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terça-feira, 4 de abril de 2017

E ELE NÃO SERÁ ESQUECIDO

Uma pausa. Uma pequena pausa sobre as nossas reflexões sobre o que fazemos na Igreja para tratarmos do assunto da semana: a páscoa. Primeiro, quero demonstrar meu estranhamento para o que tenho visto: muitos cristãos, conhecedores das Escrituras, maduros, pedindo para receberem “ovos de páscoa”, ou, pior ainda, comercializando-os como se não soubéssemos que:
1. Coelho, chocolate e ovos enfeitados não tem nenhuma relação com a verdadeira páscoa;
2. Os chocolates em forma de ovos custam até 10 vezes mais do que a mesma quantidade de chocolate em barra;
3. Por trás da montanha de “ovos de páscoa” há uma indústria que quer ganhar dinheiro, muito dinheiro, e uma cosmovisão que rejeita o sacrifício vicário de Cristo.
E, por favor, não venham me dizer a frase mais odiosa quando se trata de demonstrar desinteresse e insubmissão à revelação de Deus: “Nada a ver”. O Deus deste século, que cegou o entendimento de muitos (II Co 4.4) aceita ser adorado de muitas maneiras, até mesmo sendo inserido em uma celebração onde a sua derrota foi mais que fragorosa, foi total e definitiva, onde teve a sua cabeça esmagada e o seu poder de morte foi ferido de morte (I Co 15.54). Não me admiro que os mercados, que os desavisados e não instruídos aceitem uma páscoa sem o Cordeiro de Deus. Até acho normal que nossas crianças aceitem pensar no coelhinho como parte da páscoa devido a intensa informação encontrada na TV, internet e nas escolas.
Mas é inadmissível que crentes maduros se deixem contaminar por tal fermento. Crentes maduros que, devido ao tempo de caminhada cristã já deveriam ser mestres precisam ser ensinados, ensinados e ensinados sobre as mesmas coisas. Em situação assim o apóstolo Paulo chega à beira do desânimo em sua tarefa de ensinar a Igreja (Gl 4.11). A Igreja do Senhor tem a obrigação de ser, antes de mais nada, Igreja do Senhor - sua mensagem é eterna e ela ainda tem a obrigação de contar a velha história, a mesma história: a história de Cristo, o Filho de Deus que se fez carne e entregou-se a si mesmo para resgatar pecadores. Na páscoa de Cristo não tem lugar para chocolate, nem para ovo enfeitado, e muito menos para coelhinho.
Na páscoa tem lugar apenas para Cristo, o Senhor, entronizado nos corações dos crentes e no alto e sublime trono nos céus. Aconteça o que acontecer, mesmo que o mundo inteiro queira substituir o Cristo de Deus por coelhos, ovos e chocolates, o cristão tem que continuar proclamando a Cristo, porque ele não será esquecido.
Do coração do pastor

