sábado, 15 de agosto de 2026

ORGULHO: QUANDO O "EU" OCUPA ESPAÇO DEMAIS


QUANDO O “EU” OCUPA ESPAÇO DEMAIS

Pv 16.18; Tg 4.6-10; Fp 2.3-8

É parte da rotina de um homem chegar em casa depois de um dia difícil no trabalho. Cansaço, irritação e preocupação pesam sobre os ombros e alguém percebe e pergunta: “aconteceu alguma coisa? Está tudo bem?” recebendo em resposta um lacônico: “não, está tudo bem” e vai se ocupar de alguma coisa que geralmente não é essencial, fechando-se em si mesmo. Diante de um erro simples a reação é exagerada e não admite contestação pensando: “eu sou o homem da casa, sei o que estou fazendo e precisam me respeitar” - talvez com outras palavras, mas com este sentido interior.

O problema pode não ser apenas cansaço. É mais profundo, tem a ver com formação doméstica, caráter, dificuldade de reconhecer a possibilidade de errar, a necessidade de ouvir e o dever de pedir perdão e mudar.

O problema é um coração onde o orgulho encontrou lugar e estabeleceu morada. O orgulho é uma disposição do coração que coloca o “eu” acima do lugar que Deus determinou. É a disposição de governar a própria vida, defender sua importância e resistir à dependência de Deus. O orgulho é mais que um problema de personalidade - é espiritual: ele começa no coração, se manifesta em palavras e atitudes e atinge casamento, filhos, igreja e relação com Deus.

No Antigo Testamento o orgulho descreve quem se coloca em posição superior, mais alto (Hbog) e é manifestado de forma arrogante, presunçosa e insolente (}wdz).

Já o Novo Testamento o chama de soberba (huperhfania), alguém que se julga acima dos outros manifestando um mal que procede do coração humano (Mc 7.21-23). A estes soberbos (huperhefanoj) Deus rejeita manifestar sua graça (Tg 4.6), mostrando que o problema do orgulhoso não é só dele, não é simplesmente que ele possui uma opinião elevada sobre si mesmo - é a opinião que Deus tem sobre ele e porque Deus se coloca contra ele (antitassetai).

A primeira manifestação do orgulho aparece na queda (Gn 3.5) quando satanás apresenta à mulher a possibilidade de ser mais elevada, ser como Deus.

A tentação, representada no fruto, era a possibilidade de ultrapassar os limites estabelecido pelo Criador.

Eva deixou de confiar em Deus e desejou, ela própria, determinar para si mesma o que é certo e errado.

E a partir do orgulho o pecado passou a atravessar toda a história bíblica.

A semente não cai longe da árvore, e Caim, o filho predileto (Gn 4.1) também não aceita a orientação corretiva de Deus (Gn 4.5-8).

Em Babel a humanidade tenta elevar seu próprio nome (Gn 11.1-9). Faraó se exalta e rejeita ouvir a voz de Deus (Gn 11.1-9) e Nabucodonosor se orgulha da obra de suas mãos (Dn 4.30).

Em todos estes casos aparece a mesma raiz: o homem querendo ocupar um lugar mais elevado do que o que Deus lhe reservou e todos recebem a oposição de Deus.

O orgulho é a disposição (nem sempre consciente, mas sempre prejudicial) do coração humano de colocar o “eu” no centro, buscando independência, superioridade, controle e reconhecimento.

Esta disposição aparece de inúmeras maneiras: dificuldade de admitir erros; incapacidade de pedir perdão; necessidade de estar sempre certo; resistência à correção; desejo de controle; comparação com os outros; anseio por reconhecimento social; autoritarismo em casa; espiritualidade voltada para aparência e uma desesperadora dificuldade de depender de Deus.

O orgulho precisa ser combatido porque é capaz de destruir relacionamentos importantes, criando distância entre cônjuges, afastando pais e filhos, produzindo conflitos entre irmãos na Igreja, prejudicando o serviço cristão.

O pior dos efeitos, entretanto, é colocar o homem em oposição a Deus, ou, mais precisamente, Deus se coloca contra o orgulhoso.

A bíblia ensina, através de Jesus, o ensino oposto ao do orgulho. Jesus, sendo Deus, humilhou-se e tornou-se servo, não se apegando à sua posição elevada para negar-se a resgatar o caído - Ele se entregou em um ato de suprema humilhação (Fp 2.5-8).

Literalmente, Ele não se agarrou (arpagmon), não se prendeu, não usou o fato de ser como Deus para considerar (hghsato) a possibilidade de negar-se a humilhar-se e ser o nosso redentor.

Aqui encontramos um contraste fundamental: Eva queria ser como Deus. Jesus se tornou um de nós. O orgulho exige ser servido, ser atendido, mas Jesus veio como servo.

O orgulho quer ser o centro, o ponto mais alto, Cristo se humilha e desce às regiões inferiores da terra. O orgulho exige direitos, Cristo entrega-se a si mesmo até a morte. Isto quer dizer que o orgulho é, em suma, a negação do caráter de Cristo.

Um crente orgulhoso é uma contradição porque nele não está sendo formado o caráter de Cristo.

A cruz é o remédio que Deus providenciou contra a visão exagerada que alguém pode ter de si mesmo. A cruz é a antítese do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Olhar para Cristo ajuda a perceber:

a.    que somos pecadores incapazes de qualquer bem por nós mesmos;

b.   que somos incapazes de nos salvar;

c.    que somos tão amados por Deus que Cristo entregou sua vida por nós.

O orgulho geralmente se manifesta de diversas maneiras, buscando não ser reconhecido porque um inimigo conhecido é um inimigo a ser combatido.
Esta incapacidade de admitir erros, que coloca no outro a responsabilidade de “não ter entendido direito”, ou então de “ter feito algo para provocar” determinada reação ou de ter feito algo para merecer “ser tratado de determinada maneira”.

O orgulhoso frequentemente encontra uma explicação (responsabilizando o outro) para suas atitudes, mas tem enorme dificuldade de admitir que errou, que pecou, e de decidir abandonar o caminho do erro (Pv 28.13).

Pessoas orgulhosas transformam qualquer conversa em uma disputa, são incapazes de ouvir uma opinião diferente sem interpretar como ameaça ou ataque. No casamento isto resulta em discussões constantes e intermináveis.

Na Igreja produz divisões e ressentimentos. No trabalho destrói relacionamentos e carreiras. É fundamental considerar que nem toda discordância pode ou precisa ser vencida. Saber ouvir e compreender, mesmo sem concordar, é ser sábio (Pv 24.6).

