domingo, 12 de abril de 2015

QUE EVANGELHO É ESSE? - UMA MENSAGEM EM Cl 1.24-29

O VERDADEIRO EVANGELHO É A NOSSA CARTA DE LIBERTAÇÃO

Paulo conclui a seção anterior (Cl 1.23 - ...se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro) apresentando-se como ministro do evangelho. E o que é o ministério evangélico, do ponto de vista de Paulo? O que um ministro do evangelho tem a oferecer? O que o evangelho traz para aqueles que, anteriormente, eram alheios às promessas, alheios à aliança de Deus, sem Deus no mundo?
Os colossenses foram chamados à fé pelo evangelho que lhes foi pregado por Epafras. Paulo lhes diz que eles são concidadãos dos santos (Ef 2:19 - Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus), herdeiros das promessas, reconciliados com Deus na medida em que perseveram no evangelho. Epafras ofereceu aos colossenses o que ele possuía de melhor – as boas novas da salvação em Jesus Cristo, o genuíno evangelho de Cristo. Qualquer pregador que ofereça algo diferente disso é como um garimpeiro mal intencionado que oferece pirita aos incautos. Pirita é uma espécie de mineral também conhecida como ouro de tolo e de nenhum valor. Pode até parecer com um ministro do evangelho, mas é ministro de satanás de quem segue os passos e manhas (II Co 11.14-15 - E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras).
Ninguém é capaz de oferecer mais do que o evangelho – pode até ir além nas suas promessas, mas será como alguém que oferece uma grande soma por algum objeto mas entrega apenas dinheiro falso ou um cheque sem fundo. Mas, afinal, que evangelho é esse que foi recebido pelos colossenses, pregado por Epafras e a respeito do qual Paulo diz que nem ele tinha direito de acrescentar absolutamente nada por que qualquer acréscimo seria absolutamente inútil (Gl 1:8 - Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema)?

QUALQUER DOS FALSOS EVANGELHOS PRODUZEM FALSA LIBERDADE

Paulo já lutava contra outro evangelho. E mais tarde a Igreja teria que enfrentar outros “evangelhos” que surgiriam – gnósticos, docéticos e muitos outros. A Escritura nos diz que, nos dias de Paulo, havia outra mensagem que também se apresentava como evangelho – mas não era o evangelho de Cristo. Era uma novidade que, ao invés de trazer novidade de vida, fazia o homem mergulhar ainda mais na escravidão. Era uma novidade semelhante à pregação dos fariseus – rodeavam o mar para fazer um prosélito e dele faziam duas vezes mais filho do inferno do que eles próprios (Mt 23:15 - Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!).
Que evangelho era esse que levou homens medrosos a se tornarem ousados? (At 5:29 - Então, Pedro e os demais apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens). Que evangelho era esse que transformava homens tidos como de pouca ou nenhuma cultura em pessoas reconhecidamente portadores de um conhecimento diferenciado (At 4:13 - Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus).
Que evangelho era esse que levava Paulo a pregar, e a continuar pregando mesmo sob ameaça de morte (At 23:21 - Tu, pois, não te deixes persuadir, porque mais de quarenta entre eles estão pactuados entre si, sob anátema, de não comer, nem beber, enquanto não o matarem; e, agora, estão prontos, esperando a tua promessa) e, ainda mais, mesmo quando perseguição e a morte se fizeram presentes, como no caso de Tiago e de Estevão (At 7.60-8.1 - Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu. E Saulo consentia na sua morte. Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria)?
Que diferença tem este evangelho dos falsos evangelhos que surgiram e desapareceram? Que diferença tem este evangelho dos falsos evangelhos que continuam surgindo o tempo inteiro como se fossem pragas em jardim? A resposta é: este é o evangelho do Senhor Jesus, é o evangelho da salvação (Rm 1:16 - Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego), este é o evangelho que é, simplesmente, a Palavra eterna de Deus (Mt 24:35 - Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão). Somente este evangelho produz a verdadeira liberdade (Jo 8:32 - ...e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará). Vamos conhecê-lo melhor?