sábado, 24 de dezembro de 2016

EU NÃO COMEMORO O NATAL... APENAS NO DIA 25 DE DEZEMBRO

Já escrevi muitos textos a respeito do nascimento do Senhor Jesus. Alguns alusivos aos festejos natalinos, os problemas históricos, o marketing, o comércio, a idolatria, os erros teológicos. Você pode clicar aqui e aqui e em outros links abaixo para ler mais sobre isso. Acredito que  seja lícito ao cristão comemorar o nascimento do redentor – e a data de 25 de dezembro é apenas uma data no calendário litúrgico, que, diga-se de passagem, deve ser observada pelos pastores presbiterianos conforme decisão do Supremo Concílio da Igreja a respeito dos (muitos e diversos) problemas causados pela pregação pseudopuritana (e a Igreja Presbiteriana é uma Igreja conciliar, seus pastores deveriam respeitar as decisões conciliares e, em caso de insatisfação, procurar outra denominação ou, quem sabe, fundar a sua própria com direito a roupas pretas e chapeuzinho).
Sei que o cavalo de batalha é a data na qual o Senhor Jesus teria nascido, e os argumentos contra a celebração festiva no dia 25 (sim, concordo que Jesus muito provavelmente não nasceu nesta data) é embasada em muita teologia de Wikipédia acrescida de um tipo de argumentação que já vem sendo usada pelos adventistas há mais de um século (Constantino, Solus Invictus, Mitra). Aliás, os sabatistas usam a mesma argumentação a respeito do sábado (mas, neste caso, o subjetivismo seletivista considera os argumentos inapropriados chegando mesmo à sabatização do domingo).
Eu não comemoro o natal apenas no dia 25 de dezembro. Este natal do dia 25 é sem graça – porque o que menos se vê no dia a dia é a lembrança de que o advento é a manifestação da graça de Deus ao pecador. Não sei a data na qual o verbo se fez carne, mas, ao mesmo tempo, a Igreja do Senhor tem festejado seu redentor, e, dentro do calendário litúrgico temos uma excelente oportunidade para, apesar da Simone, anunciar a todos em uma época que as pessoas estão mais predispostas a ouvir, que o redentor se encarnou, foi obediente à Lei e morreu em nosso lugar para que pudéssemos ser transformados de inimigos em amigos de Deus. No advento Deus mostra que é fiel e verdadeiro, capaz de cumprir todas as suas promessas dando-nos um salvador capaz de remir-nos de nossas iniquidades e salvar-nos de nossos próprios pecados.
Sei de outros que não celebraram o nascimento do redentor. Nem no dia 25 (e geralmente os opositores do dia 25 não propõem outra data num clássico estilo desconstrutivista) nem em qualquer outro dia. É curioso que, da mesma maneira que se rejeita a data prevista no calendário litúrgico gostosamente colocam o ano de 2016 (no caso deste ano) quando datam seus documentos, embora saibam que Jesus nasceu há mais de 2016 anos e a datação equivocada deu-se por erros do monge e matemático Dionisius Exiguos. Sua birra se parece com as propostas de um livrinho ruim mas popular, Quebrando Paradigmas (não vale a pena ler) que propunha o abandono dos paradigmas de culto sem nenhuma proposta além da de se tirar o que se tem para deixar o nada no lugar.
Muitos antes também não se importaram com a data. Vale lembrar que os apressados e irritadiços judeus na Belém do sec. I nem se importaram com o nascimento de Jesus anunciado pelos pastores. Os religiosos de Jerusalém, afundados em seus livros, mesmo ouvindo que o Rei havia nascido, mesmo lendo que isto tinha acontecido em Belém, também não se moveram para adorá-lo. Os poderosos, como Herodes, desejosos de manter o poder neste mundo também não demonstraram nenhum interesse em adorar o rei de toda a terra, pelo contrário, queriam que seu nascimento fosse esquecido, matando-o. Os magos orientais mostram que não há barreiras para quem quer adorar o redentor – mas que é possível encontrar muitas razões para não adorá-lo. O mundo não conseguiu que o redentor fosse esquecido, e atualmente o faz tentando secularizá-lo, colocando-o como uma data comercial e enchendo-o de elementos pagãos e idólatras. O mundo está errado – mas não estão errados os cristãos que desejam celebrar com alegria e singeleza de coração.
Eu não comemoro o natal apenas no dia 25 de dezembro. Nem digo “que Jesus nasça em seu coração”. Jesus nasceu, e seu nascimento deve ser comemorado todos os dias, inclusive no dia 25 de dezembro. Seu nascimento deve ser comemorado nas reuniões de oração, doutrinárias, escolas e cultos dominicais e isto nada tem de ilegítimo.