Existem pessoas que trabalham muito, sustentam a família com dignidade e até com fartura, enfrentam e superam enormes dificuldades, mas não conseguem olhar para a esposa, para o filho ou para um irmão na Igreja e admitir que cometeu um erro, interpretou mal uma fala ou uma ação. Isto não é ser forte - é ser orgulhoso. Você não perde autoridade quando admite um erro e pede perdão. Pedir perdão é demonstrar maturidade espiritual.
O orgulho também se manifesta na crença de que tudo precisa acontecer de acordo com os próprios interesses e vontade, levando a tentativa de controlar tudo: esposa, filhos, Igreja, trabalho e até o futuro. Mas a bíblia ensina que, na verdade, tudo está sob o controle de Deus (Tg 4.13-16), levando à confiança de que tudo está nas mãos de Deus - e que Deus sabe o que é melhor para todos (Rm 8.28).
O orgulho também se manifesta na busca de ser melhor que todos os demais, envolvendo expectativas sobre filhos “que precisam ser os melhores”, sobre a família que deve “ser exemplar”, na exibição constante e desnecessária de conhecimento filosófico e teológico ou de mais comprometimento que os demais.

É preciso deixar claro que até mesmo a vida religiosa pode ser contaminada pelo orgulho.

É possível alguém considerar que está “servindo a Deus” e secretamente (ou inconscientemente) desejar que as pessoas percebam e exaltem este serviço porque prega melhor, canta melhor, organiza melhor, etc. Esta pseudoespiritualidade é duramente condenada por Jesus que chama esta exibição de hipocrisia (Mt 6.1).

Na família o orgulho fica mais evidente porque é ali onde todos são conhecidos de verdade, todos se conhecem e convivem todos os dias por um período muito longo - ações e reações não podem ser escondidas por muito tempo.
O orgulho leva, por exemplo, à exigência de que o cônjuge mude, mas raramente se pergunta o que pode mudar em si mesmo para melhorar o casamento. Assim como a esposa deve buscar mudar para ser submissa ao seu esposo, o marido deve mudar para amar à esposa como Cristo amou a Igreja (Ef 5.25). O exemplo de Cristo ensina a liderar sem arrogância, mas através do sacrifício. A liderança conjugal não significa superioridade, mas responsabilidade, serviço, proteção e amor sacrificial.
O orgulhoso pode exigir respeito e submissão até com o uso das Escrituras, mas é incapaz de demonstrar humildade, segundo o ensino das Escrituras, cobrando dos filhos o que é incapaz de praticar (submeter-se a uma autoridade). Pode exigir que os filhos reconheçam os erros, mas não reconhece os próprios (Ef 6.4). Assim como pais tem autoridade legítima os filhos precisam de autoridade, mas uma autoridade que lidera pelo exemplo, mostrando que não é perfeito, mas que sabe fazer a coisa certa, inclusive reconhecendo quando erra e liderando a família na busca da graça de Deus.
O orgulho afasta as pessoas, impedindo o diálogo. Um pensa que não adianta falar. Outro acha que nunca vai ser ouvido. Outro considera que ninguém entende o que está passando ou sentido e pouco a pouco a família se torna uma “sociedade familiar”, pessoas vivendo debaixo do mesmo teto, sob algumas regras, com momentos alegres em comum, mas emocionalmente separados.
O problema mais sério do orgulho é que ele destrói os relacionamentos humanos, mas coloca o homem em oposição ao próprio Deus (Tg 4.6). Este fato deve levar-nos à reflexão. Mais do que não gostar do orgulho Deus se coloca contra o orgulhoso.

Enquanto o orgulhoso diz saber o que é melhor a bíblia diz para confiar no Senhor e não se estribar no próprio entendimento (Pv 3.5). O orgulhoso diz que consegue resolver enquanto Jesus diz que sem ele nada podemos fazer (Jo 15.5).

O orgulhoso diz que merece enquanto o evangelho anuncia que a salvação é pela graça (Ef 2.8). Deus é a fonte de toda boa dádiva, de todo dom (Tg 1.17), e isto humilha o orgulho humano porque ninguém pode se apresentar diante de Deus dizendo que conseguiu alguma coisa (Dt 8.17-18) numa disposição de coração que conduz à idolatria. Todos os atos que resultam, por exemplo, na salvação do pecador é fruto da ação de Deus (Jn 2.9). Ninguém tem motivo para vangloria alguma (1Co 1.31).

Cristo é o o modelo da verdadeira humanidade e mostra que Ele veio para servir e dar a sua vida em resgate de muitos (Mc 10.45).

O cristão não precisa provar que é importante porque sua identidade e valor estão em Cristo, por isso ele pode admitir que comete erros e pedir perdão, pode ouvir e servir, pode renunciar a uma discussão ou reconhecer suas limitações, dizendo que não sabe ou pedindo ajuda e oração.

Acima de tudo o cristão deve orar ao Senhor como Cristo orou: que o centro de tudo seja a vontade do Pai (Mt 26.39).

A bíblia não é um livro de sugestões. Ela não manda o homem ‘tentar ser menos orgulhoso’. Ela apresenta um caminho mais radical que só pode ser experimentado por quem já nasceu de novo.

O primeiro passo para vencer o orgulho é parar de justificar seu próprio pecado. Pergunte-se onde o orgulho aparece em sua vida.

Talvez você encontre a resposta no modo como fala com a esposa, como trata os filhos, na dificuldade de ouvir ou na necessidade de vencer as discussões. Talvez você seja incapaz de pedir perdão ou precise reconsiderar a forma e o objetivo com que serve na Igreja. O arrependimento só começa quando a pessoa cai em si e para de esconder o problema (Lc 15.17).

O segundo passo é confessar o pecado. Confessar é parar de discordar com Deus a respeito de sua própria conduta (1Jo 1.9), concordando com o que Deus diz. Você não erra um pouco. Você peca. As consequências é que são maiores ou menores - o pecado é o mesmo. Confessar e restaurar é uma prática que quebra o poder do orgulho. Você pode dizer ao seu cônjuge que pecou e quer seu perdão. Pode dizer isso ao seu filho também. Isso é humildade cristã que destrói o orgulho.
A solução para o pecado do orgulho está em olhar para Cristo, aprender com Ele e ter o mesmo sentimento que houve nele (Fp 2.5). A solução para o orgulho e não pensar obsessivamente em si mesmo ou em suas coisas, mas em olhar para Cristo, para as coisas do alto (Cl 3.1-2). Quanto mais o coração estiver na grandeza de Cristo menos necessário será provar a própria grandeza - porque não existe servo grande, apenas servos inúteis, mas fiéis.
O servo de Deus é apenas um serve - e sua grandeza no reino está em seu serviço fiel (Mt 20.26). O orgulhoso pergunta como pode ser servido na família ou na igreja, mas o crente deve se perguntar como abençoar sua família o como servir melhor aos irmãos em Cristo.

O serviço cristão combate o orgulho porque desloca a atenção de si mesmo para o próximo.

