domingo, 22 de dezembro de 2013

III: PESSOAS SÁBIAS PROCURAM A DEUS COM ESPERANÇA

De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.
Hb 11.6
As grandes descobertas feitas pelos homens em todos os campos científicos, se deram por causa da esperança de encontrarem alguma coisa. Sem a esperança de chegar ninguém vai a lugar nenhum. Como começar uma jornada, atravessar um mar ou um deserto, sem a perspectiva da chegada. Foi justamente o medo de não chegar que impediu, durante séculos, o desenvolver das navegações mundiais.
À partir do dia em que um teórico e um aventureiro resolveram ir adiante na esperança de encontrar mais do que um abismo, estava aberto o caminho para grandes descobertas.
Foi exatamente por causa da esperança que havia no coração de cada judeu - esperança que era chamada de expectativa messiânica, que pessoas como os pastores, Simeão e Ana tomaram atitudes como as que temos mencionado.
Por aguardarem a chegada do messias os pastores deixaram seus rebanhos - foram o mais rápido que puderam para o lugar que lhes fora apontado. Foram procurar um rei numa manjedoura - o que só pode parecer loucura, e efetivamente é (I Co 1:27: ...pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes), e só pode ser aceitável se, de fato, houver no coração a certeza de que a palavra de Deus, através dos anjos, era absolutamente verdadeira.
Mais ainda, procurar não apenas um rei, mas o Rei dos reis, o descendente de Davi que seria o grande libertador de seu povo envolto em panos numa manjedoura? Seria natural dirigirem-se para Jerusalém, para procurá-lo num palácio, numa casa de nobres, mas nunca numa estrebaria, numa manjedoura.
Era por causa da expectativa messiânica, da certeza de que o messias viria, que um homem como Simeão estava constantemente no templo, e recebera a benção de ser informado de que não morreria antes de ver a esperança de Israel. Esta era a sua esperança.
Quantos talvez olhassem para Simeão e o vissem como um louco, um lunático, um fanático dado a visões. Talvez outros, bem poucos, olhassem para Simeão e pensassem: está cada vez mais perto o dia, pois Simeão não durará muito mais - e pensavam: está chegando o dia do messias chegar. Lucas nos diz que havia pessoas assim (Lc 2:38: E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém). E o próprio Simeão olhava para si mesmo e pensava: quanto tempo ainda?
Até que, finalmente, indo ao templo sob o impulso do Espírito Santo, vê o menino e considera que a sua fé, a certeza que possuía no coração de que, embora ainda não visse, sua esperança seria concretizada (Hb 11:1: Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem).
Dificilmente encontraremos pessoas sadias física, emocional e espiritualmente, num contexto de normalidade social (encontramos os heróis da fé dos primeiros séculos do cristianismo, mas era num contexto de forte perseguição) que reagiriam de maneira tão alegre diante da iminência da morte.
Simeão diz alegremente ao Senhor: estou pronto para morrer, obrigado Senhor. Ele aguardara com esperança - e sua esperança fora contemplada (I Pe 1:7: ...para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo).
Que dizer, então, de Ana? 60 anos aguardando o messias.  Viúva, ainda jovem, com 23 ou 24 anos, podia ter se casado novamente. Mas preferiu dedicar-se a orações e jejuns, aguardando o messias. Não foram apenas 60 dias que se passaram enquanto ela esperava, mas 60 anos de expectativa, constantemente presente no templo, dia e noite. Foram quase 22 mil dias dedicados a aguardar o messias.
É impossível Ana não fosse muito conhecida, especialmente numa cidade religiosa como Jerusalém, num templo que era o centro da religiosidade de uma nação - e não apenas dos israelitas palestinos, mas de uma multidão de judeus espalhados pelo mundo mediterrâneo e um número grande, também, de prosélitos e tementes a Deus. Ela era tida por profetisa. E, como tal, após encontrar o menino falava a respeito deste menino a todos os que, como ela, aguardavam a Jesus com esperança no coração.
Esperança - esta é a palavra chave. Na expectativa de encontrar o Rei nascido para os judeus homens sábios, estudiosos, ricos, que não tinham nenhuma relação formal com Israel deixam a segurança de suas cidades, a respeitabilidade que possuíam e se tornam peregrinos. O que os movia? A esperança de encontrar o Rei dos judeus - não um dos reis dos judeus, mas o Rei, tão aguardado pelos judeus.
É impossível que não conhecessem os livros sagrados dos judeus e soubessem das profecias a respeito do Messias (Is 24:15: Por isso, glorificai ao SENHOR no Oriente e, nas terras do mar, ao nome do SENHOR, Deus de Israel) e, assim, as tivessem relacionado com aquela estranha estrela que brilhava lhes ao ocidente (Mt 2:2: E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo).
Esta esperança os moveu na sua longínqua e perigosa jornada. Chegaram ao palácio, não perderam a esperança, seguiram adiante até Belém, e, ali, não mais numa manjedoura, adoraram o Rei e entregaram-lhes presentes. Eles não apenas entregaram presentes, não apenas o honraram com sua presença e posses, mas, efetivamente, o adoraram (Mt 2.10-11: E, vendo eles a estrela, alegraram-se com grande e intenso júbilo. Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra).
Concluo remetendo ao sentimento existente no coração dos pastores, de Simeão, de Ana e dos magos: alegria, grande e intenso júbilo, adoração. Este sentimento com certeza não é o mesmo que o emocionalismo piegas que canta “vem chegando o natal” mas vive o resto do ano como se Jesus não tivesse vindo. Muitos dizem, num tom de voz profundamente doce: que o menino Jesus nasça em seu coração neste natal - como se ele já não tivesse nascido de uma vez por todas. Do mesmo jeito que celebram o natal com presentes, com papai Noel e sem Jesus, também celebrarão a páscoa com chocolates e sem a cruz.
Eis as sábias palavras do Senhor através do seu profeta Isaías:
Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura.

Is 42.8

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