é o melhor, sua família é uma agradável fonte de alegria, seu emprego é maravilhoso e sua saúde é de ferro... não importa, nada disso é mais importante do que o que Davi afirma aqui: o Senhor perdoa todas as suas iniquidades. Lembremos que o salário do pecado é a morte (Rm 3.23) e a prática do pecado é garantia de eternidade no inferno (I Co 6.9-10). Se você acha que não tem razão para dar graças a Deus, então, lembre-se desta razão, e se ela não for suficiente, você é realmente ingrato demais: Deus te livrou da sentença que paira sobre os praticantes do pecado (condenação ao inferno) e da morte (Rm 8:2).
Em segundo lugar Davi diz que Deus sara todas as tuas enfermidades. Eu creio que ele está se referindo especificamente às enfermidades do ser humano em sua integralidade, isto é, enfermidades morais, psíquicas e físicas e suas manifestações somáticas, no corpo. Embora Deus não tenha a obrigação de curar nenhuma de suas enfermidades, todavia, toda cura provém dele, toda boa dádiva e todo dom perfeito vem dele, vem do alto, para nós. Deus não diz que não haverá enfermidades, mas que é ele quem cura cada uma delas (Dt 32:39). Sou incapaz de afirmar a razão de cada enfermidade que ataca uma pessoa, especialmente o crente. Jamais cairia na tolice de ser como os amigos de Jó. Mas uma coisa é certa – se você está vivo, se você ainda não foi fulminado pela mais inescapável de todas as doenças (a morte) então você tem motivos para agradecer a Deus.
Em terceiro lugar, Davi diz que Deus é aquele que traz redenção ao moribundo, aliás, mais que moribundo, pois sem Deus o estado do homem é de morto (Ef 2.1) e Deus lhe dá vida – uma nova vida, que faz sentido e já é, aqui, um antegozo da bênção da vida eterna que também já foi outorgada, isto é, dada mediante lei irrevogável do supremo legislador. E porque ele faz isso? Não é por nada que possamos fazer, primeiro, porque mortos não podem fazer nada, e, em segundo lugar, para evitar a tentação do arrogante coração humano de achar que tem direito a exigir alguma coisa de Deus. Não caia na tentação de dizer: “Deus eu vou fazer isso, mas quero aquilo”... e, tendo feito, começar a cobrar dizendo: “Deus eu fiz isso, agora faça sua parte”. Deixe-me dizer-lhe que a parte de Deus é ser Senhor, soberano, livre, e se ele nos dá alguma coisa, a redenção inclusive, é porque Ele se compadece em seu coração da nossa miséria e graciosamente nos dá não apenas o que estão diante de nossos olhos, mas, também, seu filho amado (Rm 8:32), nosso Redentor.
Por fim, Davi fala da suficiência que vem de Deus. Ele afirma que Deus é quem farta de bens a velhice e renova a mocidade como a da águia. Na cultura oriental a águia era tida como o animal que, quanto mais velho, mais experiente e forte ele se tornava pela agilidade de seu voo e pela constante renovação de suas plumas, tornando-se, assim, um símbolo de juventude perene (Is 40.31). Um provérbio desejava que a pessoa envelhecesse como a águia, isto é, se tornando mais e mais forte. As Escrituras afirmam que Deus é a fonte de toda suficiência (Tg 1.17), e, embora pareça que a juventude é quem é forte para alcançar as coisas (e a isso a bíblia chama de jactância, arrogância), na verdade é Deus quem dá, tanto ao que trabalha vigorosamente (Tg 4.15-16), como àquele que já não tem mais nenhum vigor (Is 40.29-30).