Um dos problemas do pecado é o desejo de decidir com autonomia. Mas a bíblia ensina que o crente maduro não é o que nunca precisa de correção, porque todos pecam (Ec 7.20), mas é aquele que consegue ouvir uma correção sem construir uma defesa ou se opor a quem lhe corrige (Pv 12.1).

O cônjuge maduro consegue perguntar em que tem machucado seu próximo sem perceber. É capaz de perguntar aos filhos sobre coisas que faz que dificulta a relação. É dirigir-se aos irmãos pedindo ajuda para identificar e corrigir áreas em sua vida que precisam de correção.

Estas coisas são difíceis, mas são instrumentos de Deus para a santificação de seus filhos amados.

O orgulho é um inimigo insidioso, que precisa ser reconhecido e combatido pelos cristãos através do autoconhecimento, do reconhecimento do pecado, da confissão de busca por correção.
Procure observar suas ações e reações, especialmente as motivações interiores.

O que suas reações revelam sobre o que está no interior do seu coração?

Identifique em suas relações profissionais, pessoais, familiares e eclesiásticas contra quem você tem pecado (por ações, omissões, palavras e pensamentos).

Evite as explicações que se transformam em justificativas. Não remoa as causas para não colocar a culpa no outro e confesse que pecou e que deseja perdão.

Separe um tempo para reflexão e identifique pessoalmente, com familiares ou pessoas mais maduras na fé (de acordo com o contexto) sobre quais as suas atitudes que precisam ser mudadas. Ouça sem se defender. Ore sobre o assunto. Peça a Deus para mudar suas atitudes.

Antes de qualquer ação ore ao Senhor dizendo que precisa d'Ele, que carece de sua direção e de sua correção. Peça-lhe para guardar seu coração do orgulho, para mudar as motivações mais íntimas.

Peça ao Senhor que o ajude a amar a família, servir a Deus na Igreja, ouvir as pessoas e viver debaixo do senhorio de Cristo.

Você não foi chamado para construir uma autoimagem de alguém isento de erros. Você foi chamado a servir a Cristo, conhecendo sua própria fraqueza e por isso dependendo da graça de Deus. Você foi chamado para confessar seu pecado e buscar reconciliação ou correção de seus erros.

Você foi chamado para amar sua família, servir a Deus em sua Igreja e procurar a viver como se Cristo vivesse em você (Gl 2.20).

O verdadeiro crente não é aquele que nunca se curva - é aquele que aprendeu diante de quem deve se humilhar para ser restaurado e sustentado no caminho da retidão.

“Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte.” 1Pe 5.6

quarta-feira, 17 de junho de 2026

O DOMINGO É DIA DO SENHOR! O QUE VOCÊ DEVE FAZER NESTE DIA?

 A maioria dos cristãos já sabe que deve cessar todo tipo de obra no dia do Senhor. Além de ser um dia sem trabalho, o dia do Senhor também deve ser santificado, separado para uso santo porque o dies Dominici é mais que um dia de folga - é um dia separado pelo Senhor para comunhão, adoração e descanso (atividade) espiritual. Este descanso possui uma dimensão espiritual antes de ser apenas física - o objetivo é libertar o coração e a alma das distrações e afazeres terrenos para concentrar-se nas coisas do céu.

A bíblia diz que o dia do Senhor, todo o dia do Senhor, é “santa convocação”, é um dever solene do povo de Deus, independentemente de haver ou não vontade da liderança religiosa - o povo já está convocado pelo próprio Senhor, e a liderança não define o dia, mas apenas o local, o horário e a quantidade de reuniões que acontecerão.

O dia do Senhor é tempo determinado por Deus para reunião pública de adoração. O próprio Jesus deu exemplo, tendo o costume de frequentar a sinagoga aos sábados porque este era o dia de reunião dos judeus - e após a ressurreição Ele passou a frequentar as reuniões da Igreja no domingo, porque este foi o dia escolhido por Ele para sua Igreja.

Para experimentar, na prática, este repouso santificado, o crente deve buscar comunhão com Deus, preparando-se com tempo hábil para o culto, deslocando-se para o local de congregação sem atropelos e com tempo para solucionar eventuais imprevistos, meditando na Palavra com a família, dedicando-se à oração e buscando crescimento espiritual durante todo aquele dia. Não erre! Não reduza a santidade do dia do Senhor apenas à ida ao culto. Embora o culto público seja central como forma de adoração comunitária determinada por Deus o restante do dia também deve refletir reverência espiritual.

Esta visão de que o dia do Senhor é dia de santo repouso ajuda o cristão a reorganizar suas prioridades durante a semana na qual as ocupações e as preocupações terrenas já ocupam grande espaço de tempo e na mente das pessoas - e o dia do Senhor interrompe este ritmo insano, reorganizando suas prioridades, lembrando ao crente que sua vida não gira em torno de trabalho, dinheiro, carreira, prazeres ou realizações pessoais. Neste dia o coração do crente deve estar inteiramente voltado para Deus, deixando de fazer coisas que são moralmente legítimas durante a semana que devem ser evitadas no Domingo porque desviam o coração do propósito santo desse dia.

CONTINUA...

O DOMINGO É DIA DO SENHOR! VOCÊ SABE POR QUE ESTE DIA EXISTE?

 A bíblia mostra, já no livro de Gênesis, que o dia do Senhor foi instituído pelo próprio Senhor antes que o homem necessitasse de descanso - na verdade, o descanso foi a primeira experiência do homem. O dia do Senhor é uma ordenança da criação que só foi estabelecido com força de Lei muito tempo depois da criação, e mesmo antes da outorga da lei os hebreus, ao saírem do Egito, já haviam sido ensinados por 40 anos a guardarem o dia de descanso, recolhendo o maná por somente seis dias. Assim, o dia do Senhor lembra que Deus é o Criador, e, como Criador, aquele que tem direito de organizar as coisas como melhor lhe pareceu.

Ao saírem do Egito o Senhor cuidou das necessidades dos hebreus por 40 anos e lhes deu a lei, treinando-os na obediência enquanto eles peregrinavam pelo deserto. O livro de Levítico mostra que, ao instituir a lei no Sinai o Senhor lembra que foi Ele que libertou os hebreus e formou a nação israelita, e como seu criador Ele possui o direito de ser também o seu legislador. Para os hebreus o dia do Senhor lembra que Deus é o seu libertador, que o livrou da escravidão e o sustentou no deserto. Deus é a razão da existência de Israel como nação.

Por cerca de 1500 anos o sábado foi regido pela lei mosaica, com significado nacional e cerimonial - e lamentavelmente seu sentido foi corrompido por tradições e mandamentos humanos. Este estado de coisas vigorou somente até que foi cumprido em Cristo, aquele que também cumpriu todas as exigências da lei em sua vida, morte e ressurreição. À partir de então o shabbat (descanso) cristão tornou-se o domingo. Não foi uma decisão de um concílio da Igreja (e note que o primeiro concílio da Igreja está registrado no livro de Atos dos apóstolos). Não foi uma decisão de um governante. Foi uma ação natural direcionada pelo próprio Senhor ressurreto. A instituição deste novo dia lembra a nova criação, e aponta para Cristo, o salvador de seu povo.

Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana. Jesus apareceu aos discípulos diversas vezes, e sempre no primeiro dia da semana. Jesus apareceu a uma multidão e ascendeu aos céus no primeiro dia da semana, isto é, no dia de Pentecostes, que ocorre 7 sábados mais um dia após a Páscoa. A Igreja sempre é mostrada reunida no primeiro dia da semana, para partir o pão e para a coleta de donativos e João chama o primeiro dia da semana de dia do Senhor no livro de apocalipse. Além disso, não há nenhuma menção sobre a Igreja reunida para culto em qualquer outro dia - somente no primeiro dia da semana.

O DOMINGO É DIA DO SENHOR! O QUE ISSO SIGNIFICA PARA VOCÊ?

O quarto mandamento trata da ordem do Senhor de trabalhar seis dias e descansar um. O que significa isto para a Igreja contemporânea? O que isto significa para a Igreja presbiteriana? O que isto significa para a 3ª Igreja Presbiteriana de Taguatinga? O que isto significa para você?

Estas perguntas são importantes - e é preciso que você leia esta pastoral com cuidado e com o coração aberto para que ele seja lido pelo ensino da Palavra de Deus. Porém, antes de tratar do significado do dia do Senhor para nós precisamos conhecer o que se pensa por aí, sobre o dia do Senhor.

A primeira maneira de ver o dia do Senhor, na atualidade, está eivada de legalismo, como se fosse uma espécie de ressurreição do judaísmo farisaico com suas quase infinitas, infundadas e criativas interpretações. Além da interpretação mais conhecida atualmente, a da seita judaizante sabatista, também há aqueles que tentam fazer com que o dia do Senhor, o domingo, seja transformado no novo sábado cristão, soterrado sob uma avalancha de proibições, exatamente como os fariseus faziam.

A segunda maneira de ver o dia do Senhor, na verdade, pretende esquecer que o domingo é o dia do Senhor e o vê, apenas, como o fim de semana, um aspecto da cultura herdado do fato de que nossa sociedade tem formação judaico-cristã. Isto faz com que vejam este dia simplesmente como um dia sem trabalho ou um dia que está livre na agenda para ser ocupado segundo os interesses pessoais.

Neste contexto as pessoas se sentem livres para fazer o que desejam, atenderem seus próprios interesses ou até não fazer nada, dedicando-se ao ócio. Podem ocupar o dia com recreações e trabalhos, ou até com uma visita à Igreja, porque é seu dia livre, e faz com ele o que quer.

A maneira cristã, a maneira bíblica e justa de ver o dia do Senhor não se coaduna e tampouco dialoga com nenhuma destas duas profanações do dia do Senhor. Os fariseus julgavam que o homem deveria ser subjugado pelo sábado. Os licenciosos contemporâneos julgam que o homem é senhor do domingo. A visão bíblica é que o dia do Senhor foi instituído para o bem do homem, para seu descanso e para que ele dedique todo o tempo deste dia para comunhão com seu próximo e com Deus.

CONTINUA...

segunda-feira, 30 de março de 2026

O PROPÓSITO ETERNO DE DEUS COM A IGREJA

  Rev. Marthon Mendes

1Pe 2:9 Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; 10 vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.

É bastante provável que você já tenha se perguntado: por que eu estou aqui? Não neste lugar, não agora, mas na Igreja. Por que a Igreja existe? Para que ela existe? Qual o propósito de Deus ao criar uma instituição tão complexa e que, apesar de saber que existe para proclamar as virtudes de Deus, nem sempre se dedica a esta finalidade?

Analisando a Igreja dentro de uma perspectiva fiel ao ensino das Escrituras facilmente nos convencemos de que a Igreja não pode ser uma invenção humana, uma mera organização religiosa. Ela só pode existir e subsistir por ter sido estabelecida pelo próprio Deus e sustentada por Ele no curso da história da redenção.

Primeiro, a Igreja surge como o povo da aliança, reunido por meio de Cristo, para a glória de Deus e manifestação visível de seu reino no mundo. O propósito de Deus sempre foi este. Já no Antigo Testamento Deus formava um povo para ser exclusivamente seu, uma nação de testemunhas de sua glória – e no Novo Testamento esta realidade se cumpre e se expande na Igreja de Cristo, formada por judeus e gentios unidos pela mesma fé no único salvador.

Is 43:10 Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, o meu servo a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que sou eu mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá.

A existência da Igreja deve ser entendida dentro da história da redenção: Deus sempre teve um povo, uma assembleia, uma congregação. Deus nunca se deixou ficar sem testemunhas de seu poder e glória. Se queremos compreender qual o nosso propósito na Igreja precisamos compreender qual o propósito de Deus na Igreja.

I.             A GLÓRIA DE DEUS

A primeira e principal razão da existência da Igreja é que Deus estabeleceu a Igreja para sua própria glória. A razão principal da existência da Igreja não está no homem – está em Deus. Deus separou um povo para que seu nome fosse conhecido, adorado e exaltado no mundo.

Sl 115:1     Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.

Na Igreja Deus manifesta sua glória de maneira especial, dando nova vida e adotando como seus filhos e adoradores os que antes eram inimigos mortais e mortos em delitos e pecados. A Igreja glorifica a Deus por meio do culto público, da adoração, da pregação, dos sacramentos e especialmente por meio da vida santa de seu povo. Deus é glorificado em sua Igreja.

Ef 3:20   Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, 21 a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!

A Igreja existe para mostrar ao mundo quem Deus é e o que Ele faz. A vida da Igreja é uma espécie de vitrine da graça, da misericórdia, da santidade e da justiça de Deus. Uma Igreja que, porventura, perca esta visão de que sua adoração, seu louvor e sua vida devem ser totalmente devotados para a glória de Deus ela já perdeu sua própria razão de existir.

II.          A EDIFICAÇÃO DOS CRENTES

Deus estabeleceu a Igreja para a edificação espiritual de seu povo. Deus não chamou os crentes para viverem a sua fé isoladamente – Ele os chamou para viverem em comunhão com Ele e uns com os outros, e, nesta comunhão, crescerem e amadurecerem espiritualmente dentro do corpo de Cristo.

Tt 2:13  aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, 14 o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.

Deus concedeu várias dádivas ao seu povo na Igreja para que nela os crentes sejam ensinados, fortalecidos e preparado para viver a vida cristã. E para isto ela concedeu cada um de nós com sua própria função e finalidade no corpo.

1Co 12:27 Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo.  

Um exemplo bíblico desta união vital da Igreja pode ser encontrado na Igreja primitiva, onde todos perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações, mostrando que Deus edifica seu povo por meio de sua Palavra, pelos sacramentos, pela oração e pela comunhão dos santos.