I.        É O EVANGELHO DO SENHOR ABSOLUTO (24)

24 Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja.
O evangelho do qual estamos falando é o evangelho que foi confiado aos discípulos do Senhor – e eles deveriam pregá-lo. Foram enviados para o mundo todo – poucos, para uma missão grandiosa: ir por todo o mundo, anunciar o evangelho a toda criatura (Mc 16:15 - E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura).
Por este evangelho, no cumprimento do mandato do Senhor, Paulo já havia experimentado vários tipos de sofrimento (II Co 11.23-27 - São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim.) Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez) – mas o que realmente importava era que sobre ele pesava a obrigação de cuidar do rebanho em obediência ao mandato do Senhor do evangelho (II Co 11:28 - Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas).
Estes sofrimentos não eram motivo de tristeza, mas de regozijo por saber que, em meio a eles o Senhor estava abençoando as Igrejas por onde o evangelho estava chegando. As aflições do corpo de Cristo eram uma realidade na vida do apóstolo Paulo – a ponto de ele afirmar ter as marcas de Cristo e suportar as angústias que o Senhor avisou que seriam experimentadas pelos seus discípulos.
Em sua limitação e fraqueza, em seu sofrimento e tribulações as Igrejas eram beneficiadas – e era isto o que Paulo considerava quando se tratava de seu ministério. Ele desejava estar com Cristo, mas sabia também que, enquanto não fosse chamado pelo Senhor, as Igrejas seriam beneficiadas com seu trabalho (Fp 1.23-25 - Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne. E, convencido disto, estou certo de que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé). Não importava a que custo, não importava o preço, o que importava era que o evangelho continuasse a ser proclamado (Fp 2:17 - Entretanto, mesmo que seja eu oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, alegro-me e, com todos vós, me congratulo).

II.     É O EVANGELHO QUE CUMPRE AS PROFECIAS (25)

25 da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus:
O evangelho do qual estamos falando é aquele que confirma tudo quanto foi anunciado anteriormente através das páginas das Escrituras e que informa que tudo quanto foi revelado anteriormente apontava para Cristo, a plenitude da revelação de Deus (Hb 1.1 - Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo).
Paulo se tornou um ministro (ele não usa a palavra doulos - escravo, para indicar servidão, como faz em outras ocasiões), alguém que de bom grado zela para que o serviço seja bem feito, seja organizado e agrade ao seu senhor. O papel do ministro do evangelho é seguir os passos de Cristo, apontar para o que dizem as Escrituras (Lc 24:27 - E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras) que testificam a respeito do messias, do Senhor Jesus (Jo 5:39 - Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim).
O evangelho do Senhor que Paulo servia era simplesmente a consumação de um plano anunciado primariamente no Éden e que foi sendo, progressivamente, revelado ao longo de toda a história da redenção – desde os patriarcas, profetas, reis até chegar ao cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1:29 - No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!), Jesus, aquele que obteve o testemunho do próprio Deus de que tinha a sua inteira aprovação (Mt 3:17 - E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo).
Este evangelho reflete a programação de Deus, a sua vontade sendo executada cuja pregação foi confiada aos apóstolos, a Paulo e aos que creem no evangelho que salva pecadores anteriormente inexoravelmente condenados à morte. Deus, em sua infinita sabedoria, dispôs todas as coisas para que os colossenses tivessem pleno conhecimento da palavra de Deus – Deus, em sua infinita sabedoria, dispôs todas as coisas para que você tivesse o conhecimento necessário da palavra de Deus nesta noite. Deus dispôs tudo para que você viesse aqui e ouvisse nesta noite que o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, e isto independe de sua nacionalidade ou qualquer outro fator (Rm 1:16 - Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego). É deste evangelho que estamos falando – o evangelho que cumpre a promessa de salvação feita desde os portões do Éden.