SE VOCÊ ESTÁ COM DIFICULDADES EM AGRADECER

Este salmo de Davi expressa de maneira magistral o que deve ocupar o coração da Igreja do Senhor Jesus, de cada cristão verdadeiro. O cristão não precisa de bem estar para dar graças a Deus. O cristão dá graças a Deus porque ele conhece o seu Senhor, conhece o seu Deus, conhece o nome santo do Senhor.
Como cristão ele sabe que seu Senhor já lhe proporcionou bênçãos extraordinárias e inalcançáveis pelo braço do homem. O homem não consegue alcançar a sua própria salvação, não consegue promover a sua própria remissão e não consegue, de maneira alguma, o perdão de seus pecados. Quantos ricos e poderosos, ou pobres e miseráveis, tanto faz, vivem vidas loucas, e acabam morrendo em seus abusos simplesmente porque estão buscando, de alguma maneira, esquecer-se lá no mais íntimo de seu ser que são rebeldes sem causa contra o Deus boníssimo e santo? Seu grande problema? Indisposição para agradecer a Deus as pequenas e grandes coisas.
Vamos fazer agora um pequeno exercício mental. Imagine que você tem em suas mãos um papel e uma caneta. Neste papel estão gravados os nomes de algumas pessoas. Os casados imaginem o nome de seu cônjuge, filhos e filhas. Os não casados, imaginem os nomes dos irmãos e pais. Imagine que aí também tem uma lista dos bens que possui. Casa. Carro. Moto. Bicicleta. Celular. Gado. Imagine que aí, nesta lista, também tem coisas que você faz. Estudos. Trabalho. Tarefas domésticas. Imagine que à frente desta lista tem um espaço para você colocar algo que te aborrece nestas coisas.
Agora deixe-me te contar uma história pessoal, acontecida no dia 13 de novembro de 1987. Meu avô comprou uma bicicleta usada, uma Monark, e me deu de presente de aniversário. Eu saí todo feliz e naquele mesmo dia aprendi a andar de bicicleta. Mas ela tinha um problema: os freios estavam desregulados. E, depois de andar a tarde inteira eu, feliz mas cuidadoso, fui falar com meu avô que precisava regular o freio. Não sei por que ele, muito bravo, pegou a bicicleta e eu nunca mais a vi.
Voltemos à listinha imaginária. E se Deus fosse como meu avô foi naquela ocasião? Se cada vez que você murmurasse contra algo que você tem ele tirasse? Está pronto para ficar sem seu cônjuge? Ou sem seus pais? Ou sem seus filhos? Sem seu emprego? Sem seus estudos? Sem sua casa? Sem suas propriedades?
Quero concluir propondo a você um outro modelo de gratidão. Um homem que tinha casa. Tinha propriedades. Tinha esposa. Tinha filhos. E sua riqueza não lhe impedia de devotar-se a Deus com ações de graças. Este homem perdeu tudo. Perdeu propriedades. Perdeu filhos. Perdeu, de alguma maneira, o companheirismo da esposa. Perdeu a saúde. E, ainda assim, continuou a devotar-se a Deus com ações de graças. Seu nome é Jó. Para concluir, cito aqui as benditas palavras do apóstolo dos gentios, Paulo, que deixou tudo o que considerava importante por amor de Cristo (Fp 3.4-11) que diz para todos nós que, em tudo, devemos dar graças:
Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.

I Ts 5:18

domingo, 14 de fevereiro de 2016

MOTIVOS (ÍMPIOS) PARA (NÃO) HONRAR A DEUS

NÃO ACREDITAR NO AMOR DE DEUS
O livro do profeta Malaquias é uma sentença, isto é, um juízo e uma palavra de advertência que termina com uma oportunidade de arrependimento. Foi assim desde o Éden, quando Adão e Eva foram expulsos do jardim e lhes foi prometido um redentor (Gn 3:15). Foi assim com Caim ainda antes de ele tornar-se o primeiro assassino, o primeiro fratricida da história (Gn 4:7).
Malaquias foi o portador de uma dura sentença para um povo que não levava a sua religião, a sua fé, e, no fim das contas, que não levava Deus a sério. Não levava a sério as promessas de Deus, especialmente as promessas de punição que ele havia feito. Talvez achassem que Deus consideraria aceitável seu culto pretensioso e hipócrita e derramasse bênçãos sobre eles – mas certamente não temiam o juízo de Deus sobre si mesmos (Jó 8:3).
Israel já havia sofrido um duro julgamento, passado por um penoso período de exílio (Sl 137:1), foram milagrosamente restaurados e, apesar de inúmeras admoestações dos profetas, continuavam a agir sem levar em consideração que podiam, novamente, ser alvo do julgamento divino (Is 1.16-20). Não havia outro caminho para escapar do juízo de Deus senão o arrependimento e mudança de atitudes (At 26:20).
E era justamente isto o que estava faltando em Israel nos dias de Malaquias – disposição para arrependimento, para mudança de vida, para praticar o bem e abandonar os seus interesses mesquinhos, egoístas e pecaminosos. Eles, simplesmente, não queriam honrar a Deus, não achavam que deviam honrá-lo e a sua vida religiosa havia se tornado uma prática social (Mc 7:6), necessária para a unidade do povo - mas uma prática sem qualquer significado espiritual e por isso era rejeitada por Deus (Ml 1:10).
Se Israel, que era o povo escolhido de Deus, não o honrava como deveria, porque nós devemos? Antes da resposta, uma pequena e simples constatação: nós somos o Israel de Deus, o novo Israel (Gl 6:16), o povo que foi comprado pelo precioso sangue de Cristo (Tt 2:14) e que ele quer vivendo exatamente como queria que o antigo Israel vivesse – praticando a justiça e honrando-o de todo o coração. Vejamos duas razões para honrarmos a Deus segundo o profeta Malaquias:
1 Sentença pronunciada pelo SENHOR contra Israel, por intermédio de Malaquias.
2 Eu vos tenho amado, diz o SENHOR; mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Não foi Esaú irmão de Jacó? —disse o SENHOR; todavia, amei a Jacó, 3 porém aborreci a Esaú; e fiz dos seus montes uma assolação e dei a sua herança aos chacais do deserto.
4 Se Edom diz: Fomos destruídos, porém tornaremos a edificar as ruínas, então, diz o SENHOR dos Exércitos: Eles edificarão, mas eu destruirei; e Edom será chamado Terra-De-Perversidade e Povo-Contra-Quem-O-SENHOR-Está-Irado-Para-Sempre.
5 Os vossos olhos o verão, e vós direis: Grande é o SENHOR também fora dos limites de Israel.