At 2:42  E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.

Chamamos estes elementos de edificação da Igreja de ‘meios de graça’ (especialmente a Palavra, os sacramentos e a oração) por meio dos quais Deus fortalece a fé, consola o coração, corrige o erro e conduz o crente à maturidade espiritual.

Por meio da comunhão na Igreja os crentes se sustentam mutuamente, fazendo da Igreja a escola da espiritualidade para edificação dos crentes, um hospital onde os pecadores são cuidados e uma família espiritual onde todos são alimentados. Sem a Igreja o crescimento espiritual saudável não ocorre porque foi esta a maneira estabelecida por Deus.

III.      A PRESERVAÇÃO E DEFESA DA VERDADE

Deus estabeleceu sua Igreja para a ser a legítima guardiã da verdade de Deus. Em um mundo marcado pelo erro, pela idolatria e pela falsa doutrina, Deus estabeleceu a Igreja como coluna e baluarte da verdade. A Igreja é coluna e fundamento da verdade, isto é, Deus confiou à Igreja a responsabilidade de guardar, ensinar e transmitir fielmente a sua Palavra.

1Tm 3:15    para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.

Os crentes são exortados a batalharem com diligência pela fé que o Senhor entregou de maneira plena e definitiva aos seus santos, isto é, à sua Igreja. Logo, compete à Igreja ensinar a verdade e defendê-la contra erros e heresias.

Jd 1:3    Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.

Batalhar pela fé e ser guardiã da verdade significa que a Igreja não tem autoridade nenhuma para inventar doutrinas – a tradição da Igreja, se não tiver base bíblica, não tem valor algum. A autoridade da Igreja deriva de ensinar fielmente aquilo que Deus revelou. Se uma Igreja abandona a verdade bíblica, se deixa de ser guardiã e defensora da verdade ela deixa de cumprir uma de suas principais funções no mundo e já não tem lugar para existir.

A Igreja é a guardiã do mais valioso dos tesouros: o evangelho, e deve preservar este tesouro, transmiti-lo com fidelidade às próximas gerações e protegê-lo contra distorções, internas ou externas.

IV.       PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO

Deus estabeleceu sua Igreja e lhe deu uma missão que vai além da adoração no templo – a Igreja não existe apenas para dentro, mas também para fora. A mesma Igreja que foi chamada para fora do mundo também foi enviada por ele de volta a este mesmo mundo para anunciar o evangelho da salvação em Jesus Cristo e fazer discípulos em seu nome.

Mt 28:18    Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. 19 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

A tarefa evangelizadora é uma das principais missões da Igreja e para isso o Senhor deu aos seus discípulos o poder do Espírito, capacitando-os a serem suas testemunhas até os confins da terra, mostrando que a Igreja foi criada para ser uma comunidade – tanto adoradora quanto missionária.

At 1:8    mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.

A teologia reformada entende que a missão principal da Igreja é a adoração ao Senhor, para sua glória – e como parte importante desta adoração está a pregação do evangelho, que é uma forma de adoração enquanto anuncia Cristo, chama pecadores ao arrependimento e reúne os eleitos de Deus por meio do chamado ao arrependimento e conversão para Deus.

Desta forma a Igreja funciona como uma embaixada do reino de Deus neste mundo, anunciando as boas novas da salvação e chamando os homens a se reconciliarem com Deus por meio de Jesus Cristo.

2Co 5:20     De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.

CONCLUSÃO

Estas são as razões para estarmos aqui na Igreja, para existirmos como Igreja: para glorificar a Deus, para nos edificarmos mutuamente, para preservarmos a verdade e proclamarmos esta verdade a pecadores que ainda não a conhecem, ou que a tem rejeitado, embora a conheçam.

Não somos um clube social – somos a Igreja de Deus. Não somos um partido político, somos aqueles que foram ‘cortados do mundo do pecado’ para servirmos ao Senhor. Não fazemos eventos religiosos – somos o povo de Deus reunido para glorificar a Deus, para ser edificado por Deus, para guardarmos a verdade de Deus e anunciarmos o evangelho de Deus.

Ter conhecimento destas verdades deve mudar a maneira como você, cristão, enxerga a sua participação na Igreja. Ser membro da Igreja não deve ser considerado como algo secundário na vida cristã – é parte essencial do plano de Deus para a vida de cada crente porque é na Igreja que Deus é adorado, é na igreja que a verdade é preservada e é por meio da Igreja que o evangelho alcança o mundo.

Amar a Igreja, participar da vida da Igreja e servir na Igreja é a essência da própria vocação cristã porque a Igreja é a família de Deus, o corpo de Cristo e o templo do Espírito Santo, estabelecido pelo próprio Deus para sua glória, salvação e edificação do seu povo.

domingo, 15 de março de 2026

A ORAÇÃO PASTORAL E AS CERTEZAS ESPIRITUAIS DOS CRENTES

A ORAÇÃO PASTORAL E AS CERTEZAS ESPIRITUAIS DOS CRENTES

Imagine que você acaba de descobrir que possui uma conta bancária com um saldo infinito, mas passou a vida inteira preocupado com os centavos para comprar o pão. Ou imagine estar em um quarto escuro, tateando as paredes com medo, sem saber que existe um interruptor bem ao seu lado que pode inundar tudo com uma luz gloriosa. É exatamente sobre isso que o texto que você está prestes a ler trata: o despertar para uma realidade muito maior do que os nossos olhos podem ver.

Esta mensagem deve nos incentivar a pedir algo que raramente lembramos de pedir para a Igreja: sabedoria, esperança firme e iluminação. Talvez não nos falte informações, mas é provável que haja muito menos sabedoria, e por isso nós precisamos que Deus nos abra os "olhos do coração".

Sem esta ação de Deus todos estaríamos perdidos, reagindo apenas ao que acontece no momento e, espiritualmente mortos, apenas aguardando o fim dos nossos dias. Mas, quando esses "olhos" são abertos, passamos a enxergar algumas realidades que mudam tudo:

i.               Você não está aqui por força do acaso nem por uma expressão de bondade pessoal. Tudo em você faz parte de um propósito abençoador, eterno e inabalável de Deus.

ii.            Por causa do propósito de Deus em sua vida Ele mesmo preparou e doou um tesouro espiritual seguro e infinito – um tesouro que não pode ser tomado e nenhuma crise econômica pode desvalorizar.

iii.         A Grandeza do Poder de Deus em sua vida. Este é o mesmo poder que trouxe Jesus de volta à vida depois da morte - a maior demonstração de força da história – e que age para abençoar aqueles que nele confiam.

iv.          A suprema eficácia do poder de Deus manifesto na forma de uma graça eficaz, um chamado por meio do qual Deus realiza infalivelmente tudo aquilo que determina na vida de seus eleitos.

