sexta-feira, 24 de outubro de 2014

PERSONAGENS: ROBOÃO E O PREÇO DA INSENSATEZ QUE PASSA DE PAI PARA FILHO


O EXEMPLO PERFEITO DO RESULTADO DE UMA EDUCAÇÃO NADA EXEMPLAR
I Rs 12; 14.21-31; II Cr 9.31 – 12.16

REOBOÃO, UM LEGÍTIMO HERDEIRO DE SEU PAI

Seu nome hebraico é Rehabh'am (que o povo se expanda). Reoboão (também conhecido como Roboão) era filho de Salomão com Naamá, uma princesa amonita. Naamá era uma das "mulheres" de Salomão que lhe perverteram o coração (I Rs 11.4). Apesar de sábio, Salomão se casara com uma filha dos amonitas – descendente do relacionamento incestuoso provocado pelas filhas de Ló (Gn 19:38). Os amonitas, historicamente, eram inimigos de Israel e foram usados, algumas vezes, como chicote de Deus para disciplinar seu povo quando este se rebelava (Jz 10:7).
Reoboão é o exemplo mais perfeito de um filho que não teve orientação em seu lar. De uma princesa amonita, adoradora de Baal só poderíamos esperar que conduzisse seu filho na adoração a estes falsos deuses (Jz 10:6). Mas, de Salomão, homem muito sábio, extremamente rico, construtor do templo, deveríamos esperar que prezasse pelo cumprimento da vontade de Deus. Mas ele foi uma grande decepção: errou em contrair matrimonio com amonita (I Rs 11:1) desobedeceu instruções claras dadas pelo Senhor em sua Palavra (Dt 7.1-4) e viu seus filhos e descendentes se transformarem adoradores de falsos deuses, lamentavelmente, seguindo o seu exemplo e o de suas esposas idólatras (I Rs 11:5).
Reoboão precisava de um pai fiel, - e não teve. É óbvio que a responsabilidade pelos pecados de Reoboão, pela divisão do reino e por todos os demais males que vieram durante o seu governo é absolutamente sua (I Rs 11:9-13). Entretanto, as sementes foram plantadas pelas falhas espirituais e familiares do seu pai. Isso não fez Roboão não ser responsável pelas suas próprias decisões, pois ele era. Mas as ações e atitudes do seu pai prejudicaram Roboão. Salomão não falhou como governador – sob seu governo a nação prosperou – mas a manutenção de sua prosperidade comprometeu sua fé e convicções. Ele realizou muitos casamentos políticos para firmar alianças com outras nações e suas esposas pagãs o influenciaram e ele caiu em idolatria. Não sabemos quantos filhos ele teve, mas, com 1000 mulheres, ele certamente não dispôs de tempo para ser um bom marido e um bom pai. Resumindo, Reoboão não teve em quem se espelhar – e, talvez, mesmo a opulência de seu pai não lhe tenha despertado a mesma admiração que despertou na rainha de Sabá (II Cr 9.3-6).

DEUS DIRIGE SEU REINO SOBERANAMENTE

Reoboão tinha 41 anos quando começou a reinar – e reinou por 17 anos. Estimativas apontam que ele começou a reinar em 997 a.C., ocupando o trono até 980 a.C. (II Cr 12:13).

I. COLHE-SE O QUE SE PLANTA

Como dito anteriormente, as sementes de sua desgraça foram plantadas ainda nos dias de Salomão, quando este tomou a Jeroboão, descendente de Efraim, e o constituiu como administrador sobre o trabalho forçado da casa de seu pai, José (I Rs 11.28). Inesperadamente, por causa da infidelidade de Salomão, o profeta Aías se aproxima dele e rasga sua túnica nova em doze partes, entregando dez delas a Jeroboão (I Rs 11.31). Deus, entretanto, não faz passar o reino de Davi e de sua casa, reservando parte dele e o trono em Jerusalém para os descendentes do homem cujo coração ele moldara e que era modelo para todos os demais reis.

II. DEUS NÃO MUDA

Embora Salomão não merecesse (I Rs 11.33), Deus reservou parte do reino para Reoboão por amor a Davi (I Rs 11.34-36).

III. UM ATO INSENSATO DE UM REI SÁBIO

No único ato de hostilidade registrado a respeito de Salomão, ilustrando bem a frase que diz que "se queres conhecer um homem dê-lhe poder, se queres conhecer o lado negro de um homem, ameace tirar-lhe o poder" ele se levantou contra Jeroboão (I Rs 11.40). Este ato certamente se deu já após suas mulheres lhe terem pervertido o coração. Conforme Deus prometeu, Salomão manteve o reino unido até a sua morte

A INSENSATEZ COMO INSTRUMENTO PARA CUMPRIMENTO DA PROMESSA DE DEUS

Após a morte de Salomão o povo se reuniu em Siquém para coroar Reoboão como seu rei (I Rs 12.1) com um convidado indesejado (I Rs 12.2-3) com um pedido inesperado (I Rs 12.4).
O governo de Salomão, apesar de próspero, esgotou a capacidade produtiva do povo, que pagava impostos considerados altos (aos quais chamavam de "mordida"). Compreensivelmente queriam que o novo rei, num ato de boa vontade e benevolência, lhes diminuísse a carga. Lembremos que Davi deixou tudo o que era necessário para a construção do templo, e isto nada custou a Salomão. Entretanto, edificar palácios, vinhas, manter a corte, construir cidades e palácios para 1000 mulheres tinham um custo – e o povo era quem o pagava. Era, sem dúvida, um pedido justo.