INTRODUÇÃO

UMA BREVE ILUSTRAÇÃO

Há alguns mais ou menos 28 anos li um livro cujo título não me lembro, que contava a história de um amor muito grande de um jovem por uma moça… dentre as coisas de que me recordo está o nome do rapaz, Vermelho, acho que era porque ele era ruivo. Depois de um tempo eles se entregam um ao outro, e tudo vai razoavelmente bem até que ele lhe diz que a amava mais do que qualquer outro amor já visto no mundo. Ela, então, lhe pede uma prova. Uma delas era subir na mesa de um bar e gritar bem alto que a amava. Ele fez. Não lembro as outras, mas, afinal, ela lhe pediu para ir até a ponte mais alta do mundo, e pular de lá… Vermelho saiu à procura da ponte… e a jovem terminou seus dias chorosa numa praia haitiana aguardando, arrependida, a volta de Vermelho. O que quero destacar nesta história é que o jovem já havia dado mais de uma prova de seu amor pela moça, mas ela, ainda assim, insistia em provas mais contundentes, mais e mais contundentes… até que a história tem o fim melancólico, ou trágico, dependendo do que imaginemos que aconteceu com Vermelho.

ISRAEL DUVIDAVA DO AMOR DE DEUS

Mas nosso objetivo não é estudar a história de amor de Vermelho e sua namorada insegura. Estamos aqui para saber sobre Deus, saber mais, conhecer seu caráter, conhece-lo intimamente (Sl 25:14) e usufruir de sua graça. Quem conhece a Deus não consegue duvidar de seu amor, pois seu amor é mais do que declarado, é provado (Rm 5:8) e de uma maneira que nenhum de nós teria coragem de fazer, por qualquer pessoa neste mundo, quanto mais por inimigos declarados e decididamente mortos (Jo 3:16).

ISRAEL NÃO HONRAVA A DEUS POR NÃO ACREDITAR EM SEU AMOR

Mas, porque Israel deixava de honrar a Deus por duvidar de seu amor. Havia alguma razão para isso? Se um despreparado viesse a dizer que era por causa das dificuldades que Israel passava, com invasões constantes e muitas guerras, é bom lembrar que a fome, a peste, as invasões e opressão estavam previstas na aliança que Deus fez com Israel – eles só comeriam o melhor da terra se fossem fiéis, do contrário, seriam devorados à espada, e mesmo esta disciplina era prova da fidelidade de Deus (Ed 5:12). Como Israel poderia duvidar do amor de Deus? Vamos ver brevemente que era impossível para Israel, agindo com honestidade, duvidar do amor de Deus – mesmo que, por outro lado, ninguém, nem mesmo Israel, duvidasse de sua infidelidade para com Deus a ponto de o Senhor chamar Oseias para que o profeta ilustrasse este relacionamento infiel por parte de Israel.