Todos, independentemente de sua idade, seja jovem, adulto ou idoso, absolutamente todos enfrentamos momentos de cansaço, incerteza e a sensação de que somos pequenos demais diante dos problemas do mundo. A Palavra de Deus vem e nos lembra que a Igreja é o corpo daquele que governa absolutamente tudo, e por isso não temos razão para desmaiarmos em nossas almas.

Nosso Deus não é uma divindade distante ou sem poder – Ele é o Pai da glória, a fonte de toda benção, aquele que dá segurança que não depende de sua constância ou de sua perfeição moral porque Ele fez tudo depender da obra do Senhor Jesus, nosso mediador e intercessor. 

I.                A PRÁTICA PASTORAL DA ORAÇÃO INCESSANTE

15 Por isso, também eu, tendo ouvido da fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos, 16 não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações,

Neste texto o apóstolo Paulo diz que constantemente dava graças a Deus pelos efésios, sempre mencionando-os em suas orações.

Considerando o conceito de Palavra inspirada e verdadeira, temos a certeza de que ele realmente fazia isso. Só que não devemos imaginar que em todas as suas orações, quase que mecanicamente, ele tivesse uma lista de temas de oração.

Devemos entender isto dentro do costume apostólico de oração constante, em seus momentos de oração Paulo orava pelas Igrejas e em seus momentos de comunhão com Deus e intercessão pelos santos ele incluía a Igreja em Éfeso.

O verbo usado por Paulo indica uma prática habitual de oração, revelando que a intercessão do pastor Paulo pelo rebanho que o Senhor lhe confiou era parte permanente em seu ministério e caracterizava sua espiritualidade.

Rm 1:9 Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, é minha testemunha de como incessantemente faço menção de vós 10 em todas as minhas orações, suplicando que, nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de visitar-vos.

Do exemplo de Paulo aprendemos que a prática da oração constante está ligada à dependência absoluta da graça de Deus. Só não pede quem não precisa de nada. Paulo, apesar de ter inúmeras qualificações, não confiava na sua própria capacidade ou poder para fazer as coisas.

1Co 15:10 Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou ; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo.

Paulo também diz que certamente não confiava na capacidade humana da Igreja, mas somente no agir soberano de Deus.

2Co 3:4 E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; 5 não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.

Paul praticava o que ensinava, e ele ensinava à Igreja a orar sem cessar, mas isto não quer dizer que ele queria que estivesse sempre verbalizando seus pedidos (muito pedir), mas vivendo sempre em estado de dependência e fé.

1Ts 5:17 Orai sem cessar. 18 Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.

A vida de oração de Paulo não dependia das circunstâncias. O contexto desta carta mostra que Paulo estava preso, muito provavelmente em sua primeira prisão em Roma. Era uma prisão domiciliar onde o apóstolo podia receber visitas e assim as notícias chegavam a ele com facilidade.

Mesmo prisioneiro ele ainda orava perseverantemente pelas Igrejas, exemplificando, através de sua atitude, sua esperança na ação de Deus e sua certeza da eleição divina porque o Espírito do Senhor lhe dava esta convicção.

Sua oração era incessante porque fazia parte do seu estilo de vida, era uma oração pastoral porque visava o crescimento da Igreja em Cristo Jesus, era incessante, era biblicamente orientada porque reconhecia a soberania absoluta de Deus, e era cristocêntrica porque se fundamentava na obra de Cristo como mediador da aliança e Senhor da Igreja.

Hb 7:25 Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.

É natural que você se pergunte: por que Paulo fazia isso? Paulo os conhecia muito bem, e entre as motivações de Paulo ele lista duas: ele tinha certeza de que eles haviam crido no Senhor Jesus e porque sabia que eles amavam todos os santos de Deus.

1.           POR SABER QUE ELES TINHAM FÉ NO SENHOR JESUS

Paulo afirma ter ouvido que os efésios tinham fé no Senhor Jesus. A fé é uma evidência clara de que a graça de Deus está atuando. Nos versos 3-14 do capítulo 1 é descrita como o resultado da eleição de Deus e da redenção, como um dom de Deus.

Fp 1:29 Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele, 30 pois tendes o mesmo combate que vistes em mim e, ainda agora, ouvis que é o meu.

Paulo diz que “ouviu” a respeito da fé que os efésios tinham. Ele não precisava ouvir para saber que eles eram crentes – ele os conhecia, ele havia estado entre eles, mas, mesmo na prisão lhe chegaram notícias dos efeitos do evangelho que esteava produzindo frutos observáveis entre os efésios.

Tg 2:17 Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.

Sabemos que o ambiente no qual viviam os efésios não era um ambiente muito favorável. Ali havia paganismo, idolatria, perseguição contra a Igreja, e eles continuavam fiéis, amorosos e produtivos porque a sua perseverança na fé era sinal claro da ação regeneradora e preservadora do Espírito Santo.

At 19:18 Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras. 19 Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinquenta mil denários. 20 Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente.

A fé que produz salvação também produz nova vida, transformadora e vai muito além da filiação religiosa. Ser membro de uma religião sem ter fé em Jesus Cristo não produz resultados como os que houve em Éfeso.

Paulo afirma que eles creram no Senhor Jesus – não apenas mediador e salvador, mas o Senhor, ao qual eles se submeteram com coração voluntário, ficando inseparavelmente unidos ao seu Senhor, passando a viver uma nova vida.

Rm 6:5 Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, 6 sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; 7 porquanto quem morreu está justificado do pecado.

Paulo ora por aqueles que Ele reconhece que possuem fé no Senhor Jesus Cristo, e esta fé confirma que Deus começou boa obra neles – e Ele sempre completa a obra que inicia, Ele sempre aperfeiçoa àqueles a quem regenera pela fé em Jesus.

Fp 1:6 Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.

2.           POR SABER QUE ELES AMAVAM TODOS OS SANTOS

O amor dos efésios para com todos os santos também era reconhecido – e estas notícias chegavam a Paulo em seu cárcere. É evidente que o amor fraternal é sinal de regeneração porque amor e fé são inseparáveis.

Cl 1:3 Damos sempre graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vós, 4 desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos;

Paulo enfatiza que o amor dos efésios era por ‘todos os santos’, e isto, que pode passar sem ser percebido com o devido cuidado.

A razão que precisamos deter os nossos olhos sobre esta expressão é o indicativo de que o amor cristão não é seletivo – ele é um fruto necessário da nova natureza, é um resultado inescapável da ação do Espírito Santo porque tanto judeus quanto gentios agora fazem parte de um só corpo corpo de Cristo.

Assim, amar todos os santos é evidência da reconciliação realizada por meio de Cristo.

Cl 3:11 …no qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos. 12 Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. 13 Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; 14 acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.