Sim, eu comemoro o natal e defendo que sua celebração é lícita, e acredito que cada cristão genuíno deve comemorá-lo também, no dia 25 e o ano todo desde que isto seja feito com o sentido real da encarnação do Verbo de Deus, repudiando o falso natal do comércio e da idolatria.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

UM FARDO PODE ROUBAR SEU AMOR

Nosso coração tem que pertencer integralmente ao Senhor [Js 22.5: Tende cuidado, porém, de guardar com diligência o mandamento e a lei que Moisés, servo do SENHOR, vos ordenou: que ameis o SENHOR, vosso Deus, andeis em todos os seus caminhos, guardeis os seus mandamentos, e vos achegueis a ele, e o sirvais de todo o vosso coração e de toda a vossa alma], mas é possível que deixemo-lo tão sobrecarregado, inclusive das coisas boas, justas e santas, dos afazeres do reino, que tais afazeres venham a sufocar o amor que deve brotar em nossos corações.
Jesus contou a parábola do semeador – o foco é, o tempo inteiro, no terreno onde a semente deve frutificar, e há um deles em que a semente chega a nascer, mas é sufocada pelos espinhos, pelos afazeres da vida. A plantinha cresce, mas, infelizmente, tantas coisas são logo agregadas aos seus galhos que ela vem a declinar. São chamados por Jesus de cuidados do mundo [Mc 4.19: …mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera].

OS FARDOS COMO ÍDOLOS NO CORAÇÃO DO HOMEM

Estes cuidados, mesmo quando se tratam de cuidados na Igreja, podem vir a tornar-se o centro das cogitações do coração, tornando-se, de algum modo, uma idolatria (Lc 12.31: Buscai, antes de tudo, o seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas.). Não é incomum que pessoas se identifiquem primeiramente pelos fardos que carregam antes de se identificarem como pessoa, se perderem seus cargos e funções, perdem a razão de ser ou de permanecer em determinado lugar, especialmente na Igreja.

A IGREJA PODE SER TORNADA UM FARDO

Para nós, na Igreja, são as reuniões, os cultos, os jantares, os congressos, as viagens, os retiros, os acampamentos, as sociedades, as visitas, as conferencias... todas estas coisas são boas para o crescimento espiritual de um cristão. Mas só são boas se elas servem para efetuar o crescimento – ao se tornarem fardos, elas roubam o nosso coração e se tornam atividades, provocando uma doença chamada ativismo, que afeta nossa vida espiritual e a de todos os que estiverem próximos de nós.

A VIDA COTIDIANA PODE SER UM PESADO FARDO

Ao lado disso há os outros afazeres: trabalho, reforma na casa [chuveiro, torneira, porta, gramado, etc.], conserto do carro, estudo, provas, exercícios, academia, médico, compras, contas, etc. é muita coisa para um coração só. E ele acaba sendo roubado de Deus. Passamos a desejar outras coisas, bens lícitos – e começamos a fazer de tudo para tê-los, mais e mais... e um coração alegre pode ser obtido com muito, muito pouco. Estudos mostram que os países mais ricos, onde as pessoas possuem mais bens, são os menos felizes.

O ACUMULO DE FARDOS


Quanto mais bens, móveis, investimentos, carros, motos, barcos, i-coisas, imóveis, tecnologia, maior o anseio de mantê-los e possuir mais... isso rouba o coração do homem. É muito comum pregadores maldizerem o dinheiro – mas o problema não é ele em si, mas o fato de gastá-lo naquilo que já roubou o coração. O que ele adquiriu precisa ser mantido, atualizado... torna-se o Deus do coração do homem incauto. Precisamos proteger nossos corações. A semente da palavra de Deus não vai crescer em fertilidade sem a poda para descansar, sossegar e acalmar.

UM FARDO PODE ROUBAR SUA SANTIDADE

Acho muito interessante a história de Saul. No momento em que ele é escolhido para reinar sobre Israel, logo ele, que do ombro para cima se distinguia do restante de Israel [I Sm 10.23: Correram e o tomaram dali. Estando ele no meio do povo, era o mais alto e sobressaía de todo o povo do ombro para cima], não é encontrado. Depois de consultarem ao Senhor, finalmente descobrem onde ele estava: entre a bagagem do povo de Deus [I Sm 10.22: Então, tornaram a perguntar ao SENHOR se aquele homem viera ali. Respondeu o SENHOR: Está aí escondido entre a bagagem]. Quando o turbilhão da vida toma conta da nossa agenda já estamos infectados pelo mal do ativismo.