III. É O EVANGELHO QUE É A PLENA REVELAÇÃO DA VONTADE DE DEUS (26)

26 o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos;
Este evangelho que anunciamos revela a vontade de Deus que, muitas vezes, era apenas sugerida, prefigurada, nas páginas do Antigo Testamento. Sabemos que os homens sempre quiseram conhecer a vontade de Deus – ou dos deuses, no caso da história de uma humanidade que preferiu adorar as criaturas ao invés de dar ao criador a glória que lhe é devida (Rm 1.22-23 - Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis).
A humanidade já tentou conhecer a vontade da divindade através de alucinógenos, entranhas de animais, pedras, ossos, búzios, oráculos – nada tão antigo, nada tão novo, como adverte o sábio (Ec 1:9 - O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol). Mesmo com todo este aparato continua sem conhecer a vontade de Deus se não for busca-la no único lugar onde ela pode ser encontrada – na auto revelação de Deus, nas páginas das Escrituras e na pessoa bendita de Jesus Cristo.
 É o evangelho que revela a vontade de Deus que muitas vezes era apenas prefigurada, mostrada como uma sombra e que ainda permanece oculto para os incrédulos, ainda permanece oculto para todos aqueles que se prendem a preconceitos religiosos ou filosóficos, como aconteceu com os fariseus que, diante de Jesus, vendo suas obras, ouvindo seus ensinos, ainda assim se negavam a admitir que diante deles estava o messias (Jo 10:24 - Rodearam-no, pois, os judeus e o interpelaram: Até quando nos deixarás a mente em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-o francamente), e, mesmo Jesus dizendo claramente ser o autor da vida, o doador da vida eterna, o pai da eternidade, o filho de Deus e ser uno com o pai, ainda continuaram incrédulos (Jo 10.28-30 - Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um).
Não é falta de conhecimento – é falta de discernimento – que leva à rejeição da revelação do mistério que foi revelado. Mistério, nas palavras do Novo Testamento, não é algo sinistro ou impossível de ser conhecido, mas algo que esteve oculto por muito tempo mas finalmente foi mostrado, no tempo exato, na plenitude dos tempos, de maneira plena, clara e definitiva (Tt 2:11 - Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens) e é percebido pelos que recebem a Jesus como seu salvador (Mt 13:11 - Ao que respondeu: Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido).

IV.  É O EVANGELHO QUE GLORIFICA A DEUS (27)

27 aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória;
É o evangelho que traz o conhecimento da glória de Deus. Os atributos de Deus podem ser percebidos na criação, mas ela não diz quem ele é. Diz que há um criador grandioso, um sustentador sábio, um governador sempre atuante, mas não tem o propósito de dizer, para o homem caído e com o entendimento obscurecido pelo pecado, quem ele é – e é o evangelho quem traz este conhecimento. Os gregos adoravam vários deuses, eram acentuadamente supersticiosos embora já houvessem a muito abandonado seus escrúpulos religiosos – e neste ambiente o evangelho revela-lhes o Deus que eles não conheciam (At 17:22-23 - Então, Paulo, levantando-se no meio do Areópago, disse: Senhores atenienses! Em tudo vos vejo acentuadamente religiosos; porque, passando e observando os objetos de vosso culto, encontrei também um altar no qual está inscrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Pois esse que adorais sem conhecer é precisamente aquele que eu vos anuncio).
Por causa da incapacidade do homem em conhece-lo Deus designou fazer-se conhecido de maneira definitiva, revelando o esplendor da sua glória diante dos homens – e o fez na pessoa de Jesus Cristo. Esta revelação não se limitou aos judeus (Jo 1:11 - Veio para o que era seu, e os seus não o receberam) mas foi também designada para os gentios, para todas as nações da terra, como havia sido preanunciado a Abraão e repetido inúmeras vezes nas páginas do Antigo Testamento (Is 55:5 - Eis que chamarás a uma nação que não conheces, e uma nação que nunca te conheceu correrá para junto de ti, por amor do SENHOR, teu Deus, e do Santo de Israel, porque este te glorificou).
É verdade que Deus preferiu restringir a sua revelação pessoal aos hebreus durante um tempo (Êx 19:6 - ...vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel) mas, mesmo neste período membros de outras nações puderam reconhece-lo como Deus, como Naamã (II Rs 5.15) e Dario (Dn 6.26) até que chegasse o momento certo, ao qual Paulo chama de plenitude dos gentios (Rm 11:25 - Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não sejais presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios) e estes pudessem, então, invocar livremente o nome do Senhor para que fossem salvos (At 2:21 - E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo) e obtivessem, também eles, a esperança de, mediante a fé, fazer parte desta nação de sacerdotes (I Pe 2:9 - Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz).

