segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

QUANDO UM SERVO É CHAMADO À PRESENÇA DO SEU SENHOR

Certo filósofo certa vez afirmou que a morte de um ser humano não é apenas uma perda para os familiares e amigos, mas é a diminuição da humanidade e, por conseguinte, da sua própria humanidade.
Foi-me concedido conviver com a Srª. Deselina em diversas ocasiões em trabalhos da Sociedade Auxiliadora Feminina, e, por menos de um ano, como seu pastor. Ovelha que não deu trabalho, trabalhadora incansável e, já enferma, sonhando e trabalhando pelo desenvolvimento do trabalho feminino entre as mulheres presbiterianas. Lembro com clareza da sua última exortação, como presidente da federação, as mulheres de Ourilândia e Tucumã: "Há muito para ser feito, e nós não podemos deixar de fazer nossa parte, cada uma fazendo um pouquinho, com firmeza, e teremos um grande trabalho realizado". Agora, a lutadora descansou. Até o último momento sonhando com permanecer entre nós para trabalhar para o Senhor. Lutou árdua e bravamente parra permanecer como canal de benção para os demais servos de Deus – dias árduos, de luta, aprendizado e principalmente, confiança em Deus.
Perde a Igreja Presbiteriana do Brasil – perde a Igreja Presbiteriana em Xinguara. Perde a família "de Paula". Perde, por conseguinte, a nossa humanidade. Descansou, Deselina... aquela que parecia incansável, agora descansa no seio do Pai. Foi chamada pelo Senhor através de uma enfermidade que venceu seu corpo, mas não dobrou seu Espírito.
Sua morte, embora deixando um vazio e a dor da saudade no coração dos que a conheceram e amaram, não deve ser motivo de tristeza para nós, pois a nossa esperança não se limita apenas a esta vida (I Co 5.19).
Entre nós ficam a mãe, irmãos, filho e demais familiares e amigos. Ficam sem seu labor, sem sua atividade incessante. Mas lembremos – para ela foi a realização da jornada mais desejada, a realização da bem-aventurança eterna, pois estar com Cristo é incomparavelmente melhor (Fp 1.23).
Recordo-me de nossa última grande conversa, 50 minutos, por telefone. Sua voz fraca e ao mesmo tempo suas palavras fortes e confiantes: "Sei que Jesus morreu por mim, não tenho medo, sei que ele me toma em seus braços e posso confiar tranquilamente".
Mulher aguerrida, que sabia lutar pelo que queria, mas que só encontrou a vitória real quando se rendeu ao rei dos reis, senhor dos senhores, Jesus, com quem se encontra agora.
Não pretendemos lembrar de Deselina como uma mulher perfeita – sua família, seus irmãos em Cristo e seus amigos sabem que ela não foi e se entristeceria se tivesse ciência de que assim o fizéssemos. Mas lembremo-nos que ela tomou a atitude correta: ela colocou-se aos pés do Senhor Jesus, reconhecendo-o como seu Senhor e salvador, e recebeu como presente de Deus a vida eterna. Aos que ficam, amigos, irmãos, familiares, trago palavras não de lamento, mas de certeza da vitória alcançada. Diz-nos as Escrituras: "preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos" [Sl 116.15]. Que, como pediu Paulo aos Coríntios [I Co 1.11], seu exemplo seja imitado no que ela imitou a Cristo.
Justificada em Cristo, santificada pela fé, glorificada por nele crer. Até breve, não resta mais lutas, agora, apenas e eternamente, a felicidade eterna. Foi promovida à eternidade a serva que, hoje, ouviu do Senhor as doces palavras: "Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo" (Mt 25.34).

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