sábado, 2 de julho de 2011

UM PRESIDENTE QUE TENTOU O IMPOSSÍVEL… E CONSEGUIU

Por: Míriam Leitão

Itamar Franco assumiu a presidência da República sem qualquer condição de fazer a diferença. Tinha menos de dois anos de mandato, o país estava no meio da hiperinflação e nem ele mesmo sabia por onde começar. Nomeou quatro ministros da Fazenda nos sete primeiros meses de um meio mandato. Era tentativa e erro. E nada parecia dar certo. A escolha de Fernando Henrique abriu o caminho para o Plano Real que ontem completou 17 anos de sucesso. Durante a preparação do Plano várias vezes Itamar deu sugestões que não se encaixavam na arquitetura do plano, mas se deixou convencer por bons argumentos a anunciar um plano consistente que manteve a moeda estável. Sempre houve muita discussão sobre quem é o pai da moeda. A história registra: foi arquitetado por Fernando Henrique mas o governo Itamar Franco é que permitiu que tudo fosse feito. Era impossível estabilizar naquele momento, mas ele quis tentar. Poderia ter empurrado o governo para o fim fazendo o mínimo, mas quis fazer o impossível naquelas circunstâncias - tentar de novo depois de cinco fracassos - e foi bem sucedido. Os jovens não tem condição de lembrar de Itamar antes disso, mas eu me lembro bem de quando ele como senador presidiu uma CPI histórica. Em plena ditadura a CPI questionava o Acordo Nuclear com a Alemanha, o programa nuclear brasileiro. Presidiu com firmeza aquela CPI que nos mostrou os equívocos de uma política que era considerada a menina dos olhos dos militares. Foi o que implodiu um plano megalômano e arriscado. Quando ele assumiu o governo após a queda de Fernando Collor ele tentou fazer um governo de união nacional. Isso não foi possível, mas ele conseguiu reunir as forças políticas que garantiram a governabilidade num dos momentos de maior perigo que a nossa democracia viveu. Quem o viu no começo dessa legislatura em alguns debates ficou com a sensação que ele aos 81 anos faria um grande trabalho no Senado. Por isso fica uma sensação de que ele poderia ter ficado um pouco mais por aqui, apesar da longa vida política que teve.

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