DEUS PROVA O SEU AMOR NA HISTÓRIA EM GERAL

A história de Israel é marcada por numerosas demonstrações do amor de Deus, desde o chamamento de Abrão (Dt 26:5) e suas peripécias na terra que seria dada a seus descendentes, a surpreendente providência de Deus ao enviar José como escravo para Egito com o propósito de conservar a família da aliança (Gn 45:5) e a decisão de tirar o povo escravizado deste mesmo Egito e levá-lo, finalmente, à Canaã (Êx 3:9).

A SOBREVIVÊNCIA DE ISRAEL É PROVA DO AMOR DE DEUS

Mesmo os israelitas dos dias de Malaquias podiam atestar o amor de Deus por seu povo pois enquanto a maioria das nações que foram tomadas pelos assírios foram exterminadas, eles continuaram existindo como nação e foram abençoados com homens como Daniel, Mordecai, Esdras e Neemias, cada um deles colocados em situações chaves para bênção do povo de Deus; mulheres colocadas em posição especialíssima como Ester (Et 4:14).

REIS INCRÉDULOS TEMENTES A DEUS PROVAM O AMOR DE DEUS

Mesmo governantes incrédulos como Nabucodonosor (Dan 4:33-34) e Ciro (Is 45:13) foram instrumentos de Deus para demonstrar o seu amor e cuidado sobre Israel, a ponto de Deus perguntar se algum outro povo tinha Deus tão bom, que trabalhava pelo seu povo (Is 64:4), atendendo-os antes mesmo que clamasse (e dando-lhe leis sábias e justas).

DEUS PROVA O SEU AMOR EM EVENTOS PARTICULARES

Mas eu suponho que alguém não acredite no amor de Deus, como Israel não acreditava. Se alguém não crer no amor de Deus e por algum motivo tornar-se membro de uma comunidade que nasceu porque Deus amou ao mundo então não está nesta comunidade pelo motivo correto. Medo do inferno, desejo de bênçãos materiais ou espirituais, progresso cultural, bem estar emocional ou moral… nada disso é razão suficiente.
É provável que muitos não se satisfaçam em ouvir falar de um amor revelado ao mundo ou a uma nação e queiram provas mais particulares do amor de Deus. Assim era com Israel. Mesmo com Deus dizendo: “Eu vos tenho amado” eles diziam: “Nós não conseguimos ver isso. Qual a prova deste amor”? Em resposta Deus poderia particularizar uma pessoa em Israel naqueles dias – mas esta resposta só valeria para aquela pessoa. Então Deus resolve mostrar a particularidade do seu amor exemplificando um caso que valia para todo o Israel: entre dois irmãos, Deus amou um. E estabeleceu os descendentes deste escolhido como seu povo – e continuava sendo paciente com eles porque, não fora seu amor misericordioso há muito que deveriam ter sido destruídos (Lm 3:22) pois não conseguiriam nem mesmo chegar a Canaã quando da saída do Egito.

DEUS AMOU PARTICULARMENTE A JACÓ

O amor de Deus ao escolher Jacó resultou em bênçãos para a sua descendência. Mas o que acontece mesmo quando Deus não ama, como foi o caso de Esaú? Deus diz enfaticamente para Israel que o contrário de amor não é simplesmente a ausência de cuidado, mas o aborrecimento, isto é, voltar-se contra. O contrário de bênção é maldição, e foi isso o que Esaú colheu ao longo de sua história, para, no final, deixar de existir como povo, como nação e tornar-se um exemplo do desamor de Deus. E por que tudo isso? O que fez Jacó para merecer o amor de Deus? O que fez Esaú para merecer o aborrecimento de Deus? Nada! A única explicação que temos é: Deus amou um e não ao outro (Rm 9.11-13).

DEUS DEMONSTRA SEU AMOR PARTICULARMENTE A SUAS CRIATURAS

O que Deus está dizendo é: “Sim… eu me interesso por pessoas. Eu ajo na vida das pessoas. Eu sondo o coração de cada um, individualmente, e meu amor é por pessoas”. Jesus veio para buscar e salvar o perdido (Lc 19:10) e há júbilo no céu por um pecador que se arrepende (Lc 15:7). Por isso, podemos ter certeza de que Deus tem absoluto interesse por cada detalhe de nossa vida – mesmo aqueles que nem mesmo nós nos interessamos (Sl 113.5-9).

ISRAEL É UM MODELO – MAS UM MAU MODELO NÃO DEVE SER SEGUIDO

Israel não acreditava no amor de Deus. Israel duvidava do amor de Deus e ainda chamava Deus de mentiroso. Que espécie de religiosidade podemos esperar de um povo que não acredita que Deus o amo e, obviamente, não ama a Deus?