A bíblia ensina que o amor não é uma questão de escolha ou de capacidade humana porque é um fruto necessário da presença do Espírito Santo porque a Igreja é a comunidade da aliança, dos que entraram em aliança com Deus por meio de Cristo, e o amor entre os membros deve confirmar que eles pertencem ao mesmo povo eleito.

Gl 5:22 Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, 23 mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.

Paulo orava pela Igreja dos efésios, e nisto certamente havia ações de graças porque via neles sinais reais da graça de Deus, reconhecendo que o crescimento do amor da Igreja depende de Deus.

Paulo tanto agradecia a existência da obra de Deus como da intercessão em favor da Igreja para que esta obra iniciada fosse permanente e se completasse.

1Co 1:7 de maneira que não vos falte nenhum dom, aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo, 8 o qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo. 

II.            A CERTEZA DE QUE DEUS É A FONTE DE TODAS AS BÊNÇÃOS DA IGREJA

Ef 1:17 para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, 18 iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos 19 e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder;

Paulo deixa claro que ele pede que o Senhor conceda bençãos para a Igreja, mostrando que toda oração está fundamentada na convicção de que Deus é a fonte absoluta de toda benção, tanto material quanto espiritual.

Ele já havia afirmado que Deus tem abençoado a Igreja com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais em Cristo. Isto deixa claro que nenhuma graça procede do homem, mas tudo vem do Senhor.

Tg 1:16 Não vos enganeis, meus amados irmãos. 17 Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. 18 Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.

Você tem alguma dúvida de que Deus é a causa primeira de toda benção, da sua salvação, da santificação e da perseverança? Você duvida de que a Igreja vive e deve viver em dependência total da ação abençoadora de Deus?

Jo 15:5 Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.

Deus é chamado de “Pai da glória” para enfatizar sua majestade, sua soberania e sua transcendência. A glória do Senhor sempre está relacionada com a santidade e o domínio de Deus sobre todas as coisas. Ele é o Senhor – Ele é o único Senhor, e por isso toda a glória pertence exclusivamente ao Senhor.

Is 42:8 Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura.

A oração não é uma conversa com alguma divindade limitada – ela é a expressão de um coração que depende inteiramente do Deus soberano, do Deus que possui toda autoridade e poder para conceder todas as coisas que prometeu.

O nosso Deus é o de nosso Senhor Jesus Cristo – o Deus que enviou seu Filho para se fazer carne e ser o mediador entre a criatura caída e sua presença gloriosa. Em sua encarnação Cristo se dirige ao Pai como seu Deus e, como nosso mediador, Ele representa seu povo diante de Deus a quem chama de “seu” Pai.

Jo 20:17 Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus Irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus.

A oração pastoral não pede prosperidade material. Ela busca crescimento espiritual porque a maior necessidade da Igreja é conhecer a Deus de forma mais profunda, mais íntima, mais verdadeira.

O verdadeiro tesouro do povo de Deus não está nas posses ou circunstâncias externas, mas em ter um relacionamento biblicamente orientado com o Senhor.

Jr 9:23 Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; 24 mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR.

Só pode haver conhecimento de Deus mediante a revelação de Deus pois o homem natural não pode conhecer o homem a si mesmo. O verdadeiro conhecimento de Deus é resultado da revelação divina e da resposta do homem a esta revelação.

1Co 2:9 mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. 10 Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus.

A prática da oração confirma que a Igreja vive do que Deus concede e não do que ela eventualmente se julgue capaz de produzir. Todo bem procede da graça soberana de Deus e por isso a vida cristã é sustentada pela dependência, pela fé e pela oração.

Rm 8:32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?

1.           ESPÍRITO DE SABEDORIA PARA A IGREJA

A Igreja precisa de “espírito de sabedoria”, e deve orar por isso todos os dias. Mas calma, reformado. Não seja apressado.

Não se trata de um novo espírito diferente do Espírito Santo ou de uma nova forma de manifestação do Espírito Santo – trata-se da obra do próprio Espírito aplicando a verdade de Deus à mente dos crentes, dando sabedoria espiritual aos seus corações.

Os efésios não precisavam receber o Espírito Santo – eles já foramabençoados com sua ação quando creram.

Ef 1:12 a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; 13 em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; 14 o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.

Não é lógico pensar que a oração seja uma nova habitação do Espírito, mas por uma atuação mais profunda dele na compreensão da verdade porque a sabedoria está ligada ao conhecimento da salvação em Cristo e à correta compreensão do plano eterno de Deus.

Cl 1:9 Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual;

Você sabe que a Escritura distingue claramente entre a sabedoria humana (terrena) e a sabedoria divina (celestial). A sabedoria do mundo, humana, é terrena e não pode conduzir o homem além de sua própria origem, isto é, não pode conduzir o homem ao conhecimento de Deus.

1Co 1:21 Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação.

Cristo, no entanto, é apresentado como a própria encarnação da sabedoria de Deus para a salvação do seu povo. Por isso, somente por meio do Espírito Santo o crente pode compreender as realidades espirituais porque o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus.

1Co 2:14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

A sabedoria que Paulo quer que a Igreja receba é a sabedoria revelada, não filosófica, não especulativa. É uma sabedoria espiritual, transformadora e redentiva.

Essa sabedoria está relacionada com a iluminação do Espírito na leitura, compreensão e aceitação da verdade das Escrituras.

A Palavra é perfeita em si mesma – mas acontece que o entendimento humano precisa ser aberto pelo Espírito para que a verdade seja percebida corretamente, gerando crescimento espiritual que depende de compreensão verdadeira e salvadora da revelação dada, e não de novas revelações.

Sl 119:130 A revelação das tuas palavras esclarece e dá entendimento aos simples.

A sabedoria espiritual não é simplesmente estática ou contemplativa – ela produz frutos práticos. Ela conduz à santidade pois conhecer a Deus leva inevitavelmente a viver para Deus.

Cl 1:9 Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; 10 a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus;

Esta sabedoria também conduz à perseverança, pois a sabedoria das Escrituras promove maturidade espiritual, levando o crente a discernir o bem e o mal e assim se tornar cada vez mais firme na fé e por isso devemos orar para que a Igreja não permaneça infantil na fé, mas cresça em entendimento espiritual, vivendo de acordo com a verdade revelada em Cristo.

2Tm 3:14 Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste 15 e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. 16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.

2.           REVELAÇÃO NO PLENO CONHECIMENTO DE DEUS

A Igreja precisa que Deus lhe conceda revelação do pleno conhecimento dele. Essa expressão não quer dizer que Paulo estivesse pedindo novas doutrinas ou novas mensagens fora das Escrituras. Paulo não pedia que a Igreja recebesse novas revelações.

A revelação que Deus já deu é suficiente para a Igreja. Deus já falou plenamente em Cristo e na sua Palavra inspirada. A revelação que Paulo está pedindo à Igreja refere-se à ação do Espírito que torna a verdade revelada cada vez mais clara ao entendimento do crente.