V.     É O EVANGELHO QUE ELEVA O HOMEM AO PADRÃO DE DEUS (28)

28 o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo;
A Escritura afirma que o padrão de Deus para o homem é nada menos que a perfeição (Mt 5:48 - Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste). Ela também afirma que nenhum homem jamais alcançou, alcança ou alcançará este padrão (Ec 7:20 - Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque).
É somente pelo conhecimento do evangelho, pelo nascer de novo que o homem pode, enfim, ser tornado apresentável diante do criador. E é este evangelho que Paulo pregava – o evangelho que transforma vidas, que leva pecadores a, convertidos, viverem não mais segundo as inclinações da sua própria carne e buscarem agradar ao Senhor em tudo quanto fizerem (I Co 10:31 - Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus). O evangelho é nada menos que a admoestação de Deus através de palavras humanas ao pecador para que ele se reconcilie com Deus (II Co 5:20 - De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus).
É somente mediante o evangelho de Jesus Cristo – e Jesus Cristo é o próprio evangelho, que o homem pode chegar a Deus (Jo 14:6 - Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim) e ser colocado diante dele, sendo, diante do pai, apresentado pelo próprio Cristo, tendo Cristo como mediador e fiador de uma nova e superior aliança (Hb 7:22 - ...por isso mesmo, Jesus se tem tornado fiador de superior aliança).
Somente em Cristo o pecador é finalizado, isto é, atinge o padrão que Deus estabeleceu. Somente em Cristo o homem pode ser considerado aperfeiçoado, não necessitando mais de complemento algum (II Co 5:17 - E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas). Embora pecadores, somos apresentados a Deus como regenerados, lavados pelo Espírito no precioso sangue de Cristo (Tt 3:5 - ...não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo).
Cristo, na sua morte, faz de todos aqueles que nele creem seu povo, sua Igreja, sua noiva – e a apresenta, orgulhosamente, ao seu pai como seus discípulos amados que se empenham em se manterem no caminho, andando com Cristo, aguardando, ansiosamente, o momento de seu retorno (II Pe 3:14 - Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por serdes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis).

VI.  É O EVANGELHO QUE DEVE SER ANUNCIADO PODEROSAMENTE (29)

29 para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim.
O evangelho não pertence a homem algum, nem a Igreja alguma. O evangelho pertence ao Senhor e somos apenas embaixadores que ele mesmo escolheu para proclamá-lo (I Co 9:16 - Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!). Assim como o evangelho não nos pertence, embora seja nosso no sentido de que a verdade nos foi dada, não temos o direito de guardá-lo ou escondê-lo – ele deve ser pregado perseverantemente.
Este evangelho não pode ser falseado porque não nos pertence – ele é o evangelho da verdade, e a verdade não pode ser temperada com mentiras (Ef 1:13 - ...em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa).
O evangelho é a pura palavra de Deus, e não deve ser misturado com impressões humanas como se isso fosse dar maior credibilidade ou eficácia à palavra pregada (I Co 2:4 - A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder) porque uma pregação humanizada só vai produzir adesões e nunca verdadeiras conversões, porque estas são frutos da atuação do Espírito (Jo 1:13 - ...os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus).
Para que o homem seja aperfeiçoado, para que o cego veja, para que o coxo salte, para que o que está morto tenha vida – para isso o evangelho é anunciado. Para que o incrédulo creia. Para que a tristeza e desespero ceda o lugar à fé e à alegria – para isso o evangelho é anunciado. Para que você se converta e seja salvo – eis o motivo para este evangelho estar sendo pregado agora (Ez 18:32 - Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei).
Perigos e provas não devem desanimar ninguém em relação ao evangelho. Não sofremos o mesmo que os apóstolos sofreram ou que os primeiros cristãos sofreram. Não estamos sofrendo o que muitos irmãos nossos estão sofrendo na África e na Ásia. O máximo a que estamos sujeitos é à zombaria, desprezo e descaso dos amigos, dos sábios e poderosos deste mundo – mas nada disso deve ser suficiente para desanimar da proclamação incessante do evangelho – a nós cabe anunciar, a eficiência da proclamação está confiada ao poder do Senhor. Era o poder de Deus, e não a eloquência paulina, que transtornava o mundo antigo (At 17:6 - Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos perante as autoridades, clamando: Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui).

O PERIGO DE SEGUIR OUTRO EVANGELHO

Cuidado com pirita – cuidado com o ouro de tolo. Cuidado com o que tem apenas aparência de piedade mas que, na verdade, é apenas uma luminosa armadilha para apanhar os incautos – se possível, até mesmo manter nas prisões do erro eleitos que desconhecem o verdadeiro evangelho (Mt 24:24 - ...porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos).
Cuidado com a aparência de piedade, com o uso constante do nome do Senhor e até com a realização de prodígios pela operação do erro (II Ts 2:11 - É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira) sem, todavia, guardar os mandamentos do próprio Senhor – estes serão rejeitados pelo Senhor no dia do juízo (Mt 7:21 - Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus).
E o que acontecerá com aqueles que seguirem a tais pregadores de falsidades, ministros de satanás (II Co 11:15 - Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras)? Mesmo que alguém afirme que eram inocentes e que não conheciam o verdadeiro evangelho, mesmo que alguém afirme que estavam enganados, a verdade é que seguiram a mentira ao invés de adorarem ao criador, e serão tornados semelhantes aos guias cegos que os guiavam (Sl 115:8 - Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam).