I. FESTA ADIADA, FESTA FRUSTRADA

Reoboão poderia ter resolvido a questão naquele momento, mas preferiu gerar um suspense sobre o povo (I Rs 12.5). Reoboão não era sábio como seu pai – mas havia aprendido a conviver na corte, e, primeiro, procura conselho com aqueles que conviveram com seu pai, e que, talvez, tivessem aprendido alguma coisa com eles (I Rs 12.6-7).

II. UM BOM CONSELHO PARA UM REI TOLO

Para um homem de 41 anos de idade, rico, impetuoso, que passara a vida inteira sendo servido, a simples expressão "se, hoje, te tornares servos deste povo" era uma afronta, e, então, ele dá nenhum valor ao conselho recebido (I Rs 12.8). Era um bom conselho, e se Reoboão o atendesse o povo o serviria, mas ele, em sua impetuosidade e arrogância, não aceitou o conselho.

III. UM MAU CONSELHO PARA UM REI ARROGANTE

Para um homem de 41 anos de idade, rico, impetuoso, que passara a vida inteira sendo bajulado, o conselho que recebeu dos jovens lhe pareceu música aos ouvidos: mostre-se forte, mostre-se poderoso e eles temerão você. Reoboão antecipa em dois milênios o conselho de Maquiavel: o príncipe deve ser temido e amado, se não der para ser os dois, que seja pelo menos temido[1] (I Rs 12.8-11). Estes conselheiros, relativamente jovens, não sabiam o que era lutar para manter um reino, nasceram e cresceram durante o reinado de Salomão e deram um péssimo conselho, acatado por Reoboão com trágicas consequências.

IV. REI TOLO, REINO DIVIDIDO

Ele repetiu cada palavra de seus amigos – e com isso perdeu o coração do povo para sempre. Reoboão poderia ter aprendido com outro jovem, como ele, de coração maldoso, mas, ao menos, politicamente mais sábio (II Rs 15.4-6). Com a resposta do rei o povo se rebelou contra Reoboão, rejeitando, então, a casa de Davi para reinar sobre eles e abandonaram o tolo rei Reoboão.
A maior parte resolveu declarar Jeroboão seu rei (I Rs 12.20), e apenas Judá, Benjamim, os sacerdotes e os levitas e algumas famílias de outras tribos ficaram com ele (I Rs 12.21).

V. CONSOLIDAÇÃO DA DIVISÃO

Reoboão realmente tentou colocar em prática o conselho e mandou Adorão cobrar impostos nas tribos separatistas e este acabou morrendo apedrejado (I Rs 12.18). Foi necessária a intervenção de Deus para que não houvesse guerra entre as tribos (I Rs 12.22-24). Apesar disso, os dois grupos permaneceram hostis entre si (I Rs 15.6).

BOA VONTADE MENOR QUE A INFLUÊNCIA FAMILIAR

Apesar de sua estultícia inicial, Reoboão e suas tribos seguiram ao Senhor, e foram prósperos – embora não tão prósperos quanto Salomão. Ele teve menos mulheres (18 esposas e 60 concubinas) e filhos (28 filhos e 60 filhas), dentre estas esposas algumas primas (II Cr 11.21). Foi mais sábio que seu avô, Davi, e treinou os filhos para dirigirem parte do país, escolhendo um para ser seu sucessor (II Cr 11.22-23). Certamente os presentes dados aos filhos serviu para evitar que houvesse insurreições contra Abias, seu escolhido.

I. GOVERNO CIVIL

Reoboão também edificou cidades, fortificando-as e preparando suas defesas (II Cr 11.5-12).

II. GOVERNO RELIGIOSO

Reoboão também cuidou da religião (II Cr 11.13-14) e dos refugiados expulsos por Jeroboão (II Cr 11.16-17).

III. O FRUTO NÃO CAI MUITO LONGE DA ÁRVORE

Mas se Reoboão não tivera a mesma sabedoria política de Salomão no seu DNA, tinha a mesma estultícia. Três anos depois de seu reinado, quando estava tudo estabelecido, Reoboão abandonou a adoração ao Deus de Israel e liderou Judá segundo havia aprendido da religião de sua mãe, a amonita Naamá (I Rs 14.21-24).