Hb 1:1 Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, 2 nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.

‘Pleno conhecimento’ (epignosis) não é conhecimento de todas as coisas, mas um tipo de conhecimento verdadeiro, profundo, interior e pessoal, transformador e não apenas informação intelectual.

Este conhecimento envolve relacionamento com Deus, uma comunhão real e uma experiência espiritual autêntica pois conhecer a Deus é participar da nova vida que Ele concede em Cristo, e este conhecimento cresce e frutifica ao longo da vida cristã.

Cl 2:2 para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, 3 em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.

O conhecimento de Cristo é suficiente, e por isso Paulo ora para que Deus conceda revelação, mas não acrescentando conteúdo novo. Ora para que o Senhor conceda aprofundamento na compreensão daquilo que já foi revelado.

Conhecer a Deus é linguagem da aliança, é estar vitalmente ligado a Cristo. Não se trata de saber quem Deus é, mas de viver em comunhão com Ele.

Crescer espiritualmente não consiste em buscar experiências inexplicáveis e extraordinárias, mas em compreender cada vez mais a glória de Deus revelada em Cristo e nas Escrituras.

Jo 17:3 E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

3.           ILUMINAÇÃO INTERIOR

Paulo ora por iluminação dos ‘olhos do coração’ da Igreja. O que isto significa? O que ele queria dizer com isso?

Esta expressão não descreve uma atuação desconhecida, misteriosa e incontrolável do Espírito Santo, mas a obra interna do Espírito Santo que capacita o crente a perceber e compreender as realidades espirituais, como aconteceu com Lídia.

At 16:14 Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia.

Na linguagem bíblica coração não é meramente o centro das emoções, como usualmente descrevemos romanticamente hoje.

O coração aqui tem o sentido que também usamos de ser o ponto mais fundamental, é o centro de toda a vida interior, e isto inclui a mente, a vontade e, é claro, as afeições. Quando a iluminação do Espírito atinge o coração isto significa que todo o ser do crente foi alcançado pela luz da verdade de Deus.

Pv 4:23 Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.

De novo, calma! Esta iluminação não deve jamais ser confundida com alguma forma de nova revelação ou uma revelação superior às Escrituras.

A Escritura que foi dada à Igreja já está completa, mas o entendimento humano precisa ser aberto para que ela seja realmente compreendida.

Foi o Senhor quem abriu o entendimento dos discípulos para compreenderem as Escrituras, do mesmo modo que o salmista ora para que Deus lhe abra os olhos para contemplar as maravilhas da Lei de Deus.

Paulo também ensina o mesmo princípio ao afirmar que Deus ilumina o coração para que a Igreja conheça a glória de Cristo.

2Co 4:6  Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.

Esta iluminação está ligada à obra da regeneração e da santificação. Sem a obra do Espírito o homem natural, espiritualmente cego por causa do pecado é incapaz de ver a luz da verdade, e somente pela ação do Espírito ele pode receber a salvação como um ato da graça, e não o resultado da capacidade humana.

Esta iluminação tem um propósito específico: levar o crente a compreender quatro grandes realidades espirituais que sustentam sua fé e sua esperança: a esperança do seu chamamento; a riqueza da glória de Deus; a grandeza do poder de Deus e a eficácia do seu poder.

3.1.      É A ESPERANÇA DO CHAMAMENTO

A primeira realidade fundamental é ter uma resposta para “qual é a esperança do seu chamamento”. O chamamento aqui não é apenas convite externo, que pode chegar a todas as pessoas, mas o chamado eficaz de Deus, a ação interior do Espírito Santo que traz o pecador à salvação e que procede da eleição eterna de Deus e produz fé no coração dos escolhidos.

Rm 8:29 Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.30 E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.

A esperança que resulta deste chamado não é uma esperança vã ou incerta. Ela é segura porque tem fundamentos sólidos e eternos: a promessa imutável de Deus, e por ela o crente pode viver em confiança porque Aquele que chama é imutável, e Ele tanto chama quanto preserva até o fim.

Hb 6:17 Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento, 18  para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta; 19 a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu,

3.2.      A RIQUEZA DA GLÓRIA DA HERANÇA DOS SANTOS

Primeiro nós conhecemos a razão de confiarmos no chamado – porque Aquele que chama é fiel. Mas, você se pergunta, chamado para que?

Afinal todo chamado tem uma finalidade, e o chamado de Deus é para que os crentes conheçam a riqueza da glória da sua herança nos santos – para que os crentes experimentem a herança que o Pai lhes deu quando creram em Jesus Cristo, a salvação final, o reino eterno e a comunhão perfeita com Deus na glória, uma herança incorruptível que não é conquistada, nem merecida, mas concedida pela graça soberana e infinita de Deus.

1Pe 1:4 para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros.

Rm 8:17 Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.

Esta herança não é merecida, não é conquistada, nem é mantida pela vontade do homem. Ela é garantida pela união com Cristo, porque, em Cristo, os que creram foram feitos co-herdeiros. É uma herança rica, abundante de graça, e isto mostra que aquilo que Deus preparou para seu povo é incomparavelmente superior a qualquer benção terrena.

Ef 2:4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, 5  e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos, 6  e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; 7  para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.

3.3.      A SUPREMA GRANDEZA DO PODER DE DEUS

A esperança do cumprimento do chamamento de Deus é uma promessa de herança que Deus garantiu que será realizada. Isto não acontece por causa de ações meritórias, nem antes, nem depois do novo nascimento.

Ela é garantida por causa da suprema grandeza do seu poder para com os crentes – é o mesmo poder que opera na regeneração, que dá nova vida, que justifica e que faz o crente perseverar na fé apesar de sua própria incapacidade.

1Pe 1:3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, 4 para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros 5 que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.

A salvação não depende da força ou vontade humana – ela é uma dádiva exclusiva da graça de Deus, somente do seu poder soberano, que chama, que regenera e que sustenta o seu povo até o fim.

Jd 1:24 Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, 25 ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém!

3.4.      A SUPREMA EFICÁCIA DO PODER DE DEUS

O apóstolo Paulo usa vários termos para descrever a eficácia do poder divino com o propósito de mostrar que a obra de Deus é poderosa, irresistível e segura.

Esta ação de Deus é chamada de graça eficaz, o chamado segundo o qual Deus realiza infalivelmente tudo aquilo que determina na vida dos seus eleitos.

Jo 6:37 Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.

Como o Senhor é todo poderoso e nenhum de seus planos pode ser frustrado nada pode fazer com que o propósito de Deus não se realize: Deus faz tudo conforme o conselho de sua vontade e é por isso que a segurança da Igreja não está em sua própria força, mas no infinito poder de Deus que opera nela.

Is 46:9 Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; 10 que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; 1  que chamo a ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do meu conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei.

CONTINUA EM

BASES BÍBLICAS PARA O CRENTE VIVER CONFIANTEMENTE

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