ISRAEL POSSUIA UMA RELIGIÃO ALHEIA AO AMOR DE DEUS

A resposta é: a religião de Israel, a religião puramente mecânica, ritualista e vazia que encontramos descrita nos profetas, desde Isaías até Malaquias. Como Israel poderia entregar o seu caminho ao Senhor se ele não confiava que Deus lhes supriria as necessidades (Sl 37:5). Como Israel poderia entregar o seu bolso ao Senhor se não acreditava que Deus o amava e cuidaria dele, dando-lhe a chuva serôdia e a temporã (Jl 2:23)? Não, eles não poderiam lhe oferecer um culto integral porque não confiavam que Deus os amava.
Certamente Deus não se agradava de uma religião que era formada apenas de costumes passados de pai para filho (Is 29:13) e de, na prática, zombaria diante das advertências divinas (Jr 31:30) fuga das responsabilidades em assumir seus erros e corrigirem suas vidas, pelo contrário, continuam fazendo o que querem e o que Deus lhes havia dito para não fazer (Jr 31:29).

O CRISTIANISMO ATUAL E O AMOR DE DEUS

A religião dos cristãos do sec. XXI é diferente? Dá para levar a sério um namorado que diz amar a namorada e só vai vê-la de vez em quando, quando dá, quando não tem futebol, novela, indisposição ou qualquer outra justificativa que não justifica nada? Dá pra levar a sério um ser que se proclama crente que não congrega, não influi, não contribui? Dá pra levar a sério um crente que oferece um culto de qualquer jeito e diz que “do jeito que sair está bom”? Dá pra levar a sério um crente que não enxerga seu culto ao Senhor como um compromisso prioritário e inventa mil subterfúgios para chegar atrasado? Dá pra levar a sério um crente que acha que o que sobra é suficiente para agradar a Deus?

COMO O CRISTÃO PODE PROVAR SEU AMOR A DEUS

Se o que você tem para oferecer a Deus é sobras, é algo que nem você mesmo dá valor então não dê… se não tem valor para você, o lugar não é como oferta ao Senhor, o único lugar digno é a lata de lixo. Se eu que não conheço corações não consigo levar a sério e considerar digno algo assim, imagina Deus. Se os ímpios que nada sabem sobre o amor de Deus não conseguem visualizá-lo debaixo de uma religião vazia, formal e hipócrita, imagina Deus que sonda os corações (Pv 21:2). Não me diga que não podemos julgar (Mt 7:1) porque Deus diz para julgarmos segundo a reta justiça (Jo 7:24). Mas, mesmo que eu não possa te julgar, você acha que uma religião assim passa no julgamento de Deus?
Israel não acreditava no amor de Deus porque Israel não amava a Deus. O problema estava em Israel, não em Deus. Deus o amava, e continuava amando – mas Israel não podia sentir este amor em seu coração endurecido.
Este é o mesmo sentimento que pode ser encontrado em muitos membros da Igreja cristã deste século? Apatia, desinteresse, desamor? E você, acredita que Deus ama pecadores perdidos como nós (Rm 5:8)? Acredita que Deus já demonstrou seu amor por pecadores como nós (Jo 3:16)?
Se você o ama, é hora de começar a mostrar que o ama realmente – e mostrar como ele quer ver pois para ele amor legítimo se revela em obediência (Jo 14:15). Não há meio termo, não há outro caminho, assim como não há meio amor ou amor alternativo (Jo 14:21).

