domingo, 8 de dezembro de 2013

A VIAGEM DE PAULO A ROMA - NÃO FOI COMO ELE QUERIA, MAS FOI MELHOR QUE A ENCOMENDA

At 27 - Sala de Missões - IPVM


O MOTIVO DA VIAGEM
O livro de Atos dos Apóstolos é um relato da realização da obra missionária para a primeira geração de cristãos: de Jerusalém, passando pela Judéia e Samaria, chegando a Roma (os confins da terra).
Atos apresenta como a Igreja cumpriu a ordenança de Jesus (ide por todo o mundo…) e nele estudiosos tem encontrado muitas variações de como fazer a obra missionária: reuniões de oração constantes, reuniões nos lares, discursos em aglomerações, discursos em praças, mercados, pregação em ambientes religiosos (Igrejas - sinagogas), abordagens filosóficas. Tudo isto é possível ver neste espetacular livro escrito por Lucas.

FÉLIX DESEJA OBTER VANTAGENS COM A PRISÃO DE PAULO

Paulo foi detido por Félix em Cesaréia por 2 anos, mesmo que o governador soubesse de sua inocência, fazia isso por dois motivos: queria ficar bem com os sempre inflamáveis judeus, e, também, esperava obter alguma espécie de compensação financeira por parte de Paulo – algo não incomum entre os nobres romanos.

MUDANÇA DE GOVERNO

O capítulo 27 é o relato de uma viagem que cumpre um objetivo: fazer o evangelho chegar aos "confins da terra", ao centro do paganismo mundial, Roma, em resposta a um apelo de Paulo no uso dos seus direitos como cidadão romano (At 25.11-12).
Notemos que Paulo não faz uso deste direito como se fora uma 'regalia', mas um meio de não ser mais detido pela esperança de Félix em receber alguma forma de suborno por parte dos cristãos (At 24.25-26). Com a mudança de preposto – Félix dá lugar a Festo, e a presença de Agripa, um rei títere dos romanos, Paulo finalmente entende ser chegado o momento de deixar Cesaréia rumo a Roma.
Herodes Agripa II dá prosseguimento à cegueira espiritual de sua família. Seu avô intentou matar Jesus, seu pai não reconheceu Jesus como o messias e agora ele próprio rejeita crer no que Paulo falava.
Agripa escutou a mensagem mas considerou-a apenas um agradável entretenimento. Achou graça no que pensou ser uma "tentativa de Paulo de fazê-lo se tornar cristão" – e nisto condenou-se a si mesmo – e, pensando não dar nenhuma resposta, negou-se a receber a Cristo. Como ele muitos também não acreditarão, embora o evangelho seja suficientemente convincente: eles simplesmente decidem não responder positivamente, o que já é uma resposta negativa.

APELO PARA CÉSAR

Paulo, como cidadão romano, tinha o direito de ser julgado pelo próprio imperador. Era um privilégio e um risco, pois não haveria mais a quem apelar de um eventual julgamento contrário.

UMA VIAGEM PERIGOSA

Entregue aos cuidados de um centurião chamado Júlio, e em companhia de Lucas (sua presença é indicada pelo uso do pronome nós) e Aristarco (que aparece pela primeira vez nas Escrituras durante o tumulto na cidade de Éfeso - At 19.29; 20.4; Cl 4.10; Fm 24) eles empreendem uma viagem fora de época e com as condições de navegações contrárias.

UM AVISO DIVINO

Era obrigação do centurião não se apartar de Paulo em momento algum, e, devido ao convívio (At 27.3) passa a confiar nele, e o apóstolo teve liberdade para falar-lhe a respeito do que Deus lhe dizia, e assim avisa o centurião dos perigos.
O centurião, porém, prefere não dar ouvidos a Paulo, talvez acreditando que Paulo temia o que poderia lhe acontecer no julgamento e estivesse tentando retardá-lo, e confia mais nos marinheiros que no aviso de Deus. Mesmo com a advertência de Paulo (At 27.10) prosseguem a sua viagem temerária e acabam naufragando.
Era uma data perigosa para navegar – meados de outubro (At 27.9 – o dia de jejum era o dia da expiação, caia ordinariamente entre o fim de setembro e meados de outubro), com muitas nuvens e com mudanças climáticas muito rápidas, suscetível de tempestades (não havia GPS, bússola e os marinheiros guiavam-se pelas estrelas que ficavam invisíveis em noites nubladas).