CUIDADO COM O FARDO DO ATIVISMO

O ativismo, as realizações, as coisas, podem ser usadas para esconder muitas coisas, tais como medo, solidão, desejo de agradar, dureza de coração, ambição, sede de status e poder, desejo de controle ou de compensar falhas em outras áreas... é um problema do coração, e Jesus identifica isto de uma maneira muito clara [Mc 7.21-22: Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura]. O mal não está fora do homem, mas dentro. E um coração tomado pelo mal [Rm 7.23: …mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros] pode ser tentado a esconder-se sob ações. Esta é a tônica da maioria das religiões. Não importa o que fazes ou deixas de fazer, importa se fazer boas obras.

O ATIVISMO E O AUTO ENGANO

Não devemos nos esquecer que, às vezes, o mais ativo pode ser apenas o que mais tenta se enganar – talvez nem tente enganar outros, mas a si mesmo [Jr 17.9: Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?]. E não há ninguém mais difícil de converter do que aquele cujo coração, tomado pelo mal, o engana e fá-lo ver-se como bom por causa das coisas boas que faz julgando serem meritórias [Is 64.6: Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como um vento, nos arrebatam], erro contra o qual logo somos alertados pelas palavras de Daniel [Dn 9.19: Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e age; não te retardes, por amor de ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu povo são chamados pelo teu nome].
É oportuno fazer uma auto avaliação à luz da Palavra de Deus: O que diriam a meu respeito, com tantas realizações, se conhecessem meu coração como eu e Deus conhecemos? O que eu preciso aprender sobre mim mesmo e corrigir? Que promessas de Deus eu já não estou acreditando e por isso me esforço tanto? Que mandamentos divinos estou ignorando e quais deveria obedecer? Que mandamentos impostos por mim estou obedecendo e quais deveria ignorar? O que está acontecendo dentro da minha alma?

O ATIVISMO COMO FARDOS ONDE SE ESCONDER


É para isso que o fardo pode servir: para esconder aquilo que precisamos ver. Ele escondeu Saul daqueles que o procuravam. Um excesso de ocupação pode esconder o mal que temos no coração e acabamos não tendo tempo para fazer uma pesquisa em nós mesmos, vendo o erro e combatendo-o. O ativismo pode manter-nos ocupados a ponto de existirem problemas maiores que você nunca teve tempo para considerar.

LIBERTE-SE DOS FARDOS

Lamentavelmente aceitamos as pressões da família, dos colegas, dos patrões, do comércio, do status quo, da mídia. É tanta pressão que sequer conseguimos ter clareza de onde elas vem, e, pior, as interiorizamos e nem sequer percebemos que estamos tomando decisões com base nos desejos ou interesses de outros, e não nossos ou do reino de Deus.
Esta interiorização faz com que os fardos sejam ainda mais difíceis de serem deixados porque o escravo passa a gostar do seu feitor, o sequestrado sofre da síndrome de Estocolmo, amando e defendendo o seu malfeitor. Não é diferente com o pecado, com as prioridades equivocadas, com as coisas que somos obrigados a querer só para não ficarmos desatualizados ou descontextualizados.
Mas não precisa ser assim. É salutar saber o que se quer, para saber quando se alcançou a meta, ou quando é melhor colocar novos alvos. Mas não é salutar se escravizar a metas auto impostas ou impostas por outros. Só há uma meta que o cristão deve buscar com toda a força de sua alma: ser como o seu mestre (Mt 10.25: Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?).
Viver para agradar a Cristo, e não a homens (Ef 6.6: …não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus) é o desafio do verdadeiro cristão, pois é ao Senhor, e não aos homens, que terá que prestar contas (I Co 4.4: Porque de nada me argui a consciência; contudo, nem por isso me dou por justificado, pois quem me julga é o Senhor).

O Senhor diz que nos libertou destas coisas (Jo 8.36: Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres) e até mesmo de qualquer forma de opressão religiosa (Mt 23.15: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!) para que, libertos, possamos tomar o fardo que ele nos oferece (Mt 11.29-30: Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.) e servirmos ao Senhor com alegria (Sl 100.2: Servi ao SENHOR com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico).

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