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

CRISE D[E] INTEGRIDADE

Como manter a integridade emocional, espiritual e moral em tempos de crise? Como conduzir a família quando o que se tem a frente mais parece com uma tempestade de areia do que pastos verdejantes?
A bíblia nos conta a história de um homem que teve que lidar com este dilema - e queremos aprender com o que lhe aconteceu. Há um ditado que diz mais ou menos o seguinte: “O tolo erra, e nunca aprende. O inteligente erra e aprende. O sábio observa o tolo e o inteligente, e aprende sem errar”.
A história deste homem se encontra no início do capítulo primeiro do livro de Rute [Rt 1.1-18). A história de Elimeleque acontece nos dias dos juízes, quando Israel vivia um período de privação causada pela opressão cananeia, com pouca produção de alimentos e o que ainda era produzido era, muitas vezes, objeto de saque.
Na tentativa de fugir ao juízo de Deus sobre a desobediência do povo (Jz 3:7 - Os filhos de Israel fizeram o que era mau perante o SENHOR e se esqueceram do SENHOR, seu Deus; e renderam culto aos baalins e ao poste-ídolo) Elimeleque fez o que achava ser melhor para seus filhos, deixando de considerar, porém, a vontade de Deus que, em seu caso, era absolutamente clara.
Não se trata de onde colocar o filho para estudar ou que profissão incentivá-lo a ter para ter uma boa renda - tratava-se de submeter-se à vontade de Deus que estava disciplinando o seu povo por escolhas erradas, e a disciplina era parte do acordo que Deus estabelecera com Israel anos antes (Is 1:2 - Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, ó terra, porque o SENHOR é quem fala: Criei filhos e os engrandeci, mas eles estão revoltados contra mim).
Eram dias em que o que contava mesmo era a opinião pessoal, a corrente de pensamento mais influente no momento e não a vontade revelada e imutável de Deus e este homem, cujo nome significa Deus é meu rei, não fez jus ao seu nome, tomou sua esposa, Noemi, e seus filhos Malom e Quiliom (cujos nomes são cananeus, significando, respectivamente, fraqueza, doença e definhamento, tristeza porque provavelmente nasceram no tempo de provação, de fome em Belém.
Elimeleque esperava ir passar apenas uma temporada em Moabe, e, depois voltar com sua família para Belém. Mas há caminhos que, ao homem, parecem direitos, mas ao cabo são caminhos de morte. E esta foi a triste experiência de Elimeleque.
Ele resolveu habitar entre os moabitas, e, para isso, teve que abrir mão de seus escrúpulos religiosos. Como judeu teve que lidar com povos que eram considerados impuros, filhos de um relacionamento impuro da primogênita de Ló, que embebedou seu pai e teve um filho com ele.
Admitamos a boa vontade de Elimeleque - ele queria o melhor para sua família. O problema é que o melhor, aos seus olhos, foi correr atrás de sustento material sem dar a devida atenção à vontade de Deus. Antes de analisarmos as consequências da escolha de Elimeleque, devemos observar que a vida continuou em Belém, e, anos depois, Noemi pode retornar para lá, e parece haver paz e fartura na terra, mas não para ela, por isso vejamos as consequências da escolha de Elimeleque.
i. Ele perdeu a vida em terra dos moabitas - não pôde retornar a Belém, nem educar seus filhos (Pv 22:6 - Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele);
ii. Ele colocou seus filhos sob a influência dos moabitas, e estes não tiveram escolha senão seguirem os costumes da terra, tomando para si esposas que não deviam tomar (Ed 9:12 - Por isso, não dareis as vossas filhas a seus filhos, e suas filhas não tomareis para os vossos filhos, e jamais procurareis a paz e o bem desses povos; para que sejais fortes, e comais o melhor da terra, e a deixeis por herança a vossos filhos, para sempre);
iii. Seus filhos também não puderam voltar para a terra que lhes pertencia (Rt 1:5 - Morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando, assim, a mulher desamparada de seus dois filhos e de seu marido).
Por causa da morte de Elimeleque, Malom e Quiliom Noemi agora se tornara uma mulher a quem a vida só trouxe amarguras - e teria que, voltando para Belém, viver de esmolas porque não lhe seria permitido retomar a posse das terras que fora de seu esposo. Aquele que fora em busca de sustento e prosperidade no fim foi a causa da tristeza e desgraça da família. Havia boa intenção, ele estava fazendo o que achava melhor para sua família, mas não estava obedecendo a Deus (Mt 6:33 - ...buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas).
Qual foi o problema de Elimeleque?
Na hora da crise, ele negociou. Ele negociou os valores da Palavra de Deus - preferiu entrar em acordo com os moabitas ao invés de aguardar a salvação do Senhor (Lm 3:26 - Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em silêncio), como mais tarde faria um descendente de sua família, Davi (I Cr 21:13 - Então, disse Davi a Gade: Estou em grande angústia; caia eu, pois, nas mãos do SENHOR, porque são muitíssimas as suas misericórdias, mas nas mãos dos homens não caia eu). Trabalhe, lute, e, mesmo quando tudo parecer perdido, continue confiando em Deus, não negocie os valores do reino (Pv 28:6 - Melhor é o pobre que anda na sua integridade do que o perverso, nos seus caminhos, ainda que seja rico) porque ele não desampara os que nele confiam (Sl 37:25 - Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão).


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