PLANOS DOS HOMENS PODEM SER FRUSTRADOS

Tudo o que era humanamente possível fazer para evitar o desastre foi tentado quando o navio se encontrava sem rumo – na verdade, já tinha perdido o rumo quando desobedeceu às advertências de Paulo sobre os perigos daquela viagem.

A VONTADE DE DEUS É PROCLAMADA EM SITUAÇÕES ADVERSAS

Mesmo em meio ao perigo Paulo continua a exercer o seu papel de arauto de Deus, e, como ele já os havia prevenido antes, dão-lhe finalmente atenção (At 27.30-32) e anuncia-lhes que Deus ainda teria misericórdia das vidas deles, embora o desejo de lucro que possuíam fosse desfeito (se chegassem a algum centro comercial com suas mercadorias numa época impropria teriam grande lucro devido à falta de concorrência).

DEUS SEMPRE CUMPRE SUA PALAVRA

Deus cumpre sua palavra e nenhuma vida se perde – embora o navio e a carga tenham sido perdidos no naufrágio. Os interesses dos homens são frustrados, mas o plano de Deus de levar Paulo para Roma (At 9:15: Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel).
O fato de Paulo ter conseguido a confiança do centurião foi essencial para que tanto a sua vida como a dos demais prisioneiros fosse poupada (o soldado que deixasse um prisioneiro fugir pagava a fuga com a própria vida).
Assim, o testemunho de Paulo perante Júlio foi importante até mesmo para que o evangelho fosse, posteriormente, pregado sem qualquer impedimento em Roma. Os assuntos jurídicos de Paulo fizeram com que ele tivesse relativa simpatia ao chegar a Roma, apresentando o evangelho no palácio imperial (a casa de César) através da guarda pretoriana (com testemunhas oculares do que Deus havia feito na viagem).
Às vezes os planos que temos são frustrados para que os de Deus, sempre melhores, sejam estabelecidos. E é à partir desta constatação que quero propor algumas considerações sobre o trabalho missionário da Igreja.

A OBRA MISSIONÁRIA DA IGREJA DEVE TER UM ALVO DETERMINADO

O alvo da Igreja cristã primitiva era simplesmente cumprir o mandato do Senhor, proclamando o evangelho a todas as nações, desde Jerusalém até os confins da terra. Não havia meio termo. Eles queriam ver o fim chegar (Mt 24.14).

O ALVO DA IGREJA EM SUA OBRA MISSIONÁRIA DEVE SER EXEQUÍVEL

O alvo adotado pela Igreja primitiva era o de levar o evangelho até os confins da terra – e isto significava fazê-lo chegar poderosamente na capital do paganismo mundial, isto é, Roma. E isto foi feito no decurso de apenas uma geração.
Entretanto, eles tinham diante de suas vistas o mundo que eles conheciam – era-lhes impossível pregar, em sua geração, a todas as nações.

A IGREJA NECESSITA DISPOR DE PESSOAS QUALIFICADAS

Quando a Igreja de Antioquia foi iniciar seu "programa missionário" ela não procurou pastores e missionários encostados em seu presbitério, nem aqueles que não estavam dando certo ou inexperientes. Ela separou Barnabé (o mais experiente, por isso seu nome é citado primeiro) e Saulo (mais tarde chamado de Paulo, o apóstolo aos gentios). Mais tarde, ao término da primeira viagem, eles se sentiram capacitados e despertados para treinar outros missionários, dentre os quais João Marcos, Aristarco, Timóteo.

DEUS PROVIDENCIA MEIOS PARA QUE OS ENVIADOS CUMPRAM SUA MISSÃO

Paulo tinha interesse em ir a Roma e, de lá, ser encaminhado como missionário até a Espanha. Sua carta aos romanos é uma espécie de apresentação de sua teologia aos irmãos romanos. Mas Deus providenciou para que o império romano arcasse com as despesas de uma viagem missionária, proporcionou um ambiente relativamente acessível para o missionário-prisioneiro devido ao seu convívio com o centurião Júlio, e muitos santos surgiram na "casa de Cesar".
Mas houve ocasião em que Deus usou a Igreja com esta finalidade, como Paulo menciona a respeito dos filipenses (Fp 4.15). Todavia, lembremos que:
                          I.            DEUS ESTABELECE O PROJETO
                      II.            DEUS PROVIDENCIA OS MEIOS
                   III.            DEUS CAPACITA OS AGENTES
                    IV.            DEUS GARANTE OS RESULTADOS

Nenhum comentário:

FAÇA DESTE BLOG SUA PÁGINA INICIAL