COMO RECONHECER UM FALSO EVANGELHO

Temos exemplos nas Escrituras de algumas pessoas que receberam o apostolo Paulo e, ouvindo o que ele ensinava, tomaram uma atitude bastante sábia, que é aconselhavam para nós também, mesmo vinte séculos passados: eles conferiam o que Paulo dizia com o que as Escrituras afirmavam. Vamos ver o que eles faziam:
Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim (At 17:11).
i.                   Em primeiro lugar, eles receberam a Palavra de Deus com avidez, com desejo de conhecer, afinal, eram as tão aguardadas boas novas do evangelho;
ii.                Em segundo lugar eles examinaram as Escrituras, conferiam as afirmações de Paulo com o que as Escrituras afirmavam a respeito do messias;
iii.             Em terceiro lugar eles procediam a este exame diariamente, porque assim como o alimento para o corpo é diário, também é a necessidade da alma em relação à Palavra de Deus.
Certamente os bereanos, após perceberem que o evangelho era o que haviam esperado, era o mistério que estivera oculto, eles certamente deram um quarto passo: eles abandonaram a vã esperança que depositavam em qualquer outra coisa e abraçaram a fé no Senhor Jesus Cristo, com todas as mudanças que isto poderia significar para suas vidas. Poderiam perder reconhecimento social, como Paulo, que, de enviado pelo sinédrio para perseguir cristãos, passa a ser perseguido por causa do nome de Cristo; poderiam ter dificuldades no emprego, como o cego que é curado por Jesus (Jo 9:8 - Então, os vizinhos e os que dantes o conheciam de vista, como mendigo, perguntavam: Não é este o que estava assentado pedindo esmolas?).

O QUE FAZER COM UM FALSO EVANGELHO

A mesma coisa que você faz quando lhe dão uma nota falsa de dinheiro, seja ade R$ 10,00 ou R$ 100,00 – considere-a inútil, sem proveito. Não a guarde, nem a passe adiante. Se você o fizer, se guardar, se tentar depositá-la no banco será envergonhado. Como Paulo adverte, considere-a sem proveito, inútil, anátema.
Não dê crédito a quem intenta lhe passar um falso evangelho – o fim do erro é a perdição. Não aceite seu veneno, não abra a sua casa.

O QUE VOCÊ DEVE FAZER

O que você deve fazer ao conhecer o verdadeiro evangelho? A mesma coisa que você faz com algo real, com algo verdadeiro, com algo que tem valor. O Senhor Jesus ilustra isso ao falar sobre a pérola de grande valor. O comerciante de perolas vende tudo o que possuía para adquirir algo que valia incomensuravelmente mais do que o que estava disposto a abrir mão (Mt 13:46 - ...e, tendo achado uma pérola de grande valor, vende tudo o que possui e a compra).
O que você deve fazer se já conhece o evangelho – viver de modo digno do evangelho (Fp 1:27 - Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica) e proclamar o evangelho da salvação por onde for (Mc 16:15 - E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura). Ser embaixador do ministério da reconciliação (II Co 5:18 - Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação). Ser sal e luz. Fazer a diferença num mundo que jaz no maligno.

O que nós todos nós, que sabemos qual o verdadeiro evangelho, devemos fazer? Sair daqui esta noite e dizer em alto e bom som hoje e sempre, em todo e qualquer lugar, que somos discípulos de Cristo – e que não nos envergonhamos de servir ao crucificado. Não nos envergonhamos do evangelho – somos embaixadores, não agentes secretos de Jesus (Rm 1:16 - Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego). Embaixadores no trabalho, na escola, no lazer, em casa, na rua. Embaixadores entre amigos e entre opositores, mas sempre embaixadores (II Tm 1:12 - ...e, por isso, estou sofrendo estas coisas; todavia, não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia).

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