IV. O JULGAMENTO DE DEUS

As atitudes de Reoboão trouxeram-lhe a ira de Deus, que enviou Sisaque, rei do Egito, que invadiu Jerusalém (cidade desacostumada a guerras havia pelo menos 40 anos) e saqueou o templo (I Rs 14.25-26). Deus resume a maneira como Reoboão deve ser visto em uma frase curta, mas contundente: ele fez o que era mal pois não dispôs seu coração para buscar ao Senhor (II Cr 12.14).

LIÇÕES PRECIOSAS NA VIDA DE REOBOÃO

OS FILHOS HERDARÃO O QUE DEIXARMOS PARA ELES

Davi deixou para Salomão um reino e uma cultura familiar: total descuido com seus filhos. Salomão recebeu um reino estável, livre da idolatria e pronto para ser uma nação de sacerdotes do Deus altíssimo (Êx 19:6).
Salomão não foi diferente – embora tenha sido melhor administrador, mantendo seu país longe das guerras foi pior para a religião, fazendo-o afundar na idolatria e entregou um reino rico mas morto espiritualmente (Ap 3:1).
Que herança nossos filhos receberão? Qual será a sua grande fortuna? Aquilo que a traça corrói e o ladrão escavam (Mt 6:19-20) ou os tesouros celestes (Mt 6.20)?

PRIMEIRO AVISO: Cuidado com o que deixa para seus filhos.

BONS EXEMPLOS PODEM SER ESQUECIDOS, MAS MAUS EXEMPLOS SÃO SEGUIDOS

Davi certamente deixou bons exemplos para Salomão – pelo menos no que se refere ao culto (I Rs 3:3). Mas ele os abandonou por amor de suas muitas mulheres (I Rs 11.33). Salomão deixou bons exemplos para Reoboão – pelo menos em relação à administração e ao trato com as pessoas, como quando julgou a disputa duas prostitutas por uma criança, filho de uma delas (I Rs 3.27).

SEGUNDO AVISO: Intensifique os bons exemplos, evite os maus exemplos.

SOMENTE OUVIDOS TOLOS ATENDEM CONSELHOS DE BAJULADORES

Reoboão tinha tudo para ter um início de governo tranquilo. Certamente sabia da profecia a respeito de divisão do reino. Teve a oportunidade de "fazer algo para evitar" quando o povo lhe pediu benevolência. Teve o exemplo do reino dividido com seu avô, Davi. Viu o reino unificado durante 40 anos por seu pai. Teve bons conselhos de pessoas que, embora não sendo tão sábias quanto Salomão, conviveram e aprenderam com ele. Mas preferiu o conselho de bajuladores (Sl 12:2), falsos amigos que lhe induziram ao erro ao invés de corrigi-lo e abençoa-lo (Pv 27:17).

TERCEIRO AVISO: Cuidado com os falsos amigos e suas palavras doces.

COMEÇAR BEM NÃO É SINAL DE QUE TERMINARÁ BEM

Há numerosos exemplos na bíblia de pessoas que começaram bem e terminaram tragicamente. Saul, o primeiro rei de Israel é um exemplo. Salomão é outro exemplo de rei que começou temente a Deus e terminou adorando a falsos deuses. Muitos entram e saem das Igrejas (I Jo 2:19), alguns demonstrando um fervor inicial que logo se apaga (Hb 6:4-6). Assim, urge a necessidade de vigilância pessoal (II Pe 3:17).

QUARTO AVISO: Vigiais para que não venham a cair em tentação.




[1] O ideal é ser as duas coisas, mas como é difícil reunir as duas coisas, é muito mais seguro - quando uma delas tiver que faltar - ser temido do que amado. Porque, dos homens em geral, se pode dizer o seguinte: que são ingratos, volúveis, fingidos e dissimulados, fugidios ao perigo, ávidos do ganho. E enquanto lhes fazeis bem, são todos vossos e oferecem-vos a família, os bens pessoais, a vida, os descendentes, desde que a necessidade esteja bem longe. Mas quando ela se avizinha, contra vós se revoltam. E aquele príncipe que tiver confiado naquelas promessas, como fundamento do ser poder, encontrando-se desprovido de outras precauções, está perdido. É que as amizades que se adquirem através das riquezas, e não com grandeza e nobreza de carácter, compram-se, mas não se pode contar com elas nos momentos de adversidade. Os homens sentem menos inibição em ofender alguém que se faça amar do que outro que se faça temer, porque a amizade implica um vínculo de obrigações, o qual, devido à maldade dos homens, em qualquer altura se rompe, conforme as conveniências. O temor, por seu turno, implica o medo de uma punição, que nunca mais se extingue. No entanto, o príncipe deve fazer-se temer, de modo que, senão conseguir obter a estima, também não concite o ódio. Nicolo MAQUIAVEL, in 'O Príncipe', cap. 17.

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